14.456 – Astronomia – Mesmo “do lado” do Sol, Mercúrio abriga gelo


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Sabe quando o dia está tão quente que algum engraçadinho tenta fritar um ovo no asfalto? Bem, em Mercúrio, o ovo viraria pó. E o engraçadinho também. Quanto ao asfalto… bem, voltaria ao estado líquido (ou até gasoso). Durante o dia, a temperatura na superfície do menor planeta do Sistema Solar chega a 426ºC – mais ou menos o dobro do que alcança uma frigideira em um almoço terráqueo comum.
É mais quente do que nós conseguimos imaginar, mas dá para entender: o astro está a “só” 57,9 milhões de quilômetros do Sol, 3 vezes menos do que nós. Que boca de fogão é páreo para isso?
O que é um pouco mais difícil de entender é como, em lugar tão quente, pode existir gelo – sim, água no estado sólido – ao ar livre. Pois foi essa a conclusão de um artigo científico publicado na por pesquisadores da Universidade Brown, nos EUA.
Vamos dividir a explicação em duas partes. Primeira: ao contrário da Terra, que por causa de sua atmosfera é capaz de reter o calor do dia ao longo da noite, a superfície de Mercúrio está em contato direto com o vácuo em seu entorno. Isso significa que, apesar da temperatura absurda durante o dia, as noites lá também são consideravelmente mais frias que as nossas – a mínima recorde é – 173ºC. Sim, negativos.
Se a diferença entre dia e noite é tão extrema, é de se esperar que a diferença de temperatura entre locais com sombra e locais iluminados, mesmo durante o dia, também seja razoável. Sabe quando você está suando ao ar livre, mas acaba colocando uma blusinha quando chega a um lugar coberto? Pois é, multiplique essa sensação.

A superfície de Mercúrio, como a da Lua, é cheia de crateras – algumas bastante fundas. Crateras fundas são um ótimo depósito para líquidos. Além disso, dependendo de sua posição geográfica na superfície do planeta, elas são capazes de fornecer uma sombra mais ou menos constante ao que estiver em seu interior. Uma cratera próxima ao equador (baixa latitude) não é muito refresco: nela, a luz solar sempre incidirá diretamente no buraco, mesmo que apenas por um breve período do dia. Já uma próxima dos polos (alta latitude) sempre formará uma sombra. Isso tem a ver com o ângulo que a luz da estrela atinge a superfície do planeta.

Além disso, é preciso lembrar que o eixo de rotação de Mercúrio, ao contrário do da Terra, não é inclinado em relação a seu plano de órbita. Em bom português, isso significa que não há estações por lá: todos os pontos de sua superfície são atingidos pela luz na mesma proporção ao longo do ano (que dura apenas 88 dias). Por causa disso, o grau de exposição ao Sol nos polos do planeta é constante – o que ajuda a estabilizar o gelo do interior das crateras que estão no ângulo ideal para se proteger da luz solar. Em outras palavras, surgem pequenos pontos de sombra (ou noite) eterna nas falhas mais fundas.

Foi justamente apontando os telescópios para essas crateras polares que, na década de 1990, astrônomos viram reflexos que poderiam ser explicados de forma satisfatória pela presença de lençóis de gelo. Fazendo uma análise criteriosa dos dados colhidos pelo altímetro da sonda Messenger, que operou até 2015 na órbita de Mercúrio, o pesquisador responsável pelo estudo mais recente, Ariel Deutsch, confirmou essa suspeita, e calculou que a área total coberta pelos três principais depósitos de gelo encontrados é de 3,4 quilômetros quadrados – mais que o dobro do município de São Paulo. Outros quatro depósitos, menores, têm cerca de cinco quilômetros de diâmetro cada um.

Além dos lençóis em si, abrigados no interior das falhas geológicas, os dados de refletividade da superfície no entorno delas também revelaram pontos isolados de água, ainda que em quantidades bem menores. “Nós sugerimos que essa reflexão mais intensa é causada por concentrações de gelo de pequena escala que estão espalhadas pelo terreno”, explicou Deutsch em comunicado. “Costumávamos a pensar que o gelo na superfície de Mercúrio existe predominantemente em grandes crateras, mas nós temos evidências de que também há pequenos depósitos.”

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13.311 – Astronomia – Os 5 planetas mais extremos já descobertos


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O mais frio
OGLE-2005-BLG-390Lb se parece com o código serial de algum videogame, mas é o nome de batismo do planeta mais frio já identificado pelos cientistas. O nome esquisito é mesmo culpa da falta de criatividade dos astrônomos. Toda essa frieza, porém, você pode colocar na conta do astro que o exoplaneta orbita, uma anã vermelha – tipo mais frio de estrela. Para ir para lá, precisaríamos mais do que um casaquinho: a temperatura chega a atingir os 223ºC – negativos, é claro.

O mais quente
A descoberta do mais esquentadinho é notícia recente – os cientistas identificaram o KELT-9b em 2016. Por lá, um dia comum tem temperatura na casa dos 4327 ºC. Para registrar temperaturas tão altas, o planetinha conta com um gerador potente: seu Sol (o quase xará KELT-9) é 2.5 vezes maior que o nosso.

O mais antigo
Quando o PSR B1620-26 b nasceu, isso tudo que hoje a gente chama de universo era mato. O apelido que recebeu dos cientistas, Matusalém, faz referência a um personagem bíblico, considerado o homem que mais tempo viveu. Comparados com esse planeta, no entanto, os 969 anos do personagem não dão nem para o cheiro. Cerca de 2.5 vezes maior que Júpiter esse ancião já conta cerca de 12.7 bilhões de anos.

O menor
O Kepler-37 foi identificado em fevereiro de 2013. Quase do tamanho da Lua, é menor do que Mercúrio e tem um terço do tamanho da Terra. Definitivamente não é dos melhores lugares do universo para programar uma visita nas férias de verão. Além da distância (demorados 210 anos-luz), você teria de encarar 426°C de temperatura.

O maior
Esqueça Júpiter. O DENIS-P J082303.1-491201 b é mais de 28 vezes maior. De tão grande, há cientistas que questionam a classificação atual do planeta, propondo que o gigante gasoso talvez devesse ser considerado uma anã marrom. Sua descoberta foi anunciada em agosto de 2013.

13.309 – Astronomia – Júpiter é o maior e também o primeiro planeta do Sistema Solar


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De acordo com um grupo internacional de cientistas, Júpiter já girava ao redor do Sol apenas um milhão de anos depois do início de nosso Sistema Solar, há 4,6 bi. O planeta, porém, tinha uma cara bem diferente da que tem hoje – 15 vezes menor que sua versão atual, e com um apetite voraz por gás e poeira
O estudo foi o primeiro a explicar a formação de Júpiter com dados medidos em laboratório. Diferente do que dá para fazer com a Lua, Marte ou a própria Terra, não conseguimos aterrissar no planetão para descolar um pedaço do gigante e estudá-lo sob o microscópio. A saída, então, foi recorrer a análise química de meteoritos antigos para cravar sua data de aniversário.
Após a explosão que originou o Sol, uma grande nuvem de gás e poeira tomava conta do Sistema Solar. O acúmulo contínuo desses detritos em um núcleo rochoso possibilitou a formação de Júpiter – que um milhão de anos depois de estrear em nosso Sistema Solar já tinha peso 20 vezes maior que o terrestre (hoje, nosso vizinho é 317 vezes mais pesado que a Terra).
Todo esse tamanho foi suficiente para “abrir um buraco” na nuvem de poeira criada na juventude do Sol. A gravidade de Júpiter impedia corpos celestes (como meteoritos) de chegarem perto de sua órbita. Isso criou, então, dois anéis empoeirados diferentes: um ficava de Júpiter para frente, e outro estava atrás do planeta. Isolados, ambos os reservatórios não trocavam material entre si por conta do sentinela gasoso.
Sem os planetas irmãos para atrapalhar o acesso à refeição empoeirada, Júpiter foi crescendo, e 3 milhões de anos depois de nascer, já era 50 vezes maior que a Terra. Por ter se aproximado mais do Sol, tornou-se menos resistente à passagem de asteroides, permitindo que meteoritos que estavam em anéis diferentes voltassem a se misturar. Hoje, sabe-se que esses corpos celestes estão concentrados entre Júpiter e Marte – e eventualmente dão seus alôs por aqui, assustando todo mundo ao passar perto da órbita da Terra.
Os cientistas conseguiram descobrir toda essa relação complexa analisando os isótopos de molibdênio e tungstênio em 19 meteoritos. A partir dessas características químicas, conseguiu-se determinar não só a idade de cada um (entre 1 e 4 milhões de anos mais novos que o Sol), mas também o reservatório que cada um habitava.
O fato é que, ainda que a passos curtos, vamos descobrindo cada vez mais informações sobre o vovô de nosso Sistema Solar. Com a sonda Juno, que permanecerá mais uns meses orbitando Júpiter, dá para dizer que estamos mais íntimos do que nunca do planetão – mesmo que observando a 1.26 milhão de milhas de distância.

13.256 – Bioastronomia – Sistema Solar reside num pequeno oásis galáctico para a vida


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Segundo um estudo recente, o Sistema Solar está localizado no lugar certo da Via Láctea para permitir a existência de vida — um “oásis” relativamente pequeno em meio a uma galáxia largamente inóspita.
O trabalho, aceito para publicação no periódico “Astrophysical Journal”, foi liderado por Jacques Lépine, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, e envolveu a combinação entre dados precisos de posições de estrelas jovens e cálculos detalhados de suas órbitas ao redor do centro galáctico.
A Via Láctea é uma galáxia espiral de porte respeitável, com cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro e pelo menos 100 bilhões de estrelas, das quais o Sol é apenas uma. Todas elas estão em órbitas ao redor do núcleo da galáxia, onde reside um enorme buraco negro. Mas nosso astro-rei está bem afastado do centro, localizado a 26 mil anos-luz de lá — mais ou menos a metade do caminho até a periferia galáctica.
Há algumas décadas, ao analisarem as diferenças circunstanciais entre as regiões mais centrais da galáxias (com alta densidade de estrelas) e as partes mais afastadas (em geral povoadas por estrelas com baixo conteúdo de elementos mais pesados, como carbono, oxigênio e ferro), os astrônomos começaram a trabalhar o conceito de “zona habitável galáctica” — uma faixa ao redor da Via Láctea onde a potencial presença de vida seria mais favorecida.
O raciocínio básico é que, nas regiões mais internas, devido à grande concentração de estrelas, não só os sistemas planetários estão mais sujeitos a desestabilização por encontrões entre estrelas vizinhas como também existe maior risco de esterilização por explosões de supernovas próximas.
Em compensação, nas regiões mais externas, o problema é a falta de elementos químicos pesados, que são essenciais à formação de planetas habitáveis e, em última análise, de seus potenciais habitantes.
Restaria portanto apenas um anel a uma distância média do centro galáctico que teria as condições certas para a vida. O Sol, naturalmente, estaria nessa faixa.
Em tempos recentes, inclusive, houve pesquisadores defendendo a hipótese de que se podia estabelecer uma correlação entre as extinções em massa que aconteceram em nosso mundo com as potenciais travessias pelos braços galácticos, embora essa conexão nunca tenha sido estabelecida de forma clara. E agora sabemos o porquê.
O estudo dos pesquisadores da USP mostra que, na verdade, o Sol nunca cruza os braços espirais da Via Láctea. Nunca.
De acordo com os cálculos, nossa estrela está presa num padrão de ressonância que faz com que o período de sua órbita — cerca de 200 milhões de anos — seja o mesmo dos braços espirais. Ou seja, se o Sol avança em seu percurso galáctico no mesmo ritmo que o braço de Sagitário, que vem antes dele, e que o braço de Perseu, que vem depois, eles jamais se encontram.
A descoberta também ajuda a explicar a existência de um braço anômalo na nossa região da Via Láctea, chamado de “Braço Local”, que consiste em essência numa estranha fileira de estrelas. Essas são justamente as estrelas que, a exemplo do Sol, ficaram presas nesse padrão de ressonância e também nunca têm um encontro potencialmente desagradável com os braços galácticos.
Se a travessia dos braços realmente oferece perigo para a vida — algo que não sabemos com certeza –, o trabalho deve levar a uma importante revisão do conceito de “zona habitável galáctica”, restringindo-a somente a essas áreas onde as estrelas são capturadas nesse padrão particular de ressonância. De acordo com os pesquisdores, existe um desses “oásis” entre cada um dos quatro braços espirais da Via Láctea — são quatro, portanto.
Confira a seguir uma pequena entrevista que o Mensageiro Sideral fez com Jacques Lépine, o autor principal do estudo.

13.202 – Mais uma superterra na lista dos alvos para a busca por vida fora do Sistema Solar


Um grupo internacional de cientistas anunciou a descoberta de um mundo rochoso, maior que a Terra, orbitando na zona habitável de sua estrela a cerca de 40 anos-luz daqui. O que deixa os pesquisadores empolgados é que sua modesta distância, a exemplo do sistema recém-descoberto Trappist-1, permitirá a busca de sinais de vida por lá nos próximos anos.
A pequena LHS 1140, localizada na constelação austral da Baleia, é uma anã vermelha, com cerca de 15% da massa do nosso Sol. Trata-se de uma estrela já madura, com mais de 5 bilhões de anos, e agora os astrônomos descobriram que ela tem um planeta com diâmetro 40% maior que o da Terra — uma “superterra”, no jargão dos cientistas — que completa uma volta em torno de sua estrela a cada 25 dias.
A descoberta original foi feita com a rede de telescópios MEarth, destinada justamente a buscar planetas similares ao nosso em torno de anãs vermelhas próximas. São dois conjuntos de quatro telescópios de 40 cm de abertura, um instalado no Arizona, no hemisfério Norte, e outro no Chile, no hemisfério Sul. Com isso, os astrônomos têm acesso a 100% da abóbada celeste para as buscas.
Os telescópios fazem descobertas medindo a pequena redução de brilho causada pela passagem de um planeta à frente de sua estrela-mãe, o famoso método dos trânsitos. A técnica é boa para fornecer o diâmetro planetário, mas em geral não permite estimar a massa.

No caso de LHS 1140b, contudo, os astrônomos solicitaram uma bateria de observações com o Harps, um espectrógrafo instalado no telescópio de La Silla, do ESO, também no Chile. É um instrumento que permite medir o bamboleio gravitacional da estrela conforme ela é atraída suavemente, para lá e para cá, por planetas girando ao seu redor. O método é complementar e permite estimar a massa dos planetas, mas não seu diâmetro. Após 144 medidas precisas da chamada “velocidade radial” da estrela (termo técnico para o “bamboleio”), os cientistas puderam estimar que o planeta tem cerca de 6,6 vezes a massa da Terra (com uma margem de erro significativa de 1,8 massa terrestre).
Pode parecer um número enorme, mas lembre-se de que essa massa toda também se distribui por um volume bem maior, porque o diâmetro do planeta é 40% maior que o nosso. Calculando o volume interno de LHS 1140b (lembra da fórmula das aulas de geometria? V=4/3.π.r3), dá cerca de três vezes o terrestre. Nessas horas, é melhor usar o parâmetro da densidade, que é dada pela massa dividida pelo volume. Nesse sentido, podemos dizer que o mundo recém-descoberto é cerca de duas vezes mais denso que o nosso — provavelmente com um núcleo metálico mais avantajado que o da Terra.
De toda forma, em todas as faixas de massa estimadas, o planeta seria rochoso (planetas gasosos têm densidade muito menor) e estaria numa posição do sistema que, em tese, permitiria a presença de água em estado líquido na superfície. Com efeito, em sua órbita, LHS 1140b recebe cerca de metade da radiação que o Sol nos dá — um pouquinho mais do que Marte recebe no Sistema Solar.
E o mais interessante: “Porque LHS 1140 é próxima, telescópios atualmente em construção podem ser capazes de procurar gases atmosféricos específicos no futuro”, escrevem os autores liderados por Jason Dittmann, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos Estados Unidos, em seu artigo na “Nature”.
Com isso, o planeta LHS 1140b se junta aos mundos do sistema Trappist-1 na lista de alvos preferenciais para o Telescópio Espacial James Webb, que deve ser lançado pela Nasa em 2018, assim como para os telescópios de solo de próxima geração, que devem começar a operar na próxima década.
A ideia é que esses futuros equipamentos, mais sensíveis, possam observar a estrela no momento em que o planeta passar à frente dela. Com isso, parte da luz atravessaria a borda da atmosfera planetária, carregando consigo uma “assinatura” dos gases presentes.

12.845 – Cientistas detectam raios X misteriosos vindos de Plutão


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Um comunicado da NASA afirma que a descoberta poderá revolucionar tudo o que se acreditava saber sobre a atmosfera do planeta anão.
A essência de Plutão, um astro frio e rochoso, sem campo magnético próprio, faz com que ele não possa emitir raios X naturalmente. Entretanto, é possível que a interação entre os gases que o circundam e o vento solar (partículas carregadas e emitidas pelo Sol em um fluxo contínuo) seja capaz de produzi-los.
O que intriga os astrofísicos responsáveis pela descoberta é a intensidade do sinal detectado. Carey Lisse, pesquisadora do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, explica: “descobrimos que Plutão está interagindo com o vento solar de uma forma inesperada e energética”.
As hipóteses propostas pela equipe de Lisse são duas. Por um lado, eles acreditam que é possível que Plutão possua um armazenamento de gases muito maior do que se imaginava, sendo, definitivamente, um corpo celeste mais próximo a um cometa que a um planeta. Por outro lado, acreditam que, seguindo os princípios de outras teorias físicas, por algum motivo, as partículas carregadas que chegam do Sol totalizariam uma quantidade muito maior do que a esperada e, dadas as características do planeta anão, estariam formando uma espécie de anel energético ao seu redor.

12.789 -NASA encontra vulcão que expele água e sal no planeta anão Ceres


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Um vulcão de água gelada com metade do tamanho do Everest. Parece umaatração de parque aquático, mas é a nova arma do asteroide Ceres para ganhar alcançar a fama. A descoberta feita pela equipe de Ottaviano Ruesch, da NASA, foi publicada na Science.
Descoberto no século 19, o irmão de Plutão foi inicialmente alçado ao título de provável décimo planeta do Sistema Solar, mas as definições de planeta anão foram atualizadas, e Ceres acabou rebaixado à mesma categoria do ex-nono planeta.
Para os parâmetros de sua vizinhança, porém, Ceres é bem nutrido: um terço de toda a massa do cinturão de asteroides que fica entre Marte e Júpiter corresponde a ele. Não bastasse o tamanho razoável, ele ainda prega peças nos observadores. Já foram registradas crateras que desapareceram de sua superfície sem deixar vestígios e inexplicáveis manchas brilhantes.
Sua nova carta na manga é o vulcão Ahuna Mons, que, em vez de lava, expele água e sal. Isso mesmo, uma ótima ideia para colocar um pouco de macarrão na mistura e improvisar um jantar cósmico. O nome do vulcão é criovulcão, ou vulcão gelado.
Ninguém o viu em atividade, mas há bons motivos para acreditar que ele estaja ativo, sim: não há atividade tectônica no planeta anão, o que excluí a possibilidade de que uma elevação geográfica tenha se formado pelos mesmos processos que deram origem às cordilheiras terráqueas. E foi possível verificar que a erosão não é significativa. “O único processo que pode formar uma montanha isolada é o vulcanismo”, explicou Rausch ao Business Insider.
Essa é a mais clara evidência de um vulcão gelado já encontrada. E a existência dessa bizarrice cósmica pode revelar detalhes fascinantes das características químicas e geológicas do astro. “Nós haviamos visto pistas de atividade criovulcânica no passado, mas não tínhamos certeza. Essa é uma descoberta importante que restringe as formas como Ceres pode ter se desenvolvido”, afirmou Ruesch ao veículo americano. “A montanha na superfície nos conta o que está acontecendo em seu interior.”
Entre outras possíveis implicações da descoberta, a presença de sal diminui a temperatura de solidificação da água, o que pode explicar a características que resultam da circulação de fluidos mesmo em temperaturas tão baixas (a mínima, por lá, é -106ºC, e a máxima, -34º).

12.658 – Astrônomos descobrem planeta maior do que Júpiter orbitando 3 sóis


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Nomeado como HD 131399Ab, trata-se de um gigante quatro vezes maior do que Júpiter, 11 vezes maior do que a Terra e que possui em sua órbita três sóis.
Apesar de não ser o primeiro planeta do tipo encontrado, ele está sendo considerado como o mais estranho para os cientistas. Por causa de sua órbita longíssima, de 550 anos, eles acreditam que a luz do dia ali é quase constante, havendo três amanheceres e entardeceres por dia, dependendo da estação, “que pode durar mais do que uma vida humana”, segundo Kevin Wagner, um dos autores da descoberta publicada pela revista Science.
Inabitável para qualquer ser humano, graças as suas temperaturas que podem chegar a 586 °C – o que ainda é considerado frio para o padrão dos exoplanetas – ele ainda é formado por nuvens de pedra de silicado que são do tamanho de cigarros, de acordo com o estudo. Trata-se de um corpo relativamente jovem – de cerca de 16 milhões de anos – que forma um sistema de múltiplas estrelas: uma pouco maior do que o Sol ao centro, duas outras menores que orbitam uma a outra e, entre estrelas menores, está o HD 131399Ab.
A preocupação dos cientistas, no entanto, é que esses sistemas costumam ser instáveis, já que as forças gravitacionais das estrelas competem entre si. Nessa disputa, nenhuma delas costuma levar a melhor, porque os planetas acabam sendo ejetados. Agora, a partir dessa descoberta, os pesquisadores acreditam que esse tipo de planeta seja mais comum do que se pensava.
“Pessoalmente, estou mais interessado na órbita do planeta”, disse Wagner ao The Atlantic. “É improvável, mas existe uma chance de o sistema não ser tão estável quanto achamos que é, e até que ele nem orbite as estrelas. Em alguns anos, poderemos ver como ele se move e aí poderemos ter certeza”.

12.487 -Astronomia – Nasa descobre 1.284 novos planetas fora do Sistema Solar


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A Nasa anunciou a descoberta de 1.284 novos planetas fora do Sistema Solar – é o maior conjunto de novos planetas já anunciado, de uma só vez, pela agência espacial. Eles foram vistos pelo telescópio espacial Kepler e, do total, 550 planetas podem ser rochosos, como a Terra, e nove deles estão em zona potencialmente habitável – ou seja, ficam a uma distância tal de suas estrelas que possibilitam a ocorrência de temperaturas ideais para que exista água líquida sobre a superfície, principal condição para o surgimento de vida. Com esses nove, atualmente são 21 os planetas potencialmente habitáveis já identificados no Universo – os melhores candidatos a uma “nova Terra”.
“Este anúncio mais do que duplica o número de exoplanetas descobertos pelo telescópio Kepler”, afirmou Ellen Stofan, cientista-chefe da agência espacial americana, em um comunicado. “Isso nos dá esperança de que em algum lugar lá fora, em torno de uma estrela muito parecida com a nossa, poderemos, eventualmente, descobrir uma outra Terra.”
Candidatos a Terra – A análise foi publicada nesta terça-feira no periódico Astrophysical Journal e feita com 4.302 “candidatos a planeta”, nome que recebem os dados do telescópio que indicam a probabilidade da existência de um planeta orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. Por meio de uma nova metodologia estatística, o astrofísico Timothy Morton, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, conseguiu analisar um grupo grande de candidatos de uma só vez.
Com o novo método, Morton verificou que 1.284 têm uma probabilidade maior que 99% de serem planetas, enquanto 1.327 requerem mais estudos para serem verificados como planetas. O estudo validou ainda 984 candidatos que já haviam sido verificados como planetas por outras técnicas e descartou a existência de 707 planetas, que devem ser algum outro tipo de evento astronômico.
Essas análises são possíveis porque o observatório espacial Kepler, lançado em 2009, monitora 150.000 estrelas em busca de sinais de planetas, particularmente aqueles que poderiam ser capazes de sustentar a vida. O instrumento capta o escurecimento da luz da estrela, conhecido como trânsito, cada vez que um planeta passa orbitando diante dela. É um evento semelhante ao trânsito de Mercúrio que pode ser observado nesta semana – o telescópio percebe a diminuição da luminosidade da estrela quando algum objeto passa por ela.
Dos cerca de 5.000 candidatos a planetas encontrados até agora, mais de 3.200 já foram verificados pelos cientistas – 2.325 deles foram descobertos pelo Kepler.

12.472 -Astronomia – Mais sobre os Exoplanetas


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Dessa vez, a descoberta vai além da mera possibilidade: na Bélgica, um grupo de cientistas encontrou três planetas muito parecidos com a Terra – e, pela primeira vez, são astros que permitem que se estude a atmosfera local para determinar se há ou não vida por lá.
Os planetas estão a cerca de 36 anos-luz de distância da Terra, e orbitam uma estrela batizada de Trappist-1, que é bem menor, menos brilhante e mais fria do que o nosso Sol. Os planetas, que têm quase o mesmo tamanho da Terra, estão quase 100 vezes mais próximos da Trappist do que nós do Sol. A tal estrela foi descoberta por um time de astrônomos da Universidade de Liège, na Bélgica, fica na constelação de Aquário, e é tão pequena que sequer pode ser vista a olho nu daqui.
Mas é justamente por isso que a descoberta é tão importante. O raciocínio é o seguinte: para determinar se um planeta pode ou não abrigar vida, os cientistas precisam estudar os gases que formam a atmosfera local. Para isso, eles analisam a deformação da luz no planeta – a lógica é que, como cada gás deforma a luz de um jeito específico, dá para determinar que gases estão presentes por ali. O problema disso é que as estrelas maiores e mais quentes, que costumam ser as primeiras apostas para procurar vida, ofuscam tudo o que estiver próximo a elas (mais ou menos como o Sol durante o dia, aqui na Terra), o que torna impossível essa análise de gases. E aqui está a novidade: a Trappist é tão escura e pequena que os astrônomos conseguem enxergar o caminho da luz nos três planetas e determinar a composição gasosa de cada atmosfera. Bingo!
O engraçado é que, até agora, ninguém havia prestado muita atenção na tal estrelinha. Mas foi só observar o sistema um pouco mais para perceber que uma organização planetária desse tipo nunca havia sido encontrada antes. Por isso, os cientistas belgas estão otimistas: no artigo em que revelam a descoberta, eles concluem dizendo que “se vamos começar a procurar vida na galáxia, este com certeza é o melhor lugar”.

12.463 – Astronomia – Descoberto grupo de 3 planetas habitáveis


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Um grupo internacional de astrônomos anunciou a descoberta de três planetas potencialmente habitáveis.
No entanto, o press release produzido pelo ESO (Observatório Europeu do Sul) “vendeu” esses mundos como “potencialmente habitáveis”. Eles estão mentindo? É uma pegadinha? Não, é só uma consequência de estudarmos planetas num sistema tão radicalmente diferente do nosso.

A estrela Trappist-1 é o que os cientistas chamam de anã vermelha ultrafria, com temperatura superficial de cerca de 2.300 graus Celsius e apenas 8% da massa do Sol. É uma estrelinha, cujo diâmetro é mais parecido com o de Júpiter do que com o solar. Por consequência, o sistema também se parece mais com o das grandes luas jovianas do que com o espaçoso Sistema Solar. Os três planetas que cruzam ocasionalmente à frente da estrela — e com isso “entregam” sua existência a telescópios na Terra — provavelmente estão numa trava gravitacional, o que significa que eles têm a mesma face virada para a estrela o tempo todo (como Io, Europa, Ganimedes e Calisto fazem com Júpiter, e a nossa Lua faz com a Terra).
Na prática, isso quer dizer que os planetas Trappist-1b, 1c e 1d podem ter uma face que fica permanentemente sob seu sol e outra que reside em tempo integral na escuridão. Alguns modelos sugerem que, em mundos assim, o hemisfério iluminado seja quente demais, o escuro seja frio demais, e uma pequena faixa “maomeno” exista entre o dia e a noite — um potencial oásis habitável num planeta de resto bastante hostil à vida.
SERÁ?
Aí é que entra o charme da descoberta. Não teremos de especular sobre isso durante centenas de anos, como fizemos sobre todo esse assunto de exoplanetas nos últimos quatro séculos. A partir de 2018, quando o Telescópio Espacial James Webb for lançado ao espaço pela Nasa, esses três planetas em Trappist-1 serão alvos preferenciais para pesquisa.
Eles preenchem três critérios essenciais: orbitam estrelas pequenas, passam à frente de suas estrelas com relação ao nosso ponto de vista e têm o tamanho que nos interessa, sendo mundos potencialmente rochosos.
Quando um desses mundos transita pela estrela, a luz dela que passa de raspão pela atmosfera do planeta carrega consigo — em nossa direção — uma assinatura de sua composição, além de várias outras informações a respeito do planeta. É o chamado “espectro de transmissão”, que o novo telescópio espacial da Nasa poderá detectar com grande precisão.
“Dados do Telescópio Espacial James Webb devem produzir fortes parâmetros-limite para massas planetárias [que permitirão estimar a estrutura interna desse mundos], temperaturas atmosféricas [para testar nossos modelos de zona habitável], e abundâncias de moléculas com grandes bandas de absorção, inclusive vários biomarcadores [indicativos de vida] como H2O [água], CO2 [dióxido de carbono], CH4 [metano] e O3 [ozônio]”, escrevem os autores em seu artigo científico.
Planetas como os que existem em torno de Trappist-1 são os que nos darão a primeira chance de começar a de fato comparar sistemas vizinhos ao nosso, indo além dos parâmetros básicos como características gerais da estrela e tamanho e massa dos planetas circundantes. Poderemos ver se há lá versões de planetas similares a Vênus, se há mundos com faixas habitáveis, se a circulação do calor pela atmosfera se dá conforme nossos modelos e se eles têm um jeitão parecido ou muito diferente, se comparados à Terra e aos planetas solares.
Mais empolgante ainda é o fato de que a busca feita com o telescópio Trappist (acrônimo para TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope), localizado em La Silla, instalação do ESO no Chile, até agora mirou apenas 60 estrelas. Se numa amostragem tão pequena já achamos mundos tão interessantes e ao alcance da próxima geração de telescópios para caracterização, o que podemos esperar das próximas descobertas? Como serão os sistemas Trappist-2, 3 e 4? Não tardará a encontrarmos aí planetas do tamanho da Terra banhados pelo mesmo nível de radiação que nosso mundo ganha do Sol, numa distância que permitirá sondagens mais detalhadas.
Com efeito, a Nasa pretende lançar no ano que vem um telescópio espacial chamado TESS, cujo objetivo é encontrar justamente mais desses alvos preferenciais para posterior caracterização.

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12.212 – Descoberto Sistema Solar Gigantesco


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Ele é 222 vezes maior que o nosso. E um ano no planeta solitário que habita o lugar demora 900 mil anos terrestres.

Ele é grande e pequeno ao mesmo tempo. Pequeno porque consiste de apenas um planeta orbitando ao redor de uma estrela. Grande porque a distância que separa os dois é de 1 trilhão de quilômetros. Isso dá quase 7 mil vezes a distância entre a Terra e o Sol, que já é de respeitáveis 150 milhões de km.
Mais: Netuno, o planeta mais distante do nosso sistema, está a 4,5 bilhões de quilômetros do Sol. Em outras palavras: cabem 222 conjuntos Sol-Netuno na distância entre o planeta 2MASS J2126-8140 e sua estrela, a TYC 9486-927-1. “Surpreendeu-nos muito encontrar um objeto de massa baixa tão longe da sua estrela mãe”, disse o pesquisador Simon Murphy, da Universidade Nacional Australiana.

sistema solarWiki commons
Se esse fosse o nosso sistema solar, você nunca teria a chance de fazer um aniversário: um ano lá representa 900.000 dos nossos. A órbita de Netuno, por exemplo, leva “só” 165 anos para dar uma volta completa ao redor do Sol. Na verdade, se o 2MASS J2126-8140 estivesse orbitando o Sol, nós provavelmente nem o teríamos descoberto ainda. O novo planeta que os cientistas dizem ter encontrado fica entre 32 e 160 bilhões de quilômetros de distância. Se levamos esse tempo todo para descobrir esse possível novo integrante, imagina um 30 vezes mais longe.
Até agora, os astronômos imaginavam que o 2MASS J2126-8140 e a TYC 9486-927-1 eram corpos completamente separados, sem nenhuma relação. A distância é tão grande que eles não chegaram a imaginar que ambos poderiam formar um sistema. “O planeta não é tão solitário quanto imaginávamos, mas certamente está em um relacionamento de longa distância”, comenta Murphy.
O sistema solar considerado o maior antes da novidade era três vezes menor. “Como sistemas planetários tão grandes se formam e sobrevivem ainda é uma questão em aberto”, diz o cientista. Ou seja: não fazemos ideia de como ou por que essa aberração está ali. Mas ela está.

12.068 – Cientistas descobrem ‘perto’ da Terra planeta potencialmente habitável


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Cientistas australianos identificaram um exoplaneta potencialmente habitável a 14 anos-luz da Terra –distância relativamente curta no espaço.
Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul descobriram que o planeta, que tem mais de quatro vezes a massa da Terra, é um dos três que orbitam a estrela-anã Wolf 1061.
“É uma descoberta particularmente animadora pois todos os três planetas têm uma massa baixa o bastante para serem potencialmente rochosos e de superfície sólida. E o planeta do meio, Wolf 1061c, está na zona (chamada de) ‘Cachinhos Dourados’, onde pode ser viável a existência de água em estado líquido –e talvez até vida”, afirmou um dos autores do estudo, Duncan Wright.
A estrela-anã Wolf 1061, que os três planetas descobertos orbitam, é relativamente fria e estável. Os planetas têm orbitas de 5, 18 e 67 dias. As massas são pelo menos 1,4;, 4,3; e 5,2 vezes a da Terra, respectivamente.
O planeta maior fica de fora do limite da área habitável e provavelmente também é rochoso, enquanto que o planeta menor está perto demais da estrela para ser habitável.
Anunciado em fevereiro de 2012, o Gliese 667Cc é outro planeta da classe super-Terra, uma classe de planetas com o tamanho entre os de planetas rochosos como Terra e Marte e os gigantes gasosos Júpiter e Saturno.
O Gliese 667Cc tem cerca de 4,5 vezes a massa da Terra, demora 28 dias para completar a órbita em volta de sua estrela e está a 22 anos-luz.
Pequenos planetas rochosos são abundantes em nossa galáxia, e sistemas com muitos planetas também parecem ser comuns. No entanto, a maioria dos exoplanetas rochosos descobertos até agora estão a centenas –ou até milhares– de anos-luz.

ATMOSFERA
Wittenmyer afirmou que a equipe de cientistas só poderá analisar a atmosfera do planeta quando ele passar em frente à estrela.
“Vamos usar nosso telescópio Minerva para procurar por trânsitos em fevereiro, quando a estrela poderá ser observada de novo. Se (o planeta) transitar (em frente à estrela) será a melhor chance, pois (o sistema) está tão perto (da Terra).”
O cientista afirma que, caso eles consigam observar o planeta em trânsito em frente à estrela Wolf 1061, eles poderão medir seu raio, densidade e atmosfera.
A equipe da Universidade de Nova Gales do Sul conseguiu fazer a descoberta observando a estrela-anã com instrumentos específicos do Observatório Europeu do Sul em La Silla, no Chile.
“Nossa equipe desenvolveu uma nova técnica que melhora a análise de dados deste instrumento preciso, construído para a caça de planetas, e nós estudamos mais de uma década de observações da Wolf 1061”, disse o professor Chris Tinney, chefe do setor de Ciência Exoplanetária da universidade australiana.

12.037 – Astronomias – Marte vai Ganhar Anéis


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Saturno é considerado por muita gente como a joia do Sistema Solar, e não é à toa. Seu complexo conjunto de anéis lhe concede uma aparência majestosa, quase surreal. Se os planetas tivessem sentimentos, é provável que eles tivessem um sonho de ser como Saturno. Até agora ninguém descobriu nenhuma prova de que uma consciência planetária seja possível, apesar de ser uma ideia fascinante que já foi até explorada pela ficção científica. Mas uma coisa é certa – mesmo sem saber, Marte está perto de realizar este sonho.
É o que sugere uma pesquisa publicada no periódico Nature Geoscience. Em um futuro não tão distante, evidências indicam que o planeta vermelho terá seu próprio sistema de anéis, e isso deve acontecer quando Fobos, a maior das duas luas marcianas, for destruída. A destruição não será provocada por nenhuma Estrela da Morte (assim esperamos), mas por Marte mesmo. Por ter meros 22 quilômetros de diâmetro e estar a apenas 6 mil quilômetros da superfície marciana, Fobos não está resistindo à forte atração gravitacional de seu planeta.
A força é tão intensa que, todos os dias, a órbita da lua perde vários centímetros de sua altitude – a cada século, os astros ficam dois metros mais próximos. Os cientistas já sabiam que, eventualmente, o satélite natural não iria aguentar o tranco. A dúvida era se ele iria despencar inteiro em Marte como um grande asteroide ou se, antes disso, iria se despedaçar. Os pesquisadores consideram o segundo cenário como o mais provável, principalmente devido às compridas listras já visíveis na superfície de Fobos. Essas cicatrizes parecidas com estrias seriam um resultado direto justamente do processo de destruição em andamento: as forças de maré estão corrompendo a estrutura interna da lua.
Um comunicado recente da Nasa previu que a morte deve ocorrer dentro de 30 a 50 milhões de anos. Benjamin Black, cientista planetário da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos autores do estudo, fez uma estimativa um pouco menos conservadora – de 20 a 40 milhões de anos. De qualquer forma, falta muito tempo (para nós, não para o cosmos). Mas quando os pedaços mais fracos começarem a se desfazer, será um show e tanto. “Se você estivesse em pé na superfície de Marte, poderia pegar uma cadeira de jardim e assistir Fobos se esfacelando e se espalhando em um grande círculo”, disse Black a Nature.

Os cálculos levaram em consideração a densidade e a resistência da lua e compararam esses dados a modelos usados para estimar a resistência de rochas. Os resultados apontam que, uma vez formados, os anéis devem permanecer em órbita durante um período de 1 milhão a 100 milhões de anos. Depois disso, os fragmentos da lua vão reentrar na atmosfera marciana. O mais interessante é que os cientistas acreditam que esse processo de “morte lunar” tenha sido extremamente comum no início do Sistema Solar, e agora eles têm a chance de estudá-lo desde o princípio. Hoje mesmo ele pode estar acontecendo em outros lugares, como em Tritão, um dos satélites naturais de Netuno. E é provável que até mesmo o invejado Saturno tenha conseguido seus anéis no passado desse mesmo jeito – à custa de uma de suas luas.

10.881 – Astrobiologia – NASA prestes a anunciar vida em Marte


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A NASA, Agência Espacial Norte-Americana, pode estar prestes a anunciar que a neblina de metano que cobre o planeta Marte é proveniente de vida microscópica sob o solo do planeta.
O anúncio pode ser feito em uma entrevista coletiva na capital Washington, na sede do órgão.
Pesquisadores do mundo todo ficaram empolgados com a ideia de se descobrir vida em Marte após os indícios de água e gelo no planeta. Mesmo sabendo que o metano produzido na Terra vem dos vulcões, os cientistas continuam esperançosos, pois, ao contrário daqui, nenhum vulcão ativo já foi encontrado em Marte.
Para aumentar as expectativas, as maiores quantidades de metano foram encontradas nas mesmas regiões em que há grande quantidade de vapor de água. A presença de água é absolutamente necessária para a existência de vida.
O especialista espacial britânico Nick Pope falou com alguns jornais e demonstrou entusiasmo. “Nós apenas procuramos na superfície até agora. É certo de que há vida lá fora e de que não estamos a sós”, afirmou.

11.776 – Astronomia – Plutão tem dunas mesmo sem vento, descobre sonda da Nasa


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A Nasa retomou o recebimento de imagens feitas pela sonda durante seu sobrevoo de Plutão e suas luas, que ocorreu em 14 de julho de 2015.
A essa altura, a espaçonave já está a mais de 70 milhões de quilômetros do astro, mergulhando cada vez mais profundamente no cinturão de Kuiper –uma coleção de centenas de milhares de pedregulhos dos mais variados tamanhos, remanescentes do processo que deu origem aos planetas.
O sobrevoo de Plutão, por sinal, foi a primeira visita de uma espaçonave a um objeto dessa misteriosa região do espaço na periferia do Sistema Solar.
A segunda visita deve ser protagonizada pela própria New Horizons, em 2019. A Nasa já selecionou um alvo para ser visitado além de Plutão –o pequeno 2014 MU69. O astro tem só 50 km de diâmetro e é “nascido e criado” nessa região do espaço (Plutão, por sua vez, pode ter surgido mais perto do Sol e depois migrado para lá).
Aliás, o sobrevoo também será o primeiro feito por uma espaçonave lançada antes mesmo que seu alvo fosse descoberto –a New Horizons partiu em 2006, e o MU69 foi descoberto no ano passado.
As primeiras manobras da sonda para chegar lá serão executadas no mês que vem, mas a investigação científica ainda pende por aprovação orçamentária. A decisão final só deve acontecer no ano que vem.
A tendência é a aprovação. Na verdade, o plano decadal da Nasa que levou à New Horizons pedia uma missão “ao cinturão de Kuiper”, então não aprovar a extensão até 2019 seria perder a oportunidade de cumprir o objetivo inicial, depois de chegar tão perto e gastar mais de US$ 700 milhões.
Os cientistas devem apresentar um plano detalhado para o segundo sobrevoo em 2016. Enquanto isso, continuam a estudar os mistérios de Plutão.
Os dados colhidos durante aquele frenético encontro ainda estão sendo transmitidos. Depois de uma bateria inicial de imagens comprimidas, logo após o sobrevoo de julho, as transmissões priorizaram dados de telemetria e os pacotes científicos mais “leves”, que não envolviam fotografia.
A partir de agora, começam a “descer” todas as imagens colhidas, em sua resolução máxima. É nessa primeira leva que figuram as dunas de Plutão.
“Dunas em Plutão -se for isso mesmo- é algo completamente inesperado, porque a atmosfera é tão rarefeita…”, disse William McKinnon, da Universidade Washington, em Saint Louis. “Ou Plutão teve uma atmosfera mais densa no passado, ou algum processo que não sacamos está em operação. É de coçar a cabeça.”
Os cientistas ainda têm muito trabalho pela frente. Transmitindo em velocidade de internet discada, a sonda levará um ano para concluir o envio das imagens feitas no sobrevoo.

11.621 – Nasa anuncia descoberta do planeta Terra 2.0


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Cientistas da Nasa anunciaram uma das descobertas mais importantes da história. Agora os pesquisadores estão mais próximos de elucidar o mistério da possibilidade da existência de vida fora da Terra.
A agência espacial americana revelou que foi encontrado fora do sistema solar um planeta muito parecido com o nosso, uma espécie de “Terra 2.0”. O planeta rochoso, batizado de Kepler 452B é 1,5 vezes maior que a Terra e é potencialmente habitável.
O Kepler 452B tem 6 bilhões de anos e seu sistema solar é muito semelhante ao nosso. De acordo com os cientistas, ele recebe 10% mais energia de sua estrela do que a Terra recebe do sol. Jon Jenkins, pesquisador da Nasa, afirmou que devido a essas características o planeta pode abrigar vida ou ao menos já ter abrigado seres vivos no passado. Os anos no Kepler 452B tem a mesma duração dos nossos.
O anúncio foi feito baseado em descobertas feitas pelo telescópio Kepler, com o auxílio de informações coletadas pelo telescópio Hubble, além de outros observatórios avançados. Os cientistas agora vão se debruçar sobre os dados coletados para decifrar os segredos do novo planeta.
Mesmo antes da concreta possibilidade de habitar outro planeta existir, cientistas já iniciaram estudos focados em desenvolver tecnologia para tornar a façanha de “fugir da Terra” possível.

11.509 – Astronomia – Objeto no planeta-anão Ceres


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A foto, registrada pela sonda Dawn a 4,4 mil quilômetros do “objeto”, mostra uma espécie de saliência na superfície do planeta Ceres, o planeta anão localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Muitos acreditam se tratar de uma pirâmide!
De acordo com previsões da NASA, a suposta pirâmide teria 5km de altura – a maior pirâmide do Egito, a de Gizé, possui apenas 140 metros -, o que tornaria mais complicada a teoria de que ela foi construída manualmente. O fato a ser levado em conta na descoberta, é que tal formação revela um antecedente geológico peculiar.
Outro fato curiosos da foto divulgada, é a existência dos pontos brilhantes na superfície do planeta anão. Essa percepção já existe há algum tempo e intriga o conhecimento de cientistas e especialistas. Ainda não foi possível determinar do que os pontos são compostos, mas acredita-se que sejam constituídos de gelo ou sal.
Também há uma hipótese de que os pontos brilhantes sejam resultado do ‘criovulcanismo’, no qual fendas com atividade vulcânica liberam substâncias voláteis, como água e metanos, ao invés de lava.
Com o intuito de revelar todas essas dúvidas, os cientistas aguardam ansiosos a aproximação da sonda Dawn ao planeta, que deve acontecer nos próximos meses.
Ceres foi descoberto em 1801, por Giuseppe Piazzi, através de observação telescópica. Primeiramente, foi classificado como planeta e, depois, asteroide. Apenas em 2006 os cientistas o classificaram como planeta anão. De acordo com observação do Telescópio Espacial Hubble, sua superfície possui regiões mais escuras e locais de brilho proeminentes.

11.456 – Churrasquinho em Marte?


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Sua presença no céu foi notada pela primeira vez por astrônomos do Egito antigo. Tempos depois, o filósofo e físico grego Aristóteles se deu conta de que às vezes o planeta vermelho se escondia atrás do Sol, o que indicava que estava mais longe da Terra do que se imaginava. Quanto mais se conhecia sobre astronomia, mais crescia o fascínio por Marte. As manchas escuras seriam a prova da presença de rios caudalosos, e muitos diziam que o planeta era habitado por seres inteligentes. A euforia se espalhou pela ficção científica e pela cultura pop. Hoje se sabe que nada daquilo era verdade — Marte é um lugar inóspito coberto por rochas vermelhas. Recentemente, no entanto, o planeta voltou a ganhar destaque nas páginas de jornais e de revistas científicas.
Pelo menos três sondas encontram-se neste exato momento na órbita de Marte para coletar informações sobre a atmosfera. Quatro anos após seu lançamento, o jipe Curiosity continua enviando informações importantes para a Terra, como a recente descoberta de gás metano saindo de um buraco, o que indicaria a presença de alguma forma de vida. E o mais importante: novas missões espaciais estão sendo desenhadas para levar o homem ao planeta — não só a passeio ou para estudos científicos, mas como sua segunda casa. Há muito se fala de colonizar Marte, é verdade, mas até pouco tempo o assunto parecia papo de ficção científica. Isso mudou: nunca estivemos tão perto de habitar de fato o planeta vermelho. “Vamos colonizar Marte, e não serão apenas alguns astronautas, mas milhares de pessoas”, disse a GALILEU o pesquisador Stephen Petranek, autor do livro How We’ll Live on Mars (“Como viveremos em Marte”, em tradução livre), que chegará às livrarias dos Estados Unidos em julho. “É algo inevitável e possível. Acredito que chegaremos lá em 2027.”
“O sistema solar não tem vida infinita; o Sol vai começar a morrer daqui a alguns bilhões de anos, e será o nosso fim”, disse Petranek. “Precisamos chegar a Marte e aprender a viver num ambiente hostil antes de conseguir sair deste sistema.”
A julgar pelas condições naturais, não será tarefa fácil: a atmosfera de Marte é composta por 96% de CO2. Para se ter uma ideia, com apenas 1% de dióxido de carbono no ar o ser humano começa a sentir tontura. Numa quantidade dez vezes maior, causa asfixia. Sem falar que não existe água na forma líquida na superfície. Ou seja, para sobreviver em solo marciano é preciso fazer uma série de adaptações que tornem a vida minimamente possível. Uma das invenções criadas com esse fim é o Moxie, aparelho produzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que transforma dióxido de carbono em oxigênio e que será testado in loco pela Nasa em 2020.
As ideias sobre colonização soariam disparatadas se Petranek não estivesse usando como fonte um dos mais surpreendentes empresários da atualidade, o bilionário Elon Musk. Aos 43 anos, o sul-africano já criou o sistema de pagamentos on-line PayPal; a Tesla, primeira montadora de carros elétricos de linha; e, mais recentemente, a SpaceX. Em dez anos de existência, a empresa espacial transformou-se na primeira companhia privada a mandar uma nave para a Estação Espacial Internacional, façanha realizada em 2012. Dois anos depois, ganhou um contrato bilionário da Nasa para desenvolver uma espaçonave que levará astronautas norte-americanos à estação em 2017. Com sede em uma cidade ao sul de Los Angeles e com o Google entre seus investidores, a SpaceX trabalha com relativo sucesso em foguetes reutilizáveis, algo essencial para diminuir os custos astronômicos da exploração interplanetária, um dos principais fatores que levaram a Nasa a deixar Marte de lado e optar por investimentos na estação e nos ônibus espaciais após a chegada à Lua, em 1969.

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Já para Musk, a única razão de ser da SpaceX é a chegada do homem a Marte. Ou melhor, homens, mulheres e tudo o mais que tivermos na Terra, como fábricas, lojas, restaurantes. Seu plano é construir uma frota de megafoguetes com capacidade para até 80 pessoas, chamados Mars Colonizer, e lançá-los regularmente com destino ao planeta vermelho a partir de 2030. Musk imagina 80 mil pes­soas viajando com destino a Marte a cada dois anos. “Francamente, fiquei chocado com sua ideia de sistema de foguetes para chegar lá”, disse Petranek. “Será um foguete de dois estágios. O primeiro bem pesado, e depois só um segundo estágio, que entrará em órbita e ficará acoplado à aeronave.”
Musk não é o único nessa jornada. Com um orçamento federal de US$ 17,6 bilhões, a Nasa também fez do planeta sua prioridade para os próximos anos e tem como meta mandar uma tripulação a Marte até 2035, seguindo diretrizes do presidente Barack Obama para que a agência desembarque astronautas por lá nas próximas três décadas. Russos, europeus e chineses também trabalham em projetos com destino a Marte.
A ambição de chegar ao quarto planeta do sistema solar é antiga. Desde os anos 1950, o lendário engenheiro Wernher von Braun (1912–1977), responsável pela criação do foguete que levou a nave Apollo 11 à Lua, descrevia planos de uma missão tripulada a Marte. As primeiras missões não eram tripuladas: na década de 1960, a Rússia investiu no lançamento da Marsnik 1. Fracasso total: a nave não conseguiu sequer atingir a atmosfera terrestre. Quatro anos depois foi a vez de os norte-americanos darem o troco com a sonda Mariner 4, que fez a primeira imagem de Marte e sepultou de vez a ideia de que o planeta era habitado por ETs. De lá para cá foram muitas missões — algumas com mais sucesso que outras (veja na página 48). Apesar da dificuldade, o ex-astronauta Buzz Aldrin, de 85 anos, tem esperança na colonização mar­ciana. “Marte tem muito mais a oferecer [do que a Lua]. É muito mais terrestre, tem estações do ano, uma atmosfera fina e um ciclo de dia e noite muito parecido com o nosso”, disse ele ao jornal The New York Times. “A Lua não é promissora para atividades comerciais.”
Para chegar a Marte, os astronautas terão de enfrentar uma viagem de oito meses que seria não apenas cansativa, mas perigosa. A Nasa vem fazendo vários estudos nos últimos anos para entender os efeitos do espaço no corpo humano. Em março, o americano Scott Kelly e o russo Mikhail Kornienko embarcaram numa missão inédita para passar pouco menos de um ano na estação espacial. O objetivo? Estudar os efeitos da ausência de gravidade por longos perío­dos no organismo.
Normalmente, cada residente fica cerca de seis meses no laboratório orbital, que tem o tamanho de uma casa de seis quartos, e volta para a Terra com uma série de problemas, como distrofia muscular e deterioração dos ossos (veja mais na página 44). Kelly, de 50 anos, será o primeiro norte-americano a ficar mais tempo, e traz uma curiosa vantagem para os testes realizados pela agência: ele tem um irmão gêmeo idêntico, Mark, que é astronauta aposentado e irá ajudar nas pesquisas da Nasa aqui na Terra, servindo de base de comparação para as dez tarefas a serem realizadas no período. O DNA dos dois será observado de perto para rastrear possíveis mudanças nos genes que controlam o sono, o stress e a atividade celular.
A busca pela colonização de Marte não é unanimidade na comunidade científica. Uma das vozes contrárias é a de Nathalie Cabrol, integrante do time da Nasa que organiza as missões a Marte com veículos exploradores e pesquisadora sênior do Seti Institute, organização dedicada a buscar sinais de vida fora da Terra. “Para mim, caras como o Musk parecem dizer o equivalente a ‘vamos fazer o que for preciso para subir o monte Everest, não importa quantos sherpas tenhamos que contratar para nos carregar até o topo, quantos corpos tenhamos que deixar para trás. Chegaremos lá primeiro, fincaremos nossa bandeira e tiraremos uma selfie’”, disse a astrobióloga num respiro entre palestras durante o TED, no qual se apresentou. “Não há salvação em Marte, que é apenas uma parte do nosso processo de crescimento para treinar a humanidade para tornar-se uma espécie interestelar.”
Nos últimos 13 anos, Nathalie fez diversas viagens ao deserto do Atacama, o mais árido e alto do mundo, no norte do Chile, para escalar vulcões e mergulhar em lagos inóspitos a fim de entender o desenvolvimento da vida em ambientes extremos, similares aos encontrados em Marte, o que acabou revolucionando nosso entendimento do que é de fato um planeta habitável.
Para a cientista, somos a única forma de vida avançada no sistema solar, mas isso não significa que não haja vida microbiana na vizinhança, como em Marte. “Não há vida possível na sua superfície hoje, mas talvez esteja escondida debaixo do solo. E, se alguém falar que procurar por micróbios alienígenas não é cool, lembre-se de que, às vezes, o que começou como um caminho microbiano pode ter terminado numa civilização.” Terra e Marte foram formados na mesma época, algo em torno de 4,5 bilhões de anos atrás. Sinais de vida, como bactérias primitivas formadas por moléculas orgânicas rudimentares, foram encontrados por aqui com até 3 bilhões de anos.

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O que aconteceu neste intervalo de 1,5 bilhão de anos é um enigma, e essa peça do quebra-cabeça poderia estar em Marte, que divide patrimônio geológico com a Terra e foi há dezenas de milhões de anos leito de grandes rios, lagos e oceanos, segundo evidências coletadas pelos robôs exploradores da Nasa. “É preciso dar tempo para a ciência provar. No dia em que você colocar humanos em Marte, acabou. A vida estará em Marte. E não falo dos bípedes que somos, e sim das fábricas de micróbios que somos. Micróbios são muito resilientes, eles sempre encontram uma maneira de sobreviver”, completa Nathalie. “Queremos responder a perguntas preciosas. Qual é a nossa origem? Estamos sozinhos no universo? E os micróbios podem nos contar algo importante, que dinheiro nenhum pode comprar.”
Em abril, uma nova descoberta do Curiosity animou as equipes que se preparam para realizar a viagem: água líquida abaixo do solo. Até então, acreditava-se que havia apenas geleiras, mas em quantidade suficiente para inundar o planeta. “Não é gelo incorporado ou misturado à terra, é um gelo bem limpo, puro. Foi algo incrível, não esperávamos”, disse a GALILEU a cientista Deborah Bass, geóloga especialista em água polar marciana do Jet Propulsion Laboratory, um centro de pesquisa da Nasa no sul da Califórnia, criadora do Spirit e do Curiosity.
Bass trabalhou na próxima missão da agência para Marte, na qual um novo veículo explorador, ainda sem nome e estimado em US$ 1,9 bilhão, será lançado em 2020, equipado com sete instrumentos de pesquisas científicas, selecionados entre um total de 60 projetos do mundo inteiro. Além do aparelho que produz oxigênio, há um radar norueguês de penetração no solo para estudo geológico e uma ferramenta espanhola com sensores para avaliar temperatura, umidade, ventos e pressão.
O problema é que a corrida espacial não atrai apenas grandes potências ou empresários bem-intencionados. Há espaço também para falcatruas. Um dos casos mais polêmicos é o da Mars One, uma organização holandesa que planejava financiar a viagem a Marte de quatro terráqueos, com passagem só de ida, como parte de um reality show no melhor estilo BBB. Eles afirmam que mais de 200 mil pessoas se candidataram, e a organização chegou a 100 nomes (incluindo uma professora brasileira de 51 anos).

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As primeiras viagens tripuladas aconteceriam em 2026. Em março deste ano, no entanto, os planos do empresário Bas Lansdorp começaram a ruir. A Endemol, produtora do Big Brother, recusou-se a fazer um acordo com a Mars One, e a SpaceX afirmou não ter nenhum contrato com a firma, que havia anunciado em seus planos o uso das aeronaves de Musk. Para piorar, o prestigioso MIT resolveu debruçar-se sobre o projeto e chegou a uma conclusão assustadora: os quatro astronautas só conseguiriam viver 68 dias em Marte, antes de morrer de fome ou por falta de oxigênio no ar.
Para completar, os próprios escolhidos começaram a sentir cheiro de fraude e a fazer denúncias de que o projeto não passava de um esquema de pirâmide. Lansdorp, fundador de uma companhia de energia eólica, negou as denúncias e segue firme atrás de financiamento.
Seja lá como ou quando for que cheguemos a Marte, a aventura interplanetária faz parte da nossa história de desbravadores de novas terras. “A exploração está em nosso DNA. Há 2 milhões de anos, os humanos evo­luíram na África e foram se espalhando pelo planeta, indo além de seus horizontes. Está dentro de nós”, disse Petranek. Que os novos astronautas tenham o mesmo sucesso que esses africanos que, um dia, saíram em busca de uma nova casa.

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11.397 – Planeta que “não existia” foi recém-analisado, provando sua existência e possibilidade de sustentar vida humana


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O planeta Gliese 581d tem condições capazes de sustentar vida, e é provável que seja um mundo rochoso com o dobro do tamanho da Terra. Os sinais do planeta foram, inicialmente, descobertos em 2010, mas no ano passado foram identificados oscilações em estrelas distantes, o que confundiu os astrônomos. Hoje, sabe-se que estes “sinais” vieram do próprio planeta e não das estrelas próximas.
Agora, um novo estudo afirma que a pesquisa de 2014 foi baseada em “análises inadequadas de dados” e que Gliese 581d não existe.
No ano passado, pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, disseram que o Gliese 581d – e seu companheiro Gliese 581g – eram simplesmente um truque de luz causado por rajadas magnéticas de uma estrela localizada a 22 anos-luz de distância.
A nova pesquisa britânica, no entanto, argumenta que o método utilizado pela equipe de Pensilvânia era adequado apenas para grandes planetas, podendo perder os pequenos, como GJ 581d. O estudo, realizado pela Queen Mary University, em Londres, e a Universidade de Hertfordshire, afirma usar um modelo mais preciso sobre os dados existentes.
“A existência (ou não) de GJ 581d é significativa porque foi o primeiro planeta semelhante à Terra descoberto na chamada ‘zona habitável’, em torno de outra estrela, sendo um caso de referência para a técnica Doppler”, disse o principal autor, o Dr. Guillem Anglada-Escudé.
“Há sempre discussões entre os cientistas sobre as formas de interpretar os dados, mas estou confiante de que GJ 581d esteja na órbita de Gliese 581 durante todo este tempo. Em qualquer caso, a força de sua declaração era muito forte. Se a sua maneira de tratar os dados estava certa, então alguns projetos de pesquisa planetária, em vários observatórios terrestres, teriam de ser significativamente revistos com o objetivo de detectar planetas ainda menores”, relatou.
Acredita-se que GJ 581d seja o primeiro planeta fora do nosso sistema solar, na zona habitável em torno de sua estrela – uma área nem muito quente, nem muito fria para a vida. Para encontrar Gliese 581d, astrônomos da Universidade da Califórnia observaram originalmente, mudanças sutis na luz, causadas pela gravidade de um planeta orbitando para trás e para frente da estrela. A força do empuxo, acreditavam eles, mostrou-lhes que o planeta possuía cerca de três vezes a massa da Terra.
Na época, a descoberta de planetas semelhantes à Terra em torno de Gliese 581 chamou a atenção do público. O canal de documentários RDF e o site da rede social Bebo, usaram um telescópio de rádio na Ucrânia para enviar um poderoso feixe focalizado de informações – 500 mensagens do público sob a forma de ondas de rádio – para Gliese 581. O ministro da ciência, na Austrália, convocou 20.000 usuários do Twitter para enviar mensagens para o sistema solar distante, baseando-se nas descobertas.
O veredicto é de que Gliese 581d existe, ao contrário do que foi questionado. Rumores na época coloram em dúvida os cálculos e análises dos astrônomos responsáveis por sua descoberta, mas as análises atuais provaram que eles estavam certos.
Gliese 581d é uma esperança, mesmo que mínima, de um dia o ser humano fugir da Terra e povoar outros ‘mundos’, em busca da perpetuação da espécie e sobrevivência.