11.136 – Teoria do Caos – Por que os acidentes acontecem?


Concorde, o supersônico
Concorde, o supersônico

Em 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France acelerava na pista do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para atingir a velocidade de 400 quilômetros por hora, como fazia em todas as decolagens. No caminho, passou em cima de uma pedaço de titânio de 45 centímetros que um DC-10 deixara no asfalto minutos antes. Um dos pneus da asa esquerda explodiu e lançou uma tira de borracha de 4,5 quilos contra o fundo do tanque de combustível que estava um pouco à frente. O choque fez um furo no tanque e gerou calor suficiente para incendiar a gasolina que começou a vazar. As chamas atingiram as duas turbinas do avião, que estavam logo atrás. Elas continuaram a funcionar, mas com menos potência, e espalhando o combustível em um rastro de 60 metros. O Concorde subiu. Os sistemas de segurança do avião detectaram então que a origem do fogo eram as turbinas – e não o tanque –, o que fez o piloto desligá-las e tentar um pouso de emergência com os motores que sobravam.
A falta das turbinas fez com que, segundos depois, o avião atingisse o ponto crítico em que o ar sob as asas não faz pressão suficiente para garantir a sustentação. O Concorde – o mais veloz avião de passageiros do mundo – caiu sobre um hotel em Paris. Foram 113 mortos – quatro deles estavam em terra –, um hotel em ruínas, um avião destruído. E tudo começou com um pedacinho de metal de nem 0,5 metro de comprimento.
Diagnóstico: azar. Certo? Talvez não. Claro que ninguém supunha que um simples pedaço de metal poderia derrubar um avião tão moderno. Mas acidentes como esse – em que uma sucessão de pequenas falhas insignificantes dá origem a enormes catástrofes – são corriqueiros. E, segundo os pesquisadores que estudam a chamada “teoria do caos, um dos ramos mais interessantes da Matemática, tendem a se tornar cada vez mais comuns. É como se estivesse funcionando a todo momento, na vida de todos nós, a Lei de Murphy, aquela segundo a qual “se uma coisa pode dar errado, ela dará, e na pior hora possível”.
A explicação para a prevalência cada vez maior da Lei de Murphy é que, pela teoria do caos, os riscos de que fatores insignificantes se transformem em tragédia aumentam à medida que aumenta a potência das fábricas, dos veículos e das máquinas. “Quanto mais energia você concentra em um espaço pequeno, maiores as conseqüências de qualquer ato”, diz Moacyr Duarte, especialista em contenção de catástrofes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um acidente em uma fábrica no início do século XX poderia ser grave, mas não chega aos pés de um descuido em uma usina nuclear. Quanto maior a complexidade do sistema, mais elementos interagem entre si e maiores as chances de acidente.
Muitas vezes, os próprios equipamentos que cuidam da segurança aumentam a complexidade e acabam causando acidentes. Automatizar o gerenciamento de uma rede de trens, por exemplo, abre a possibilidade de as pessoas não estarem acostumadas com essas máquinas e as configurarem mal, ou de esses equipamentos quebrarem e levarem a colisões ou descarrilamentos. “É impossível eliminar todas as possibilidades de erro. O nosso trabalho consiste em reduzir o risco a níveis aceitáveis”, diz o engenheiro João Batista Camargo Júnior, da Universidade de São Paulo, que pesquisa formas de evitar acidentes em redes de transportes.
Da mesma forma, nossos equipamentos são compostos de várias partes que interagem, se movimentam e podem dar origem a momentos de instabilidade. É nesses momentos que a catástrofe fica mais próxima. As redes elétricas, que estão entre as construções mais complexas já feitas, podem absorver interferências corriqueiras como a queda de uma central. Mas, se essa falha acontecer em um momento de grande demanda, o sistema tende a chegar perto da área de instabilidade, bastando mais um empurrão para o desastre. Uma situação como essa aconteceu em janeiro, quando uma conexão entre Ilha Solteira e Araraquara, no interior de São Paulo, falhou em um momento de sobrecarga. Na tentativa de resolver o problema, outra linha na mesma região foi desligada, piorando a situação e jogando todo o sistema em uma instabilidade irreversível. Resultado: 11 Estados sem luz.
Fenômenos do mesmo tipo são encontrados em campos como engenharia, biologia, medicina, química e, principalmente, nos sistemas humanos. “Empresas e instituições financeiras são formadas por múltiplos agentes interagindo, trocando materiais e informações em uma dinâmica complexa. Às vezes, eles adquirem uma configuração tal em que basta uma fagulha para desencadear o desastre.
A dinâmica desses desastres parece desafiar a lógica da maioria das pessoas. “Quando indivíduos tentam resolver problemas complicados, trazem à tona um tipo de raciocínio que estimula erros. A partir daí, a situação se torna cada vez mais complexa e encoraja decisões que tornam as falhas ainda mais prováveis”, diz o psicólogo Dietrich Dörner, da Universidade de Bamberg, Alemanha, no livro The Logic of Failure (A lógica do fracasso, inédito no Brasil).

A teoria do caos
No século XVII, Isaac Newton mudou a ciência ao descobrir que alguns fenômenos da natureza poderiam ser explicados com leis matemáticas. A partir daí, muitos pesquisadores acreditaram que as leis poderiam explicar e prever o comportamento de todos os fenômenos se fossem reunidas informações suficientes. Até que, em 1961, o meteorologista Edward Lorenz, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descobriu por acaso um dos mais importantes argumentos contra essa idéia. Ele havia programado um modelo, nos primitivos computadores da época, que simulava o movimento de ventos e de massas de ar. Um dia, quis repetir uma situação em seu programa e digitou os números correspondentes a ela, só que com algumas casas decimais a menos. Acreditava-se que essa ligeira imprecisão levaria a um resultado só um pouco diferente, mas ele se transformou totalmente. Era como se o bater de asas de uma borboleta na Ásia causasse, meses depois, um tornado na América.
Lorenz percebeu que seu modelo, embora construído com equações simples, poderia se tornar caótico e imprevisível. Nascia a “teoria do caos”. Pesquisas feitas depois mostraram que o “efeito borboleta”, como ficou conhecido, poderia ser encontrado em milhões de fenômenos, como o trânsito, o movimento de partículas em um líquido e as cotações da Bolsa. Cada um desses sistemas, apesar de obedecer a regras simples, pode adquirir infinitas configurações, de acordo com a influência de fatores aparentemente insignificantes – como casas decimais ou o bater das asas das borboletas. “A própria história funciona dessa forma”, diz o físico Celso Grebogi, da USP. “A modificação de um pequeno acontecimento séculos atrás poderia levar o mundo para uma outra situação”.

Como evitar desastres
Segundo o psicólogo alemão Dietrich Dörner, operar sistemas complexos é como jogar xadrez sem saber todas as regras, em um tabuleiro com peças amarradas entre si, onde movimentar um peão muda a posição de todas as outras figuras. Ele dá as dicas de como se dar bem nessas situações:
1. Defina objetivos
Saiba com clareza o que você quer fazer. Se for algo pouco específico, como “aumentar a produtividade da empresa”, procure desdobrar em outras metas, tomando o cuidado de não perder de vista o objetivo final. Evite objetivos contraditórios: saiba sempre qual deles é prioritário.
2. Crie um modelo
Estude os elementos do sistema e as relações entre eles, sem se confundir com detalhes excessivos nem reunir todos os fatores em uma explicação só. Entenda com0 o sistema funciona.
3. Faça previsões e extrapolações
Mais importante do que o estado atual de um sistema é a forma como ele tem evoluído. Uma dúzia de casos de uma doença infecciosa pode dar origem a uma epidemia em pouquíssimo tempo. Concentre-se nas tendências.
4. Planeje e execute as ações
Mas não sem antes imaginar quais serão os efeitos secundários de cada ato. Evite repetir uma solução vitoriosa para todos os casos. Os generais mais experientes foram os que mais sofreram baixas nas guerras do começo do século XX. Acostumados às guerras do século anterior, perderam todos os soldados quando a metralhadora foi inventada.
5. Analise os efeitos
Use suas ações como laboratório para saber se o modelo e a estratégia ainda são válidos. Se o trator não virou quando você girou o volante, problema: o modelo que você tinha do veículo precisa ser revisto urgentemente, antes que aquele muro chegue.

11.045 – Transporte – Carro elétrico pode poluir mais que um a gasolina


quatro-rodas-heroi-ou-vilao-novembro

Os veículos 100% elétricos são limpos, mas, dependendo da matéria-prima usada para gerar eletricidade, o mocinho pode virar bandido. Um estudo realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostra que o carro a gasolina pode ser até mais limpo, caso o país onde ele rode recorra a combustíveis fósseis para gerar energia. “Nesse caso, a vantagem dos elétricos se resume a evitar a concentração de gases tóxicos nos centros urbanos”, diz Roberto Brandão, pesquisador do grupo de estudos do setor elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na China e na Índia, que usam carvão mineral para gerar quase 70% da energia, o desempenho do veículo elétrico foi desanimador, chegando a poluir mais do que um a combustão. Nos países em que a fonte energética é menos poluente, o carro ecológico vale a pena. Na França, que usa energia nuclear, considerada limpa na geração de CO2, o carro a bateria se saiu bem. O mesmo vale para o Brasil. “Mais de 80% da energia nacional vem de hidrelétricas. Portanto, os elétricos aqui são limpos de verdade”, diz Margaret Groff, coordenadora do projeto de veículo elétrico da usina de Itaipu.

10.470 – Astronomia – Superlua vai iluminar o céu


super-lua

Uma superlua, nome dado a um fenômeno em que a Lua aparece maior e mais brilhante no céu, poderá ser vista neste domingo. No Brasil, o melhor horário para observá-la será assim que o satélite nascer no dia 10 de agosto, por volta das 18 horas, na direção leste.
A superlua acontece quando o perigeu lunar, ponto da órbita no qual o satélite está o mais próximo possível da Terra, coincide com o ápice da Lua cheia. O fenômeno deste domingo é considerado especial porque a diferença de tempo entre esses dois pontos (o de menor distância em relação à Terra e o máximo da fase cheia) será de menos de 30 minutos, o que significa que vão ocorrer de forma quase simultânea. “Essa diferença de meia hora vai se repetir apenas em 25 de novembro de 2034”, afirmou o coordenador do curso de Mestrado em Astrofísica da Universidade Cruzeiro do Sul. Nas outras duas superluas deste ano, uma em julho e outra em setembro, a período foi de, respectivamente, 21 e 22 horas.
No domingo, a Lua ficará a 356.896 quilômetros da Terra, enquanto a distância média é de aproximadamente de 380.000 quilômetros. A expectativa é que o satélite aparente estar 14% maior e 30% mais brilhante que em uma lua cheia convencional. O ápice da superlua vai ser às 15h09 (em Brasília), quanto a Lua ainda não pode ser vista no Brasil, mas o efeito permanecerá durante a noite.
A recomendação é observar o satélite no início da noite, para aproveitar uma “ilusão de ótica” que a faz parecer maior. “Quando observamos a Lua na linha do horizonte ela costuma parecer maior, porque temos pontos de referência, como árvores e prédios, que criam uma escala de comparação”, explica Rundsthen Vasques de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ. Para a próxima superlua, em 9 de setembro, o ponto máximo está previsto para as 22h38, no horário de Brasília.
As condições climáticas para a observação do fenômeno estarão favoráveis no domingo para a maior parte do Brasil. De acordo com a meteorologia da Climatempo, o tempo estará aberto na região Centro-Oeste e na maior parte do Norte. No Sul, no Rio Grande do Sul e na região serrana de Santa Catarina pode haver dificuldade, em virtude de uma frente fria que deve causar a aparição de nuvens no céu. Na região Sudeste, a frente fria prejudica a faixa entre o sul do Espírito Santo e o norte do Rio de Janeiro e, no Nordeste, do litoral de Alagoas até o leste de Pernambuco o vento úmido vindo do mar pode provocar chuvas durante a noite do domingo.

10.423 – Literatura – Sérgio Buarque de Holanda


Sérgio Buarque de Holanda
Sérgio Buarque de Holanda

(São Paulo, 11 de julho de 1902 — São Paulo, 24 de abril de 1982) foi um dos mais importantes historiadores brasileiros. Foi também crítico literário e jornalista.
De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Heloísa Maria (Miúcha) e Chico Buarque. Ainda em 1936, publicou o ensaio “Raízes do Brasil”, que foi seu primeiro trabalho de grande fôlego e que, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde obteve o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1925. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal (atual UERJ). Em 1939, extinta a Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar na burocracia federal. Em 1941, passou uma longa temporada como visiting scholar em diversas universidades dos Estados Unidos.
Reuniu, no volume intitulado “Cobra de Vidro”, em 1944, uma série de artigos e ensaios que anteriormente publicara nos meios de imprensa. Publicou, em 1945 e 1957, respectivamente, “Monções” e “Caminhos e Fronteiras”, que consistem em coletâneas de textos sobre a expansão oeste da colonização da América Portuguesa entre os séculos XVII e XVIII.
Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, que ocuparia até 1956, sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen.
Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de “História da Civilização Brasileira”, agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever “Visão do Paraíso”, livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o “Prêmio Edgar Cavalheiro”, do Instituto Nacional do Livro, por “Caminhos e Fronteiras”.
A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da “História Geral da Civilização Brasileira”, para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da Universidade de São Paulo pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente.
No contexto da “História Geral da Civilização Brasileira”, publicou, em 1972, “Do Império à República”, texto que, a princípio, fora concebido como um simples artigo para a coletânea, mas que, com o decurso da pesquisa, acabou por ser ampliado num volume independente. Trata-se de um trabalho de história política que aborda a crise do império brasileiro no final do século XIX, explicando-a como resultante da corrosão do mecanismo fundamental de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.
Permaneceu intelectualmente ativo até 1982, tendo ainda, neste último decênio, publicado diversos textos. De 1975 é o volume “Vale do Paraíba – Velhas Fazendas” e de 1979, a coletânea “Tentativas de Mitologia”. Nestes últimos anos, trabalhou também na reelaboração do texto de “Do Império à República” – que não chegou a concluir.
Recebeu em 1980 tanto o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, quanto o Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro.
Também em 1980, participou da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores, recebendo a terceira carteira de filiação do partido, após Mário Pedrosa e Antonio Candido.
Por conta de sua participação no PT e na condição de intelectual destacado é que o centro de documentação e memória da Fundação Perseu Abramo (fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1996), recebe seu nome: Centro Sérgio Buarque de Holanda: Documentação e Memória Política.
Alguns de seus livros
Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, 1936.
Cobra de Vidro. São Paulo, 1944.
Monções. Rio de Janeiro, 1945.
Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII. São Paulo, 1948.
Caminhos e Fronteiras. Rio de Janeiro, 1957.
Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo, 1959.
Do Império à República. São Paulo, 1972. (História Geral da Civilização Brasileira, Tomo II, vol. 5).
Tentativas de Mitologia. São Paulo, 1979.
Sergio Buarque de Hollanda: História (org. Maria Odila Dias). São Paulo, 1985.
O Extremo Oeste [obra póstuma]. São Paulo, 1986.

Sérgio e Chico
Sérgio e Chico

6418 – UFRJ transforma o bagaço de cana em fibra de carbono


Peças de carro, materiais da indústria de petróleo e até armações de óculos podem estar prestes a se juntar a etanol, cachaça e açúcar como produtos derivados da cana.
Cientistas brasileiros desenvolveram um jeito de transformar os resíduos da planta em fibra de carbono, material muito valorizado pela indústria.
Hoje, o bagaço da cana-de-açúcar é o principal resíduo do agronegócio brasileiro. Uma tonelada da planta usada para fazer etanol produz, em média, 140 kg de bagaço.
Boa parte desses restos acaba queimada nas próprias usinas como forma de gerar energia, mas é uma destinação que ainda não consegue absorver todos os resíduos gerados. Se armazenados incorretamente, eles podem se tornar um fator sério de poluição ambiental.
Foi pensando nisso que um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) decidiu agir e dar uma destinação mais nobre ao “lixo”.
Eles desenvolveram um método que extrai a lignina -uma importante molécula “estrutural” dos vegetais, responsável, entre outras coisas, pela sustentação- do bagaço da cana e a trata para que ela seja transformada em fibra de carbono.
“Não é como transformar garrafa pet em tapete ou em árvore de Natal. É uma reciclagem com alto valor agregado, que pode gerar boas oportunidades, porque o Brasil ainda não tem produção industrial de fibra de carbono”, diz Veronica Calado, coordenadora do trabalho e também do Núcleo de Biocombustíveis, de Petróleo e de seus Derivados da UFRJ.
A fibra de carbono é obtida depois que o bagaço já passou por esse segundo processo. A lignina extraída do bagaço é processada e passa por vários processos, que vão aumentando o teor de carbono. No fim, obtém-se a fibra, que é laminada e pode ser vendida para as mais diversas aplicações.
Dez vezes mais forte do que o aço, mas ainda maleável e com elevada resistência à temperatura, a fibra de carbono é um material muito valorizado no mercado, com preços que podem variar entre US$ 25 e US$ 120 por kg.
A principal maneira de obtê-la hoje é derivá-la do petróleo, com muitos aditivos.
No mundo, já existem outras iniciativas para transformar a lignina em fibra de carbono. Todos esses projetos estão também em fase experimental. O grupo brasileiro, porém, orgulha-se de conseguir fazer o trabalho com menos aditivos, obtendo ainda um “extrato” de lignina mais puro e com maior potencial de transformação.
O trabalho carioca ainda está restrito aos laboratórios, mas a técnica já se mostrou funcional. A coordenadora do estudo diz que não há ideia do preço final da fibra, mas que “com certeza ela será mais barata do que a vinda do petróleo”.

6236 – Instituições Científicas – O COPPE


É um órgão suplementar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que coordena a maioria dos programas de pós-graduação em engenharia desta universidade. O instituto é considerado o maior centro de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina, estando sua sede localizada no prédio do Centro de Tecnologia (CT), na Cidade Universitária, Rio de Janeiro.

São 240 professores doutores, 120 engenheiros, 350 técnicos e 130 funcionários de administração e manutenção. Em conjunto ocupam uma área de 10 mil m² na Ilha do Fundão, no RJ e operam 64 laboratórios científicosdesde 1963.
Nessas 4 décadas deu origem a milhares de teses. Com as platafromas de prospecção de petróleo em alto mar, graças as quais perfura-se o mesmo na costa brasileira em profundodades inigualáveis. Um mapeamento de doenças está sendo realizado, com o objetivo de auxiliar no diagnóstico de males tropicais como a malária, esquitossomose e doença de chagas. A lista de endemias arquiva em computador , poderá ser usada como base em um programa capaz de imitar o raciocínio médico e fazer diagnósticos automaticamente. Só a doença de Chagas tem 9 formas clínicas diferentes. Há grande expectativa com relação a filtração artificial do sangue, a hemodiálise. A tecnologia para fabricar membranas foi aperfeiçoada há 2 décadas e se tornou mais rápida e barata a produção de substâncias de origem biológicas como os antibióticos. Seu desempenho deve melhorar ainda mais com o advento das películas tipo fibra oca.

A instituição, que possui 12 programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), já formou mais de 11,5 mil mestres e doutores e conta hoje com 325 professores doutores em regime de dedicação exclusiva, 2 800 alunos e 350 funcionários, entre pesquisadores e pessoal técnico e administrativo. Para atender às demandas de sua crescente produção científica e o desenvolvimento de projetos de pesquisa contratados, conta com 116 modernos laboratórios, que formam o maior complexo laboratorial do país na área de engenharia.

5706 – Medicina – Células-Tronco – Elas ainda vão salvar a sua vida


Células Tronco

As células-tronco embrionárias entram em cena quando temos cinco ou seis dias de vida e não passamos de uma bolinha de 150 células ultraversáteis, que darão origem a todo o nosso organismo. Quando envelhecemos, as células ficam mais “engessadas” em suas funções. A exceção fica por conta do segundo tipo de células-tronco, as adultas, encontradas no sangue ou no cérebro mesmo de pessoas adultas. Essas ainda conseguem originar vários tipos celulares diferentes, mas de maneira mais limitada. A esperança de médicos e doentes é usar ambos os tipos de célula para regenerar órgãos do corpo que estejam perdendo seus componentes celulares – como o coração de alguém que sofreu enfarte ou o cérebro de uma pessoa com mal de Parkinson. Só que não é tão fácil. Além de ignorar quase todos os detalhes de como esse processo se desenvolve, há ainda um dilema ético: para obter as células embrionárias, as mais promissoras, é preciso destruir o embrião de onde vêm. Mas, diante de tantas possibilidades, os cientistas acham que vale a pena.
Mal de parkinson
Tanto as células-tronco adultas quanto as embrionárias andam mostrando que podem enfrentar o mal de Parkinson, hoje incurável. Cientistas do Centro Médico Cedars-Sinai, na Califórnia, usaram células-tronco do próprio cérebro de um doente de Parkinson e fizeram os sintomas do mal diminuírem 80%.
Deficiência cardíaca
Pesquisadores de vários centros no Brasil, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Fundação Oswaldo Cruz da Bahia, têm usado com sucesso células-tronco da medula óssea para reparar o coração de pessoas com pontes de safena ou com danos causados pelo mal de Chagas. Há, no entanto, uma controvérsia. Ainda não está claro como elas ajudam na cura: se realmente viram músculo cardíaco ou só estimulam o nascimento de vasos sangüíneos na lesão.
Calvície
Até os folículos capilares, que dão origem aos cabelos e pêlos, parecem conter células-tronco relativamente versáteis. Por esse motivo, cientistas da Universidade de Nova York esperam usar a técnica para ajudar tanto os calvos quanto pessoas que perderam os pêlos por causa de queimaduras na pele. Pelo menos em camundongos, o negócio funcionou: em laboratório, os pesquisadores conseguiram produzir células da pele, glândulas sebáceas e tufos de pêlo.
Reprodução
Faltou pouco para que cientistas do Instituto Whitehead de Pesquisa Biomédica, em Massachusetts, Estados Unidos, criassem um embrião que seria pai antes de nascer. É que, usando células-tronco embrionárias de camundongo, eles conseguiram criar as chamadas espermátides redondas – precursoras dos espermatozóides, só que sem aquela cauda típica. Em tese, a técnica poderia se tornar uma nova forma de reprodução assistida. Uma façanha parecida foi conseguida com óvulos.
Paralisia
Algumas pesquisas indicam que tanto células-tronco adultas quanto embrionárias poderiam fazer paraplégicos e tetraplégicos recuperar movimentos, o que hoje é impossível. Num trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, células da medula óssea permitiram que 12 pacientes recuperassem parte da sensibilidade. E camundongos paralisados que receberam células derivadas de embriões humanos na Universidade da Califórnia, em Irvine, Estados Unidos, voltaram a andar.
Surdez
As dificuldades auditivas dos idosos podem se tornar coisa do passado, ao menos se depender de um experimento feito na Universidade Harvard, Estados Unidos. A partir de células-tronco embrionárias, foram recriadas células do ouvido interno, que transmitem vibrações para os neurônios e levam a informação sonora para o cérebro. Pode ser a solução para muitos casos de surdez.
Diabete
É como reiniciar o seu computador, só que o PC em questão é o próprio sistema de defesa do organismo. Essa é a tática que está sendo testada por médicos da USP de Ribeirão Preto para atacar a diabete tipo 1. A doença acontece quando o próprio organismo começa a atacar as células produtoras de insulina. A idéia dos pesquisadores é usar drogas que “desligam” esse sistema e, depois, reconstituí-lo com células-tronco da medula óssea.
Perda de ossos
Com a ajuda de células-tronco adultas da medula óssea, um molde e uma substância que estimula o crescimento dos ossos, cientistas alemães da Universidade de Kiel, na Alemanha, conseguiram cultivar uma mandíbula nas costas de um homem durante sete semanas. O osso foi implantado na boca do paciente, que tinha perdido a mandíbula por causa de um câncer. Por ter crescido nele mesmo, a nova mandíbula não sofreu nenhuma rejeição do organismo. Ele já consegue se alimentar de comidas sólidas.
Derrames
A aplicação de células da medula óssea no cérebro fez com que uma mulher carioca de 54 anos recuperasse os movimentos depois de um AVC (acidente vascular cerebral). O trabalho, realizado por cientistas do Hospital Pró-Cardíaco e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, permitiu que novos vasos sanguíneos crescessem no cérebro afetado e impedissem a morte dos neurônios da paciente.
O fim do silicone
Uma aplicação estética das células-tronco adultas foi descrita em fevereiro por pesquisadores da Universidade de Illinois em Chicago: semeá-las num molde de hidrogel para criar uma prótese de seio muito mais natural que qualquer silicone. Tais células viriam da medula óssea e seriam transformadas em tecido adiposo, ou gorduroso – o mesmo que dá a aparência, digamos, fofinha aos peitos naturais.

5693 – Sabão contra a esquitossomose


Um sabão feito a partir de óleo da árvore sucupira- branca pode ser a mais nova arma a esquistossomose, uma doença típica de regiões ribeirinhas que, entre outros sintomas, faz inchar o fígado e o baço. Todo ano, cerca de 200 mil brasileiros são contaminados pela esquistossomose. A espuma do sabão mata a cercaria, larva do caramujo que transmite a doença, e dá proteção por 24 horas. ” Seu uso não vai acabar com a esquistossomose, mas ajudará a diminuir bastante o número de casos” prevê um professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, criador do produto.
Testado com sucesso em ratos pela equipe do pesquisador Naftale Katz, da Fundação Oswaldo Cruz, em Belo Horizonte, em breve o sabão será experimentado em macacos. Na verdade, desde a década de 60 se sabia que uma substância extraída do óleo da semente da sucupira-branca ataca a cercaria. O próprio David dos Santos Filho e seus colegas Walter Morz e Benjamin Gilbert verificaram esse efeito nos laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde trabalhavem. Mas só recentemente as pesquisas foram retomadas para valer: o resultado é o sabão que, mesmo não lavando mais branco, será com certeza um banho de saúde.

5313 – Preparado para a 3ª Guerra – Como funcionam os abrigos antinucleares?


Construídos nos Estados Unidos e na Europa após o fim da Segunda Guerra Mundial, esses refúgios tinham uma estrutura simples, mas de proteção extremamente eficaz no caso de uma hecatombe atômica. Para começar, todos ficavam mais de uma centena de metros abaixo da superfície – e o fato de estarem sob a terra já impedia de serem atingidos pelo menos ofensivo dos três componentes da radioatividade: as partículas alfa. O abrigo em si era feito de imensas paredes de concreto, material capaz de barrar a penetração das partículas beta, o segundo elemento radioativo. Mas a peça-chave era mesmo o revestimento de chumbo. “Com sua alta densidade, esse metal barra as partículas gama, as mais perigosas entre as que formam a radiação”,diz um professor de planejamento nuclear da pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A construção contava também com filtros de purificação de ar iguais aos de um submarino (sem entrada de ar externo) e um estoque de alimentos para, no mínimo, dois meses. “O espaço nada tinha de grandioso, apenas o suficiente para acolher cerca de 600 pessoas, entre militares, governantes e uns poucos privilegiados”.

5300 – Ecologia – Garrafas PET podem ser usadas para a produção de verniz


Em vez de ir para o lixo, garrafas PET usadas podem ser transformadas em matéria-prima para a produção de verniz, substituindo compostos derivados de petróleo.
No seu estudo de mestrado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o químico Antonio Eduardo Ferreira Alves da Silva desenvolveu uma técnica para transformar as garrafas plásticas jogadas no lixo em um verniz em pó que pode ter várias aplicações: de utensílios domésticos a eletrônicos e indústria automotiva.
O experimento, que já foi patenteado, levou a última edição do prêmio de pesquisa da Abripet (Associação Brasileira da Indústria do PET).
“O trabalho é importante porque aproveita um material que seria descartado e poderia acabar jogado de qualquer jeito, prejudicando o ambiente”, disse Silva, que já tinha grande experiência no mundo das tintas industriais antes de se aventurar pelo ramo da pesquisa.
O cientista lidou com material que já havia sido descartado. Após serem moídas, as garrafas passam por um processo de degradação que altera seu peso molecular.
O material passa ainda por outros processos até ser incorporado à receita que forma o verniz sustentável.
O resultado já mostrou que o material é viável para diversos usos e aderiu bem às superfícies em que foi testado.
Por enquanto, o verniz em pó sustentável de Silva ainda está restrito ao laboratório, mas já existem no mercado tintas e vernizes que usam o PET como um de seus componentes.

5111 – ☻ Mega Notícias – Megabyte


Dos cinco sentidos, os computadores só estimulam três: tato, audição e visão. Agora, cientistas do Instituto Weizmann, em Israel, anunciaram a criação de um sistema de codificação que agrega mais um: o olfato. Chamado de “comunicação olfativa”, o sistema deve ser comercializado em quatro anos. Os usuários terão a sensação do cheiro por meio de TV, computador e tela de cinema.
INFORMÁTICA II
O vírus “I love you”, (amor só no nome) anexado a e-mails com esse título, causou quase 3 bilhões de dólares de prejuízo em menos de 48 horas. Foram contaminados 45 milhões de computadores no planeta, provocando panes generalizadas e roubo de informações. A vulnerabilidade global da internet foi exposta.
ENGENHARIA
Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro anunciaram que estão dominado a tecnologia para desenvolver o primeiro trem magnético brasileiro de alta velocidade. Ele levitará sobre trilhos e poderá alcançar 400 quilômetros por hora. A nova tecnologia será apresentada em junho no 16º Congresso Internacional de Levitação Magnética, no Rio de Janeiro.
Silicone Furado
O governo americano é que afirma: 67% dos implantes de silicone acabam se rompendo. Outra conclusão é que os implantes mais recentes, de silicone mais fino para dar uma aparência mais natural, são os que mais rasgam. A pesquisa utilizou uma amostragem de 344 mulheres, em todo o país, e foi feita pelo FDA, órgão que regulamenta os medicamentos nos Estados Unidos.
Café reduz Parkinson
Um estudo da Secretaria da Saúde do Estado americano do Havaí sugere que o café reduz até cinco vezes as chances de desevolver mal de Parkinson, doença degenerativa do cérebro. O neurologista Webster Ross, encarregado da pesquisa, diz que a cafeína pode vir a ser recomendada como tratamento.
Anti-depressivo emagrece
O antidepressivo Bupropion também serve para combater o excesso de peso. O psiquiatra americano Kishore Gadde, da Universidade Duke, fez uma pesquisa cuidadosa com dois grupos de mulheres que consumiam apenas 1 600 calorias por dia. O grupo que, além disso, tomou o Bupropion perdeu mais peso do que o outro. A diferença, em quilos, foi quatro vezes maior.

5065 – Mega Notícias – ZOOLOGIA – Potência na selva


O diário inglês London Times anuncia que pesquisadores chineses pretendem dar Viagra a pandas para tentar aumentar o ritmo dos acasalamentos. O crescimento da população ajudaria a salvar a espécie.
A primeira luz
Obtida a imagem mais nítida já feita do brilho que resta do Big Bang, a explosão que deu origem ao Cosmo, há 13 bilhões de anos. Para seus autores – da Universidade de Roma e do Instituto de Tecnologia da Califórnia –, ela comprova que a expansão do Universo não terá fim. Ele crescerá para sempre.
ZOOLOGIA – Mico amazônico
Encontrada uma nova espécie de macaco, que foi batizada de Callithrix manicorensis pelo zoólogo holandês Marc von Roosmalen, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus. O primata, de 22 centímetros de comprimento, foi achado a menos de 300 quilômetros da capital amazonense.
MEDICINA – Cannabis na clínica
Aprovada lei que permite o uso de maconha para fins terapêuticos no Estado americano do Havaí. O governador Benjamin Cayetano, que mandou o projeto de lei à assembléia, declarou que a assinará em seguida. A erva tem sido recomendada em casos de glaucoma, Aids e seqüelas da quimioterapia.
PALEONTOLOGIA – Coração de pedra
Exame de tomografia revela que um caroço petrificado em um esqueleto do dino tesselossauro, de 66 milhões de anos, é de fato o que sobrou de seu coração. É o primeiro órgão interno que foi encontrado num fóssil. O autor do achado é o médico americano Andrew Kuzmitz, da cidade de Ashland, Estado de Oregon.
PALEONTOLOGIA – Jacaré antigo
Anunciada a descoberta de um crocodilo de 135 milhões de anos no Maranhão, a 120 quilômetros de São Luís, pelo geólogo Ismar de Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

5011 – Energia – Enchendo o tanque com hidrogênio


Em forma gasosa, o hidrogênio é o combustível perfeito. Ele pode ser extraído facilmente de uma fonte inesgotável (os oceanos), libera muita energia ao reagir com o oxigênio e não polui, pois o único resíduo da reação é a própria água. Seria perfeito se não fosse um detalhe. Não dá para usar em carros porque é difícil de armazenar com segurança: ao menor contato com o ar ele explode.
Mas, agora, pesquisadores brasileiros e franceses descobriram uma solução: estocar o gás entre os átomos de um metal sólido, usando-o como “tanque de combustível”. Para colocar essa idéia sobre rodas, a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro associou-se à empresa francesa Renault. Eles estão testando uma liga metálica especialíssima e secreta.
O hidrogênio representa 1% da massa da Terra. Em toneladas, essa quantidade se escreve com o 7 seguido de vinte zeros. Um milésimo desse total está em minerais e o resto na água. O peso do hidrogênio na forma de H2O, em toneladas, é o número 14 seguido de dezessete zeros.
Super-resfriamento
A liga de metal líquido, esquentada à temperatura de 1 000 graus Celsius, cai sobre uma roda de cobre e é resfriada à incrível velocidade de 1 milhão de graus por segundo. Você vai ver adiante por que isso é importante.
Ao esfriar, a liga sai do aparelho em tiras que, em seguida, podem ser moldadas na forma de um bloco compacto. Ele servirá como tanque de combustível para o hidrogênio.
Agora vem a parte mais interessante. A liga, como se fosse uma esponja, absorve o hidrogênio gasoso, injetado sob altíssima pressão.
No gerador, o gás do tanque combina-se com o oxigênio do ar, numa reação que gera água e grande quantidade de eletricidade. É ela que faz o motor girar e põe o carro em movimento.
A reação deixa apenas um resíduo inofensivo e limpo: a água formada pela união dos dois gases. Nada de fumaça preta no cano de escapamento.
Ficha técnica
Autonomia 300 quilômetros
Velocidade máxima 120 quilômetros por hora
Capacidade do tanque 5 quilos de hidrogênio