11.156 – Calor, Poluição e Superpopulação – Extremos climáticos devem ocorrer com mais frequência e intensidade, nas próximas décadas, em São Paulo


As conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em colaboração com colegas das Universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), de Taubaté (Unitau) e dos Institutos Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e de Aeronáutica e Espaço (IAE), entre outras instituições e universidades do Brasil e do exterior, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.
Resultados do estudo foram descritos em artigos publicados na revista Climate Research e contribuíram para a elaboração do Atlas de Projeções de Temperatura e Precipitação para o Estado de São Paulo, uma publicação interna do Inpe lançada em 2014, também resultado de projeto.
Os pesquisadores analisaram a variabilidade do clima da região metropolitana nos últimos 80 anos por meio de dados diários de chuva referentes ao período de 1933 a 2011 fornecidos pela estação meteorológica Água Funda, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Do período de 1973-1997, foram utilizados também dados de outras 94 estações meteorológicas espalhadas pela região.
As observações indicaram um aumento significativo, desde 1961, no volume total de chuva durante a estação chuvosa, que pode estar associado à elevação na frequência de dias com chuva pesada e à diminuição de dias com precipitações leves na cidade.
Enquanto os dias com chuva pesada – acima de 50 milímetros (mm) – foram quase nulos nos anos 1950, eles ocorreram entre duas e cinco vezes por ano entre 2000 e 2010 na cidade de São Paulo.

11.136 – Teoria do Caos – Por que os acidentes acontecem?


Concorde, o supersônico
Concorde, o supersônico

Em 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France acelerava na pista do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para atingir a velocidade de 400 quilômetros por hora, como fazia em todas as decolagens. No caminho, passou em cima de uma pedaço de titânio de 45 centímetros que um DC-10 deixara no asfalto minutos antes. Um dos pneus da asa esquerda explodiu e lançou uma tira de borracha de 4,5 quilos contra o fundo do tanque de combustível que estava um pouco à frente. O choque fez um furo no tanque e gerou calor suficiente para incendiar a gasolina que começou a vazar. As chamas atingiram as duas turbinas do avião, que estavam logo atrás. Elas continuaram a funcionar, mas com menos potência, e espalhando o combustível em um rastro de 60 metros. O Concorde subiu. Os sistemas de segurança do avião detectaram então que a origem do fogo eram as turbinas – e não o tanque –, o que fez o piloto desligá-las e tentar um pouso de emergência com os motores que sobravam.
A falta das turbinas fez com que, segundos depois, o avião atingisse o ponto crítico em que o ar sob as asas não faz pressão suficiente para garantir a sustentação. O Concorde – o mais veloz avião de passageiros do mundo – caiu sobre um hotel em Paris. Foram 113 mortos – quatro deles estavam em terra –, um hotel em ruínas, um avião destruído. E tudo começou com um pedacinho de metal de nem 0,5 metro de comprimento.
Diagnóstico: azar. Certo? Talvez não. Claro que ninguém supunha que um simples pedaço de metal poderia derrubar um avião tão moderno. Mas acidentes como esse – em que uma sucessão de pequenas falhas insignificantes dá origem a enormes catástrofes – são corriqueiros. E, segundo os pesquisadores que estudam a chamada “teoria do caos, um dos ramos mais interessantes da Matemática, tendem a se tornar cada vez mais comuns. É como se estivesse funcionando a todo momento, na vida de todos nós, a Lei de Murphy, aquela segundo a qual “se uma coisa pode dar errado, ela dará, e na pior hora possível”.
A explicação para a prevalência cada vez maior da Lei de Murphy é que, pela teoria do caos, os riscos de que fatores insignificantes se transformem em tragédia aumentam à medida que aumenta a potência das fábricas, dos veículos e das máquinas. “Quanto mais energia você concentra em um espaço pequeno, maiores as conseqüências de qualquer ato”, diz Moacyr Duarte, especialista em contenção de catástrofes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um acidente em uma fábrica no início do século XX poderia ser grave, mas não chega aos pés de um descuido em uma usina nuclear. Quanto maior a complexidade do sistema, mais elementos interagem entre si e maiores as chances de acidente.
Muitas vezes, os próprios equipamentos que cuidam da segurança aumentam a complexidade e acabam causando acidentes. Automatizar o gerenciamento de uma rede de trens, por exemplo, abre a possibilidade de as pessoas não estarem acostumadas com essas máquinas e as configurarem mal, ou de esses equipamentos quebrarem e levarem a colisões ou descarrilamentos. “É impossível eliminar todas as possibilidades de erro. O nosso trabalho consiste em reduzir o risco a níveis aceitáveis”, diz o engenheiro João Batista Camargo Júnior, da Universidade de São Paulo, que pesquisa formas de evitar acidentes em redes de transportes.
Da mesma forma, nossos equipamentos são compostos de várias partes que interagem, se movimentam e podem dar origem a momentos de instabilidade. É nesses momentos que a catástrofe fica mais próxima. As redes elétricas, que estão entre as construções mais complexas já feitas, podem absorver interferências corriqueiras como a queda de uma central. Mas, se essa falha acontecer em um momento de grande demanda, o sistema tende a chegar perto da área de instabilidade, bastando mais um empurrão para o desastre. Uma situação como essa aconteceu em janeiro, quando uma conexão entre Ilha Solteira e Araraquara, no interior de São Paulo, falhou em um momento de sobrecarga. Na tentativa de resolver o problema, outra linha na mesma região foi desligada, piorando a situação e jogando todo o sistema em uma instabilidade irreversível. Resultado: 11 Estados sem luz.
Fenômenos do mesmo tipo são encontrados em campos como engenharia, biologia, medicina, química e, principalmente, nos sistemas humanos. “Empresas e instituições financeiras são formadas por múltiplos agentes interagindo, trocando materiais e informações em uma dinâmica complexa. Às vezes, eles adquirem uma configuração tal em que basta uma fagulha para desencadear o desastre.
A dinâmica desses desastres parece desafiar a lógica da maioria das pessoas. “Quando indivíduos tentam resolver problemas complicados, trazem à tona um tipo de raciocínio que estimula erros. A partir daí, a situação se torna cada vez mais complexa e encoraja decisões que tornam as falhas ainda mais prováveis”, diz o psicólogo Dietrich Dörner, da Universidade de Bamberg, Alemanha, no livro The Logic of Failure (A lógica do fracasso, inédito no Brasil).

A teoria do caos
No século XVII, Isaac Newton mudou a ciência ao descobrir que alguns fenômenos da natureza poderiam ser explicados com leis matemáticas. A partir daí, muitos pesquisadores acreditaram que as leis poderiam explicar e prever o comportamento de todos os fenômenos se fossem reunidas informações suficientes. Até que, em 1961, o meteorologista Edward Lorenz, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descobriu por acaso um dos mais importantes argumentos contra essa idéia. Ele havia programado um modelo, nos primitivos computadores da época, que simulava o movimento de ventos e de massas de ar. Um dia, quis repetir uma situação em seu programa e digitou os números correspondentes a ela, só que com algumas casas decimais a menos. Acreditava-se que essa ligeira imprecisão levaria a um resultado só um pouco diferente, mas ele se transformou totalmente. Era como se o bater de asas de uma borboleta na Ásia causasse, meses depois, um tornado na América.
Lorenz percebeu que seu modelo, embora construído com equações simples, poderia se tornar caótico e imprevisível. Nascia a “teoria do caos”. Pesquisas feitas depois mostraram que o “efeito borboleta”, como ficou conhecido, poderia ser encontrado em milhões de fenômenos, como o trânsito, o movimento de partículas em um líquido e as cotações da Bolsa. Cada um desses sistemas, apesar de obedecer a regras simples, pode adquirir infinitas configurações, de acordo com a influência de fatores aparentemente insignificantes – como casas decimais ou o bater das asas das borboletas. “A própria história funciona dessa forma”, diz o físico Celso Grebogi, da USP. “A modificação de um pequeno acontecimento séculos atrás poderia levar o mundo para uma outra situação”.

Como evitar desastres
Segundo o psicólogo alemão Dietrich Dörner, operar sistemas complexos é como jogar xadrez sem saber todas as regras, em um tabuleiro com peças amarradas entre si, onde movimentar um peão muda a posição de todas as outras figuras. Ele dá as dicas de como se dar bem nessas situações:
1. Defina objetivos
Saiba com clareza o que você quer fazer. Se for algo pouco específico, como “aumentar a produtividade da empresa”, procure desdobrar em outras metas, tomando o cuidado de não perder de vista o objetivo final. Evite objetivos contraditórios: saiba sempre qual deles é prioritário.
2. Crie um modelo
Estude os elementos do sistema e as relações entre eles, sem se confundir com detalhes excessivos nem reunir todos os fatores em uma explicação só. Entenda com0 o sistema funciona.
3. Faça previsões e extrapolações
Mais importante do que o estado atual de um sistema é a forma como ele tem evoluído. Uma dúzia de casos de uma doença infecciosa pode dar origem a uma epidemia em pouquíssimo tempo. Concentre-se nas tendências.
4. Planeje e execute as ações
Mas não sem antes imaginar quais serão os efeitos secundários de cada ato. Evite repetir uma solução vitoriosa para todos os casos. Os generais mais experientes foram os que mais sofreram baixas nas guerras do começo do século XX. Acostumados às guerras do século anterior, perderam todos os soldados quando a metralhadora foi inventada.
5. Analise os efeitos
Use suas ações como laboratório para saber se o modelo e a estratégia ainda são válidos. Se o trator não virou quando você girou o volante, problema: o modelo que você tinha do veículo precisa ser revisto urgentemente, antes que aquele muro chegue.

11.020 – Matemática – Zero, o elemento neutro (?)


numero zero

O símbolo “0” e o nome zero estão relacionados à idéia de nenhum, não-existente, nulo. Seu conceito foi pouco estudado ao longo dos séculos. Hoje, mal desperta alguma curiosidade, apesar de ser absolutamente instigante. “O ponto principal é o fato de o zero ser e não ser. Ao mesmo tempo indicar o nada e trazer embutido em si algum conteúdo”, diz o astrônomo Walter Maciel, professor da Universidade de São Paulo. Se essa dialética parece complicada para você, cidadão do século XXI, imagine para as tribos primitivas que viveram muitos séculos antes de Cristo.
A cultura indiana antiga já trazia uma noção de vazio bem antes do conceito matemático de zero.
Bem distante da Índia, nas Américas, por volta dos séculos IV e III a.C., os maias também deduziram uma representação para o nada. O sistema de numeração deles era composto por pontos e traços, que indicavam unidades e dezenas. Tinham duas notações para o zero. A primeira era uma elipse fechada que lembrava um olho. Servia para compor os números. A segunda notação, simbólica, remetia a um dos calendários dos maias. O conceito do vazio era tão significativo entre eles que havia uma divindade específica para o zero: era o deus Zero, o deus da Morte.
Apesar dos avanços na geometria e na lógica, os gregos jamais conceberam uma representação do vazio, que, para eles, era um conceito até mesmo antiestético. Não fazia sentido existir vazio num mundo tão bem organizado e lógico – seria o caos, um fator de desordem. (Os filósofos pré-socráticos levaram em conta o conceito de vazio entre as partículas, mas a idéia não vingou.) Aristóteles chegou a dizer que a natureza tinha horror ao vácuo.
Os babilônios, que viveram na Mesopotâmia (onde hoje é o Iraque) por volta do ano 2500 a.C., foram os primeiros a chegar a uma noção de zero. Pioneiros na arte de calcular, criaram o que hoje se chama de “sistema de numeração posicional”. Apesar do nome comprido, a idéia é simples. “Nesse sistema, os algarismos têm valor pela posição que ocupam”, explica Irineu. Trata-se do sistema que utilizamos atualmente. Veja o número 222 – o valor do 2 depende da posição em que ele se encontra: o primeiro vale 200, o segundo 20 e o terceiro 2. Outros povos antigos, como os egípcios e os gregos, não usavam esse sistema – continuavam a atribuir a cada número um sinal diferente, fechando os olhos para a possibilidade matemática do zero.
O sistema posicional facilitou, e muito, os cálculos dos babilônios. Contudo, era comum que muitas contas resultassem em números que apresentavam uma posição vazia, como o nosso 401. (Note que, depois do 4, não há número na casa das dezenas. Se você não indicasse essa ausência com o zero, o 401 se tornaria 41, causando enorme confusão.) O que, então, os babilônios fizeram? Como ainda não tinham o zero, deixaram um espaço vazio separando os números, a fim de indicar que naquela coluna do meio não havia nenhum algarismo (era como se escrevêssemos 4_1). O palco para a estréia do zero estava pronto. Com o tempo, para evitar qualquer confusão na hora de copiar os números de uma tábua de barro para outra, os babilônios passaram a separar os números com alguns sinais específicos.
Perceba como um problema prático – a necessidade de separar números e apontar colunas vazias – levou a uma tentativa de sinalizar o não-existente.
Apesar de ser atraente, o zero não foi recebido de braços abertos pela Europa, quando apareceu por lá, levado pelos árabes.
Ainda hoje o conceito de zero segue revirando nossas idéias. Falta muito para entendermos a complexidade desse número. Para o Ocidente, o zero continua a ser uma mera abstração. Segundo Eduardo Basto de Albuquerque, professor de história das religiões da Unesp, em Assis, o pensamento filosófico ocidental trabalha com dois grandes paradigmas que não comportam um vazio cheio de sentido, como o indiano: o aristotélico (o mundo é o que vemos e tocamos com nossos sentidos) e o platônico (o mundo é um reflexo de essências imutáveis e eternas, que não podemos atingir pelos sentidos e sim pela imaginação e pelo conhecimento). “O Ocidente pensa o nada em oposição à existência de Deus: se não há Deus, então é o nada”, diz Eduardo. Ora, mesmo na ausência, poderia haver a presença de Deus. E o vazio pode ser uma realidade. É só pensar na teoria atômica, desenvolvida no século XX: o mundo é formado por partículas diminutas que precisam de um vazio entre elas para se mover.
Talvez o zero assuste porque carrega com ele um outro paradigma: o de um nada que existe efetivamente.
Na matemática, por mais que pareça limitado a um ou dois papéis, a função do zero também é “especial” – como ele mesmo faz questão de mostrar – porque, desde o primeiro momento, rebelou-se contra as regras que todo número precisa seguir. O zero viabilizou a subtração de um número natural por ele mesmo (1 – 1 = 0). Multiplicado por um algarismo à escolha do freguês, não deixa de ser zero (0 x 4 = 0). Pode ser dividido por qualquer um dos colegas (0 ÷ 3 = 0), que não muda seu jeitão. Mas não deixa nenhum número – por mais pomposo que se julgue – ser dividido por ele, zero. Tem ainda outros truques. Você pensa que ele é inútil? “Experimente colocar alguns gêmeos meus à direita no valor de um cheque para você ver a diferença”, diz o zero. No entanto, mesmo que todos os zeros do universo se acomodem no lado esquerdo de um outro algarismo nada muda. Daí a expressão “zero à esquerda”, que provém da matemática e indica nulidade ou insignificância.

11.012 – Bioquímica – Do que é feito o Homem?


O tratamento embora ajude no desempenho sexual pode ser um tiro pela culatra, causando o câncer de próstata
O tratamento embora ajude no desempenho sexual pode ser um tiro pela culatra, causando o câncer de próstata

A testosterona tem um papel importante na diferenciação dos sexos. Apesar de ser encontrada em ambos, a concentração do hormônio no sangue dos homens é até dez vezes maior do que no das mulheres. Essa diferença é suficiente para determinar as mudanças no corpo que, em última análise, tornam um garoto diferente de uma menina. Por volta da sexta semana de gestação, o feto masculino produz uma grande quantidade de testosterona. Entre outros efeitos, isso gera o desenvolvimento do pênis e dos testículos. Na adolescência, o hormônio chega aos seus níveis mais altos, desencadeando as alterações típicas da idade: o garoto engrossa a voz, experimenta um crescimento acelerado nos ossos e na massa muscular, desenvolve pêlos no corpo e sente o seu desejo sexual aumentar. A partir daí, a quantidade de testosterona no organismo diminui gradativamente até a velhice.
A manipulação dos níveis de testosterona no corpo, geralmente empreendida por homens que se dedicam ao culto da aparência, leva a uma série de resultados polêmicos. O aumento da massa muscular costuma ser o efeito do hormônio mais desejado pelos homens. Em decorrência disso, tornou-se comum, em academias de ginástica, o uso de uma versão sintética da testosterona. “Aumentar a testosterona de pessoas saudáveis é uma aberração”, afirma o endocrinologista Bernardo Leo Wajchenberg, da Universidade de São Paulo. O hormônio pode ser absorvido em pílulas – que causam enormes danos ao fígado – ou por meio de injeções, que não conseguem manter um nível constante de testosterona. As injeções acrescentam, de uma só vez, grandes quantidades do hormônio no sangue e produzem efeitos físicos e psicológicos que vão desde uma explosão de energia e agressividade, nos primeiros dias, até fadiga e depressão, em um momento seguinte.
Uma nova versão em forma de gel foi lançada em há 15 anos anos nos Estados Unidos. Bastaria esfregar a quantidade certa na pele para manter o nível ideal do hormônio no corpo. Os riscos, no entanto, não diminuem para os candidatos a Schwarzenegger.
Além dos efeitos sobre o corpo, suspeita-se que a testosterona seja um importante fator para definir a personalidade. A questão é definir até onde vai essa influência. Para o sociólogo Richard Udry, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, ela pode definir as diferenças fundamentais de comportamento entre homens e mulheres.
Ao longo da nossa evolução, os problemas relacionados à testosterona parecem ter limitado a sua quantidade no nosso corpo. “Níveis muito altos de testosterona estimulariam o sujeito a correr tantos riscos que ele acabaria morrendo antes de procriar”, diz James. Outros estudos indicam que indivíduos castrados – que quase não produzem testosterona – têm a sua expectativa de vida aumentada em 13,6 anos.
Andropausa
Todo mundo sabe que as mulheres, ao envelhecer, estão sujeitas à menopausa, uma súbita queda na quantidade de estrógeno, o principal hormônio feminino. O que poucos sabem é que os homens passam por um processo parecido, a chamada andropausa.
“A quantidade de testosterona no sangue diminui gradativamente com a idade e pode ser responsável por sintomas como perda do interesse em sexo e na vida, falta de memória e osteoporose. Além disso, pode causar diminuição da concentração e piora do desempenho em atividades físicas”, afirma o geriatra John Morley, da Saint Louis University, nos Estados Unidos. Ele calcula que 5% dos homens com 40 anos e 70% dos homens aos 70 anos sofrem de problemas relacionados à menopausa masculina. “A solução para esses casos é repor artificialmente a quantidade desse hormônio”, diz John.
Mas é preciso ir com calma: a terapia aumenta a possibilidade de câncer na próstata e de derrames. Cada caso é um caso e o tratamento só deve ser decidido após exames clínicos rigorosos. Segundo John, o tratamento vale a pena. “O perigo não é muito grande e os benefícios são enormes. A reposição de testosterona pode trazer de volta ao organismo características importantes como disposição e masculinidade.”

11.009 – Mega Sampa – Por que a chuva de São Paulo não chega ao Cantareira?


cantareira seco

A chegada do verão trouxe chuvas para São Paulo. Algumas tão intensas que provocaram problemas como alagamentos, quedas de árvores e raios. Apesar disso, o Sistema Cantareira não dá sinais de recuperação. Nesta sexta-feira, o nível dos reservatórios que o compõem chegou a 5,3%.
A causa essa discrepância, e da falta de chuvas onde a cidade mais precisa no momento, é uma união de diversos fatores. Um bloqueio atmosférico está agindo o Sudeste do país. Trata-se do mesmo fenômeno que causou seca e temperaturas elevadas no segundo semestre do ano passado, embora um pouco mais brando desta vez.
Esse bloqueio, com ventos que impedem a chegada das frentes frias que se formam no Sul até os Estados do Sudeste, é causado pelo aumento de temperatura do oceano, um fenômeno global. “O oceano cria uma alta pressão, que não deixa a massa de ar frio subir”, explica Graziella Gonçalves, meteorologista da Somar Meteorologia.
O problema é que essas massas de ar frio atraem a umidade da Amazônia para o Sudeste, formando um corredor pelo país, onde ocorrem chuvas. “Como as frentes frias estão indo embora do Sudeste muito rapidamente, ou nem chegando aqui, esse fenômeno, conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), não se formou”.
Com isso, é provável que janeiro de 2015 continue seguindo a tendência de queda na quantidade de chuvas dos últimos dois anos. Em 2013 as chuvas neste mês ficaram 43% abaixo da média. No ano seguinte, dos 259,9 milímetros de chuva esperados na região do Sistema Cantareira, caíram apenas 87,8 — 66% abaixo da média. Neste ano, a expectativa era ainda maior: 271,1 milímetros, de acordo com a Sabesp. Até o dia 21 de janeiro de 2015, no entanto, somente 60,9 milímetros haviam caído. A dez dias do término do mês, estamos 78% aquém do esperado.
Graziella explica que, como o bloqueio atmosférico está começando a ceder, é provável que chova um pouco mais nas próximas duas semanas, mas nem de longe o bastante para recuperar o debilitado sistema. “É possível que a Zona de Convergência do Atlântico Sul se forme em fevereiro, mas ela não deve permanecer por todo o tempo esperado, então não deve ser um mês de chuvas constantes”.
O fato de estar chovendo em alguns pontos de São Paulo se deve, principalmente, a um fenômeno denominado ilha de calor. “A região urbana é mais quente que seu entorno, devido às modificações feitas na superfície”, explica Amauri de Oliveira, professor do departamento de Ciências Atmosféricas do instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG – USP). A impermeabilização com solo, com o asfalto, impede a evaporação da água. Por isso, toda a energia solar que chega até a cidade acaba aquecendo o ambiente. “São Paulo muitas vezes está até 8 graus mais quente do que o seu entorno”, afirma Oliveira, que realiza estudos sobre as diferenças de temperatura da metrópole. Mais aquecido, o ar fica mais leve e se desloca verticalmente, formando nuvens e criando chuvas localizadas em alguns pontos da cidade.
Para ajudar a reabastecer o Sistema Cantareira, porém, são necessárias chuvas intensas em uma região ampla. “Chuvas isoladas não adiantam muito em um reservatório tão grande, é preciso umedecer todo o solo primeiro, se não a parte onde não choveu absorve a água que caiu em outra região”, afirma Bianca Lobo, meteorologista da Climatempo.

chuva

10.842 – O Retorno do “Elefante Branco” – USP pode voltar a usar navio de pesquisas


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O navio de pesquisas Alpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP), pode voltar a operar, após ficar mais de um ano atracado no Porto de Santos. O Instituto Oceanográfico (IO USP) anunciou recentemente que conseguiu contratar um serviço de inspeção obrigatória do navio, após duas tentativas frustradas de licitação.
Considerado a maior e mais sofisticada embarcação para estudos oceanográficos da academia brasileira, o navio estava parado por falta da inspeção, impedindo o início de estudos e ameaçando a conclusão de projetos já iniciados, segundo o diretor do IO, Frederico Brandini. A licitação, concluída em novembro de 2014, foi vencida pelo estaleiro Indústria Naval do Ceará (Inace) por 2,6 milhões de reais. Segundo Brandini, o navio deverá retomar as operações em março.
O barco é um antigo navio usado pela Universidade do Havaí, nos EUA, desde a década de 1970. A Fapesp desembolsou 4 milhões de dólares pela compra do casco e dividiu com a USP a reforma (3 milhões de dólares na conta da fundação e 4 milhões de dólares desembolsados pela universidade).

10.823 – Nutrição – Própolis funciona?


propolis

Se você pesquisar a origem da palavra própolis, vai descobrir que o nome foi criado pelos gregos e significa em defesa (pro) da cidade (polis). Certamente os antigos passaram um bom tempo observando as colmeias e notaram que o composto é fabricado pelas abelhas com o propósito de blindar a casa delas.
E essa mesma proteção diante de inimigos microscópicos se dá no corpo humano quando utilizamos o preparo resinoso. Não param de sair estudos apontando sua eficácia contra vírus, bactérias e fungos. Daí o sucesso nas temporadas mais frias do ano, quando gripes e resfriados insistem em nos atacar.
Uma das novas pesquisas que confirmam esse papel foi realizada por Rosalen juntamente com estudiosos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, no interior paulista. O time de cientistas avaliou as capacidades antimicrobiana e antioxidante de amostras da própolis orgânica brasileira.
As análises em laboratório revelaram que, além de combater o excedente de radicais livres, já associado ao envelhecimento precoce e a danos celulares, a própolis se mostrou bastante eficaz frente aos micróbios.
Embora essa atuação seja reconhecida há milhares de anos – os egípcios já utilizavam a resina para evitar a deterioração das múmias -, os novíssimos testes ajudam a entender como e até que ponto ela funciona. E fica clara a vantagem de ser orgânica, isto é, livre de pesticidas e contaminantes. Ainda que boa parte desse tipo seja exportado, dá para encontrá-lo, sim, por aqui, especialmente na Região Sul, uma grande produtora. O segredo é prestar atenção nos rótulos e conferir se há certificação de que o produto é, de fato, orgânico.
O que torna a resina fabricada pelas abelhas tão poderosa é uma verdadeira miscelânea de substâncias. Mas, em meio a essa vastidão bioquímica, um grupo se destaca nas pesquisas: os compostos fenólicos. Dentro dessa classe, os queridinhos são os flavonoides e os ácidos cumárico, cafeico e gálico. Nomes estranhos que, no corpo, estão por trás das aclamadas propriedades antioxidante e antimicrobiana. A médica Norma Leite, da Associação Brasileira de Nutrologia, chama a atenção para outro ingrediente da família, a galangina. “É que ela tem ação anti-inflamatória”.
Até as bactérias da boca saem perdendo com o produto das abelhas. “Os compostos fenólicos contribuem para a integridade do esmalte dentário e ajudam a prevenir cáries e a doença periodontal”, afirma Rosalen, que se dedica a pesquisas nessa área. Não à toa, já existem empresas incluindo o ingrediente na receita de seus cremes dentais.
Pelos dados disponíveis até agora, a própolis parece ter tanto potencial terapêutico como preventivo. Mas isso não significa usar o extrato, a forma mais consumida por aqui, como se fosse água. “Ingerir 15 gotas em jejum já seria suficiente para fortalecer o sistema imune”, sugere Norma. Já o imunologista José Maurício Sforcin, professor da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo, recomenda recorrer ao produto por um curto prazo, pois o uso contínuo e exagerado faz com que o organismo fique tolerante às substâncias e elas deixem de agir direito.

10.423 – Literatura – Sérgio Buarque de Holanda


Sérgio Buarque de Holanda
Sérgio Buarque de Holanda

(São Paulo, 11 de julho de 1902 — São Paulo, 24 de abril de 1982) foi um dos mais importantes historiadores brasileiros. Foi também crítico literário e jornalista.
De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Heloísa Maria (Miúcha) e Chico Buarque. Ainda em 1936, publicou o ensaio “Raízes do Brasil”, que foi seu primeiro trabalho de grande fôlego e que, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde obteve o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1925. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal (atual UERJ). Em 1939, extinta a Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar na burocracia federal. Em 1941, passou uma longa temporada como visiting scholar em diversas universidades dos Estados Unidos.
Reuniu, no volume intitulado “Cobra de Vidro”, em 1944, uma série de artigos e ensaios que anteriormente publicara nos meios de imprensa. Publicou, em 1945 e 1957, respectivamente, “Monções” e “Caminhos e Fronteiras”, que consistem em coletâneas de textos sobre a expansão oeste da colonização da América Portuguesa entre os séculos XVII e XVIII.
Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, que ocuparia até 1956, sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen.
Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de “História da Civilização Brasileira”, agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever “Visão do Paraíso”, livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o “Prêmio Edgar Cavalheiro”, do Instituto Nacional do Livro, por “Caminhos e Fronteiras”.
A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da “História Geral da Civilização Brasileira”, para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da Universidade de São Paulo pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente.
No contexto da “História Geral da Civilização Brasileira”, publicou, em 1972, “Do Império à República”, texto que, a princípio, fora concebido como um simples artigo para a coletânea, mas que, com o decurso da pesquisa, acabou por ser ampliado num volume independente. Trata-se de um trabalho de história política que aborda a crise do império brasileiro no final do século XIX, explicando-a como resultante da corrosão do mecanismo fundamental de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.
Permaneceu intelectualmente ativo até 1982, tendo ainda, neste último decênio, publicado diversos textos. De 1975 é o volume “Vale do Paraíba – Velhas Fazendas” e de 1979, a coletânea “Tentativas de Mitologia”. Nestes últimos anos, trabalhou também na reelaboração do texto de “Do Império à República” – que não chegou a concluir.
Recebeu em 1980 tanto o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, quanto o Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro.
Também em 1980, participou da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores, recebendo a terceira carteira de filiação do partido, após Mário Pedrosa e Antonio Candido.
Por conta de sua participação no PT e na condição de intelectual destacado é que o centro de documentação e memória da Fundação Perseu Abramo (fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1996), recebe seu nome: Centro Sérgio Buarque de Holanda: Documentação e Memória Política.
Alguns de seus livros
Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, 1936.
Cobra de Vidro. São Paulo, 1944.
Monções. Rio de Janeiro, 1945.
Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII. São Paulo, 1948.
Caminhos e Fronteiras. Rio de Janeiro, 1957.
Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo, 1959.
Do Império à República. São Paulo, 1972. (História Geral da Civilização Brasileira, Tomo II, vol. 5).
Tentativas de Mitologia. São Paulo, 1979.
Sergio Buarque de Hollanda: História (org. Maria Odila Dias). São Paulo, 1985.
O Extremo Oeste [obra póstuma]. São Paulo, 1986.

Sérgio e Chico
Sérgio e Chico

10.416 – Educação, Cultura & Lazer – O Passeio Científico


pq mario covas

A Natureza é o que chamas mais a atenção num parque: flores, árvores, pássaros, borboletas. Você pode observar que no inverno, as folhas das árvores caem.

Pra quem é de São Paulo, a Estação Ciência é uma boa opção.

O Museu de Anatomia Veterinária (MAV) é uma unidade auxiliar ligada à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ). Localizado na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, possui acervo diversificado e é aberto a visitação pública.
Endereço: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – USP (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – USP) , Vila Butanta – São Paulo , SP – Brasil
Telefone: 3091-1309
Um pouco +

museu d veterinária USP

As origens da Faculdade de Medicina Veterinária encontram-se no ano de 1919, quando foi criado o Instituto de Veterinária (Lei Estadual nº 1695, de 18 de dezembro de 1919), que fazia parte da Secretaria da Agricultura; ministra-se curso em três séries, de um ano escolar cada uma. O referido Instituto transformou-se em Escola de Medicina Veterinária (Lei Estadual nº 2354, de 1928), cujo curso passou a ter duração de quatro anos, ficando subordinada à Diretoria de Instituto de Indústria Animal da Secretaria da Agricultura.
Em 1934, a Escola de Medicina Veterinária foi transferida para a Secretaria de Educação, retornando novamente à Secretaria da Agricultura ( Decreto Estadual nº 6809 de 5 de novembro de 1934). Posteriormente, o Governador Armando de Salles Oliveira resolveu extinguí-la (Decreto Estadual nº 8806 de 13 de novembro de 1934), para, como Faculdade, incorporá-la à Universidade de São Paulo. Finalmente foi criada a Faculdade de Medicina Veterinária (Decreto Estadual nº 6874 ,de 19 de dezembro de 1934 – modificado pelo de nº 7016, de 15 de março de 1935), passando a integrar a Universidade de São Paulo.
O primeiro Regulamento da Faculdade foi aprovado pelo Decreto Estadual de nº 7204 de 11 de junho de 1935, sendo seu primeiro Diretor o Senhor Professor Doutor Altino Augusto de Azevedo Antunes. Graduou a primeira turma de Médicos Veterinários em 1938, tendo, até a presente data, formado 59 turmas, totalizando 2.696 profissionais.
Em novembro de 1997 , o curso de graduação em Medicina Veterinára desta Faculdade foi avaliado pelo Ministério de Educação e Cultura através dos “Exames Nacionais de Cursos”. A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP recebeu, nesta avaliação o nível “A” sendo, portanto, uma das 5 (cinco) possuidoras deste conceito no país.
Além disso, desde 1996, o curso de graduação recebe 5 estrelas pelo Guia do Estudante Abril.
A Faculdade atua em dois campos: um na cidade de São Paulo, localizada dentro da Cidade Universitária, e outro em Pirassununga. No campus de São Paulo é composto pelos departamentos de Cirurgia; Clínica Médica; Patologia e Reprodução Animal, além do Hospital Veterinário (que é aberto ao público externo da Universidade). Já no campus de Pirassununga atuam os departamentos de Nutrição e Produção Animal; Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, junto com o Centro de Biotecnologia de Reprodução Animal, o Centro Experimental em Pesquisas Toxicológicas e o Hospital Veterinário.
Além da significativa produção de trabalhos científicos, a Faculdade também publica o Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. A biblioteca da FMVZ, Virginie Buff D’Ápice, é um importante centro de consultas, contendo mais de 130 mil obras em seu acervo.
A Faculdade também dá grande valor as atividades culturais e de extensão universitária. No campus de São Paulo há o Museu de Anatomia Veterinária (com um importante acervo que envolve várias espécies de animais) e o Museu Histórico da Faculdade. Também há a promoção de cursos práticos profissionalizantes e de difusão. E não podemos deixar de lembrar das Feiras, tais como a Feira Internacional de Caprinos e Ovinos; a Feira Internacional de Gado de Corte e a Feira Internacional da Cadeia do Leite.

10.397 – ☻Mega Pets – Oito alimentos perigosos para gatos


cuidado, seu tigrinho pode passar mal
cuidado, seu tigrinho pode passar mal

Muitos donos de gatos agradam seus pets com pedaços de comida humana. Mas esses petiscos podem fazer mal ao bichano. Alguns alimentos inofensivos ao homem são tóxicos aos felinos. Anemia, lesões intestinais e doenças renais são algumas das complicações causadas por comidas como cebola, leite e osso. “O gato é carnívoro e precisa basicamente de proteína em sua dieta”, diz um veterinário, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
A ração, seca ou molhada, é a melhor opção à alimentação do gato. “Comidas ingeridas por humanos dificilmente oferecem todos os aminoácidos que o gato precisa, como a taurina, essencial à saúde cardíaca do bicho”, explica Ferreira. “Mas agradar o gato de vez em quando com petiscos inofensivos, como iogurte e atum, não faz mal”, afirma o veterinário Marcio Antônio Brunetto, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) e especialista em nutrologia de cães e gatos.
O alho e a cebola são alimentos altamente tóxicos para os gatos. “Eles têm, respectivamente, dissulfeto de alipropila e alicina, substâncias que desintegram os glóbulos vermelhos dos felinos e, assim, causam anemia”, diz o veterinário Marcio Antônio Brunetto, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) e especialista em nutrologia de cães e gatos.
Ao roer ossos, gatos podem sofrer lesões nas mucosas do trato gastrintestinal, inclusive perfurações. O osso é um alimento mineral que eleva a concentração de sais mineirais, como o cálcio, na urina. “Por ser um animal de deserto, o gato bebe pouca água. Por isso, costuma ter complicações no trato urinário. A dieta rica em minerais pode piorar esse problema”.
Agradar o felino com a gordura aparada da carne não é uma boa prática. A gordura animal é altamente calórica — 1 grama tem 9 calorias — e, por isso, favorece a obesidade, problema que afeta muitos bichanos. Além disso, ela pode causar vômito e diarreia. Em excesso, leva à pancreatite, um distúrbio gastrointestinal.
Nada de uvas
“Trata-se da fruta mais perigosa para os gatos”, diz o veterinário Wagner Luis Ferreira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Se ingerida em grandes quantidade, ela pode causar lesão renal aguda nos felinos. Os veterinários ainda não sabem qual é o componente da uva que prejudica os bichanos.
A azeitona em si não é prejudicial ao pet. O sódio de seu tempero, no entanto, é perigoso para os animais hipertensos e portadores de doença renal crônica.
Leite é perigoso
O gato pode ser alimentado com leite de vaca até os 45 dias de vida. Depois disso, a lactase, enzima que digere a lactose do leite, se torna inativa. Em adultos, o leite pode desencadear diarreia e vômito, e, por ser rico em cálcio, contribuir para a formação de pedra no rim.
Já o iogurte não ameaça a saúde do bichano. Ao contrário, suas bactérias probióticas são benéficas ao intestino do animal. “Mas o iogurte deve ser dado ao gato apenas como um agrado, e não fazer parte da dieta habitual dele”.
Pão
Para humanos, o carboidrato, encontrado em alimentos como pães, massas e arroz, é um alimento que fornece energia. Já para os felinos esse nutriente é dispensável. Os bichanos obtêm energia por meio de um processo chamado neoglicogênese, que consiste na formação de aminoácidos a partir da quebra de moléculas de proteína. Oferecer comidas ricas em carboidrato para gatos favorece a obesidade.
Café
O café estimula o sistema nervoso central tanto de humanos, quanto de gatos. A bebida acelera o metabolismo e, assim, pode causar taquicardia em felinos hipertensos.

10.393 – AIDs – Mega contra o HIV


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O HIV possui altas taxas de mutação. As variações em uma única pessoa infectada são equivalentes a todas as mutações do vírus da gripe no mundo em um ano. Ao catalogar informações sobre quais medicamentos são mais eficientes contra determinados tipos de mutação, o British Columbia Centre for Excellence in HIV/Aids, no Canadá, pretende oferecer tratamento sob medida para cada paciente. O banco de dados está sendo desenvolvido em parceria com a produtora de software SAP e um programa piloto deve começar neste ano.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia criaram um algoritmo para detectar palavras associadas a comportamento sexual de risco e uso de drogas. Esse programa analisou mais de 550 milhões de mensagens publicadas no Twitter, mapeou sua localização e comparou-a com um mapa de novos casos de HIV reportados nos Estados Unidos. A semelhança entre os dados sugere que as redes sociais podem ser usadas para prever comportamentos de risco, monitorar regiões e evitar surtos de contágio.
Estima-se que um em cada 300 infectados carregue o HIV em níveis baixos, em estado dormente, e nunca desenvolva a Aids. Essas pessoas possuem uma espécie de habilidade para neutralizar o vírus e atacar seus pontos fracos. Um algoritmo desenvolvido pela startup Immunity Project* vasculha o genoma do HIV e os dados sobre o sistema imunológico humano para saber como essas pessoas podem manter o vírus dormente. O objetivo é desenvolver uma vacina gratuita. A startup está sendo acelerada pela YCombinator, no Vale do Silício.
VACINA BRASILEIRA
A pesquisa desenvolvida pelo médico Edecio Cunha, professor da Universidade de São Paulo, utiliza uma estratégia diferente. Com a ajuda de grandes bancos de dados online e de um software criado na Itália, o time brasileiro identifica regiões do HIV onde as taxas de mutação são menores e podem ser mais facilmente reconhecidas pelas células de defesa do corpo. A vacina treinaria o sistema imunológico para atacar essas áreas, deixando o corpo pronto para uma resposta no caso de infecção.

10.106 – Medicina – Crises de Ansiedade


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Neste momento, uma em cada quatro pessoas no mundo está com uma sensação de aperto no peito, sentindo o coração bater mais rápido, com as mãos suando. Na mente, um medo inexplicável ou preocupação obsessiva com algo que ainda nem aconteceu. Esses são alguns dos sintomas das crises de ansiedade, um dos transtornos mentais mais incidentes da atualidade e, assim como os demais, extremamente cruel. Dependendo do grau, tira o sono do indivíduo, deixa-o mais predisposto a sofrer de enfermidades cardiovasculares e o priva de sair de casa quando o medo atinge níveis incontroláveis.
Estudos mostram que a ansiedade é mais frequente do que transtornos de humor como a depressão. E dados divulgados pelo World Health Mental Survey, ligado à Organização Mundial da Saúde, revelam um triste panorama para o Brasil: 20% das pessoas que vivem em São Paulo convivem com ou tiveram algum transtorno ansioso nos últimos 12 meses. “Foram analisadas cidades de 24 países. Em São Paulo, encontramos o índice mais elevado”, diz Laura Andrade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Mas um esforço monumental da medicina para buscar as origens da doença e criar novas opções de tratamento promete dar alívio a quem sofre desse pesadelo.
Atualmente, há catalogados oito tipos da enfermidade.
Como ocorre com a maioria das enfermidades mentais, há dificuldade na detecção do problema. “Um estudo feito em Londres, pelo psiquiatra Paul Bebbington, mostrou que apenas 14% dos pacientes tinham sido diagnosticados e tratados no ano anterior ao trabalho”, contou Márcio Bernik, coordenador do Programa de Ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria da USP. O diagnóstico é feito por psicólogos ou psiquiatras, que recorrem a perguntas definidas para identificar a alteração, como ela se insere na vida do indivíduo e sua gravidade. “Uma das primeiras perguntas é se a pessoa sente que teve prejuízo em algum campo ou momento da vida por causa da doença”, diz o psiquiatra Bernik.
O tratamento varia de acordo com o transtorno especifico e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, indicam-se apenas medicamentos ou sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC), método cujo objetivo é modificar padrões de pensamentos e comportamentos associados. Uma pessoa que tenha receio permanente de perder o emprego, por exemplo, pode ser treinada para evitar esses pensamentos ou substituí-los por outros, mais otimistas e calcados na realidade. Nos casos moderados e mais graves, é recomendada a combinação de remédios com a TCC. Um trabalho da psicóloga Mariângela Savoia, ligada ao Amban, mostrou que essa associação foi mais eficaz do que o uso isolado dos métodos.
A ansiedade fazia parte das reações que nossos ancestrais manifestavam diante de ameaças como a possibilidade de um ataque animal ou a morte por frio extremo. Preocupar-se com esses eventos mantinha o corpo em alerta: mais tenso, pressão elevada, maior bombeamento de sangue. Se o perigo se concretizasse, o corpo estava pronto para reagir. Se não, o sistema era desligado. Esse esquema ficou gravado no cérebro e até hoje entra em ação diante de situações interpretadas como risco. Essas circunstâncias podem ser reais ou fictícias, resultado de mecanismos psíquicos não totalmente esclarecidos. O problema é que, se esse estado de preocupação se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença.
Os recursos criados recentemente são utilizados para os casos mais severos e que não respondem ao tratamento padrão. Um dos mais promissores é a aplicação da realidade virtual. A terapia consiste em expor o paciente – de modo virtual – às situações que desencadeiam crises para que, aos poucos, ele aprenda formas de evitar os pensamentos ansiosos. Na Universidade de Washington (EUA), o método está sendo aplicado para tratar fobias, a ansiedade gerada pelo estresse pós-traumático e aquela sentida durante a troca de curativos em pacientes com queimaduras.
Semelhante à realidade virtual, a terapia de modificação cognitiva com auxílio de computador também desponta como alternativa. Um trabalho da Brown University (EUA) mostrou que indivíduos com fobia de falar em público melhoraram depois de se submeter aos exercícios duas vezes por semana, por um mês. Eles consistem em instruir o paciente a evitar expressões faciais hostis – para quem tem fobia social isso detona crises – e a interpretar as reações de interlocutores de forma otimista.
Começa também a ser testada a eficácia da estimulação magnética transcraniana. A técnica submete o paciente a aplicações de ondas eletromagnéticas. O objetivo é regularizar a atividade elétrica nas regiões cerebrais associadas à doença (leia mais no quadro à pág. 82). O médico Marco Marcolin, do Instituto de Psiquiatria da USP, iniciará até o fim do ano testes com 30 pacientes com fobia social. Por enquanto, não há nada conclusivo. Estudos com o método para tratar a ansiedade associada ao estresse pós-traumático deram resultados negativos no Brasil e positivos na Europa.
Ganhando espaço na prática clínica está o neurofeedback, método que se propõe a imprimir no cérebro um novo padrão de funcionamento, igual ao de uma pessoa sem a doença. “Eletrodos colocados sobre o couro cabeludo fazem a leitura da informação neurológica que está sendo produzida e registrada por eletroencefalografia”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em neurociências pelo Núcleo de Neurociências e Comportamento da USP e autor do livro “Para Que Medicação?”. Segundo ele, na presença de enfermidades como a ansiedade, os dados revelam padrões eletroencefalográficos anormais e específicos que possibilitam o reconhecimento da doença ou de outros comprometimentos neurológicos.
Ainda na USP, cientistas investigam a relação da enfermidade com o sistema serotonérgico do cérebro. Recentemente, o psiquiatra Felipe Corchs, em estudo feito no Amban com universidades da Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, observou que as diferenças na quantidade de serotonina (substância que faz a comunicação entre neurônios) interferem na sensibilidade aos estímulos que iniciam crises. Para chegar a essa conclusão, os cientistas deixaram sem comer proteínas um dia inteiro voluntários que já haviam sido tratados de transtornos ansiosos. Não ingerir proteína prejudica o aporte de triptofano, aminoácido essencial para a formação da serotonina.
O resultado foi surpreendente: pacientes com pânico, estresse pós-traumático e fobia social ficaram mais sensíveis aos gatilhos de crise, sugerindo que a serotonina tem papel na modulação dessa resposta.
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9851 – Saúde – Outra rasteira no HIV


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Em poucas semanas um vírus da Aids (HIV) espalha milhares de cópias. O corpo reage mas, sem as drogas, o HIV ganha a batalha. No Brasil não falta munição para combatê-lo.
O governo atende 70 000 doentes – todos os que procuram ajuda, em um universo estimado em 400 000 infectados. A maioria ou não sabe que está contaminada ou não quer fazer o tratamento. Mesmo assim, segundo Chequer, os remédios fizeram o número de mortos cair pela metade desde 1997. A redução foi da ordem de 6 000 para 3 000, por ano.
Isso confirma a eficiência do coquetel, que impede a reprodução do vírus. É verdade que o número de infectados cresce: houve 7 564 novos casos no ano passado. E parte carrega micróbios resistentes às drogas. Mas o HIV está sendo derrotado. “Quem se trata não morre mais de Aids”, arrisca o infectologista Guido Levi, diretor do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
A tática que derrubou o inimigo
Em 1996, a paciente Rosana, então com 34 anos, chegou ao consultório de Guido Levi com as defesas em frangalhos e um número enorme de vírus circulando no corpo. Estava magra e fraca. Em 1997 ela começou a ser tratada com uma combinação de três remédios. Desde então, Rosana ganhou peso e a quantidade de células CD4, uma das defensoras do organismo, aumentou muito, passando de apenas quinze por mililitro de sangue para 276. Hoje a paciente recebe mensalmente os medicamentos do Ministério da Saúde e mantém a Aids sob controle.
O milk-shake de poções que devolveu o ânimo a Rosana e ajuda milhares de outros cidadãos é composto de cerca de vinte drogas, divididas em dois grupos: os inibidores de transcriptase e de protease. Todas servem para bloquear a reprodução do vírus.
Os remédios têm pequenas diferenças químicas entre si e são mais eficientes se combinados dois a dois ou de três em três. O médico escolhe a fórmula adequada para cada paciente. Mas não toma a decisão sozinho. Ele segue recomendações feitas por um conselho dos principais especialistas em Aids do país.
Enquanto os médicos tentam atrapalhar o contra-ataque do HIV, os laboratórios procuram reduzir um aspecto incômodo dos remédios. Os pacientes se queixam porque têm de engolir de quinze a vinte comprimidos por dia. “Muitos até deixam de tomar a dose completa”, conta o infectologista Davi Uip, da Universidade de São Paulo. Para reduzir o desconforto, versões recentes de algumas drogas estão vindo em concentração mais alta. Com isso, o número de comprimidos cai para somente dois ou três ao dia. O que nenhum esforço conseguiu, até hoje, foi eliminar os efeitos colaterais, que começam com dores de cabeça, náuseas e diarréia. Mais tarde vem o aumento excessivo de peso e dos níveis de colesterol. Mesmo assim, o sucesso do tratamento compensa, com folga, todos os inconvenientes.
Ressarce até as despesas que o governo faz com o coquetel. Cada paciente custa cerca de 1 000 reais por mês e já foram gastos 500 milhões de dólares para garantir o fornecimento deste ano.
O HIV é feito de apenas nove genes e faz parte de um grupo de vírus, chamado retrovírus, muito primitivo. Para construir seus sucessores precisa seqüestrar substâncias das células que invade. E, mesmo sendo tão rudimentar, consegue muitas vezes driblar as drogas ao sofrer mutações durante a sua replicação.
Esse é o principal motivo pelo qual não se pode ficar acomodado com a eficiência do coquetel que vem derrubando a Aids. Em 1998, a infectologista Susan Little, da Universidade da Califórnia, avaliou 69 pacientes em cinco cidades americanas e concluiu que 25% deles já tinham vírus imunes a pelo menos um dos medicamentos. Um estudo semelhante, com 100 pacientes contaminados há três anos, está sendo feito no Brasil pelo Instituto de Medicina Tropical, da Universidade de São Paulo, e pelo laboratório Bristol-Meyers.
O azar do HIV é que as pesquisas não param. Agora mesmo o infectologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, nos Estados Unidos, procura um jeito de expulsar o vírus de sua toca. Sua arma é uma substância que o corpo produz para estimular as células a crescer, a interleucina-II.

O número de células de defesa e de vírus determina a combinação das drogas.
O médico pede dois exames ao paciente. O primeiro revela quantas cópias de HIV ele tem no sangue, para saber o tamanho do exército inimigo. O segundo faz uma contagem das células de defesa chamadas CD4, que são as primeiras a ser invadidas e destruídas. Se elas são poucas, significa que o corpo está perdendo a batalha. A partir dessas duas informações, é feita a receita.
As grávidas usam apenas um tipo de droga. Elas representam 3,6% da população de infectados e tomam AZT, que é um inibidor de transcriptase reversa (veja à direita como funciona). O objetivo é proteger o feto, que também tomará AZT infantil após o nascimento.
Para 33,7% dos pacientes, são necessários dois inibidores de transcriptase. Assim, se um não der conta, o outro vem ajudar. Esse grupo é composto dos que carregam muitos vírus, mas contam com um número razoável de células de defesa.
A maior parte, 63,7% dos aidéticos, recebe a terapia tríplice. Além dos inibidores de transcriptase, ela inclui um inibidor de protease que ataca o vírus na sua última fase de reprodução. A dose extra entra em cena quando as defesas ficam muito fracas e há sintomas.

O HIV usa duas estratégias para sobreviver aos ataques.
A primeira é pura sorte…

Entre vários filhotes, surge um especial.

1. O vírus invade a célula, ordenando que ela produza cópias dele. Mas não é habilidoso e comete erros durante a replicação. O resultado é que um HIV nunca é igual a outro. Aparecem alterações na sua capa ou na parte interna. As falhas muito grandes são prejudiciais e matam o micróbio.
2. Outras mudanças não são tão importantes e o vírus continua funcionando do mesmo jeito, sendo destruído pelas drogas.
3. Contudo, algumas modificações no seu recheio acabam por beneficiá-lo. Eles passam a ser resistentes, ou seja, os remédios não fazem mais efeito.

… E a segunda, camuflagem
Escondido dentro da célula, o linfócito sobrevive.

1. Um vírus invade o linfócitos T, uma das células de defesa do organismo. Mas, em vez de replicar, cria uma cópia do seu material genético no núcleo da célula, que pode ficar anos adormecida. Enquanto isso, o vírus também fica inativo.
2. Uma infecção qualquer, como uma gripe, põe o linfócito em atividade novamente. Os genes do HIV também voltam à atividade e dão a ordem para a célula produzir mais e mais HIVs, reiniciando a infecção.

9835 – Como funciona o espelho antiembaçante?


O vapor d’água fica líquido ao esbarrar numa superfície fria. Se ela for vertical, a tendência é que as gotas escorram. “Mas isso não acontece sempre porque a água tem uma estranha carga elétrica”, explica um químico da Universidade de São Paulo. A sua molécula (H2O) liga um átomo de oxigênio – com oito elétrons (negativos) e oito prótons (positivos) – a dois de hidrogênio – cada um com apenas um elétron e um próton. Quando isso acontece, os elementos compartilham seus elétrons. O resultado é que um lado da molécula fica com mais elétrons (veja o infográfico) e, portanto, mais negativo que o outro. Acontece que o silicato, do qual é feito o vidro, também tem hidrogênio e oxigênio ligados da mesma forma. Por isso, os lados positivos de um atraem os negativos do outro e vice-versa, e as gotinhas grudam. Os fabricantes de espelho antiembaçante o protegem com algum produto transparente, como o silicone, que bloqueie a tal atração elétrica.

Uma fina camada de silicone acaba com o embaçamento.
Os elétrons do hidrogênio atraídos pelo núcleo do oxigênio, que tem mais prótons, criam uma carga negativa no lado de cima da molécula. O outro lado fica positivo. Na molécula do espelho acontece a mesma coisa. Por isso elas se atraem e a gota fica grudada. Uma camada de silicone no vidro impede a atração e a água escorre.

9834 – Flores no jardim dos dinossauros – Existe algum vegetal do período Jurássico que tenha sobrevivido até hoje?


Um estegossauro que fosse transportado por uma máquina do tempo até o século XX estranharia principalmente a existência de grama e de flores, já que não havia nada parecido na paisagem jurássica, entre 208 e 144 milhões de anos atrás. Mas também encontraria coisas familiares. “Pelos fósseis encontrados não dá para saber se havia plantas exatamente iguais às atuais, mas certamente existiam algumas dos mesmos grupos”, conta um botânico da Universidade de São Paulo. As mais comuns naquele período eram as cicadáceas, arbustos e árvores parecidos com palmeiras, que se espalhavam por praticamente todas as regiões. Por serem bem adaptadas, deixaram descendentes na Índia, na África e na Austrália. Junto com as cicadáceas havia ainda outras plantas semelhantes às de hoje. É o caso das ancestrais da gingko biloba, árvore medicinal cujas folhas são usadas para ativar a circulação, e vários tipos de samambaias.

9721 – Obesidade – Mais da metade da população está acima do peso em SP


obesidade e bactéria

Aproximadamente metade da população (52,6%) de São Paulo está acima do peso, revelou um estudo da Secretaria Estadual da Saúde sobre hábitos que podem elevar o risco de doença cardíaca. A pesquisa também mostrou que 38% dos paulistas consomem regularmente carne vermelha com excesso de gordura e 31% bebem refrigerante mais de cinco vezes por semana.
O levantamento, feito em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado nesta segunda-feira, entrevistou 5 700 adultos entre 2012 e 2013.
Os resultados mostraram que, além do excesso de peso e da alimentação, fatores como tabagismo, sedentarismo e abuso de bebida alcoólica também estão entre as principais ameaças à saúde cardíaca do paulistano. Entre os entrevistados, 15% revelaram beber álcool em excesso, 14,3% afirmaram não realizar nenhuma atividade física e 13,5% se declararam fumantes.

8668 – Biologia – Veja aqui o que que a formiga baiana tem


A formiga baiana fêmea tem apenas uma relação sexual em sua vida enquanto o macho morre minutos depois.
Estudando a Dinoponera quadriceps, uma formiga que habita as matas do Recôncavo Baiano, os pesquisadores Thibaud Monnin e Christian Peeters, da Universidade de Paris, mostraram até que ponto chega a disputa pelo poder na natureza. Entre as dinoponera, a fêmea castra e mata seu parceiro após o acasalamento. Guarda o esperma do macho num órgão especial de seu corpo e nunca mais copula de novo. Embora todas as operárias possam se reproduzir, só uma conquista o direito de se acasalar, no tapa, transformando-se na chamada formiga alfa. “As operárias brigam entre si”, diz um biólogo da Universidade de São Paulo. “A que bater mais domina o grupo.” A vida dos machos se resume a procurar uma alfa, namorar e morrer nas patas da sua cara-metade. “Mas ele não deve se importar”, brinca Monnin. “Dificilmente encontraria uma outra alfa virgem.”
Uma única lua-de-mel
Depois de copular com o macho, a dinoponera fêmea desiste da vida sexual.
Entre as formigas dinoponera, o direito à reprodução é disputado a ferroadas. Só a vencedora, chamada alfa, poderá se acasalar com um macho
O macho sobe nas costas da alfa, vencedora da disputa, e introduz o órgão reprodutor, onde estão os espermatozóides. A cópula dura minutos.
Fertilizada, a fêmea dobra o abdômen e, assim, arranca o órgão genital do parceiro, que fica preso ao seu corpo. Castrado, o macho morre.
A viúva se livra do órgão do macho. E guarda o esperma dentro de seu corpo para usar pelo resto da vida. Ela nunca mais se acasalará de novo.

8503 – Sociologia – A Linha de Pobreza do Brasil


O Brasil não é considerado um país pobre ou com alta vulnerabilidade econômica, porém, o que atrapalha o nosso país é a desigualdade social e de renda. Segundo dados de 2011, no Brasil, 8,5% da população vivia em famílias com renda inferior à fixada pela linha de indigência e 15,1% abaixo da linha de pobreza.
Esses percentuais correspondiam a 16 e 25 milhões de pessoas, apesar das diminuições de casos registradas nos últimos anos. Programas sociais como o Bolsa Família e o Brasil carinhoso, implementado nos governos Lula e Dilma, o Brasil tem conseguido diminuir a desigualdade de renda e mantendo o objetivo de acabar com a pobreza no país até 2014.
O Governo Federal considera como extrema pobreza familiar a família que possui renda mensal abaixo de 70,00 reais por pessoa. Porém, não há um consenso universalizado no país sobre o real nível para detecção da extrema pobreza familiar e social. Segundo pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, a miséria deveria ser caracterizada no Brasil pelo nível de acesso à rede de esgoto.
Em maio de 2011, o Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome confirmou os dados apresentados neste artigo, a identificação de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza foi realizada pelo IBGE (pelo Instituto de Geografia e Estatística) sob encomenda do Governo Federal para guiar o programa “Brasil sem Miséria”.
Em análise dos dados realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a miséria no Brasil ainda atinge uma pessoa num grupo de dez brasileiros. O IBGE declarou que, considerando o grupo de brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, 4,8 milhões têm renda nominal mensal domiciliar igual a zero, e 11,43 milhões possuem renda de R$ 1 a R$ 70.
No contexto racial, a maior parte dos brasileiros que vive na miséria é representada por pessoas pardas e negras, que vivem em áreas rurais e urbanas. Segundo dados do IBGE, 46,7% das pessoas na linha de extrema pobreza residem em área rural e 53,3% mora em áreas urbanas.

8453 – Corais: esqueletos de cálcio formam muro no mar


Não confunda, você está no ☻ Mega Arquivo

Os corais são pequenos bichos marítimos que constituem colônias e, ao morrer, deixam um esqueleto de carbonato de cálcio, que forma a base dos recifes. Aqueles que ainda estão vivos ficam próximos à superfície.
“Existem três tipos de recifes de coral”, explica uma bióloga da Universidade de São Paulo. O chamado recife de franja é formado por colônias que se fixam na praia e se estendem por até 400 metros mar adentro.
Quando a praia sofre erosão, a formação se separa do continente e vira um recife de barreira. O mais famoso é a Grande Barreira de Coral, na Austrália, com 2 000 quilômetros de extensão. O atol é o terceiro tipo. Ele é um recife que se forma ao redor de uma ilha, geralmente vulcânica. Quando ela é erodida ou afunda, sobra o atol.

Há três tipos diferentes de formação coralínea.
Franja

Os corais de franja crescem como extensão da praia, seja em uma ilha ou continente.

Barreira
Quando a praia é erodida, aparece um lago entre ela e o coral, surgindo a barreira.

Atol
O atol acontece quando a ilha que ele rodeava afunda ou desaparece por efeito da erosão.

8356 – Medicina – Fatores que podem causar autismo


Estabelecer com precisão as causas do autismo ainda desafia a medicina. Sabe-se que existe um componente genético envolvido, mas os pesquisadores passaram a considerar também uma série de fatores externos que podem contribuir para o desenvolvimento do distúrbio. Novos estudos mostram que a gravidez é de extrema importância. Desde o uso de antidepressivos até contrair uma gripe durante esse período aumentam as chances de ter filhos que manifestem a doença mais tarde. “Não existe um único autismo. A manifestação da doença é muito variada e o que se entende é que pode ter diversas causas”, afirma Guilherme Polanczyk, psiquiatra infantil do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Ele explica que os fatores ambientais podem aumentar o risco do surgimento de uma doença, mas isso não significa que apenas um deles é suficiente para causá-la – ou que todos sejam necessários. Conheça os fatores apontados pelas mais recentes pesquisas.

Uso de antidepressivos:
O uso de antidepressivos durante a gravidez pode dobrar o risco do filho desenvolver autismo. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Califórnia e publicado no periódico Archives of General Psychiatry em novembro de 2011, que envolveu 298 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sigla em inglês) e 1.507 crianças no grupo de controle. O uso de tais medicamentos foi relatado por 6,7% das mães de crianças autistas, contra 3,3% das mães no grupo de controle. Essa relação é considerada mais forte caso os medicamentos sejam utilizados no primeiro trimestre da gravidez.

Gripe ou febre persistente
Um estudo preliminar realizado com quase 96.736 crianças nascidas na Dinamarca entre 1997 e 2003, publicado em novembro de 2012 na revista americana Pediatrics, mostrou que a incidência de gripe ou febre prolongada durante a gravidez pode ser um fator de risco para o autismo.
De acordo com os pesquisadores, as crianças cujas mães tiveram gripe durante a gravidez tinham duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com distúrbios do espectro do autismo (ASD) antes de completarem três anos de idade. No caso de febres com duração de uma semana ou mais, o risco pode ser até três vezes maior.
A motivação para a pesquisa surgiu de estudos em animais, que indicavam que a ativação do sistema imunológico da mãe durante a gravidez poderia afetar o desenvolvimento do cérebro da criança.

Obesidade, diabetes e pressão alta
Mães obesas têm chances maiores de ter filhos autistas. De acordo com um estudo publicado no periódico Pediatrics em abril de 2012, a obesidade materna aumenta em até 67% a chance da criança sofrer do distúrbio.
A pesquisa envolveu com 517 crianças com distúrbios do espectro do autismo (ASD, na sgila em inglês), 172 com distúrbios do desenvolvimento e 315 com desenvolvimento normal, nascidas na Califórnia entre janeiro de 2003 e junho de 2010, e mostrou que a incidência de diabetes, hipertensão e obesidade das mães era maior no grupo que apresentava a doença do que no grupo de controle.
Além disso, dentre as crianças com ASD, aquelas cujas mães tinham diabetes apresentavam dificuldades relacionadas à linguagem, em comparação com os filhos de mulheres não-diabéticas.

Vitamina D
Diversos estudos associam baixos níveis de vitamina D no sangue a doenças autoimunes. Um estudo publicado em agosto de 2012 no periódico Journal of Neuroinflammation aponta uma relação entre a falta dessa vitamina e o autismo
A pesquisa foi realizada com 50 crianças autistas, entre 5 e 12 anos, e 30 crianças com desenvolvimento normal. Entre as crianças com autismo, 88% delas tinham insuficiência ou deficiência (sendo a última a mais severa) de vitamina D. Ao mesmo tempo, 70% dos pacientes com a síndrome apresentaram níveis elevados do autoanticorpo denominado anti-MAG (glicoproteína associada à mielina). Autoanticorpos são células do sistema imunológico que atuam contra proteínas do próprio indivíduo que as produz, e por isso estão associados a doenças auto-imunes, como diabetes tipo 1 e lúpus sistêmico, por exemplo.
Os pesquisadores acreditam que a deficiência de vitamina D pode contribuir para a produção do autoanticorpo, mas a relação de tal vitamina com o autismo ainda não é clara.

Tabagismo
Fumar durante a gravidez está associado a distúrbios menos graves relacionados ao autismo, como a Síndrome de Asperger. Essa é a conclusão de um estudo realizado pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos EUA, que analisou dados de 633.989 crianças nascidas entre 1992 e 1998. Por outro lado, não foi identificada relação entre o fumo na gravidez e o autismo comum.

Poluição do ar
A poluição do ar é um fator ambiental que tem sido relacionado ao autismo por diversos estudos. Uma pesquisa de 2010, realizada na Califórnia, mostrou que crianças que viviam a menos de 300 metros de rodovias tinham o dobro de chance de desenvolver autismo do que aquelas que viviam mais longe.
Os mesmos pesquisadores publicaram um estudo em novembro de 2012, no periódico Archives of General Psychiatry, que aprofunda tais resultados. Participaram 279 crianças diagnosticadas com autismo e outras 245 que não apresentavam a doença. As mães informaram os endereços em que viveram durante a gestação e o primeiro ano da criança e os pesquisadores analisaram os níveis de poluição do ar em cada local. O resultado mostrou que as crianças que foram expostas aos maiores níveis de poluição causada por veículos tinham até três vezes mais chances de desenvolverem autismo.