13.652 – Uber passa a usar algoritmo de inteligência artificial para proteger motoristas


Uber
A Uber anunciou que começou a usar algoritmos de inteligência artificial para proteger motoristas em sua plataforma de carros particulares sob demanda. O objetivo é evitar que parceiros sejam atraídos para emboscadas.
“A Uber tem adotado a tecnologia de machine learning para identificar riscos com base na análise, em tempo real, dos dados das milhões de viagens realizadas diariamente por meio do aplicativo”, explicou a empresa por meio de uma nota oficial.
Machine learning é uma forma de ensinar sistemas informatizados a “decorar” comportamentos a partir de repetição, aprendendo, no caminho, a improvisar em certas situações. É uma das muitas formas práticas da inteligência artificial.

Esses algoritmos da Uber cruzam informações a respeito do passageiro – como quantas viagens ele já fez, sua nota como cliente, sua localização e modo de pagamento – para tentar “adivinhar” se a corrida pode ser uma emboscada.
Se o sistema concluir que há sinais de que esse cliente pode ser um criminoso à espera de um motorista para assaltar, por exemplo, o aplicativo da Uber vai esconder a corrida do mapa. Todo o processo é feito automática e remotamente.
A asessoria de imprensa da Uber confirmou que a tecnologia têm sido empregada de maneira experimental já há algum tempo. Mas agora, dados suficientes já foram coletados para que a Uber possa confiar nesse sistema automatizado.
“Ess tecnologia foi desenvolvida por uma equipe de cientistas de dados, engenheiros e especialistas para ajudar a antecipar e reduzir a probabilidade de incidentes de segurança”, afirma a Uber em nota. “A nova ferramenta se junta a outras tecnologias e processos de segurança que o aplicativo já oferece para serem usados antes, durante e depois de cada viagem.”

13.345 – Uma Isca quase Perfeita – Prostituta liderava grupo que furtava casas de alto padrão em SP


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A Polícia Civil prendeu uma garota de programa de 22 anos suspeita de liderar uma quadrilha especializada em furtos de casas de alto padrão em Sorocaba (a 99 km de São Paulo) e cidades vizinhas. Outros dois homens também foram presos.
Segundo a polícia de Sorocaba, os investigadores monitoraram por quatro meses as redes sociais de Bruna Aguilar e de seus comparsas, Robson Aguiar, 18, e Bruno Felipe da Silva, 19.
Os policiais conseguiram descobrir que o trio atuava quando as casas estavam vazias e sabiam exatamente onde estavam guardados os objetos mais valiosos. Geralmente furtavam joias, relógios e dinheiro.
A equipe de investigação acredita que o trio recebia informações privilegiadas sobre as casas que deveriam furtar. “Eles tocavam a campainha, viam que não tinha ninguém e arrombavam, ou até pulavam os muros”, disse ao site “G1” o delegado Marcelo Carriel.
Segundo a polícia, o trio costumava ostentar com fotos nas redes sociais uma vida de luxo.
Bruna foi presa em seu apartamento na cidade em Sorocaba. No local os policiais dizem ter encontrado dois revólveres calibres 32 e 38, munições, muitas joias, relógios de diversas marcas, entre elas Rolex, e bijuterias.
Com os outros criminosos, também na mesma cidade, foram apreendidos um carro, uma moto e R$ 80 mil.
A polícia disse que conseguiu esclarecer sete casos de furtos na região, mas que acredita haver outros.
Segundo a polícia, Bruna já tinha passagem pela polícia por furto e responderá por associação criminosa e porte ilegal de armas.
A polícia de Sorocaba não divulgou o que os detidos afirmaram em depoimento. A corporação também não soube informar se o trio apresentou advogados.

13.259 – Mega Sampa – Polícia faz megaoperação de combate ao tráfico na cracolândia


Da Folha para o Mega

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A polícia de São Paulo realizou na manhã deste domingo (21-maio-2017) aquela que é considerada pelos órgãos de segurança como uma das maiores operações de combate ao tráfico de drogas na cracolândia, na região central da capital.
Os agentes soltaram bombas na região, a partir das 6h49 da manhã, e avançaram para desmantelar a feira livre de drogas que opera no local, vendendo principalmente crack.
Após a operação policial, homens da Guarda Municipal devem se instalar na região para não permitir a volta do tráfico.
Parte da operação foi acompanhada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, a ação policial visa a prisão de traficantes e apreensão drogas e armas. Sobre os usuários, ele disse que o Estado oferece tratamento aqueles que buscam abandonar o vício. “Dependência química é igual apendicite. Você precisa tratar da pessoa”, disse ele.
Ao menos 69 traficantes —dentro e fora do chamado “fluxo”— estão na mira dos policiais do Denarc (departamento de narcóticos) como suspeitos de irrigar o comércio de entorpecentes na área. Há mandados de prisão contra todos eles.
Até o momento, segundo a polícia, foram presas 38 pessoas, incluindo os oito principais traficantes da área, pessoas que ficavam fora do “fluxo”, além de um grupo suspeito de traficar e realizar a segurança armada da cracolândia.
Foram aprendidas armas (entre pistolas e revólver), um simulacro de metralhadora e uma grande quantidade droga (que estão sendo contabilizados neste momento).
Também há mandados judiciais para busca e apreensão em cerca 80 locais diferentes na zona leste e norte da capital, e alguns endereços na Grande São Paulo e litoral paulista.
São estimados cerca de 900 homens e mulheres nesta operação, sendo cerca de 450 deles da Polícia Civil e o mesmo tanto da Polícia Militar, que realiza o cerco da área com homens da tropa de choque. A entrada no fluxo foi realizado apenas por policiais civis.
Essa ação vinha sendo desenhada desde fevereiro pelo Denarc, com o levantamento de imagens dos principais traficantes que operam ali e a preparação das equipes táticas para invasão de prédios e pontos de interesse dos investigadores.
O estudo foi pensado pela cúpula da Polícia Civil para tentar evitar ao máximo possível o confronto com traficantes e a morte de algum usuário.
Nos últimos dias, porém, o clima no local tem mostrado altamente tenso com a identificação de criminosos armados, que já fizeram disparos contra policiais militares em ao menos duas oportunidades, e a descoberta de orientações de integrantes de organização criminosa (PCC) para resistir à ações policiais.
A data escolhida para as prisões, um domingo de manhã, foi pensada para tentar evitar transtorno à vida dos paulistanos, como ocorreu no início deste mês quando policiais militares e guardas civis entraram em confronto com um grupo liderado por traficantes. Houve tiros, barricadas incendiárias, saques no comércio da região, e reflexo no trânsito na cidade.

Ao mesmo tempo, a programação da Virada Cultural está ocorrendo em regiões próximas no centro da cidade.
Uma grande intervenção na cracolândia vinha sendo discutida entre policiais e representantes da prefeitura de São Paulo, que tem planos de instalar ali o programa Redenção. Até o final do mês passado havia, porém, um impasse sobre o sistema de segurança ostensivo no local, para evitar que a feira livre das drogas voltasse a imperar.
Essas respostas poderão ser dadas daqui a pouco pelo prefeito João Doria (PSDB) que deve se descolocar também para a cracolândia.
A última grande operação do Denarc na cracolândia se deu em agosto do ano passado, quando 32 pessoas foram detidas sob a suspeita de integrar uma das células que abastecem a área de entorpecentes.
Esse grupo era liderado por representantes de movimento de sem-teto na capital, que, segundo a polícia, tinha como entreposto de drogas uma hotel ocupado pelo grupo, o famoso Cine Marrocos.
A cracolândia já foi alvo de uma série de operações das gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) nos últimos anos, mas que não conseguiram impedir a concentração de usuários de crack e a presença dominante do tráfico.
Na região, Estado e prefeitura desenvolvem programas diferentes voltados aos dependentes. O programa Braços Abertos, criado em 2014 pela gestão Haddad, é baseado na redução de danos. O dependente é incentivado, pela oferta de emprego e renda, a diminuir o uso de drogas, sem necessidade de internação.
O Recomeço, instituído por Alckmin em 2013, trabalha a saída do vício com tratamentos que incluem isolamento em hospitais e comunidades terapêuticas.
Como desde o início do ano ambos são comandados por correligionários do PSDB, prefeitura e Estado vêm tentando agora articular conjuntamente um programa para combater o tráfico na região, evitando que ações policiais sejam disparadas sem o conhecimento da gestão municipal, como aconteceu em episódios anteriores.

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13.153 – Precisamos de uma polícia que nos proteja


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Sem polícia, é impossível construir um país decente. Mas tem que ser polícia mesmo
Temos alguns policiais bons. No geral, no País, esses bons policiais têm imensa dificuldade em lidar com a cultura da corporação. Acabam ficando deprimidos, uns escorregam no álcool ou em outras drogas, vários vão lentamente afrouxando a fibra moral. Alguns se suicidam, pela impossibilidade de conciliar o que eles acham certo com o que são obrigados a fazer todos os dias. Numa pesquisa com PMs do Estado do Rio, um a cada dez admitiu que já tentou se matar, um a cada cinco disse que pensava nisso.
Sem polícia, não é possível viver em paz na sociedade. Por mais rico e civilizado que seja um lugar, sempre haverá o perigo de alguém mau aparecer querendo lesar os outros – até o Éden precisa se precaver contra esse risco. O trabalho de polícia é um serviço público básico, que qualquer Estado digno de cobrar impostos tem a obrigação de prover.
Infelizmente, o Brasil não provê esse serviço, embora cobre impostos bem altos de seus cidadãos.
Gás lacrimogênio pode causar cegueira, aborto, colapso respiratório, além de ser fator de risco para doenças crônicas. Ainda assim, está longe de ser a pior coisa que pode acontecer a um brasileiro num encontro com a polícia.
A polícia daqui é uma das que mais matam no mundo – mais de 3 mil pessoas perdem a vida no País a cada ano perfurados por balas disparadas por agentes públicos. Claro que parte dessas mortes é necessária: elas podem inclusive ter salvo vidas. Mas é difícil evitar a constatação de que nossa polícia mata demais, ainda mais quando se verifica que várias vítimas são crianças, mães e pessoas desarmadas. Nos Estados Unidos, país bastante violento que possui população bem maior que a nossa, a polícia leva 30 anos para matar tanta gente. E a polícia de uma só cidade brasileira, São Paulo, mata mais que a dos EUA inteiros. Quase nunca, por aqui, algum policial é sequer investigado por essas mortes. Punições criminais são tão raras quanto moscas brancas.
62% dos brasileiros têm medo de ser vítima de violência policial – índice que fica mais e mais próximo de 100% quando se pergunta para pretos, pobres e nordestinos.
Diante desse quadro, é de se compreender que muitos brasileiros odeiem a polícia. Quantos de nós ou dos nossos amigos já vivemos traumas na mão de policiais sádicos, corruptos ou preconceituosos. Essa rejeição de parte da população à polícia chegou a um extremo nos últimos três anos, desde que a violência desmedida da PM paulistana desencadeou aquela que talvez fique registrada como a maior revolta popular da história do País, depois inflamada por uma crise econômica e por um imenso escândalo de corrupção que perpassa todo o sistema político.
Dia sim, dia também, em alguma cidade brasileira, há milhares de manifestantes gritando “Não acabou / tem que acabar / eu quero o fim da Polícia Militar”, sob o olhar ressentido dos próprios PMs, que ganham salário menor do que o valor das bombas de gás lacrimogênio que eles têm para jogar. O que se vê ao final de cada noite é uma batalha cheia de mágoa e sangue, que fica mais amarga a cada manifestação.
Não deveríamos ter ódio da polícia. Nenhuma sociedade saudável sobrevive se não tem confiança nas pessoas cujo serviço é cuidar da nossa segurança. Tem algo muito errado num país no qual agentes da ordem saem pelas ruas fazendo bagunça – explodindo bomba na cara, mirando no olho dos fotógrafos, mentindo no registro das ocorrências. O governo desconfia tanto dos nossos policiais que proibiu que eles ajudem a socorrer pessoas passando mal – o próprio Estado suspeita que eles possam se aproveitar para forjar execuções. Como é que o Estado coloca uma arma na mão de alguém em quem ele próprio não confia?
O sistema político tem dado respostas insuficientes ao problema, tanto à esquerda quanto à direita. Enquanto um lado elege como inimigo a polícia inteira, o outro defende os abusos, e se esquece que, num País que entra nessa espiral de execuções e vinganças, qualquer um pode ser a próxima vítima.
É injustificável que, em 2016, o Brasil ainda tenha uma polícia construída nos anos 1970, sob uma mentalidade ultra-autoritária, que vê o cidadão como um inimigo em potencial. Todo mundo que é sério concorda há mais de 20 anos que nosso modelo de polícia é inadequado e ultrapassado. E, ainda assim, após décadas de democracia sob governos de PMDB, PSDB, PT, não demos nenhum passo decisivo na direção certa.
É uma tentação culpar os policiais (ou os manifestantes) pelo fracasso, mas ele é do sistema político inteiro. Nessa história, os policiais são pelo menos tão vítimas quanto vilões. Quase 75% deles querem uma reforma profunda, que inclua a desmilitarização da polícia. Eles querem que a polícia melhore.
Quem geralmente não quer são os políticos, que acham conveniente ter uma polícia brutal que despreze regras, de maneira a poder usá-la para atacar seus inimigos e para manipular a opinião pública, exacerbando seus medos.
Já é hora de criar uma polícia de verdade no Brasil. Uma instituição transparente, que tenha como única missão proteger a população, que use a força com sabedoria e que garanta que todo mundo cumpra as regras – as mesmas, para todos.
Esse último item é especialmente importante. O Brasil é a terra do privilégio: achamos normal que umas pessoas sejam tratadas de um jeito e outras de outro. Para um país funcionar, as regras que cada cidadão tem que seguir precisam ser sempre as mesmas, seja ele branco ou preto, rico ou pobre, de direita ou de esquerda. Se não for assim, não é polícia: é um bando de arruaceiros, entre outros bandos de arruaceiros. E ninguém respeitará sua autoridade.

13.115 – Mega Notícias – Greve da PM provoca caos no Espírito Santo


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Familiares de PMs pedem reajuste salarial e protestam impedindo o policiamento nas ruas do Espírito Santo. O estado diz que não tem caixa para bancar o aumento. E no meio do impasse está a população, que desde sábado (4) enfrenta uma onda de violência
Sem PM, estado tem onda de crimes
Arrastão em shopping
Depois de ter a arma apontada para a cabeça enquanto fazia compras em um shopping na Praia do Canto, em Vitória, uma publicitária, de 24 anos, que preferiu não ser identificada, só tinha um pensamento: “Eu vou morrer”.
Vários homens saíram de dentro de carros em frente ao shopping e fizeram um arrastão em lojas no local no sábado (4). O bando saqueou uma joalheria e, em seguida, passou por outros estabelecimentos, segundo a jovem.
“A moça da loja em que eu estava abriu a porta para ver o que era e dois homens entraram. Eu estava saindo do provador e, nisso, vi os assaltantes e dei dois passos para trás. O ‘cara’ olhou para mim, apontou a arma e mandou eu ficar parada, sem olhar para ele. Foi horrível”, relatou.
O ‘cara’ olhou para mim, apontou a arma e mandou eu ficar parada, sem olhar para ele. Foi horrível”

Loja Ricardo Eletro, em Goiabeiras, é saqueada na capital do Espírito Santo
Agências bancárias e escolas municipais e estaduais na Grande Vitória também amanheceram novamente fechadas. A dona de casa Águida explicou que a situação está complicada porque os filhos estão em casa sem aula e ela está sem comida, pois não tem como sacar dinheiro nas agências bancárias.
“Estou sem gás em casa há dois dias e eu não consigo sacar nem R$ 10 porque os bancos estão fechados. Eu tenho três crianças em casa, meus filhos estão sem se alimentar direito, só com pão e suco”, disse.
Sem atendimento
Um homem, que preferiu não se identificar, passou a noite de segunda (6) para terça (7) na porta da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, em Vitória, e não conseguiu ser atendido. A loja dele foi assaltada na manhã de segunda-feira por vários homens armados, que levaram o carro e vários objetos dele, inclusive a aliança.
“Chegamos aqui ontem, às 9h40, e nada, nem à noite. Ficamos a noite também, porque falam que o atendimento é 24 horas por dia, mas estamos aqui até agora e nada acontece”,
Sem policiamento há quatro dias, muitos carros estão sendo roubados à luz do dia. A costureira Ângela Maria Pessim pegou um carro emprestado para ir até a delegacia. O dela foi roubado, nesta segunda-feira, por volta das 16h, em Cariacica. Os criminosos levaram também documentos e R$ 1,8 mil.
A costureira disse que está mais assustada com a situação do que com a perda do carro. “Eu não estou chorando pelo carro que levaram, que é um bem material. Foi um filme de terror na minha frente, foram uns cinco na minha frente. Quem está solto são os bandidos, quem está preso somos nós”, falou.
O investigador Jair Netto explicou que o atendimento na delegacia acontece 24 horas por dia, mas, nesta segunda-feira, por questão de segurança, manteve somente o atendimento interno.

Entenda a crise na segurança no ES
– Os PMs reivindicam aumento nos salários, pagamento de benefícios e adicionais e criticam as más condições de trabalho.
– Como os PMs não podem fazer greve, as famílias foram para a frente dos batalhões para impedir a saída das viaturas policiais.
– O bloqueio começou no sábado (4) e atinge a Grande Vitória e cidades como Linhares, Aracruz, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Piúma.
– Desde então, a Grande Vitória registrou 75 mortes violentas, ante 4 em todo o mês de janeiro, segundo o sindicato da Polícia Civil.
– Escolas, postos de saúde e parte do comércio estão fechados desde segunda-feira (6), quando ônibus também pararam de circular. Os coletivos voltaram a rodar na manhã desta terça (7), mas serão recolhidos novamente às 19h.
– 1.000 homens das Forças Armadas fazem policiamento na Grande Vitória desde segunda; 200 integrantes da Força Nacional começam a atuar.

13.056 – Sistema Prisional – Prendemos muito e prendemos mal


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O comando vermelho e o Primeiro Comando da Capital, as duas maiores organizações criminosas do Brasil, mantiveram durante os últimos anos um pacto de não agressão nos presídios e nas ruas do país. A disputa pelo controle do tráfico de drogas nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, fez ruir o acordo de paz.

Em 16 de outubro, durante uma rebelião em um presídio de Roraima, dez detentos foram assassinados — alguns inclusive foram queimados vivos. A maioria dos mortos era ligada ao Comando Vermelho. Horas depois, em uma prisão de Rondônia, o conflito causou a morte de oito presos, asfixiados durante um incêndio.

Histórias desse tipo não são novidade para os pesquisadores que estudam o sistema prisional brasileiro. Violações sistemáticas de direitos, falta de infraestrutura e perda de controle dos presídios para o crime organizado são apenas alguns dos elementos que caracterizam o insustentável quadro dos cárceres do país. “A pessoa é presa por cometer uma ilegalidade e é colocada em um local repleto de ilegalidades”, afirma o padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária.

Em setembro do ano passado, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que as prisões brasileiras descumprem preceitos fundamentais da Constituição e precisam de reformas. A questão, porém, é como fazer com que as sugestões dos magistrados se tornem realidade para as 622 mil pessoas presas nas cadeias do país.
DIÁRIO DE 622 MIL DETENTOS
O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, que vive em estabelecimentos superlotados e com milhares de presos provisórios

O assassino que tirou a vida de inocentes. O jovem detido com cinco pedras de crack no bolso da bermuda. A senhora que furtou um pacote de bolachas em um mercado. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e réu da Operação Lava Jato. Seu amigo, que voltou de uma festa dirigindo após beber dez latas de cerveja. Qual a punição adequada para cada uma dessas pessoas?

Juristas e filósofos ofereceriam uma infinidade de argumentos para discutir a questão. A Justiça brasileira é mais prática: na dúvida, o sujeito que se adequar ao “perfil de criminoso” irá para a cadeia. “A curva da taxa de encarceramento no Brasil não parou de crescer porque prendemos muito e prendemos mal: há uma porta de entrada ampla e uma porta de saída estreita”, afirma Édson Luís Baldan, professor de criminologia do curso de Direito da PUC-SP e ex-delegado da Polícia Civil. De acordo com o levantamento oficial do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), divulgado em abril de 2016 e que reuniu dados de até dezembro de 2014, 622 mil pessoas ocupavam as celas brasileiras. Em 14 anos, o aumento da população prisional foi de 167,32%.

Os defensores do endurecimento de punições a criminosos até poderiam comemorar esses índices. Mas questões jurídicas são mais complexas do que o discurso reproduzido nos programas policiais: um processo criminal passa por um inquérito policial, pela análise do Ministério Público, pela coleta de provas e, finalmente, pela sentença de um magistrado. Até tudo isso acontecer, uma audiência de custódia determina se a pessoa aguardará seu julgamento em liberdade ou na cadeia. E se a cultura da impunidade existe no país, ela ainda não foi apresentada para 40% da população carcerária brasileira, formada por presos provisórios que aguardam uma sentença final da Justiça.

Ao decidir pela prisão provisória, o juiz leva em conta as circunstâncias do processo. Segundo a lei, o magistrado só poderia manter preso quem oferece risco à sociedade, ameaça o andamento do processo — intimidando testemunhas e destruindo provas — ou conta com meios para fugir. “Os pobres não conseguem provar que têm carteira assinada, não possuem contrato de aluguel. Então o juiz diz: ‘Estou inseguro, não sei se ele tem residência fixa; vou deixá-lo preso’”, destaca Gustavo Junqueira, defensor público do estado de São Paulo e professor da Damásio Educacional. “E o sujeito mais abastado leva a escritura da casa, da microempresa… e acaba solto. A lei não autoriza essa seletividade, mas ela acontece.”

Com o inchaço dos processos judiciais, as decisões se arrastam e os presos continuam privados de liberdade sem contarem com um julgamento. Como a Constituição Federal recorda em seu artigo 5º, ninguém é considerado culpado até a decisão final do julgamento. Mas no Massacre do Carandiru, maior assassinato de detentos da história do país, 84 dos 111 presidiários mortos eram presos provisórios. “Temos um sistema de Justiça imenso e isso significa que os poderes Executivo e Legislativo não dão conta de assegurar direitos”, diz Maíra Cardoso Zapater, coordenadora adjunta do Núcleo de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

E se o aumento da população carcerária é tão significativo, por que o sentimento de insegurança em relação à criminalidade permanece o mesmo? “Não temos políticas de segurança pública adequadas e falta integração entre União, estados e municípios”, diz Rodrigo Azevedo, professor da PUC-RS e membro do Conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Como em um ciclo vicioso, a ausência de medidas do Estado para garantir investimentos sociais acentua as desigualdades, não diminui os crimes e só faz crescer o depósito de rejeitados pelo sistema.

A GEOGRAFIA DA DETENÇÃO
São Paulo é o estado que abriga a maior população prisional do país: entre os mais de 622 mil encarcerados brasileiros, 35% estão em cadeias paulistas.
POBRE, NEGRO E JOVEM
Os engravatados réus da Lava Jato estão bem distantes do perfil da maior parte dos presos brasileiros

A cadeia como um local de reintegração social é um conceito historicamente recente, adotado pelos países entre o final do século 19 e o início do século 20. O Estado assume a custódia do criminoso e não está lá para aplicar uma vingança pessoal: independentemente da gravidade ou dos horrores dos crimes cometidos por alguém, a punição ao encarcerado deve respeitar as leis e a dignidade humana.

Apesar de a Constituição brasileira estabelecer o respeito à integridade física e moral dos detentos, não é essa a realidade observada nas mais de 1,4 mil unidades prisionais do país. “Saímos com a sensação de impotência e inação quando visitamos um presídio. O último caso que me deixou estarrecido foi em Carajás (PA), em uma cela feita para 12 detentos, mas que abrigava 40 e poucas pessoas”, afirma o padre Valdir João Silveira, da Pastoral Carcerária, instituição ligada à Igreja Católica que realiza o acompanhamento social dos detentos. “Naquele local não havia ventilação nenhuma: uma pessoa em fase terminal de câncer fazia as necessidades na própria roupa.”

Quem vive nessas condições não tem um perfil muito diferente da população acostumada a enfrentar arbitrariedades do Estado: de acordo com o relatório publicado pelo Departamento Penitenciário Nacional, a maior parte da população carcerária é formada por homens, jovens e negros que não tiveram acesso à educação e cometeram crimes ligados a drogas ou a roubos e furtos contra o patrimônio.

“Por que a condição nos presídios é precária? Porque há pessoas que pensam que o detento não é gente, mas um bandido que oferece um risco ao ‘cidadão de bem’”, diz a pesquisadora Maíra Cardoso Zapater. “A ideia de proteger a sociedade do preso é algo do início do século 20, de associar a pessoa que está na cadeia a um doente.”

Apesar da negação de direitos básicos aos detentos não causar comoção popular, os problemas do sistema prisional geram consequências também para as pessoas que estão fora das celas. “A superlotação carcerária e a organização de facções dentro dos presídios apenas potencializam o aumento dos crimes”, afirma o professor Rodrigo Azevedo.
BOLSA BANDIDO?
São poucos os detentos brasileiros que contam com auxílio financeiro do governo

É provável que algum de seus grupos do WhatsApp já tenha feito comentários sobre a existência de um programa governamental para auxiliar as famílias dos detentos com uma generosa quantia mensal.

O auxílio-reclusão até existe, mas está bem distante das regalias citadas: o benefício, no valor máximo de R$ 1.212,64, está restrito aos contribuintes do INSS de baixa renda e que exerceram uma atividade com carteira de trabalho assinada. De acordo com o site da Previdência Social, encarcerados que não realizaram pelo menos 18 contribuições mensais ao INSS só teriam direito a quatro meses do auxílio. “É muito raro o recebimento desse benefício: normalmente, os sujeitos que cometem os crimes mais comuns são aqueles que não têm emprego formal”, diz o professor Gustavo Junqueira. De acordo com pesquisa divulgada pela Associação Contas Abertas, pouco mais de 43 mil presos contavam com esse benefício para suas famílias.

PROPORÇÃO DO CÁRCERE
Brasil é o sexto país com a maior taxa de presos por 100 mil habitantes entre as nações com mais de 10 milhões de pessoas.
Quem garante o quê?
Apesar de ter negada a sua liberdade, o preso tem direito a saúde, alimentação e infraestrutura digna, afirma a lei. “Mas como o Estado não tem recursos, oferece apenas aquilo que é absolutamente vital aos presos, como a água do banho”, diz o professor Gustavo Junqueira. “Os produtos de consumo diário acabam sendo fornecidos pela família.”

O acesso a itens como rádio ou televisão depende dos regulamentos de cada presídio, levando em consideração fatores como o comportamento do detento durante o cumprimento da pena. Como a comunicação externa não é permitida, equipamentos como celulares são, obviamente, proibidos. Mas isso não é um problema para a maioria dos presos, sobretudo aqueles ligados a organizações criminosas: depois de uma rebelião ocorrida em julho deste ano, uma cadeia do Ceará recolheu 426 celulares. Dentro das celas também é comum o consumo de drogas, como maconha, cocaína e crack.

Violência como política de estado
Em outubro, a Pastoral Carcerária divulgou um relatório sobre torturas e violações cometidas contra detentos. Com base em acusações de familiares e dos próprios presos, a organização coletou relatos que incluem violência física, tratamento humilhante ou violência sexual. A Pastoral Carcerária estima que os números sejam modestos diante da realidade do sistema presidiário do país (veja dados no quadro ao lado). “A falta de controle social do cárcere permite torturas e maus-tratos sem o conhecimento da sociedade”, ressalta o padre Valdir João Silveira. A violência não está restrita aos encarcerados: de acordo com organizações de direitos humanos, mesmo após ser proibida em todo o estado de São Paulo desde 2014, a revista vexatória ainda persiste em presídios paulistas. Como não há equipamentos para inspeção não invasiva, o sistema obriga mulheres que visitam as cadeias a agacharem-se nuas para que sejam revistados a vagina e o ânus.
37 casos – Tratamento humilhante ou degradante
35 casos – Agressão verbal
10 casos – Violência resultando morte
6 casos – Violência sexual*
*Dois casos de estupro, uma denúncia de empalação e três casos envolvendo nudez forçada diante de outros presos e servidores, com os órgãos genitais das presas sendo fotografados

DO OUTRO LADO
Policiais e agentes penitenciários são os principais denunciados pela violência
ENSINO É EXCEÇÃO
Mas apenas uma fração dos presos se envolve com a educação

Presos envolvidos em atividades de ensino formais – 11%
Presos envolvidos em outras atividades educacionais – 2%

DONOS DOS PRESÍDIOS
Organizador das regras de convivência entre os detentos, crime organizado ganha força para além dos muros

Em 1993, ano seguinte ao Massacre do Carandiru, presos paulistas deram início ao que se transformaria na maior organização criminosa do país. “Existiam quadrilhas e bandos que se agrupavam nas prisões, mas não um grupo que extrapolasse sua influência para além da unidade prisional”, afirma Camila Nunes Dias, professora de Políticas Públicas da UFABC que pesquisa a expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema carcerário.

Com o discurso de união entre os detentos, o PCC ganhou poder nos presídios paulistas e organizou rebeliões orquestradas e ataques contra policiais e agentes carcerários. A partir de 2006, a organização consolidou sua influência nos presídios, com um período de “pacificação” entre presos. “Quando o PCC adquiriu essa hegemonia foram percebidas mudanças, como a diminuição dos casos de violência física e sexual entre os detentos”, revela a pesquisadora.

Na prática, o Estado perdeu a autoridade sobre a dinâmica das prisões. “São presídios comandados por facções criminais, que impõem suas regras no sistema”, diz o professor Rodrigo Azevedo. “O encarceramento se torna uma forma de organização do crime, com consequências bastante conhecidas fora do ambiente do contexto prisional.”

TEMPO DE BARBÁRIE
Os piores crimes das prisões do Brasil

2 · out · 1992
O maior massacre do sistema penitenciário: chamada após uma rebelião, a Polícia Militar entra no presídio do Carandiru, em São Paulo, e 111 presos são assassinados.

18 · fev · 2001
O Primeiro Comando da Capital (PCC) lidera a maior rebelião do Brasil: mais de 27 mil detentos se amotinam em 29 penitenciárias de São Paulo. Durante a revolta, 16 presos são assassinados por rivais.

1 · jan · 2002
Grupo de detentos assassina 27 presos de uma facção inimiga durante rebelião no Presídio Urso Branco, na cidade de Porto Velho, capital de Rondônia.

1 1 · set · 2002
Quatro lideranças do crime organizado morrem após confronto entre facções inimigas no presídio de segurança máxima de Bangu 1, no Rio de Janeiro.

1 2 · mai · 2006
Em retaliação ao plano de isolar os líderes do PCC em presídios de segurança máxima, a organização criminosa inicia rebeliões e uma série de ataques a agentes de segurança, causando 59 assassinatos.

08 · nov · 2010
Conflitos entre facções levam à morte 18 detentos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o maior estabelecimento prisional de São Luís, capital do Maranhão.

16 · out · 2016
Dez presos são mortos em penitenciária de Roraima após disputa entre facções. No dia seguinte, outro conflito acontece em presídio de Rondônia e oito detentos morrem.

PRISÃO PARA GERAR LUCRO
Criticada por especialistas, a privatização do sistema carcerário é alvo de discussão em projeto de lei do Senado

Em tempos de recorte do Orçamento cresce o apoio a leis que transfiram parte do sistema prisional à iniciativa privada. De autoria do senador Vicentinho Alves (PR/TO), o Projeto de Lei nº 513/2011 prevê o estabelecimento de parcerias público-privadas nos cárceres: em troca da garantia de infraestrutura digna, a empresa utilizaria a mão de obra do detento. De acordo com a lei, o trabalho nas prisões privatizadas seria obrigatório.

Em tramitação no Senado, o projeto de conceder a empresas a administração dos presídios é criticado por especialistas. “O Estado não pode delegar para a iniciativa privada a custódia dos detentos”, diz o professor Rodrigo Azevedo. “Nos Estados Unidos, essa prática foi adotada desde os anos 1980, e hoje a análise é de que a experiência não deu certo.” Neste ano, o governo norte-americano anunciou que deixará de utilizar prisões privadas para abrigar presos que estão sob custódia federal.

Por enquanto, o complexo penal de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, é a primeira experiência de privatização no Brasil. Construído por um consórcio composto de cinco empresas, o presídio começou a funcionar em 2013, com capacidade máxima projetada para 3.336 detentos. O “modelo de negócio” da empresa-cadeia depende do dinheiro estatal: no contrato, o Estado repassa ao consórcio R$ 2,7 mil por preso mensalmente. Há uma cláusula que prevê a obrigatoriedade de o local contar com, no mínimo, 90% de ocupação.

O PONTAPÉ INICIAL
O complexo penal de Ribeirão das Neves é o primeiro do país a adotar o modelo privatizado

São 5 prisões
Capacidade prisional 3.336 vagas

Um consórcio formado por construtoras é responsável pela gestão do presídio

LUZ NO FIM DO CÁRCERE
Para diminuir a reincidência criminal, é necessária a garantia de direitos dentro e fora das prisões

MERCADO DE TRABALHO
Apesar de ser uma garantia da constituição, apenas 20% dos presos trabalham

Além da prisão, algumas penas preveem ao condenado o pagamento de uma multa, que pode ser quitada após a saída da cadeia. O problema é que apenas uma pequena parcela da população carcerária conta com garantias de trabalho. O salário também não é dos melhores: mais de 37% dos presos recebem menos de três quartos do salário mínimo e 38% deles nem sequer são remunerados. “O Estado dificilmente garante o trabalho ao preso e, como ele não tem renda, não consegue pagar a multa”, afirma o professor Gustavo Junqueira, da Damásio Educacional.

O TRABALHO NA PRISÃO
A maior parte dos presos realiza atividades dentro das próprias cadeias.
Hay que endurecer? Na verdade, não
A proposta do Ministério da Justiça de aumentar o tempo de reclusão para algumas penas é apoiada pela sociedade, mas não tem respaldo entre os especialistas de segurança pública. “Essa medida apenas reforça o controle das facções sobre o sistema, que já está superlotado”, diz o professor Rodrigo Azevedo, da PUC-RS.
Pela restauração e diminuição das prisões
Para além da punição, a justiça restaurativa é uma medida em que se busca a reparação do dano produzido pelo crime com mecanismos de conciliação garantidos pelo Estado. “Busca se criar um ambiente seguro para que as partes cheguem a uma conciliação”, diz o professor Edson Baldan, da PUC-SP.
O dinheiro é pouco e investimentos são necessários
Em 2014, o Fundo Penitenciário Nacional arrecadou R$ 459 milhões para realização de investimentos. O dinheiro é insuficiente para arcar com os custos do dia a dia das prisões: em uma penitenciária estadual, o custo mensal de um preso é estimado entre R$ 1,3 mil e R$ 1,7 mil.

A CONDENAÇÃO NÃO TEM FIM
Preconceito do “cidadão de bem” alimenta a alta reincidência criminal

Pesquisa divulgada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirma que um de cada quatro ex-detentos volta a ser condenado em um prazo de cinco anos. Mais do que discutir o caráter do criminoso, é necessário entender o motivo da reincidência. “Quem contratará um egresso do sistema prisional? Quem gostaria de ter um ex-detento ao seu lado na sala de aula?”, questiona a pesquisadora Maíra Cardoso Zapatar. “Precisamos desfazer a imagem de que o preso é um monstro social: enquanto não se resolver isso, essas pessoas serão reabsorvidas pelo crime.”

DE VOLTA À CADEIA
Elaborado com base na análise de 817 processos em cinco estados,
A punição resolve? Sistema prisional em debate
A ideia sobre o papel das prisões como lugar de “ressocialização” dos detentos tem de ser repensada. “Ninguém cumpre a pena de forma neutra. Os presos sairão do sistema carcerário melhores ou piores? Isso depende de como eles serão tratados”, afirma o professor Gustavo Junqueira. “Se o sistema os trata com violência, obviamente sabemos qual será o resultado disso.”

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12.938 – Conheça a Yakuza, uma máfia legal (?)


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No Japão, o honrado cavalheiro que auxilia vítimas do tsunami também escraviza sem-tetos para descontaminar Fukushima. Trata-se de um membro da Yakuza, como é conhecida no Ocidente a principal organização criminosa japonesa. O código de honra da máfia prega proteger os fracos e combater os poderosos. Mas, na prática, a teoria é outra. “Os yakuzas têm uma visão heroica de si e a vendem para a opinião pública”, afirma o historiador Andrew Rankin, da Universidade de Cambridge. “A ajuda humanitária não passa de marketing para conquistar simpatia popular.”

Caminho sem volta
Falando em marketing, os yakuzas nem gostam de ser chamados assim. O nome vem do oicho-kabu, jogo de cartas parecido com o blackjack. Cada jogador recebe três cartas e ganha quem chegar mais perto de 19 pontos. Se as cartas recebidas somam 8 (ya) + 9 (ku) + 3 (za), o jogador faz 20 e perde. Por analogia, yakuza passou a significar algo “inútil” e “sem valor”. Por isso, os mafiosos preferem a alcunha de gokudo (“caminho sem volta”). “O gokudo vai à frente, não volta atrás e termina o que começou”, define o jornalista americano Jake Adelstein, que trabalhou por 12 anos no Yomiuri Shimbun, maior jornal do Japão, e escreveu Tóquio Proibida – Uma Viagem Perigosa pelo Submundo Japonês. Já as autoridades policiais chamam os yakuzas de boryokudan (“grupos violentos”).
Pelos cálculos da Agência Nacional de Polícia (NPA), há cerca de 53 mil yakuzas – fontes não oficiais sugerem 83 mil. Das 22 facções, as três maiores – e mais violentas – são: Yamaguchi-gumi, Sumiyoshi-kai e Inagawa-kai. A primeira tem sede em Kobe e as outras em Tóquio. No Japão, o crime é mais que organizado. É corporativo. As quadrilhas têm sede, escritório, site, fanzine e cartão de visitas. “Fazer parte desses grupos não configura crime no país. Eles são protegidos pelo direito constitucional da livre associação”, explica o advogado brasileiro Eduardo Mesquita, da Universidade de Tóquio.
Cerca de 60% do dinheiro dos yakuzas vem de negócios escusos, como extorsão, agiotagem, prostituição, jogos de azar, pornografia infantil e tráfico de drogas. Os outros 40% do faturamento têm origem em atividades legais, como construção civil, mercado financeiro e setor imobiliário. Em 2006, a polícia de Tóquio mapeou mais de mil empresas de fachada para lavar dinheiro da máfia, incluindo agências de emprego, companhias de seguro e até estúdios de cinema – não é raro ver filmes exaltando virtudes heroicas dos yakuzas.
Outra tentativa midiática de melhorar a autoestima do grupo e recrutar membros passa pela imprensa. Kenichi Shinoda, líder da Yamaguchi-gumi, lançou um tabloide com dicas de viagens, poemas haicai e relatos de pescaria. No editorial, ensina aos jovens valores tradicionais, como valentia, disciplina e lealdade.

40% do faturamento da Yakuza tem origem em atividades legais, como construção civil, mercado financeiro e setor imobiliário

Dogmas do submundo
A máfia japonesa segue uma estrutura familiar. De um lado, os padrinhos (oyabun), que dão grana, conselhos e proteção. Do outro, os afilhados (kobun), que juram fidelidade incondicional. “Se o oyabun diz que o corvo é branco, o kobun tem que concordar”, ilustra David Kaplan, coautor de Yakuza– Um Levantamento Explosivo do Submundo Japonês do Crime. Atualmente, a Yakuza enfrenta dificuldades para renovar os membros – qualquer um com até 25 anos pode ingressar.
Quase um terço dos kobuns vem de grupos de delinquentes juvenis (bosozoku). Quem adere recebe aulas de artes marciais, incluindo o manejo de faca e outras armas brancas (no Japão, armas de fogo são proibidas), e passa por um período de teste para provar lealdade ao oyabun. Reza a lenda que a facção Kodo-kai teria um centro de treinamento na cidade de Nagoya.
Embora o grupo não seja religioso, algumas regras parecem mandamentos. “Nunca revelar os segredos da organização”, “Não ter envolvimento com narcóticos”, “Não tirar dinheiro da quadrilha”, “Não desobedecer superiores” e “Não recorrer à polícia ou à Justiça” são exemplos. Talvez por isso, “entrar para a máfia tornou-se antiquado. Ser yakuza já não é mais tão cool”, afirma Andrew Rankin.
Tradições em declínio
Nos últimos dez anos, a máfia perdeu mais de 33 mil membros – nos anos 1960, tinha 184 mil e mais de 5 mil clãs. Além do cerco policial apertando, também tem muito mafioso pedindo para sair. Mas deixar o crime não é fácil. Por causa da crise que castiga o Japão, muitos desertores não se alocam no mercado de trabalho convencional.
Como muita gente reluta em contratar funcionários com dedos amputados, um dos gestos mais tradicionais dos mafiosos, de cortar a falange do dedo (yubitsume) e oferecê-lo ao chefe da facção como pedido de desculpas, está sendo abandonado. Os mais jovens preferem pagar em dinheiro ou no cartão pelo perdão. Para os amputados – quatro em cada dez yakuzas, segundo a NPA – o jeito é recorrer a fabricantes de próteses para arranjar um emprego. Os mais requisitados cobram até US$ 3 mil por cada peça de silicone, sob medida.
Outro costume com os dias contados é cobrir o corpo de tatuagens (irezumi). Em seus áureos tempos, os yakuzas se submetiam a longas e dolorosas sessões com agulhas de bambu, osso ou madeira para provar coragem. Hoje, para não chamar a atenção da polícia, os novos membros fazem desenhos mais discretos. Sinal dos tempos: homens tatuados já não são mais bem-vindos nas tradicionais casas de banho japonesas.

Legislação anti-yakuza
Um policial de Osaka comparou seu trabalho investigando a Yakuza com o de um jardineiro de bonsai: “Nós apenas aparamos os galhos. Raramente tocamos as raízes”. Isso começou a mudar nos anos 1990, com a criação das primeiras leis contra os yakuzas. Escutas telefônicas, delações premiadas e proteção à testemunha começaram a ser usadas no combate à máfia.
Após dez anos, a legislação endureceu. Ao pedir um empréstimo, alugar imóvel ou abrir conta no banco, a pessoa precisa declarar não ter vínculo com o crime organizado. Desde 2011, é ilegal fazer negócio com membros da máfia. Até quem sofre tentativa de extorsão e não denuncia vira cúmplice. Aconteceu com o apresentador de TV Shinsuke Shimada. O “Jay Leno do Japão” se viu obrigado a se aposentar após ter divulgada uma troca de e-mails com um ex-chefão da Yamaguchi-gumi. “Não acho que estivesse fazendo algo errado, mas esse tipo de amizade tornou-se inaceitável no Japão”, lamentou Shimada.
Outra lei pesada responsabiliza os chefões por deslizes de subalternos. Para não correr riscos, facções criaram um “exame de admissão” para quem deseja seguir carreira no submundo japonês. Entre as 12 questões do teste estão “Como agir em caso de roubo de carro?”, “Quando devo usar escutas ilegais?” e “Em que situações posso recorrer ao chefe da facção?”.

33 mil yakuzas desertaram, morreram ou foram presos nos últimos dez anos
Um mal a ser erradicado
Para agravar a agonia da Yakuza, a Yamaguichi-gumi sofreu um racha em setembro de 2015, expulsando cerca de 3.300 membros, que formaram o grupo rival Yamaken-gumi. A polícia entrou em estado de alerta, temendo derramamentos de sangue como os dos anos 1980. Até pouco tempo, uma das regras dos yakuzas era a de não ferir quem não fosse do crime organizado, o que, de certa forma, os protegia da intolerância da população e do cerco da polícia. Isso também mudou. No fogo cruzado entre as gangues, ninguém está a salvo. Por medida de segurança, os yakuzas suspenderam até a festa do Halloween, em outubro. “Antigamente, a Yakuzaera vista como um mal necessário à sociedade japonesa. Agora é apenas um mal a ser erradicado”, afirma Adelstein.
A Yakuza está perto do fim? Alguns especialistas avaliam que sim. “Ela está obsoleta. Mais uma ou duas leis e eles serão carta fora do baralho”, garante Jake Adelstein. Outros defendem que, se quisesse, a polícia já teria se livrado dos mafiosos. “De certa forma, interessa ao governo manter os yakuzas ao alcance de seus olhos”, acredita David Kaplan. “Mais do que o crime organizado, o que apavora o cidadão japonês é o crime desorganizado”.

12.918 – Criminologia – De 2011 a 2015, Brasil teve mais mortes violentas do que a Síria


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Entre 2011 e 2015, houve mais mortes por causas violentas por aqui do que na Síria – país que enfrenta uma guerra civil violenta, e que é dominado pelo Estado Islâmico.
Na Síria, nesses cinco anos de conflito, morreram 256.124, de acordo com a ONU; no Brasil, foram 279.592 (quase a população da Islândia, 330 mil) – uma diferença de 23.468 pessoas. Dá quase uma Islândia inteira (que tem 320 mil habitantes). Só em 2015, foram 58.492 mortes – quase uma a cada nove minuto). O mais triste é que, entre as vítimas daqui, 54% eram jovens (de 15 a 24 anos) e 73%, negros.
De longe, a causa mais comum é o assassinato, que aconteceu em 89% dos casos. Mas também destacam-se o latrocínio (roubo seguido de morte), responsável por quase 4% dos óbitos, e lesões violentas, que resultaram em 1,4% das mortes.
Como negros representam a maior parte da população pobre do país (76%, segundo o IBGE), eles acabam também correspondendo à fatia mais vulnerável da população. A violência policial, por exemplo, é especialmente intensa contra negros ou pardos: eles correspondem a 75% dos mortos por oficiais. Em 2015, 21.033 pessoas foram assassinadas pela polícia – quase 36% do total de mortes violentas (levando em conta apenas os dados oficiais). É um número bem maior do que o de latrocínios, por exemplo, que fizeram 2.314 vítimas.
Isso leva a três dados assustadores: 70% da população brasileira acha que a Polícia Militar é truculenta demais, 58% afirmam ter medo dessa violência e 53% temem ser assassinados pela PM. De fato, só 6% acreditam que a violência exercida pela polícia estaria “na medida” certa para o combate ao crime – e metade dos brasileiros acha que ela é ineficiente em manter a segurança do país.
Polícia que mata e morre
De acordo com o Anuário, a nossa Polícia Militar é uma das que mais matam no mundo – mas também é a que mais morre, em comparação com outras nações. Por ano, entre os quase 500 mil policiais militares do país, acontecem 393 homicídios (103 em serviço, 290 fora de serviço), e 70% desses profissionais afirmam conhecer pelo menos um colega que morreu. Para dar uma ideia, no mesmo período nos EUA, a polícia matou 442 pessoas – e perdeu 127 policiais.

“Bandido bom é bandido morto”
O clima de terror que todo esse contexto causa é palpável: 76% dos brasileiros têm medo do assassinato. E 57% acreditam que “bandido bom é bandido morto” – ou que as pessoas que cometem crimes não têm uma punição adequada. Você deve estar pensando que isso só pode ser resultado de pouco investimento em segurança pública pelo governo. Mas não é pouco o dinheiro que vai para essa área: em 2015, a União gastou R$ 76,3 bilhões em segurança, equivalente a 1,38% do PIB brasileiro. A quantia até vem aumentando (desde 2002, cresceu 62%), e é semelhante aos gastos de países desenvolvidos, como Espanha (1,2% do PIB) e Alemanha (1,3%).

12.904 – Banditismo – Estudo faz relação entre clima e criminalidade


Muitas pessoas preferem o calor para aproveitar o ar livre e os benefícios de uma vida sem tantos casacos, porém o clima desse paraíso tropical poderia ser a razão do seu mal.
O que ninguém (ou, pelo menos, a maioria) imaginava é que o calor fosse o culpado pelo aumento dos índices de criminalidade, conforme comprovaram os cientistas da Universidade de Amsterdã.
Segundo eles, o calor motivaria os seres humanos a viver uma condição extrema, como se fosse o último dia de suas vidas. Consequentemente, isso causaria um desinteresse pelo futuro em médio e longo prazos, o que favoreceria um estado de descontrole e, em muitos casos, levaria à violência e ao aumento da agressividade.
Embora as taxas de criminalidade variem de um país a outro, há um padrão geral: a violência aumenta com relação à proximidade à linha do Equador. De acordo com os pesquisadores, isso teria a ver com o clima quente, o qual poderia influir de forma negativa nas pessoas.

12.896 – Toxicologia – Boa Noite Cinderela


Boa noite Cinderela é um coquetel de drogas, dentre as quais: Lorax, Rohypnol, Lexotam, GHB (ácido gama-hidroxibutírico) e Ketamina (Special K). Elas são encontradas normalmente na forma de compridos ou líquidos.
Essas drogas agem diretamente no sistema nervoso central, podendo provocar amnésia durante a intoxicação. A pessoa perde a consciência de seus atos, a capacidade de discernimento, apresenta dificuldade de resistir a ameaças, se sujeita a ordens de estranhos, entre outros.
Devido aos efeitos apresentados, essas substâncias são muito utilizadas por assaltantes e agressores que dopam a vítima a fim de assaltá-la ou abusar sexualmente, sendo portanto, denominadas também de “rape drugs” (drogas de estupro).
Há inúmeros casos de pessoas que sofreram o “Golpe Boa Noite Cinderela”. Este golpe é freqüentemente aplicado em boates, mas também pode ocorrer em restaurantes. O meliante finge estar ingerindo determinada bebida – contendo substância entorpecente – e oferece à vítima, que, após ingerir o líquido contrafeito, fica a mercê do bandido.
O bandido que se utiliza dessas drogas para aplicar o golpe, muitas vezes é bastante apresentável, o que faz com que fique difícil duvidar de suas intenções.
Esses casos dificilmente são registrados em Delegacias de Polícia, pois normalmente as vítimas ficam constrangidas em narrar o ocorrido, sendo que por vezes não conseguem recordar, ou melhor, ter certeza do que realmente ocorreu.
Sendo assim, não há estimativa sobre a ocorrência dos referidos crimes. Além disso, devido ao método empregado, tornam-se muito difíceis ações dos agentes policiais, a fim de que se diminuam ou se estanquem este tipo de delito.
Portanto, faz-se importante que todos estejam atentos ao aceitarem qualquer coisa de desconhecidos, traduzindo-se nos ensinamentos que recebemos de nossos pais quando crianças.

12.841 – Sensores biométricos de caixas eletrônicos se tornam novo alvo de criminosos


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Os caixas eletrônicos da atualidade contam, na maioria das vezes, com sensores biométricos para ajudar na identificação do dono da conta. Contudo, os leitores de impressões digitais podem estar se tornando vulneráveis por conta das artimanhas de criminosos que querem burlar o sistema.
De acordo com especialistas da Kaspersky Lab as máquinas estão sendo cada vez mais visadas pelos fraudadores que desejam obter os dados dos cartões de crédito inseridos.
O método utilizado para isso é chamado de “skimmer”. Esse é o nome dado para dispositivos caseiros conectados aos terminais. Com a ajuda de webcams e teclados falsos, eles copiam os dados dos cartões que, mesmo evoluindo e contando com chips de segurança, ainda estão vulneráveis aos dispositivos.
A esperança das instituições bancárias era de que a biometria pudesse inutilizar essas traquitanas. Contudo, não foi bem isso o que aconteceu. Os novos skimmers são artefatos que conseguem até mesmo roubar as impressões digitais da vítima.
Segundo a pesquisa realizada, há pelo menos 12 vendedores oferecendo esse tipo de acessório. Três deles garantem que o item consegue obter os dados das impressões das palmas e também da íris do usuário.
Contudo, durante testes realizados pela Kaspersky, os instrumentos apresentaram algumas falhas, principalmente por conta da lentidão na transmissão das informações. Os especialistas, no entanto, acreditam que o acessório possa ser aprimorado no futuro.

12.530 -Barbárie – Anonymous promove caça a envolvidos em estupro coletivo no Rio


anonimos contra o crime
Em nota divulgada por meio do Facebook, o coletivo de hackers Anonymous declarou estar buscando identificar os estupradores que coletivamente violaram uma menina de 16 anos no último fim de semana. O crime ocorreu no morro São José Operário, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A vítima foi estuprada por 33 homens.
No post, o coletivo afirma estar “totalmente dedicados na [sic] identificação e localização dos envolvidos” no caso. Não apenas os estupradores, mas “Qualquer um que apoie, divulgue, seja conivente, assista, compartilhe ou simplesmente que não aceite o fato de que o único culpado pelo estupro é o próprio estuprador será visto por Anonymous também como inimigo”.
O coletiva afirma que pretende identificar e expor os envolvidos no caso. Segundo o grupo “Anonymous é um coletivo que luta por liberdade”, e “Qualquer pessoa que se coloque contra nosso ideal é considerada nosso inimigo”.
Após o estupro, os estupradores filmaram um vídeo ao lado do corpo da vítima e divulgaram-no em redes sociais. Por meio das imagens, a Polícia Civil já conseguiu identificar quatro dos envolvidos, dos dois quais também seriam os responsáveis pela divulgação do vídeo nas redes.
Manifestações em apoio à vítima e contra a cultura do estupro devem acontecer em diversas capitais do país nos próximos dias. No dia 1 de junho, as mulheres devem ir às ruas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte aàs 16h.

12.464 -Mega Byte – WhatsApp explica por que não entrega os dados que a polícia brasileira pede


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O WhatsApp entrou em rota de colisão com a Justiça brasileira nos últimos tempos. Primeiro, o aplicativo foi ameaçado de suspensão; depois, no fim do ano passado, foi banido por algumas horas no país. Na semana passada, o vice-presidente do Facebook (empresa dona do WhatsApp), Diego Dzodan, foi preso pela Polícia Federal por causa, justamente, da falta de colaboração em investigações policiais. Podem ser casos distintos, envolvendo crimes diferentes, mas o problema entre Justiça e WhatsApp é o mesmo.
O aplicativo não fornece as informações solicitadas pelas autoridades, e isso tem causado atritos, levando a estas atitudes extremas de juízes pelo país. Mas, afinal de contas, por que o WhatsApp não colabora? Para entender o caso, Matt Steinfeld, diretor de comunicação do aplicativo esclareceu a situação.
A alegação da empresa é simples: NENHUMA mensagem é guardada em seus servidores. Não importa quantas vezes a Justiça brasileira (ou de qualquer outro lugar do mundo) pedir, o WhatsApp não pode oferecer o que ele não tem.
O mais interessante de toda esta situação é que, mesmo que armazenasse as mensagens, pouco poderia ser feito para ajudar a Justiça, porque o aplicativo aposta em criptografia end-to-end, que, basicamente, significa que as mensagens saem do celular já criptografadas, fazem todo o trajeto celular-servidor-outro celular e só são desencriptadas quando chegam ao recipiente final, para que ele possa ler o que foi escrito. Ou seja: mesmo que guardasse estas mensagens e fotos, o WhatsApp não teria a chave para poder vê-las, ou para permitir que as autoridades as vejam.
Isso é importante por vários motivos. Para o WhatsApp, é a garantia que pode oferecer aos usuários de que suas mensagens não serão interceptadas, por qualquer motivo, seja para o caso do cibercrime, seja para o caso de ciberespionagem governamental (de qualquer governo que seja).
Matt Steinfeld: No caso recente, nós cooperamos totalmente dentro de nossas capacidades. Há alguns recursos do WhatsApp que limitam a nossa capacidade de fornecer informações nestas investigações.
É importante observar que o WhatsApp não armazena o conteúdo das mensagens. A partir do momento em que entregue entre duas pessoas, ela é apagada dos nossos servidores. Nós só temos nossos servidores com o propósito de entregar as mensagens. Não mantemos registros sobre o que as pessoas conversam nos nossos servidores.
Outra coisa importante é que nos últimos dois anos, nós implantamos um recurso chamado criptografia ‘end-to-end’. Ela basicamente ‘bagunça’ a mensagem enviada, o que inclui texto, fotos, vídeos, clipes de voz para que ela não possa ser acessada por cibercriminosos ou outros agentes maliciosos. Nós fazemos isso porque as pessoas que se comunicam usando o WhatsApp compartilham informações muito pessoais e íntimas com seus amigos e familiares. As pessoas usam o WhatsApp para falar com seus psiquiatras, com seus médicos, seus parceiros de negócios, e eles querem que estas comunicações sejam mantidas em segurança.
O que isso significa é que o próprio WhatsApp não pode acessar o conteúdo das mensagens das pessoas. Se nós vamos proteger as mensagens de cibercriminosos, isso também significa que nós não podemos lê-las. Por causa disso, somos muito limitados nas informações que nós somos capazes de oferecer.
Se você observar o caso desta semana, nós afirmamos muito claramente: não podemos oferecer informações que nós simplesmente não temos.

12.172 – Mega Byte – Golpe na internet exige depósito para liberar falsa remessa internacional


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A Receita Federal emitiu um comunicado alertando para um novo golpe que circula pelas redes sociais e serviços de e-mail. Se você receber uma mensagem alertando para uma suposta encomenda internacional, que por acaso teria ficado presa em uma alfândega e aguarda um depósito bancário para ser liberada, não acredite.
De acordo com a Receita, o golpe é aplicado quando um desconhecido entra em contato com a vítima oferecendo algum produto, documento ou proposta de negócio. Ao longo de algumas conversas, o estelionatário envia imagens falsas que “comprovam” o envio de uma encomenda após o pagamento de certa quantia em dinheiro.
O governo diz que portos e aeroportos brasileiros recebem diariamente diversas ligações de pessoas que conheceram alguém por redes sociais “ou receberam propostas de negócios por e-mail, como promessas de casamento com estrangeiros, recebimento de heranças de vultosos valores, envio de dinheiro, joias e outros bens, em troca de pagamentos de ‘despesas’ necessárias para o recebimento dessas ‘vantagens'”.
O alerta da Receita Federal pede que as pessoas não efetuem pagamentos para pessoas ou empresas desconhecidas em troca da liberação de alguma encomenda, carga ou bagagem. Se você for vítima desse golpe, entre em contato imediatamente com as autoridades policiais, adverte o governo.

12.142 – Sociedade – Fim da cracolândia levará ao menos 2 anos


Da Folha para o ☻Mega

O departamento antidrogas da Polícia Civil de São Paulo avalia que precisa de mais dois anos, “no mínimo”, para conseguir desmontar a rede de tráfico de drogas na cracolândia, no centro da cidade.
A expectativa é do próprio diretor do Denarc (departamento de narcóticos), Ruy Ferraz Fontes, um ano após ter assumido esse posto no governo Geraldo Alckmin (PSDB).
Para ele, a consolidação da área como reduto de viciados e traficantes de crack nas últimas décadas e a influência da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no comércio de drogas naqueles quarteirões se tornaram empecilhos para uma solução rápida do problema.
“Mais dois anos, no mínimo. Aquilo está constituído há muito tempo e não é possível desmontar de uma hora para a outra. Um problema seríssimo é a influência do PCC lá dentro”.
A cracolândia foi alvo nas últimas duas décadas de repetidas ações e planos de prefeitura e Estado com a justificativa de controle do tráfico e redução do fluxo de viciados.
As gestões Fernando Haddad (PT) e Alckmin chegaram a remover a “favelinha” de barracas de plástico símbolo do tráfico de drogas, mas ela ressurgiu meses depois.
O diretor do Denarc afirma haver ao menos 40 grupos de traficantes atuando simultaneamente para abastecer a cracolândia –e que eles são automaticamente substituídos quando algum é preso.
Em 2015, foram realizadas 33 operações na região e desmontados três grandes grupos criminosos, além de outros pequenos. Foram presos 56 adultos e apreendidos 2 adolescentes. “Não vamos desistir nunca. Enquanto estiver aquele fluxo lá, vamos mexer.”
Fontes assumiu a chefia do Denarc em janeiro de 2015. Em 12 meses, apreendeu uma quantidade recorde de maconha: 23 toneladas, alta de 360% em relação às 5 toneladas apreendidas em 2014.
Os dados envolvendo crack são emblemáticos: todos os 103 kg apreendidos pelo departamento no ano passado eram destinados à cracolândia do centro de São Paulo.
Trata-se de droga suficiente para a produção de 300 mil pedras –segundo a polícia, um único traficante chega a vender até 3.000 pedras da droga em único dia por lá.
O delegado afirma que embora a cracolândia seja controlada pelo PCC, a facção criminosa não é dona da droga.
Segundo Fontes, esse controle do tráfico de drogas na cracolândia se estende ao domínio de parte dos hotéis que participam do programa “Braços Abertos”, da prefeitura, lançado em 2014.
Esse projeto da gestão Haddad oferece moradia e R$ 15 por dia de trabalho de varrição a dependentes de droga.
Dois estabelecimentos já foram descredenciados pela prefeitura a pedido da polícia, que prepara agora uma nova ofensiva nesses locais que se tornaram pontos de consumo e distribuição de drogas.

cracolandia

10.866 – Crime e Banditismo – As Teorias de Cesare Lombroso


lombroso
Nascido na cidade de Verona em 1835, Cesare Lombroso estudou medicina na UNIVERSIDADE DE PAIVA e se formou em 1858 aos 23 anos, profissionalmente foi médico e intelectualmente filósofo. Especializado em psiquiatria, dedicou grande parte de sua vida aos doentes mentais sendo nomeado diretor do manicômio na cidade de Pesaro onde aprofundou seus estudos e experiências relacionando a demência com a delinqüência para a produção da obra Gênio e Loucura publicada em 1870.
Na cidade de Turim, foi nomeado médico da penitenciária, onde nasceu seu vinculo intelectual com os delinqüentes. Escritor de várias obras, dentre elas destacamos: Gênio e Loucura, O homem delinqüente, O delito, etc.

“Suas idéias revolucionárias originam a Escola Positiva do Direito Penal.”

[…] um apego positivo aos fatos, por exemplo, é o estudo delicado as tatuagens, com base nas quais Lombroso fez classificação aos diversos tipos de criminosos. Dedicou exaustivos estudos a essa questão, insvestigando centenas de casos e louvando-se nos estudos sobre tatuagens, desenvolvidos por vários autores. Fato constatado e positivo é que os dementes, em grande parte, demonstram tendência à tatuagem, a par de outras tendências estabelecidas, como a insensibilidade a dor, o cinismo, a vaidade, falta de senso moral, preguiça, caráter impulsivo. Outro apego científico , pra justificas suas teorias, foi a pesquisa constante na medicina legal, dos caracteres físicos e fisiológicos, como o tamanho da mandíbula, a conformação do cérebro, estrutura óssea e a hereditariedade biológica referida como atavismo. O criminoso é geneticamente determinado para o mal, por razões congênitas. Ele traz no seu âmago a reminiscência de comportamento adquirido na sua evolução psicofisiológica. É uma tendência inata para o crime.
(LOMBROSO, 2007 p.7)

Pelas idéias de Lombroso, percebe-se que o criminoso não é totalmente vítima das circunstâncias sociais e educacionais desfavoráveis, contrário, ele sofre pela chamada “Tendência atávica”, hereditariamente para o mal. O delinqüente é doente; a deliqüencia é uma doença.
O ponto de partida da teoria de Lombroso proveio de pesquisas craniométricas de criminosos, abrangendo fatores anatômicos, fisiológicos e mentais. A base da teoria, primeiramente foi o atavismo: o retrocessoatávico ao homem primitivo. Depois, a parada do desenvolvimento psíquico: comportamento do deliqüente semelhante ao da criança. Por fim, agressividade explosiva do epilético.
A contribuição principal de Lombroso para a Criminologia não reside tanto em sua famosa tipologia (onde destaca a categoria do “deliqüente nato”) ou em sua teoria criminológica, senão no método que utilizou em suas investigações: o método empírico. Sua teoria do freqüentes nato foi formulada com base em resultados de mais de quatrocentas autópsias de delinqüentes e seis mil análises de delinqüentes vivos; e o atavismo que, conforme o seu ponto de vista caracteriza o tipo criminoso – ao que parece – contou com o estudo minucioso de vinte e cinco mil reclusos de prisões européias.
Lombroso apontava as seguntes características corporais do homem delinqüente: protuberância occipital, óbitas grandes, testa fugida, arcos superciliares excessivos, zigomas salientes, prognatismo inferior, nariz torcido, lábios grossos, arcada dentária defetuosa, braços excessivamente longos, mãos grandes, anomalias dos órgãos sexuais, orelhas grandes e separadas, polidactia. As características anímicas, segundo o autor, são: insensibilidade à dor, tendência a tatuagem, cinismo, vaidade, crueldade, falta de senso moral, preguiça excessiva, caráter impulsivo (Calhau, 2003).
Muitas pessoas discordaram e discordam até hoje da teorias lombrosianas, ainda mais, pelo fato de que o mesmo se baseia na desconsideração do livre arbítrio, uma vez que ele não tem forças para lutar contra seus ímpetos. Como se vê, Lombroso não era defensor dos criminosos, para ele o mesmo deveria se isolado do convívio social, como uma prisão perpétua.

“Carlos Alberto Elbert registra que, em muito pouco tempo, diversas verificações médicas foram relativizando a validade das descobertas de Lombroso, que teve de retificar constantemente suas afirmações mais ousadas; assim, no princípio afirmou que entre 65% e 75% do total de criminosos tendiam à classificação de “natos”, para depois fixar essa quantidade em 40%, e finalmente em um terço. Terminou atribuindo à epilepsia a causa da delinqüencia, tese que também foi refutada em pouco tempo.”(Elbert, op. Pg 57)
De qualquer forma este comportamento delituoso, não é nada desculpável na visão lombrosiana. Há outras causas e não só os traços físicos, que mascaram ou anulam as tendências de certos indivíduos. Não se justifica á renuncia a luta, por parte do delinquente e dos que estejam a sua volta, contra os fatores congênitos ou inatos que o inclinam para a vida delituosa.
Os fatores extras são muitos variados: o clima, o grau de cultura e civilização, a densidade de população, o alcoolismo, a situação econômica, a religião. A consideração dada a esses fatores torna pétreo um Código penal para vasto país, pois em cada região predominan fatores muito diferentes. (Lombroso, 2007 p.8).
As pesqueisas de Lambroso ocorreram por volta de 150 anos atrás, quando não havia recursos suficientes para exames mais detalhados como, por exemplo, o DNA, desta forma não pode contar com dados mais seguros e científicos em que pudesse se basear. Apesar dessa natureza inconsciente nas suas teorias, Lombroso foi muito influente, tanto na Europa quando no Brasil entre criminologistas, juristas e antropólogos.

Conclusão
Lombroso foi pioneiro no que se tratava de estudar o crime e suas causas, com seriedade e dedicação durante anos. Suas observações e experiências foram de suma importância para o direito, é conveniente destacar que não apenas os fatores de caráter físico e mental, a frenologia, o atavismo entre outros foram estudados e sim Lombroso. Estereotipar o ser humano teve seus pesares, pois de acordo com a teoria as pessoas tinha que ser segregadasda sociedade se tivesse tais características e cometessem crimes. Ele acreditava que o indivíduo já nascia com pré-disposição para o crime e seu perfil era então traçado.
Logo foram surgindo criticas a seu respeito, a evolução deixou no esquecimento suas teorias de muita valia para época, não havia exames que pudessem comprovar com exatidão o que ele propunha, logo as classes mais desfavorecidas eram prejudicadas pois as pessoas eram punidas pelo que elas eram.
Conclui-se que de um início ardioso no qual ainda temos reflexo conseguimos aprimorar de forma cientifica alguns fatores, punindo e analisando sob o ponto de vista de nossa constituição que resguarda direitos humanitários que todos são iguais perante a lei.

11.535 – Tecnologia contra a pirataria


marca dagua
Você já deve ter encontrado na Internet alguma imagem com o aviso: “Se quiser uma versão sem a marca-d’água entre em contato com fulano de tal.” Isso significa que está acabando a festa do uso de imagens que circulam pela rede sem autorização. Desenvolvidas por cientistas da IBM, as marcas-d’água digitais identificam o autor da imagem. No futuro, acredita-se, elas poderão ser aplicadas também a arquivos de vídeo, som e texto, garantindo o direito autoral. Quando o sistema for aplicado a gravações digitais, os estúdios não poderão mais reclamar da veiculação indevida de músicas. Monitorando as ondas de rádio, eles saberão quando uma estação tocou a canção.
A marca que não se vê, mas está lá.
A imagem aparece normalmente e pode ser impressa. A marca- d’água não aparece (sistemas que impedem a impressão ainda estão sendo desenvolvidos).
Entre os bits que compõem a imagem há uma sequência de números, um código que identifica o autor.
O autor fica com um programa especial que mostra a marca junto com a imagem e pode usá-lo para reivindicar seus direitos.

+11.000 – Drogas – Crack, ideias falsas?


Objetos utilizados no consumo
Objetos utilizados no consumo

Mito número 1 – Há uma epidemia de crack, que transforma uma multidão de pessoas em zumbis sem vontade própria.
A verdade – Não é uma epidemia, já que ela não se alastra. E usuários não são zumbis – se têm oportunidades, são capazes de largar a droga.

Mito número 2 – O crack transforma as pessoas em criminosas, incapazes de refletir sobre a consequência de seus atos.
A verdade – O vício aumenta sim a taxa de roubos, mas metade dos dependentes tem emprego fixo e não comete crimes.

Mito número 3 – Crackeiros tornam-se incapazes de encontrar prazer fora do crack. Escravos da droga, não têm motivação para mais nada.
A verdade – Pesquisas mostram que dependentes de crack são capazes de responder a outros estímulos, se houver uma alternativa atraente.

10.946 – Onde há Dinheiro, há Corrupção – Denúncia de fraude na Mega da Virada causou polêmica nas redes sociais


mega-sena-da-virada fraude

Uma denúncia de fraude na Mega da Virada movimenta internautas nas redes sociais. Uma frase supostamente publicada no Orkut no dia 15 de dezembro adiantava a cidade onde sairia o prêmio. O usuário identificado como [L12]J escreveu: “Eu não deveria estar falando isso aqui. Mas meu tio é um dos diretores responsáveis pela Mega da Virada. Ele me afirmou que, neste ano, o ganhador vai ser da cidade de Aparecida de Goiânia. Podem printar”.
O sorteio da Mega da Virada foi realizado no dia 31 de dezembro de 2012, em São Paulo. Três bilhetes foram premiados, sendo dois em São Paulo e um em Goiás, justamente em Aparecida de Goiânia. O ganhador dessa cidade demorou alguns dias para buscar o prêmio. Cada uma levou R$ 81.594.699,72.
Em nota, a Caixa informou que todos os processos de sorteio e apuração das Loterias Federais passam por recorrentes verificações de órgãos de controle interno e externo. O banco garantiu a total segurança do processo e afirmou que os sorteios são feitos em lugares abertos para que a população acompanhe com transparência o procedimento.
A Caixa também informou que é parceira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) na prevenção ao crime de lavagem de dinheiro e se submete às suas determinações, enviando, rotineiramente, informações sobre os pagamentos de prêmios.

10.329 – Banditismo – Narcotráfico Compensa?


Os chefes do narcotráfico sempre são retratados como barões poderosos e riquíssimos. Mas na prática a coisa não é bem assim. Um estudo feito pela Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro calculou em detalhes, pela primeira vez, a contabilidade do tráfico carioca. E chegou a uma conclusão surpreendente: mesmo impondo preços, tendo clientes cativos e empregando um exército de 16 mil funcionários, o equivalente a uma montadora de automóveis, a indústria do tráfico alcança um resultado modesto – lucra R$ 26 milhões anuais, o mesmo que uma rede de lojas de pneus.
O estudo cruza informações da ONU, do governo e da Polícia Federal para calcular quanto a droga custa no atacado, quantas pessoas usam e quanto consomem. Com isso, tem-se o investimento inicial dos traficantes.
Despesa com compra – R$ 96,94 milhões/ano
A indústria do tráfico emprega muita gente – sua folha de pagamento é gigantesca, comparável à de grandes empresas.

Pão de Açúcar – 70 656

AmBev – 35 000

Google* – 19 156

Embraer – 17 375

Tráfico RJ – 16 388

Lojas Renner – 9 647

* No mundo inteiro
Despesa com pessoal – R$ 158,73 milhões/ano

Armas
Quando a polícia apreende armas dos traficantes, eles têm de repor o que foi perdido. Assim, é possível calcular quanto gastam anualmente para manter seu arsenal (sem contar despesas com munição e eventuais upgrades nos equipamentos).
Despesa com armamento – R$ 24,78 milhões/ano
Apreensão
10% de toda a droga traficada no Rio acaba sendo apreendida pela polícia antes da venda. Ela tem de ser reposta, o que gera um custo para os traficantes. (Também há a propina paga aos policiais, que é impossível de estimar – e por isso não consta do estudo.)
Despesa com apreensão – R$ 9,69 milhões/ano
Resultado
Sobram apenas R$ 26 milhões. A rentabilidade é de 8,38% do faturamento, um desempenho modesto (os traficantes ganhariam mais deixando o dinheiro no banco). Mas o pior é que o dinheiro ainda tem de ser repartido entre as várias “empresas” do setor (Comando Vermelho, Terceiro Comando, ADA etc.) e as 630 favelas onde atuam.
Diversificação é a aposta dos bandidos.

A indústria do tráfico não é só droga. Os traficantes aproveitam seu poder para controlar operações como a distribuição de gás e a instalação de pontos clandestinos de TV a cabo em favelas. Ninguém sabe ao certo o faturamento desses negócios.