13.550 – Astrofísica – Pressão Atmosférica em de Júpiter


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É a maior atmosfera planetária do Sistema Solar. É composta principalmente de hidrogênio molecular e hélio em proporções similares às do Sol. Outros elementos e compostos químicos estão presentes em pequenas quantidades e incluem metano, amônia, sulfeto de hidrogênio e água. Embora acredite-se que a água esteja presente nas profundezas da atmosfera, sua concentração é muito baixa. A atmosfera joviana também possui oxigênio, nitrogênio, enxofre e gases nobres. A abundância destes elementos excede três vezes a do Sol.
De baixo para cima, as camadas atmosféricas são troposfera, estratosfera, termosfera, e exosfera. Cada camada possui seu gradiente de temperatura característicos.
A camada mais baixa, a troposfera, possui um sistema complicado de nuvens, com camadas de amônia, hidrosulfeto de amônia, e água. As nuvens superiores de amônia são visíveis da superfície do planeta, e estão organizadas em um sistema de bandas paralelas ao equador, sendo limitadas por fortes correntes atmosféricas (ventos) conhecidas como jatos. As bandas alternam-se em cor: as bandas de cor mais escuras são chamadas de cinturões, enquanto as bandas de cor mais clara, de zonas. Zonas, que são mais frias que cinturões, correspondem às regiões nas quais o ar está movendo para cima, enquanto nos cinturões o ar está movendo em direção ao interior do planeta. Acredita-se que a cor das zonas seja o resultado de gelo de amônia; não se sabe ainda com certeza o mecanismo que dão aos cinturões suas cores típicas.
A atmosfera jupiteriana possui vários tipos de fenômenos ativos, incluindo instabilidades das bandas, vórtices (ciclones e anticiclones), tempestades e raios.
A circulação atmosférica em Júpiter é significantemente diferente da circulação atmosférica terrestre. O interior de Júpiter é fluido, e não possui nenhuma superfície sólida. Portanto, convecção pode ocorrer na camada de hidrogênio molecular do planeta. Nenhuma teoria compreensiva sobre a dinâmica da atmosfera jupiteriana foi desenvolvida até o presente. Uma teoria bem sucedida deste tipo precisa responder às seguintes questões: a existência de bandas e jatos estáveis estreitos e relativamente simétricos em relação ao equador jupiteriano; o forte jato prógrado observado no equador; a diferença entre cinturões e zonas; e a origem e a persistência de grandes vórtices tais como a Grande Mancha Vermelha.
Júpiter radia mais calor do que recebe do Sol, fato conhecido desde 1966. Estima-se que a razão entre o poder emitido pelo planeta e o poder absorvido do Sol é de 1,67 ± 0,09. O fluxo de calor interno de Júpiter é de 5,44 ± 0,43 W/m², enquanto o poder total emitido pelo planeta é de 335 ± 26 petawatts. O último valor é aproximadamente iqual a um bilionésimo do valor do poder total radiado pelo Sol. Este excesso de calor é primariamente calor primordial proveniente da formação do planeta, mas pode resultar também da precipitação de hélio no interior do planeta.
Os primeiros astrônomos, utilizando pequenos telescópios com olhos como detectores, registraram as mudanças de aparência da atmosfera de Júpiter. Os termos utilizados para descrever as características da atmosfera jupiteriana — cinturões, zonas, manchas vermelhas e marrons, plumas, jatos — ainda são utilizados. Outros termos, tais como vorticidade, movimento vertical, altura das nuvens, entraram em uso depois, no século XX.
As primeiras observações da atmosfera jupiteriana em resoluções maiores do que as possíveis com telescópios terrestres foram tomadas pelas sondas Pioneer 10 e Pioneer 11, embora as primeiras imagens em detalhes da atmosfera jupiteriana foram tomadas pelas sondas Voyager 1 e Voyager 2. As Voyagers tomaram imagens com resolução de até 5 km, em vários espectros, e também criaram filmes de aproximação, mostrando a circulação atmosférica jupiteriana. A sonda Galileu observou menos a atmosfera jupiteriana, embora suas imagens tenham tido, em média, uma resolução maior, e um espectro mais diversificado do que as imagens tomadas pelas Voyagers.
Atualmente, astrônomos possuem acesso contínuo à atividade atmosférica de Júpiter graças a telescópios tais como o Hubble.
Júpiter é composto principalmente de hidrogênio, sendo um quarto de sua massa composta de hélio, embora o hélio corresponda a apenas um décimo do número total de moléculas. O planeta também pode possuir um núcleo rochoso composto por elementos mais pesados, embora, como os outros planetas gigantes, não possua uma superfície sólida bem definida.
Júpiter é observável da Terra a olho nu, com uma magnitude aparente máxima de -2,94, sendo no geral o quarto objeto mais brilhante no céu, depois do Sol, da Lua e de Vênus.
Júpiter possui a maior atmosfera planetária do Sistema Solar, com mais de 5 000 km de altitude.
Como o planeta não tem superfície, a base de sua atmosfera é considerada o ponto em que sua pressão atmosférica é igual a 100 kPa (1.0 bar).
Júpiter é o planeta de maior massa (318 vezes a massa da Terra, mais que todos os outros planetas juntos) e maior raio (cerca de 71500 km, 11 vezes o raio terrestre). Na verdade, Júpiter é tão grande que se pensa poder ser uma estrela abortada – não tem ainda a massa suficiente para que as forças gravitacionais pudessem começar a fusão nuclear. Outro elemento em favor desta teoria é a composição da atmosfera joviana: 90% de hidrogénio, 10% de hélio e vestígios de metano, dióxido de carbono, água, amónia e silicatos – não muito diferente da Nebulosa Solar primordial. Assim, se Júpiter fosse maior (cerca de 80 vezes maior), o nosso Sistema Solar teria uma estrela dupla Sol-Júpiter.

A massa de Júpiter é suficientemente grande, contudo, para ter efeitos sobre todo o Sistema Solar. Na Terra, por exemplo, uma análise matemática das marés mostra que, para além do efeito dominante, bem conhecido, da Lua, há um segundo efeito de origem solar (embora o Sol esteja muito distante, a sua massa é bastante para se fazer sentir) e um terceiro efeito, muito mais fraco mas claramente originado por Júpiter. A cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter, deve-se ao efeito de maré de Júpiter, que não permitiu que os planetesimais se aglutinassem num planeta. É também este efeito de maré que mantém ativo o vulcanismo de Io, a mais interna das luas galileanas de Júpiter. Como a composição de Júpiter é essencialmente gasosa, o seu raio é definido arbitrariamente como o raio da isóbara de 1 bar, posição que não corresponde a nada de sólido. As imagens que vemos do planeta correspondem aos topos das nuvens.

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13.309 – Astronomia – Júpiter é o maior e também o primeiro planeta do Sistema Solar


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De acordo com um grupo internacional de cientistas, Júpiter já girava ao redor do Sol apenas um milhão de anos depois do início de nosso Sistema Solar, há 4,6 bi. O planeta, porém, tinha uma cara bem diferente da que tem hoje – 15 vezes menor que sua versão atual, e com um apetite voraz por gás e poeira
O estudo foi o primeiro a explicar a formação de Júpiter com dados medidos em laboratório. Diferente do que dá para fazer com a Lua, Marte ou a própria Terra, não conseguimos aterrissar no planetão para descolar um pedaço do gigante e estudá-lo sob o microscópio. A saída, então, foi recorrer a análise química de meteoritos antigos para cravar sua data de aniversário.
Após a explosão que originou o Sol, uma grande nuvem de gás e poeira tomava conta do Sistema Solar. O acúmulo contínuo desses detritos em um núcleo rochoso possibilitou a formação de Júpiter – que um milhão de anos depois de estrear em nosso Sistema Solar já tinha peso 20 vezes maior que o terrestre (hoje, nosso vizinho é 317 vezes mais pesado que a Terra).
Todo esse tamanho foi suficiente para “abrir um buraco” na nuvem de poeira criada na juventude do Sol. A gravidade de Júpiter impedia corpos celestes (como meteoritos) de chegarem perto de sua órbita. Isso criou, então, dois anéis empoeirados diferentes: um ficava de Júpiter para frente, e outro estava atrás do planeta. Isolados, ambos os reservatórios não trocavam material entre si por conta do sentinela gasoso.
Sem os planetas irmãos para atrapalhar o acesso à refeição empoeirada, Júpiter foi crescendo, e 3 milhões de anos depois de nascer, já era 50 vezes maior que a Terra. Por ter se aproximado mais do Sol, tornou-se menos resistente à passagem de asteroides, permitindo que meteoritos que estavam em anéis diferentes voltassem a se misturar. Hoje, sabe-se que esses corpos celestes estão concentrados entre Júpiter e Marte – e eventualmente dão seus alôs por aqui, assustando todo mundo ao passar perto da órbita da Terra.
Os cientistas conseguiram descobrir toda essa relação complexa analisando os isótopos de molibdênio e tungstênio em 19 meteoritos. A partir dessas características químicas, conseguiu-se determinar não só a idade de cada um (entre 1 e 4 milhões de anos mais novos que o Sol), mas também o reservatório que cada um habitava.
O fato é que, ainda que a passos curtos, vamos descobrindo cada vez mais informações sobre o vovô de nosso Sistema Solar. Com a sonda Juno, que permanecerá mais uns meses orbitando Júpiter, dá para dizer que estamos mais íntimos do que nunca do planetão – mesmo que observando a 1.26 milhão de milhas de distância.

12.885- 48 novos vulcões são encontrados em lua de Júpiter


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Muitos vulcões podem ser vistos em nosso Sistema Solar, desde as variações geladas nos planetas anões até as grandes cúpulas em Vênus. Mas na lua Io, do planeta Júpiter, o tamanho e aparência de 48 novos vulcões são impressionantes.
Piscinas de lava do tamanho de cidades e “vulcões escudo” gigantescos concentram um material superaquecido que surge das profundezas de oceanos de magma. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos anunciaram a descoberta nesta semana em artigo publicado no periódico Icarus.
Na pesquisa, os cientistas relatam ainda a descoberta de um lago de lava de 200 quilômetros. Ele foi chamado de Loki Patera e produz ondas enormes.
Os dados de imagens térmicas talvez tenham sido a revelação mais marcante de todas: eles sugerem que a erupção de um desses vulcões provoca uma reação em cadeia e vulcões próximos passam a entrar em erupção também — o mesmo pode acontecer com alguns mais distantes, até 500 quilômetros. Por enquanto não está claro para os pesquisadores como este fenômeno é possível.
“É natural que este processo ocorra em Io e não na Terra, talvez por diferenças na crosta ou na canalização dos vulcões”, opiniou Katherine de Kleer, autora principal do estudo, em entrevista ao IFLScience.
Todos esses pontos foram vistos na “lateral” da lua e em mais nenhum lugar. Modelos térmicos sugerem que a saída vulcânica de Io deveria existir nos polos ou no equador, mas várias evidências mostram que este não é o caso. Mais estudos serão necessários para descobrir o motivo.

12.711- Peso Pesado no Sistema Solar – Se a gravidade da Terra fosse igual à de Júpiter…


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Para ter muita gravidade, tio Newton ensinou, você precisa de muita massa. Nesse caso, 15,6 mais massa, com a Terra passando das esbeltas 6 sextilhões de toneladas que tem hoje para as jovianas 90 sextilhões de toneladas. Mas isso não deixaria a circunferência do nosso planeta tão grande assim – ela seria só 2,5 vezes maior. A circunferência de Júpiter, para comparar, é 11 vezes maior que a nossa. A rochosa Terra não precisaria crescer tanto, enfim, porque é mais densa: cada metro cúbico da Terra tem bem mais massa que cada um do planeta gasoso.
A mudança mais óbvia é tão óbvia que não precisamos nem mencionar (mencionando: você seria 15 vezes mais pesado). Agora vamos às mudanças mais inusitadas. Uma delas é que o ano teria 52 meses, com sete dias cada um. É que a gravidade extra aceleraria a Lua. O satélite iria girar quatro vezes mais rápido, completando uma volta a cada sete dias. Como a idéia de mês é baseada no tempo entre duas luas novas, as primeiras civilizações da Terra instituiriam que um anos tem 52 meses.
O clima mudaria bastante também. A gravidade extra achataria a atmosfera a ponto de ela ficar com só 30% da espessura que tem hoje. Na prática, isso traria um frio montanhoso para lugares que hoje são relativamente quentes. Uma cidade como São Paulo, que fica a 760 metros de altitude, teria o clima equivalente ao de lugares que ficam a quase 2 mil metros, como Campos do Jordão (SP), onde há temperaturas negativas no inverno. Já as montanhas com mais de 5 mil metros ficariam na estratosfera, onde a temperatura para de diminuir com a altitude, estabilizando-se por volta de 60 graus negativos. O pico do Everest, aliás, roçaria na camada de ozônio.
A atmosfera mais curta também seria mais seca. As nuvens não teriam espaço para crescer a ponto de formar chuva. Pelo menos não na quantidade de hoje. A evaporação da água do mar geraria nevoeiros, e as gotículas que eles formam seriam nossa única fonte de água doce. Sem água o bastante, é provável que as espécies mais complexas de vida terrestre jamais tivessem surgido – a começar pela nossa. Mas essa é a melhor das hipóteses. Nas pior, nos adaptaríamos a viver com água de nevoeiro, mas sob a pena de nunca, jamais, se dar ao luxo de ficar de ressaca. Melhor deixar a gravidade de Júpiter por lá mesmo.

12.631 – Mais sobre a Missão Juno


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Juno vai mapear a atmosfera e a estrutura de Júpiter, investigando como o fortíssimo campo magnético e a monstruosa gravidade do gigante gasoso interferem em suas propriedades. Um dos mistérios jupiterianos que poderão ser solucionados é o da Grande Mancha Vermelha, uma tempestade que dura séculos e que vem encolhendo nas últimas décadas. “Se antes cabiam três Terras ali dentro, hoje não chega a uma”, disse Adriana Ocampo, executiva da NASA que coordena a missão, ao Luneta.
A sonda também pretende responder se Júpiter tem um núcleo sólido ou de hidrogênio metálico, além de explicar como sua presença pode ter influenciado até mesmo a vida na Terra. “Uma das hipóteses é que um planeta do tamanho de Júpiter seja capaz de distribuir as moléculas de água pela região interna do Sistema Solar”, afirma Ocampo. Da próxima vez que for se hidratar, não se esqueça de agradecer ao poderoso deus romano. Ou então ao nosso vizinho grandalhão.

Instrumentos
– JunoCam (JC)
– Espectrógrafo Ultravioleta (UVS)
– Mapeador Infravermelho de Auroras Jupterianas (JIRAM)
– Instrumento de Ondas de Plasma (WAVES)
– Ciência da Gravidade (GS)
– Experimento de Distribuições de Auroras Jupterianas (JADE)
– Radiômetro de Micro-ondas (MWR)
– Instrumento Detector de Partículas Energéticas de Júpiter (JEDI)
– Magnetômetros (M)

Funções
GS e M: mapear campos gravitacional e magnético para estudar estrutura profunda
MWR: sondar atmosfera profunda para medir a quantidade de água e oxigênio
JEDI, JADE e WAVES: analisar campos elétricos, ondas de plasma e partículas para determinar como o campo magnético se relaciona com a atmosfera e com auroras
UVS e JIRAM: fotografar atmosfera e auroras com câmeras ultravioleta e infravermelha para identificar a composição dos gases
JC: tirar imagens coloridas em alta resolução definidas por estudantes e pelo público

12.629 – Após cinco anos, sonda Juno chega a Júpiter


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Se você quer conhecer os segredos de Júpiter, quem melhor que a mulher dele para revelá-los? A sonda americana Juno, batizada com o nome da esposa do deus dos deuses, chega hoje ao maior planeta do Sistema Solar.
Em pleno feriado americano da Independência, funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa farão plantão para monitorar a delicada manobra de inserção orbital da espaçonave.
Aliás, a palavra-chave aí é “monitorar” mesmo. E fazer figas. No piloto automático, a sonda Juno fará toda a manobra sozinha, e aos controladores em terra só caberá monitorar o sinal e se certificar que tudo foi como planejado. Ou não.
Se tudo correr bem, a Juno deve se tornar a segunda sonda da história da exploração espacial a se estabelecer ao redor de Júpiter. A primeira foi a Galileo, que partiu em 1989 e chegou lá em 1995.
Maior dos planetas do Sistema Solar, Júpiter ganhou na Antiguidade o nome do deus dos deuses da mitologia greco-romana.
Seguindo a lógica, as quatro principais luas jovianas, descobertas no século 17 (Europa, Io, Ganimedes e Calisto), receberam nomes de amantes dele.
E agora a sonda Juno chega para representar a ciumenta “número um” de Júpiter com bom motivo: em sua órbita polar ao redor do planeta, ela se aproximará mais dele que qualquer de suas luas e terá a capacidade de enxergar através do típico véu de mentiras de seu marido infiel.
Numa trajetória elíptica bastante excêntrica, a Juno vai se alternar entre aproximações e afastamentos do planeta, passando a cerca de 4.200 km da cobertura de nuvens do gigante gasoso em seu perijove –nome dado ao ponto de mínima distância a Júpiter.
Como se poderia esperar de uma esposa, seu interesse no planeta vai além das aparências –a Juno se destina a investigar os mistérios do interior do gigante gasoso, ocultados por suas nuvens e a imensa turbulência atmosférica.

12.393 – Sistema Solar – Astrônomos amadores flagram grande objeto acertando Júpiter


Dois astrônomos amadores, em diferentes partes do mundo, capturaram um grande objeto impactando Júpiter.
Os vídeos independentes foram gravados por John Mckeon, na Irlanda, e Gerrit Kernbauer, na Áustria, no último em 17 de março de 2016. As imagens, que podem ser vistas no final do texto, mostram algo batendo no lado direito do planeta.
O impacto é visto como um pequeno flash, acima das nuvens, antes de desaparecer. Júpiter é o maior planeta do nosso sistema solar e é bombardeado por rochas espaciais com bastante frequência.
Com a confirmação do impacto, que parece ter sido causado por um meteoro ou cometa, pesquisadores tentam estimar qual seria o tamanho do objeto que provocou a luz brilhante no enorme planeta. No momento, especula-se que a rocha teria, aproximadamente, 10 metros de diâmetro, menos que um grão de areia paro o planeta.

11.198 – Mares em luas geladas de Júpiter e Saturno podem abrigar vida


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Duas descobertas anunciadas recentemente, numa lua de Júpiter e noutra de Saturno, aumentaram as perspectivas da busca por vida extraterrestre no Sistema Solar.
Usando o Telescópio Espacial Hubble, alemães conseguiram confirmar que Ganimedes, a maior das luas jovianas, tem um vasto oceano sob sua superfície congelada.
á dados da sonda Cassini, que orbita Saturno desde 2004, trouxeram evidências de que há fontes hidrotermais sob o oceano oculto de Encélado, uma modesta lua de apenas 500 km de diâmetro.
A revelação, publicada em estudo na revista “Nature”, é importante porque muitos cientistas creem que foi em fossas hidrotermais que a vida surgiu aqui na Terra.
“A descoberta de ambientes similares em Encélado abre perspectivas novas na busca por vida em outras partes do Sistema Solar”.
O achado foi feito ao analisar a composição de partículas de um dos anéis de Saturno, que é composto por material ejetado de fissuras na superfície de Encélado. A presença de pequenos grãos de silicato (rocha) revelou a existência das fontes hidrotermais no leito do oceano.
Água em estado líquido é tida pelos cientistas como a condição essencial para a existência de vida, por isso também há empolgação pela descoberta em Ganimedes.
Ao medir a interação do campo magnético da lua com o fluxo de partículas do Sol, os cientistas conseguiram inferir a presença de um oceano sob a crosta de gelo.
Estima-se que a camada líquida de água salgada em Ganimedes tenha espessura média de 100 km –dez vezes a dos oceanos terrestres.
Já se sabia que outra lua joviana, Europa, também tem oceano subterrâneo. A sonda Galileo já sugeria que era esse o caso em Ganimedes, mas a confirmação só veio agora.

11.161 – Sistema Solar – Curiosidades Jupiterianas


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Para fazer jus ao seu tamanho absurdo, ele recebeu o nome do rei dos deuses da mitologia romana — correspondente a Zeus na mitologia grega — e, só para que você tenha uma noção do tamanho da “criança”, mais de 1.300 Terras caberiam em seu interior!
Júpiter também é o planeta mais massivo do Sistema Solar, contando com mais do que o dobro da massa de todos os demais planetas juntos. Além disso, se Júpiter tivesse 80 vezes mais massa do que tem, ele se tornaria uma estrela em vez de um planeta.
A descoberta de Júpiter também foi revolucionária. Isso porque Galileu Galilei descobriu quatro de suas luas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — em 1610, e foi o primeiro a observar corpos celestes circundando um astro que não fosse a Terra, constatação que ajudou a apoiar a teoria de Nicolau Copérnico de que o nosso planeta não era o centro do Universo.
A composição da atmosfera Júpiter é parecida à do Sol — e à de Saturno também —, sendo formada principalmente por hélio e hidrogênio. E você já deve ter notado que Júpiter conta com diversas bandas de cores diferentes, não é mesmo?
Essas bandas são formadas devido ao movimento de ventos extremamente fortes — que viajam nas direções leste e oeste a velocidades que podem passar de 640 quilômetros por hora — nas camadas mais altas da atmosfera e, na verdade, são nuvens. As mais claras que vemos são compostas por cristais de amônia congelada, enquanto que as mais escuras são formadas por outros elementos.
As bandas não são permanentes e podem mudar de tempo em tempo, e um dos aspectos mais marcantes da atmosfera de Júpiter é a “Grande Mancha Vermelha”, uma monstruosa tempestade que está em plena atividade há mais de 300 anos e que é tão grande que o nosso planeta poderia caber facilmente dentro dela. Contudo, a característica mais curiosa da atmosfera de Júpiter é que os cientistas acreditam que no planeta chove diamantes!

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Ao ser um gigante gasoso, Júpiter não possui uma superfície sólida, e os cientistas acreditam que seu núcleo seja formado por rochas e metais — e tenha o tamanho da Terra, aproximadamente. Além disso, ao estar mais distante do Sol do que o nosso planeta, o astro leva o equivalente a 12 anos terrestres — ou 4.380 dias! — para completar uma volta ao redor da nossa estrela.
E isso não é tudo! Júpiter gira mais depressa do que qualquer outro planeta do Sistema Solar, e cada dia por lá tem duração de pouco menos que 10 horas “terrestres”. Esse rápido ritmo de rotação é o responsável pelo planeta ter o equador mais gordinho e os polos mais achatados, tanto que a diferença entre as distâncias chega a ser de 7 %.

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Gigante com muitas luas
Embora as quatro luas descobertas por Galileu — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — sejam as maiores de Júpiter, elas dividem sua órbita com outros 46 satélites menores conhecidos, além de outros 17 que foram descobertos e ainda aguardam confirmação. Ganimedes, a maior lua de Júpiter, tem tamanho superior ao do planeta Mercúrio, e é o único satélite do Sistema Solar a contar com seu próprio campo magnético.
Io, por sua vez, possui diversos vulcões ativos em sua superfície, enquanto que Europa é coberta por uma bela camada de gelo. Aliás, os cientistas acreditam que sob esse gelo todo exista um enorme oceano — e que seu volume seria equivalente ao dobro de toda a água que existe aqui na Terra.

Ele também tem anéis
Em 1979, a sonda espacial Voyager 1 da NASA descobriu que Júpiter também conta com sistema de anéis, compostos principalmente por pequenas partículas de poeira. Os aros, que possuem entre 30 e 20 mil quilômetros de espessura, começam a aproximadamente 92 mil quilômetros da superfície do planeta, e se estendem por mais de 225 mil quilômetros. No entanto, o título de “Senhor dos Anéis do Sistema Solar” continua pertencendo a Saturno.

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As temperaturas das nuvens de Júpiter são de, em média, – 145 °C, enquanto que as temperaturas no núcleo rondam os 24 mil °C, ou seja, superiores às registradas na superfície do Sol;
A gravidade em Júpiter é 2,4 vezes mais forte do que a da Terra, o que significa que uma pessoa de 100 quilos pesaria 240 kg no planeta;
O planeta conta com o campo magnético mais poderoso do Sistema Solar, e em algumas regiões de sua atmosfera, ele chega a ser 20 vezes mais forte do que o da Terra;
Júpiter é um dos cinco planetas que podem ser vistos a olho nu aqui da Terra, e é o quarto objeto mais brilhante no céu depois do Sol, da Lua e de Vênus.

10.061 – Júpiter, o faxineiro do Sistema Solar


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Como vimos com detalhes em outros capítulos, nos anos 90, um evento astronômico sem precedentes animou a comunidade científica: a gravidade de Júpiter havia quebrado o cometa P/Shoemaker-Levy 9 em diversos pedaços. Foi a primeira vez em que os pesquisadores da Terra puderam apreciar a colisão de corpos que vieram de fora do Sistema Solar.
Mas há um dado interessante nessa história e que nem sempre é divulgado: o cometa foi capturado pelo campo gravitacional de Júpiter cerca de 20 a 30 anos antes da colisão. Com essa informação em mente, é possível ter uma ideia de quão massivo e importante para a estabilidade do Sistema Solar esse gigante gasoso pode ser.
Graças à sua massa, Júpiter acaba funcionando como uma espécie de “faxineiro” do Sistema Solar, sugando para ele diversos asteroides e corpos celestes que poderiam se chocar contra a Terra ou outros planetas, reduzindo em muito o número de impactos. É provável que isso tenha acontecido em setembro de 2012, quando um astrônomo amador flagrou Júpiter recebendo um impacto que poderia ter sido direcionado para a Terra.
Apesar de ser bem comum essa ideia de que Júpiter ajuda a proteger a nossa integridade, ela nunca foi estudada ou contestada de verdade. Segundo um artigo publicado pela Astrobiology Magazine, houve apenas um estudo acadêmico, no passado, sobre o assunto.
Em 2013, uma nova pesquisa veio contestar essa ideia de que Júpiter é o nosso protetor. A razão? Simulações computacionais indicam que a presença de Júpiter não diminui, tanto assim, as chances de que corpos celestes atinjam a Terra.
A pesquisa revelou que, caso um planeta de massa menor do que a Júpiter ocupasse o seu lugar, a Terra receberia muito mais impactos. Mas se o gigante gasoso não existisse em nosso Sistema Solar, a taxa de impactos fosse praticamente a mesma que temos hoje.
Porém, há quem diga que esse estudo, realizado por Jonathan Horner, no Reino Unido, possui falhas, já que leva em consideração apenas os objetos que vêm do cinturão de Kuilper, ignorando, por exemplo, os cometas provenientes da Nuvem de Oort.
O fim de Mercúrio?
A influência de Júpiter no Sistema Solar não para por aí. Segundo o Universe Today, há indícios de que o planeta possa causar a morte de Mercúrio. A teoria é apoiada por Jacques Laskar, do Observatório de Paris, e outros astrônomos ao redor do mundo, e levanta pelo menos quatro hipóteses para o fim do primeiro planeta do nosso Sistema Solar.
De acordo com a matéria, a influência da gravidade de Júpiter sobre a órbita de Mercúrio pode fazer com que:
Mercúrio se choque contra o Sol;
Mercúrio seja arremessado para fora do Sistema Solar;
Mercúrio se choque contra Vênus; ou
Mercúrio se choque contra a Terra.
Felizmente, apesar de possível, essa não é uma situação com a qual precisamos nos preocupar, já que ela não ameaça nossa existência. Se alguma das possibilidades acima realmente ocorrer, será daqui a 5 ou 7 bilhões de anos. Até lá, não sabemos nem mesmo se a espécie humana continuará a existir.

6979 – Astronomia – Júpiter pós Cometa


Em maio de 1995, astrônomos do mundo todo se reuniram na cidade americana de Baltimore para comparar o que viram e mediram durante o choque do Shoemaker-Levy 9 contra o planeta gigante, em julho de 1994. Trocaram informações e interpretações. Agora, finalmente, há um entendimento comum sobre o que aconteceu em cada etapa da colisão. Mas algumas dúvidas ainda persistiam.
Weissman é um dos astrônomos que estuda os efeitos do cometa com dados colhidos pela sonda Galileu. Na época do choque, a Galileu era a sonda certa na hora certa no lugar exato. Apesar de estar muito longe de Júpiter — a cerca de 240 milhões de quilômetros (só para comparar, a distância da Terra ao Sol é de 150 milhões de quilômetros) —, ela encontrava-se numa posição privilegiada para assistir ao show “de camarote”: enxergava o lado escuro do planeta, invisível da Terra. E foi justamente nessa face de Júpiter que o cometa caiu.
A Galileu teve problemas técnicos numa das antenas, o que provocou atraso na transmissão de dados. Ainda assim, as informações da sonda sobre o brilho, o calor e a luz emitida pelos fragmentos foram fundamentais para confirmar e, em alguns casos, acrescentar detalhes às observações do Hubble e dos telescópios terrestres.
A maioria dos eventos observados na queda do Shoemaker estavam previstos nos modelos desenhados em computador, elaborados com meses de antecedência para levantar todas as possibilidades. Mas o cometa reservou algumas surpresas para a última hora, como a mancha escura que espirrou da trombada de cada fragamento. Os astrônomos já esperavam, sim, que se levantasse uma grande nuvem de gases de Júpiter e estilhaços sobre a atmosfera. E isso aconteceu. Mas eles não contavam que essa nuvem fosse escura.
Quando se trata de fenômenos absolutamente desconhecidos, como o bombardeio do Shoemaker, a teoria e a observação precisam fazer parceria. Desta vez, as suposições iniciais deram pistas sobre o que se deveria procurar. As observações, por seu lado, levantaram eventos inesperados , que exigem novas teorias que os expliquem. Por isso, encontros como o de Baltimore são importantes.

Júpiter não tem solo. Sua superfície é feita de gases. Nesse “chão de nuvens”, os fragmentos maiores do cometa mergulharam a profundidades de até 70 quilômetros.
Lá bem no fundo, há uma camada de gelo . Ela não chegou a ser tocada pelos fragmentos do cometa que afundaram em Júpiter. A violência do atrito jogou para cima os estilhaços. Superaquecidas, a 7 200 graus centígrados, as moléculas de metano, hidrocarbonetos e água se quebraram e criaram novos compostos. Subindo, a bola de fogo se espalhou e esfriou. Atingiu 250 quilômetros de diâmetro, a apenas 250 graus Celsius. A coluna de fumaça e fogo chegou a 3 300 quilômetros de altura.

Um mergulho no inferno

Um fragmento entra na atmosfera jupiteriana superior, como um meteoro. Depois de um ano analisando os dados coletados pela sonda Galileu, pelo Telescópio Espacial Hubble e pelos observatórios em terra, os astrônomos confirmaram que a velocidade do bólido era de 220 000 quilômetros por hora. A primeira camada gasosa que envolve Júpiter, os astrônomos já sabiam, é muito rala, composta principalmente de hidrogênio a uma temperatura de 1 200 graus Celsius.
12 segundos
O bólido chega às camadas inferiores e produz dois flashes. Tudo indica que o primeiro foi provocado pelo choque com os gases dessas camadas, normalmente a 150 graus centígrados negativos. Sete segundos depois, a sonda Galileu viu um segundo flash, seguido de uma grande explosão e uma coluna de gases subindo como uma bola de fogo. A temperatura dos gases, nesse instante, explodiu para 7 200 graus positivos.
1 minuto
A coluna de gases e estilhaços superaquecidos expande-se a 43 200 quilômetros por hora e chega ao topo da camada superior, 3 300 quilômetros acima da camada inferior, onde é fotografada pelo Hubble. A Galileu registrou o brilho e o calor da coluna. À medida que a bola de fogo subia, seu diâmetro aumentava de 10 para 250 quilômetros, enquanto sua temperatura caía de 4 800 graus para meros 250 graus centígrados.
6 minutos
A Galileu e os observatórios da Terra detectam intensa radiação infravermelha, ou seja, calor. Na época, esse fenômeno foi chamado de evento principal. Hoje, os cientistas sabem que a radiação não veio do impacto em si: já era um efeito dos estilhaços que, produzidos pelas colisões, foram lançados para o alto e depois caíram como chuva de pedras, aquecendo a atmosfera superior. Em alguns casos, essas chuvas estendiam-se por áreas superiores ao diâmetro da Terra.
1 hora
Os restos dos estilhaços formam uma imensa mancha escura, “apoiada” sobre a camada superior da atmosfera. A violência da trombada quebrou as moléculas do fragmento. Os átomos livres se juntaram então ao hidrogênio e ao metano de Júpiter, criando novas substâncias. Os compostos de carbono e de enxôfre detectados pelo Hubble e outros telescópios terrestres explicam a cor negra: elas são substâncias normalmente escuras.
2 meses
Os pesquisadores observaram a dissolução da mancha escura, em forma de anel. A fumaça formada por metano e outros compostos de carbono foi varrida por ventos da alta atmosfera e encobriu parcialmente a face do planeta. Os pesquisadores também concluíram que, ao mesmo tempo, os microscópicos grãos de fuligem começaram a se aglomerar, formando partículas maiores, que acabaram caindo de volta sobre o planeta.
1 ano
A maior parte das partículas pesada de fuligem gordurosa já mergulharam de novo na densa atmosfera jupiteriana — provavelmente até camadas internas, inacessíveis aos equipamentos de observação. Dois meses atrás, os detectores percebiam ainda uma leve neblina, cada vez mais tênue. Agora, as cicatrizes deixadas pelo Shoemaker-Levy 9 somem, debaixo da pesada cortina de gases e de mistério que envolve o planeta gigante.

2806 – Júpiter e suas Luas


Júpiter, o maior planeta do sistema solar, não por acaso assim chamado em homenagem ao deus máximo da mitologia para os romanos. Calcula-se que Júpiter possui 70 cento de toda a matéria que gira em torno do Sol. É tão gigantesco que no seu interior caberiam folgadamente mais de mil Terras. Comparadas a tal gigante, até os planetas mais avantajados, como Urano, Netuno e Saturno — este, o segundo maior — não passam de anões.Não é de estranhar, portanto, que, quando foi formado junto com os outros planetas, há cerca de 4,5 bilhões de anos, Júpiter podia perfeitamente bem se transformar numa estrela. Se isso tivesse acontecido, os habitantes deste pequeno mundo chamado Terra , a cerca de 600 milhões de quilômetros de distância, passariam pela provavelmente desconfortável experiência de viver com dois sóis no céu e talvez nenhuma noite. Não seria uma novidade na Via Láctea, onde a maioria das estrelas é binária, ou seja, faz parte de sistemas duplos.Mas o Sol permaneceu solitário: Júpiter teria que acumular cinqüenta vezes mais massa para que a temperatura no seu interior desse início às reações de fusão nuclear que caracterizam uma estrela, e ele passasse a brilhar com luz própria.
Como isso não ocorreu, o planeta se tornou uma espécie de bola gigantesca de gases — hidrogênio, hélio, metano e amônia — que por motivos ainda não explicados pela Astronomia emite duas vezes mais energia do que recebe do Sol. Dotado de um sistema particular de dezesseis luas, Júpiter passou a ser um alvo importante das sondas espaciais. Quatro delas, as Pioneer 10 e 11 e as Voyager 1 e 2, mostraram imagens fantásticas da atmosfera multicolorida desse planeta, que lhe dão a aparência de um ovo de Páscoa achatado, pintado a mão.
Júpiter é conhecido desde a Antiguidade, por ser o segundo astro mais brilhante no céu (depois de Vênus e, naturalmente, sem contar o Sol e a Lua), podendo portanto ser localizado facilmente a olho nu. Além disso, seus satélites, todos com nomes de amigos e amantes dos deuses, foram avistados por Galileu (1564-1642) há mais de trezentos anos com uma simples luneta. Mas Barroso não se limita a observar. Ele está engajado num projeto coordenado pelo astrônomo francês Jean Arnot e com a participação de pesquisadores de várias partes do mundo que usam a técnica de fotometria rápida, ou seja, a análise das variações da intensidade de luz recebida dos satélites em intervalos de milésimos de segundo. Com esse método é possível calcular a posição das luas de Júpiter com uma precisão de 100 quilômetros — menos da metade da distância do Rio a Brazópolis.
Devido à extraordinária precisão dos seus instrumentos, a Galileo — cujo nome presta homenagem ao cientista que descobriu as luas de Júpiter — deve percorrer dez órbitas em volta do planeta. Durante quase dois anos, essa maravilha de pouco mais de 1 metro de diâmetro colecionará imagens mil vezes mais próximas e com uma resolução dezenas de vezes mais nítida do que as produzidas pelas sondas que a antecederam. Seu programa inclui ainda uma acrobacia suicida. Baseado numa experiência semelhante realizada em 1978 pela sonda Pioneer 1 em Vênus, uma parte da nave deve se separar do corpo principal e mergulhar na atmosfera de Júpiter.
Construída para resistir a pressões vinte vezes maiores que as existentes na Terra, a minissonda descerá no planeta a uma estonteante velocidade de 200 mil quilômetros por hora até que a desaceleração torne possível a abertura de um pára-quedas. Antes que seja destruída, a cápsula enviará à NASA uma série de dados sobre a estrutura física da atmosfera de Júpiter. Será um dossiê e tanto. Pois, por tudo o que se sabe, Júpiter é um planeta muito peculiar. Nele não existem montanhas, vales, vulcões ou lagos subterrâneos. Apenas um vasto oceano de gás e nuvens densas. Por causa disso, sua atmosfera mais parece com repulsiva fumaça que exala do caldeirão de uma feiticeira dos velhos contos infantis de terror.
Abraçando todo o planeta, se estendem camadas e mais camadas de nuvens de centenas de quilômetros de espessura. Como na Terra, ali as correntes de ar se deslocam dos pólos para o equador a baixas altitudes e do equador para os pólos a altitudes mais elevadas. Mas pára aí a semelhança. Em Júpiter, as faixas ascendentes são brancas e provavelmente têm em sua composição cristais de amônia. As mais profundas e quentes, de cor marrom-avermelhada, podem conter cristais de fósforo, enxofre ou, não é impossível, até mesmo alguma substância orgânica. Como tudo o que se refere a Júpiter é exagerado, sua rotação também é a mais rápida do sistema solar.
O planeta tem o diâmetro onze vezes maior que o da Terra; no entanto gira em torno do seu eixo em menos da metade do tempo.Perto do equador de Júpiter avista-se, com o auxílio de telescópios, uma das mais misteriosas peculiaridades desse carrossel climático: a Grande Mancha Vermelha, conhecida desde 1610 e cuja área é quase igual à da Terra.Esse mundo de gases deve ter no centro uma massa informe de rocha e ferro. Em volta dela, numa zona onde o calor chega a 400 graus Celsius e onde a pressão é inconcebíveis 3 milhões de vezes maior que a da atmosfera da Terra, deve existir um grande oceano derretido e escuro de hidrogênio. Nessas condições, afirmam os físicos, o hidrogênio, embora líquido, se torna um condutor elétrico como qualquer metal, com a peculiaridade de não oferecer resistência à passagem de correntes, como se fosse uma cerâmica supercondutora. O que alguns planetas têm demais, em outros não existe. Na Terra, por exemplo, sonha-se com a produção em laboratório de hidrogênio supercondutor a altas temperaturas, o que levaria a uma revolução na indústria eletrônica. Em Júpiter, o hidrogênio metálico é tão abundante que dele se origina o campo magnético do planeta, que, para variar, é também o maior do sistema solar. Além disso, recebe os vapores de enxofre ionizados na atmosfera, provenientes dos vulcões em atividade do satélite Io. Quando passar por Júpiter, a Galileo vai analisar as partículas do campo magnético e medir sua densidade e carga elétrica. Ganimedes também é uma mistura de rocha e gelo parcialmente coberta de crateras. Ali, o derramamento de lavas vulcânicas limpou uma parte da superfície, deixando áreas claras e escuras, estas últimas as mais esburacadas. Europa, um globo onde o chão é coberto de pólo a pólo com o que parece uma teia de aranha, lembra a rede de canais que os terrestres mais imaginosos pensavam ter sido construída pelos hipotéticos habitantes de Marte. Europa já foi inteirinho coberto de gelo. Hoje sua carapaça possui rachaduras, espécies de janelas que permitem a passagem da luz.Nas fotos das Voyagers podem ser vistos vulcões gelados que lançam cristais de gelo e água no céu de Europa. Por isso, cientistas da Associação Americana de Geofísica formularam a ousada hipótese de que a luz, penetrando nas rachaduras, poderia assegurar a sobrevivência de microorganismos em oceanos subterrâneos do satélite, como aqueles encontrados sob o gelo perpétuo que cobre os lagos antárticos da Terra. O mais colorido de todos os satélites de Júpiter chama-se Io e tem o tamanho da Lua terrestre. Queimado de amarelo e vermelho e salpicado de pontos negros, ou vulcões, Io já foi comparado a uma pizza descomunal. O calor gerado pela enorme força gravitacional de Júpiter, do qual está muito próximo, detona explosões de enxofre e sulfeto de enxofre do seu interior. Quando isso acontece, o material jorra dos vulcões a quilômetros de altura para depois voltar sob a forma de neve sulfúrica. Io tem atmosfera — uma raridade entre os satélites do sistema solar compartilhada apenas por Titã, de Saturno, e Tritão, de Netuno — composta de uma fina camada de dióxido de enxofre. Diante de tanto enxofre, os especialistas da NASA costumam brincar que se Io fosse realmente uma pizza teria um insuportável cheiro de ovo podre.Se os quatro grandes satélites de Júpiter fossem do tamanho de uma bola de futebol, os doze menores não passariam de um grão de areia.Quase uma estrela dotado de uma família de satélites e influenciando os astros a seu redor, Júpiter pode mesmo ser considerado um sistema solar em miniatura — se é que essa palavra pode ser aplicada a um corpo tão gigantesco.