13.872 – Dica de Livro – A China Antes e Depois de Mao Tse Tung


China C Rossi
Trechos do ☻Mega Foram Usados Para Escrever o Livro
Este livro junta artigos de Ernest Mandel, S. Wu, Carlos Rossi, Pierre Rousset, Roland Lew acerca da evolução da Revolução Chinesa.
O crescimento demográfico aliado aos fenômenos de urbanização, industrialização e disseminação dos padrões de consumo das nações mais desenvolvidas em direção às nações menos desenvolvidas tem exacerbado o conflito redistributivo em nível mundial. A globalização da economia e a monopolização dos mecanismos de mercado como forma de alocação de recursos e decisão sobre o que produzir e consumir expõe as enormes contradições abrigadas dentro do sistema via os impactos ambientais e o preço das “commodities” agrícolas e minerais, aí incluso o petróleo.
Quando Mao Tsé-tung morreu, em 1976, a China era um país rural de 1 bilhão de habitantes, pobre, quase paupérrimo, com 85% de sua população vivendo no campo numa economia de subsistência, com uma parca dieta vegetal, sem meios de transporte além de pernas, bicicletas e de seus animais.
A maior fonte de energia disponível era primária, tirada deles próprios ou da natureza sem nenhuma sofisticação industrial. A infraestrutura de energia e transporte era quase inexistente para o tamanho de sua população, e os padrões de consumo, tão frugais que seria impossível a um ocidental imaginar como eles podiam viver daquela maneira. O sonho de consumo de um chinês era um rádio e uma bicicleta, e a moda, ano após ano, eram os indefectíveis terninhos tipo Mao, com o mesmo design e cores, distribuídas duas ou três peças por habitante. Tudo era racionado, da comida ao sabonete. Os níveis de consumo da China, principalmente de alimentos, beiravam o limite da sobrevivência, daí a grande criatividade dos chineses nos ingredientes de sua culinária, principalmente no que tange a proteína animal.
O impacto da China no mercado mundial de commodities agrícolas, minerais e energia era zero, assim como seu impacto no mercado de bens industrializados. Embora já dispusesse de um razoável poderio militar e inclusive detentora de bombas nucleares, do ponto de vista do impacto econômico no mundo e pressão sobre recursos naturais e emissão de poluentes, tudo se passava como se a China e suas centenas de milhões de habitantes não existissem! Era um enorme ponto no mapa mundial despertando mais curiosidade do que qualquer preocupação. A China de Mao, em 1976, não era muito diferente da China vista por Marco Polo ao final do século 13 ou por Lorde MacCartney ao final do século 18. A China era um imenso país igualitário, vivendo na pobreza absoluta.
Em 2012, apenas 36 anos depois, a China de Hu Jintao, em termos mundiais, era a segunda maior economia, a primeira nação industrial e maior exportador de bens industriais. O país é hoje o maior produtor e consumidor mundial de aço, alumínio, cimento, automóveis, eletrodomésticos, computadores, roupas, sapatos, para nomear alguns itens. Maior consumidor mundial de alimentos, energia e commodities minerais. Nesse curto espaço de tempo, a China deixou de ser uma bucólica nação agrícola e rural para se tornar uma nação industrializada, quase urbana com mais de 50% de sua população vivendo nas cidades.
Nossa civilização ocidental desenvolveu um modelo econômico baseado na abundância relativa, isto é, os recursos do mundo são para todos e devem ser comercializados livremente pelas forças de mercado, mas os padrões de vida e consumo, não. Assim caberá a algumas nações e povos trabalharem mais e fornecerem os recursos. E a outras consumirem. Umas viverão na abundância e outras na penúria! Parafraseando Clausewitz, que dizia que “a guerra é continuação da política sob outros meios”, atrevo a dizer que “a globalização dentro da visão ocidental é a continuação do colonialismo e da escravidão sob outras formas”.

Depois de séculos de exploração colonial, a pregação pela abertura comercial e dos benefícios da economia de mercado, propagados à exaustão pelas nações abastadas do centro como modelo a ser seguido pelas nações pobres da periferia, parece não estar resistindo a seu grande teste que é o crescimento chinês. Imaginem se os demais 4,7 bilhões da população mundial seguirem o mesmo caminho da China! O crescimento acelerado da China era tudo que as nações ocidentais não sabiam que não queriam!

mao tse tung

13.353 – Economia – Pela 1ª vez, China compra um quarto de todas as exportações brasileiras


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A China nunca teve tanta importância para o comércio exterior brasileiro. Nos primeiros seis meses deste ano, 25% de tudo o que o Brasil exportou teve como destino o país asiático.
Esse percentual é recorde e é mais uma marca da ascensão da segunda maior economia mundial no Brasil. No primeiro semestre de 2007, a fatia chinesa nas exportações brasileiras era de 6,7% —os EUA eram líderes, com 16,4%.
Alimentada pela demanda por soja, minério de ferro e petróleo, a compra chinesa de itens do Brasil somou US$ 26,9 bilhões de janeiro a junho, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na média, as vendas brasileiras para o resto do mundo cresceram 19%.
Sozinhos, os asiáticos compraram mais do Brasil do que os três demais principais compradores do Brasil: EUA, Argentina e Holanda, pela ordem.
Fazia mais de dez anos que nenhum país era tão dominante na compra de produtos brasileiros. No início do século, os EUA chegaram a responder por mais de um quarto das exportações.
Mas, enquanto os americanos eram grandes clientes de produtos manufaturados (que tem preços mais estáveis), o que os chineses querem mesmo é matéria-prima e alimentos, cujas cotações costuma flutuar mais.
Ter um cliente tão poderoso tem seus benefícios, já que há um mercado quase cativo para os produtos, porém, os riscos são mais expressivos.
Uma desaceleração forçada da China teria forte impacto para as exportações, um dos raros pontos de destaque da economia brasileira neste começo de ano.
Seria muito difícil encontrar um mercado que conseguisse dar conta de tamanha demanda: 45% da soja comprada pelos chineses vem do Brasil, além de 21% do minério de ferro —considerando dados de janeiro a maio.
Além disso, uma crise em um “player” tão importante geraria, sem dúvida, uma queda abrupta nos preços.
Ou seja, o produtor brasileiro não só venderia menos como por um preço menor.
Uma freada mais forte da economia chinesa foi apontada recentemente pelo FMI como um dos principais riscos externos para o Brasil, só atrás de um aperto nas condições financeiras globais.

13.339 – Teletransporte: Engatinhando, mas é assim que começa – Cientistas teletransportam partícula da Terra para o espaço


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Equipe chinesa que lançou o satélite Micius anunciou que conseguiu usar a rede quântica do dispositivo para teletransportar uma partícula da superfície terrestre para a atmosfera pela primeira vez.
A técnica utilizada consiste em um estranho fenômeno conhecido como “entrelaçamento”, que pode acontecer quando partículas quânticas, como os fótons, se formam ao mesmo tempo e no mesmo ponto do espaço, dividindo a existência. Em termos técnicos, eles são descritos com a mesma função de onda — o interessante é que a experiência continua mesmo quando os objetos estão distantes no Universo. Logo, quando um é afetado o outro também é.
Apesar de a informação já ser conhecida há anos, uma experiência como a chinesa nunca havia sido realizada. Isso porque a técnica é muito frágil, pois as partículas interagem com a matéria na atmosfera ou dentro de fibras óticas, o que faz com que a relação entre elas seja perdida. No caso do experimento, os fótons continuaram se relacionando, mesmo estando a 500 km de distância.
“Experimentos anteriores de teletransporte entre locais distantes foram limitados a cem quilômetros, devido à perda de fótons em fibras ópticas ou canais terrestres livres”, afirmou a equipe em entrevista ao MIT Technology Review. Por isso o feito dos chineses foi tão surpreendente.
O time de cientistas mandou milhões de fótons para o espaço durante 32 dias, mas só obtiveram 911 respostas positivas. “Relatamos o primeiro teletransporte quântico de qubits independentes de um único fóton a partir de um observatório terrestre até um satélite na órbita terrestre — através de um canal de ligação ascendente — com uma distância de até 1,4 mil km”, afirmaram.
O feito coloca os chineses em posição de liderança da área, que era até então dominada pela Europa e pelos Estados Unidos. “Esse trabalho estabelece a primeira ligação ascendente terra-satélite para o teletransporte quântico ultra-longo, um passo essencial para a internet quântica de escala global”.

13.113 – Sustentabilidade – Em um ano, China mais que dobrou a capacidade em energia solar


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Quem iria imaginar que o maior emissor de carbono do mundo iria se tornar líder em produção de energia renovável? A China, que também tem o pior índice de poluição do ar, segundo dados de 2016 da Organização Mundial da Saúde, agora está no topo da lista dos países que mais produzem energia solar.
De acordo com o relatório da Administração Nacional de Energia (NEA) divulgado no último final de semana, a capacidade fotovoltaica chinesa mais do que dobrou: subiu para 77,42 gigawatts no final de 2016, com um acréscimo de 34,54 gigawatts ao longo do ano. Considerando que 1 gigawatt seria o suficiente para abastecer uma cidade com 1,5 milhão de habitantes, é uma façanha e tanto.
Entre as províncias que tiveram o maior aumento na capacidade estão Shandong, Xinjiang e Henan. Já as regiões de Gansu, Qinghai e o interior da Mongólia alcançaram potência máxima no fim do ano.
Com os EUA perto de recuar em acordos climáticos, a China parece estar pronta para assumir a liderança mundial em energia limpa. Até 2020, segundo o plano de desenvolvimento traçado por sua Agência Nacional de Energia, a China pretende instalar mais de 110 gigawatts em sua capacidade de energia solar, investindo mais de US$ 360 bilhões no projeto.

Momento crítico
O investimento em energias renováveis acontece em um momento em que a China enfrenta problemas sérios de poluição atmosférica. Em dezembro de 2016, dez cidades decretaram alerta vermelho, apresentando níveis de partículas tóxicas até 30 vezes maiores do que o limite permitido, segundo a Organização Mundial de Saúde.
A névoa poluente, chamada de “smog”, reduziu a visibilidade a quase zero e cancelou centenas de voos em Pequim. Cerca de cem milhões de chineses foram orientados a ficar em casa. De acordo com a OMS, tais partículas poluentes podem causar ataques cardíacos prematuros, câncer de pulmão, acidente vascular cerebral e problemas respiratórios.

12.470 – Poluição – 80% da água subterrânea da China está contaminada


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“Arpocalipse” na China

Resultado da super ocupação humana, água e ar contaminados na China.
Em meio à poluição atmosférica que assola a China, o país enfrenta outra crise ambiental silenciosa e, muitas vezes, invisível: a contaminação das águas subterrâneas.
Produtos químicos, tais como o manganês, flúor e triazóis (usados em herbicidas) foram detectados na maioria dos 2.103 poços subterrâneos testados em um novo estudo divulgado pelo governo daquele país, relata o The New York Times.
Os resultados são alarmantes: a qualidade da água foi classificada como de Grau 4 em 32,9% dos pontos avaliados, o que significa que é somente segura para ser utilizada em processos industriais; em outros 47,3% deles, a classificação foi de Grau 5, o que significa que ela é ainda menos segura para uso.
As origens dessa poluição são velhas conhecidas, com raízes em práticas que afetam tanto o campo como as cidades. Desde 1990, a China tornou-se o maior consumidor de fertilizantes nitrogenados do mundo, que, apesar de ajudarem no crescimento rápido do cultivo, aumentando a oferta de alimentos, também deterioram o solo e poluem lençóis freáticos.
As indústrias com seus resíduos da produção,especialmente as têxteis (que geram metais pesados, tóxicos e substâncias cancerígenas) são outra fonte significativa de poluição no país.
Atento ao problema, em 2011, o Ministério da Proteção Ambiental lançou um programa que deveria mitigar a poluição da água subterrânea até 2020. O plano era fortalecer a gestão da água, melhorar os regulamentos e implementá-los por meio da aplicação da lei e da educação pública. Ao que parece, o intento não foi bem sucedido.
“As pessoas nas cidades veem a poluição do ar todos os dias, o que cria uma enorme pressão pública. Mas nas cidades, as pessoas não veem quão ruim a poluição da água é. Do meu ponto de vista, isso mostra como a água é o maior problema ambiental na China”, afirmou Dabo Guan, professor da Universidade de East Anglia, ao The New York Tiimes.
Segundo o diretor do Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais de Pequim, Ma Jun, a água testada foi encontrada principalmente em poços subterrâneos rasos, que não são utilizados no abastecimento de água potável nas cidades (em vez disso, elas normalmente recebem água de reservatórios profundos).
No entanto, ele observou que, em muitos lugares, os moradores ainda estavam bombeando água dos poços que foram testados, expondo-se a graves problemas saúde. Além disso, como a água segue um ciclo, a piora de sua qualidade eventualmente acabará por comprometer a oferta nas cidades.

12.079 – Mega Estatísticas – Números Chineses


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DADOS PRINCIPAIS

ÁREA: 9.536.499 km²

CAPITAL: Pequim

POPULAÇÃO: 1,4 bilhão de habitantes (estimativa dezembro de 2014)

MOEDA: Iuan

NOME OFICIAL: REPÚBLICA POPULAR DA CHINA (Zhonghua Renmin Gongheguo).

NACIONALIDADE: chinesa

DATA NACIONAL: 1 e 2 de outubro (Dia da Pátria, Proclamação da República Popular da China).

DIVISÃO ADMINISTRATIVA: 22 províncias, 5 regiões especiais (Hong Kong e Macau), 5 regiões autônomas e 4 municipalidades.

GOVERNO: Estado Unipartidário

PRESIDENTE: Xi Jinping
GEOGRAFIA DA CHINA:
MAPA DA CHINA

LOCALIZAÇÃO: leste da Ásia

FUSO HORÁRIO: + 11 horas em relação à Brasília

CLIMA DA CHINA: de montanha (O e SO), árido frio (N, NO e centro), de monção (litoral S)

CIDADES DA CHINA (PRINCIPAIS): Xangai, Pequim (Beijing), Tianjin; Shenyang, Wuhan, Guangzou (Cantão), Nanquim

REGIÃO ESPECIAL ADMINISTRATIVA: Hong Kong

COMPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO: chineses han 91,6%; grupos étnicos minoritários 5,1% (chuans, manchus, uigures, huis, yis, duias, tibetanos, mongóis, miaos, puyis, dongues, iaos, coreanos, bais, hanis, cazaques, dais, lis), outros 3,3% (dados de 2012).

IDIOMAS: mandarim (principal), dialetos regionais (principais: min, vu, cantonês).

RELIGIÕES: sem religião (40,1%), crenças populares chinesas (28,9%), budismo (8,6%), ateísmo (7,5%), cristianismo (9%), crenças tradicionais (4,3%), islamismo (1,6%) – dados do ano de 2013.

DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 145,6 hab./km2 (estimativa dezembro de 2014)

CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO: 0,6% por ano (entre 2010 e 2015)

TAXA DE ANALFABETISMO: 4,9% (dados de 2014).
RENDA PER CAPITA: US$ 7.428 (ano de 2014).

IDH: 0,727 (Pnud 2014) – índice de desenvolvimento humano alto

11.205 – Último tigre da China Vira Churrasco


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A imprensa chinesa noticiou no fim de dezembro de 2013, que um cidadão foi condenado a doze anos de prisão por crime ambiental. Seu delito foi matar a tiros – e comer, em animada companhia de amigos – o que se acredita ser o último exemplar que restava na China do tigre da Indochina. A última vez que se viu essa subespécie de tigre em território chinês foi em 2007. Testemunhas afirmam que o animal morto era o mesmo avistado naquela ocasião. Duas outras subespécies de tigre subsistem na China (uma delas, o tigre do sul da China, com menos de vinte exemplares). O tigre da Indochina está agora restrito a cinco países do Sudeste Asiático. O condenado alega que atirou no animal em legítima defesa, mas admitiu ter feito churrasco do felino. Na medicina chinesa tradicional, persistem crendices como a que atribui poderes terapêuticos a órgãos de certos animais. Os testículos do tigre são recomendados como uma iguaria afrodisíaca.

11.048 – ☻Megacurtíssima – Brócolis realmente eliminam toxinas


Essa é a conclusão de um estudo* feito na China. Os voluntários que tomaram suco de brócolis conseguiram expelir 61% mais benzeno e 23% mais acroleína (substâncias cancerígenas contidas no cigarro) na urina.
*Fonte: Rapid and Sustainable Detoxication of Airborne Pollutants by Broccoli Sprout Beverage: Results of a Randomized Control Trial in China. Patricia Egner e outros, Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

10.733 – Lugares Exóticos – Zhangye Danxia


Parque geológico
Parque geológico

É um parque geológico que está localizado no sudoeste da China e contém algumas características muito particulares. Provavelmente, o mais surpreendente são as montanhas multicoloridas conhecidas como acidentes geográficos Danxia. A coloração surreal vem de arenito vermelho e depósitos minerais naturais que se formaram ao longo de 24 milhões de anos. Cada “faixa” é constituída de um mineral diferente e, ao longo dos tempos, elas formam diversas camadas, resultando em um paisagem que se parece com um arco-íris.
A China é o único lugar no mundo com este tipo de formação mineral, e inclusive algumas das formas terrestres tornaram-se Patrimônio Mundial da UNESCO.

10.731 – Programa Espacial Chinês – China lança primeira missão de ida e volta à Lua


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A China lançou a primeira sonda espacial de ida e volta à Lua, mais uma etapa de um ambicioso programa espacial que pretende enviar astronautas ao satélite da Terra. “A primeira fase da viagem foi um sucesso”, anunciou a Administração Estatal de Ciências, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional (SASTIND) em um comunicado.
O lançamento da missão Chang’e-5-T1 ocorreu na base espacial de Xichang, ao sudoeste da província de Sichuan. A sonda deve chegar à Lua, dar a volta no satélite e retornar à Terra em nove dias. No total, a sonda deve percorrer 413.000 quilômetros da Terra até o ponto mais distante em oito dias de missão. O pouso está previsto para a região chinesa da Mongólia interior, segundo a agência estatal Xinhua.
Esta é a primeira vez que os cientistas chineses têm como meta o retorno de um módulo orbital, que precisará resistir na reentrada da Terra, em particular às elevadas temperaturas provocadas pela fricção do contato com a órbita terrestre. A nave atingirá no retorno à Terra uma velocidade de 11,2 quilômetros por segundo, antes de reduzir a aceleração. A missão pretende testar a tecnologia que será utilizada na missão prevista para 2017, que deseja coletar mostras da superfície lunar.
Meio século depois do programa Apollo dos Estados Unidos, a China tem a Lua como objetivo.O desejo de Pequim é ser o primeiro país asiático a enviar um ser humano ao satélite natural, provavelmente depois de 2025. Em dezembro de 2013, o país conseguiu levar a sonda Chang’e-3 a pousar na Lua e deixar na superfície lunar um veículo teleguiado batizado de “Coelho de jade”, uma missão que foi considerada um êxito total.

Coelho de Jade
Coelho de Jade

10.686 – Poluição Ambiental – Cidade chinesa entra em alerta laranja, contra ar irrespirável


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Pela primeira vez neste ano a qualidade do ar atingiu “níveis perigosos” por 50 horas seguidas. É o período mais longo em que este fenômeno acontece. A visibilidade é de 500 metros.
Imagens de satélite mostram que uma espessa nuvem de poluição veio de áreas do sul da capital chinesa, incluindo a parte sul da província de Hebei, onde se concentram siderúrgicas e outras indústrias pesadas. E as condições do tempo estão exacerbando o problema.
A Organização Mundial de Saúde estabeleceu um limite de PM2.5 (a chamada matéria fina particulada, que penetra mais fundo nos pulmões) de 25 microgramas por metro cúbico em um período de 24 horas. Depois de 50 horas seguidas, verificadas ontem, a conta passou de 250 microgramas.
Com o alerta de poluição passando do amarelo para o laranja, as fábricas mais sujas foram obrigadas a cortar 30% de suas emissões. A nuvem cobriu outras cidades próximas – principalmente nas províncias de Hebei e Xangai, incluindo Xingtai , Shijiazhuang , Dingzhou e Yangquan, e dezoito estradas da região tiveram de ser fechadas, de acordo com a Administração Metereológica da China.
Beijing se encontra sob enorme pressão para enfrentar o problema. Além do aumento dos protestos públicos, a cidade irá hospedar em duas semanas a conferência de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.
Grupos ambientais criticaram as autoridades chinesas por não usarem um alerta vermelho, o mais alto, para proteger as crianças vulneráveis à poluição. Ela deverá continuar até amanhã, quando será dispersada por uma frente fria, informa o South China Morning Post.

10.675 – Mega de ☻lho no Mundo – Poluição na China


"Arpocalipse" na China
“Arpocalipse” na China

Como se já não bastasse trabalhar quase de graça, comer insetos e carne de cachorro, que tal respirar um arzinho lá da China?
Difícil de enxergar. Difícil de respirar. Nos últimos dias, os níveis de poluição em várias cidades chinesas, incluindo a capital Pequim, superaram em 20 vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
As cenas do “arpocalipse” se repetem há pelo menos três dias. Na megalópole, pessoas caminham com máscaras de proteção em meio aos prédios, ruas, praças e monumentos engolidos pela espessa mistura de fumaça e poeira, que tampa o sol e faz o dia parecer noite.
O principal vilão do ar são as chamadas PM2,5, partículas finas e inaláveis de poeira com diâmetro inferior a 2,5μm resultantes da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e das usinas a carvão (a China é o país mais faminto por carvão para suprir suas necessidades energéticas, seguida pelos EUA).
Devido ao pequeno diâmetro, essas partículas ficam em suspensão no ar e penetram profundamente no aparelho respiratório, instalando-se nos alvéolos pulmonares e bronquíolos, podendo causar sérios danos à saúde.
No dia 10/10/2014, véspera do jogo Brasil X Argentina pelo troféu Clássico das Américas, em algumas regiões, a concentração de PM 2,5 no ar chegou a 445 microgramas por metro cúbicos. Segundo da OMS, é nociva a exposição ao longo de 24 horas a concentrações superiores a 25.
Um estudo publicado em 2013 indicou que a poluição reduzirá em 5,5 anos a expectativa de vida de quem mora no Norte do pais, em comparação aos vizinhos do Sul. Combinados, os 500 milhões de habitantes da região deverão perder mais de de 2,5 bilhões de anos de vida pela exposição à poluição.

10.611 – ☻Mega Byte – Ali Babá e os 250 bilhões de dólares


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Ali Babá, no conto árabe, é um lenhador pobre que fica rico ao encontrar um tesouro. No portal chinês Alibaba, esse tesouro às vezes tem caras estranhas. Nele e em suas subdivisões é possível encontrar pepino do mar congelado (US$ 12 o quilo), peras em formato de buda (US$ 10 por três), cabelos de “jovens virgens” (US$ 16 a mecha) – ou uma centrífuga para produzir urânio enriquecido (US$ 9 mil). E mais uma montanha de produtos falsificados: são cerca de 800 milhões de artigos piratas, oferecidos por 8 milhões de vendedores chineses. No ano passado, o Alibaba movimentou US$ 250 bilhões.
Na festa de dez anos do Alibaba, em 2009, 15 mil funcionários se reuniram num estádio para comemorar e ver shows de música pop chinesa. Até que o palco se abriu e, vestindo roupa de couro, óculos escuros e uma peruca com cabelos brancos até a cintura e um grande moicano roxo, o ex-professor universitário Jack Ma virou o centro das atenções. Ninguém diria que ali estava o terceiro homem mais rico da China, com uma fortuna pessoal de US$ 10 bilhões.
Vejamos a história dele:
Nascido na área rural da China, ele conheceu um turista americano quando era criança, ficou fascinado, e resolveu ir atrás de outros estrangeiros. Passou a ir de bicicleta até o hotel da cidade, pedalando uma hora e meia, só para encontrar gringos e tentar aprender inglês. Fez isso todos os dias por nove anos, até que aprendeu. Virou professor do idioma, ganhando o equivalente a US$ 12 por mês. Em 1995, arranjou um trabalho como tradutor em um projeto e viajou para os EUA, onde viu um computador pela primeira vez e acessou a internet. Ficou maravilhado.
Ao voltar para a China, montou a primeira empresa de internet do país: um site chamado China Pages, que listava os contatos de empresas locais. Mas o governo comunista estranhou. Muitos dos oficiais nunca tinham nem visto um computador, e por isso colocaram vários obstáculos contra a empresa de Jack, que acabou desistindo. Quatro anos depois, em 1999, resolveu tentar de novo. Reuniu 17 amigos e os convenceu a trabalhar de graça na criação do Alibaba. No começo, o site era voltado para comércio entre empresas, com negociações de minério de ferro, máquinas e equipamentos. Deu certo, mas havia um problema. O site não conseguia ganhar dinheiro, pois anunciar nele era (e ainda é) gratuito. Foi então que Jack teve a ideia que o tornaria bilionário: cobrar para dar destaque aos anúncios. Foi o que transformou o Alibaba num gigante, que hoje tem 24 mil funcionários. “Ele não tem nenhum conhecimento de tecnologia, mas sua grande qualidade é montar times com pessoas sem experiência, e motivar essas pessoas”, diz o executivo Porter Erisman, que trabalhou dez anos no site, onde chegou a vice-presidente, e é o diretor de um novo documentário sobre a empresa, Crocodile in the Yangtze (“Crocodilo no Yangtze”, ainda sem versão em português). O filme é apenas um dos que abordam o Alibaba – há pelo menos mais sete a respeito.
Jack Ma é mesmo um ídolo na China, onde é conhecido pela capacidade de convencer qualquer pessoa de qualquer coisa
Conforme foi crescendo, o site também se tornou mais polêmico – e de modo tipicamente chinês. Como qualquer pessoa ou empresa pode anunciar no Alibaba, e são centenas de milhões de produtos, fica difícil saber o que é original e o que não é. Na China, a falsificação também não carrega o estigma que tem no Ocidente. “Uma empresa pode fabricar uma cópia de um produto, ou fazê-lo de maneira levemente diferente, sem que isso seja considerado pirataria.
Oficialmente, o Alibaba proíbe a venda de artigos falsificados, e há casos de anúncios que foram deletados do site por causa disso. O portal também criou o site Tmall.com, que é voltado para o mercado interno chinês e só vende produtos oficiais de marcas conhecidas, como Nike, Adidas, GAP, Apple e Ray-Ban. Outro site criado pelo grupo é o AliExpress, que oferece artigos baratos, como roupas, cosméticos e bugigangas eletrônicas, para o mercado internacional. Ele tem versão em português, e faz sucesso entre os brasileiros – que são seus terceiros maiores clientes (só atrás dos americanos e dos russos). O frete é grátis, mas a entrega é um problema: chega a demorar meses.

Um grande negócio (?)
A nova investida do grupo Alibaba é o AliPay, um serviço que atua como intermediário nas compras e vendas. Ele retém o dinheiro pago pela mercadoria, e só o entrega ao vendedor depois que o comprador recebe o produto e confirma que está tudo OK. Mais ou menos como o MercadoPago e o PagSeguro, no Brasil, e o PayPal, nos EUA. Só que os chineses resolveram dar um passo além. Aproveitaram a popularidade do AliPay para criar um fundo de investimentos, o Yu¿e Bao (algo como “tesouro sobrando”, em chinês), no qual qualquer pessoa pode aplicar seu dinheiro com poucos cliques. Deu muito certo: em apenas dez meses, 81 milhões de chineses investiram no fundo, que já soma US$ 92 bilhões e paga juros de 5,5% ao ano – muito mais que os 0,35% anuais oferecidos pelos bancos. Um negócio irresistível. O sucesso foi tão grande que levou outras empresas chinesas de internet a criar seus próprios fundos de investimento. E está irritando os bancos chineses, que recentemente publicaram um artigo defendendo que o governo imponha regras para conter o Yu¿e Bao. O Alibaba pode acabar sendo atrapalhado pelo próprio sucesso. Ou, se sua oferta de ações der certo, se consolidar como quarta maior empresa de tecnologia do mundo – só atrás de Apple, Google e Microsoft.

10.559 – China vai gastar U$ 16 bilhões para incentivar carros elétricos


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A China está planejando investir U$ 16 bilhões em financiamento para construir estações de carga de veículos elétricos e incentivar a demanda por aqueles movidos com todos os tipos de tecnologia verde, de acordo com fonte governamental.

As políticas serão anunciadas em breve. A fonte não quis fornecer detalhes sobre o plano, sobre sua duração ou se as estações de carga serão compatíveis com os carros fabricados pela Tesla. Seu sócio majoritário, o visionário Elon Musk, visitou este ano o país para reuniões com autoridades do governo, de olho nas possibilidades de um mercado de enorme potencial.

O aumento do financiamento estatal vai ajudar em muito as montadoras preocupadas com o comportamento dos consumidores, em relação a preços, confiabilidade e conveniência dos veículos elétricos. E o setor vai contar ainda com incentivo fiscais anunciados pela China, o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, em mais uma medida para combater a poluição.

“Terá de ser um processo gradual, para aumentar tanto as vendas dos carros quanto o número de estações de carga. Os veículos ainda não são muito atraentes quando comparados a carros convencionais,” disse Ashvin Chotai, diretor da empresa de pesquisa de mercado Intelligence Automotive Asia.

Os incentivos irão cobrir também outras tecnologias verdes, como plug-ins híbridos e a de células de combustível. E daqui por diante a frota oficial terá de adotá-los.

O governo considera ainda incluir outras empresas que não as montadoras na fabricação de  carros elétricos para aumentar a produção e a competitividade, segundo informou em junho o Centro de Pesquisa de Tecnologia Automotiva da China, segundo o Tree Hugger.

10.132 – A China exporta nuvens de poluição para o resto da Ásia


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A China exporta suas nuvens de poluição para o resto da Ásia. É o que mostram as duas imagens acima. A de cima foi obtida em 20 de fevereiro. Mostra uma nuvem de poluição na região de Pequim (Beijing). Na imagem de baixo, de 25 de fevereiro, a névoa suja já se desloca para fora da China, chegando às Coréias e ao Japão. As imagens são da Nasa, agência espacial americana.
As nuvens são formadas por partículas tóxicas das indústrias na região de Pequim. A inversão térmica (fenômeno que atinge outras cidades como São Paulo) evita que o ar sujo suba para as altas camadas da atmosfera e se disperse mais facilmente. Mas não impede que se desloque para os países vizinhos. Um estudo recente afirma que resíduos da poluição chinesa chegam até a costa americana.
Os níveis de material particulado em Pequim chegaram a 444 microgramas por metro cúbico em 25 de fevereiro, segundo a agência Associated Press. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de no máximo 25 microgramas. Viver em Pequim nesses dias de poluição é pior do que morar num fumódromo. Ativistas dizem que o país está criando “cidades do câncer” com sua falta de controle de poluição.
Essas partículas podem entrar nos pulmões. Podem gerar crises de asma ou irritação respiratória. A longo prazo, estão associadas a ataques cardíacos e câncer.

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9687 – Um Dragão Chinês com Fome de Energia


China bate recorde mundial de instalação de energia solar

Em 2013, a China bateu recorde mundial de instalação de projetos fotovoltaicos, que somaram 12 gigawatts (GW). Isso é quase a capacidade solar total instalada dos Estados Unidos.
Nunca um país no mundo adicionou mais do que 8 GW em um único ano. Os dados são de uma análise preliminar da Bloomberg Energy Finance (Bnef).
Com os novos projetos, o mercado solar chinês superou o da Alemanha, que seguia intrépida na liderança no setor. No ano passado, a capacidade instalada na China mais que triplicou, saltando dos 3.6 GW, de 2012, para 15.6 GW.
O desempenho do país respondeu por 28% das instalações mundiais no ano passado, que somou 39 GW. Para 2014, a China planeja instalar mais 14 GW. Graças ao desempenho do mercado chinês, as empresas geradoras de energia estatais do país, a China Power Investment Corporation , China Three Gorges e China Huadian Corporação, tornaram-se as maiores proprietárias do mundo de bens solares.
Em março, a Bnef deve soltar o levantamento consolidado sobre a expansão da energia solar em 2013. É possível que o desempenho chinês surpreenda ainda mais.
Segundo os analistas, os desenvolvedores do país correram para completar os projetos no fim de 2013, antes da expiração de um incentivo público que dava 1 iuene para cada quilowatt-hour. Essa corrida deve ter adicionado 2 GW extras que não foram incluídos nos 12 GW totais.
Segundo a Bnef, os projetos de energia solar da China estão fortemente concentrados em suas províncias ocidentais, nas regiões ensolarados de Gansu (com 24% de todas as instalações de 2013), Xinjiang (18%) e Qinghai (17%).

8868 – Economia & Geo-Política – Desaceleração da economia da China nos anos 2010


Na primeira década dos anos 2000, o forte crescimento econômico da China e das principais economias asiáticas, somado à crise econômica nos EUA e Europa, foram fatores que geraram uma nova ordem econômica no início do século XXI, período em que muitas empresas transnacionais sobreviveram investindo em países emergentes com forte impulso econômico como a China.
No continente asiático, o Japão foi pioneiro como grande economia nos anos 1950 e 1980. Nos anos 1990, foi a vez do surgimento dos “tigres asiáticos”, como Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Cingapura. A partir dos anos 1990 e 2000, a China se solidificou como forte economia emergente. Atualmente, a China é a economia aberta mais globalizada do planeta, porém, desde 2010, tem registrado desaceleração econômica.
O ritmo da economia chinesa tem impactado diretamente na economia de todo mundo, pois importa muitas commodities e investe em outros países. Os principais investimentos iniciam no próprio país para aumentar a capacidade produtiva a partir de incentivos à educação, construção de indústrias, infraestrutura logística e novas cidades.
A atual desaceleração da economia chinesa diminui também o ritmo de crescimento dos demais países emergentes e das altas economias tradicionais. Essa pisada no freio do PIB chinês visa atender prioridades do governo frente à crise econômica mundial iniciada em 2008 e ao conjunto de adequações às questões socioeconômicas internas.
Dentre os principais objetivos do governo chinês, podemos destacar:
Manter a moeda nacional mais barata para o país exportar mais;
Manter as baixas taxas de juros;
Sobreviver à demanda mais baixa dos EUA e Europa;
Superar a saturação de seus mercados exportadores;
Não endividar a China perante um mundo que compra menos em tempos de crise.
Depois de um processo de explosão de consumo entre os chineses, a China agora trabalha para reequilibrar suas contas internas e suas questões sociais. Tradicionalmente, o forte crescimento chinês se deve à demanda interna por mão de obra barata, super explorada e necessitada de algumas assistências por parte do estado.
Apesar da explosão do consumo entre o chinês, na média, o que é gasto por um chinês em sua casa é equivalente a um terço do que é gasto pela economia de todo o país. Porém, caso o consumo médio dos chineses aumente e os investimentos econômicos do país se mantenham estagnados, o país poderá gerar inflação e saturação em alguns setores. A desaceleração da economia chinesa pode ser uma maneira de dar um passo para trás e, depois, dar dois para frente.

8662 – Planeta Verde – A China limpará o mundo?


chinaverde

“Observe profundamente o vento e a nuvem, e você conhecerá completamente este reino.” É assim que se encerra o poema “Habitando as montanhas”, do chinês Xie Lingyun, considerado o primeiro poeta paisagista da história. Lingyun viveu entre 385 e 433 a.C. e passou os dez últimos anos de sua vida recluso, numa região montanhosa do sudeste da China. Pouco imaginaria que, milênios depois, o céu limpo que o inspirou se tornaria tão poluído e cinza. Os moradores de Pequim que o digam. Em janeiro, a poluição do ar na capital chinesa ultrapassou em 25 vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde. Segundo a embaixada americana local, a concentração de sujeira no ar ao longo do mês foi de 194 microgramas de partículas por metro cúbico, maior que a média nos fumódromos dos aeroportos americanos.
O cenário quase apocalíptico é incongruente com os investimentos do governo chinês em energia limpa. Segundo um relatório publicado em abril pelo instituto americano Pew de pesquisa, em parceria com a empresa Bloomberg New Energy Finance, a China assumiu em 2012 o título de país que mais investe em energia limpa no mundo. Somente no ano passado, gastou US$ 65,1 bilhões instalando geradores de energia solar, eólica e de biomassa. É quase o dobro dos Estados Unidos, o vice-líder em investimentos verdes do mundo.
O empenho ambiental impressiona. Mas não anula a poluição produzida com as riquezas da China. “Embora o governo tenha metas ambiciosas para lidar com seus problemas ambientais, parece perder espaço em outras áreas importantes”, afirma Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro americano e ex-executivo-chefe do banco Goldman Sachs. Em nome do Paulson Institute, organização sem fins lucrativos que fundou em 2011, ele atualmente aconselha o governo chinês na busca de um crescimento sustentável. “Pouco adianta crescer e aumentar 1 ponto no PIB, se as pessoas estão morrendo pela poluição”, diz.
A China não sujeita seus moradores a infecções respiratórias, doenças cardiopulmonares e câncer de pulmão à toa. O país paga a conta pelos planos de ultrapassar a economia dos EUA até 2030. “Para chegar lá, a China precisará gastar 400% a mais de energia que atualmente”, afirma Richard Brubaker, professor de sustentabilidade e liderança responsável da China Europe International Business School, em Xangai. “É impossível atingir essa meta de maneira sustentável.” Principalmente quando o país depende da energia gerada pelo carvão. Segundo a agência de Administração de Informação de Energia dos EUA, em 2011 a China consumiu 47% do carvão no mundo.
O custo da sujeira é alto. Segundo o Ministério do Meio Ambiente da China, os danos à saúde e aos ecossistemas custaram US$ 230 bilhões em 2010, o equivalente a 3,5% do PIB do país. “Muitas autoridades chinesas já admitem que os problemas ecológicos podem prejudicar o desenvolvimento futuro”, afirma Sam Geall, professor da Universidade de Oxford e editor do livro China and the environment: the green revolution (China e o meio ambiente: a revolução verde, em tradução livre).
As autoridades chinesas dão sinais de que pretendem um novo tipo de progresso. Um projeto desafiador para um país que pretende colocar mais 300 milhões de pessoas em cidades nos próximos 30 anos – o equivalente a criar uma Nova York a cada ano. “A China tem uma economia bem mais complexa que há dez anos, e seus interesses resistirão a mudanças. Mesmo sendo otimista, sei que elas levarão tempo”..
Um indicador positivo é a mudança na postura dos cidadãos. Há 20 anos a China tinha apenas duas ONGs ambientais. Hoje, são milhares. “Os jovens chineses estão cada vez mais preocupados com o meio ambiente, e muitos políticos sabem disso”.A mudança de mentalidade é importante para além da Grande Muralha, pois boa parte da poluição não tem fronteiras.

8266 – Como funciona a censura na China?


Através da Xinhua News Agency, o órgão de notícias oficial, o governo determina como deve ser feita a cobertura dos eventos mais “sensíveis”. Além da cartilha, a Xinhua produz matérias, e a maior parte dos veículos simplesmente reproduz esse conteúdo, muitas vezes em um ato de autocensura, afinal o governo pode até prender jornalistas que desrespeitem suas ordens. Por isso, quase tudo o que se lê ou vê na China é produzido pelo governo, de modo que a maior parte da população nem se dá conta da censura. No dia 24 de março, por exemplo, a ONG Repórteres Sem Fronteiras organizou um protesto contra a repressão chinesa no Tibete no local da passagem da tocha olímpica. Mas o que os chineses viram pela TV foi bem diferente. Como não existem canais de TV não oficiais, todos viram imagens de esculturas gregas em vez do protesto.

Rédeas muito curtas
A censura não barra apenas críticas políticas. Temas relacionados a sexo e questões que possam gerar polêmicas, como drogas e homossexualismo, também são barrados. O governo proibiu, por exemplo, entrevistas com a atriz Wei Tang, que fez cenas de sexo no filme Lust, Caution, de Ang Lee. A saída na arte é fugir de críticas explícitas.
Muitos veículos preferem não publicar determinadas notícias antes mesmo de sofrer reprimendas. Eles temem medidas mais drásticas do que a não-publicação. Os veículos podem perder a licença de operação e profissionais podem até ser presos. De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, das 131 prisões de jornalistas que aconteceram no mundo em 2006, 25% foram na China.

A Grande Muralha Chinesa
A internet chinesa é controlada através do “Escudo Dourado”, um firewall, sistema de segurança que bloqueia sites que contenham certas palavras consideradas “perigosas” pelo governo. Os sites bloqueados entram em uma espécie de lista negra e, a partir deles, tenta-se chegar a outras URLs “subversivas”
A Xinhua News Agency é a responsável por “ditar” as regras do que pode ou não ser publicado. Existem cerca de 30 mil censores contratados para analisar o conteúdo de textos, vídeos e áudios. Até propagandas podem ser censuradas: em setembro de 2007, a Administração Estatal de Rádio, Filme e Televisão proibiu anúncios, digamos, mais apimentados.
No sul do país, onde há grande circulação estrangeira, há algumas ilhas de liberdade. Nos hotéis de mais de três estrelas da província de Guangdong, em geral não há restrições para jornais e canais de TV estrangeiros. Hong Kong também tem menos restrições, mas a circulação dos seus jornais, como o South China Morning Post, é barrada em outras regiões.
Embora a proximidade da Olimpíada tenha reduzido o rigor, a mídia estrangeira também sofre sanções. Hoje jornalistas podem circular pelo país, mas em algumas regiões, como o Tibete, há restrições. Além disso, o governo bloqueia o acesso a informações desfavoráveis em sites estrangeiros, inclusive YouTube.

Mídia Clandestina
Por mais rigoroso que seja, o governo não consegue controlar trocas de informações entre pessoas. Além de folhetins “subversivos” que circulam de forma clandestina, há também brechas digitais. Um canal de comunicação ainda não controlado pelo governo, por exemplo, é a transmissão de textos, fotos e vídeos via celular.
CCTV é o canal de TV oficial. Além dele, que é nacional, há também estações regionais, mas todas são do governo. Por isso, na China não há transmissões ao vivo. As coberturas supostamente em tempo real têm um delay (atraso) de nove segundos, tempo suficiente para cortar ou mudar a imagem, caso algo inesperado aconteça.

8141 – Carne de rato vira negócio da China


Como se não bastasse todas as formas de crueldade exportadas da China, o país agora está buscando na carne de rato mais uma fonte lucro. Os ratos são um dos pratos preferidos dos habitantes de Guangdong, cidade no Sul da China. Os animais são vendidos em estabelecimentos comerciais e também nas ruas. A ideia é fazer com que o resto do mundo adote o hábito alimentar, investindo na exportação até de bacon de rato.
Cuidado com aquela carninha barata importada da China.