8275 – Geografia do Brasil – O Vale do Jequitinhonha


Vale Mapa

casinhas do Sertão de Jequitinhonha

Está situado no norte do estado de Minas Gerais. É uma região amplamente conhecida devido aos seus baixos indicadores sociais e também ao norte é conhecida por ter características do sertão nordestino. Por outro lado, é detentora de exuberante beleza natural e de riqueza cultural, com traços sobreviventes da cultura indígena e da cultura negra.
A região, que inicialmente pertenceu à Bahia (até o final do século XVIII), foi incorporada ao estado de Minas Gerais, após a descoberta de diamantes no tijuco (região de Diamantina).

VALE-canoa

Ocupa uma área de mais de 85 mil km² onde vivem 1 milhão de pessoas, aproximadamente, distribuídos em cerca de 80 municípios sendo considerada uma das regiões mais pobres do Brasil.
A maior parte do solo é árido sendo castigado regularmente por secas e enchentes. 75% de sua população vive na área rural praticando uma rudimentar agricultura e pecuária.
A região no passado era formada por florestas e habitada por tribos indígenas. O que mais contribuiu para a degradação da região foi a atividade predatória da mineração e extração do diamante.
No Vale do Jequitinhonha produz-se um excelente e criativo artesanato em Cerâmica, Tecelagem, Cestaria, Esculturas em Madeira, Trabalhos em Couro, Bordados, Pintura, Desenho, Música.
Os principais pólos da atividade cerâmica são as cidades: Itinga, Araçuaí, Santana do Araçuaí, Turmalina, Caraí, Itaobim, Taiobeiras, Padre Paraíso, Joaíma e Minas Novas.
Os mais famosos ceramistas são: Isabel Mendes da Cunha; João Pereira de Andrade, seu genro casado com sua filha Glória Maria, também ceramista; Ulisses Pereira Chaves; Noemisa Batista da Silva; Raimunda da Silva (Dona Mundinha); João Alves e Dona Pedra.
Os trabalhos com barro no Vale iniciaram-se com a confecção de peças utilitárias que eram feitas pelas mulheres chamadas de paneleiras. A tradição manteve-se através das gerações- bisavós, avós, mães e filhas. Faziam moringas, vasilhas, panelas, potes etc, tudo com uma marcante influência indígena. Produziam também figuras para adornar Presépios e brinquedos utilizados pelas crianças.
Com o passar do tempo passaram a produzir peças decorativas “de enfeite” como dizem. Figuras humanas, animais, cenas do cotidiano, tipos, usos e costumes da região.
No processo usam rudimentares fornos a lenha, a técnica dos roletes (cobrinhas), ao invés do torno de oleiro, placas e toscas ferramentas. Os pigmentos usados na decoração (pintura) são naturais extraídos de barro encontrados nas muitas jazidas de argila da região.
A grande melhoria na vida dos artesãos ocorreu com a criação, na década de 70, da CODEVALE-Comissão de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha. A entidade recolhia a produção dos artistas e revendia os produtos, principalmente em Belo Horizonte. Esta atuação oficial incentivou bastante o artesanato trazendo uma significativa melhora no nível de vida dos moradores.