9730 – Projeções – Os acertos e erros


Qual o futuro do computador, do carro e do celular? Finalmente vamos nos teletransportar, viajar para a Lua? Bem difícil de responder. Mas foi isso que fez o engenheiro civil americano John Watkins em 1900, tentando adivinhar como seria o mundo no ano 2000.

Suas previsões circularam a mídia inglesa neste começo de ano e chamaram a atenção pelo relativo grau de acerto. É claro que ele não adivinhou o nome dos inventos que estariam por vir, mas conseguiu vislumbrar um futuro como poucos conseguem.

O desconhecido engenheiro escreveu um artigo publicado na revista feminina Ladies’ Home Journal com o título “O que pode acontecer nos próximos cem anos”. Watkins teve sucesso em algumas previsões, mas errou profundamente em outras. Reunimos aqui algumas de suas adivinhações e outras baseadas em livros de ficção científica que previram o futuro quando ele ainda estava “a quilômetros de distância”.

1. Televisão
Elfreth imaginou que no ano 2000 o homem poderia ver todo o mundo através de câmeras conectadas eletricamente com telas, mesmo estando a milhares de quilômetros dos lugares mostrados. Ele não previu apenas a televisão em 1900, mas toda a rede interligada, inclusive a transmissão de imagens ao vivo de qualquer parte do planeta.

2. Fotografia digital a cores
Em um acerto impressionante, Elfreth previu que as fotografias seriam “telegrafadas” de qualquer distância. “Se houver uma batalha na China daqui a cem anos, os instantâneos de seus eventos mais marcantes serão publicados uma hora mais tarde”. Para ele, as fotografias no ano 2000 iriam reproduzir todas as cores da natureza.

Naquela época, as pessoas consideravam o simples ato de fotografar um milagre. Outro fator importante que engrandece sua previsão é que, em 1900, uma fotografia como a descrita acima levaria uma semana para chegar até a redação de um jornal ocidental.

Tijolão agora só no museu
Tijolão agora só no museu

Telefone móvel
Celulares e chamadas internacionais eram desconhecidos em 1900. Mesmo assim, Elfreth acreditava que o telefone sem fio e os “circuitos telegráficos” iriam abranger o mundo um século depois. “Um marido no meio do Atlântico será capaz de conversar com sua esposa em Chicago”. O aparelho celular surgiu apenas em 1947 e a telefonia mundial é completamente conectada.

4. Trem de alta velocidade (trem-bala)
Não existiam trens rápidos em 1900. Eles surgiram apenas em 1964, no Japão. Elfreth previu que no ano 2000 os trens poderiam atingir 150 milhas por hora (241 km/h). Para um trem ser considerado de alta velocidade, ele precisa atingir entre 160 e 300 km/h.

5. Jogos de realidade virtual
Arthur Clarke, em seu livro “The City and the Stars”, conseguiu imaginar um jogo de realidade virtual em 1956 antes mesmo do lançamento do primeiro jogo para video game (1958).

Em seu livro, Clarke descreve uma forma de lazer popular em Diaspar (a cidade onde a história é ambientada), realizada de forma ativa pelos moradores. “Você pode ir para mundos fantasmas com seus amigos, buscando emoções que não existem em Diaspar. Enquanto o sonho durar, não haverá maneira de distingui-lo da realidade”.

6. Vídeo-chat

video chat

Conversar com outras pessoas separadas pela distância através de vídeos é algo que o ser humano busca desde a invenção do telefone. Muitas pesquisas resultaram no lançamento de uma série de produtos, como o Picturephone, pela AT&T em 1964. Com o advento da web, surgiram a webcam, em 1993, e o Skype, em 2003. Hugo Gernsback imaginou tudo isso em 1911, no livro “Ralph 124C 41+”, um clássico da ficção científica que se passa no ano 2660.

O personagem do livro, chamado Edward, usa o “telephot”, um aparelho de videoconversa. Ele pressiona um grupo de botões e em poucos minutos o painel revela a face de um homem. Para dar mais ênfase ao “poder” de uma videochamada, Edward mostra um aparelho que está ao seu lado para o interlocutor, provando a revolução da ferramenta de comunicação.

7. Radar
Mais uma vez, Hugo Gernsback revela o futuro com antecedência no livro “Ralph 124C 41+”. Um radar é descrito em sua obra 20 anos antes dele surgir, em 1933, pelas mãos de Guglielmo Marconi.

Gernsback descreve o aparelho no livro: uma onda polarizada de éter, pulsante, surgiu em um objeto de metal e pode ser refletida da mesma forma que um raio de luz em uma superfície brilhante. A partir da intensidade dos impulsos refletidos, a distância entra e a terra e o avião pode ser estimada com precisão.

8. Comida pronta
“Refeições prontas poderão ser compradas em estabelecimentos similares às nossas padarias de hoje”. Mais uma previsão de John Watkins Elfreth, o visionário, feita em 1900. Apenas em 1950 essas refeições começaram a se popularizar e a se proliferar nas prateleiras dos Estados Unidos.

9. Tanque de guerra
“Fortalezas enormes sobre rodas vão andar sobre epaços abertos à velocidade dos trens expressos de hoje”. O primeiro tanque de guerra surgiu apenas em 1915, na Inglaterra, para ser usado na Primeira Guerra Mundial.

Essas viraram disparates:
Sem C, X, Q no teclado
“Não haverá C, X ou Q em nosso alfabeto diário. Elas serão abandonadas porque serão desnecessárias.” Sem essas letras não haveria mais palavras como “casa”, “xadrez” ou “querer”. É provável que outras letras tivessem que entrar no lugar, o que ficaria meio sem sentido.
Mas o que provavelmente Elfreth quis dizer é que a “comunicação de massa” do futuro poderia resultar na redução da quantidade de letras, algo que não se concretizou.

Sem carros
“Todo o tráfego rápido será abaixo ou acima do solo quando entrar nos limites das grandes cidades.” Uma coisa é certa: ele previu metrôs subterrâneos e estradas elevadas. Mas infelizmente o transito continua afogado no meio das grandes cidades, firme e forte.

Sem mosquitos ou moscas
“Os mosquitos, moscas e baratas serão exterminados.” Talvez seja bem o contrário que esteja acontecendo hoje, com a aglomeração populacional e boa parte das pessoas vivendo sem condições de higiene. Outro fator que prova o contrário é a recente infestação de percevejos nos Estados Unidos e alguns outros países.

Todo mundo vai andar 16 quilômetros diários
É uma visão bastante otimista para a humanidade, mas quem poderia dizer em 1900 que boa parte da população seria obesa por falta de exercícios um século depois? Talvez se seguíssemos o que Elfreth previu em 1900, o mundo poderia ser bem mais saudável.

9729 – Por falar em golpe, aqui está outra modalidade: Sociedade em conta de participação


Se algum espertalhão vier com essa pra cima de você, pode cair fora.

A sociedade em conta de participação (direito brasileiro) ou conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios . É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Atualmente, os artigos de 991 a 996 do Código Civil brasileiro dispõem sobre essa modalidade societária.
Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação entre os sócios, não é uma sociedade propriamente dita, ela não tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não aparece perante terceiros.
O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio participativo (esta denominação surgiu com o CC/2002, antes esse sócio era conhecido como sócio oculto).
O sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participativo, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo.
A constituição da Sociedade em Conta de Participações (SCP) não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial.
O lucro real da SCP, juntamente com o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), uma vez que esta não possui CNPJ, são informados e tributados em campo próprio, na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo.
Ocorrendo prejuízo fiscal na SCP, este não pode ser compensado com o lucro decorrente das atividades do sócio ostensivo, muito menos do sócio oculto e nem com lucros de outras SCP, eventualmente existentes sob a responsabilidade do mesmo sócio ostensivo. Este somente é compensável com lucros fiscais da própria SCP, observado o limite de 30%, cuja regra também é aplicável às demais empresas.
Este modelo societário tem sido alvo de diversas ações do Ministério Público, já que tem sido utilizado para a criação de falsos fundos de investimento imobiliário e consórcios sem os devidos registros na CVM e outros órgãos e agências reguladoras.

9728 – Não caia nessa furada…! Título de capitalização não é investimento


Partindo desse parâmetro:
Bancos não são instituições de caridade, eles não fazem nada para perder.
Parece bom negócio, mas é tapeação. Você compra o papel e concorre todo mês ao sorteio de prêmios que variam de 50 mil a meio milhão de reais. Caso não seja sorteado ao final de um período, tudo bem: recebe o dinheiro de volta, devidamente corrigido. O problema é que o nome “título de capitalização” engana. Faz parecer que você está investindo em seu futuro. E as instituições financeiras que vendem esse produto não se preocupam em evitar a confusão. Na verdade, título de capitalização não é investimento. Trata-se de uma loteria, na qual poucos felizardos ganham.
A chance de ter seu título de capitalização sorteado é de 1 em 75 mil – mais difícil que acertar o primeiro prêmio na loteria federal. E o rendimento proporcionado por ele é mínimo – atrelado à TR (taxa referencial do mercado, calculada pelo Banco Central). Desse valor, ainda é descontada a tarifa de administração, que varia entre 10% e 15%. Ou seja: não é comprando títulos de capitalização que você vai garantir seu futuro.
Para se ter uma ideia de como a rentabilidade dos títulos é baixa, basta compará-los a uma das modalidades de investimentos mais conservadoras, a caderneta de poupança. Na remuneração desse tipo de aplicação incidem a TR mais 6% de juros ao ano. E não há desconto algum. Quem depositou R$ 100 na poupança em janeiro de 2009 tinha R$ 107 ao cabo de 12 meses, contra R$ 100,70 de quem empatou o mesmo dinheiro em títulos de capitalização. Descontada uma taxa administrativa de 10%, o valor resgatado pelo dono dos títulos seria de apenas R$ 90,70 – ou seja, menos do que ele “investiu”.

9727 – Verdades ou Mitos? Uma minhoca cortada ao meio não vira duas


Pobres minhocas. Neste exato momento, uma delas deve estar se dando mal em algum lugar do mundo. É que criança, qualquer que seja a nacionalidade, adora cortar uma minhoca ao meio pra ver se ela não vira duas. Antes que você também resolva fazer a experiência, fique sabendo: essa história não tem pé nem cabeça.
Ninguém sabe qual é a origem desse mito. Talvez ele venha da associação que muita gente faz das minhocas com um parente delas: a planária. Esse verme, sim, é capaz de se dividir por fissão – e cada metade se regenera até formar um novo ser. A tradicional minhoca de jardim, porém, não chega a tanto. Ela também tem uma incrível capacidade de regeneração. Mas, se cortada ao meio, apenas a metade que ficar com a boca vai se transformar em uma nova minhoca. A outra parte, por não se alimentar, inevitavelmente perecerá.

9726 – Energia – Risco de Apagão, usinas trabalham no limite


vela-300x286

Depois do recorde de quarta-feira passada, ontem o Brasil registrou um novo recorde de consumo de energia. Foram 84 331 megawatts/hora, registrados às 15h32.
Entre os dias 21 de janeiro e ontem, ou seja, nos últimos quinze dias, foram registrados os dez maiores picos de consumo de energia da história do Brasil.
O sistema elétrico está operando no limite. E as térmicas que seguram a barra nestes tempos de pouca chuva, calor excessivo e obras de infraestrutura atrasadas?
De acordo com dados do próprio governo, ontem a situação era explosiva. O Brasil tem 21.317 megawatts de capacidade instalada de termelétricas. Desse total, 5 094 megawatts estão em manutenção e 15 242 megawatts estão em operação.
Portanto, há uma sobra de magros 981 megawatts, o que em termos de geração é quase nada.

9725 – História do Brasil – O Tratado de Petrópolis


Recebe o nome de Tratado de Petrópolis o documento firmado entre a Bolívia e o Brasil a 17 de novembro de 1903. Assinado naquela cidade do estado do Rio de Janeiro, este tratado tornou oficial a anexação do atual estado do Acre ao território brasileiro.
Surgimento da questão
Desde a segunda metade do século XIX, alguns brasileiros, sobretudo nordestinos fustigados por sucessivas secas em suas áreas instalam-se na bacia do rio Acre, para se dedicar à atividade extrativista (leia-se extração do látex, matéria-prima da borracha, obtido das seringueiras, árvores nativas do lugar). Sem conhecer ou se importar com títulos de propriedade, estes migrantes começam a ocupar as terras, cuja maior parte pertencia à Bolívia. As fronteiras permaneciam inexatas, apesar de estabelecidas reiteradas vezes por tratados internacionais.

A Bolívia, no entanto, jamais exercera ali sua soberania. A área entre os rios Javari e Madeira constava nos mapas locais como “tierras non descubiertas”. Habitando em sua grande parte os altiplanos, os bolivianos não se mostravam aptos ou mesmo interessados em tomar posse daquela isolada região de planície. Como consequencia, as incursões populacionais nessas áreas não preocupavam os países vizinhos. Este era o cenário na região enquanto a borracha era apenas um item exótico das exportações amazônicas.

tratado-petropolis-acre

A riqueza da borracha
No entanto, as mudanças trazidas pela Revolução Industrial fizeram com que a região do Acre atraísse a atenção de governos e particulares. Mais precisamente, a borracha começou a ser empregada em larga escala na indústria, principalmente na fabricação de pneus de veículos, motocicletas e bicicletas, uma prática viabilizada pelo processo de vulcanização inventado por Charles Goodyear em 1839. Desse modo, torna-se inevitável uma corrida ao chamado “ouro negro” da Amazônia, já valorizado graças ao incremento da produção de calçados e das exigências do maquinário empregado no processo de industrialização em si.

A reação boliviana
Assim, em 1898, as autoridades bolivianas deixam de lado a indiferença em relação à ocupação brasileira da fronteira. O que antes eram “simples escaramuças locais” envolvendo seringueiros brasileiros e vizinhos bolivianos toma a forma de conflito internacional.

Em 1899 os bolivianos fundam Puerto Alonso, nome dado em homenagem ao então Presidente Severo Fernandes Alonso. O governo brasileiro não se manifesta, buscando uma posição inerte em relação à questão. Naquele momento, predominava o entendimento vindo do Tratado de Ayacucho, de 1867, onde Brasil e Bolívia entendiam que o Acre era território boliviano. A falta de reação brasileira era interpretada por seringalistas e seringueiros como a oficialização da soberania estrangeira na região, alimentando a primeira insurreição acreana. Em 1º de maio de 1899, cerca de quinze mil brasileiros, a maioria residentes na região, sob o comando do advogado José Carvalho e com o apoio do governo do Estado do Amazonas, levantaram-se contra os bolivianos.

Os seringueiros se revoltam
A segunda insurreição deu-se em 14 de julho de 1899, chefiada pelo jornalista espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Arias. Em Puerto Alonso, já rebatizada Porto Acre, Galvez hasteia a bandeira acreana, proclamando a criação do Estado Independente do Acre. As autoridades federais brasileiras, ainda buscando preservar o conteúdo do Tratado de Ayacucho, interpretam o gesto como uma invasão territorial à Bolívia e enviam forças para desbaratar o Estado Independente. Assim, a 15 de março de 1900, o Brasil promove a transição política, passando o controle da região à Bolívia.

O Barão do Rio Branco assume
Quando a controvérsia em torno do Bolivian Syndicate acirrou-se, surgiu na cena política a figura de José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, que havia sido convidado pelo Presidente Rodrigues Alves a assumir a pasta do Ministério das Relações Exteriores e, de imediato estudar o tema delicado. Rio Branco decidiu interpretar o Tratado de 1867 ao pé da letra, e declarou o território do Acre litigioso com relação ao Brasil e ao Peru, com quem a Bolívia acabara de firmar um tratado para submetê-lo à arbitragem da Argentina.

Com o real intento de forçar a Bolívia a negociar, o Barão apresentou a proposta de permuta de territórios ou de compra do Acre pelo Brasil, que assumiria o compromisso de acertar-se com o Bolivian Syndicate. Ambas as propostas foram rechaçadas pela Bolívia, que se fiava no apoio norte-americano.

Brasileiros contra bolivianos
Enquanto isso, no Acre, o gaúcho Plácido de Castro inicia um movimento armado contra a Bolívia, pela posse da região. As tropas bolivianas são derrotadas, e é proclamada, pela terceira e última vez, o Estado Independente do Acre, o que soluciona militarmente o litígio. O presidente boliviano, General Pando, percebendo que não poderia manter o controle sobre o Acre, busca finalmente o entendimento diplomático. Em 21 de março de 1903, ele concordou com a ocupação e administração brasileira na região até a conclusão dos termos do acordo que culminaria com o Tratado de Petrópolis, assinado meses depois.

Por esse instrumento, ficou acordado que a Bolívia receberia compensações territoriais em vários pontos da fronteira com o Brasil. O governo brasileiro se comprometeria a construir a Estrada de ferro Madeira-Mamoré, e preservaria a liberdade de trânsito pela ferrovia e pelos rios até o oceano Atlântico, facilitando o escoamento das exportações bolivianas. Como não havia equivalência entre as áreas permutadas, estabeleceu-se, ainda, uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, a ser paga pelo Brasil em duas parcelas.

A Bolívia cederia a parte meridional do Acre, reconhecidamente boliviana, mas povoada por brasileiros, e desistiria da reclamação da outra parte do território mais ao norte, também ocupada só por brasileiros. O Bolivian Syndicate aceitou a rescisão contratual mediante uma compensação financeira de 114.000,00 libras esterlinas, em distrato assinado em 26 de fevereiro de 1903.

O Tratado de Petrópolis praticamente selou o destino do Acre, que até hoje permanece como integrante da federação brasileira de modo praticamente incontroverso. O Peru seguiria mais alguns anos manifestando-se diplomaticamente por direitos na região, mas acabaria chegando a um acordo com as autoridades brasileiras.

9724 – Biologia – O Caramujo Africano:


É uma espécie de molusco terrestre tropical, originário do leste e nordeste da África. Foi mundialmente disseminado pela ação humana ligada a gastronomia, pela região da Tailândia, China, Austrália, Japão e recentemente pelo continente americano. Essa espécie é considerada uma das cem piores espécies invasoras do mundo causando sérios danos ambientais. No Brasil foi introduzida a partir 1988 como uma forma barata de substituir o escargot.
Os indivíduos adultos de caramujo africano podem atingir uma massa de mais de 200g e chegar a 15 cm de comprimento de concha. É um caramujo de concha cônica marrom ou mosqueada, alcançando a maturidade sexual entre quatro e cinco meses. Os indivíduos são hermafroditas, podendo realizar até cinco posturas por ano, com 50 a 400 ovos por postura. Ativo no inverno, resistente ao frio e à seca, geralmente passa o dia escondido e sai para se alimentar e reproduzir à noite ou, durante e logo após as chuvas.
A invasão do caramujo africano no Brasil se constitui não só num problema principalmente em áreas urbanas, mas também cresce em áreas naturais importantes. Devido a ampla distribuição do molusco no Brasil, torna-se impossível erradicá-lo. Porém, o controle local continua possível, embora requeira grandes custos financeiros e mão-de-obra.
Em países de climas tropicais, os prejuízos à agricultura são ainda maiores, primeiramente, porque há perda de produtividade na colheita devido ao ataque destes herbívoros, sem contar o ataque a outras plantas que fornecem o enriquecimento da camada superficial do solo. Podem também transmitir organismos patogênicos para as plantas. Em segundo lugar, há o custo do trabalho e dos materiais associados com a gerência da praga. Terceiro, há perdas como a limitação dos tipos de plantações que podem ser cultivadas, devido às mudanças do ambiente e a presença do caramujo.

caramujos

O caramujo africano além de praga agrícola é o responsável pela transmissão de parasitos pertencentes ao grupo dos nematoides do gênero Angiostrongylus, parasitos estes que causam doenças de difícil diagnóstico em humanos. A pessoa é infectada pelo parasito acidentalmente quando ingere alimentos ou água contaminados com larvas de terceiro estádio, presentes no muco secretado pelo caramujo, seus hospedeiros intermediários. Os principais parasitos que podem ser transmitidos pelo caramujo africano são o Angiostrongylus cantonensis e o Angiostrongylus costaricensis.

Diversas estratégias físicas, químicas e biológicas têm sido utilizadas no controle do caramujo. O controle ativo é considerado o método mais eficiente de manejo para o molusco e requer, primeiramente, a coleta e a destruição dos caramujos e seus ovos das áreas infestadas. A coleta deve ser repetida com frequência, ao longo do ano, sem interrupção, e isso se deve a grande fecundidade da espécie, e deve incluir áreas urbanas, áreas agrícolas como hortas e roças, áreas agrícolas abandonadas, bordas de florestas e de brejos.
O controle químico também foi uma possibilidade muito explorada, porém, há o elevado custo econômico e tecnológico. A situação nos últimos anos não mudou muito, sem registros de desenvolvimento especifico contra Caramujo Africano, apesar da grande diversidade de compostos sendo estudados.

9723 – Mega Polêmica – Eleição de Analfabetos


Argumentos pró:

Opinião de Daisy Cunha: Pós-Doutora em Educação de Adultos pelo Conservatoire National des Arts et Métieurs (CNAM-Paris); doutora em Filosofia pela Université de Provence-França, professora do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG.

Aceitar o voto dos analfabetos e recusar sua elegibilidade significa dar lhes meia cidadania. Votar e não poder ser votado é ter a metade do direito político cassado. Ou seja, não é possível impedir a eleição de alguém porque o Estado falhou em educá-lo. O fato de um parlamentar, no Congresso ou nas câmaras de vereadores, não saber ler e escrever é problema de uma nação que se deseja desenvolvida. E, se a educação básica é direito de todos, a legislação não pode impedir a eleição dos analfabetos.
Todos os dias muitos fatos políticos nos mostram que não somos salvos do analfabetismo político pelo domínio da leitura e da escrita. Depois dos anos 60, Paulo Freire, pedagogo brasileiro de renome internacional, já mostrava que iletrismo não é sinônimo de (in)cultura política, aquela que importa para a construção do bem comum.

Analfabetismos são muitos: aquele dos tecnocratas da cultura da gestão eficiente que “azeitam” a máquina, mas deixam professores em greves infinitas e desgastantes; aquele que ainda permite a corrupção; e o que elege políticos cujos slogans são “Ser bom de serviço” e “Rouba, mas faz”. Ou mesmo “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto” e “Pior que tá não fica”. O autor das últimas frases tornou-se o deputado federal mais votado na última eleição e acabou acusado pelo Ministério Público de não saber ler e escrever. Fosse ele de fato analfabeto, deveria ser garantido o seu direito de se eleger, ainda que seu mote de campanha prestasse um desserviço à política. Mas tudo isso nos impõe interrogar: que política é essa dos tempos de marketing e do voto obrigatório? Cabe ao Congresso rediscutir a inelegibilidade de quem não sabe ler e escrever.

Hoje, a Proposta de Emenda Constitucional número 27/2010 espera a indicação de um relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. A PEC que autoriza a eleição dos analfabetos ainda está longe de ir para a votação em plenário. Os argumentos da Assembleia Nacional Constituinte para manter a negação desse direito, há 23 anos, parecem ultrapassados quando somos surpreendidos com o noticiário de que um deputado (entre tantos outros maus exemplos) foi condenado por trocar votos por laqueadura de trompas. Não saberia ler quem vendeu e quem comprou os votos?
Segundo o Censo 2010 do IBGE, há 13,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais analfabetos. Isso significa 9,63% da população. Em pleno século 21, é um número mais do que absurdo.
A imprensa, que noticiou a polêmica em torno do deputado Tiririca e levou à ação do Ministério Público, não tem contribuído para aprofundar os debates cruciais da política nacional. E o Congresso, enquanto adia a discussão do tema, muito menos. Falta aos parlamentares, junto com a sociedade, combater os verdadeiros problemas da política brasileira.

9722 – Sabesp cria estratégia para baixar consumo de água em SP


Depois de mais de uma semana sem chuva e sob forte calor com os termômetros indicando temperaturas acima dos 30º Celsius (C), a capital paulista poderá ter áreas de instabilidade de forma isolada no final da tarde, segundo informa o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), órgão da prefeitura de São Paulo. Mas para os próximos dias, a previsão é de predomínio da estiagem, incomum para essa época do ano.
Além da falta de chuva, os moradores da cidade tem enfrentado temperaturas recordes. No sábado (1), o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) registrou o dia mais quente para um mês de fevereiro. A temperatura máxima chegou a 35,8º C, às 16h, na estação metereológica do Mirante de Santana. Foi a marca mais elevada para o período em relação a média histórica e a temperatura mais elevada de 2014, ficando atrás apenas da medição feita , no último dia 3, quando atingiu 35,4º C.
Com o calor excessivo, o consumo de água aumenta, e como não tem chovido, dia a dia só tem baixado o nível do principal reservatório de abastecimento da cidade, o Sistema Cantareira, que atende a cerca de 10 milhões de pessoas, na Grande São Paulo. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o nível neste domingo estava em 21,7% do total da capacidade.
Para evitar transtornos, com risco de racionamento, a Sabesp lançou uma campanha oferecendo um desconto de 30% no valor da conta dos consumidores que conseguirem economizar 20% no consumo em relação ao gasto médio dos últimos 12 meses. Poderão participar os consumidores de residênciais, comerciais e industriais.
O Sistema Cantareira distribui água para a toda a zona norte e o centro de São Paulo, além de atender parte das zonas leste e oeste da capital e também os municípios de Barueri, Caieiras, Carapicuíba, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapevi, Jandira, Osasco e Santana de Parnaíba. Já em Guarulhos e São Caetano do Sul,o atendimento ocorre por meio das prefeituras, que compram e distribuem o produto. Nos dois municípios, caberá à prefeitura adotar ou não a mesma estratégia da bonificação.
Segundo a Sabesp, os interessados poderão ter acesso à sua média de consumo no endereço eletrônico da empresa – www9.sabesp.com.br/agenciavirtual . Ainda conforme justificou a companhia, ao longo do ano passado na área das quatro represas que formam o Sistema Cantareira foi registrado 1.090 milímetros de chuva, bem abaixo da média histórica que é de 1.566 milímetros.
Além da medida de estímulo, a empresa recomenda o esforço coletivo para economizar água adotando comportamento como, por exemplo, o de tomar banhos mais curtos e sempre fechar o registro ao ensaboar ou usar o shampoo; de não lavar a calçada com mangueira e apenas limpar o local com vassouras; trocar a mangueira pelo balde na hora de lavar o carro; tirar o excesso de comida da louça a ser lavada e o de acumular as roupas para serem lavadas a um só tempo.
Moradora em um condomínio de apartamento no bairro do Tremembé, Vera Lúcia Barros, de 59 anos, considerou a medida válida. No entanto, ela contou que já segue uma rotina de economia que se encaixam nas recomendações feitas. “Eu nunca esvazio a caixinha de reservatório para a descarga do banheiro, sempre só uso a metade e deixo juntar as roupas para colocar na máquina de uma vez só”, disse. A consumidora relatou ainda que o edifício onde mora tem um sistema de captação de água de chuva para uso na limpeza e na regas do jardim e que o exemplo poderia ser seguido por muita gente.