12.473 – Fragmentos do Cometa Halley poderão ser vistos no céu


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Halley emprestou seu nome ao mais famoso dos cometas

Esse fenômeno atinge seu auge entre os dias 5 e 7 de maio e será melhor visualizado do Hemisfério Sul. Embora o corpo celeste só se aproxime da Terra a cada 76 anos (a última vez foi em 1986), fragmentos de sua cauda são visíveis anualmente.
Você não vai precisar de telescópios ou equipamentos sofisticados para ver o fenômeno, apenas de seus olhos, um céu limpo e um pouco de paciência. O ideal é procurar um lugar mais rural, afastado das luzes da cidade. Como neste ano a chuva de meteoros ocorre em um período de lua nova, sua visibilidade deve ser maior. A atividade mais intensa está prevista para ocorrer na noite desta quinta-feira.
Essa chuva de meteoros associada ao Cometa Halley é chamada de Eta Aquáridas. Ela tem esse nome porque seu radiante fica próximo da estrela Eta Aquarii, uma das mais brilhantes da constelação de Aquário. Durante sua atividade, até 30 meteoros podem ser vistos por hora.
O Cometa Halley é uma bola de rocha e gelo que resultou da formação do nosso sistema solar. Quando esse corpo celeste passa perto do sol, o calor derrete sua superfície gelada, liberando partículas de gelo e poeira. Os destroços acompanham a trajetória do cometa, formando uma cauda que aponta para longe do sol. Quando a Terra cruza a órbita do cometa, nós passamos por essa cauda.
A gravidade do nosso planeta atrai o gelo e poeira que o Halley deixou para trás. Quando esses fragmentos atravessam nossa atmosfera, ele entra em atrito com as moléculas do ar. Com isso, os destroços queimam, deixando um rastro no céu, causando uma chuva de meteoros.

11.641 – Solo de cometa é rico em tijolos precursores da vida, revela sonda


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Quase nove meses atrás, o módulo Philae realizou seu pouso num cometa. Agora, os cientistas da épica missão espacial europeia finalmente dão à luz os frutos da expedição, incluindo um relato detalhado da atribulada descida da sonda.
Em 12 de novembro do ano passado, foram duas quicadas e uma passagem de raspão pela borda de uma cratera, antes do pouso final, numa região bem acidentada do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko –”Chury”, para os íntimos.
Aliás, até mesmo esse processo de pouso “com escalas” redundou em acréscimo de dados para a missão. Graças a isso, foi possível estudar as características do solo tanto no ponto da primeira quicada como no local da descida final.
O primeiro terreno a ser tocado pelo Philae era muito mais granulado e fofo –uma camada de cerca de 25 centímetros de espessura, recobrindo um solo mais duro por baixo.
Já no local do pouso final não havia essa camada fofa –o solo era muito duro já na superfície, ajudando um dos pés da sonda a se atarrachar ao chão.
O Philae ficou preso por apenas um dos três pés, e numa inclinação diagonal que deixou apenas um dos cinco painéis solares bem exposto à luz.
Foi essa posição que acabou abreviando o tempo de operação do módulo, encerrado após pouco mais de dois dias, por exaustão das baterias.
AS PRINCIPAIS DESCOBERTAS
SUPERFÍCIE: Os terrenos variam bastante no cometa. No primeiro pouso, a superfície era mais fofa; no pouso final, bem mais dura.A temperatura diurna variava entre -183ºC e -143ºC
ESTRUTURA INTERNA: O interior do cometa parece ser bem homogêneo e pouco diferenciado, além de muito poroso (75% a 85% de vazio), como uma esponja
COMPOSIÇÃO: Muitos compostos orgânicos (que formam base da vida) foram encontrados, quatro deles até então jamais detectados num cometa
DINÂMICA: Imagens do solo revelam muitos sinais de erosão e dão pistas das rochas que compõem os objetos mais primitivos do Sistema Solar
COMPOSIÇÃO
Uma das mais intrigantes revelações dos novos estudos diz respeito à composição do solo. Ela é riquíssima em moléculas orgânicas, a base da vida na Terra, e imagina-se que os cometas possam ter tido um papel trazendo esses compostos para cá, nos primórdios da formação do Sistema Solar.
Os instrumentos Cosac e Ptolemy, instalados no Philae, tinham por objetivo estudar as substâncias presentes na superfície, por meio de coleta de amostras.
O robô não conseguiu perfurar e colher esse material, mas os instrumentos tinham um modo de operação “de garantia”, que envolvia estudar o que quer que entrasse neles passivamente, sem a coleta intencional.
Com isso, foi possível detectar 16 diferentes compostos, quatro dos quais (metil-isocianato, acetona, propionaldeído e acetamido) nunca haviam sido detectados num cometa antes.
Após a descida, o Philae também transmitiu ondas de rádio para baixo, fazendo com que elas atravessassem o interior do cometa.
Esse estudo de radar permitiu estimar a estrutura interna do objeto, que é basicamente como uma esponja –muito porosa e homogênea, com os espaços vazios respondendo por 75% a 85% do volume total.
Também foi possível estimar a proporção entre gelo e rocha presente no cometa –e há cinco vezes mais do primeiro do que do segundo.
Além desses estudos de estrutura e composição, as imagens capturadas pelas câmeras Rolis e Civa ajudaram a investigar os processos que acontecem na superfície, com evidências de erosão –esperadas, considerando o aumento de atividade conforme o cometa se aproxima do Sol, numa órbita com período de 6,5 anos.
E não será a última vez que ouviremos falar do cometa Chury. A orbitadora Rosetta –que levou o Philae até lá– segue estudando o astro, que atingirá o periélio (ponto de máxima aproximação do Sol) em 13 de agosto.
Além disso, com o aumento da radiação solar nos últimos meses, o Philae chegou a recarregar suas baterias e retomou o contato com a Rosetta.
Não está, claro, contudo, se ele poderá fazer ciência no futuro. A comunicação é irregular, dificultada pela distância que a Rosetta precisa guardar do núcleo para evitar problemas com os jatos de partículas que estão emanando do objeto.
Também não está claro que o módulo possa sobreviver à intensa atividade do periélio. De toda forma, os participantes da missão se sentem com o dever cumprido.

10.789 – Astronomia – Confirmado: Robô liberado pela sonda Rosetta pousa em cometa


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Pela primeira vez, o homem conseguiu pousar um robô em um cometa, em uma missão que durou mais de dez anos e que tem o objetivo de estudar esse corpo celeste. Dados enviados pelo módulo Philae e rebatidos à Terra pela sonda Rosetta, responsável por levar o equipamento ao cometa, confirmaram no início da tarde desta quarta-feira (12-novembro) o feito inédito na ciência.
A Agência Espacial Europeia, ESA, recebeu a confirmação às 14h03 de que o módulo espacial Philae tocou o solo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, uma massa imensa com superfície composta de gelo e poeira. “Estamos sentados na superfície. Estamos no cometa”, disse Paolo Ferri, um dos líderes da missão Rosetta, depois de confirmar o funcionamento da transmissão do sinal.
A chegada ocorreu 28 minutos e 20 segundos antes, já que existe um intervalo entre a emissão do sinal da Rosetta e a recepção dele na Terra – tempo chamado pelos cientistas de “minutos de terror”.
De acordo com a ESA, após análise da telemetria, verificou-se que o toque na superfície do cometa não aconteceu conforme o planejado, já que os arpões, que fixariam o módulo no cometa, não dispararam em um primeiro momento. Os pesquisadores analisam o que podem fazer para reverter o problema.
Compostos químicos, gases e muita poeira presentes no cometa podem conter respostas sobre a formação dos planetas do Sistema Solar. Além disso, apontariam aos cientistas uma direção para descobrir como a vida surgiu, no estágio em que a conhecemos.
Uma das teorias sobre o início da vida na Terra sugere que os primeiros ingredientes da chamada “sopa orgânica” vieram de um cometa, considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar.
O Philae levou cerca de sete horas para aterrissar. Ao longo desta manhã, os pesquisadores sediados em Darmstadt, na Alemanha, e em vários outros países da Europa que cooperam com a agência, acompanharam cada passo do processo de descida.
Depois da liberação da sonda, outras etapas importantes foram concluídas com sucesso. Entre elas, o reestabelecimento da comunicação entre a Terra e o robô, e o acionamento do trem de pouso do módulo.
Após a aterrisagem, uma nova etapa da missão Rosetta se inicia. Câmeras de alta resolução devem fornecer panorâmicas do ponto de pouso, chamado pelos cientistas de Agilkia, e dez outros equipamentos de pesquisa colherão dados sobre a estrutura interna do cometa.
O módulo Philae vai perfurar o 67P/Churyumov-Gerasimenko para colher amostras, que serão analisadas remotamente. O robô vai ainda medir seu núcleo. Esses dados vão para a sonda e serão rebatidos para a Terra.
O robô terá 64 horas de bateria para fazer tudo isso. É possível recarregá-las, já que os cientistas da ESA instalaram equipamentos que permitem o recarregamento pela luz solar, mas isso vai depender da claridade existente na região da aterrisagem.

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10.711 – Astronomia – Em evento raro, cometa ‘passa raspando’ por Marte


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O cometa Siding Spring “passou raspando” por Marte neste domingo, em um encontro raro, que acontece apenas uma vez a cada um milhão de anos. Descoberto pelos cientistas em janeiro de 2013, o corpo celeste também conhecido como C/2013 A1 ficou a uma distância de 139.500 quilômetros do planeta vermelho – menos da metade da distância entre a Terra e a Lua. Além disso, a aproximação é dez vezes menor do que a de qualquer cometa já identificado que tenha passado pela Terra.
Astrônomos celebraram a passagem do cometa como uma chance única de estudar a sua influência na atmosfera marciana. “É uma ótima oportunidade de aprendizado”, comemorou Nick Schneider, da missão da sonda Maven em Marte. Segundo o pesquisador Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos, a passagem do Siding Spring pode ajudar a testar a hipótese de que material orgânico, ingrediente básico para o surgimento da vida, tenha surgido em regiões muito afastadas do Sistema Solar e chegado à Terra na carona de cometas e asteroides.
O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano Siding Spring e acredita-se que ele tenha se originado bilhões de anos atrás, na Nuvem de Oort, uma região distante do espaço de onde partem cometas que “permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar”, segundo a Nasa. O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira parada em Marte, e só irá retornar dentro de outro milhão de anos, assim que completar uma volta ao redor do Sol.

10.401 – O Cometa Siding Spring


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O cometa esperado para 2014 não vai passar perto da Terra, mas de Marte. Trata-se do Siding Spring, que foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught.
A princípio, pensava-se que ele poderia colidir com o planeta vermelho, mas a Nasa já considera essa hipótese praticamente descartada: em abril no ano passado, a chance de colisão foi estimada em uma para 120 000. A aproximação máxima do cometa a Marte está prevista para 19 de outubro, quando ele estará a 110.000 quilômetros do planeta. “Essa distância equivale a pouco mais de um terço da existente entre a Terra e a Lua. Nunca houve um cometa passando tão perto assim da Terra”, explica Gustavo Rojas.
A passagem do Siding Spring pode envolver Marte em uma nuvem de poeira e pequenas rochas liberadas pelo cometa, o que pode provocar um efeito visual bonito, mas também causar danos aos equipamentos que orbitam o planeta vermelho, como a sonda Mars Orbiter, lançada em novembro do ano passado pela Organização de Pesquisas Espaciais da Índia e os robôs exploradores Opportunity e Curiosity.

10.053 – Outra Teoria – Cometa desviado por disco de matéria escura pode ter matado dinossauros


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Uma nova teoria sugere uma inusitada conexão entre a extinção dos dinossauros e a distribuição da misteriosa matéria escura, que compõe 85% da massa do Universo mas não interage com a matéria comum que nos cerca.
Lisa Randall e Matthew Reece, físicos da Universidade Harvard, em Cambridge (EUA), sugerem que o evento responsável por aniquilar aqueles animais gigantes pode ter sido um cometa cuja órbita foi desviada pela matéria escura.
A colisão que marcou o fim dos dinossauros ocorreu há 65 milhões de anos. Esse impacto, que deixou sinais de uma enorme cratera no México, não foi o único da época. Segundo os físicos, é possível que uma chuva de cometas –uns maiores, outros menores– tenha ocorrido então. E pode ser que isso esteja castigando a Terra a cada 35 milhões de anos.
O fenômeno se explica porque o Sistema Solar se move em uma trajetória ondulada ao longo da Via Láctea e pode estar atravessando um disco de matéria escura concentrada no plano de nossa galáxia. A cada travessia, cometas posicionados na nuvem de Oort –a última zona orbital do Sistema Solar, além de Plutão– seriam lançados na direção de planetas mais próximos ao Sol, como a Terra.
Em estudo já aceito para publicação na revista “Physiscal Review Letters”, os autores dizem que a evidência estatística para a teoria não chega a ser acachapante, mas ainda assim é sedutora.
Registros de crateras com mais de 20 km de diâmetro mostram que impactos de grandes objetos até podem ter uma distribuição temporal aleatória. A teoria que prevê chuva periódica de cometas, porém, tem chance três vezes maior de explicar o histórico geológico de crateras.
Mesmo especulativa, a ideia de Randall –autora do best-seller “Batendo à Porta do Céu”, recém-lançado no Brasil– foi bastante comentada nas últimas semanas entre físicos teóricos. É difícil dizer se a mesma hipótese, partindo de um físico obscuro, teria conquistado status.
Um dos problemas com a teoria é que ninguém sabe se o tal disco de matéria escura de fato existe. Astrônomos estão seguros de que há um bocado de matéria escura na galáxia, mas não sabem muito bem como ela se distribui.
Estruturas cósmicas em forma de disco costumam se formar quando os corpos que a compõem perdem parte da energia. Essa “dissipação de energia” é um conhecido fenômeno da matéria comum. Elétrons acelerados emitem uma forma de radiação, por exemplo, dissipando energia.
A entidade descrita por Randall e Reece é “uma matéria escura exótica com certa autointeração capaz de conferir a ela uma distribuição mais semelhante à matéria bariônica [matéria ordinária]”, segundo Rodrigues.
Independentemente da natureza do tipo de entidade que o compõe, o disco de matéria escura, caso exista, terá sua presença detectada pelo telescópio espacial Gaia, que passará os próximos cinco anos mapeando a Via Láctea.

9654 – Sonda espacial desperta de hibernação em trajetória rumo a cometa


Sonda Rosetta
Sonda Rosetta

A sonda espacial europeia Rosetta despertou de um período de hibernação de dois anos pelo qual passou durante sua trajetória rumo à região da órbita de Júpiter. Os sistemas espaçonave robótica foram quase todos desligados em 2011 para que ela economizasse energia para sua missão final: o encontro com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
A confirmação de que a Rosetta conseguiu se religar chegou à Terra às 16h18 de hoje (hora de Brasília), quando uma estação de radares da Nasa recebeu na Califórnia um sinal da sonda. A notícia foi seguida imediatamente de gritos e aplausos por parte dos técnicos que estavam no centro de controles da missão, em Darmstadt, na Alemanha.
O sinal recebido foi uma resposta a um comando enviado da Terra. “Agora nós realmente precisamos trabalhar para obter o retorno sobre toda a esperança depositada na missão.”
Em maio, a Rosetta acionará propulsores para ajustar sua trajetória final. O encontro com o cometa, para o qual a sonda enviará um módulo de aterrissagem, ocorrerá em agosto, perto da órbita de Júpiter. Após isso, a sonda continuará acompanhando o 67P/Churyumov-Gerasimenko em sua trajetória de aproximação do Sol.
Lançada há dez anos, a Rosetta está realizando uma das mais longas trajetórias já percorridas por uma sonda espacial.

9303 – Não perca a passagem do cometa Ison, que já pode ser visto a olho nu


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Depois de muita espera, o cometa Ison já pode ser observado sem a ajuda de equipamentos. No dia 13 deste mês, o cometa atingiu um brilho dez vezes mais intenso e, com isso, chegou ao limite mínimo para ser visível a olho nu, ainda que com pouca nitidez. Na próxima semana, o Ison deve atingir seu ponto máximo de proximidade com o Sol. Se passar pela estrela sem se desintegrar, apresentará um brilho mais forte – mas ainda abaixo da expectativa gerada na época de sua descoberta.
O Ison foi visto pela primeira vez no ano passado, por dois astrônomos amadores na Rússia. À época, os cientistas cogitaram tratar-se do cometa mais brilhante já registrado, visível até à luz do dia. “O Ison foi descoberto a uma distância grande e já tinha um brilho relativamente forte, o que levou os especialistas a acreditar que ficaria muito brilhante quando se aproximasse do Sol”, explica Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo.
Com o passar dos meses, o cometa não apresentou a evolução esperada. Em julho deste ano, um estudo feito na Colômbia já afirmava que o Ison não seria o mais brilhante. Ignacio Ferrin, astrônomo e especialista em cometas da Universidade de Antioquia, declarou que o brilho está estável desde janeiro.
O futuro do Ison ainda é incerto. Ele pode simplesmente se desintegrar a qualquer instante de sua trajetória. Caso sobreviva até a aproximação máxima com o Sol, prevista para o dia 28 de novembro, existe o risco de que o calor intenso e a força gravitacional façam o cometa se fragmentar – e desaparecer. Em uma hipótese mais otimista, ele pode passar ileso perto do Sol e ganhar um brilho ainda mais intenso.
Os cometas se tornam mais brilhantes depois da aproximação com o Sol porque o calor intenso transforma o gelo de sua composição em vapor de água de forma mais rápida. O cometa continua se movimentando, e esse material que fica para trás, ao refletir a luz do Sol, contribui para aumentar seu brilho e a extensão da cauda.
Esta é a primeira vez que a passagem desse cometa pelo Sistema Solar é registrada, e as estimativas são de que ele demore 1,2 milhão de anos para dar a volta completa. A órbita calculada do Ison indica que ele provém da nuvem de Oort, uma espécie de redoma com trilhões de rochas a quase um ano-luz do Sol. É de lá que costumam vir os cometas de longo período, que demoram mais de 200 anos para percorrer seu trajeto de ida e volta ao Sol.

7900 – Estudo conclui que fim dos dinossauros ‘foi causado por cometa’


A rocha espacial que atingiu a Terra há 65 milhões de anos e que é tida como a causadora da extinção dos dinossauros foi provavelmente um cometa, concluiu um estudo divulgado por cientistas americanos.
Segundo a pesquisa, a cratera Chicxulub, no México – que tem 180 km de diâmetro – foi criada por um objeto menor do que se imaginava anteriormente.
Muitos cientistas consideram que um asteroide grande e relativamente lento teria sido o responsável.
Os detalhes do estudo, feito por uma equipe do Darthmouth College, universidade no Estado americano de New Hampshire (nordeste do país), foram divulgados na 44ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária, realizada no Estado do Texas, no sul dos Estados Unidos.

“O objetivo maior do nosso projeto é caracterizar melhor o que causou o impacto que produziu a cratera na península de Yucatán (no México)”, disse Jason Moore, do Dartmouth College, à BBC News.
No entanto, outros pesquisadores ainda são cautelosos a respeito dos resultados da pesquisa.

Uma química extraterrestre
A colisão da rocha espacial com a Terra criou em todo o planeta uma camada de sedimentos com o elemento químico irídio em concentrações muito mais altas do que ocorre naturalmente.
No entanto, a equipe de pesquisadores sugere que os índices de irídio citados atualmente estão incorretos. Usando uma comparação com outro elemento extraterrestre depositado no impacto – o ósmio – eles conseguiram deduzir que a colisão depositou menos resíduos do que se acreditava.
Os valores recalculados de irídio sugerem que um corpo celeste menor atingiu a Terra. Na segunda parte do trabalho, os pesquisadores tentaram relacionar o novo valor com as propriedades físicas conhecidas da cratera de Chicxulub.

Para que essa rocha espacial menor tenha produzido uma cratera de 180 km de largura, ela deve ter viajado relativamente rápido.
A equipe calculou que um cometa de longo período se ajustava à descrição muito melhor do que outros possíveis candidatos.
Cometas de longo período são corpos celestes de poeira, rocha e gelo que têm órbitas excêntricas ao redor do Sol. Eles podem levar centenas, milhares e em alguns casos até milhões de anos para completar uma órbita.

O evento que causou a extinção há 65 milhões de anos é associado, hoje em dia, à cratera no México. O acontecimento teria matado cerca de 70% das espécies na Terra em um curto período de tempo, especialmente os dinossauros.
A enorme colisão teria gerado incêndios, terremotos e imensos tsunamis. O gás e a poeira lançados na atmosfera teriam contribuído para a queda das temperaturas globais por muitos anos.
Gareth Collins, que pesquisa impactos que produzem crateras na Universidade Imperial College London, na região de Londres, disse que a pesquisa da equipe do Dartmouth College é “provocadora”.
No entanto, ele disse à BBC que não acha “possível determinar precisamente o tamanho do corpo que causou o impacto apenas com a geoquímica”.
“A geoquímica diz – com bastante precisão – somente a massa do material meteorítico que está distribuída globalmente, não a massa total do causador do impacto. Para estimar isso, é preciso saber que fração do corpo celeste estava distribuída na hora do impacto e não foi ejetada para o espaço, nem caiu perto da cratera.”
“Os autores (da pesquisa) sugerem que 75% da massa do causador do impacto estava distribuída globalmente, então chegaram a um corpo relativamente pequeno, mas na verdade essa fração pode ser menor do que 20%.”
A teoria deixaria a porta a aberta para a hipótese de que um asteroide maior e mais lento, que teria perdido massa antes do impacto com o solo, tenha sido o causador da extinção.
Os pesquisadores americanos aceitam a hipótese, mas citam estudos recentes que sugerem que a perda de massa do corpo celeste no impacto de Chicxulub esteve entre 11% e 25%.
Nos últimos anos, diversos corpos celestes surpreenderam os astrônomos, servindo como lembrança de que nossa vizinhança cósmica continua atribulada.
No dia 15 de fevereiro de 2013, o DA14, um asteroide com volume equivalente ao de uma piscina olímpica, passou de raspão pela Terra a uma distância de somente 27,7 mil km. Ele só havia sido descoberto no ano anterior.
No mesmo dia, uma rocha espacial de 17 metros explodiu nas montanhas Urais, da Rússia, com uma energia equivalente a cerca de 440 quilotoneladas de TNT. Cerca de mil pessoas ficaram feridas quando o choque do impacto explodiu janelas e sacudiu edifícios.
Cerca de 95% dos objetos próximos da Terra com mais de 1 km de diâmetro já foram descobertos. No entanto, somente 10% dos 13 a 20 mil asteroides acima de 140 metros de diametro estão sendo monitorados.

7724 – Flagrado o cometa Lemmon passando pelo céu


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Um astrônomo amador de Poços de Caldas (a 466 km de Belo Horizonte), em Minas Gerais, fotografou no final da tarde de quarta-feira (27-02-2013) o momento em que o cometa Lemmon (C/2012 F6) cruzava o céu.
Por volta das 19h20, David Coutinho, fez o registro com sua câmera Nikon DSLR utilizando lentes de 50mm com tempo de exposição de 30s e ISO 2400.
Em destaque no quadro, o cometa Lemmon é representado por uma pequena mancha verde quase no centro da imagem. O comenta encontra-se a 172 milhões de quilômetros da Terra e possui um brilho esverdeado de nona magnitude (invisível a olho nu).
A coloração esverdeada é resultado de sua composição química. Os cometas são corpos celestes compostos por gelo, poeira e pequenos fragmentos rochosos cercado por um envoltório gasoso que se move em torno do Sol em trajetória mais excêntrica que a dos planetas e com maior grau de inclinação em relação à eclíptica –plano da órbita da Terra.
Segundo Coutinho, o interesse se “deve ao fato da raridade e beleza de fenômenos como estes, especialmente, a aparição de dois cometas no mesmo período de tempo”.
O cometa Lemmon (C/2012 F6), juntamente com o cometa PanSTARRS (C/2011 L4), encontram-se visíveis no Hemisfério Sul desde meados de janeiro, período em que se aproximam do Sol.

Trata-se de um cometa rasante descoberto em 21 de setembro de 2012 por Vitali Nevski de Vitebsk, Bielorrússia e Artyom Novichonok de Kondopoga, Rússia. A descoberta foi realizada utilizando um telescópio refletor de 400 mm de abertura do observatório da ISON nos arredores de Kislovodsk na Rússia.
Foram rapidamente obtidas imagens para precovery do Mount Lemmon Survey do dia 28 de dezembro de 2011 e do Pan-STARRS do dia 28 de janeiro de 2012.
A órbita preliminar mostra que o cometa atingirá o periélio (maior aproximação do Sol) no dia 28 de novembro de 2013 a uma distância de 0,012 UA (1 800 000 km) do centro do Sol Levando em conta o raio solar de 6,955×105 km o cometa passará aproximadamente a 110 000 km da superfície do Sol.

2861 – Como agarrar um cometa


O foguete Ariane-5, com a sonda Rosetta a bordo, foi lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa. Dezoito minutos depois, a Rosetta começava sua longa jornada de 5 bilhões de quilômetros rumo ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A missão, de 900 milhões de euros (cerca de 3,2 bilhões de reais), irá durar dez anos.
O encontro está agendado para agosto de 2014, quando um pequeno robô-laboratório de 100 quilos, chamado Philae, será ejetado da sonda a uma altitude de mil metros. Devido à tênue gravidade do cometa, ele descerá suavemente até a superfície gelada do núcleo. Assim que o tocar, será lançado um arpão para prendê-lo à superfície do astro.O robozinho carrega nove instrumentos científicos que, durante um mês, farão fotos em alta resolução e recolherão informações sobre seus aspectos físicos e químicos.
Para os cientistas, estudar os cometas é instigante porque esses astros errantes são feitos da mesma matéria sólida da nebulosa que deu origem ao sistema solar há 5 bilhões de anos.
A ficha do cometa
Nome: 67P/Churyumov-Gerasimenko
Diâmetro: 3 x 5 km
Descoberta: 1969, por Klim Churyumov e Svetlana Gerasimenko
Órbita: 6,6 anos para dar uma volta ao redor do Sol

2656- Cometa – Faça o seu em casa


Basta um pedaço de gelo seco, uma luva de borracha, um pregador de roupa e uma lanterna.
Enquanto se aproxima do Sol (e da Terra), o cometa Hale-Bopp vai formando a sua cauda. Dá para fazer uma coisa parecida em casa mesmo. Só é preciso um pouco de gelo seco, que você acha em qualquer sorveteria. É que os cometas são feitos de gelo (misturado com um pouco de poeira). Principalmente de gelo seco, que é gás carbônico congelado. Conforme o cometa chega perto do Sol, o gás carbônico passa direto do estado sólido (gelo) para o gasoso, formando a cauda. Esse salto de sólido para gás, sem passar pelo estado líquido, chama-se sublimação. Mas cuidado! Mexer com gelo seco é muito perigoso porque sua temperatura é de menos 40 graus Celsius. Isso queima a pele. O melhor é segurá-lo com uma luva de borracha, daquelas usadas para trabalhos doméstico, e prender o naco de gelo num pregador de roupa. O gelo não pinga, mas solta uma fumacinha que é idêntica à que escapa do núcleo do cometa. Para dar um toque realista à sua experiência, assopre o pedaço de gelo, ou use um ventiladorzinho. Note que isso produz uma bela cauda. O sopro imita a ação da luz do sol e do seu “vento” (partículas elétricas que ele lança ao espaço). A luz e o vento corroem o núcleo, criando a cauda. É por isso que os cometas mantêm a cauda sempre contra o Sol. Quando ele se aproxima, ela está para trás. Mas, quando ele se afasta, a cauda fica na frente do núcleo! Se você iluminar o cometinha com uma lanterna, vai conseguir um bom efeito.
Construção do modelo, passo a passo
1 – Para montar o cometa
Material: pedaço de gelo seco, pregador de roupa, luvas de borracha, lanterna e ventilador.
2 – Trabalhe com segurança
Cuidado para não se queimar. Usando uma luva de borracha, pegue o gelo seco com o pregador de roupa.
3 – Fazendo a cauda
Sopre o gelo seco e observe que o gás se solta e faz um “rabo”.
4 – O efeito do Sol
Iluminada pela lanterna, a cauda do cometa fica brilhante.