10.659 – Nobel 2014 – O de Química vai para microscopia que permite enxergar funcionamento das células


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O cientista americano William Moerner estava em um hotel no Recife quando recebeu um telefonema de sua mulher, às 7h: havia recebido o Nobel de química.
Segundo afirmou ao site do Nobel, Moerner ficou sem saber o que fazer: ainda participaria, pela manhã, das atividades de um workshop sobre a interação entre a luz e a matéria na Universidade Federal de Pernambuco, mas acabou ficando no hotel para atender aos jornalistas.
“Muitas coisas mudam de repente quando você recebe notícias incríveis como essa, e estou muito feliz pelo reconhecimento do campo e dos cientistas em muitos lugares do mundo que contribuíram para esse esforço.”
O prêmio deste ano em química foi dado a Moerner, da Universidade Stanford, e outros dois pesquisadores, Eric Betzig, do Instituto Médico Howard Hughes, e o alemão Stefan Hell, do Instituto Max Planck. Os três, trabalhando separadamente, superaram um limite da ciência estabelecido em 1873: quão pequeno pode ser um organismo vivo visto por um microscópio.
No século 19, o alemão Ernst Abbe encontrou o limite físico para a resolução da microscopia tradicional, que usa luz para formar imagens: 0,2 micrômetro, mais ou menos o tamanho de uma mitocôndria, uma estrutura interna de uma célula. Esse cálculo levou em conta o comprimento de onda da luz visível.
Assim, era possível ver o contorno dessas estruturas, mas não os processos químicos que acontecem dentro delas, muito menos vírus, que são ainda menores.
A alternativa disponível, a partir da década de 30, para registrar imagens dessas estruturas muito pequenas era usar microscopia eletrônica, que não trabalha com luz e sim com elétrons. O problema é que ela não pode ser empregada em estruturas vivas –o processo requer uma amostra estática e, na maioria das vezes, fatiada.
A solução foi usar fluorescência: fazer as moléculas das células brilharem e captar esse brilho de modo a aumentar o foco e a resolução do microscópio.
Em 2000, Stefan Hell desenvolveu um método que usa dois feixes de laser: um estimula o brilho de moléculas fluorescentes, e o outro elimina todo o brilho que não esteja na escala desejada.
Assim, é possível fazer uma varredura só no nível nanométrico (bilionésima parte do metro).
Betzig e Moerner criaram um método para estudar molécula por molécula, ligando e desligando o brilho em cada uma delas e registrando séries de imagens da mesma amostra. A sobreposição das imagens cria um registro de altíssima resolução.
Com o trabalho dos três, tornou-se possível ver como as células funcionam e o que acontece quando elas estão doentes. Hell, por exemplo, estudou as ligações entre os neurônios no cérebro; Moerner analisou proteínas ligadas à doença de Huntington e Betzig pesquisou a divisão celular em embriões.

9954 – Cientistas detectam ‘ecos’ do Big Bang


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Cientistas americanos anunciaram que detectaram “ecos” do Big Bang: ondas gravitacionais deixadas pelo fenômeno ocorrido há quase 14 bilhões de anos. Essa é a primeira vez em que há evidências indiretas da expansão cósmica e em que cientistas conseguem vislumbrar como o universo nasceu.
A descoberta foi feita por meio do telescópio Bicep (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarization), localizado no Polo Sul, e relatada por pesquisadores do Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos. Também fizeram parte do estudo especialistas da Universidade Stanford e do Instituto de Tecnologia da Califórnia.
As ondas gravitacionais foram previstas há quase cem anos pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein, mas eram até agora a única parte da teoria que ainda não havia sido comprovada. Elas são minúsculas distorções no campo gravitacional do universo que transportam energia pelo espaço.
O achado dos cientistas também pode comprovar outra teoria, a da inflação cósmica, proposta na década de 1980. Segundo ela, a inflação cósmica é o primeiro instante de existência do universo e ajuda a explicar, por exemplo, por que a expansão do universo foi tão grande e rápida e relativamente uniforme. A teoria propõe que foi nessa fase que ocorreram as ondas gravitacionais.
Os cientistas não identificaram as ondas gravitacionais em si, mas sim padrões de polarização provocados por elas. A descoberta ainda precisa ser confirmada por outros grupos de cientistas para ser totalmente comprovada. Especialistas ouvidos pela revista americana Time, no entanto, já consideram o achado como “extraordinário” e “merecedor de um (prêmio) Nobel”. “Esse é um verdadeiro avanço. Ele representa uma nova era para a cosmologia e a física”, disse ao jornal britânico The Guardian Andrew Pontzen, professor de cosmologia da Universidade College London.

9931 – Projeções – Quais profissões condenadas a desaparecer – e as que resistirão às novas tecnologias?


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O russo Gary Kasparov não foi apenas o maior jogador de xadrez de seu tempo. Quando aceitou jogar contra o supercomputador Deep Blue, em 1997, era considerado o maior enxadrista de todos os tempos. “Não acho apropriado discutir o que eu faria em caso de derrota”, disse, antes do duelo. “Nunca perdi.” Em outra ocasião, foi ainda mais confiante: “Nunca vou perder para uma máquina”. Depois de oito dias e seis partidas, o que parecia improvável aconteceu. A máquina venceu o homem num duelo de capacidade intelectual. A vida profissional de Kasparov foi diretamente afetada a partir daquele dia 11 de maio. A vida dos demais profissionais, não. Supercomputadores eram para poucos. O Deep Blue pesava 1,4 tonelada, só sabia jogar xadrez e custou, em valores atuais, o equivalente a US$ 15 milhões. Computadores já haviam chegado a fábricas e escritórios, mas com capacidade e resultados tímidos. Ainda prevalecia a frase cunhada em 1987 por Robert Solow, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre crescimento: “Dá para ver a era dos computadores em todo lugar, menos nas estatísticas de produtividade”. Hoje, 16 anos após a derrota de Kasparov, o cenário mudou. O poder de processamento de um supercomputador dos anos 1990 está agora disponível em computadores pequenos, baratos, versáteis e interconectados, como os smartphones. Incrivelmente capazes de armazenar e interpretar informações, essas novas máquinas estão revolucionando o ambiente de trabalho – e isso afeta diretamente seu emprego. “Cerca de 47% das profissões correm risco”.
Frey e Michael Osborne, professor de ciência de engenharia de Oxford, avaliaram tarefas cotidianas de mais de 700 ocupações, para identificar o que uma máquina poderá fazer melhor que os humanos nas próximas duas décadas. Chegaram a um índice que varia entre 0 (nenhum risco de substituição) e 100% (risco total). As profissões mais ameaçadas estão nas áreas de logística, escritório e produção, aquelas que envolvem tarefas intelectualmente repetitivas. Embora o estudo seja baseado no mercado de trabalho dos Estados Unidos, suas conclusões são aplicáveis mundialmente. “Trocar profissionais por máquinas no Brasil é, em tese, menos atraente do que nos Estados Unidos, porque os salários são mais baixos.
Exercícios de futurologia sobre a evolução da tecnologia existem há décadas – e, há décadas, eles costumam errar o alvo. Historicamente, os profetas pecam pelo otimismo. Agora, a realidade parece ter chegado antes do previsto. Em 2004, os economistas Frank Levy, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Richard Murnane, da Universidade Harvard, disseram no livro A nova divisão do trabalho que os robôs continuariam incapazes de realizar tarefas complexas, como dirigir. A previsão dos dois especialistas foi superada em 2005, quando Stanley, um carro sem motorista da Universidade Stanford, venceu um desafio proposto pela Agência de Projetos Avançados de Defesa dos Estados Unidos (Darpa). Desde 2009, o Google desenvolve a tecnologia do Stanley em estradas abertas ao trânsito. Os robôs já rodaram mais de 500.000 quilômetros, sem acidentes. O custo do sistema de radares a laser, usado pelos carros, caiu de US$ 35 milhões para US$ 80 mil. Considerados, no livro de 2004, insubstituíveis em longo prazo, motoristas de ônibus escolares têm 89% de chance de ser substituídos por uma máquina, segundo a previsão atual.

Nova Revolução Industrial?
O grande salto e a grande crise ocorreram com a Revolução Industrial. O trabalho repetitivo de artesãos foi substituído por máquinas, operadas por profissionais mais baratos e de menor qualificação. A mudança encontrou resistência de muitos – pois nunca se sabem, de antemão, os vencedores e perdedores de uma revolução. Até a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, resistiu. Em 1589, recusou-se a patentear a máquina de tecer criada pelo inventor William Lee. “Imagine o que sua invenção poderia fazer a meus pobres cidadãos”, disse. “Sua máquina certamente os levará à ruína, ao tirar o emprego, tornando-os mendigos.” A tentativa mais inflamada de conter a evolução tecnológica foi liderada pelo inglês Ned Ludd, entre 1811 e 1817. Os “luditas” invadiram tecelagens e quebraram máquinas. Em vão. No longo prazo, a sociedade saiu ganhando. A manufatura tornou os produtos acessíveis a um público maior, porque ficaram mais baratos e porque a profissão de operário incluiu no mercado mais consumidores. O aumento nas vendas criou demanda por atividades relacionadas, como produção de matéria-prima e manutenção das linhas de produção, e indiretamente relacionadas, como transporte e alimentação. Fez a economia girar. A Revolução Industrial melhorou as condições de vida de tal forma que, entre os anos 1700 e 1900, a população mundial cresceu de 680 mil habitantes para 1,6 bilhão.

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A automação do trabalho intelectual será um salto comparável ao da Revolução Industrial, afirmam Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, professores do MIT, no livro The second machine age (A segunda era da máquina). Os autores afirmam que a segunda revolução das máquinas, a exemplo da primeira, trará possibilidades fantásticas de melhora na qualidade de vida – ao lado de incertezas, desemprego e, possivelmente, concentração de renda. O avanço da computação nos Estados Unidos, nas últimas três décadas, já foi acompanhado de aumento na desigualdade social. Os dados mais recentes do Departamento de Receita americano mostram que a camada 1% mais rica da população acumulou 19,3% da renda do país em 2012 – um recorde, num século de levantamento. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego no mundo crescerá 6,4% de 2013 a 2018, apesar da perspectiva de recuperação econômica nos países ricos. Historicamente, o avanço tecnológico fechou portas e abriu um número ainda maior de janelas. Num momento de transição, como agora, nem sempre é fácil identificar onde as janelas se abrem. Mas algumas parecem bastante claras.
criatividade sobreviverá ao avanço das máquinas em carreiras artísticas, como design de moda. “Um computador pode criar variações do que faz sucesso, mas é incapaz de lançar tendências”, diz Frey. “A moda é uma abstração humana.” A maior oportunidade do século está na simbiose entre a criatividade humana e o poder de computação das máquinas. Serviços como Amazon e Google são o melhor exemplo desse casamento feliz. Há duas décadas, seus fundadores eram jovens de classe média, formados em ciências exatas nas melhores universidades americanas. Hoje, Larry Page e Sergey Brin (fundadores do Google) e Jeff Bezos (fundador da Amazon) são os mais jovens integrantes da lista de 20 homens mais ricos do mundo. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, está no caminho. Aos 29 anos, é o 66o mais rico. A tecnologia atual permite a qualquer jovem lançar um produto de sucesso mundial. Basta ter uma boa ideia, de preferência uma que dê sentido à avalanche de dados digitais armazenados pelas máquinas.

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9736 – Aspirina Polivalente – Pode também reduzir o risco de câncer de ovário


Aspirina
A aspirina pode ajudar a diminuir o risco de câncer de ovário, um tumor agressivo, difícil de ser diagnosticado e com pouca chance de cura — na maioria das vezes, a doença é detectada já em estágio avançado. Segundo uma nova pesquisa do Instituo Nacional do Câncer dos Estados Unidos, mulheres que tomam o medicamento diariamente podem ser até 20% menos propensas a desenvolver esse câncer do que aquelas que fazem uso de aspirina menos do que uma vez por semana.
A conclusão foi obtida após os autores analisarem doze pesquisas feitas, ao todo, com cerca de 8 000 mulheres com câncer de ovário e outras 12 000 livres da doença. A equipe levou em consideração se essas participantes faziam uso de aspirina e, depois, estabeleceu uma relação entre o medicamento e a incidência do tumor. O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico Journal of the National Cancer Institute.
A aspirina já se comprovou eficaz para inibir o acúmulo de plaquetas no sangue e, assim, é considerada uma forma de prevenir doenças cardiovasculares. Porém, pesquisas recentes mostram que o medicamento também pode diminuir o risco de outras condições. Um estudo da Universidade Stanford divulgado no ano passado, por exemplo, associou o uso regular do remédio à proteção contra o melanoma. Já um trabalho da Sociedade Americana do Câncer concluiu que a aspirina pede ser útil no combate à mortalidade provocada pelo câncer.
Os autores dessa nova pesquisa lembram, porém, que as conclusões foram obtidas a partir da análise de estudos observacionais. Ou seja, eles não sabem dizer os mecanismos que levam a esse possível benefício. As pessoas não devem, portanto, passar a tomar aspirina como forma de diminuir o risco de câncer de ovário. Além disso, o medicamento pode ser prejudicial para pessoas que sofrem de úlcera.
O câncer de ovário não é o tumor ginecológico mais frequente entre as mulheres, mas é o mais agressivo. Isso porque ele é muito difícil de ser diagnosticado e é aquele com a menor chance de cura — cerca de 3/4 dos casos desse tipo de câncer já estão em estágio avançado no momento do diagnóstico. Mesmo assim, as principais entidades médicas do mundo não recomendam exames de prevenção para a doença, que incluem uma análise de sangue e a ultrassonografia dos ovários, em mulheres saudáveis, pois, além de não reduzirem a mortalidade, podem levar a cirurgias desnecessárias.
Cerca de 5% dos casos desse câncer são hereditários. A incidência pode ter relação com o número de ovulações — por isso, tomar pílula e engravidar muitas vezes pode ajudar a reduzir o risco do problema. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o tumor causou 3 027 mortes no Brasil em 2011.

9502 – Saúde – Por que muita testosterona enfraquece o sistema imunológico?


Altos níveis de testosterona, hormônio responsável por características masculinas como a formação de músculos, são associados a um enfraquecimento do sistema imunológico. Para a medicina, essa relação ainda não era clara. Agora, um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, pode explicar a ligação entre a testosterona e o sistema imunológico. Segundo a pesquisa, a testosterona ativa um grupo de genes presentes nas células de defesa que enfraquecem a resposta do sistema imunológico diante de um antígeno (substância estranha ao organismo que pode causar doenças).
A conclusão foi publicada nesta segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Para realizar o estudo, os pesquisadores acompanharam 53 mulheres e 34 homens com idades entre 20 e 89 anos que haviam tomado a dose anual da vacina contra a gripe. Os voluntários foram submetidos a exames de sangue antes e depois de serem imunizados para a medição dos níveis de proteínas relacionadas à imunidade, bem como a expressão dos genes envolvidos no sistema de defesa.
De maneira geral, as mulheres tiveram uma resposta imunológica melhor do que os homens após a vacinação, já que produziram mais anticorpos. Porém, quando os pesquisadores as compararam apenas com os homens com níveis baixos de testosterona, a resposta do sistema de defesa foi semelhante. A produção de anticorpos foi mais fraca apenas entre os homens que tinham os maiores níveis do hormônio.
Os autores, então, buscaram alguma explicação para esses achados. Eles descobriram que um conjunto de genes presentes nas células de defesa do corpo e capazes de enfraquecer a imunidade parece ser regulado pela testosterona. Assim, os pesquisadores concluíram que altos níveis do hormônio interferem na atividade de tais genes.
Para os autores do trabalho, é preciso entender o motivo pelo qual a seleção natural criou um hormônio capaz de dar origem a traços ligados à força e, simultaneamente, a um sistema imunológico precário.