9824 – Biologia – Abelhas domesticadas podem exterminar as primas silvestres


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Abelhas domesticadas doentes podem estar infectando suas primas silvestres, segundo um estudo publicado na revista Nature. A constatação é preocupante, porque esses insetos polinizadores são vitais para a agricultura de todo o mundo.
A população de abelhas, tanto a de cativeiro quanto a selvagem, está em declínio na Europa, na América e na Ásia por razões que os cientistas ainda tentam entender. No novo estudo, pesquisadores encontraram evidências de que as abelhas silvestres Bombus terrestris estão sendo afetadas por vírus ou parasitas das primas produtoras de mel.
Em um experimento em laboratório, os cientistas expuseram abelhas silvestres a dois patógenos — o vírus de asa deformada e o parasita Nosema ceranae —, para constatar se elas podiam contrair doenças conhecidas por afetar as produtoras de mel. “Nós detectamos que esses patógenos realmente são contagiosos e reduzem a longevidade dos insetos significativamente”, disse o coautor da pesquisa Matthias Fuerst, da Universidade de Londres. A expectativa de vida das operárias silvestres, que é de 21 dias, se reduz em um terço ou um quarto, em caso de infecção.
Em uma segunda etapa, os cientistas capturaram Bombus terrestris, conhecidas como abelhões, e abelhas melíferas em 26 regiões da Grã-Bretanha, examinando-as para identificar alguma infecção. Constataram que, nos mesmos locais, ambas tinham níveis similares dos patógenos analisados, o que indicava uma conexão entre elas.

Por fim, a equipe verificou que as abelhas melíferas e silvestres coletadas em lugares iguais tinham mais cepas intimamente ligadas do mesmo vírus do que os insetos de outros locais, um claro indicador de transmissão da doença entre as espécies. Embora não tenham conseguido demonstrar definitivamente que os patógenos passaram das abelhas melíferas para os abelhões, e não o contrário, os cientistas afirmaram que essa seria a conclusão lógica. Mais abelhas melíferas do que abelhões se infectaram, e as melíferas infectadas tinham níveis virais mais elevados do que os abelhões.
Segundo os cientistas, o principal veículo da infecção foi a visita às flores, uma vez que os animais transportam patógenos em sua trajetória. Os insetos também podem espalhar doenças ao invadir as colmeias umas das outras em busca de mel ou néctar.
Apicultores conseguem tratar doenças nas colmeias, mas insetos silvestres não podem ser medicados. “Não podemos sair procurando colmeias para tratar as abelhas”, explicou Mark Brown, coautor do estudo. “Já é um desafio tratar populações selvagens de mamíferos onde há um pequeno número de indivíduos e os animais são grandes.”
A solução, segundo Brown, é evitar a disseminação a partir de colmeias de melíferas. “Precisamos que elas sejam tão limpas quanto possível, de forma que a contaminação do meio ambiente seja mitigada.” O declínio na população mundial de abelhas tem sido atribuído a causas diversas, tais como o uso de pesticidas agrícolas, práticas de monocultura que destroem as fontes de alimento dos insetos, vírus, fungos, ácaros, ou uma combinação desses fatores.
Um informe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) diz que os insetos polinizadores contribuem com a produtividade de pelo menos 70% dos grandes cultivos humanos. O valor econômico dos serviços de polinização foi estimado em 153 bilhões de euros (500 bilhões de reais) em 2005. As abelhas, especialmente os abelhões, respondem por 80% da polinização feita por insetos.

9650 – Biologia – Aves voam em conjunto para economizar energia


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Uma equipe de cientistas desvendou o segredo do voo dos pássaros em conjunto. No estudo, publicado na revista Nature na última quinta-feira, os pesquisadores liderados pelo Royal Veterinary College, da Universidade de Londres, mostram como a formação em “V” característica de aves migratórias é a estratégia ideal para poupar energia.
Para comprovar que o voo das aves é feito com sincronia, precisão e eficácia, a equipe desenvolveu sensores especiais para captar a velocidade, direção e batida das asas de catorze íbis criados em cativeiro no zoológico de Viena, na Áustria. Em ultraleves, alguns dos pesquisadores ensinaram aos pássaros a voar em conjunto e seguiram com eles em uma rota migratória da Áustria à Itália.
Com os dados recebidos pelos sensores acoplados às aves durante o voo, foi possível analisar como os pássaros posicionam-se no ar em pontos específicos que favorecem o menor esforço. A ave de trás aproveita o movimento ondulatório do ar provocado pelas asas da ave da frente. Ou seja, o primeiro pássaro faz a maior parte do esforço do bando – e é por isso que os pássaros se revezam em quem toma a dianteira do voo. As asas entram em sincronia para que o bando possa voar usando o menor esforço possível. Isso seria importante para longos voos, como as migrações.

7969 – Saúde – Mais potássio na dieta reduz risco de derrame


Um incremento no consumo de frutas e legumes frescos e uma redução na ingestão de alimentos industrializados podem aumentar a presença do potássio na dieta e levar a uma redução de 24% no risco de derrames cerebrais na população.
Hoje, a doença é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil.
A indicação vem de uma grande revisão de estudos liderada por pesquisadores da OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicada no “British Medical Journal”.
O trabalho envolve dados de quase 130 mil pessoas saudáveis e mostra que, entre as que consumiam mais potássio (de 3,5 g a 4,7 g por dia), o risco de derrame era 24% menor do que no grupo que ingeria menos desse nutriente.
O potássio é essencial para o funcionamento celular e serve como contraponto à ação do sódio, componente do sal fortemente ligado à hipertensão, que é fator de risco para derrames e outras doenças cardiovasculares.
O trabalho sobre potássio, assinado por Nancy Aburto, do Departamento de Nutrição para a Saúde e o Desenvolvimento da OMS, é acompanhado por outras duas revisões de estudos a respeito do efeito de reduções do consumo de sódio na pressão.
Que cortar o sal da dieta ajuda a controlar a pressão é mais do que sabido. O que ainda se discute são as metas ideais de consumo diário -e como implementá-las.
Hoje, a OMS recomenda até 5 g de sal por dia –o equivalente a 2 g de sódio.
De acordo com o trabalho liderado pelo pesquisador Feng He, da Universidade de Londres, diminuir o consumo de sal dos atuais 9 g a 12 g observados em média na população para 5 g já teria um grande impacto, mas um corte mais radical, para 3 g, seria ainda melhor para o controle da pressão arterial.
O governo brasileiro estabeleceu metas de redução de sódio para os alimentos industrializados, mas o acordo foi visto como tímido por alguns especialistas.

Controle da pressão no dia mundial da Saúde
O controle da pressão arterial foi o tema escolhido pela OMS para o Dia Mundial da Saúde, no próximo domingo.
Hoje, no Rio, a Federação Mundial do Coração vai discutir o cumprimento dos objetivos da OMS de redução de 25% da mortalidade por doenças crônicas até 2025.
“Queremos a adesão do Brasil a esses objetivos”, afirma Johanna Ralston, diretora-presidente da federação.
Também será lançado um aplicativo de celular (Pontuação Digital da Saúde) que avalia o risco de desenvolver doenças crônicas.

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