12.629 – Após cinco anos, sonda Juno chega a Júpiter


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Se você quer conhecer os segredos de Júpiter, quem melhor que a mulher dele para revelá-los? A sonda americana Juno, batizada com o nome da esposa do deus dos deuses, chega hoje ao maior planeta do Sistema Solar.
Em pleno feriado americano da Independência, funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa farão plantão para monitorar a delicada manobra de inserção orbital da espaçonave.
Aliás, a palavra-chave aí é “monitorar” mesmo. E fazer figas. No piloto automático, a sonda Juno fará toda a manobra sozinha, e aos controladores em terra só caberá monitorar o sinal e se certificar que tudo foi como planejado. Ou não.
Se tudo correr bem, a Juno deve se tornar a segunda sonda da história da exploração espacial a se estabelecer ao redor de Júpiter. A primeira foi a Galileo, que partiu em 1989 e chegou lá em 1995.
Maior dos planetas do Sistema Solar, Júpiter ganhou na Antiguidade o nome do deus dos deuses da mitologia greco-romana.
Seguindo a lógica, as quatro principais luas jovianas, descobertas no século 17 (Europa, Io, Ganimedes e Calisto), receberam nomes de amantes dele.
E agora a sonda Juno chega para representar a ciumenta “número um” de Júpiter com bom motivo: em sua órbita polar ao redor do planeta, ela se aproximará mais dele que qualquer de suas luas e terá a capacidade de enxergar através do típico véu de mentiras de seu marido infiel.
Numa trajetória elíptica bastante excêntrica, a Juno vai se alternar entre aproximações e afastamentos do planeta, passando a cerca de 4.200 km da cobertura de nuvens do gigante gasoso em seu perijove –nome dado ao ponto de mínima distância a Júpiter.
Como se poderia esperar de uma esposa, seu interesse no planeta vai além das aparências –a Juno se destina a investigar os mistérios do interior do gigante gasoso, ocultados por suas nuvens e a imensa turbulência atmosférica.

11.643 – Os primeiros frutos de uma nova era da exploração espacial


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Sete estudos publicados na última edição da revista Science revelam que a missão Rosetta encontrou um cometa muito mais complexo e rico em compostos orgânicos do que o esperado. O 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde pousou o robô Philae entregue pela nave Rosetta, foi descrito como uma “sopa primordial congelada” pelo astrônomo Ian Wright, da Open University, na Inglaterra, responsável por um dos instrumentos da missão que detectou as substâncias. Em outras palavras, trata-se de um aglomerado de moléculas que formam o que os cientistas chamam de “blocos construtores de vida”. É uma minúscula, mas importante, pista que sugere de onde podem ter vindo os aminoácidos que formaram micro-organismos, plantas e animais que povoam a Terra. Reunindo a melhor e mais avançada tecnologia, a missão da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) é um dos programas que marca a retomada de jornadas mais ambiciosas pelo espaço. A Rosetta, assim como a New Horizons (que, pela primeira vez, viajou até Plutão) e a Juice (The Jupiter Icy Moons Explorer), programada para ser lançada em 2022, buscam explorar os confins do Universo e decifrar enigmas ancestrais, como a origem da vida no cosmo.
Exploradores espaciais – Com essa ousadia, as agências espaciais recuperam o entusiasmo dos primeiros desbravadores do Universo, como o cientista dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), um dos pioneiros da astrofísica. Para ele, quanto maior a compreensão do cosmo, mais entenderíamos o passado, presente e futuro de nosso planeta e qual o lugar do ser humano nesse contexto.
Essa foi, por séculos, a motivação de inúmeros astrônomos e pesquisadores que buscaram no espaço as explicações para as origens da Terra e para o significado da existência de vida sobre ela. Outras galáxias, estrelas e sistemas planetários parecidos com o nosso poderiam trazer rastros de atividades pretéritas ou pistas para as próximas eras.
Foi assim, com essa inspiração, que, nos anos de 1960, o homem deixou seu planeta e rumou em direção ao corpo celeste mais próximo. As missões em direção à Lua começaram em 1959 e, dez anos depois, a primeira nave espacial tripulada pousou no astro. Até a década seguinte, a agência espacial americana levou astronautas até lá em outras cinco ocasiões – a última foi em 1972. Desde então, houve um crescente desinteresse pela atividade aparentemente inútil da astronomia (é sempre interessante recordar que, sem a tecnologia desenvolvida para possibilitar as viagens à Lua, não teríamos GPS, wi-fi e os smartphones como os conhecemos).
Na década de 1960, o governo americano destinava por volta de 5% do PIB americano à Nasa. No ano passado, foi 0,5%. A redução das verbas fez com que entre os anos 1980 e 2000 poucas pesquisas fossem levadas a cabo. O cenário se modificou apenas nesta década de 2010, quando a agência espacial americana deixou os serviços que não exigiam tanto fôlego e atrevimento científico para empresas privadas, como a Boeing e a SpaceX, do genial empreendedor Elon Musk, que estão construindo foguetes para levar astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS). O interesse recente de outros países, como Índia e China, pelo espaço também ajudou a compartilhar os gastos. A missão Rosetta, por exemplo, teve seu custo de 1,3 bilhão de euros dividido entre vinte países europeus.
“A exploração espacial precisa ser fruto da cooperação internacional, de cientistas e países que estão empenhados em conhecer mais do Universo. Afinal, o espaço não é de ninguém, não é privado ou de um governo, e ainda há milhões de coisas esperando para ser descobertas.
Um aspecto inesperado do pouso do robô Philae no cometa foram as duas ‘quicadas’ na superfície. Ele bateu no solo e passou por uma cratera antes de se fixar em uma região desnivelada. No entanto, com esse imprevisto, os cientistas conseguiram dados para analisar mais parcelas da superfície do 67P. A primeira região onde Philae tocou tem uma superfície macia e arenosa, de pelos menos 25 centímetros de espessura, que recobre um interior rígido. A segunda é totalmente rígida, uma característica que deve ter ajudado Philae a se fixar no solo.
Exploração espacial 2.0 – Com isso, a exploração de locais próximos à Terra ficaram a cargo de investidores privados, enquanto as agências espaciais podem se dedicar a projetos cientificamente mais desafiadores. Enquanto em 2030 a SpaceX pretende concretizar a chegada do homem a uma colônia em Marte, a ESA espera que, no mesmo ano, a sonda Juice chegue a Ganimedes, Europa e Calisto, as luas de Jupiter. O objetivo é analisar a atmosfera e superfície desses astros, onde pode haver reservatórios de oceanos de água líquida sob superfícies geladas (em teoria, bom ambiente para o florescimento de vida). Com o aprendizado dos dez anos de viagem da Rosetta, a missão deve ser equipada com sensores e instrumentos potentes o suficiente para detectar compostos orgânicos.
Europa é a região do espaço onde os astrônomos acreditam que há a maior possibilidade, até o momento, de ser encontrado algo semelhante a um sinal vital rudimentar. Em 2013, a Nasa anunciou que a missão Galileo havia identificado algo semelhante a barro em sua superfície, substância que pode ter sido formada pelo impacto de um asteroide ou cometa. “Encontrar resíduos rochosos desse choque na superfície de Europa poderia abrir um novo capítulo na história da busca por vida”, disse o astrofísico Jim Shirley, um dos cientistas da missão Galileo. A combinação entre os oceanos submersos, a fonte de luz solar e compostos orgânicos seria a melhor combinação possível para originar seres vivos.
Neste momento, já devem estar disponíveis as análises dos últimos dados da missão Rosetta – os astrônomos calculam que, se Philae continuar se comunicando, todas as informações sejam decifradas em até dez anos. O cometa 67P chegará à posição mais próxima do Sol em agosto, enviando informações preciosas sobre sua trajetória e composição.
Os últimos estudos publicados na Science sobre a missão mostraram que, como esperado, os cometas são ‘sopas orgânicas congeladas’. Provavelmente, se um cometa com a composição do 67P caísse em um planeta propício à vida, ou seja, com atmosfera que propicie temperaturas nem quente, nem frias demais, e recebendo energia suficiente de uma estrela para a existência de água na forma líquida, ele provavelmente desencadearia uma série de reações químicas que poderiam, no futuro, construir aminoácidos, a fração fundamental para a formação de moléculas como RNA e DNA.
No embalo do sucesso da chegada da Rosetta, a Nasa anunciou para 2019 uma missão que deve capturar um asteroide e trazê-lo até as proximidades da Lua. Algumas teorias afirmam que a água (e talvez a vida) podem ter se originado do impacto de cometas e asteroides durante a formação do Sistema Solar, há quase 5 bilhões de anos.
Esses dois tipos de corpos celestes são considerados relíquias dessa época, que continuam vagando pelo espaço. Se a água não veio dos cometas, a outra opção é buscar por ela nos asteroides. Além disso, cogita-se lançar novas missões que poderiam minerar esses asteroides trazidos para as proximidades de nosso planeta, em busca de metais preciosos. Assim, a exploração espacial começaria a ter um evidente fim lucrativo, como apostam empresas como a SpaceX de Elon Musk.
Além da busca pelas origens, novos planetas, fora do Sistema Solar, possivelmente continuarão a ser descobertos em velocidade crescente. A missão Kepler, lançada há seis anos, já revelou 4 696 candidatos a planetas, confirmou 1 030 e descobriu alguns muito semelhantes à Terra, como o Kepler 425b, descrito pelos astrônomos na última semana. Os próximos e mais potentes telescópios a fazer esse trabalho serão o Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) e o James Webb, substituto do Hubble, que devem ser lançados em 2017.
O Tess vai monitorar planetas ao redor de estrelas anãs, enquanto o James Webb pretende examinar a atmosfera desses corpos celestes e procurar substâncias que só poderiam ser geradas por organismos vivos, como os seis elementos essenciais à vida (carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre).

11.641 – Solo de cometa é rico em tijolos precursores da vida, revela sonda


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Quase nove meses atrás, o módulo Philae realizou seu pouso num cometa. Agora, os cientistas da épica missão espacial europeia finalmente dão à luz os frutos da expedição, incluindo um relato detalhado da atribulada descida da sonda.
Em 12 de novembro do ano passado, foram duas quicadas e uma passagem de raspão pela borda de uma cratera, antes do pouso final, numa região bem acidentada do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko –”Chury”, para os íntimos.
Aliás, até mesmo esse processo de pouso “com escalas” redundou em acréscimo de dados para a missão. Graças a isso, foi possível estudar as características do solo tanto no ponto da primeira quicada como no local da descida final.
O primeiro terreno a ser tocado pelo Philae era muito mais granulado e fofo –uma camada de cerca de 25 centímetros de espessura, recobrindo um solo mais duro por baixo.
Já no local do pouso final não havia essa camada fofa –o solo era muito duro já na superfície, ajudando um dos pés da sonda a se atarrachar ao chão.
O Philae ficou preso por apenas um dos três pés, e numa inclinação diagonal que deixou apenas um dos cinco painéis solares bem exposto à luz.
Foi essa posição que acabou abreviando o tempo de operação do módulo, encerrado após pouco mais de dois dias, por exaustão das baterias.
AS PRINCIPAIS DESCOBERTAS
SUPERFÍCIE: Os terrenos variam bastante no cometa. No primeiro pouso, a superfície era mais fofa; no pouso final, bem mais dura.A temperatura diurna variava entre -183ºC e -143ºC
ESTRUTURA INTERNA: O interior do cometa parece ser bem homogêneo e pouco diferenciado, além de muito poroso (75% a 85% de vazio), como uma esponja
COMPOSIÇÃO: Muitos compostos orgânicos (que formam base da vida) foram encontrados, quatro deles até então jamais detectados num cometa
DINÂMICA: Imagens do solo revelam muitos sinais de erosão e dão pistas das rochas que compõem os objetos mais primitivos do Sistema Solar
COMPOSIÇÃO
Uma das mais intrigantes revelações dos novos estudos diz respeito à composição do solo. Ela é riquíssima em moléculas orgânicas, a base da vida na Terra, e imagina-se que os cometas possam ter tido um papel trazendo esses compostos para cá, nos primórdios da formação do Sistema Solar.
Os instrumentos Cosac e Ptolemy, instalados no Philae, tinham por objetivo estudar as substâncias presentes na superfície, por meio de coleta de amostras.
O robô não conseguiu perfurar e colher esse material, mas os instrumentos tinham um modo de operação “de garantia”, que envolvia estudar o que quer que entrasse neles passivamente, sem a coleta intencional.
Com isso, foi possível detectar 16 diferentes compostos, quatro dos quais (metil-isocianato, acetona, propionaldeído e acetamido) nunca haviam sido detectados num cometa antes.
Após a descida, o Philae também transmitiu ondas de rádio para baixo, fazendo com que elas atravessassem o interior do cometa.
Esse estudo de radar permitiu estimar a estrutura interna do objeto, que é basicamente como uma esponja –muito porosa e homogênea, com os espaços vazios respondendo por 75% a 85% do volume total.
Também foi possível estimar a proporção entre gelo e rocha presente no cometa –e há cinco vezes mais do primeiro do que do segundo.
Além desses estudos de estrutura e composição, as imagens capturadas pelas câmeras Rolis e Civa ajudaram a investigar os processos que acontecem na superfície, com evidências de erosão –esperadas, considerando o aumento de atividade conforme o cometa se aproxima do Sol, numa órbita com período de 6,5 anos.
E não será a última vez que ouviremos falar do cometa Chury. A orbitadora Rosetta –que levou o Philae até lá– segue estudando o astro, que atingirá o periélio (ponto de máxima aproximação do Sol) em 13 de agosto.
Além disso, com o aumento da radiação solar nos últimos meses, o Philae chegou a recarregar suas baterias e retomou o contato com a Rosetta.
Não está, claro, contudo, se ele poderá fazer ciência no futuro. A comunicação é irregular, dificultada pela distância que a Rosetta precisa guardar do núcleo para evitar problemas com os jatos de partículas que estão emanando do objeto.
Também não está claro que o módulo possa sobreviver à intensa atividade do periélio. De toda forma, os participantes da missão se sentem com o dever cumprido.

8386 – Astronomia – A Sonda Huygens


Sonda aterrisando

A sonda Huygens, da Agência Espacial Européia, aterrissou com sucesso na superfície de Titã, uma lua de Saturno constantemente coberta por uma densa camada de nuvens.
Uma sonda era a única forma de obter imagens que revelem exatamente como é e do que é formada a lua.
A sonda Huygens viajou conectada à sonda Cassini, da NASA. No último dia 25 de Dezembro ela foi liberada e, após viajar mais quatro milhões de quilômetros, entrou na atmosfera superior de Titã e iniciou sua descida.
Uma série de pára-quedas diminuiu a velocidade da sonda de 18.000 para 1.400 quilômetros por hora. A uma altitude de cerca de 160 quilômetros acima do solo da lua, a sonda expôs seus instrumentos, que incluíam um microfone que gravou os sons da atmosfera de Titã.
A uma altitude de 120 quilômetros, o pára-quedas principal foi substituído por outro menor, que levou a sonda até o solo.

Terra firme
Havia a possibilidade de que a sonda caísse em um lago, possivelmente de metano, já que é grande a concentração do gás na lua. Mas as fotos mostram claramente que a Huygens desceu em um local sólido, cercado por pequenas rochas.
O principal trabalho da sonda foi feito durante sua descida, incluindo uma série de fotografias a diversas altitudes. A foto acima mostra uma visão panorâmica de 360 graus, feita a uma altitude de 8 quilômetros.
Após descer, ela continuou transmitindo dados para a Cassini, que serviu como estação retransmissora para a Terra. As transmissões a partir da Huygens continuaram até que a Cassini saiu de seu alcance, mergulhando além do horizonte de Titã.
As baterias da Huygens já acabaram e não é mais possível contato com a sonda, que fez seu trabalho com absoluto sucesso.

Terra primitiva
Agora os cientistas se debruçarão por meses sobre os dados transmitidos, procurando desvendar os segredos da misteriosa lua de Saturno.
Como sua atmosfera é rica em nitrogênio, os cientistas acreditam que a lua pode conter muitos elementos que estavam presentes na Terra na época de sua formação.

6999 – Astronomia – Grupo “caça” Plutão para proteger a espaçonave


Em julho de 2015, a sonda americana New Horizons passará zunindo pelas proximidades de Plutão e suas luas. A trajetória coloca a espaçonave a grande proximidade do planeta anão, para maximizar a qualidade das observações científicas. Mas e se houver um erro de cálculo na posição exata do astro?
Por incrível que pareça, apesar de Plutão ter sido descoberto no longínquo ano de 1930, e ter sido alvo constante de observações desde então, essa é uma possibilidade. “Nas efemérides [plutonianas] há uma falta de confiabilidade muito grande”, explica um astrônomo do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. “Isso porque ninguém costuma corrigir os dados em função da refração [causada pela atmosfera].”
Para preencher essa lacuna, Vieira Martins e seus colegas fazem sistematicamente um esforço de monitorar Plutão e tentar executar essa correção apropriada dos dados, de forma a dar mais confiança às estimativas de posição e distância do planeta anão.
As medições são feitas nas ocasiões em que Plutão passa à frente de outra estrela mais distante. Ao acompanhar a variação de brilho e o sumiço temporário da estrela no céu, os pesquisadores conseguem dados importantes acerca da dinâmica do sistema plutoniano, que, além do planeta anão, inclui pelo menos quatro luas.
O trabalho, que até agora envolveu 151 noites de observação no Observatório Pico dos Dias, em Itajubá (MG), e mais 13 noites no telescópio de 2,2 metros do ESO (Observatório Europeu do Sul), compreendendo um período total de 17 anos, foi apresentado por Gustavo Benedetti-Rossi, também do ON, durante a 37ª Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em Águas de Lindoia (SP).
Monitorando com precisão e de forma sistemática possíveis interferências causadas pela atmosfera da Terra, ou mesmo interações entre Plutão e Caronte (a maior de suas luas), os pesquisadores brasileiros puderam “filtrar” os erros das observações, permitindo uma determinação mais precisa da posição do astro.
Além disso, os pesquisadores notaram uma possível (mas ainda não confirmada) variação periódica na posição de Plutão, que segue sem qualquer explicação. “Pode ser um efeito observacional [ou seja, algum erro que ainda não foi “filtrado” dos dados], pode ser um efeito real da dinâmica do sistema. Não sabemos”, diz Vieira Martins.
De toda forma, quanto mais consistente for o cálculo da posição de Plutão, mais segurança ele trará para a New Horizons. É fato que a Nasa ligará os sensores da nave quando ela estiver se aproximando, a fim de fazer quaisquer correções de curso de última hora.
Contudo, melhorar os dados da órbita do planeta anão ajuda a dar a certeza de que a ligação programada dos sistemas a bordo não aconteça num ponto do voo em que a correção desejada já seria inviável.

5144 – Havia água em Marte


Rios volumosos já correram sob o céu amarelo de Marte, e não faz muito tempo. A sonda americana Mars Global Surveyor revelou 150 fotografias com paisagens que se parecem muito com a dos rios terrestres. Não há uma gota aparecendo nas imagens, mas os vales observados só podem ter sido cavados por uma corrente de algum líquido, muito provavelmente água. O rio fluía até há alguns séculos, no máximo poucos milênios. Se fossem mais velhos, algum meteoro já teria destruído os vales. O astrônomo americano Kenneth Edgett, do Sistema de Ciência Espacial Malin, um dos autores da pesquisa, acredita que a água ainda deve estar por perto. “Parte dela pode ter entrado no subsolo. Possivelmente ainda está lá”, disse ao jornal The New York Times. Agora ficou mais fácil acreditar que haja seres vivos no planeta vermelho.

3568 – Sonda espacial Dawn entra na órbita do asteroide Vesta


Asteróide Vesta

A sonda espacial Dawn entrou na órbita de Vesta, um dos maiores asteroides do sistema solar, informou a agência espacial americana Nasa na madrugada deste domingo.
A Dawn, que se encontra a 188 milhões de km da Terra, deve passar a cerca de 16.000 km de Vesta para estudar sua superfície.
“Foram necessários cerca de quatro anos desde o lançamento da Dawn para atingirmos esta meta”, disse Robert Mase, diretor da missão de 466 milhões de dólares, no Jet Propulsion Laboratory da Nasa em Pasadena, Califórnia (oeste).
Após um ano de observações e medições em torno de Vesta, a Dawn se dirigirá para seu segundo destino, o planeta anão Ceres, em julho de 2012. A sonda será a primeira nave a orbitar dois corpos do sistema solar além da Terra, explicaram altos funcionários da Nasa.
O principal objetivo da missão de oito anos da Dawn é comparar e contrastar estes dois corpos gigantes, o que, segundo a Nasa, ajudará os cientistas “a desvendar os segredos dos primórdios de nosso sistema solar”.
“Os instrumentos científicos da Dawn medirão a composição da superfície, a topografia e a textura. Além disso, a sonda espacial Dawn medirá a força da gravidade em Vesta e Ceres para que possamos aprender mais sobre suas estruturas internas”, indicou a Nasa em um comunicado à imprensa.
A sonda, que foi lançada em 2007, é equipada com um instrumento de raios gama e detectores de nêutrons, que recolherão informações sobre os raios cósmicos durante a fase de aproximação, assim como um espectrômetro infravermelho.