13.872 – Dica de Livro – A China Antes e Depois de Mao Tse Tung


China C Rossi
Trechos do ☻Mega Foram Usados Para Escrever o Livro
Este livro junta artigos de Ernest Mandel, S. Wu, Carlos Rossi, Pierre Rousset, Roland Lew acerca da evolução da Revolução Chinesa.
O crescimento demográfico aliado aos fenômenos de urbanização, industrialização e disseminação dos padrões de consumo das nações mais desenvolvidas em direção às nações menos desenvolvidas tem exacerbado o conflito redistributivo em nível mundial. A globalização da economia e a monopolização dos mecanismos de mercado como forma de alocação de recursos e decisão sobre o que produzir e consumir expõe as enormes contradições abrigadas dentro do sistema via os impactos ambientais e o preço das “commodities” agrícolas e minerais, aí incluso o petróleo.
Quando Mao Tsé-tung morreu, em 1976, a China era um país rural de 1 bilhão de habitantes, pobre, quase paupérrimo, com 85% de sua população vivendo no campo numa economia de subsistência, com uma parca dieta vegetal, sem meios de transporte além de pernas, bicicletas e de seus animais.
A maior fonte de energia disponível era primária, tirada deles próprios ou da natureza sem nenhuma sofisticação industrial. A infraestrutura de energia e transporte era quase inexistente para o tamanho de sua população, e os padrões de consumo, tão frugais que seria impossível a um ocidental imaginar como eles podiam viver daquela maneira. O sonho de consumo de um chinês era um rádio e uma bicicleta, e a moda, ano após ano, eram os indefectíveis terninhos tipo Mao, com o mesmo design e cores, distribuídas duas ou três peças por habitante. Tudo era racionado, da comida ao sabonete. Os níveis de consumo da China, principalmente de alimentos, beiravam o limite da sobrevivência, daí a grande criatividade dos chineses nos ingredientes de sua culinária, principalmente no que tange a proteína animal.
O impacto da China no mercado mundial de commodities agrícolas, minerais e energia era zero, assim como seu impacto no mercado de bens industrializados. Embora já dispusesse de um razoável poderio militar e inclusive detentora de bombas nucleares, do ponto de vista do impacto econômico no mundo e pressão sobre recursos naturais e emissão de poluentes, tudo se passava como se a China e suas centenas de milhões de habitantes não existissem! Era um enorme ponto no mapa mundial despertando mais curiosidade do que qualquer preocupação. A China de Mao, em 1976, não era muito diferente da China vista por Marco Polo ao final do século 13 ou por Lorde MacCartney ao final do século 18. A China era um imenso país igualitário, vivendo na pobreza absoluta.
Em 2012, apenas 36 anos depois, a China de Hu Jintao, em termos mundiais, era a segunda maior economia, a primeira nação industrial e maior exportador de bens industriais. O país é hoje o maior produtor e consumidor mundial de aço, alumínio, cimento, automóveis, eletrodomésticos, computadores, roupas, sapatos, para nomear alguns itens. Maior consumidor mundial de alimentos, energia e commodities minerais. Nesse curto espaço de tempo, a China deixou de ser uma bucólica nação agrícola e rural para se tornar uma nação industrializada, quase urbana com mais de 50% de sua população vivendo nas cidades.
Nossa civilização ocidental desenvolveu um modelo econômico baseado na abundância relativa, isto é, os recursos do mundo são para todos e devem ser comercializados livremente pelas forças de mercado, mas os padrões de vida e consumo, não. Assim caberá a algumas nações e povos trabalharem mais e fornecerem os recursos. E a outras consumirem. Umas viverão na abundância e outras na penúria! Parafraseando Clausewitz, que dizia que “a guerra é continuação da política sob outros meios”, atrevo a dizer que “a globalização dentro da visão ocidental é a continuação do colonialismo e da escravidão sob outras formas”.

Depois de séculos de exploração colonial, a pregação pela abertura comercial e dos benefícios da economia de mercado, propagados à exaustão pelas nações abastadas do centro como modelo a ser seguido pelas nações pobres da periferia, parece não estar resistindo a seu grande teste que é o crescimento chinês. Imaginem se os demais 4,7 bilhões da população mundial seguirem o mesmo caminho da China! O crescimento acelerado da China era tudo que as nações ocidentais não sabiam que não queriam!

mao tse tung

13.343 – Livros do século 19 podem ser levados pra casa em biblioteca da Assembleia Legislativa


livros
Andar entre os estreitos corredores da biblioteca do terceiro andar da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) é uma pequena viagem no tempo. Nas prateleiras, há volumes com mais de cem anos, como a série “Costumes, Usos e Trajos de Todos os Povos do Mundo”, de Augusto Wahlen, em edição de 1878. No corredor ao lado, há um conjunto com a obra completa de Shakespeare (1564-1616) impressa em Paris, em 1904.
Outra coleção de destaque por lá é a Brasiliana, série de cerca de 400 livros publicados a partir de 1930 que traz estudos e visões sobre o Brasil a partir de várias áreas do conhecimento, como história e biologia.
Antes restrito aos funcionários da Alesp e a pedidos de empréstimo de outras instituições, esse acervo pode ser consultado e emprestado por qualquer pessoa desde o começo deste mês. O cadastro exige RG e comprovante de endereço e permite levar até três livros por vez, com devolução em 15 dias.
A maior parte dos 9.000 volumes trata das várias áreas do direito. “Temos projetos de lei e discursos feitos desde o tempo do Império, alguns deles anotados à mão”, diz o deputado Cauê Macris (PSDB), presidente da Alesp, que busca atrair mais público para a casa, sediada no Palácio 9 de Julho, edifício de 1948, em frente ao parque Ibirapuera. “Queremos que as pessoas não venham apenas para os debates, mas que usem mais o prédio.”
Outra prateleira que vale prestar atenção é a que contém volumes sobre a história paulista, com livros escritos em várias décadas. Lá estão os volumes publicados nos anos 1920 pelo historiador Affonso d’Escragnole Taunay (1876-1958) e também o recente “A Capital da Solidão”, de Roberto Pompeu de Toledo.
Além da biblioteca, a instituição também abre ao público seu acervo histórico, com cerca de 150 mil fotografias e outros milhares de itens, como medalhas, mapas e cartas.
Uma delas, de 1901, veio de Paris. Santos Dumont (1873-1932) escrevia ao então Congresso de São Paulo para contar as novidades de seus planos de voar.

Livros de Destaque
Série “Costumes, Usos e Trajos de Todos os Povos do Mundo”, de Augusto Wahlen, de 1878.
Obras Completas de William Shakespeare, em francês, editadas em 1904.
“São Paulo nos Primeiros Anos”, de Affonso d’Escragnole Taunay, em edição da década de 1920.
Coleção Brasiliana, com mais de 300 volumes publicados a partir de 1930.
“História dos Bairros de São Paulo”, série publicada em 1988.

13.289 – Livro – A noite em que a Força Aérea Brasileira caçou um ovni


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Era uma noite estrelada, em 19 de maio de 1986. Às 23h15, chegou a informação de que a torre de controle de São José dos Campos, no interior de São Paulo, havia avistado luzes de cores amarelo, verde e laranja se deslocando sobre a cidade. Ao mesmo tempo, sinais foram detectados no radar em solo. O primeiro a observar o fenômeno foi o coronel Ozires Silva, então recém-nomeado presidente da Petrobras (antes, tinha comandado a Embraer). Ele estava a bordo do avião Xingu PT-MBZ e viu uma dessas luzes. “A visibilidade era uma beleza. Uma noite toda estrelada, típica do mês de maio. E entre as estrelas eu vi um clarão, um objeto ovalado. Parecia um astro. A diferença é que astro não aparece no radar”, disse o fundador da Embraer numa entrevista. “Voei na direção dele. E, enquanto me aproximava, ele começou a desaparecer.”

Às 0h39, foi acionada a aeronave de alerta da defesa da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. O jato de caça partiu rumo a São José dos Campos, guiado pela detecção de sinais intermitentes no radar da torre de controle. A uma altitude de 5.200 metros, o piloto avistou uma luz branca abaixo de seu nível de voo. Posteriormente o objeto foi subindo e se posicionou 10 graus acima da aeronave de interceptação. Ambos começaram a aumentar a altitude, e o caça o perseguiu até os 10 mil metros. No trajeto, a luz por um momento mudou de branca para vermelha, depois verde e novamente branca, permanecendo nessa cor. O radar do caça detectou o objeto, que indicava estar de 10 a 12 milhas de distância (16 a 18,2 km), voando na direção do mar.
A perseguição prosseguiu até a aeronave atingir o ponto de não-retorno (que significa que não haveria combustível suficiente para voltar à base de origem). Como não houve aproximação efetiva, decidiu-se pelo fim da caça. Menos de 30 minutos depois, detecções de eco de radar começaram a ser feitas sobre a região de Anápolis, Goiás. Os sinais de radar eram mais confiáveis, davam direção e velocidade de deslocamento dos objetos. À 1h48, um segundo caça, dessa vez partindo da Base Aérea de Anápolis, subiu aos céus para investigar. O piloto chegou a obter contato pelo radar da sua aeronave, mas não conseguiu ver nada. Parecia uma perseguição absolutamente desleal. Enquanto o jato voava como um avião, em velocidade supersônica, o objeto tinha um nível de agilidade incompatível com aeronaves terrestres. Voava em zigue-zague, ora se aproximava, ora se afastava, mesmo estando mais rápido que o caça. Por fim, ao perder contato por radar, o avião retornou à base. Em compensação, no Rio de Janeiro, a mobilização continuava. Um segundo caça decolou à 1h50 na direção de São José dos Campos e avistou uma luz vermelha de onde emanava o sinal de radar detectado em solo. Perseguiu-a por alguns minutos, sem conseguir se aproximar, até que ela se apagou.
Simultaneamente, apareceram nada menos que 13 diferentes registros do radar em solo na traseira da aeronave. O piloto fez uma volta de 180 graus para tentar observá-las, mas nenhum contato visual ou com o radar de bordo foi efetuado. Uma segunda e uma terceira aeronaves decolariam de Anápolis, às 2h17 e às 2h36, sem obter qualquer tipo de contato. Os interceptadores lá no Rio foram pousando conforme sua autonomia chegava ao fim. O último recolheu-se à base às 3h30. No resumo do relatório assinado naquele ano pelo brigadeiro-do-ar José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, então comandante interino do Comdabra (Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro), os militares tiram conclusões definitivas. Primeiro, sobre a natureza dos objetos perseguidos e observados, capazes de “produção de ecos radar, não só no sistema de Defesa Aérea, como nos radares de bordo dos interceptadores (…), variação de velocidade de voo subsônico até supersônico, bem como manutenção de voo pairado, variação de altitudes inferiores a 5 mil pés (aproximadamente 1.500 m) até 40 mil pés (aproximadamente 12 mil metros), emissão de luminosidade nas cores branca, verde, vermelho, e outras vezes não apresentando indicação luminosa, capacidade de aceleração e desaceleração de modo brusco, capacidade de efetuar curvas com raios constantes, bem como com raios indefinidos”.
Não é preciso dizer que esse conjunto de qualidades não existe em nenhuma aeronave cujo princípio de operação seja dominado pela ciência terrestre. Da forma cautelosa, como seria peculiar a um documento de origem militar, o relatório termina da seguinte maneira: “Como conclusão dos fatos constantes observados, em quase todas as apresentações, este Comando é de parecer que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligências, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores como também voar em formação, não forçosamente tripulados.” Foi a afirmação mais contundente sobre ovnis já feita pela Força Aérea Brasileira.

Trecho do livro Extraterrestres, de Salvador Nogueira.

12.816 – Mega Sampa – Bienal Internacional do Livro de São Paulo


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É um evento cultural organizado pela Câmara Brasileira do Livro, que reúne várias editoras brasileiras e estrangeiras para apresentar lançamentos e seus títulos. A 19ª edição, ocorrida em 2006, contou com 800 mil visitantes.
A primeira Bienal Internacional do Livro de São Paulo aconteceu entre 15 e 30 de agosto de 1970, no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, decorrência de um projeto que se iniciou na década de 1950. Nessa época, mais precisamente em 1951, com o intuito de introduzir no país a tradição europeia das feiras de livros encontradas na França, na Alemanha e na Itália, a CBL promoveu a primeira Feira Popular do Livro, na praça da República.
A experiência foi retomada em 1956 e deslocada para o Viaduto do Chá, ponto ainda mais central da capital paulista e de grande fluxo de pedestres. O projeto foi ganhando corpo e novos adeptos. Em 1961, em parceria com o Museu de Arte de São Paulo, foi promovida a primeira Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas, evento que se repetiu em 1963 e 1965. Eles serviram de ensaio para a primeira Bienal Internacional do Livro bancada exclusivamente pela CBL, em 1970.
Em 1996, ela passou a ser realizada no Expo Center Norte, para abrigar um maior número de expositores e proporcionar um maior conforto ao público. Em razão do crescimento contínuo de público e expositores, em 2002, ela deixou o Center Norte e foi para o Centro de Exposições Imigrantes (com 45 mil metros quadrados de área), onde foi realizada até 2004.
A partir de 2006 a Bienal do Livro de São Paulo passa a ser organizada no Parque Anhembi, junto à Marginal Tietê no distrito de Santana.
Em 2008, na sua 20ª edição, a Bienal apresentou um projeto inédito no país: um livro colaborativo através da Internet, o Livro de Todos, que teve o primeiro capítulo escrito pelo renomados escritor Moacyr Scliar e editado pelo jornalista Almyr Gajardoni. O livro teve a colaboração de 173 internautas e o site do projeto foi visitado por 14.238 internautas. Com 18 capítulos, o livro foi publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo com capa do desenhista Maurício de Sousa.
Segundo os organizadores, nos onze dias de exposição da 18ª Bienal do Livro de São Paulo (2004) cerca de 550 mil pessoas passaram pelo Centro de Exposições Imigrantes. A 19ª edição, ocorrida em 2006, teria contado com cerca de 800 mil visitantes.
Durante a Bienal, mais de dois mil novos livros foram lançados e cerca de 1,3 milhão de livros foram expostos pelos 320 expositores presentes. Pesquisas apontam também que 75% dos visitantes compraram livros e que, em média, o número de exemplares por pessoa era de cinco livros.

12.721 – Quem lê mais vive mais. E basta meia hora por dia


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O estudo, chamado Um capítulo por dia, foi realizado nos EUA, ao longo de 12 anos – e analisou a relação entre a longevidade e os hábitos de leitura de 3.635 pessoas com mais de 50 anos. Essa mesma turma também estava participando de uma outra pesquisa maior, a Health and Retirement Study, que tem investigado, desde 1990, a saúde de americanos que passam dos 50 anos.
Em Um capítulo por dia, os pesquisadores dividiram as 3.635 pessoas em três grupos: os “não leitores” (quem não tinha o hábito de ler), os “leitores” (que liam por até três horas e meia na semana) e os “super leitores” (quem lia mais de três horas e meia por semana). Para definir os grupos, os participantes responderam a algumas perguntas simples sobre quanto tempo passavam lendo livros, revistas e jornais por semana.
Aí, 12 anos depois, os cientistas compararam esses hábitos aos dados de saúde do Health and Retirement Study, e descobriram o seguinte: os não leitores haviam morrido mais cedo do que os leitores, e bem mais cedo do que os super leitores.
Quem lia até 3h30 por semana, segundo o estudo, tinha 17% menos chances de morrer antes dos 62 anos do que quem não lia nada – e quem fazia parte do grupo dos super leitores tinha 23% menos chances de bater as botas antes dos 62. Além disso, esse resultado foi geral – não tinha a ver com gênero, classe social, problemas psicológicos nem nível de educação.
Fazendo as contas, dá para ver que não precisa de muito trabalho para ser um super leitor: um pouco mais de meia hora de leitura por dia já é o suficiente para fazer parrte desse grupo. Mas tem um truque aí: não adianta ler qualquer coisa, porque a mágica só funciona com livros – quando os cientistas compararam o tempo de vida das pessoas que liam apenas jornais e revistas, mesmo que fosse muita leitura, a longevidade não era tão grande quanto a dos super leitores de livros.

12.289 – Por que sentimos sono ao lermos?


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Não é ler um livro que dá sono, claro, mas substâncias químicas que agem no corpo. Uma delas é a adenosina, que se acumula ao longo do dia. Quanto mais adenosina, maior o sono, explica Fábio Haggstram, diretor do Centro de Distúrbios do Sono do Hospital São Lucas, de Porto Alegre. Ou seja, o problema, na verdade, é a hora da leitura. Experimente ler em outro horário. Você pode até sentir preguiça, não conseguir nem virar a página e se entediar. Mas não terá sono.
Já a segunda substância envolvida é a melatonina. Ela regula o sono, pois é liberada quando o ambiente escurece. Por isso dormimos, normalmente, à noite. E, como a luz inibe a produção de melatonina, quem lê no tablet, por exemplo, tende a sentir menos sono do que quem lê no papel. É por esse mesmo motivo que é mais fácil passar horas na internet ou vendo televisão do que ler um bom livro de madrugada. Não se sinta culpado se a TV estiver mais agradável às 4h.
Três dicas para não dormir

Ponha a leitura em dia antes de cair no sono
1. Começou a bocejar? Levante e dê uns pulinhos. Estar acordado é reagir a estímulos, e esse pequeno exercício nada mais é do que um estímulo motor. De quebra, vai ajudar a quebrar a monotonia.
2. Ler em voz alta exercita outras partes do cérebro, como o lobo temporal (relacionado à audição) e o lobo frontal (relacionado à produção da fala), e vai acabar com aquela preguiça momentânea.
3. Leia sentado. É lógico: a não ser que você tenha problema na coluna, é mais difícil dormir sentado do que deitado, já que, para dormir, é preciso relaxar toda a musculatura, o que não ocorre sentado.

11.925 – Livro – ‘Estamos muito próximos de nos tornarmos verdadeiros ciborgues’, diz historiador


Complementar nossas funções naturais com dispositivos como óculos, marca-passos e até mesmo computadores e celulares – que auxiliam o cérebro a armazenar dados – faz com que sejamos biônicos. De certo modo, pelo menos. É o que escreve o historiador Yuval Noah Harari em “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”.
“Estamos muito próximos de nos tornarmos verdadeiros ciborgues, de ter características inorgânicas que são inseparáveis de nosso corpo, características que modificam nossas capacidades, desejos, personalidades e identidades”, opina.
Por definição, a palavra “cyborg”, em inglês, se refere a um organismo modificado ciberneticamente para funcionar em um ambiente hostil. Para alguém com problemas de surdez, por exemplo, sustentar uma conversa sem interrupções ou repetições em um lugar barulhento pode ser um desafio.
O autor explica que os mais novos modelos de aparelhos auditivos são chamados de “orelha biônica”. “O dispositivo consiste de um implante que capta o som por meio de um microfone localizado na parte externa da orelha. O implante filtra o som, identifica vozes humanas e as traduz em sinais elétricos que são enviados diretamente ao nervo auditivo central e de lá para o cérebro”.
Outro exemplo citado é o da Retina Implant, uma empresa alemã que começou a desenvolver uma prótese de retina que pode permitir que pessoas cegas adquiram uma visão parcial. Tudo isso com a implantação de um microchip dentro do olho do paciente. Para que ele funcione, fotocélulas absorvem a luz e a transformam em energia elétrica, que estimula as células nervosas intactas na retina. Os impulsos estimulam o cérebro, que os traduz em visão.
Para o autor, de todos os projetos desenvolvidos atualmente, o mais revolucionário é a tentativa de conceber uma interface direta e de mão dupla entre o cérebro humano e o computador. Isso permitirá que computadores leiam os sinais elétricos de um cérebro humano e transmitam simultaneamente sinais que o cérebro possa ler.
Mas, para isso, há um preço. “O que pode acontecer à memória humana, à consciência humana e à identidade humana se o cérebro tiver acesso direto a um banco de memória coletiva? Em tal situação, um ciborgue poderia, por exemplo, acessar as memórias de outro. Não ouvir falar delas, não as ler em uma autobiografia, não as imaginar – mas se lembrar delas diretamente, como se fossem suas. O que acontece com conceitos como ego e identidade de gênero quando as mentes se tornam coletivas?”.
A resposta é simples: segundo o autor, tal ciborgue não seria humano ou mesmo orgânico. Seria algo completamente diferente: um ser com implicações políticas, psicológicas ou filosóficas impossíveis de entender.
Em “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, Yuval Noah Harari repassa a história da humanidade desde o surgimento da espécie durante a Pré-História até o presente, apresentando interpretações para fatos e desafiando conceitos sobre crenças, ações, poder e futuro.
Yuval Noah Harari é doutor em história pela Universidade de Oxford, com especialização em história mundial, e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Sua linha de pesquisa gira em torno de questões abrangentes, como a relação entre história e biologia, a justiça na história e a evolução da felicidade individual com o passar do tempo.

SAPIENS – UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE
AUTOR Yuval Noah Harari
EDITORA L&PM Editores

sapiens

11.798 – Bê a bá da Ciência – Despertando o interesse pela ciência nas crianças


criança lendo
Todo grande cientista um dia já foi uma criança. Se invertermos essa constatação óbvia, chegamos a uma ideia um pouco mais interessante: toda criança um dia pode se tornar um grande cientista. Não é estimulante pensar que, no futuro, aqueles pequenos seres humanos podem realizar grandes feitos para a ciência, ganhar um Nobel ou até protagonizar o próximo grande salto do conhecimento humano? Às vezes, tudo o que eles precisam é de um empurrãozinho na curiosidade e na imaginação para que se apaixonem pela ciência e optem por seguir carreiras na área. E nada melhor que um bom livro para fornecer esse estímulo.
Aqui vão as dicas:
– 20 Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne (indicação de Eduardo Fernandez)

– A Magia da Realidade, de Richard Dawkins (indicação de Gabriel Bergamaschi)

– George e o Segredo do Universo, de Stephen e Lucy Hawking (indicação de Matheus Gontijo)

– Cosmos, de Carl Sagan (indicação de Melissa Florencio)

– Tio Tungstênio, de Oliver Sacks (indicação de Nêmora Backes)

– O Homem que Calculava, de Malba Tahan (indicação de Emerson Tomé)

– O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (indicação de Andreia Alexandre)

– O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder (indicação de Romulo Mansur)

– O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte (indicação de Rita Burnatowiski)

– O Livro dos Porquês, vários autores (indicação de Nathan dos Santos)

– O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams (indicação de Thiago Prochnow)

– Albert Einstein e seu Universo Inflável, de Mike Goldsmith (indicação de Amanda Carolina)

20 mil leguas

11.783 – Mega Memória – Lançado O Capital, obra-prima de Karl Marx


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No dia 14 de setembro de 1867, era publicada a obra-prima de Karl Marx, “O Capital: Crítica de Economia Política”, uma obra que serviria de conceito e base teórica para grandes revoluções no mundo, criação de regimes de governo, além de uma crítica ao sistema capitalista. Além de “O Capital”, “Manifesto Comunista” também é considerado uma das grandes obras do pensador, filósofo e teórico alemão.
Em seu livro, Marx assinalou: “os donos do capital estimularão a classe trabalhadora para que comprem mais e mais bens de consumo, casas, tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que a dívida se torne insuportável. O débito não pago da dívida levará os bancos à falência, porque terão que ser nacionalizados e o Estado dirigir a economia”.
A ideia central de Marx estava na crença da derrocada da sociedade capitalista, que seria seguida por uma vitória do comunismo, libertando a classe trabalhadora da exploração por parte do empresariado.
Para escrever o primeiro volume de sua obra, Marx levou mais de 15 anos e concentrou suas pesquisas na biblioteca do Museu Britânico, de Londres. Os dois outros volumes foram finalizados após a morte de Marx, por seu amigo Friedrich Engels, com base em fragmentos, bilhetes e anotações, deixados por Marx.
Marx morreu aos 64 anos de pleurisia em Londres, em 14 de março de 1883. Enquanto sua tumba original possuía apenas uma pedra qualquer, o Partido Comunista da Grã-Bretanha ergueu uma enorme lápide, incluindo o busto de Marx, em 1954. Na grande sepultura, vê-se gravada a última frase do Manifesto Comunista (“Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”).

11.374 – Livro – A Caixa Preta de Darwin


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A Caixa Preta de Darwin (em inglês: Darwin’s Black Box) é um livro de Michael Behe, bioquímico e professor na Universidade de Lehigh.
O livro questiona a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin como sendo antiquada para responder às descobertas que a ciência (especialmente o seu campo de estudo) tem feito nos últimos anos.
O texto analisa, à luz da bioquímica, os argumentos usados por Darwin e outros evolucionistas para justificar a teoria da evolução pelo mecanismo de seleção natural, defendendo que muitos processos biológicos não poderiam ter evoluído por um processo lento, gradativo e não teleológico como Darwin pensava em sua mocidade. Seriam “irredutivelmente complexos”.
O autor não descarta a ancestralidade comum universal dos seres vivos.

11.317 – Mega Conto – O Corvo Sedento


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Em um dia muito quente, um corvo sedento voou por todo o campo à procura de água. Por um longo tempo, ele não conseguiu encontrar nenhuma gota. Ele se sentia muito fraco, quase desistindo de manter a esperança.
De repente ele viu um jarro de água abaixo dele. Ele voou direto para baixo para ver se havia alguma água no interior. Sim, ele podia ver um pouco de água no interior do jarro.
O corvo tentou enfiar a cabeça dele dentro do jarro. Infelizmente ele descobriu que o pescoço do jarro era muito estreito. Depois ele tentou empurrar a jarra para baixo para que a água fluísse para fora. Ele descobriu, contudo que o jarro era pesado demais.
O corvo pensou seriamente durante um tempo. Então, olhando em volta, ele viu umas pedrinhas. De repente, ele teve uma boa ideia. Ele começou pegando as pedrinhas um por vez, deixando-as cair dentro do jarro. A medida que mais e mais pedras enchiam o jarro, o nível da água ia subindo. Logo ficou alto o suficiente para o que o corvo a bebesse. Seu plano tinha funcionado.
Moral da história: Em momentos de dificuldade, não se desespere, pare, pense, analise bem, pois com certeza as respostas virão para melhor solucionar seu problema.
Se você usar da inteligência e tentar o suficiente, você pode rapidamente encontrar a solução desejada.

11.138 – Livros – Ceticismo²


umbigo capa

Numerologia, homeopatia, astrologia, ufologia… Para Martin Gardner, tudo não passa de balela. No livro O Umbigo de Adão (Ediouro), o ex-colunista da revista americana Scientific American critica diversas modalidades do que considera “pseudociência” e levanta a fragilidade de cada uma dessas teorias. Os bons argumentos e o humor fino prevalecem. O umbigo no título é uma referência aos religiosos que acreditam que o homem foi criado por Deus e não descende de primatas… Logo não teriam umbigo.
Ceticismo ao quadrado.

10.812 – Literatura – Quarto de Despejo


Carolina Maria 1914-1977
Carolina Maria
1914-1977

Diário de uma favelada é um livro de 1960 escrito por Carolina Maria de Jesus.
A autora nasceu no estado de Minas Gerais em 14 de março de 1914, mudando-se para a cidade de São Paulo em 1947. Segundo consta, desde nova era interessada em leituras, tendo depois iniciado a escrita de um diário.
Em 1960, um jornalista brasileiro chamado Audálio Dantas teria visitado a favela do Canindé, local onde vivia Maria de Jesus, e teria ficado encantado com a autora, que apesar de pobre demonstrava uma grande lucidez critica.
No livro, Maria de Jesus, uma favelada, escreve em seu diário o seu dia a dia nas comunidades pobres da cidade de São Paulo. Seu texto é considerado um dos marcos da escrita feminina no Brasil.3 O livro foi traduzido em mais de treze línguas e as narrativas do diário ficam entre o ano de 1955 e 1960.
‘”15 de julho de 1955. Aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela.”‘

E termina com:
“1.º de janeiro de 1960. Levantei as 5 horas e fui carregar água.”

Discriminação racial e social no Brasil
País lembra centenário da escritora que definiu favela como quarto de despejo
“Eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos.” A metáfora é forte e só poderia ser construída dessa forma, em primeira pessoa, por alguém que viveu essa condição. Relatos como este foram descobertos no final da década de 1950 nos diários da escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo, ela trabalhava como catadora e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo. O centenário de nascimento de uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil é comemorado em 14 de março de 2014.
Nascida em Sacramento (MG), Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947, momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade. Apesar do pouco estudo, tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.Apesar de os cadernos conterem contos, poesias e romances, Audálio se deteve apenas em um diário, iniciado em 1955. Parte do material foi publicado em 1958, primeiramente, em uma edição do grupo Folha de S.Paulo e, no ano seguinte, na revista O Cruzeiro, inclusive com versão em espanhol.
Para o jornalista, a escritora foi consumida como um produto que despertava curiosidade, especialmente da classe média. “Costumo dizer que ela foi um objeto de consumo. Uma negra, favelada, semianalfabeta e que muita gente achava que era impossível que alguém daquela condição escrevesse aquele livro”, avaliou. Essa desconfiança, segundo Audálio, fez com que muitos críticos considerassem a obra uma fraude, cujo texto teria sido escrito por ele. “A discussão era que ela não era capaz ou, se escreveu, aquilo não era literatura”, recordou.
Carolina de Jesus publicou ainda o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios, ambos em 1963. De acordo com Audálio, todos esses títulos foram custeados por ela e não tiveram vendas significativas. Após a morte da escritora, em 1977, foram publicados o Diário de Bitita, com recordações da infância e da juventude; Um Brasil para Brasileiros (1982); Meu Estranho Diário; e Antologia Pessoal (1996).

quarto de despejo

10.423 – Literatura – Sérgio Buarque de Holanda


Sérgio Buarque de Holanda
Sérgio Buarque de Holanda

(São Paulo, 11 de julho de 1902 — São Paulo, 24 de abril de 1982) foi um dos mais importantes historiadores brasileiros. Foi também crítico literário e jornalista.
De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Heloísa Maria (Miúcha) e Chico Buarque. Ainda em 1936, publicou o ensaio “Raízes do Brasil”, que foi seu primeiro trabalho de grande fôlego e que, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde obteve o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1925. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal (atual UERJ). Em 1939, extinta a Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar na burocracia federal. Em 1941, passou uma longa temporada como visiting scholar em diversas universidades dos Estados Unidos.
Reuniu, no volume intitulado “Cobra de Vidro”, em 1944, uma série de artigos e ensaios que anteriormente publicara nos meios de imprensa. Publicou, em 1945 e 1957, respectivamente, “Monções” e “Caminhos e Fronteiras”, que consistem em coletâneas de textos sobre a expansão oeste da colonização da América Portuguesa entre os séculos XVII e XVIII.
Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, que ocuparia até 1956, sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen.
Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de “História da Civilização Brasileira”, agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever “Visão do Paraíso”, livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o “Prêmio Edgar Cavalheiro”, do Instituto Nacional do Livro, por “Caminhos e Fronteiras”.
A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da “História Geral da Civilização Brasileira”, para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da Universidade de São Paulo pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente.
No contexto da “História Geral da Civilização Brasileira”, publicou, em 1972, “Do Império à República”, texto que, a princípio, fora concebido como um simples artigo para a coletânea, mas que, com o decurso da pesquisa, acabou por ser ampliado num volume independente. Trata-se de um trabalho de história política que aborda a crise do império brasileiro no final do século XIX, explicando-a como resultante da corrosão do mecanismo fundamental de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.
Permaneceu intelectualmente ativo até 1982, tendo ainda, neste último decênio, publicado diversos textos. De 1975 é o volume “Vale do Paraíba – Velhas Fazendas” e de 1979, a coletânea “Tentativas de Mitologia”. Nestes últimos anos, trabalhou também na reelaboração do texto de “Do Império à República” – que não chegou a concluir.
Recebeu em 1980 tanto o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, quanto o Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro.
Também em 1980, participou da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores, recebendo a terceira carteira de filiação do partido, após Mário Pedrosa e Antonio Candido.
Por conta de sua participação no PT e na condição de intelectual destacado é que o centro de documentação e memória da Fundação Perseu Abramo (fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1996), recebe seu nome: Centro Sérgio Buarque de Holanda: Documentação e Memória Política.
Alguns de seus livros
Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, 1936.
Cobra de Vidro. São Paulo, 1944.
Monções. Rio de Janeiro, 1945.
Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII. São Paulo, 1948.
Caminhos e Fronteiras. Rio de Janeiro, 1957.
Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo, 1959.
Do Império à República. São Paulo, 1972. (História Geral da Civilização Brasileira, Tomo II, vol. 5).
Tentativas de Mitologia. São Paulo, 1979.
Sergio Buarque de Hollanda: História (org. Maria Odila Dias). São Paulo, 1985.
O Extremo Oeste [obra póstuma]. São Paulo, 1986.

Sérgio e Chico
Sérgio e Chico

10.396 – Escritor Rubem Alves morre por falência múltipla de órgãos


filosofia da ciencia

☻ Nota:
Ele foi o autor de muitos livros, entre eles “a Filosofia da Ciência”, onde ele tenta demonstrar ao longo dos capítulos, com uma argumentação até consistente, que os cientistas erram, e muito.
Seu livro foi citado por Erich Von Daniken, o outor do livro “Eram os Deuses Astronautas”, onde ele explana que é um erro dos cientistas em rejeitar veementemente a ideia de que a vida possa ter sido implantada na Terra por ETs ou ainda o ser humano ter sido criado por uma experiência genética de ETs.
O escritor e educador Rubem Alves morreu neste sábado (19-julho), vítima de falência múltipla de órgãos, aos 80 anos. Ele estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Centro Médico de Campinas (a 93 km de São Paulo).
Rubem Alves foi internado no último dia 10 com um quadro de insuficiência respiratória, devido a uma pneumonia. Segundo boletim médico, ele tinha apresentado agravamento das funções renais e pulmonares na sexta (18).
Se um dia a escola deixar de ser chata, terá se tornado realidade um dos principais objetivos da vida de Alves. Desde ao menos a década de 1980, ele pediu por meio de livros, colunas e entrevistas que os colégios deixassem de massacrar os estudantes com conteúdos que serão cobrados no vestibular e depois esquecidos. E que passassem a mostrar o que os jovens veem e verão na vida.
Como exemplo desse outro formato de educação, Alves sugeriu que uma aula pudesse começar com a apresentação de uma casca de caramujo vazia, que “normalmente ninguém presta atenção”, mas que “é um assombro de engenharia”. A função do educador, disse ele à Revista Nova Escola em 2002, é fazer o jovem notar a complexidade dessa casca e entendê-la.
Nascido em 15 de setembro de 1933, no sul de Minas Gerais, Alves recebeu experiência acadêmica em diferentes áreas e locais. Formou-se teólogo no Seminário Presbiteriano de Campinas e doutor em Princeton (EUA); psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.
Publicou mais de 120 títulos, sobre filosofia, educação, literatura infantil e teologia.
Um deles, “A Theology of Human Hope”, de 1969, é considerado o lançamento de uma linha de pensamento que depois seria definida como Teoria da Libertação (que defende uma Igreja próxima dos movimentos sociais).
Ele se apegou à religião ainda menino, justamente por dificuldades com a educação -não tinha amigos num colégio tradicional do Rio porque era considerado caipira de Minas Gerais.
Foi também professor na Universidade de Birmingham (Inglaterra) e da Unicamp, onde se aposentou.
Na universidade de Campinas, ocupou cargos de direção, entre eles na graduação. Convenceu-se de que o vestibular é um dos grandes problemas da educação, pois as escolas, sob a expectativa dos pais, se concentram em passar conteúdos das matérias que cairão no exame.
Em um dos seus últimos textos no jornal, “Sobre o morrer”, publicado no fim de 2011, afirmou que não gostaria de ter uma morte repentina, pois desejava conversar com as pessoas que gostava ou simplesmente ficar em silêncio (antes de morrer, ele ficou internado nove dias em Campinas).

9515 – Cinema – Carrie, a Estranha


Carrienovel

Baseado na obra do mega escritor de livros de suspense Sthephen King.
Carrie (publicado em língua portuguesa como Carrie, a estranha) foi o primeiro romance do escritor [norte-americano Stephen King, em 1974. King tem comentado que acha que esse livro é “cru” e “com um surpreendente poder de machucar e horrorizar”. É um dos livros mais banidos nas escolas norte-americanas e também o filme foi banido na Finlândia. Foi adaptado para o cinema por Brian de Palma em 1976, estrelando Sissy Spacek. Em 1999, veio a sequência do primeiro filme The Rage: Carrie 2.
O livro usa documentos ficionais, como extratos de livros, notícias e outras transcrições, apenas para deixar mais real a história de Carietta ” Carrie ” White, uma garota adolescente de Chamberlain, no Maine. A mãe de Carrie, Margaret White, uma cristã doentiamente fundamentalista, tem uma vingativa e estranha personalidade, e, no passar dos anos, educou a jovem Carrie com uma varinha de aço e fazendo ameaças de condenação. O comportamento abusivo mental e emocional de Margaret, tem ocasionalmente se cruzado também com abuso psíquico.
Carrie não vai muito bem na sua escola, a Thomas Ewen High School, por ter se fechado em seu próprio mundo, em consequência das zombarias por parte de seus malvados colegas. No começo do livro, ela tem seu primeiro momento enquanto toma banho após uma aula. Carrie não sabe o que é menstruação, pois sua mãe nunca falou com ela a respeito disso, e ela se torna uma excluída por todas as partes da escola.
Lideradas por Chris Hargensen, uma garota rica e mimada, que tem um registro por gozar dos tímidos, eles atiram tampões e várias outras coisas nela. Quando a professora de ginástica, a senhorita Desjardin, chega à cena, ela primeiro repreende Carrie por sua estupidez, mas fica horrorizada quando percebe que Carrie não faz a mínima idéia do que houve com ela (menstruação). Ela ajuda Carrie a se limpar e depois explica tudo a ela. Carrie é liberada da escola pela diretora e então levada para casa, para que sua mãe fanática tome conta dela. Porém, sua mãe não mostra simpatia pelo primeiro encontro de Carrie com uma “mulher maldição”, devido à sua crença religiosa.
A senhorita Desjardin, continua enraivecida com o incidente, e quer que todas as garotas que zombaram de Carrie (lideradas por Chris Hargensen) levem suspensão e sejam punidas, barradas de irem à grande festa que ocorrerá na escola. A diretora da escola acha que isso é ainda muito duro e instantaneamente mandam as garotas para a supervisão da rígida professora de ginástica, que as monitora com seus impiedosos olhos. Quando Chris Hargensen se nega a ir para a detenção, ela é suspensa e barrada de ir à festa. Ela tenta fazer com que o seu pai, um proeminente advogado local, intimide a diretora para que ela a deixe ir à festa. Nada adianta.
Carrie, então, descobre que tem poder de Telecinese. Ela possui esse dom desde quando nasceu, mas controlou conscientemente para que isso desaparecesse após a sua infância. Entretanto, ela se lembra de incidentes em sua vida que podem ser atribuídos à telecinese, por exemplo, uma chuva de pedras em sua casa quando tinha apenas três anos. Carrie pratica os seus poderes em segredo, até obter total controle. Ela descobre também que ela é um tanto telepática, pelo menos o suficiente para perceber o que as pessoas pensam sobre ela. Nesse instante, ela descobre que a professora de ginástica mistura sentimentos de simpatia e repugnância sobre ela.
Por outro lado, Sue Snell, outra Popular Garota que, antes, também caçoou de Carrie, começa a sentir arrependimento por ter participado nas gozações de Carrie. Com a festa rapidamente chegando, Sue convence o seu namorado, Tommy Ross, um dos mais Atraentes e Populares garotos na escola, a chamar Carrie para a Festa (Sue suspeita estar grávida de Tommy). Carrie é Suspeita, mas aceita, e faz a sua própria Roupa, um Vestido Vermelho de Veludo. A Mãe de Carrie ao ver a sua filha fazendo algo tão ” carnal “, no que se trata em uma Festa de Escola, revela bastante coisa sobre o seu passado enquanto explica o porquê. Ela acredita que o sexo, de certa forma, seja algo pecaminoso, mesmo depois do Casamento. Ela também fica sabendo dos poderes telecinéticos de Carrie, o que considera uma forma de bruxaria, parece que isso aparece em cada terceira geração de sua família. Carrie, por outro lado, está cansada de ouvir que tudo é um pecado. Ela quer ter uma vida normal e enxerga a festa na escola como um começo.
Chris Hargensen, que continua furiosa com Carrie, inventa o seu próprio plano de Vingança com o seu namorado, um cara chamado Billy Nolan. Billy, junto com outros amigos, dirige para uma fazenda, mata dois porcos e enche dois baldes com sangue de porco, e, invadindo o ginásio da escola, deixam os dois baldes de sangue amarrados com uma corda logo acima do palco. Chris então elege Carrie como sendo a rainha da festa. Já durante a festa, quando Carrie e Tommy vão até o palco, para serem coroados, Chris Hargensen puxa a corda, fazendo daquele momento o mais odioso em toda a vida de Carrie…
O plano de Chris é bem sucedido. Quandos um dos baldes cai, acerta Tommy na cabeça, fazendo-o desmaiar no palco. Mesmo assim, ele e Carrie estão ensopados de sangue de porco. Todo mundo que compareceu à festa, até mesmo alguns professores, começam a rir de Carrie. Como disse Norma Watson: “Após todos esses anos rindo de Carrie, o que mais eu podia fazer?” Carrie, então, abandona o ginásio onde ocorre a festa em puro estado de humilhação e agonia, mas, por outro lado, ela lembra-se de seus poderes de telecinese e decide usá-lo como vingança. Inicialmente, Carrie “tranca” (pela telecinese) todas as portas do local, e vira uma grande mangueira de água para as garotas esnobes (que tiraram sarro dela) destruindo o vestido de todas elas e bagunçando seus cabelos. Carrie se lembra do equipamento elétrico do local e o sistema de PA. Carrie esquece os jatos de água e volta para o palco. Olhando para uma janela, ela testemunha a morte de dois estudantes e de um trabalhador da escola eletrocutados. Ela decide matar todo mundo, eventualmente causa uma morte em massa que destroi todo o Thomas Ewen High School, após trancar todos ali dentro.
No caminho para casa, ela queima todo o centro de Chamberlain. Um efeito colateral do dom de Carrie é “transmitir” telepatia; todos com certeza começam a se conscientizar de que o triste ocorrido na escola, as explosões e os fogos por toda a cidade foram causados por Carrie White, mesmo se eles não sabem quem é Carrie. Ela faz linhas de força quebrarem, estações de gás explodirem e outras cruéis formas de vingança na cidade. Ela, ainda mentalmente, mantém todas as portas da escola trancadas, ela também deixa alguns (e poucos) estudantes escaparem, pensando que pegará todos eles mais tarde.
Carrie retorna para casa e confronta com a sua mãe, que acredita que Carrie está possuída pelo Diabo e a única maneira de salvá-la é matando-a. Revelando que Carrie foi a concepção de um estupro matrimonial, ela esfaqueia Carrie no ombro com uma faca de cozinha. Carrie mata a sua mãe, usando a telecinese para causar a sua parada cardíaca.
Bastante ferida, mas ainda viva, Carrie o local onde seu pai estava bêbado na noite em que ela foi concebida. Rapidamente, ao ver Chris Hargensen e Billy Nolan fugindo no carro, Carrie pega o controle do veículo e faz o carro bater, matando ambos. Sue Snell, que foi seguindo Carrie por sua transmissão telepática, encontra Carrie desmaiada no parque de estacionamento.
Carrie e Sue têm uma breve conversa telepática. Carrie acredita que Sue e Tommy fizeram travesuras com ela, mas Sue convida Carrie para entrar em sua mente. Acreditando que Sue é inocente e que nunca sentiu animosidade com ela, Carrie perdoa Sue e morre. No entanto, antes de morrer, Carrie causa um aborto em Sue, o que pode ser visto como um ato de vingança ou amizade. Por outro lado, Sue acredita que está finalmente tendo a sua menstruação.

Bastidores
Um filme de 1976, chamado Carrie, a estranha, foi feito baseado nesse livro. Dirigido pelo diretor estadunidense Brian De Palma, o filme traz no elenco Sissy Spacek, John Travolta e vários outros.
Em 1999, uma sequência intitulada de “The Rage: Carrie 2” foi lançada. A premissa é que o pai de Carrie teve outro casamento e outra filha com poderes telecinéticos. Sue Snell, a única sobrevivente da trágica festa, é agora conselheira da escola.
Em 2002, uma refilmagem de TV foi lançado, estrelando Angela Bettis, Emilie de Ravin e Patricia Clarkson.
Em 2013, está sendo feita uma refilmagem de Carrie (Carrie (2013)), com as atrizes Chloë Moretz e Julianne Moore
Novela da Globo Chocolate Com Pimenta, faz alusão a cena do banho de sangue quando jogam um balde de tinta verde na protagonista.
Em 1998 o especial de fim de ano “Sandy & Junior” foi baseado na história de Carrie. Coincidentemente foi vivida por Mariana Ximenes, a atriz viria a refazer a cena do banho de sangue anos depois na novela “Chocolate Com Pimenta”.
Novela Rainha da Sucata exibida pela Rede Globo em 1990, traz uma referência a cena do banho de sangue, quando jogam lixo em cima da protagonista Maria do Carmo.
Em um episódio de Eu, a Patroa e as Crianças, Claire faz uma referência a Carrie quando diz que a mesma se divertiu mais que ela em seu baile.

Curiosidades
King escreveu Carrie, mas não gostou do resultado, portanto jogou tudo no lixo. Sua esposa pegou o manuscrito no lixo, leu e adorou. Foi ela quem fez King levar o livro até um editor que decidiu publicá-lo. O livro foi um enorme sucesso e alçou King da pobreza e obscuridade a riqueza e fama
O clássico já fora adaptado para um musical, na Broadway, em 1988.
A série humorística Todo mundo odeia o Chris fez uma piada com o livro em um episódio intitulado todo mundo odeia o baile. Nele, Chris convida uma garota chamada Carrie para o baile, mas ele desmancha o convite dias depois por se irritar com as piadas racistas. Assim que ele desmancha o convite e os dois brigam, o narrador Chris Rock diz: “Depois eu vou fazer pior: jogar um balde de sangue em cima dela!”, uma óbvia referência ao capítulo do baile de formatura de Carrie White.

9443 – Mega Bloco – Bíblia, um livro de 30 séculos


Biblia Veja

Ele moldou culturas e civilizações e essa força permanece nos dias de hoje, mesmo depois de 30 séculos após serem escritos os primeiros manuscritos.

Um livro histórico, sagrado, ou apenas uma ferramenta em que diversos grupos possam manejar em busca de poder e supremacia?
A Religião nunca deixou de ser a força motriz dos rumos da história do homem.
Um nova-iorquino nascido em uma família sem nenhuma inclinação religiosa tentou seguir a Bíblia ao pé da letra, novo e velho testamento.
Ele lançou um livro chamado “O Ano de Viver Biblicamente”. Lançado em 2007: suou frio para apedrejar um adúltero, como manda o Velho Testamento, cultivou uma barba que teimava em guardar vestígios das últimas refeições e deixou de contar as mentirinhas sociais que ajudam na civilização, se passando por malcriado. O livro, é claro, é um golpe publicitário, mas é também uma experiência curiosa. Seria possível viver hoje como se vivia a 3200 anos atrás?
Alguns judeus e evangélicos acham que sim. Mas não há hoje nenhuma comunidade religiosa judaica ou cristã que endosse a barbárie do apedrejamento.
Traduções e tradições tem deturpado o conceito contemporâneo do que é ser justo e civilizado. Estilos radicalmente contrastantes são ditos por comentaristas bíblicos como por exemplo um Jacó teatral e um frio Judá, em relação aos filhos. Justapondo reações é um juízo sobre dois personagens.
Para ateus e agnósticos, uma boa razão para ler a Bíblia é que mesmo quem não cre, compartilha a mesma herança que os que creem.
Um intricado mosaico no que toca as possibilidades de interpretação.

A Bíblia para os judeus
Antigo Testamento, é uma expressão cristã. Os judeus chamam tais textos compostos entre os séculos 12 aC e 2 aC de Tanakh, um acrônimo para as 3 partes de sua Bíblia:

Torá ou os livros da Lei, subdividida em Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Nevim, ou os livros dos profetas, subdivididos em Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Profetas Menores.

Ketuvim, ou os chamados poéticos, que se subdividem em Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Ruth, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Ezra, Crônicas.

Para os Católicos
Contém todos os livros aceitos pelso judeus, embora a sua ordem de interpretação e ênfase possa variar.
O Antigo Testamento católico tem alguns livros chamados de deuterocanônicos, são eles:

Tobias, Judite,1Macabeus, Sabedoria, Sirácides ou Eclesiástico, Baruque, Acréscimos Gregos a Esther, Acréscimos Gregos a Daniel.

As Igrejas Ortodoxas Grega e Russa reconhecem outros livros deuterocanônicos ainda: 3Macabeus, 1Esdras e Oração de Manasseh, além do Salmo 151.

O Novo Testamento
Um volume de 5 tradições judaicas e cristã é composto por 27 livros:

Os Evangelhos sinópticos de Marcos, Mateus, Lucas e João, mais os Atos dos Apóstolos.
As Epístolas Paulinas, ou as cartas em que São Paulo, um judeu das classes altas que perseguia os cristãos até se converter à sua religião, se dirige aos romanos, aos coríntios e ao tessalônicos, entre outros.
As Epístolas Gerais ou Judaicas, entre as quais, o Apocalipse de S. João.

Para os Protestantes:
Parece-se mais com a Tanakh judaica que com o velho testamento da Bíblia católica, já que a maioria dos ramos protestantes e evangélicos não aceitam os livros deuterocanônicos como parte de sua doutrina. Para eles, tais livros são apócrifos, ou seja, destituídos de autoridade e legitimidade canônica.

9379 – Tecnologia – A arrancada dos e-books no Brasil


livro digital

No começo da noite de 5 de dezembro de 2012, a Livraria Cultura iniciou a venda do primeiro leitor digital dedicado no Brasil, o Kobo, produzido pela empresa canadense de mesmo nome, hoje uma propriedade do grupo japonês de comércio eletrônico Rakuten. Poucas horas depois, por volta da meia-noite, entravam em atividade no país, praticamente ao mesmo tempo, dois grandes nomes da tecnologia americana: a Amazon, com um site ponto-br, e as seções de livros e filmes da loja de aplicativos do Android, a plataforma móvel do Google. A chegada das gigantes do e-book causou frisson entre editores, livrarias e leitores, divididos entre as expectativas de mudanças no mercado e nos hábitos de leitura, que incluíam temores sobre o futuro do livro impresso. Foi aí, afirmam especialistas e profissionais da área, que teve início de fato o negócio do livro digital no Brasil. Em doze meses, o segmento se expandiu do traço para algo entre 2% e 4% do faturamento total de títulos comercializados. O número pode parecer baixo, mas é festejado por especialistas e profissionais da área, que veem uma arrancada superior à de países como os EUA e estimam uma participação de até 10% ao fim de 2014.

Segundo o economista Carlo Carrenho, que atua como consultor do mercado editorial, o e-book só se tornou popular no Brasil com a chegada das três gigantes. Antes, ele era vendido – de forma tímida e sem alcançar 1% do mercado total – por redes de livrarias como Saraiva e Cultura e pelo site Gato Sabido, o primeiro a comercializar livros digitais no país, ainda em 2009. De dezembro de 2012 para cá, nas contas do consultor, foram vendidos cerca de 3 milhões de livros virtuais no país.

O desempenho no período, que é considerado o início de fato do negócio no país, pode ser comparado ao americano, diz Carrenho. A curva de crescimento é semelhante, mas ainda mais acentuada por aqui. Nos Estados Unidos, o segmento fechou o que foi considerado o seu primeiro ano, o intervalo de 2007 a 2008, com algo como 1% do setor editorial total. Hoje, cinco anos depois, já passa dos 25%, patamar que o Brasil pode atingir em menos tempo, alcançando a estabilidade que se vê hoje nos EUA e também na Europa, igualmente em torno de 25%.

O patamar é entendido como um sinal de maturidade do mercado, de acordo com Mauro Palermo, diretor-geral da Globo Livros, editora que investe na digitalização de livros de olho no crescimento que se projeta pela frente. Com 30% do seu catálogo de 1.000 títulos convertidos, a Globo Livros teve de 2,5% a 3% de sua receita gerada pela venda de e-books neste ano. “Eu considero o desempenho brasileiro dentro da expectativa”, diz Palermo. “Até porque poucas pessoas têm leitores de livros digitais, os aparelhos aqui são caros se comparados aos vendidos em outros países. O número é bom para um primeiro ano.”
A Globo não está sozinha na aposta no livro digital. A Intrínseca, por exemplo, já tem aproximadamente 90% de seu catálogo, formado por 250 títulos, em versão digital. “Até meados de 2014, esperamos ter o catálogo todo em e-book”, afirma o dono da editora, Jorge Oakim. No balanço da empresa, o livro virtual deve representar até 4% do faturamento em 2013. Otimista, é Oakim quem dá o maior lance nas apostas para 2014: ele acredita que o segmento digital pode atingir 10% do mercado editorial total daqui a um ano.

A Companhia das Letras tem aposta um pouco mais modesta. Fabio Uehara, responsável pelos e-books na editora, afirma que o setor pode abocanhar até 8% do bolo total em 2014 – ou seja, no mínimo dobrar a representatividade atual. Como a Globo, a empresa tem 30% de seu catálogo convertido – um catálogo que chega a 3 000 títulos. Como prova do investimento no segmento, a editora criou em julho o selo Breve Companhia, exclusivamente de e-books.
O modelo de Kindle que chega ao Brasil é o básico, de quinta geração. Ele tem uma tela de 6 polegadas, 2 GB de memória interna – o que garante capacidade para 1.400 livros – e Wi-Fi para baixar obras pela internet. É o mais leve dos dispositivos comercializados pela Amazon, pesando apenas 170 gramas. Suas medidas são 165,75 x 114,5 x 8.7 milímetros. A recarga pode ser feita via tomada, com um adaptador AC, ou pela entrada USB do desktop. Um dos pontos mais notáveis do aparelho é duração da bateria: são mais de quatro semanas seguidas, caso a conexão sem fio esteja desabilitada.

Formatos de arquivos aceitos: PDF, AZW3, AZW, MOBI, TXT, HTML, DOC, DOCX, PRC, JPEG, GIF, PNG e BMP
Preço: 299 reais

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8697 – Literatura Fictícia – Escritores do Gênero Sobrenatural


Embora o sobrenatural seja, originalmente, uma vertente da literatura de horror, pois enfoca os pretensos poderes transcendentais do Homem, atualmente ganhou um status especial e arrisco até a dizer que se tornou um gênero à parte, por conta da onda que invadiu especialmente o mercado editorial direcionado ao jovem leitor. A princípio ele estava presente no universo fantástico, o qual experimentou um ‘boom’ repentino; depois esta esfera destacou-se da fantasia e ganhou uma autonomia singular. Geralmente adota uma linguagem mais leve, dinâmica e viva, no que se distingue do terror e do horror, por ter como objetivo atingir outro público. O estilo sobrenatural apresenta como temas anjos rebeldes, demônios, jovens que descobrem ter poderes excepcionais, imortais, vampiros, lobisomens, entre outros seres sobre-humanos. Não há fronteiras rígidas entre estes gêneros; é possível encontrar as mesmas obras figurando em listas de livros fantásticos, sobrenaturais e de horror.
Autores e Obras do gênero Sobrenatural
Allison Nöel: Os Imortais; Riley; Saving Zoë; Sonhos.
Eduardo Spohr: A Batalha do Apocalipse; Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida; Filhos do Éden: Anjos da Morte.
André Vianco: Saga ‘Os Sete’: Os Sete; Sétimo; O Senhor da Chuva; O Turno da Noite; Saga O Vampiro-Rei: Bento; A Bruxa Tereza; Cantarzo; Série As Crônicas do Fim do Mundo: A Noite Maldita; A Casa; O Caso Laura.
Stephenie Meyer: Crepúsculo; Lua Nova, Eclipse; Amanhecer; Formaturas Infernais; A Hospedeira; A Breve Segunda Vida de Bree Tanner.
Lauren Kate: Série Fallen: Fallen; Tormenta; Paixão; Fallen in Love (spin-off); Rapture.
P C Cast e Kristin Cast: Série Morada da Noite: Marcada; Traída; Escolhida; Indomada; Caçada; Tentada; Queimada; Despertada; Destinada; Escondida; Revelada; Resgatada; O Juramento do Dragão; O Voto de Lenóbia; A Maldição de Neferet; A Queda de Kalona.
Leandro Schulai: O Vale dos Anjos; Revista Fantástica – Edição 1 e Revista Fantástica – Edição 2 ( participações).
C. C. Hunter: Série Acampamento Shadow Falls: Nascida à Meia-Noite; Desperta ao Amanhecer; Levada ao Entardecer; Whispers at Moonrise; Chosen at Nightfall.
Maggie Stiefvater: Série Os Lobos de Mercy Falls: Calafrio; Espera; Sempre.
Richelle Mead: Série A Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras; Aura Negra; Tocada pelas Sombras; Promessa de Sangue; Laços do Espírito; Last Sacrifice; Série Bloodlines: Laços de Sangue; O Lírio Dourado; A Canção do Súcubo (Série Georgina Kincaid).
Gena Showalter: Série Interligados: Aden Stone e a Batalha contra as Sombras; Aden Stone contra o Reino das Bruxas; Aden Stone, o Rei dos Vampiros; Série Senhores do Mundo Subterrâneo: A Noite mais Sombria; O Beijo mais Sombrio; O Prazer Mais Sombrio; Série Atlantis: Heart of the Dragon; Jewel of Atlantis; The Nymph King.

7954 – Livro – Um outro gênio da lâmpada


Além de Thomas Alva Edison que já ostenta este título, o escritor, dramaturgo e filósofo francês Voltaire (1694-1778) foi um dos maiores pensadores de seu tempo e um dos mais prolíficos também. Ele acreditava no trabalho, ainda que seu ofício – vez ou outra – o mandasse para a Bastilha. Essa edição do Dicionário Filosófico é uma pequena, porém valiosa, mostra do conhecimento do autor mais inspirado e temido do Ancien Régime. Voltaire escreve fácil, usa a ironia e o bom-humor com uma classe invejável. Resultado: os verbetes produzidos há três séculos continuam saborosos.
Nesse pequeno compêndio dos vícios e virtudes do homem e do mundo, o autor não raro se vale de descrições certeiras e anedotas espirituosas para ilustrar alguns dos temas abordados. Um bom exemplo pode ser encontrado no verbete “Amor-próprio”.
“Um mendigo esmolava nas ruas de Madri quando um transeunte lhe perguntou: ‘O senhor não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia estar trabalhando?’ ‘Senhor, respondeu o mendigo, estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos’.”
Essa é uma das obras mais acessíveis do filósofo Voltaire. O gênio iluminista, autor de mais de uma centena de volumes, bem merece o elogio de Will Durant em A História da Filosofia: “A Itália teve uma Renascença, a Alemanha uma Reforma, mas a França teve Voltaire”.