14.126 – Astrofísicos detectam ‘sol’ que poderia ter planeta gêmeo da Terra


terra e lua
Uma equipe científica internacional descobriu um irmão do Sol em idade e composição química. Pesquisadores enfatizam não ser simplesmente um irmão, mas um gêmeo solar, porque a estrela poderia ter um planeta semelhante ao nosso.
“Se tivermos sorte, e a nossa estrela irmã do Sol tiver um planeta, e o planeta for rochoso, na zona de habitabilidade, e finalmente, se esse planeta tiver sido ‘contaminado’ pelas sementes de vida da Terra, então temos o que nós sempre sonhamos — uma Terra 2.0, a orbitar um Sol 2.0”, comentou o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais (IA) de Portugal, Vardan Adibekyan.
Segundo asseguram os pesquisadores, irmãos solares são bons candidatos à busca de vida, uma vez que existe a possibilidade de que a vida tenha sido transportada entre planetas ao redor das estrelas do aglomerado solar. A transferência de vida entre sistemas exoplanetários é chamada de panspermia interestelar.
“Alguns modelos teóricos mostram uma probabilidade não negligenciável da vida se ter espalhado a partir da Terra, até outros planetas ou sistemas exoplanetários, durante o período de bombardeamento tardio do Sistema Solar”, observou o astrofísico.
Irmãos solares são milhares de estrelas formadas no mesmo aglomerado que o Sol há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Com o tempo, as estrelas do aglomerado se dissolvem e se dispersam por toda a nossa galáxia, portanto, é muito difícil encontrá-las.
Para detectar o novo irmão solar, denominado HD 186 302, de idade e composição química semelhante ao do nosso Sol, cientistas analisaram 230.000 dados espectrais do projeto AMBRE e informações da missão ESA Gaia.
A equipe do IA planeja iniciar uma missão de busca planetária em torno dessa estrela usando os espectrógrafos HARPS e ESPRESSO5.

13.966 – Por que os Planetas são Redondos?


terra e lua
A esfera é a mais estável de todas as formas geométricas encontradas na natureza e, por isso, as partículas necessitam da menor quantidade de energia para chegar a esse formato.
Mas o que torna a esfera tão estável? “Ela é a única figura onde todos os pontos da superfície estão à mesma distância do núcleo”. Para os planetas, isso é imprescindível.
Como são corpos com uma quantidade enorme de massa, eles têm um campo gravitacional fortíssimo, que suga tudo para o seu centro. Assim, o formato esférico é a única maneira de garantir que o que está na superfície não seja sugado para o centro do planeta pela força da gravidade.
Os planetas, no entanto, não são esferas perfeitas. A distorção no formato original acontece por causa do movimento de rotação, que os achata um pouco perto dos pólos.

13.550 – Astrofísica – Pressão Atmosférica em de Júpiter


jupiter glif
É a maior atmosfera planetária do Sistema Solar. É composta principalmente de hidrogênio molecular e hélio em proporções similares às do Sol. Outros elementos e compostos químicos estão presentes em pequenas quantidades e incluem metano, amônia, sulfeto de hidrogênio e água. Embora acredite-se que a água esteja presente nas profundezas da atmosfera, sua concentração é muito baixa. A atmosfera joviana também possui oxigênio, nitrogênio, enxofre e gases nobres. A abundância destes elementos excede três vezes a do Sol.
De baixo para cima, as camadas atmosféricas são troposfera, estratosfera, termosfera, e exosfera. Cada camada possui seu gradiente de temperatura característicos.
A camada mais baixa, a troposfera, possui um sistema complicado de nuvens, com camadas de amônia, hidrosulfeto de amônia, e água. As nuvens superiores de amônia são visíveis da superfície do planeta, e estão organizadas em um sistema de bandas paralelas ao equador, sendo limitadas por fortes correntes atmosféricas (ventos) conhecidas como jatos. As bandas alternam-se em cor: as bandas de cor mais escuras são chamadas de cinturões, enquanto as bandas de cor mais clara, de zonas. Zonas, que são mais frias que cinturões, correspondem às regiões nas quais o ar está movendo para cima, enquanto nos cinturões o ar está movendo em direção ao interior do planeta. Acredita-se que a cor das zonas seja o resultado de gelo de amônia; não se sabe ainda com certeza o mecanismo que dão aos cinturões suas cores típicas.
A atmosfera jupiteriana possui vários tipos de fenômenos ativos, incluindo instabilidades das bandas, vórtices (ciclones e anticiclones), tempestades e raios.
A circulação atmosférica em Júpiter é significantemente diferente da circulação atmosférica terrestre. O interior de Júpiter é fluido, e não possui nenhuma superfície sólida. Portanto, convecção pode ocorrer na camada de hidrogênio molecular do planeta. Nenhuma teoria compreensiva sobre a dinâmica da atmosfera jupiteriana foi desenvolvida até o presente. Uma teoria bem sucedida deste tipo precisa responder às seguintes questões: a existência de bandas e jatos estáveis estreitos e relativamente simétricos em relação ao equador jupiteriano; o forte jato prógrado observado no equador; a diferença entre cinturões e zonas; e a origem e a persistência de grandes vórtices tais como a Grande Mancha Vermelha.
Júpiter radia mais calor do que recebe do Sol, fato conhecido desde 1966. Estima-se que a razão entre o poder emitido pelo planeta e o poder absorvido do Sol é de 1,67 ± 0,09. O fluxo de calor interno de Júpiter é de 5,44 ± 0,43 W/m², enquanto o poder total emitido pelo planeta é de 335 ± 26 petawatts. O último valor é aproximadamente iqual a um bilionésimo do valor do poder total radiado pelo Sol. Este excesso de calor é primariamente calor primordial proveniente da formação do planeta, mas pode resultar também da precipitação de hélio no interior do planeta.
Os primeiros astrônomos, utilizando pequenos telescópios com olhos como detectores, registraram as mudanças de aparência da atmosfera de Júpiter. Os termos utilizados para descrever as características da atmosfera jupiteriana — cinturões, zonas, manchas vermelhas e marrons, plumas, jatos — ainda são utilizados. Outros termos, tais como vorticidade, movimento vertical, altura das nuvens, entraram em uso depois, no século XX.
As primeiras observações da atmosfera jupiteriana em resoluções maiores do que as possíveis com telescópios terrestres foram tomadas pelas sondas Pioneer 10 e Pioneer 11, embora as primeiras imagens em detalhes da atmosfera jupiteriana foram tomadas pelas sondas Voyager 1 e Voyager 2. As Voyagers tomaram imagens com resolução de até 5 km, em vários espectros, e também criaram filmes de aproximação, mostrando a circulação atmosférica jupiteriana. A sonda Galileu observou menos a atmosfera jupiteriana, embora suas imagens tenham tido, em média, uma resolução maior, e um espectro mais diversificado do que as imagens tomadas pelas Voyagers.
Atualmente, astrônomos possuem acesso contínuo à atividade atmosférica de Júpiter graças a telescópios tais como o Hubble.
Júpiter é composto principalmente de hidrogênio, sendo um quarto de sua massa composta de hélio, embora o hélio corresponda a apenas um décimo do número total de moléculas. O planeta também pode possuir um núcleo rochoso composto por elementos mais pesados, embora, como os outros planetas gigantes, não possua uma superfície sólida bem definida.
Júpiter é observável da Terra a olho nu, com uma magnitude aparente máxima de -2,94, sendo no geral o quarto objeto mais brilhante no céu, depois do Sol, da Lua e de Vênus.
Júpiter possui a maior atmosfera planetária do Sistema Solar, com mais de 5 000 km de altitude.
Como o planeta não tem superfície, a base de sua atmosfera é considerada o ponto em que sua pressão atmosférica é igual a 100 kPa (1.0 bar).
Júpiter é o planeta de maior massa (318 vezes a massa da Terra, mais que todos os outros planetas juntos) e maior raio (cerca de 71500 km, 11 vezes o raio terrestre). Na verdade, Júpiter é tão grande que se pensa poder ser uma estrela abortada – não tem ainda a massa suficiente para que as forças gravitacionais pudessem começar a fusão nuclear. Outro elemento em favor desta teoria é a composição da atmosfera joviana: 90% de hidrogénio, 10% de hélio e vestígios de metano, dióxido de carbono, água, amónia e silicatos – não muito diferente da Nebulosa Solar primordial. Assim, se Júpiter fosse maior (cerca de 80 vezes maior), o nosso Sistema Solar teria uma estrela dupla Sol-Júpiter.

A massa de Júpiter é suficientemente grande, contudo, para ter efeitos sobre todo o Sistema Solar. Na Terra, por exemplo, uma análise matemática das marés mostra que, para além do efeito dominante, bem conhecido, da Lua, há um segundo efeito de origem solar (embora o Sol esteja muito distante, a sua massa é bastante para se fazer sentir) e um terceiro efeito, muito mais fraco mas claramente originado por Júpiter. A cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter, deve-se ao efeito de maré de Júpiter, que não permitiu que os planetesimais se aglutinassem num planeta. É também este efeito de maré que mantém ativo o vulcanismo de Io, a mais interna das luas galileanas de Júpiter. Como a composição de Júpiter é essencialmente gasosa, o seu raio é definido arbitrariamente como o raio da isóbara de 1 bar, posição que não corresponde a nada de sólido. As imagens que vemos do planeta correspondem aos topos das nuvens.

jupiter figura

14.456 – Astronomia – Mesmo “do lado” do Sol, Mercúrio abriga gelo


mercurio1
Sabe quando o dia está tão quente que algum engraçadinho tenta fritar um ovo no asfalto? Bem, em Mercúrio, o ovo viraria pó. E o engraçadinho também. Quanto ao asfalto… bem, voltaria ao estado líquido (ou até gasoso). Durante o dia, a temperatura na superfície do menor planeta do Sistema Solar chega a 426ºC – mais ou menos o dobro do que alcança uma frigideira em um almoço terráqueo comum.
É mais quente do que nós conseguimos imaginar, mas dá para entender: o astro está a “só” 57,9 milhões de quilômetros do Sol, 3 vezes menos do que nós. Que boca de fogão é páreo para isso?
O que é um pouco mais difícil de entender é como, em lugar tão quente, pode existir gelo – sim, água no estado sólido – ao ar livre. Pois foi essa a conclusão de um artigo científico publicado na por pesquisadores da Universidade Brown, nos EUA.
Vamos dividir a explicação em duas partes. Primeira: ao contrário da Terra, que por causa de sua atmosfera é capaz de reter o calor do dia ao longo da noite, a superfície de Mercúrio está em contato direto com o vácuo em seu entorno. Isso significa que, apesar da temperatura absurda durante o dia, as noites lá também são consideravelmente mais frias que as nossas – a mínima recorde é – 173ºC. Sim, negativos.
Se a diferença entre dia e noite é tão extrema, é de se esperar que a diferença de temperatura entre locais com sombra e locais iluminados, mesmo durante o dia, também seja razoável. Sabe quando você está suando ao ar livre, mas acaba colocando uma blusinha quando chega a um lugar coberto? Pois é, multiplique essa sensação.

A superfície de Mercúrio, como a da Lua, é cheia de crateras – algumas bastante fundas. Crateras fundas são um ótimo depósito para líquidos. Além disso, dependendo de sua posição geográfica na superfície do planeta, elas são capazes de fornecer uma sombra mais ou menos constante ao que estiver em seu interior. Uma cratera próxima ao equador (baixa latitude) não é muito refresco: nela, a luz solar sempre incidirá diretamente no buraco, mesmo que apenas por um breve período do dia. Já uma próxima dos polos (alta latitude) sempre formará uma sombra. Isso tem a ver com o ângulo que a luz da estrela atinge a superfície do planeta.

Além disso, é preciso lembrar que o eixo de rotação de Mercúrio, ao contrário do da Terra, não é inclinado em relação a seu plano de órbita. Em bom português, isso significa que não há estações por lá: todos os pontos de sua superfície são atingidos pela luz na mesma proporção ao longo do ano (que dura apenas 88 dias). Por causa disso, o grau de exposição ao Sol nos polos do planeta é constante – o que ajuda a estabilizar o gelo do interior das crateras que estão no ângulo ideal para se proteger da luz solar. Em outras palavras, surgem pequenos pontos de sombra (ou noite) eterna nas falhas mais fundas.

Foi justamente apontando os telescópios para essas crateras polares que, na década de 1990, astrônomos viram reflexos que poderiam ser explicados de forma satisfatória pela presença de lençóis de gelo. Fazendo uma análise criteriosa dos dados colhidos pelo altímetro da sonda Messenger, que operou até 2015 na órbita de Mercúrio, o pesquisador responsável pelo estudo mais recente, Ariel Deutsch, confirmou essa suspeita, e calculou que a área total coberta pelos três principais depósitos de gelo encontrados é de 3,4 quilômetros quadrados – mais que o dobro do município de São Paulo. Outros quatro depósitos, menores, têm cerca de cinco quilômetros de diâmetro cada um.

Além dos lençóis em si, abrigados no interior das falhas geológicas, os dados de refletividade da superfície no entorno delas também revelaram pontos isolados de água, ainda que em quantidades bem menores. “Nós sugerimos que essa reflexão mais intensa é causada por concentrações de gelo de pequena escala que estão espalhadas pelo terreno”, explicou Deutsch em comunicado. “Costumávamos a pensar que o gelo na superfície de Mercúrio existe predominantemente em grandes crateras, mas nós temos evidências de que também há pequenos depósitos.”

13.311 – Astronomia – Os 5 planetas mais extremos já descobertos


mais-frio

 
O mais frio
OGLE-2005-BLG-390Lb se parece com o código serial de algum videogame, mas é o nome de batismo do planeta mais frio já identificado pelos cientistas. O nome esquisito é mesmo culpa da falta de criatividade dos astrônomos. Toda essa frieza, porém, você pode colocar na conta do astro que o exoplaneta orbita, uma anã vermelha – tipo mais frio de estrela. Para ir para lá, precisaríamos mais do que um casaquinho: a temperatura chega a atingir os 223ºC – negativos, é claro.

O mais quente
A descoberta do mais esquentadinho é notícia recente – os cientistas identificaram o KELT-9b em 2016. Por lá, um dia comum tem temperatura na casa dos 4327 ºC. Para registrar temperaturas tão altas, o planetinha conta com um gerador potente: seu Sol (o quase xará KELT-9) é 2.5 vezes maior que o nosso.

O mais antigo
Quando o PSR B1620-26 b nasceu, isso tudo que hoje a gente chama de universo era mato. O apelido que recebeu dos cientistas, Matusalém, faz referência a um personagem bíblico, considerado o homem que mais tempo viveu. Comparados com esse planeta, no entanto, os 969 anos do personagem não dão nem para o cheiro. Cerca de 2.5 vezes maior que Júpiter esse ancião já conta cerca de 12.7 bilhões de anos.

O menor
O Kepler-37 foi identificado em fevereiro de 2013. Quase do tamanho da Lua, é menor do que Mercúrio e tem um terço do tamanho da Terra. Definitivamente não é dos melhores lugares do universo para programar uma visita nas férias de verão. Além da distância (demorados 210 anos-luz), você teria de encarar 426°C de temperatura.

O maior
Esqueça Júpiter. O DENIS-P J082303.1-491201 b é mais de 28 vezes maior. De tão grande, há cientistas que questionam a classificação atual do planeta, propondo que o gigante gasoso talvez devesse ser considerado uma anã marrom. Sua descoberta foi anunciada em agosto de 2013.

13.309 – Astronomia – Júpiter é o maior e também o primeiro planeta do Sistema Solar


Jupiter_1
De acordo com um grupo internacional de cientistas, Júpiter já girava ao redor do Sol apenas um milhão de anos depois do início de nosso Sistema Solar, há 4,6 bi. O planeta, porém, tinha uma cara bem diferente da que tem hoje – 15 vezes menor que sua versão atual, e com um apetite voraz por gás e poeira
O estudo foi o primeiro a explicar a formação de Júpiter com dados medidos em laboratório. Diferente do que dá para fazer com a Lua, Marte ou a própria Terra, não conseguimos aterrissar no planetão para descolar um pedaço do gigante e estudá-lo sob o microscópio. A saída, então, foi recorrer a análise química de meteoritos antigos para cravar sua data de aniversário.
Após a explosão que originou o Sol, uma grande nuvem de gás e poeira tomava conta do Sistema Solar. O acúmulo contínuo desses detritos em um núcleo rochoso possibilitou a formação de Júpiter – que um milhão de anos depois de estrear em nosso Sistema Solar já tinha peso 20 vezes maior que o terrestre (hoje, nosso vizinho é 317 vezes mais pesado que a Terra).
Todo esse tamanho foi suficiente para “abrir um buraco” na nuvem de poeira criada na juventude do Sol. A gravidade de Júpiter impedia corpos celestes (como meteoritos) de chegarem perto de sua órbita. Isso criou, então, dois anéis empoeirados diferentes: um ficava de Júpiter para frente, e outro estava atrás do planeta. Isolados, ambos os reservatórios não trocavam material entre si por conta do sentinela gasoso.
Sem os planetas irmãos para atrapalhar o acesso à refeição empoeirada, Júpiter foi crescendo, e 3 milhões de anos depois de nascer, já era 50 vezes maior que a Terra. Por ter se aproximado mais do Sol, tornou-se menos resistente à passagem de asteroides, permitindo que meteoritos que estavam em anéis diferentes voltassem a se misturar. Hoje, sabe-se que esses corpos celestes estão concentrados entre Júpiter e Marte – e eventualmente dão seus alôs por aqui, assustando todo mundo ao passar perto da órbita da Terra.
Os cientistas conseguiram descobrir toda essa relação complexa analisando os isótopos de molibdênio e tungstênio em 19 meteoritos. A partir dessas características químicas, conseguiu-se determinar não só a idade de cada um (entre 1 e 4 milhões de anos mais novos que o Sol), mas também o reservatório que cada um habitava.
O fato é que, ainda que a passos curtos, vamos descobrindo cada vez mais informações sobre o vovô de nosso Sistema Solar. Com a sonda Juno, que permanecerá mais uns meses orbitando Júpiter, dá para dizer que estamos mais íntimos do que nunca do planetão – mesmo que observando a 1.26 milhão de milhas de distância.

13.256 – Bioastronomia – Sistema Solar reside num pequeno oásis galáctico para a vida


sol-galaxia-ressonancia
Segundo um estudo recente, o Sistema Solar está localizado no lugar certo da Via Láctea para permitir a existência de vida — um “oásis” relativamente pequeno em meio a uma galáxia largamente inóspita.
O trabalho, aceito para publicação no periódico “Astrophysical Journal”, foi liderado por Jacques Lépine, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, e envolveu a combinação entre dados precisos de posições de estrelas jovens e cálculos detalhados de suas órbitas ao redor do centro galáctico.
A Via Láctea é uma galáxia espiral de porte respeitável, com cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro e pelo menos 100 bilhões de estrelas, das quais o Sol é apenas uma. Todas elas estão em órbitas ao redor do núcleo da galáxia, onde reside um enorme buraco negro. Mas nosso astro-rei está bem afastado do centro, localizado a 26 mil anos-luz de lá — mais ou menos a metade do caminho até a periferia galáctica.
Há algumas décadas, ao analisarem as diferenças circunstanciais entre as regiões mais centrais da galáxias (com alta densidade de estrelas) e as partes mais afastadas (em geral povoadas por estrelas com baixo conteúdo de elementos mais pesados, como carbono, oxigênio e ferro), os astrônomos começaram a trabalhar o conceito de “zona habitável galáctica” — uma faixa ao redor da Via Láctea onde a potencial presença de vida seria mais favorecida.
O raciocínio básico é que, nas regiões mais internas, devido à grande concentração de estrelas, não só os sistemas planetários estão mais sujeitos a desestabilização por encontrões entre estrelas vizinhas como também existe maior risco de esterilização por explosões de supernovas próximas.
Em compensação, nas regiões mais externas, o problema é a falta de elementos químicos pesados, que são essenciais à formação de planetas habitáveis e, em última análise, de seus potenciais habitantes.
Restaria portanto apenas um anel a uma distância média do centro galáctico que teria as condições certas para a vida. O Sol, naturalmente, estaria nessa faixa.
Em tempos recentes, inclusive, houve pesquisadores defendendo a hipótese de que se podia estabelecer uma correlação entre as extinções em massa que aconteceram em nosso mundo com as potenciais travessias pelos braços galácticos, embora essa conexão nunca tenha sido estabelecida de forma clara. E agora sabemos o porquê.
O estudo dos pesquisadores da USP mostra que, na verdade, o Sol nunca cruza os braços espirais da Via Láctea. Nunca.
De acordo com os cálculos, nossa estrela está presa num padrão de ressonância que faz com que o período de sua órbita — cerca de 200 milhões de anos — seja o mesmo dos braços espirais. Ou seja, se o Sol avança em seu percurso galáctico no mesmo ritmo que o braço de Sagitário, que vem antes dele, e que o braço de Perseu, que vem depois, eles jamais se encontram.
A descoberta também ajuda a explicar a existência de um braço anômalo na nossa região da Via Láctea, chamado de “Braço Local”, que consiste em essência numa estranha fileira de estrelas. Essas são justamente as estrelas que, a exemplo do Sol, ficaram presas nesse padrão de ressonância e também nunca têm um encontro potencialmente desagradável com os braços galácticos.
Se a travessia dos braços realmente oferece perigo para a vida — algo que não sabemos com certeza –, o trabalho deve levar a uma importante revisão do conceito de “zona habitável galáctica”, restringindo-a somente a essas áreas onde as estrelas são capturadas nesse padrão particular de ressonância. De acordo com os pesquisdores, existe um desses “oásis” entre cada um dos quatro braços espirais da Via Láctea — são quatro, portanto.
Confira a seguir uma pequena entrevista que o Mensageiro Sideral fez com Jacques Lépine, o autor principal do estudo.

13.202 – Mais uma superterra na lista dos alvos para a busca por vida fora do Sistema Solar


Um grupo internacional de cientistas anunciou a descoberta de um mundo rochoso, maior que a Terra, orbitando na zona habitável de sua estrela a cerca de 40 anos-luz daqui. O que deixa os pesquisadores empolgados é que sua modesta distância, a exemplo do sistema recém-descoberto Trappist-1, permitirá a busca de sinais de vida por lá nos próximos anos.
A pequena LHS 1140, localizada na constelação austral da Baleia, é uma anã vermelha, com cerca de 15% da massa do nosso Sol. Trata-se de uma estrela já madura, com mais de 5 bilhões de anos, e agora os astrônomos descobriram que ela tem um planeta com diâmetro 40% maior que o da Terra — uma “superterra”, no jargão dos cientistas — que completa uma volta em torno de sua estrela a cada 25 dias.
A descoberta original foi feita com a rede de telescópios MEarth, destinada justamente a buscar planetas similares ao nosso em torno de anãs vermelhas próximas. São dois conjuntos de quatro telescópios de 40 cm de abertura, um instalado no Arizona, no hemisfério Norte, e outro no Chile, no hemisfério Sul. Com isso, os astrônomos têm acesso a 100% da abóbada celeste para as buscas.
Os telescópios fazem descobertas medindo a pequena redução de brilho causada pela passagem de um planeta à frente de sua estrela-mãe, o famoso método dos trânsitos. A técnica é boa para fornecer o diâmetro planetário, mas em geral não permite estimar a massa.

No caso de LHS 1140b, contudo, os astrônomos solicitaram uma bateria de observações com o Harps, um espectrógrafo instalado no telescópio de La Silla, do ESO, também no Chile. É um instrumento que permite medir o bamboleio gravitacional da estrela conforme ela é atraída suavemente, para lá e para cá, por planetas girando ao seu redor. O método é complementar e permite estimar a massa dos planetas, mas não seu diâmetro. Após 144 medidas precisas da chamada “velocidade radial” da estrela (termo técnico para o “bamboleio”), os cientistas puderam estimar que o planeta tem cerca de 6,6 vezes a massa da Terra (com uma margem de erro significativa de 1,8 massa terrestre).
Pode parecer um número enorme, mas lembre-se de que essa massa toda também se distribui por um volume bem maior, porque o diâmetro do planeta é 40% maior que o nosso. Calculando o volume interno de LHS 1140b (lembra da fórmula das aulas de geometria? V=4/3.π.r3), dá cerca de três vezes o terrestre. Nessas horas, é melhor usar o parâmetro da densidade, que é dada pela massa dividida pelo volume. Nesse sentido, podemos dizer que o mundo recém-descoberto é cerca de duas vezes mais denso que o nosso — provavelmente com um núcleo metálico mais avantajado que o da Terra.
De toda forma, em todas as faixas de massa estimadas, o planeta seria rochoso (planetas gasosos têm densidade muito menor) e estaria numa posição do sistema que, em tese, permitiria a presença de água em estado líquido na superfície. Com efeito, em sua órbita, LHS 1140b recebe cerca de metade da radiação que o Sol nos dá — um pouquinho mais do que Marte recebe no Sistema Solar.
E o mais interessante: “Porque LHS 1140 é próxima, telescópios atualmente em construção podem ser capazes de procurar gases atmosféricos específicos no futuro”, escrevem os autores liderados por Jason Dittmann, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos Estados Unidos, em seu artigo na “Nature”.
Com isso, o planeta LHS 1140b se junta aos mundos do sistema Trappist-1 na lista de alvos preferenciais para o Telescópio Espacial James Webb, que deve ser lançado pela Nasa em 2018, assim como para os telescópios de solo de próxima geração, que devem começar a operar na próxima década.
A ideia é que esses futuros equipamentos, mais sensíveis, possam observar a estrela no momento em que o planeta passar à frente dela. Com isso, parte da luz atravessaria a borda da atmosfera planetária, carregando consigo uma “assinatura” dos gases presentes.

12.845 – Cientistas detectam raios X misteriosos vindos de Plutão


plutao-raio-x-nasa_images-shutterstock
Um comunicado da NASA afirma que a descoberta poderá revolucionar tudo o que se acreditava saber sobre a atmosfera do planeta anão.
A essência de Plutão, um astro frio e rochoso, sem campo magnético próprio, faz com que ele não possa emitir raios X naturalmente. Entretanto, é possível que a interação entre os gases que o circundam e o vento solar (partículas carregadas e emitidas pelo Sol em um fluxo contínuo) seja capaz de produzi-los.
O que intriga os astrofísicos responsáveis pela descoberta é a intensidade do sinal detectado. Carey Lisse, pesquisadora do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, explica: “descobrimos que Plutão está interagindo com o vento solar de uma forma inesperada e energética”.
As hipóteses propostas pela equipe de Lisse são duas. Por um lado, eles acreditam que é possível que Plutão possua um armazenamento de gases muito maior do que se imaginava, sendo, definitivamente, um corpo celeste mais próximo a um cometa que a um planeta. Por outro lado, acreditam que, seguindo os princípios de outras teorias físicas, por algum motivo, as partículas carregadas que chegam do Sol totalizariam uma quantidade muito maior do que a esperada e, dadas as características do planeta anão, estariam formando uma espécie de anel energético ao seu redor.

12.789 -NASA encontra vulcão que expele água e sal no planeta anão Ceres


vulcao-ceres
Um vulcão de água gelada com metade do tamanho do Everest. Parece umaatração de parque aquático, mas é a nova arma do asteroide Ceres para ganhar alcançar a fama. A descoberta feita pela equipe de Ottaviano Ruesch, da NASA, foi publicada na Science.
Descoberto no século 19, o irmão de Plutão foi inicialmente alçado ao título de provável décimo planeta do Sistema Solar, mas as definições de planeta anão foram atualizadas, e Ceres acabou rebaixado à mesma categoria do ex-nono planeta.
Para os parâmetros de sua vizinhança, porém, Ceres é bem nutrido: um terço de toda a massa do cinturão de asteroides que fica entre Marte e Júpiter corresponde a ele. Não bastasse o tamanho razoável, ele ainda prega peças nos observadores. Já foram registradas crateras que desapareceram de sua superfície sem deixar vestígios e inexplicáveis manchas brilhantes.
Sua nova carta na manga é o vulcão Ahuna Mons, que, em vez de lava, expele água e sal. Isso mesmo, uma ótima ideia para colocar um pouco de macarrão na mistura e improvisar um jantar cósmico. O nome do vulcão é criovulcão, ou vulcão gelado.
Ninguém o viu em atividade, mas há bons motivos para acreditar que ele estaja ativo, sim: não há atividade tectônica no planeta anão, o que excluí a possibilidade de que uma elevação geográfica tenha se formado pelos mesmos processos que deram origem às cordilheiras terráqueas. E foi possível verificar que a erosão não é significativa. “O único processo que pode formar uma montanha isolada é o vulcanismo”, explicou Rausch ao Business Insider.
Essa é a mais clara evidência de um vulcão gelado já encontrada. E a existência dessa bizarrice cósmica pode revelar detalhes fascinantes das características químicas e geológicas do astro. “Nós haviamos visto pistas de atividade criovulcânica no passado, mas não tínhamos certeza. Essa é uma descoberta importante que restringe as formas como Ceres pode ter se desenvolvido”, afirmou Ruesch ao veículo americano. “A montanha na superfície nos conta o que está acontecendo em seu interior.”
Entre outras possíveis implicações da descoberta, a presença de sal diminui a temperatura de solidificação da água, o que pode explicar a características que resultam da circulação de fluidos mesmo em temperaturas tão baixas (a mínima, por lá, é -106ºC, e a máxima, -34º).

12.658 – Astrônomos descobrem planeta maior do que Júpiter orbitando 3 sóis


planeta-orbitando-tres-sois-1175x500
Nomeado como HD 131399Ab, trata-se de um gigante quatro vezes maior do que Júpiter, 11 vezes maior do que a Terra e que possui em sua órbita três sóis.
Apesar de não ser o primeiro planeta do tipo encontrado, ele está sendo considerado como o mais estranho para os cientistas. Por causa de sua órbita longíssima, de 550 anos, eles acreditam que a luz do dia ali é quase constante, havendo três amanheceres e entardeceres por dia, dependendo da estação, “que pode durar mais do que uma vida humana”, segundo Kevin Wagner, um dos autores da descoberta publicada pela revista Science.
Inabitável para qualquer ser humano, graças as suas temperaturas que podem chegar a 586 °C – o que ainda é considerado frio para o padrão dos exoplanetas – ele ainda é formado por nuvens de pedra de silicado que são do tamanho de cigarros, de acordo com o estudo. Trata-se de um corpo relativamente jovem – de cerca de 16 milhões de anos – que forma um sistema de múltiplas estrelas: uma pouco maior do que o Sol ao centro, duas outras menores que orbitam uma a outra e, entre estrelas menores, está o HD 131399Ab.
A preocupação dos cientistas, no entanto, é que esses sistemas costumam ser instáveis, já que as forças gravitacionais das estrelas competem entre si. Nessa disputa, nenhuma delas costuma levar a melhor, porque os planetas acabam sendo ejetados. Agora, a partir dessa descoberta, os pesquisadores acreditam que esse tipo de planeta seja mais comum do que se pensava.
“Pessoalmente, estou mais interessado na órbita do planeta”, disse Wagner ao The Atlantic. “É improvável, mas existe uma chance de o sistema não ser tão estável quanto achamos que é, e até que ele nem orbite as estrelas. Em alguns anos, poderemos ver como ele se move e aí poderemos ter certeza”.

12.487 -Astronomia – Nasa descobre 1.284 novos planetas fora do Sistema Solar


planetas-fora-sistema-solar
A Nasa anunciou a descoberta de 1.284 novos planetas fora do Sistema Solar – é o maior conjunto de novos planetas já anunciado, de uma só vez, pela agência espacial. Eles foram vistos pelo telescópio espacial Kepler e, do total, 550 planetas podem ser rochosos, como a Terra, e nove deles estão em zona potencialmente habitável – ou seja, ficam a uma distância tal de suas estrelas que possibilitam a ocorrência de temperaturas ideais para que exista água líquida sobre a superfície, principal condição para o surgimento de vida. Com esses nove, atualmente são 21 os planetas potencialmente habitáveis já identificados no Universo – os melhores candidatos a uma “nova Terra”.
“Este anúncio mais do que duplica o número de exoplanetas descobertos pelo telescópio Kepler”, afirmou Ellen Stofan, cientista-chefe da agência espacial americana, em um comunicado. “Isso nos dá esperança de que em algum lugar lá fora, em torno de uma estrela muito parecida com a nossa, poderemos, eventualmente, descobrir uma outra Terra.”
Candidatos a Terra – A análise foi publicada nesta terça-feira no periódico Astrophysical Journal e feita com 4.302 “candidatos a planeta”, nome que recebem os dados do telescópio que indicam a probabilidade da existência de um planeta orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. Por meio de uma nova metodologia estatística, o astrofísico Timothy Morton, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, conseguiu analisar um grupo grande de candidatos de uma só vez.
Com o novo método, Morton verificou que 1.284 têm uma probabilidade maior que 99% de serem planetas, enquanto 1.327 requerem mais estudos para serem verificados como planetas. O estudo validou ainda 984 candidatos que já haviam sido verificados como planetas por outras técnicas e descartou a existência de 707 planetas, que devem ser algum outro tipo de evento astronômico.
Essas análises são possíveis porque o observatório espacial Kepler, lançado em 2009, monitora 150.000 estrelas em busca de sinais de planetas, particularmente aqueles que poderiam ser capazes de sustentar a vida. O instrumento capta o escurecimento da luz da estrela, conhecido como trânsito, cada vez que um planeta passa orbitando diante dela. É um evento semelhante ao trânsito de Mercúrio que pode ser observado nesta semana – o telescópio percebe a diminuição da luminosidade da estrela quando algum objeto passa por ela.
Dos cerca de 5.000 candidatos a planetas encontrados até agora, mais de 3.200 já foram verificados pelos cientistas – 2.325 deles foram descobertos pelo Kepler.

12.472 -Astronomia – Mais sobre os Exoplanetas


vida_no_espaco_0
Dessa vez, a descoberta vai além da mera possibilidade: na Bélgica, um grupo de cientistas encontrou três planetas muito parecidos com a Terra – e, pela primeira vez, são astros que permitem que se estude a atmosfera local para determinar se há ou não vida por lá.
Os planetas estão a cerca de 36 anos-luz de distância da Terra, e orbitam uma estrela batizada de Trappist-1, que é bem menor, menos brilhante e mais fria do que o nosso Sol. Os planetas, que têm quase o mesmo tamanho da Terra, estão quase 100 vezes mais próximos da Trappist do que nós do Sol. A tal estrela foi descoberta por um time de astrônomos da Universidade de Liège, na Bélgica, fica na constelação de Aquário, e é tão pequena que sequer pode ser vista a olho nu daqui.
Mas é justamente por isso que a descoberta é tão importante. O raciocínio é o seguinte: para determinar se um planeta pode ou não abrigar vida, os cientistas precisam estudar os gases que formam a atmosfera local. Para isso, eles analisam a deformação da luz no planeta – a lógica é que, como cada gás deforma a luz de um jeito específico, dá para determinar que gases estão presentes por ali. O problema disso é que as estrelas maiores e mais quentes, que costumam ser as primeiras apostas para procurar vida, ofuscam tudo o que estiver próximo a elas (mais ou menos como o Sol durante o dia, aqui na Terra), o que torna impossível essa análise de gases. E aqui está a novidade: a Trappist é tão escura e pequena que os astrônomos conseguem enxergar o caminho da luz nos três planetas e determinar a composição gasosa de cada atmosfera. Bingo!
O engraçado é que, até agora, ninguém havia prestado muita atenção na tal estrelinha. Mas foi só observar o sistema um pouco mais para perceber que uma organização planetária desse tipo nunca havia sido encontrada antes. Por isso, os cientistas belgas estão otimistas: no artigo em que revelam a descoberta, eles concluem dizendo que “se vamos começar a procurar vida na galáxia, este com certeza é o melhor lugar”.

12.463 – Astronomia – Descoberto grupo de 3 planetas habitáveis


plan hab
Um grupo internacional de astrônomos anunciou a descoberta de três planetas potencialmente habitáveis.
No entanto, o press release produzido pelo ESO (Observatório Europeu do Sul) “vendeu” esses mundos como “potencialmente habitáveis”. Eles estão mentindo? É uma pegadinha? Não, é só uma consequência de estudarmos planetas num sistema tão radicalmente diferente do nosso.

A estrela Trappist-1 é o que os cientistas chamam de anã vermelha ultrafria, com temperatura superficial de cerca de 2.300 graus Celsius e apenas 8% da massa do Sol. É uma estrelinha, cujo diâmetro é mais parecido com o de Júpiter do que com o solar. Por consequência, o sistema também se parece mais com o das grandes luas jovianas do que com o espaçoso Sistema Solar. Os três planetas que cruzam ocasionalmente à frente da estrela — e com isso “entregam” sua existência a telescópios na Terra — provavelmente estão numa trava gravitacional, o que significa que eles têm a mesma face virada para a estrela o tempo todo (como Io, Europa, Ganimedes e Calisto fazem com Júpiter, e a nossa Lua faz com a Terra).
Na prática, isso quer dizer que os planetas Trappist-1b, 1c e 1d podem ter uma face que fica permanentemente sob seu sol e outra que reside em tempo integral na escuridão. Alguns modelos sugerem que, em mundos assim, o hemisfério iluminado seja quente demais, o escuro seja frio demais, e uma pequena faixa “maomeno” exista entre o dia e a noite — um potencial oásis habitável num planeta de resto bastante hostil à vida.
SERÁ?
Aí é que entra o charme da descoberta. Não teremos de especular sobre isso durante centenas de anos, como fizemos sobre todo esse assunto de exoplanetas nos últimos quatro séculos. A partir de 2018, quando o Telescópio Espacial James Webb for lançado ao espaço pela Nasa, esses três planetas em Trappist-1 serão alvos preferenciais para pesquisa.
Eles preenchem três critérios essenciais: orbitam estrelas pequenas, passam à frente de suas estrelas com relação ao nosso ponto de vista e têm o tamanho que nos interessa, sendo mundos potencialmente rochosos.
Quando um desses mundos transita pela estrela, a luz dela que passa de raspão pela atmosfera do planeta carrega consigo — em nossa direção — uma assinatura de sua composição, além de várias outras informações a respeito do planeta. É o chamado “espectro de transmissão”, que o novo telescópio espacial da Nasa poderá detectar com grande precisão.
“Dados do Telescópio Espacial James Webb devem produzir fortes parâmetros-limite para massas planetárias [que permitirão estimar a estrutura interna desse mundos], temperaturas atmosféricas [para testar nossos modelos de zona habitável], e abundâncias de moléculas com grandes bandas de absorção, inclusive vários biomarcadores [indicativos de vida] como H2O [água], CO2 [dióxido de carbono], CH4 [metano] e O3 [ozônio]”, escrevem os autores em seu artigo científico.
Planetas como os que existem em torno de Trappist-1 são os que nos darão a primeira chance de começar a de fato comparar sistemas vizinhos ao nosso, indo além dos parâmetros básicos como características gerais da estrela e tamanho e massa dos planetas circundantes. Poderemos ver se há lá versões de planetas similares a Vênus, se há mundos com faixas habitáveis, se a circulação do calor pela atmosfera se dá conforme nossos modelos e se eles têm um jeitão parecido ou muito diferente, se comparados à Terra e aos planetas solares.
Mais empolgante ainda é o fato de que a busca feita com o telescópio Trappist (acrônimo para TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope), localizado em La Silla, instalação do ESO no Chile, até agora mirou apenas 60 estrelas. Se numa amostragem tão pequena já achamos mundos tão interessantes e ao alcance da próxima geração de telescópios para caracterização, o que podemos esperar das próximas descobertas? Como serão os sistemas Trappist-2, 3 e 4? Não tardará a encontrarmos aí planetas do tamanho da Terra banhados pelo mesmo nível de radiação que nosso mundo ganha do Sol, numa distância que permitirá sondagens mais detalhadas.
Com efeito, a Nasa pretende lançar no ano que vem um telescópio espacial chamado TESS, cujo objetivo é encontrar justamente mais desses alvos preferenciais para posterior caracterização.

planetas hab

12.212 – Descoberto Sistema Solar Gigantesco


sistema_solar
Ele é 222 vezes maior que o nosso. E um ano no planeta solitário que habita o lugar demora 900 mil anos terrestres.

Ele é grande e pequeno ao mesmo tempo. Pequeno porque consiste de apenas um planeta orbitando ao redor de uma estrela. Grande porque a distância que separa os dois é de 1 trilhão de quilômetros. Isso dá quase 7 mil vezes a distância entre a Terra e o Sol, que já é de respeitáveis 150 milhões de km.
Mais: Netuno, o planeta mais distante do nosso sistema, está a 4,5 bilhões de quilômetros do Sol. Em outras palavras: cabem 222 conjuntos Sol-Netuno na distância entre o planeta 2MASS J2126-8140 e sua estrela, a TYC 9486-927-1. “Surpreendeu-nos muito encontrar um objeto de massa baixa tão longe da sua estrela mãe”, disse o pesquisador Simon Murphy, da Universidade Nacional Australiana.

sistema solarWiki commons
Se esse fosse o nosso sistema solar, você nunca teria a chance de fazer um aniversário: um ano lá representa 900.000 dos nossos. A órbita de Netuno, por exemplo, leva “só” 165 anos para dar uma volta completa ao redor do Sol. Na verdade, se o 2MASS J2126-8140 estivesse orbitando o Sol, nós provavelmente nem o teríamos descoberto ainda. O novo planeta que os cientistas dizem ter encontrado fica entre 32 e 160 bilhões de quilômetros de distância. Se levamos esse tempo todo para descobrir esse possível novo integrante, imagina um 30 vezes mais longe.
Até agora, os astronômos imaginavam que o 2MASS J2126-8140 e a TYC 9486-927-1 eram corpos completamente separados, sem nenhuma relação. A distância é tão grande que eles não chegaram a imaginar que ambos poderiam formar um sistema. “O planeta não é tão solitário quanto imaginávamos, mas certamente está em um relacionamento de longa distância”, comenta Murphy.
O sistema solar considerado o maior antes da novidade era três vezes menor. “Como sistemas planetários tão grandes se formam e sobrevivem ainda é uma questão em aberto”, diz o cientista. Ou seja: não fazemos ideia de como ou por que essa aberração está ali. Mas ela está.

12.068 – Cientistas descobrem ‘perto’ da Terra planeta potencialmente habitável


planeta habitavel
Cientistas australianos identificaram um exoplaneta potencialmente habitável a 14 anos-luz da Terra –distância relativamente curta no espaço.
Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul descobriram que o planeta, que tem mais de quatro vezes a massa da Terra, é um dos três que orbitam a estrela-anã Wolf 1061.
“É uma descoberta particularmente animadora pois todos os três planetas têm uma massa baixa o bastante para serem potencialmente rochosos e de superfície sólida. E o planeta do meio, Wolf 1061c, está na zona (chamada de) ‘Cachinhos Dourados’, onde pode ser viável a existência de água em estado líquido –e talvez até vida”, afirmou um dos autores do estudo, Duncan Wright.
A estrela-anã Wolf 1061, que os três planetas descobertos orbitam, é relativamente fria e estável. Os planetas têm orbitas de 5, 18 e 67 dias. As massas são pelo menos 1,4;, 4,3; e 5,2 vezes a da Terra, respectivamente.
O planeta maior fica de fora do limite da área habitável e provavelmente também é rochoso, enquanto que o planeta menor está perto demais da estrela para ser habitável.
Anunciado em fevereiro de 2012, o Gliese 667Cc é outro planeta da classe super-Terra, uma classe de planetas com o tamanho entre os de planetas rochosos como Terra e Marte e os gigantes gasosos Júpiter e Saturno.
O Gliese 667Cc tem cerca de 4,5 vezes a massa da Terra, demora 28 dias para completar a órbita em volta de sua estrela e está a 22 anos-luz.
Pequenos planetas rochosos são abundantes em nossa galáxia, e sistemas com muitos planetas também parecem ser comuns. No entanto, a maioria dos exoplanetas rochosos descobertos até agora estão a centenas –ou até milhares– de anos-luz.

ATMOSFERA
Wittenmyer afirmou que a equipe de cientistas só poderá analisar a atmosfera do planeta quando ele passar em frente à estrela.
“Vamos usar nosso telescópio Minerva para procurar por trânsitos em fevereiro, quando a estrela poderá ser observada de novo. Se (o planeta) transitar (em frente à estrela) será a melhor chance, pois (o sistema) está tão perto (da Terra).”
O cientista afirma que, caso eles consigam observar o planeta em trânsito em frente à estrela Wolf 1061, eles poderão medir seu raio, densidade e atmosfera.
A equipe da Universidade de Nova Gales do Sul conseguiu fazer a descoberta observando a estrela-anã com instrumentos específicos do Observatório Europeu do Sul em La Silla, no Chile.
“Nossa equipe desenvolveu uma nova técnica que melhora a análise de dados deste instrumento preciso, construído para a caça de planetas, e nós estudamos mais de uma década de observações da Wolf 1061”, disse o professor Chris Tinney, chefe do setor de Ciência Exoplanetária da universidade australiana.

12.037 – Astronomias – Marte vai Ganhar Anéis


mars_ring_image2-1024x518
Saturno é considerado por muita gente como a joia do Sistema Solar, e não é à toa. Seu complexo conjunto de anéis lhe concede uma aparência majestosa, quase surreal. Se os planetas tivessem sentimentos, é provável que eles tivessem um sonho de ser como Saturno. Até agora ninguém descobriu nenhuma prova de que uma consciência planetária seja possível, apesar de ser uma ideia fascinante que já foi até explorada pela ficção científica. Mas uma coisa é certa – mesmo sem saber, Marte está perto de realizar este sonho.
É o que sugere uma pesquisa publicada no periódico Nature Geoscience. Em um futuro não tão distante, evidências indicam que o planeta vermelho terá seu próprio sistema de anéis, e isso deve acontecer quando Fobos, a maior das duas luas marcianas, for destruída. A destruição não será provocada por nenhuma Estrela da Morte (assim esperamos), mas por Marte mesmo. Por ter meros 22 quilômetros de diâmetro e estar a apenas 6 mil quilômetros da superfície marciana, Fobos não está resistindo à forte atração gravitacional de seu planeta.
A força é tão intensa que, todos os dias, a órbita da lua perde vários centímetros de sua altitude – a cada século, os astros ficam dois metros mais próximos. Os cientistas já sabiam que, eventualmente, o satélite natural não iria aguentar o tranco. A dúvida era se ele iria despencar inteiro em Marte como um grande asteroide ou se, antes disso, iria se despedaçar. Os pesquisadores consideram o segundo cenário como o mais provável, principalmente devido às compridas listras já visíveis na superfície de Fobos. Essas cicatrizes parecidas com estrias seriam um resultado direto justamente do processo de destruição em andamento: as forças de maré estão corrompendo a estrutura interna da lua.
Um comunicado recente da Nasa previu que a morte deve ocorrer dentro de 30 a 50 milhões de anos. Benjamin Black, cientista planetário da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos autores do estudo, fez uma estimativa um pouco menos conservadora – de 20 a 40 milhões de anos. De qualquer forma, falta muito tempo (para nós, não para o cosmos). Mas quando os pedaços mais fracos começarem a se desfazer, será um show e tanto. “Se você estivesse em pé na superfície de Marte, poderia pegar uma cadeira de jardim e assistir Fobos se esfacelando e se espalhando em um grande círculo”, disse Black a Nature.

Os cálculos levaram em consideração a densidade e a resistência da lua e compararam esses dados a modelos usados para estimar a resistência de rochas. Os resultados apontam que, uma vez formados, os anéis devem permanecer em órbita durante um período de 1 milhão a 100 milhões de anos. Depois disso, os fragmentos da lua vão reentrar na atmosfera marciana. O mais interessante é que os cientistas acreditam que esse processo de “morte lunar” tenha sido extremamente comum no início do Sistema Solar, e agora eles têm a chance de estudá-lo desde o princípio. Hoje mesmo ele pode estar acontecendo em outros lugares, como em Tritão, um dos satélites naturais de Netuno. E é provável que até mesmo o invejado Saturno tenha conseguido seus anéis no passado desse mesmo jeito – à custa de uma de suas luas.

10.881 – Astrobiologia – NASA prestes a anunciar vida em Marte


astrobiologia
A NASA, Agência Espacial Norte-Americana, pode estar prestes a anunciar que a neblina de metano que cobre o planeta Marte é proveniente de vida microscópica sob o solo do planeta.
O anúncio pode ser feito em uma entrevista coletiva na capital Washington, na sede do órgão.
Pesquisadores do mundo todo ficaram empolgados com a ideia de se descobrir vida em Marte após os indícios de água e gelo no planeta. Mesmo sabendo que o metano produzido na Terra vem dos vulcões, os cientistas continuam esperançosos, pois, ao contrário daqui, nenhum vulcão ativo já foi encontrado em Marte.
Para aumentar as expectativas, as maiores quantidades de metano foram encontradas nas mesmas regiões em que há grande quantidade de vapor de água. A presença de água é absolutamente necessária para a existência de vida.
O especialista espacial britânico Nick Pope falou com alguns jornais e demonstrou entusiasmo. “Nós apenas procuramos na superfície até agora. É certo de que há vida lá fora e de que não estamos a sós”, afirmou.

11.776 – Astronomia – Plutão tem dunas mesmo sem vento, descobre sonda da Nasa


sonda
A Nasa retomou o recebimento de imagens feitas pela sonda durante seu sobrevoo de Plutão e suas luas, que ocorreu em 14 de julho de 2015.
A essa altura, a espaçonave já está a mais de 70 milhões de quilômetros do astro, mergulhando cada vez mais profundamente no cinturão de Kuiper –uma coleção de centenas de milhares de pedregulhos dos mais variados tamanhos, remanescentes do processo que deu origem aos planetas.
O sobrevoo de Plutão, por sinal, foi a primeira visita de uma espaçonave a um objeto dessa misteriosa região do espaço na periferia do Sistema Solar.
A segunda visita deve ser protagonizada pela própria New Horizons, em 2019. A Nasa já selecionou um alvo para ser visitado além de Plutão –o pequeno 2014 MU69. O astro tem só 50 km de diâmetro e é “nascido e criado” nessa região do espaço (Plutão, por sua vez, pode ter surgido mais perto do Sol e depois migrado para lá).
Aliás, o sobrevoo também será o primeiro feito por uma espaçonave lançada antes mesmo que seu alvo fosse descoberto –a New Horizons partiu em 2006, e o MU69 foi descoberto no ano passado.
As primeiras manobras da sonda para chegar lá serão executadas no mês que vem, mas a investigação científica ainda pende por aprovação orçamentária. A decisão final só deve acontecer no ano que vem.
A tendência é a aprovação. Na verdade, o plano decadal da Nasa que levou à New Horizons pedia uma missão “ao cinturão de Kuiper”, então não aprovar a extensão até 2019 seria perder a oportunidade de cumprir o objetivo inicial, depois de chegar tão perto e gastar mais de US$ 700 milhões.
Os cientistas devem apresentar um plano detalhado para o segundo sobrevoo em 2016. Enquanto isso, continuam a estudar os mistérios de Plutão.
Os dados colhidos durante aquele frenético encontro ainda estão sendo transmitidos. Depois de uma bateria inicial de imagens comprimidas, logo após o sobrevoo de julho, as transmissões priorizaram dados de telemetria e os pacotes científicos mais “leves”, que não envolviam fotografia.
A partir de agora, começam a “descer” todas as imagens colhidas, em sua resolução máxima. É nessa primeira leva que figuram as dunas de Plutão.
“Dunas em Plutão -se for isso mesmo- é algo completamente inesperado, porque a atmosfera é tão rarefeita…”, disse William McKinnon, da Universidade Washington, em Saint Louis. “Ou Plutão teve uma atmosfera mais densa no passado, ou algum processo que não sacamos está em operação. É de coçar a cabeça.”
Os cientistas ainda têm muito trabalho pela frente. Transmitindo em velocidade de internet discada, a sonda levará um ano para concluir o envio das imagens feitas no sobrevoo.

11.621 – Nasa anuncia descoberta do planeta Terra 2.0


novo_planeta_terra
Cientistas da Nasa anunciaram uma das descobertas mais importantes da história. Agora os pesquisadores estão mais próximos de elucidar o mistério da possibilidade da existência de vida fora da Terra.
A agência espacial americana revelou que foi encontrado fora do sistema solar um planeta muito parecido com o nosso, uma espécie de “Terra 2.0”. O planeta rochoso, batizado de Kepler 452B é 1,5 vezes maior que a Terra e é potencialmente habitável.
O Kepler 452B tem 6 bilhões de anos e seu sistema solar é muito semelhante ao nosso. De acordo com os cientistas, ele recebe 10% mais energia de sua estrela do que a Terra recebe do sol. Jon Jenkins, pesquisador da Nasa, afirmou que devido a essas características o planeta pode abrigar vida ou ao menos já ter abrigado seres vivos no passado. Os anos no Kepler 452B tem a mesma duração dos nossos.
O anúncio foi feito baseado em descobertas feitas pelo telescópio Kepler, com o auxílio de informações coletadas pelo telescópio Hubble, além de outros observatórios avançados. Os cientistas agora vão se debruçar sobre os dados coletados para decifrar os segredos do novo planeta.
Mesmo antes da concreta possibilidade de habitar outro planeta existir, cientistas já iniciaram estudos focados em desenvolver tecnologia para tornar a façanha de “fugir da Terra” possível.