13.995 – Saiba mais sobre a Páscoa no ☻Mega


pascoa
Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo.

A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

Por que o ovo de Páscoa?
O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).
Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.
Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

Por que o Coelho de Páscoa?

coelho
Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.

Outros símbolos da Páscoa
O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.
Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“
Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.
cruz_ominiatura.jpgA Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.
O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“

Por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todos os anos?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”).
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

Tabela com as datas da Páscoa até 2020
2000: 23 de Abril (Igrejas Ocidentais); 30 de Abril (Igrejas Orientais)
2001: 15 de Abril
2002: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2003: 20 de Abril (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2004: 11 de Abril
2005: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2006: 16 de Abril (Igrejas Ocidentais); 23 de Abril (Igrejas Orientais)
2007: 8 de Abril
2008: 23 de Março (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2009: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
2010: 4 de Abril
2011: 24 de Abril
2012: 8 de Abril (Igrejas Ocidentais); 15 de Abril (Igrejas Orientais)
2013: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2014: 20 de Abril
2015: 5 de Abril (Igrejas Ocidentais); 12 de Abril (Igrejas Orientais)
2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2017: 16 de Abril
2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais)
2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais)
2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os siginificados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos”.

13.757 – Mega Mitos – Diabo Existe?


diacho
Num mundo dominado pela tecnologia, com .educação e informação em larga escala, imaginou-se que não haveria mais lugar para ele. Engano. No alvorecer do terceiro milênio ei-lo aí, vivo e atuante, ainda que transformado e sem os superpoderes de outrora. Ele – Asmodeu, Belzebu, Azazel, Belial, entre os muitos nomes com os quais os antigos hebreus o rotularam. Ou Iblis, como dizem os muçulmanos. Ou Arimã, como o chamavam os seguidores de Zoroastro, na Pérsia. Ou simplesmente, como bem o sabem os brasileiros temerosos de mencionar-lhe o nome, o Rabudo, o Tinhoso, o Beiçudo, o Pai da Mentira, o Cão. Amigo leitor, eis Satanás, o Demo, o Diabo, a mais intrigante das figuras que povoam o imaginário humano.
O Diabo chega ao século XXI deitado sobre a fama arrecadada ao longo do tempo. É verdade que ele não aparece mais em murais com a aparência grotesca de um bode alado, coroado de enormes chifres, com rabo de dragão e olhos nas asas, na barriga e no traseiro. E que há muito seu nome foi retirado do Pai Nosso, a principal oração cristã. Também já não é acusado em toda parte de estar por trás das doenças, das hecatombes, das tragédias cotidianas. O Diabo teve que ceder aos progressos da ciência, à liberdade de pensamento e ao avanço da razão sobre a superstição. Mas é inegável que, mesmo reduzido à idéia original que o criou, ele continua influente em nossos dias, qualquer que seja a classe social, o nível cultural ou a nacionalidade das pessoas. Não é exagero dizer que, de certa forma, o velho e mau Satã tem sido revalorizado nos últimos tempos.
Nos Estados Unidos, maior centro tecnológico do mundo, o número de exorcistas autorizados pela Igreja Católica cresceu mais de dez vezes nos últimos dois anos. Antes, o país tinha apenas um. Na França, no mesmo período, os exorcistas saltaram de 15 para 120. Em todo o mundo desenvolvido, o Demônio e os seus sequazes continuam a girar a roda da fortuna na literatura e no cinema. Nas nações ricas ou nas pobres, Satã não pára de estimular debates e, principalmente, facilitar as manipulações do jogo político – satanizar o adversário sempre foi uma boa arma em qualquer disputa.
Entre fundamentalistas islâmicos, Iblis ganhou as cores da bandeira dos Estados Unidos, país rotulado como o “Grande Satã”. Foi contra o Diabo, em última instância, que os terroristas liderados por Osama Bin Laden lançaram os aviões que derrubaram as torres gêmeas de Nova York, em setembro passado. E foi a mão do Demônio que, para muitos americanos, guiou os comparsas de Bin Laden naquele dia. Era para impedir a ação subversiva do Demo, por meio da liberação dos costumes, que, no Afeganistão, os talibãs impunham às mulheres o sufoco das burqas, o véu que cobre todo o rosto. Da Europa cosmopolita aos grotões da África, Belzebu prosseguiu inspirando violências. E, como não poderia deixar de ser numa sociedade marcada pelo sincretismo, Belial encontrou no Brasil um campo vasto para suas armações.

“O Diabo é a origem das doenças, da miséria, dos desastres e de todos os problemas que afligem o homem desde que ele iniciou sua vida na Terra”, afirma o fundador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, em seu livro Orixás, Caboclos e Guias – Deuses ou Demônios?, uma das 26 obras nas quais Macedo tenta convencer a humanidade de que Satã existe e exerce poder quase absoluto sobre as pessoas. Sua Igreja, uma das que mais crescem no segmento neopentecostal, vertente protestante surgida nos anos 70, começou apoiada nos pobres – os que mais se sensibilizam com os exorcismos espetaculares realizados em seus templos –, mas logo penetrou a classe média, desiludida com os meios convencionais de solução de seus problemas existenciais e de saúde. Após 25 anos de atuação, já é possível ver nos cultos da Igreja Universal alguns novos-ricos preocupados em garantir a manutenção da sua prosperidade.
O que busca a multidão que não se importa de engordar o caixa da Igreja do bispo Edir com doações generosas? A garantia de que Azazel, aprisionado pelas orações dos pastores, não mais atrapalhará seus negócios, sua saúde, seus desejos.
A Igreja Católica, que, até meados do século passado, oferecia ao mundo o retrato mais terrível do Tinhoso, decidiu retocá-lo numa adaptação aos novos tempos. Que ninguém se engane: o Demônio católico, ainda que despido da sua aparência grotesca, e mitigado pelo racionalismo ocidental, não emagreceu a ponto de virar um mero símbolo – a não ser para alguns poucos revisionistas. O Vaticano exorta os fiéis a considerá-lo “a causa do mal”, cuja presença estaria evidente desde a crença de que a felicidade está no dinheiro, no poder e na concupiscência carnal até o relativismo que induz o homem a não atender “à vontade de Deus”. Satã tornou-se, para os católicos, sutil e requintado, mas ainda poderoso a ponto de apossar-se dos homens, como esclarece o documento oficial De Exorcismis et Supplicationibus (“De todos os Gêneros de Exorcismos e Súplicas”), de 1999.
Em sua argumentação, o papa João Paulo II retoma, nesse documento, a idéia sintetizada pelo poeta francês Charles Baudelaire, no século XIX, em seu verso “o mais belo estratagema do Diabo é nos persuadir de que ele não existe”. O papa não tem dúvida: o Demo trabalha de modo que “o mal que ele inculca desde o começo se desenvolva no próprio homem, nos sistemas e nas relações inter-humanas entre as classes sociais e as nações”.
Mas, afinal, o que é o Diabo? Desde quando ele está entre nós? Que papel ele desempenha no mundo atual?
Historicamente, Satã, do jeito como o visualizamos hoje no Ocidente – um ser que concentra em si a maldade absoluta – é resultado de uma longa gestação psicológica na qual os arquétipos (imagens psíquicas do inconsciente coletivo que, na concepção do psicólogo suíço Carl Jung, estruturam modos de compreensão comuns aos indivíduos de uma comunidade) do mal foram ganhando formas concretas tanto a partir de sincretismo – por meio da mistura da idéia do mal que há nas diversas religiões – quanto de processos de transferência – em que a pessoa descarrega num mito, numa figura externa, todo o mal que enxerga dentro de si. Assim, o Tinhoso fica responsável por tudo aquilo que consideramos ruim ou maléfico: o ódio, a raiva, o medo. Enquanto o seu oposto, Deus, personifica tudo o que consideramos bom ou benéfico: perdão, compaixão, solidariedade.
O Demônio fascina a humanidade e é uma peça necessária, sem a qual nenhuma sociedade humana jamais conseguiu viver, porque ele nos ajuda a identificar – e a exorcizar – nossos impulsos primários. É demoníaco tudo aquilo que lembra ao homem que ele é um animal: a excreção, o vômito, a violência, a doença, a morte, o aspecto grotesco do sexo. Ao lado disso, é divino tudo aquilo que dá ao homem a impressão de que ele pode colocar-se acima dos outros animais: o amor, a inteligência, a renúncia aos instintos básicos, o aspecto sublime do sexo. A função do Diabo como válvula de escape está muito clara, por exemplo, no Novo Testamento, base da doutrina cristã, em que há mais citações do mal que do bem. Mais referências a Satã que a Deus. “No Cristianismo a presença do mal é essencial como em nenhuma outra religião”, diz o filósofo Roberto Romano, da Universidade de Campinas (Unicamp).
A primeira representação do Rabudo teria surgido no século VI a.C., na Pérsia. O profeta Zoroastro descreveu a figura de Arimã, o “príncipe das trevas” em seu conflito com Mazda, o “príncipe da luz”. Eram essas duas divindades, que expressam a polaridade existente no universo e dentro da própria alma humana, que regiam o mundo de Zoroastro. Durante o cativeiro na Babilônia, os hebreus tiveram contato com o masdeísmo persa, religião que divinizava os seres naturais. Segundo alguns historiadores, isso foi fundamental para a concepção do que viria a ser o Satã do Judaísmo e do Cristianismo. Na antiga língua hebraica, Satanás quer dizer acusador, caluniador, aquele que põe obstáculos. E foi assim, sem a face aterrorizante que ganharia mais tarde, que o Diabo estreou no Velho Testamento. Agia como um colaborador de Jeová, o Deus judaico-cristão, para testar a lealdade ou castigar os seus escolhidos. Jeová, por exemplo, determinou a Satã que precipitasse o desobediente rei Saul no poço da depressão.
Sob a mesma autorização divina, o Satã infligiu perdas e sofrimentos ao rico e fiel Jó, no desenrolar de uma aposta na qual Jeová jogou todas as fichas na lealdade do seu servo.
Na mesma linha dos deuses pagãos, ambivalentes, Jeová expressava paixões contraditórias, semelhantes às do homem, e distribuía com exclusividade tanto o bem quanto o mal. “Os hebreus primitivos não tinham necessidade de corporificar uma entidade maligna”, afirma Carlos Roberto Figueiredo Nogueira, doutor em História Medieval pela Universidade de São Paulo (USP), no livro O Diabo no Imaginário Cristão. “Para eles Jeová era um deus tribal e, como tal, superior aos deuses das populações vizinhas, que se colocavam assim como seus adversários e como expressões naturais da maldade.” Não sur- preende, portanto, que, ao ganhar contornos de entidade, o Diabo tenha recebido nomes como Belzebu, um deus filisteu, e Asmodeu, deus da tempestade na mitologia persa. Ou seja: as divindades, boas ou más, das sociedades que ficaram para trás na história, foram incorporadas ao imaginário da cultura hegemônica, no caso específico, a tradição hebraica, como figuras agentes do mal.
A influência persa, segundo Carlos Nogueira, forneceu o pano de fundo dualista do judaísmo, a dicotomia entre bem e mal que até hoje define a religiosidade ocidental, por meio da assimilação da crença em espíritos benéficos e maléficos – os gênios da religião de Zoroastro. Os anjos, antes vistos como símbolos da manifestação divina, foram transformados em entidades autônomas, enquadradas numa hierarquia celestial. A construção dessa estrutura tornou possível uma das mais majestosas passagens da literatura popular judaica: a revolta e a queda de Lúcifer (“o portador da luz”), o serafim mais belo e mais próximo de Deus. Ele foi expulso do céu e metamorfoseado no Demônio após se deixar dominar pela soberba.
A mudança de perspectiva teológica fica mais evidente a partir do século II a.C., com o desenvolvimento, à margem da tradição judaica erudita, de uma literatura apocalíptica sobre o demoníaco. No Livro dos Jubileus, escrito entre 135 e 105 a.C., e que faz parte dos livros apócrifos (sem autenticidade comprovada), são mencionados os espíritos malignos acorrentados no “lugar da condenação”. No Testamento dos Doze Patriarcas, escrito entre 109 e 106 a.C. (também apócrifo), pela primeira vez Satã aparece personalizado na figura de Belial.
As crenças populares acerca do Diabo chegaram a ser assimiladas pela elite judaica, razão pela qual muitos rabinos acusaram Jesus de promover os seus milagres “sob o poder de Belzebu”. Com o tempo, os rabinos perderam interesse nessas versões e Satã voltou a ser uma figura menor no Judaísmo. Ao contrário, os cristãos não apenas introduziram em sua doutrina os elementos da literatura escatológica (sobre o final dos tempos), como também ampliaram-lhe os limites concedendo grandes poderes ao Demônio. Os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de Paulo e o Apocalipse do apóstolo João, textos cristãos que compõem o Novo Testamento, são pródigos em referências à luta de Satã contra Deus, retomando a história inicial de Lúcifer e seus aliados – nada menos que um terço dos anjos – na batalha celestial ocorrida nos primórdios da criação. A corporificação do Diabo cristão consumiu pelo menos 400 anos de debates e só veio a consolidar-se no século VII, com a ajuda da arte cristã.
Até então, o Demônio não tinha rosto definido. É quando a figura monstruosa e assustadora de Satanás se multiplica nos vitrais, nas colunas e nos tetos dos templos, é mostrada em murais nas ruas, assume a imaginação de clérigos e do povo e abre caminho para as práticas mais obscuras da Idade Média, cujo ápice é a Inquisição.
A lenta construção da imagem do Diabo é compreensível. Nos três primeiros séculos, os cristãos, membros de uma seita perseguida, não precisavam imaginar uma face para Satã, já que a conheciam sob a forma dos gladiadores e leões que os trucidavam nas arenas romanas. No século IV, quando o Império Romano curvou-se ao Cristianismo, a euforia se alastrou entre os fiéis, que viam na expansão da doutrina de Jesus sinais do enfraquecimento do anticristo e sua iminente derrota final. Mas, logo, a persistência de conflitos, desigualdades e paixões depois desse marco arrefeceu o otimismo e sedimentou a crença de que a força de Satanás era maior do que se imaginara. O mal continuava a existir num mundo dominado por Cristo. Sinal de que o Demônio estava disposto a continuar disputando com Deus a hegemonia da alma humana, por meio das tentações e do pecado. Precaver-se contra suas manhas tornou-se uma obsessão.
Na Idade Média, entre as seitas fundamentalistas, via-se o Diabo e seus auxiliares por toda parte. Imaginavam-se pactos entre homens e Satã, em troca de fortuna, conhecimento e poder – tema cujo paradigma é a história de Johannes Faustus, de Heidelberg (1480-1540), retratado mais tarde, em 1833, no Doutor Fausto, drama do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, que conta a história do sábio que compactua com o Demo para conquistar conhecimento, poder e mulheres. Acreditava-se que, enquanto dormiam, moças podiam ser possuídas por demônios chamados de íncubos, enquanto homens eram atacados por demônios súcubos, travestidos de mulheres. Eremitas do deserto se diziam tentados por seres infernais com apelos luxuriantes.
O sexo tornou-se a armadilha predileta de Satã para conduzir os homens à perdição, o que justifica uma das mais conhecidas representações iconográficas do Demo – aquela em que ele aparece com patas de bode, olhos oblíquos e chifres, tomados por empréstimo à imagem de Pã, divindade greco-romana que se divertia em orgias. O aspecto violento do sexo, invariavelmente associado ao Demônio, era sublinhado nas imagens por enormes falos – uma representação possivelmente absorvida de outras culturas.
Ainda na Idade Média, o Diabo era apontado como a causa de quase todos os males. Os médicos, para livrar a própria pele, afirmavam que a simples impossibilidade de diagnosticar a enfermidade era em si um sinal de que se estava diante de um caso de possessão demoníaca. Satã podia entrar no corpo, segundo a crença popular, através dos orifícios, razão pela qual nos países anglo-saxônicos até hoje saúda-se o espirro, então visto como a expulsão de um demônio, com a frase “Deus o abençoe”. O Tinhoso também costumava ocultar-se sob mil disfarces. Que o diga o papa Gregório Magno, em cujos Diálogos está registrado o caso de uma freira endemoniada porque colhera alface na horta do convento sem a devida oração – Belzebu espreitara-lhe, escondido nas folhas da planta.
A histeria coletiva e o uso político desses temores nos bastidores da vida religiosa levaram milhares de pessoas a arder nas fogueiras da Inquisição, o jeito “piedoso” estabelecido pela Igreja para salvar a alma daqueles que, supostamente, tivessem se deixado ludibriar pelo Demo.
Com o tempo, as imagens e a nomenclatura demoníaca, sempre relacionadas aos deuses que guerrearam contra Jeová e às divindades e tradições pagãs abominadas pelos cristãos (a palavra demônio deriva do grego daimon, que significa simplesmente “espírito”), foram enriquecidas conforme os adversários definidos pelo Catolicismo. No período das Cruzadas, a figura de Satã ganhou pele morena e barbicha, que o identificavam com os árabes. Com a chegada dos primeiros missionários ao Oriente, logo Sita e Rama, deidades do hinduísmo, se tornaram codinomes do Diabo. O que isso quer dizer é mais ou menos óbvio. “Significa que Satanás é o inimigo, é aquele que não concorda conosco”, diz Elaine Pagels, professora de História da Religião na Universidade de Princeton, Estados Unidos. Para a especialista, autora do livro As Origens de Satanás, esse adversário sequer precisa ser alguém distante e estranho.
Na maioria das vezes é um inimigo íntimo, o companheiro que trai, o colega que odiamos, o irmão que nos abandona – ou o herético que afronta os dogmas com idéias próprias.
O começo da era moderna na Europa seria marcado por um enorme medo do Demônio, momento psicológico retratado nos versos da Divina Comédia, escritos no século XIV pelo italiano Dante Alighieri, e na iconografia do inferno da arte renascentista: demônios desenrolando os intestinos dos invejosos e enterrando ferros em brasa nas vaginas de mulheres levianas, pântanos fumegantes onde animais supliciam os pecadores. O surgimento da imprensa e as reformas religiosas conferiram a Satã difusão mais ampla. A didática do medo na catequese cristã parecia propor, como lembra Carlos Nogueira, “um prazer estético com o mal”.
Belial mostrou-se à vontade mesmo após a Revolução Francesa e a conseqüente separação entre Igreja e Estado, no século XVIII. A Igreja enxergou forças demoníacas no saber científico. Mas, fora do círculo religioso, sua imagem começou a sofrer uma mutação radical. O romantismo, movimento que revolucionou as artes a partir do final do século XIX e que pregou a subjetividade, em rebelião contra o autoritarismo católico, transformou Satã num símbolo do espírito livre, do progresso e da revolta contra o obscurantismo medieval – um aliado do homem condenado pela moral cristã ao sofrimento. Em Fausto, de Goethe, a visão do demoníaco reflete não apenas as forças do mal, mas também o problema do conhecimento e o desejo do homem de dominar a natureza.
O Diabo entrou no século XX já com a imagem que fazemos dele hoje: como um personagem menos influente, apesar de continuar inspirando medo. Seus atributos mitológicos estão estáveis e sua popularidade é crescente, com a proliferação de seitas que o reverenciam. Pagou um preço alto por essa secularização sob a forma de perda parcial do respeito e do pânico que sua figura sempre inspirou. Para alguns estudiosos da sociedade, isso não é um bom sinal. “Trata-se de uma situação perigosa, pois significa que o mundo moderno está perdendo o senso do mal”, diz Jeffrey Burton Russel, professor de História da Religião na Universidade da Califórnia, Estados Unidos. “E sem o senso do mal, e sem temer o mal, a civilização pode desagregar-se e ir, sem trocadilho, direto para o inferno.”
Mas, então, dá para deduzir que Satanás, enfraquecido pelo racionalismo da vida moderna, está aposentado? Dá para afirmar que precisamos que ele volte a atuar? Não é bem assim. Como afirma o título desta reportagem, o Diabo está vivo. E desafia os que achavam que não haveria mais lugar para ele num mundo regido pela ciência e pelo senso de que o homem está acima da superstição, das crenças, do bem – Deus – e do mal – o Diabo. Ao contrário disso, a julgar pelo cotidiano do homem moderno, o Tinhoso continua na ativa. Na política e na religião, a satanização continua em alta. Do confronto entre os americanos e os fundamentalistas islâmicos às disputas do mercado. No bandido que afirma que só cometeu o crime porque estava possuído pelo Demo. Em todos esses lugares, ele está. Personificando o opositor. Livrando o homem da culpa de carregar uma porção de mal em seu coração.
Facilitando o arremesso sobre o outro de toda a responsabilidade por situações que nos desagradam. Em todos esses planos, e em muitos outros do comportamento humano, o Beiçudo continua imbatível.

O diabo e as religiões
Catolicismo
Após as mudanças iniciadas no Concílio Vaticano II, há quatro décadas, o Diabo perdeu as feições físicas monstruosas que apavoravam os fiéis e passou a ser encarado como “a causa do mal”, cuja ação entre os homens é de natureza essencialmente moral. Mas a Igreja continua a vê-lo como uma entidade que concentra o mal absoluto, inapelável. Algumas curiosidades bizarras sobre o Pai da Mentira na fé católica: o número 666, que costuma identificar a “Besta”, o anticristo (o grande disfarce de Satã para enganar os crentes e dominar o mundo), estava escrito na testa do horripilante animal alado, personagem das visões do apóstolo João que deram origem ao último livro do Novo Testamento: o Apocalipse. Já o cheiro de enxofre foi atribuído ao Demo por se tratar de uma essência horrível e irritante. Na Idade Média, acreditava-se que o inferno era não apenas um lugar quente, abafado e “animado” por danações horrendas. Havia também pântanos fumegantes, onde as almas dos pecadores ardiam em soluções de enxofre.

Evangelismo
Para a maioria das denominações evangélicas, Satanás tem individualidade e atua como o grande inimigo do Evangelho de Jesus e seus seguidores. Os neopentecostais, que surgiram a partir da década de 70, superestimam os seus poderes e fazem do combate ao Demônio o foco de suas atividades. Segmentos modernizantes, como algumas igrejas batistas nos Estados Unidos e no Brasil, já admitem que o mal reside nas entranhas do homem, como a sombra junguiana, e contestam a existência do Maligno.

Judaísmo
Não aceita a corporificação do Diabo. Satanás seria o grande adversário, o pérfido acusador, o ardiloso comerciante do mal que, conforme a tradição judaica, é usado por Deus para testar o homem. O bem e o mal procedem ambos de impulsos humanos.

Islamismo
O Diabo na fé islâmica é individual e corporificado. O Demo tem praticamente as mesmas atribuições do seu sinistro similar na fé católica.

Espiritismo
A doutrina de Allan Kardec (místico francês que formulou as bases doutrinárias do Espiritismo no século XIX), popularizada no Brasil, não admite a existência do mal absoluto nem a sua individualização em Satanás. O mal, visto como uma contingência da experiência evolutiva e das vivências terrenas de cada indivíduo, cede ao bem à medida que os espíritos se depuram através de sucessivas reencarnações.

Budismo
Os budistas não personificam Deus e muito menos o Diabo, um conceito inexistente na doutrina religiosa do Budismo. O mal é resultado da mente inquieta ante a ilusão do eu e das formas do mundo material. Pensamentos e atos podem gerar o carma que prende o homem à longa fieira das reencarnações. O exercício cotidiano, permanente e humilde, da compaixão e do desapego o liberam desse círculo.

Quem é quem no inferno
A imaginação criativa na Idade Média não se limitou a conceber uma figura horripilante para Satanás. Imaginou toda uma estrutura para o inferno. E o Diabo teve que delegar poderes a auxiliares, às vezes confundidos com o próprio chefe, como Pazuzu, que estrelou o filme O Exorcista. A seguir, o organograma do Inferno:

Belial
É considerado o demônio da arrogância e da loucura. Há quem o veja como a besta do Apocalipse

Nergal
Demônio sumeriano que, no inferno cristão, assumiu o comando da polícia

Asmodeu

Demônio hebreu da ira e da luxúria

Astaroth
Ex-querubim, é tido como o tesoureiro do inferno
Diabo
O rei, o chefão. Trata-se de Lúcifer, o ex-arcanjo preferido de Deus, expulso do céu por causa do seu orgulho e ambição

Baalberith
Demônio do assassinato e da blasfêmia, era líder dos querubins celestes. Tornou-se secretário de Lúcifer

Belzebu
O príncipe dos demônios. Ao lado de Leviatã, estimula o orgulho e a heresia entre os homens
Abramalech
Responsável pelo guarda-roupa de Lúcifer, espécie de mordomo
Pazuzu
O rei dos espíritos malignos

13.224 – Mitos Religiosos – O Diabo Não Existe


Uma visão espírita sobre o diabo

O diabo não existe – isso pode parecer óbvio para você, se você é espírita. Mas milhões de pessoas ainda acreditam na existência do diabo como um ser real, personificado. E embasam a sua crença na Bíblia, a mesma Bíblia que nos apresenta Jesus.
Nós sabemos que a maior parte das pessoas que acredita no diabo é composta por católicos e protestantes (ou os chamados evangélicos). Tanto católicos quanto evangélicos exercem um papel importante que merece todo o nosso respeito, mas não há como fazer uma mudança profunda no ser imortal que nós somos se nós não reconhecermos a total responsabilidade que nós temos sobre nós mesmos. Então, enquanto nós tivermos a ideia de um ser culpado pelo mal, um ser a quem se atribui a causa de todo o mal que há na Terra, nós não nos responsabilizaremos pelos nossos pensamentos, pelas nossas palavras, pelas nossas ações.
Não podemos mais continuar terceirizando a responsabilidade que temos sobre nós mesmos, porque a ideia do diabo é isso: é a terceirização da responsabilidade. Nós erramos, mas não somos culpados pelo nosso erro – nós estamos apenas dominados ou influenciados pelo diabo; o culpado é o diabo.
Entre os espíritas não existe a crença no diabo, mas essa terceirização da responsabilidade também acontece apenas mudando de nome – o culpado não é o diabo porque o diabo não existe, mas o espírita muitas vezes coloca a culpa dos seus males no espírito obsessor.

Fonte: Espírito Imortal

13.193 – Mega Polêmica – Contra o consenso atual, historiador defende que Jesus foi apenas um mito


Livro polêmico promete colocar lenha na fogueira:

A tese de que Jesus Cristo nunca existiu é um prato cheio para teóricos da conspiração da internet, embora seja rejeitada pela grande maioria dos especialistas. Uma das raras obras sérias que tentam defender essa ideia, escrita pelo historiador e ativista ateu americano David Fitzgerald, acaba de chegar ao Brasil em versão eletrônica.

O livro, chamado “Nailed: Dez Mitos Cristãos Que Mostram Que Jesus Nunca Sequer Existiu”, manteve o trocadilho em inglês do título original (“nailed” quer dizer “pregado”, literalmente, mas também pode ser usado no sentido de “resolvido”, em situações como a resolução de um enigma ou problema).

Ao montar a lista de dez mitos, Fitzgerald, que foi protestante antes de abraçar o ateísmo, teve como alvo principalmente as afirmações sobre os textos do Novo Testamento feitas por cristãos mais conservadores. Seu primeiro passo é mostrar que, diferentemente do que afirmam os literalistas bíblicos –ou seja, aqueles que acreditam que todos os detalhes descritos na Bíblia são fatos históricos que ocorreram literalmente–, há uma longa lista de contradições nos diferentes retratos de Jesus traçados pelos Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Isso significa que eles provavelmente não foram escritos por testemunhas oculares da vida de Cristo, mas incorporam a visão teológica de cada autor em passagens tão importantes quanto o nascimento do Nazareno, o batismo no rio Jordão, a morte na cruz e a Ressurreição.

Até aí, poucos historiadores do cristianismo primitivo achariam os argumentos dele controversos –ninguém defende, hoje em dia, que os chamados Reis Magos apareceram com presentes quando Jesus nasceu, ou que o rei Herodes de fato mandou matá-lo quando ainda era bebê.

Pilares da Dúvida
Nínguém ouviu falar dele: Autores não cristãos do século 1º d.C. nunca teriam mencionado Jesus – as poucas menções não passariam de falsificações criadas por copistas cristãos.

Argumento pró: – Há passagens genuínas sobre Cristo na obra do judeu Flávio Josefo e do historiador romano Tácito. Outros nomes não falaram dele porque no início o impacto do Cristianismo era modesto.

Evangelhos ‘plagiaram’ outros mitos
Semelhanças entre a trajetória de Jesus e a de outras figuras divinas que morrem e ressuscitam, como Baal, mostrariam que a fé cristã apenas deu nova roupagem a antigas religiões do Oriente Próximo
O consenso atual: embora esses elementos possam ter influenciado os evangelistas, o núcleo da biografia de Cristo, como o batismo no Jordão e a morte na cruz, possui fortes indicações de historicidade.

Para Paulo, Jesus nunca foi humano
Cartas do apóstolo Paulo, que são os mais antigos documentos cristãos, descreveriam um Jesus com poderes celestiais que existia desde o começo do Universo, e não um profeta de carne e osso.
O consenso atual: apesar de não se interessar muito pelo que Jesus fez e pregou em vida, Paulo claramente o descreve como “nascido de mulher” e com parentes vivos, como Tiago, o que derrubaria essa tese.

Autores bíblicos traçam retratos muito variados sobre Jesus
Há muitas contradições ente os diferentes evangelhos.

O mais importante desses historiadores, o judeu Flávio Josefo (37 d.C.-100 d.C.), deixou obras que, na versão que chegou até nós, citariam Jesus em dois trechos. Um deles, mais extenso, realmente foi adulterado por copistas cristãos para dar a entender que Josefo via Jesus como o Messias, mas a maioria dos historiadores afirma que, por trás da passagem alterada, é possível restaurar uma versão original que também falava de Cristo.

Já Fitzgerald diz que essa passagem maior foi totalmente inventada, enquanto no trecho mais curto um personagem chamado Tiago teria recebido o apelido de “irmão de Jesus, chamado Cristo” por intervenção de copistas cristãos.

Além do que vê como silêncio dos cronistas não cristãos, Fitzgerald enfatiza o silêncio do apóstolo Paulo, autor de diversas cartas a comunidades cristãs escritas entre os anos 40 e 60 do século 1º e preservadas no Novo Testamento.
Paulo, de fato, quase não aborda os episódios da vida de Jesus e os ensinamentos do Nazareno, o que, para Fitzgerald, seria indício de que o Cristo no qual ele acreditava era uma figura cósmica, de origem celestial, na qual o apóstolo teria passado a acreditar por meio de revelações místicas e da análise das Escrituras judaicas (o Antigo Testamento cristão). Não teria sido, portanto, um homem de carne e osso.
Outra objeção séria às ideias dos chamados miticistas (os que defendem que Jesus foi apenas um mito, sem base numa figura histórica real) envolve o chamado critério do constrangimento. Esse critério de análise histórica propõe que ninguém em sã consciência inventaria informações potencialmente constrangedoras sobre a trajetória de uma figura muito admirada. Portanto, é razoável admitir que tais fatos realmente aconteceram.
Esse critério é usado para postular que ao menos alguns fatos básicos da biografia de Jesus –a origem em Nazaré (cidadezinha insignificante), o batismo feito por João Batista (se Jesus é superior a João, por que foi batizado?) e a morte na cruz (martírio reservado a criminosos e subversivos de quinta categoria)– aconteceram mesmo.
Para Fitzgerald, porém, todos esses dados são uma criação do mais antigo Evangelho, o de Marcos.

Obra
NAILED: DEZ MITOS CRISTÃOS QUE MOSTRAM QUE JESUS NUNCA SEQUER EXISTIU
AUTOR David Fitzgerald
EDITORA Amazon

13.023 – Religião – Igreja Adventista


igreja_adventiste
A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma denominação cristã protestante restauracionista, trinitariana, sabatista, não-cessacionista, mortalista e aniquilacionista, que se distingue pela observância do sábado, o sétimo dia da semana judaico-cristã (sabbath) e por sua ênfase na iminente segunda vinda de Jesus Cristo. A igreja surgiu após o Grande Desapontamento de 22 de outubro 1844, desencadeado pelo Movimento Milerita nos Estados Unidos, durante a primeira metade do século XIX, sendo formalmente criada em 1863. Entre seus vários pioneiros está Ellen White[10], cujos escritos são tidos pelos adventistas como inspirados por Deus.
Grande parte da teologia dos adventistas do sétimo dia corresponde aos ensinamentos cristãos tradicionais como a Trindade a infalibilidade bíblica, e protestantes como a justificação pela fé, a salvação por meio da graça apenas, o nascimento virginal de Jesus, seu batismo por imersão, seu sacrifício substituto na cruz, sua ressurreição, ascensão e segunda vinda. Os adventistas também possuem ensinamentos distintos de outras denominações cristãs como o estado inconsciente dos mortos e a doutrina de um juízo investigativo ocorrendo atualmente no céu. A igreja também é conhecida por sua ênfase na alimentação salutar e na mensagem de saúde, por sua compreensão indivisível entre corpo, mente e alma, pela promoção dos princípios morais e pelo estilo de vida conservador.
Em maio de 2007, os adventistas eram o décimo segundo maior corpo religioso do mundo e o sexto maior movimento religioso internacional . A Igreja Adventista do Sétimo Dia também é a oitava maior organização internacional de cristãos do planeta. No mundo, os adventistas são regidos por uma Conferência Geral, com pequenas regiões administradas por divisões, uniões, associações e missões locais. Possui atualmente cerca de 18 milhões de membros[20], está presente em mais de 200 países e territórios e é etnicamente e culturalmente diversificada. No Brasil existem cerca de 1,6 milhões de membros.
A igreja age por meio de numerosas escolas, universidades, hospitais, clínicas médicas móveis, programas e canais de televisão, abrigos, orfanatos, asilos, fábricas de alimentos naturais e editoras em todo o mundo, bem como uma proeminente organização de ajuda humanitária conhecida como Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA).
Com o movimento adventista consolidado, a pergunta sobre qual seria o dia bíblico de repouso e de culto foi levantada. O principal proponente da observância do sábado entre os primeiros adventistas foi Joseph Bates. Bates entrou em contato com a doutrina do sábado, através de um folheto escrito pelo pastor millerita Thomas M. Preble. O pastor Thomas havia sido influenciado por Rachel Oakes Preston, uma jovem da Igreja Batista do Sétimo Dia. Esta mensagem foi gradualmente comprovada pelas Escrituras Sagradas e formou o tema da primeira edição da revista The Present Truth traduzida como Verdade Presente e atualmente conhecida como Adventist Review, ou Revista Adventista que surgiu em julho de 1849. No Brasil, a Revista passou a ser publicada em 1906.
A igreja foi criada formalmente em Battle Creek, Michigan, no dia 21 de maio de 1863, com uma adesão de 3500 membros. A sede denominacional foi mais tarde mudada de Battle Creek para Takoma Park, Maryland, onde permaneceu até 1989. A sede da Associação Geral, em seguida, mudou-se para sua localização atual em Silver Spring, Maryland.
Até 1870 a igreja teve uma política da “porta fechada” focada nos veteranos que passaram pela experiência de 1844, vendo-os como um remanescente salvo.
Apesar de considerar os escritos de Ellen White como tendo sido inspirados, os adventistas do sétimo dia aceitam apenas a Bíblia como Escritura Sagrada, rejeitando qualquer literatura como tendo cunho canônico, se não estiverem inseridas no Antigo e no Novo Testamentos. Apenas a Bíblia é a revelação abalizada e definitiva para a igreja, e seus ensinos consistem na padrão autêntico e final em questões de norma, doutrina e conduta cristã. Para maiores informações, vide Crença Fundamental nº 01 do livro Nisto Cremos, no site da CPB.

Crenças
Lei (crença 19) – Os grandes princípios da lei de Deus estão incorporados nos Dez Mandamentos dados no Sinai. A chamada Lei Moral é eterna e imutável, expressando o caráter de Deus e possuindo assim validade ainda hoje para os cristãos (Êxodo 20: 3 a 17; 31:18; Mateus 5:17 a 19; 19:17; João 14:15; Romanos 3:31; Apocalipse 12:17 e 14:12);

Sábado (crença 20) – O Sábado comemora o ato criativo de Deus ainda na origem de todas as coisas, tendo sido santificado e abençoado pelo próprio Deus, e reservado como dia de descanso para todos os homens. Para os adventistas, o sábado deve ser observado no sétimo dia da semana, assim como diz em Êxodo 20:8, a partir de sexta-feira do pôr do sol até o pôr do sol do sábado, conforme as Escrituras. Segundo as Escrituras, os primitivos cristãos e o próprio Jesus observaram o sábado. (Gênesis 2:1 a 3; Êxodo 16; 20:8 a 11; Neemias 13:15 a 22; Isaías 58:13 e 14; 66:22 e 24; Ezequiel 20:12 e 20; Mateus 12:8; 24:20; Marcos 2:27a 28; Lucas 4:16; 23:54 a 56; Atos 13:27, 42 e 44; 16:13; 18:4; Hebreus 4:4 a 11; Apocalipse 1:10);

Segunda Vinda de Cristo e o Tempo do Fim (crenças 25 a 28) – Jesus Cristo voltará visivelmente à Terra depois do “tempo de angústia”, durante o qual o sábado será um teste de fidelidade. A segunda vinda será seguida por um reinado milenar dos santos no céu. A escatologia adventista baseia-se no método historicista de interpretação profética. Para os adventistas, a vinda de Cristo será literal, universal, visível e gloriosa (Salmo 50:3; Isaías 24:16 a 24; Mateus 24:29 a 31; Atos 1:10 a 11; II Tessalonicenses 1:6 a 10; 2:8; Tito 2:13; Hebreus 9:28; II Pedro 3:3 a 13; Apocalipse 1:10; 14:14; 20:1 a 10);

Holística da natureza humana (crenças 7 e 26) – O homem é uma unidade indivisível. Não possui uma alma imortal, mas se tornou alma vivente após receber o sopro de vida (ou espírito) de Deus. A morte é um sono inconsciente, vulgarmente conhecido como sono da morte. (Gênesis 2:8; Jó.3:17 a 21, 14:13 a 14; Salmo 6:5; 115:17; 146:4; Eclesiastes 3:19; 9:5, 6 e 10; Ezequiel 18:4; João 5:28 a 29; 11:11 a 14; Romanos 6:23; I Coríntios 15:51 a 56; I Tessaloniceses 4:14 a 18; I Timóteo 6:16);

Imortalidade condicional (crença 27) – Os ímpios sofrerão tormento por tempo indeterminado mas não eterno. O Aniquilacionismo é o seu destino, mas não sofrerão o tormento eterno no inferno. (Salmos 1:3-6; 2:9-12; 11:1-7; 34:8-22; 58:6-10; 69:22-28; 145:17, 20; Isaías 1:28; 65:6; Sofonias 1:15, 17, 18 e Oséias 13:3; Malaquias 4:1; Mateus 13:30, 40 e 48; Lucas 17:29; 19:27; II Tessalonicenses 1:9; Apocalipse 21:8; 20:14; 2:11; 20:6);

O Grande Conflito (crença 8) – A humanidade está envolvida em uma “grande controvérsia” entre Cristo e Satanás, a qual começou no céu quando um ser angelical (Lucifer) se rebelou contra Deus e Seu governo. Foi expulso do Céu e caiu na Terra perfeita (Éden), onde enganou Adão e Eva por meio do fruto proibido, e começou a dominar o planeta, que agora estava imperfeito por causa do pecado. (Gênesis 3:15; Isaías.14:12-14; Ezequiel.28:14 e 15; ver Efésios.6:12; I Pedro.5:8; Apocalipse 12:7 a 11);
Santuário Celestial e o Juízo Investigativo (crença 24) – Existe um Santuário no Céu, onde Jesus Cristo apresenta-se como nosso Sumo Sacerdote e Intercessor. Em 1844, como Sumo Sacerdote, Cristo iniciou o processo de purificação do santuário celestial, em cumprimento ao Dia da Expiação, descrito na Bíblia. O julgamento dos professos cristãos começou em 1844, onde os livros de registro são examinados para todo o universo ver. O juízo investigativo visa deixar claro a justiça de Deus perante a humanidade no desfecho do Grande Conflito entre o bem e o mal.(Êxodo 25:8, 9 e 40; Números.14:34; Ezequiel.4:6 e 7; Levítico.16; Daniel.7:9-27; 8:13 e 14; 9:24-27; João 1:29; Gálatas 3:23; Hebreus.8:1-5; 4:14-16; 9:11-28; 10:19-22; 1:3; 2:16 e 17; I João 2:1 a 2; Apocalipse.14:6 e 7; 20:12; 14:12; 22:12);
A Igreja e o Remanescente (crenças 12 e 13) – A Igreja Universal (invisível) é composta todos aqueles que verdadeiramente amam a Jesus Cristo e o aceitam como único e suficiente Salvador. Estes filhos e filhas de Deus servem-no de acordo com toda a luz que sobre eles têm incidido, e sobre tais pessoas repousa a terna e paternal solicitude de Deus. Mas no fim dos tempos um remanescente que guarda os mandamentos de Deus e tem o “testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17) será chamado para terminar a obra do Evangelho em todo o mundo. Este remanescente anunciará a “Mensagem dos três anjos” de Apocalipse 14:6-12 para todos os povos, nações, tribos e línguas. (Apocalipse. 12:17; 14:6-12; 18:1-4; II Coríntios. 5:10; Judas 3 e 14; I Pedro 1:16-19; II Pedro 3:10-14; Apocalipse. 21:1-14);
Espírito de Profecia (crença 18) – O Ministério de Ellen G. White é frequentemente relacionado ao Espírito de Profecia. Segundo a igreja, seus escritos são considerados inspirados e úteis para orientação, instrução e correção, embora esteja sujeito à Bíblia, que é a única e mais alta autoridade escriturística de fé, conduta, doutrina e prática para os adventistas do sétimo dia.[42] (Joel 2:28 e 29; Atos 2:14-21; Hebreus.1:1-3; Apocalipse. 12:17; 19:10);
Situação de não-combatentes
Por definição, os adventistas rejeitam o porte de armas e atividades onde tenham que portar armas. No entanto, aceitam e se voluntariam para atividades assistenciais em caso de guerra e de saúde. Durante a segunda guerra mundial, vários adventistas alemães foram executados[carece de fontes] em campos de concentração ou mandados para manicômios por se recusarem a portar armas e trabalharem para o regime nazista de Adolf Hitler.

Papel da mulher na organização eclesiástica
A Ordenação de mulheres para o Ministério é ativamente debatida dentro da Igreja Adventista. O papel especial de Ellen G. White dentro da denominação mostra a importância e contribuição das mulheres para o desenvolvimento da igreja, segundo visão geral. No entanto, embora Ellen White tenha tido um papel ativo dentro do Adventismo, existe uma forte resistência na liderança da denominação a fim de ordenar mulheres para serem pastoras. Durantes as Assembleias da Associação Geral de 1990, 1995 e 2015 os adventistas debateram a ordenação das mulheres. Em todas as ocasiões, a igreja decidiu não ordená-las.

Atividades no Sábado
Para manter o sábado como um dia sagrado, os adventistas se abstêm de trabalho desnecessário secular. Eles também evitam formas puramente seculares de lazer, como esportes competitivos e programas de TV não-religiosos. No entanto, passeios em meio à natureza, atividades com a família, obras de caridade e outras atividades que ligadas a Deus e ao meio ambiente, são incentivadas.
A sexta feira é conhecido como o dia da preparação. Isso porque grande parte do dia é gasto na preparação para o dia de sábado: vários arrumam a casa, aprontam refeições, entre outras atividades. No final da tarde, há geralmente um pequeno culto domestico de boas-vindas do sábado, uma prática muitas vezes conhecido como “culto do pôr do sol”. A Escola Sabatina começa com a reunião dos professores, vindo logo apos a divisão de grupos ou classes para o estudo ou recapitulação da lição da semana. Há noticias dos campos missionários, colecta de ofertas para as missões ou despesas da Escola Sabatina, mensagem musical cantada por um grupo ou solista, encerramento e enfoque no trabalho missionário, oração. Depois se inicia o Culto de Adoração que é mais solene com seleções musicais especiais, ofertas e o serviço culmina com a pregação seguida por apelo de conversão ou renovação de votos de seguir a Cristo com mais fervor.
No sábado à tarde as atividades variam, dependendo do contexto cultural, étnico e social. Em algumas igrejas, membros e visitantes participam de um almoço, que geralmente, é realizado na própria igreja ou na residência de algum membro ou família. Em outros lugares, o sábado à tarde é o dia de visitar doentes e dar estudos bíblicos.
Alguns retornam à igreja para o programa JA (Jovens Adventistas) ou culto jovem. O sábado se encerra na igreja com bençãos para a nova semana quando há concertos ou programações vespertinas. Do contrário, famílias e amigos se despedem do sábado com orações e cânticos.
Cerimônia de Santa Ceia
Os adventistas geralmente praticam a Santa Ceia quatro vezes por ano. A Santa Ceia é um serviço aberto que está disponível tanto para membros da igreja como para não membros. Ela começa com a cerimónia do lava-pés. Conhecida como “Cerimónia da Humildade”, é baseado no relato de João 13. O lava-pés é utilizada para simbolizar a humildade de Cristo em lavar os pés de seus discípulos na Última Ceia. Assim, os seus participantes lembram da necessidade de humildemente servir uns aos outros. Os participantes são separados por sexo para salas a fim de realizar esse ritual. Algumas congregações permitem que casais realizem a cerimónia juntos e incentivam que toda a famílias participe em conjunto. Após a conclusão, os participantes voltam para a igreja a fim de comer da Santa Ceia, que consiste em pão ázimo e suco de uva não fermentado.

Saúde e dieta
Desde a década de 1860, quando foi organizada, a Igreja Adventista tem dado ênfase na integridade do corpo e na saúde.Os adventistas são conhecidos por apresentarem uma mensagem de saúde que recomenda a seus membros o vegetarianismo e fazerem adesão às leis de saúde encontradas em Levíticos 11. A obediência a essas leis significa abstinência de carne de porco, frutos do mar e outras carnes tidas como impuras. A Igreja também desistimula os seus membros fazerem uso de álcool, abandonarem o tabaco e não fazer desnecessário uso de outras drogas lícitas e ilícitas. Os pioneiros da Igreja Adventista influenciaram na implantação de cereais na dieta ocidental. O moderno conceito comercial de alimentos cereais originou-se entre os adventistas.
A posição oficial dos Adventistas sobre o aborto é que “por razões de controle de natalidade, seleção de sexo ou conveniência, essa prática não é tolerada pela Igreja.” Entretanto, às vezes as mulheres podem ter de enfrentar circunstâncias excepcionais, que apresentam sérios dilemas morais ou médicos, tais como ameaças significativas para a saúde ou para a vida da gestante, graves defeitos congênitos no feto e gravidez resultante estupro ou incesto. Nesses casos a igreja respeita e aconselha a mulher a tomar sua própria decisão.

12.920 – Religião – O Dogmatismo


McFarlane em seu artigo intitulado “A vida equilibrada: conciliando fé pessoal e vida prática” definiu o Dogmatismo como “a crença de que o conteúdo da fé é feito de afirmações que não podem ser alteradas”.
E justamente devido a Bíblia constituir um grande exemplo de dogmatismo, discorrendo sobre verdades absolutas que se tornaram conhecidas do senso comum, que foram traduzidas em quase todos os idiomas do globo (salvo raríssimos dialetos e culturas muitíssimo restritas do ponto de vista linguístico), afirmando por exemplo a certeza de que Jesus Cristo é o Messias, que veio à terra para expiar os pecados da humanidade; que encontramos atualmente farto material que analisa este conceito do ponto de vista cristão.
O nome vem do termo grego dogma, que significa opinião. Esta opinião não deve ser entendida em seu sentido comum, como uma afirmação impensada; podemos definir as opiniões de um filósofo como sua doutrina, ou seja, afirmações que se referem a princípios através dos quais é possível alcançar verdade e conhecimento absolutos. Já na filosofia, é o pensamento contrário ao ceticismo, que questiona a possibilidade de conhecimento total da verdade. É uma espécie de fundamentalismo intelectual, onde se expressam verdades que não são sujeitas a revisão ou crítica. Foi a posição assumida por vários filósofos ao longo da história da filosofia”.
O texto ainda apresenta Aristóteles como uma referencia de filósofo dogmático, cujas idéias eram aceitas pelos que tinham acesso a elas, e cita também o reflexivo Platão como dogmático; e exemplifica os pensadores Descartes e Kant como opostos a postura dogmática.
O dogmatismo é estabelecido na religião a partir do momento em que fiéis nas escrituras sagradas a reconheceram como revelação de Deus, através de diversos dogmas, e igrejas foram organizadas, num ambiente onde não há dúvida sobre a veracidade da existência de Deus, sobre a santíssima trindade, sobre a ressurreição de Jesus, entre outros dogmas.
Para os cristãos, uma passagem bíblica marcante do ponto de vista da certeza, está reproduzida a seguir:
“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:31-36)

12.614 – Mega Mito – De onde vem a (falsa) ideia de que o Buda era gordo?


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Teria sido o Buda uma figura realmente rechonchuda, careca e sorridente como as imagens que vemos por aí?
Quem realmente conhece a história do príncipe Sidarta, popularmente dito e escrito simplesmente como Buda, tem em mente uma representação muito diferente (e mais magra). O príncipe da atual região do Nepal, após descobrir uma dor oculta durante décadas, decide se libertar das amarras ilusórias da vida por meio da meditação.
Então, de onde vem essa imagem popular de um buda gordinho? De acordo com os especialistas, ela vem de uma pequena confusão causada por uma homofonia – palavras que possuem sons semelhantes, mas grafias diferentes. Bu-Dai, ou Budai, era uma das formas pelas quais era conhecido o famoso monge budista Hotei, descrito como amigável e bonachão, e, ele sim, era careca e roliço.
O sorridente Budai nasceu em Zhenjiang, no leste da China, no século X, e praticava o budismo zen, doutrina originária do extremo oriente que sintetiza noções do budismo com outras mais antigas do taoísmo. Sua imagem foi escolhida para representar Maitreya, personagem mítico do budismo Zen, que vem para se tornar o novo Buda por meio da meditação tradicional.
Na verdade, é Budai, e não o príncipe Sidarta Gautama, que costumamos ver careca e gordo, às vezes rodeado por crianças, outras vezes carregando poucos pertences e sempre sorrindo.

12.594 – Religião – Adão e Eva


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Atualmente, vários pesquisadores bíblicos, teólogos e religiosos admitem que as informações contidas no Antigo Testamento foram traduzidas, em grande parte, por uma linguagem simbólica, metafórica. Assim, torna-se difícil interpretá-la literalmente. A própria Ciência vem comprovando fatos que contradizem uma versão literal das Sagradas Escrituras, como a questão da criação do mundo em seis dias, que na verdade, cientificamente, corresponderiam a seis eras geológicas.
Assim, a história de Adão e Eva, narrada tanto na Bíblia quanto no Alcorão, refere-se a um suposto casal primordial criado por Deus, os primeiros seres a habitarem o Planeta, o homem criado do barro e a mulher, sua metade complementar, gerada de uma costela extraída dele. Mas, na realidade, este seria mais um símbolo judaico-cristão e islâmico. A palavra ‘Adão’ vem do hebraico Adam, significando ‘ser humano, humanidade’, portanto dificilmente se referiria a um homem específico.
Há algumas hipóteses levantadas por estudiosos, segundo as quais ‘Adão’ poderia ser o nome do ser mais antigo já conhecido; denominar um clã, ou seja, um grupo liderado somente por homens; ou nomear um agrupamento coletivo predominantemente masculino. Há mais um dado curioso que reforça a simbologia bíblica. A expressão Adam nasce de outro termo hebraico, ADaMaH, que denota ‘terra fértil’. Sob esta roupagem esta palavra intensifica seu significado, porque a fertilidade desperta imagens de cultivo, coleta dos frutos da semeadura, alimento, sobrevivência. Esta questão era crucial nos primeiros tempos da Humanidade, tanto assim que eram muito difundidas nesta época as divindades ligadas à fertilidade.
Da mesma forma a palavra ‘Eva’ também não representava uma mulher em especial, pois ela vem do hebraico HaVVaH, ‘mãe dos viventes’, associada também ao verbo HaYaH, com o sentido de ‘viver’. Muitos estudiosos realizaram com este termo o mesmo processo acima descrito, supondo que ele pode se referir ao nome da primeira mulher a existir entre nós; ao título de um clã feminino ou ao cognome de um conjunto coletivo composto principalmente por mulheres.
Segundo os textos sagrados, este casal teria sido gerado à imagem e semelhança de Deus, preparados para deter o poder absoluto do Planeta. Eva representaria o papel reservado à mulher, de auxiliar do masculino, a quem completaria ao tornar-se uma única carne com ele, o que já indica a espécie de ligação que deve existir entre ambos.
Mas, na verdade, Eva não teria se comportado como mera coadjuvante, pois assume o papel principal ao ser seduzida pela serpente e comer o fruto proibido da árvore do conhecimento, o qual ela também oferece a Adão, e lhes propicia assim distinguir entre o bem e o mal, ou seja, lhes oferece o caminho da luz, que significa esclarecimento, conhecimento. Ao conquistar o livre-arbítrio, o poder da escolha, o Homem se torna responsável por seu destino, e com certeza o peso desta obrigação o retira para sempre do Paraíso, que poderia facilmente ser comparado ao estágio da infância, quando o ser ainda não detém o saber e a conseqüente necessidade de responder legalmente por seus atos.
É assim que a Humanidade herda o pecado original, supostamente cometido por Adão e Eva, condenada assim à imperfeição, à morte e à busca da redenção. Embora a Igreja Católica aceite a Teoria da Evolução, pois é um território científico, que não atinge as questões de fé, ela não admite a existência inicial de vários casais que teriam gerado a espécie humana como a conhecemos. Mas vários estudiosos, até mesmo alguns padres, como o conhecido Padre Zezinho e o teólogo Padre Cleodon, defendem hoje o sentido alegórico do casal Adão e Eva.
O teólogo questiona essa narrativa do ponto de vista lógico, seguindo pesquisas históricas que levantam inclusive a hipótese de um grupo designado Adão ter encontrado um agrupamento feminino intitulado Eva, e ambos terem interagido, se reproduzido, formado uma descendência.
Sob o ponto de vista judaico, o Homem, por ser gerado à imagem do Criador, seria uma espécie de microcosmo das forças criadoras, tese da qual se origina a Cabala. Segundo Maimônides, o Homem é o único ser criado por Deus a deter o livre-arbítrio, qualidade vista como uma virtude divina. Esta visão acredita em um plano primordial realizado por Deus, um molde adaptado ao corpo do primeiro Homem, conhecido como Adam Kadmon.

12.486 – Religião – A Torre de Babel Existiu?


Torre-de-Babel
Um artigo publicado pela dupla de pesquisadores Roy Liran e Ran Barkai, da Universidade de Tel Aviv, no mês passado, abre uma discussão sobre a veracidade da passagem bíblica de Gênesis 11 que fala sobre a Torre de Babel. Ela teria existido ou não?
A descoberta em 1952, em Jericó, na Palestina, de uma torre de 8,5 metros seria a prova de que de fato a passagem bíblica estava certa, esse edifício seria um dos primeiros arranha-céus da história da humanidade e poderia ter sido construído para servir ao povo de proteção contra invasões ou como espaço para observação de astros e estrelas.
A recente pesquisa aponta para a possibilidade de que a edificação teria sido utilizada para prever catástrofes naturais – inundações, no caso – e abrigar os sacerdotes, na época os reis, contra elas.
Vere Gordon Childe, filólogo australiano especializado em arqueologia e autor da teoria da revolução neolítica (a Idade da Pedra também é conhecida como Período Neolítico) afirma que a mudança da população saiu da Mesopotâmia, hoje Iraque, (onde a civilização teve inicio e também onde foram inventadas a roda, a escrita e a agricultura) para Jericó devido as mudanças climáticas. Ali, fundaram um dos assentamentos urbanos mais antigos da Terra. Elas teriam chegado lá trazendo na memória um trauma de seus ascendentes, a catástrofe diluviana.
Atualmente, já foram encontradas 31 ruínas de torres na Mesopotâmia. A de Jericó é a única naquela cidade. E o muro em torno dela está estruturado como uma espécie de dique.
O livro de Gênesis relata que um grupo de pessoas vindo do Oriente habitou um vale em Sinar, hoje Iraque, e ergueu uma torre. Para punir a ousadia desses humanos que queriam tocar os céus, Deus fez com que eles falassem idiomas diferentes, tornando impossível a comunicação entre eles e os obrigando a migrar para outros lugares da Terra. Babel, em hebraico, significa confundir.
Um tablete de argila com escrita cuneiforme – um dos primeiros textos da humanidade, datado de 2500 a. C., encontrado no Iraque e traduzido em 1872 – traz um relato controvertido que parece ser um paralelo à história bíblica da Torre de Babel: “…seu coração se tornou mal… Babilônia submeteu os pequenos e os grandes. Ele (uma divindade) confundiu seus idiomas… o seu lugar forte, que por muitos dias eles edificaram, numa só noite ele trouxe abaixo.”
Outro texto cuneiforme, produzido em cerca de 2200 a. C. e publicado em 1968, faz menção de uma época em que havia “harmonia de idiomas em toda Suméria” e os cidadãos “adoravam ao deus Enlil numa só língua… o deus Enki, senhor da abundância… e o líder dos deuses… mudou a linguagem na sua boca e trouxe confusão a eles. Até então, a linguagem dos homens era apenas uma.”
A “Bíblia”, portanto, seria um elo entre a história da Torre de Jericó e as construções anteriores na Mesopotâmia. “Há elementos históricos para supor que algum tipo de dilúvio de proporções catastróficas ocorreu de fato, assim como uma Torre Babel”, diz o arqueólogo Rodrigo Pereira da Silva, que leciona no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). “A história da “Bíblia” tem plausividade arqueológica e histórica.”
Professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), André Chevitarese argumenta que a veracidade bíblica não se sustenta pela ciência, mas pela fé. Para ele, um especialista em história das religiões, o autor de Gênesis, diante da multiplicidade de línguas e com os olhos repletos de religiosidade, lançou mão de uma narrativa que passa pela realidade para entender o mundo que o cercava. “Não estou invalidando o discurso bíblico, mas prefiro seguir a linha de pensamento dos teólogos alemães da primeira metade do século XIX.
Influenciados pelo racionalismo, eles acreditam que o dilúvio, a Torre de Babel, Caim e Abel, Adão e Eva são formas de exprimir um Deus agindo do ponto de vista literário.” O novo propósito atribuído à construção da Torre de Jericó pela dupla Liran e Barkai, da Universidade de Tel-Aviv, publicado na conceituada revista inglesa de arqueologia “Antiquity”, aproxima o contexto cultural com a Torre de Babel bíblica e abre espaço, se não para a certeza, para a possibilidade histórica de uma passagem das Sagradas Escrituras.

12.412 – Mega Polêmica – Papa sinaliza aliança entre religiões contra casamento gay


Mega Memória Ano de 2012

O papa Bento 16, indicando o desejo do Vaticano de forjar alianças com outras religiões contra o casamento gay, disse que a família estava ameaçada “em seus fundamentos” por tentativas de mudar a sua “verdadeira estrutura”.
O papa fez a sua mais recente denúncia do casamento gay em um discurso de Natal para os funcionários do Vaticano, em que ele misturou religião, filosofia, antropologia e sociologia para ilustrar a posição da Igreja Católica Romana.
Ele colocou todo o peso em um estudo realizado pelo rabino-chefe da França sobre os efeitos que a legalização do casamento gay teria sobre as crianças e a sociedade.
“Não há como negar a crise que ameaça em seus fundamentos –especialmente no mundo ocidental”, disse o papa, acrescentando que a família tinha de ser protegida porque é “o autêntico ambiente para se entregar o plano da existência humana”.
O papa de 85 anos de idade, falando no Salão Clementine do Palácio Apostólico do Vaticano, afirmou que a família estava sendo ameaçada por “uma compreensão falsa da liberdade” e um repúdio ao compromisso de toda a vida do casamento heterossexual.
“Quando tal compromisso é repudiado, as figuras-chave da existência humana igualmente desaparecem: pai, mãe, filho — elementos essenciais da experiência de ser humano são perdidos”, disse o líder de 1,2 bilhão de católicos do mundo.
O Vaticano partiu para a ofensiva em resposta às vitórias do casamento gay nos Estados Unidos e Europa, utilizando todas as oportunidades possíveis para denunciá-lo através de discursos papais ou editoriais em seu jornal ou na sua rádio.

Aliança religiosa
Em alguns países, a Igreja Católica uniu forças localmente com judeus, muçulmanos e membros de outras religiões para se opor à legalização do casamento gay, em alguns casos com argumentos baseados em análises jurídicas, sociais e antropológicas, em vez de ensinamentos religiosos.
Significativamente, o papa elogiou especificamente como “profundamente comovente” um estudo feito pelo rabino-chefe da França, Gilles Bernheim, que se tornou tema de acalorado debate no país.
Bernheim, também um filósofo, argumenta que grupos de direitos homossexuais “irão utilizar o casamento gay como um cavalo de Tróia” em uma campanha mais ampla para “negar a identidade sexual e apagar as diferenças sexuais” e “minar os fundamentos heterossexuais da nossa sociedade”.

Seu estudo, “Casamento Gay, Paternidade e Adoção: O que muitas vezes esquecemos de dizer”, argumenta que os planos de legalizar o casamento gay estão sendo feitos para “o lucro exclusivo de uma pequena minoria” e são muitas vezes apoiados por causa do politicamente correto.
Em seu próprio discurso nesta sexta-feira, o papa repetiu alguns dos conceitos do estudo de Bernheim, incluindo a afirmação de que crianças criadas por casais gays seriam mais “objetos” do que indivíduos.
No mês passado, os eleitores nos Estados norte-americanos de Maryland, Maine e Washington aprovaram o casamento homossexual, na primeira vez em que os direitos do casamento foram estendidos a casais do mesmo sexo pelo voto popular.
Uniões do mesmo sexo foram legalizadas em seis Estados e no Distrito de Columbia pelos legisladores e pelos tribunais.
Também em novembro, a mais alta Corte da Espanha confirmou uma lei do casamento gay, e na França o governo socialista anunciou um projeto de lei que permitiria o casamento gay.

12.411 – Religião – Que homens já foram considerados Messias, antes e depois de Jesus?


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Praticamente todas as grandes religiões do mundo têm uma figura messiânica, que virá para combater o mal e a injustiça, restaurando o paraíso sobre a Terra. A palavra “Messias” deriva do termo hebraico mashiah, que significava originalmente “ungido”, indicando alguém marcado na testa com óleo sagrado para realizar cerimônias religiosas. Com o passar do tempo, seu sentido passou a descrever uma figura semidivina que deveria vir à Terra para resgatar seu povo – um salvador. Para os judeus, ele deveria ser um rei descendente de Davi (que reinou no antigo Israel entre 1000 a.C. e 962 a.C.), com a missão de livrar os israelitas da opressão estrangeira e implantar um mundo de justiça e salvação. Quando o Novo Testamento foi escrito, em grego, no primeiro século da era cristã, a expressão mashiah foi traduzida como christos e tornou-se o título de Jesus – ou seja, dizer “Jesus Cristo” é o mesmo que dizer “Jesus, o Messias”. Mas, como dissemos no início, o conceito de Messias não se limita ao judaísmo e ao cristianismo. Veja a seguir alguns homens que, em épocas, culturas e lugares variados, foram considerados como encarnações do Messias.

Exército da salvação
Todas as maiores religiões possuem figuras equivalentes ao Messias
JESUS

RELIGIÃO – Cristianismo

ÉPOCA – Século 1
De início, foi reconhecido como Messias por grupos judeus que viram nele a encarnação de profecias do Velho Testamento, apontando para a vinda de um salvador. Mais tarde, ao pregar a existência de um mundo mais justo onde todos poderiam ser salvos por mérito próprio, foi considerado Messias por seus seguidores, que dariam origem a uma nova religião, o cristianismo.

SIDARTA GAUTAMA

RELIGIÃO – Budismo

ÉPOCA – Séculos 6 e 5 a.C.
Conhecido como Buda Sakyamuni (“o sábio do clã Sakya”), foi um líder espiritual no que hoje é o Nepal. Abandonou a vida nobre para buscar a salvação da humanidade. Séculos mais tarde, influências da religiosidade chinesa fizeram com que Sidarta fosse representado como um homem gordo – mas ele vivia como mendigo.

IBN TUMART

RELIGIÃO – Islamismo

ÉPOCA – Século 12
A religião aceita a existência de um líder com inspiração divina, o mahdi. Nascido em 1080 no atual Marrocos, Ibn Tumart foi reconhecido como mahdi por seus seguidores ao pregar uma rigorosa doutrina jurídica e religiosa baseada no estudo cuidadoso do livro sagrado, o Alcorão. Não há desenhos dele porque o islamismo veta a veneração de imagens.

KRISHNA

RELIGIÃO – Hinduísmo

ÉPOCA – Século 5 a.C.
Embora sua existência real seja controversa, Krishna teria sido um pastor que viveu no que hoje é a Índia, tendo dedicado sua vida inteira à luta para proteger a virtude e expulsar da Terra os espíritos do mal. Foi reconhecido como Messias por várias correntes do hinduísmo e também pelos adeptos da RELIGIÃO – bahaísta, nascida no atual Irã.

SIMÃO BAR KOKHBA

RELIGIÃO – Judaísmo

ÉPOCA – Século 2
Líder de um movimento político que virou revolta contra os ocupantes romanos de Jerusalém, foi reconhecido como Messias e rei pelos principais rabinos do judaísmo da ÉPOCA – por seu papel na luta contra a opressão. Deflagrou uma guerra contra os romanos entre 133 e 135, mas foi morto, e seu movimento acabou derrotado.

12.136 – Religiões – Ano Novo Judaico


judaismo
Conhecido como Rosh Hashaná, é um dos feriados mais significativos dos judeus. Ao contrário das celebrações dos finais de ano convencionais, comemorados com muitas festas e queimas de fogos, esta passagem da mística judaica envolve uma profunda meditação sobre o passado, durante a qual se faz um balanço de tudo que passou no ano que ficou para trás, o que se concretizou, o que se deixou de realizar, como se agiu, de que forma se poderia ter atuado, entre várias outras questões existenciais. A partir daí, planeja-se um período melhor no futuro, as pessoas têm a chance de avaliar seus erros e se redimir de seus pecados diante de Deus.
Esta festa é realizada com refeições tradicionais em família, geralmente acompanhadas de maçã e mel. O termômetro para se avaliar a importância de um evento judaico, é a extensão do feriado dedicado a ele. Neste caso, o Rosh Hashaná é um dos dois Grandes Feriados do judaísmo. O outro é uma seqüência deste, o Yom Kipur, que se inicia dez dias depois do Ano Novo Judaico. Juntos, eles tecem o que se conhece como a era dos Grandes Feriados.
De fato, o Rosh Hashaná abrange quatro eventos que se interconectam: o Ano Novo judaico, o dia do julgamento, o dia da lembrança e o dia do toque do shofar. Estes acontecimentos estão essencialmente ligados à criação do Homem, a qual, segundo o Talmud, teria se concretizado no primeiro dia do mês chamado de Tishrei. Assim, este evento marca o dia em que essa geração se processou, como se a cada ano se reciclasse este ato criador, oferecendo a todos a oportunidade de se renovar e de se purificar, conquistando assim um novo recomeço.
Assim que os judeus fugiram do Egito, o Criador transmitiu a Moshe Rabenu as leis que se referem ao princípio de cada mês, o qual normalmente ocorre simultaneamente ao nascer de cada nova lua. Desta forma, ao fim de um ciclo de 19 anos, os judeus acrescentam um mês a mais para contrabalançar o calendário lunar, mais curto. Aliás, o calendário da religião judaica, ao contrário do gregoriano adotado pelo Ocidente, foi estabelecido por Hillel II, em meados de 359, fundamentado não só no sol, mas também na lua.
Traduzindo, Rosh Hashaná significa ‘cabeça do ano’, uma referência à importância do cérebro para o Homem na estruturação de sua existência, mas ao contrário da tradição ocidental, ele não incide sobre o primeiro dia do ano judaico, portanto é mais representativo do que algo exato, preciso. É uma forma de oferecer a cada um o dia do julgamento, durante o qual o homem pode se decidir pela retificação de seus erros, por meio do arrependimento – teshuvah -, da oração – tfiloh – e da caridade – tzedakah. O judeu é valorizado em seu livre arbítrio, ele tem o poder da escolha que parte da consciência, detém o potencial de mergulhar em si mesmo e de perceber o que deve ser mudado. Ele então é ‘inscrito e selado no Livro da Vida’, saudação comum entre os judeus neste momento.
Os judeus acreditam que seus nomes são, neste período, registrados neste Livro da Vida. Aí entra a importância do Yom Kipur na seqüência, quando este Livro é selado. Enquanto este momento não chega, considera-se que o indivíduo está vivendo os dias de temor. O dia da lembrança marca a rememoração do quase sacrifício de Isaac, filho de Abraão, pelo próprio pai, a pedido do Senhor, ato de extrema subserviência a Deus, recordando assim a cada judeu a importância de servir ao Criador. O shofar é um instrumento de sopro construído com chifre de carneiro. O soar dele redesperta na memória dos judeus o episódio de Isaac, traz à mente a lembrança de uma coroação e também comemora a criação da Humanidade, além de despertar os judeus para a presença de Deus em suas vidas.
Durante os banquetes realizados ao longo de duas noites, os judeus costumam submergir a Chalá, pão particularmente trançado, e pedaços de maçã em mel, representando assim suas expectativas quanto a um ano doce. Tudo que é então consumido, de frutas a vegetais, têm não só um sabor especial, mas também uma simbologia específica. Ao se comer cada alimento, faz-se antes um pedido. Alguns destes desejos estão de certa forma associados ao nome da comida, em hebraico.

12.105 – Religião – A Igreja Primitiva


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Há uma fase na história do cristianismo, cerca de 30 DC, ou seja, poucos anos após a ressurreição de Jesus e vai até por volta de 300 DC que é chamada de “Era apostólica” ou “Igreja Primitiva”. No inicio as igrejas estavam em formação e em sua maioria estavam em Jerusalém sobre a orientação dos apóstolos, entre eles Pedro, João e Tiago. E entre os primeiros cristãos estavam os judeus e os gentios convertidos ao judaísmo, e confessavam a fé em Jesus Cristo como messias, cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Muitos judeus naquele tempo pensavam que esses seguidores de Jesus eram uma seita do judaísmo, e afirmavam que os cristãos estavam exercendo uma “religião misteriosa” em torno do nome de Jesus).
O fato de assumirem a fé em Cristo e dessa forma, se recusarem a adorar a outros deuses e imperadores gerou muitas perseguições e prisões. O primeiro mártir cristão morreu apredrejado, ele se chamava Estêvão e durante sua morte disse ver “o céu aberto” e Paulo, que neste tempo era funcionario do governo e tinha como função matar cristãos, assistia seu apedrejamento. Pouco depois, indo a Damasco, teve um encontro com Jesus em forma de uma luz que o cegara durante três dias e o levou a converter-se e acreditar em Cristo como filho de Deus. Inclusive, cartas escritas por Paulo, da cidade de Tarso, enquanto ele estava preso por confessar sua fé em Jesus foram destinadas as igrejas de Filipo, Corinto, Galácia, Roma, Tessalônica, Colossos, Éfeso, cartas aos Hebreus e até mesmo a um homem chamado Filemom, pedindo a ele que aceitasse de volta um escravo foragido e que havia se convertido, chamado Onésimo. Nesta carta Paulo pede a Filemon que receba Onésimo como um irmão em Cristo e se esse o deve alguma coisa para colocar em sua conta. Essas cartas juntamnte aos quatro evangelhos, e as revelações dadas a João compoem o novo testamento.
Os cristãos liam as escrituras do velho testamento em grego ou aramaico por meio dessas cartas o novo testamento estava sendo formado. Além da formação do que conhecemos hoje como novo testamento, onde os evangelhos narram o fato de maior relevância pra os cristãos: a ressurreição de Jesus; o início do cristianismo primitivo é marcado pela crença de que Jesus vai voltar e no dia de pentecostes: “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2:1-4)
Os cristãos acreditam que Paulo, embora não tenha conhecido Jesus como ocorreu com os outros apóstolos, tenha sido inspirado pelo Espírito Santo para redigir as informações que constam nos livros da bíblia que ele escreveu.
Os cristãos reuniam-se para adorar a Deus, mesmo em meio a perseguições. A palavra Igreja tem origem grega ekklesia, que fazia referencia a um conjunto, uma assembléia de pessoas, e que fez parte do novo testamento já com a intenção de falar igreja como o corpo de Cristo, como ao grupo de pessoas que esperava Sua volta. Os que faziam parte da igreja em Jerusalém repartiam todos os seus bens, alguns vendiam suas propriedades e bens materiais e davam à igreja para a divisão dos recursos entre todos do grupo.

12.104 – A Mulher em Israel na época de Jesus


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A mulher, entre os judeus, era não mais que um objeto pertencente ao marido, como seus servidores, suas edificações e demais posses legais. Ela devia ao esposo total lealdade, mas, por princípio, era considerada como naturalmente infiel, desvirtuada e falsa. Por esta razão, sua palavra diante de um juiz não tinha praticamente valor algum.
Embora ela fosse obrigada a ser fiel ao matrimônio, o marido não tinha os mesmos deveres matrimoniais. Além de tudo, ele podia rejeitá-la por qualquer motivo, mesmo que, legalmente, não pudesse negociá-la como qualquer outra propriedade. Dificilmente a esposa poderia, por iniciativa própria, se desligar do casamento.
Uma mulher envolta em laços conjugais não podia jamais ser contemplada por outro homem, ou por ele ser abordada, mesmo que fosse para uma simples saudação. No interior da sociedade judaica, ela ocupava uma posição bem inferior à do homem. Até na esfera espiritual a mulher era considerada desigual, e para ela estava reservado um local à parte no templo, assim como era obrigada a caminhar, na rua, distante dos homens.
Legalmente ela era proibida de tudo e estava constantemente submetida a todas as punições civis e penais imagináveis, sujeita até mesmo à pena capital. Também nos momentos das refeições a mulher era isolada, pois ela não podia se alimentar ao lado dos homens. Assim, ela permanecia em pé, pronta para ajudar o marido a qualquer instante.
Normalmente as mulheres viviam reclusas em suas residências e as janelas, quase sempre, eram construídas com grades para que elas não pudessem ter seus rostos vislumbrados pelos passantes nas ruas. Se um homem tentasse se dirigir a uma mulher, cometia um pecado muito sério.
Por esta breve visão já é possível perceber o quanto Jesus, em sua época, revolucionou o tratamento oferecido pelos homens às mulheres. Um dos episódios mais chocantes do Evangelho é justamente aquele no qual Ele se dirige à mulher samaritana. Este povo era aguerrido adversário dos hebreus, desde a cisão entre as tribos de Israel.
Assim, ao se revelar claramente como o Messias para alguém desta comunidade, especialmente a uma mulher, Ele deixou tanto samaritanos quanto judeus perplexos. Além disso, Jesus mantinha, entre seus discípulos e seguidores, diversas mulheres, entre elas, Maria Madalena, vista com preconceito pelos judeus, que a consideravam uma traidora de seus princípios, como uma prostituta.

Não bastando isso, Ele curava indistintamente homens e mulheres, e procurava integrar socialmente aquelas que tinham sido excluídas. Ele até mesmo perdoou a mulher adúltera, a qual os judeus costumavam apedrejar até a morte. E foi justamente uma mulher que testemunhou sua Ressurreição, embora até os discípulos mais fiéis de Jesus encarassem suas palavras, inicialmente, com desvelado ceticismo.
Na época, mesmo a mulher não sendo infiel ao esposo, se este fosse dominado pelo espírito do ciúme, como está descrito na lei mosaica, sob o título de ‘A Oferta do Ciúme’, ele poderia levá-la diante do sacerdote, mesmo sem nenhum testemunho ou flagrante, e realizaria então esta oferta ritual. Desta forma, ela ficaria para sempre marcada e amaldiçoada diante da sociedade judaica.

12.102 – Anjo – História e Definição


anjos
A palavra anjo pode ser definida da forma mais ampla possível, conforme a cultura que preserva sua crença. No latim angelus ou no grego angelos destaca-se o papel do ser que anuncia uma mensagem, do que se deduz que ele seria o intermediário entre o Homem e Deus. Em hebraico ele é conhecido como malak; entre os japoneses é intitulado kami; no hinduísmo é o deva; na era ancestral do Irã esta criatura é nomeada Daena ou Fravarti; Sócrates mencionava o Daimon, assim como os antigos gregos se referiam aos Gênios.
Os seres angelicais integram uma vasta hierarquia composta por três tríades. A primeira engloba os Serafins, entidades mais elevadas e íntimas do Criador, as quais irradiam a divindade em sua potência máxima e estão diante do Trono Divino, neles brilha a chama da caridade; os querubins, criaturas enigmáticas, às vezes representadas entre os antigos como figuras metade humanas, metade animais, geralmente apontadas como guardiãs do reino de Deus, plenas de Seu amor; os Tronos ou Ofanins, comumente conhecidos como ‘anciãos’, pois são associados aos 24 idosos que se lançam eternamente aos pés do Senhor, simbolizam o poder sagrado, a humildade e a purificação.
A segunda tríade compreende os príncipes do céu. Às Dominações cabe estabelecer as normas que envolvem as tarefas dos anjos que se encontram abaixo delas na hierarquia, atribuindo-lhes seus respectivos papéis e mistérios nos trabalhos da Criação; elas também comandam o rumo dos países terrenos. As Virtudes têm como função preservar a direção das estrelas para que o Universo não perca sua eterna harmonia; elas conduzem os outros seres na realização de suas missões e mantêm distantes das nações as entidades que ainda percorrem o caminho do mal; estão próximas dos heróis e são as fontes dos milagres.
As Potestades ou Potências são as representantes da ordem divina, as mensageiras da consciência humana, as tecelãs da história da humanidade e de suas memórias coletivas; nelas o Homem encontra tudo que esteja incluso nos pensamentos elevados, desde os ideais até o plano ético. Estes anjos são também os soldados do Criador, protetores dos animais e os responsáveis pela vida e pela morte.
A Terceira Tríade inclui os anjos mais próximos do Homem, e por isso mesmo aptos a orientá-los na jornada material. Os Principados estão submissos às diretrizes traçadas pelas Dominações e Potestades, as quais eles devem enviar às esferas evolutivas subalternas; portam os tradicionais símbolos da angelitude, a coroa e o cetro. Eles zelam pelos municípios, pelas nações e por toda a Natureza.
Os arcanjos ou anjos principais são muito famosos nas Escrituras Sagradas, principalmente por abrigarem os representantes mais conhecidos da Humanidade, Miguel, Rafael e Gabriel. A Igreja Ortodoxa considera mais quatro seres desta categoria, Uriel, Ituriel, Amitiel e Baliel, combatentes que se opõem aos anjos caídos, os Nefilim. Eles atuam como elos de ligação entre Principados e Anjos; são verdadeiramente os mensageiros do Senhor.
Os anjos são as entidades celestiais que estão mais perto do Homem; na escala evolutiva eles se encontram no estágio logo acima do que compete ao ser humano atravessar; em alguns momentos estes seres se revelam à Humanidade, quando são incumbidos de desígnios do Criador; textos hebraicos de tradição mística referem-se constantemente a eles, atribuindo-lhes dons sobrenaturais.
Outras tradições religiosas e culturais também concebem a existência dos anjos; cada uma tem sua própria concepção destas criaturas, distinta da cultivada pelo Cristianismo. Budistas e hindus os vêem igualmente como criaturas cheias de luz; algumas podem comer e beber, além de terem o dom de assumir vestes materiais para se manifestarem. Os islâmicos classificam estas entidades em dois grupos, o dos bons e o dos maus.

7330 – Por que o Papai Noel passou a simbolizar o Natal?


O mito do bom velhinho foi inspirado em São Nicolau, um bispo católico que viveu no século 4 na cidade de Mira, atual Turquia. “Ele ficou conhecido em todo o Oriente por sua bondade e pela atenção com as crianças”, afirma o frei Luiz Carlos Susin, professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Diz a lenda que Nicolau presenteava as crianças no dia de seu aniversário, em 6 de dezembro. Nos séculos seguintes, o mito se espalhou pela Europa e a data da entrega de presentes acabou se confundindo com o nascimento de Cristo. “Quando a história chegou à Alemanha, no século 19, o velhinho ganhou roupas de inverno, renas, um trenó de neve e uma nova casa: o Pólo Norte.
Nessa época, Noel ainda era representado como um homem alto e magro com roupas que variavam de cor – dependendo do relato, elas eram azuis, amarelas, verdes ou vermelhas. A silhueta rechonchuda, o rosto barbudo e os trajes vermelhos que conhecemos hoje apareceram pela primeira vez na revista americana Harper’s Weekly, em 1881. A figura, desenhada pelo cartunista Thomas Nast, sofreu uma nova transformação em 1931. Na criação de um anúncio para a Coca-Cola, o desenhista Haddon Sundblom acrescentou um saco de presentes e um gorro ao personagem. A série de comerciais que mostrava Noel metido em situações engraçadas para entregar seus brinquedos rodou o mundo, popularizou essa imagem e, claro, turbinou as vendas do refrigerante.
O nome Santa Claus, como Noel é conhecido em inglês, é uma adaptação de Sinter Klaas, forma como São Nicolau era chamado pelos holandeses, que levaram suas tradições natalinas para colônias na América no século 17 (entre elas a região da cidade de Nova York). Já por aqui, a origem da expressão “Papai Noel” tem raízes no idioma francês, no qual Noël significa “Natal”. Ou seja, no Brasil, o bom velhinho ganhou um carinhoso nome que significa literalmente “Papai Natal”.
A lenda de que Noel vivia no Pólo Norte, onde comandava sua oficina de brinquedos, serviu para os finlandeses estimularem o turismo local. Na década de 1950, o governo construiu uma vila de madeira na cidade de Rovaniemi, na região da Lapônia, que acabou se tornando o lar oficial do Papai Noel. Quem decide enfrentar o rigoroso inverno Ártico pode entregar seus recados pessoalmente a um dublê do bom velhinho, que recebe aproximadamente 700 mil cartas por ano — quase todas, é claro, com pedidos de presentes.

6942 – Religião – Meca, o centro do Islamismo


Ali fica o santuário de Kaibah, construído no 2° milênnio antes de Cristo. Segundo a tradição islamita, lá é o único local sda Terra que as forças celestes teriam tocado. Foi também em Meca que Maomé nasceu e está enterrado (570-652), fundador da religião islâmica. Situada na Arábia Saudita, a cidade já era ponto de parada de caravanas e centro comercial antes de Maomé. Mas, os maometanos, também chamados de muçulmanos, que hoje são cerca de 1200 milhões espalhados pelo mundo, a converteram em sua capital. De acordo com os preceitos religiosos, todo fiel tem o dever de visitá-la pelo menos uma vez antes de morrer.
Além disso, onde quer que esteja tem que rezar 5 vezes ao dia voltado para lá. E a oração do meio dia de 6ª feira precisa ser feita em uma mesquita, que sempre é constuída em sua direção.

A tradição islâmica atribui sua fundação aos descendentes de Ismael. No século VII, o profeta islâmico Maomé proclamou o Islã na cidade que era, então, um importante centro comercial. Após 966, Meca passou a ser governada por xarifes locais. Com o fim da autoridade do Império Otomano sobre a região, em 1916, os governantes locais fundaram o Reino Hashemita do Heja.
O reino, inclusive Meca, foi absorvido pela dinastia saudita em 1925. Durante o período moderno, a cidade vivenciou uma expansão colossal, tanto em termos de tamanho quanto de infraestrutura.
Situada na histórica região do Hejaz, tem uma população de 1,7 milhões de habitantes (2008), e localiza-se a 73 quilômetros da cidade litorânea de Jidá, num vale estreito a 277 metros acima do nível do mar..
Meca é a transliteração original em português do nome original árabe, مكة (Makka), comumente usado em dicionários onomásticos.

Uma cidade muito antiga
Meca pode ter sido a “Macoraba” mencionada por Ptolomeu, embora esta identificação seja controversa. A arqueologia não descobriu qualquer inscrição ou menção à cidade anterior ao período deste autor, embora outras cidades e reinos localizados naquela região tenham sido bem-documentados nos registros históricos.
Por volta do século V d.C. a Caaba era um local de culto para as diversas divindades da tribos pagãs árabes. A divindade pagã mais importante de Meca era Hubal, cujo culto havia sido instalado ali pela tribo dominante da área, os coraixitas, e que ali permaneceu até o século VII.
No século V, os coraixitas tomaram controle de Meca, tornando-se hábeis comerciantes e mercadores. No século seguinte passaram a fazer parte do lucrativo comércio de especiarias, já que batalhas ocorridas noutras partes do mundo fizeram que as rotas comerciais fossem desviadas das tradicionais rotas marítimas, que haviam se tornado perigosas, para novas rotas terrestres. O Império Bizantino havia, até então, controlado o Mar Vermelho, porém gradualmente a pirataria na região aumentou. Outra rota que anteriormente passava pelo Golfo Pérsico e através dos rios Eufrates e Tigre também passou a ser ameaçada por incursões do Império Sassânida, bem como dos lakhmidas, dos gassânidas e das tropas envolvidas nas Guerras Romano-Persas. A importância de Meca como centro comercial ultrapassou, eventualmente, a de outras cidades da Arábia do período, como Palmira e Petra.
As condições duras e os terrenos áridos e íngremes da península forçavam um estado quase constante de conflito entre as tribos locais, porém uma vez por ano uma trégua era declarada, e todas se encontravam em Meca para realizar uma peregrinação anual. Até o século VII esta viagem era feita por motivos religiosos, pelos pagãos árabes que desejavam prestar reverência a seu santuário, e beber da água do Poço de Zamzam. Este também era o período do ano em que os conflitos eram arbitrados, as dívidas eram resolvidas, e o comércio ocorria nas feiras da cidade. Estes eventos anuais davam às tribos uma sensação de identidade comum, transformando Meca num ponto focal importante da penínsul.
As caravanas de camelos, que segundo a tradição teriam sido usadas pela primeira vez pelo bisavô de Maomé, eram parte integrante da fervilhante economia de Meca. Diversas alianças eram estabelecidas pelos comerciantes e mercadores da cidade e as tribos nômades locais, que traziam mercadorias como couro, animais domésticos e metais extraídos das montanhas locais para serem vendidas e levadas a cidades da Síria e da Mesopotâmia.

Tradição
De acordo com a tradição islâmica, a história de Meca remontaria aos tempos de Abraão (Ibrahim), que teria construído a Caaba com a ajuda de seu filho mais velho, Ismael (Ishmael) por volta de 2000 a.C., quando os habitantes do povoado conhecido então como Bakka havia se afastado do monoteísmo original por influência dos amalequitas. Além desta tradição, no entanto, pouco se sabe da existência da Caaba antes do século V d.C.
Maomé nasceu em Meca em 570, e assim o islamismo tem estado desde então associado de maneira inextricável com a cidade. Nascido entre os hachemitas, uma facção menor da tribo dominante, os coraixitas, foi em Meca, na caverna de Hira, na montanha conhecida como Jabal al-Nour que, de acordo com a tradição islâmica, Maomé teria recebido pela primeira vez a revelação divina advinda do próprio Deus por intermédio do arcanjo Gabriel, no ano de 610, e foi na cidade que Maomé começou a pregar sua forma de monoteísmo abraâmico contra o paganismo de Meca. Após sofrer perseguições das tribos pagãs por 13 anos, Maomé migrou (ver Hégira), em 622, juntamente com seus companheiros – os Muhajirun – para Yathrib (conhecida posteriormente como ‘Medina’). O conflito entre os coraixitas e os muçulmanos, no entanto, continuou; os dois grupos se enfrentaram na Batalha de Badr, na qual os adeptos do islã derrotaram o exército coraixita nos arredores de Medina, e na Batalha de Uhud, que terminou de maneira inconclusiva. No geral, no entanto, os esforços dos habitantes de Meca para aniquilar o islã fracassaram, e acabaram por se revelar custosos demais e, eventualmente, mal-sucedidos. Durante a Batalha da Trincheira, em 627, os exércitos reunidos da Arábia não lograram derrotar as forças comandadas por Maomé.
Maomé morreu em 632, porém com o legado de unidade que ele havia passado à sua Umma (nação islâmica), o islã começou um período de rápida expansão, e ao longo dos próximos cem anos se propagaria para o Norte da África, Ásia e partes da Europa. À medida que o Império Islâmico crescia, Meca continuou a atrair peregrinos, não só da Arábia, mas de todo o mundo islâmico, e mais e mais muçulmanos executavam ali a peregrinação anual do Hajj.
Meca também atraía uma população de acadêmicos e estudiosos, muçulmanos devotos que desejavam viver perto da Caaba, bem como uma grande quantidade de pessoas que servia às necessidades destes peregrinos. A peregrinação do Hajj envolvia grandes custos e dificuldades; peregrinos chegavam através de barcos, pelo porto de Jidá, ou por terra, com as caravanas vindas da Síria e do Iraque.
Meca nunca foi capital de qualquer Estado islâmico, porém governantes muçulmanos contribuíram para a sua manutenção. Durante os reinados de Umar (634-44 d.C.) e Uthman ibn Affan (644–56) as preocupações com enchentes ocorridas no local fizeram com que os califas trouxessem engenheiros cristãos para construir barragens nos quarteirões mais afetados, e erguer diques e aterros para proteger a área em volta da Caaba..
A força do islã aprovada oficialmente na Arábia Saudita, o wahhabismo, é hostil a qualquer referência a locais de importância religiosa ou histórica, por medo de que eles possam dar origem a alguma forma de idolatria. Como consequência, durante o domínio saudita, a cidade sofreu uma destruição considerável de seu patrimônio histórico físico, e estima-se de que desde 1985 cerca de 95% dos edifícios históricos de Meca, a maioria com mais de mil anos de idade, teriam sido demolidos.

A peregrinação a Meca atrai milhões de muçulmanos de todos os lugares do mundo. Existem duas peregrinações: o Hajj e a Umrah.
O Hajj, a peregrinação ‘maior’, é executada anualmente. Uma vez por ano milhões de pessoas de diversas nacionalidades visitam a cidade e oram em uníssono. Todo adulto saudável que tenha capacidade financeira e física para viajar a Meca, e que tem condições de providenciar cuidados para seus parentes e dependentes durante a viagem, deve executar o Hajj pelo menos uma vez durante sua vida.
Meca situa-se a uma altitude de 277 metros acima do nível do mar, e a aproximadamente 80 quilômetros de distância do litoral do Mar Vermelho.
À medida que os sauditas expandiram a Grande Mesquita, no centro da cidade, centenas de casas foram demolidas para a construção de amplas avenidas e praças. As casas mais tradicionais da cidade foram construídas com pedra local, e geralmente têm de dois a três andares. A cidade possui um sistema de metrô, que cobre atualmente 1200 quilômetros quadrados.
Na Meca antiga existiam poucas fontes de água; entre elas estavam os poços locais, como o Poço de Zamzam, que geralmente gerava água salobra. A segunda fonte importante era a nascente de Ayn Zubayda. As fontes desta nascente estão nas montanhas de Jabal Sa’d e Jabal Kabkāb, a poucos quilômetros a leste de Djabal ʿArafa, cerca de 20 quilômetros a sudeste de Meca. A água era transportada através de canais subterrâneos. Havia ainda uma terceira fonte, demasiado esporádica, que consistia da água de chuvas armazenadas pela população em pequenos reservatórios, ou cisternas. A água da chuva também trazia consigo a ameaça de enchentes, um perigo deste tempos antigos. De acordo com o historiador árabe Al-Kurdī, até 1965 haviam ocorrido 89 enchentes históricas, diversas delas durante o período saudita. A mais grave ocorreu em 1942; desde então, diversas represas foram construídas para tentar solucionar o problema.

6667 – Religião – Qual dia é sagrado, sábado ou domingo?


Depende da tradição religiosa. Enquanto os judeus têm o sábado como dia sagrado, os cristãos, com exceção dos adventistas, praticam os rituais no domingo. Para o Judaísmo, shabat, em hebraico, é o dia de descanso, pois segundo a Torá, Deus criou o mundo em 6 dias, de domingo a sexta-feira, descansando no sétimo. Na verdade o shabat começa antes, já no entardecer de sexta-feira, com os urgimento das estrelas e vai até a mesma hora do sábado. Neste período, são feitas rezas, refeições em família e visitas à sinagoga.

A celebração do domingo pelos cristãos, por sua vez estáligada a ressureição de Cristo, que segundo os Evangelhos, subiu aos céus no domingo seguinte à sexta-feira que foi crucificado. Assim, embora os primeiros seguidos de Jesus continuassem a frequentar os rituais de sábado, como os judeus, com o tempo os cristãos passaram a dar mais importância ao primeiro dia da semana. Mas o reconhecimento oficial do domingo como dia santo veio somente no ano 321, por determinação do imperador romano Constantino, que se convertera ao Cristianismo. Desde então, o domingo é um dia de descanso em que não se deve trabalhar e os católicos participam da Eucaristia.

Umbandistas – Cada um dos orixás, as divindades da Umbanda, tem seu dia da semana específico, em que recebem orações e homenagens dos fiéis aos quais está associado. Alguns exemplos são: Ogum-terça-feira; Xangô – quarta-feira; Iemanjá-sábado.

Islâmicos – Para os muçulmanos a sexta-feira é santa. Segundo a tradição foi quando alá criou Adão e também será o dia em que virá o julgamento final. Na sexta-feira, todos os adultos do sexo masculino devem comparecer a uma mesquita para a prece do meio dia.

Adventistas – Apesar de serem cristãos, os fiéis da Igreja Adventista do Sétimo Dia guardam o sábado, assim como os judeus. Segundo afirmam, fazem isso em observância à Bíblia, que especifica que este dia é de descanso, sendo assim reservado à veneração do Criador.

6231 – A Bíblia ao pé da letra


O Velho Testamento deixa claro que as mulheres deveriam ser funcionárias de seus maridos. Funcionárias mesmo: não só com deveres, mas com direitos também. Se uma esposa fosse “demitida” pelo parceiro, por exemplo, podia ganhar uma carta de recomendação, que a moça podia usar como trunfo na hora de tentar uma vaga de mulher de outro sujeito.
Não é exagero falar em “vaga”: um homem podia ter tantas esposas quanto quisesse (ou melhor: quanto pudesse adquirir e sustentar). A poligamia era a regra. Tanto que o primeiro caso aparece logo no capítulo 4 do primeiro livro da Bíblia: “E tomou Lameque para si duas mulheres” (Gênesis).
A situação era tão comum que vários dos personagens mais importantes do Antigo Testamento viviam com mais de uma esposa sob o mesmo teto. Abraão acolhe uma segunda mulher a pedido de Sara, sua número 1, que não conseguia ter filhos. Depois a própria Sara dá à luz Isaac, enquanto a escrava Hagar tem Ismael. Nota: a tradição considera o primeiro como pai de todos os judeus e o segundo, patriarca dos povos árabes.

O caso de Jacó, filho de Isaac e também patriarca de todos os judeus, é o mais conhecido: ele casa com as irmãs Lea e Raquel, filhas de Labão. E compra o dote delas trabalhando no pastoreio do sogro por 14 anos – 7 anos de labuta por cada esposa.

Mas nunca na história do Livro Sagrado houve maior predador matrimonial que Salomão, o rei: foram 700 esposas. Setecentas de papel passado, já que o sábio soberano ainda mantinha 300 concubinas. E tudo isso sem pílula nem camisinha… Por isso mesmo o Deuterônimo traz regras para a distribuição de bens entre filhos de diferentes mulheres – os rebentos de mães com mais milhagem em anos de casamento ganham mais. E os primogênitos também. Mas por quê, afinal, a poligamia era a regra lá atrás? “Provavelmente porque havia mais mulheres do que homens entre os judeus, que com frequência estavam envolvidos em guerras violentas. A poligamia, então, era uma forma de garantir a manutenção da população”, diz o historiador Richard Friedman, professor de estudos judaicos da Universidade da Geórgia. “Além disso, uma mulher solteira tinha pouquíssimas alternativas para sobreviver, a não ser se prostituir. Quando um único homem é provedor de várias mulheres, essa questão acaba minimizada.”
O Novo Testamento não cita tantos exemplos de poligamia, mas sugere que ela ainda era comum no século 1. Jesus não toca no assunto, mas, em duas cartas, são Paulo recomenda que os líderes da nova comunidade cristã tenham apenas uma esposa porque “assim eles teriam mais tempo para dedicar aos fiéis”. “O cristianismo só refuta a poligamia quando se aproxima do poder em Roma, que proibia a poligamia”, afirma Brettler. Como escreve santo Agostinho no século 5, “em nosso tempo, e de acordo com o costume romano, não é mais permitido tomar outra esposa”.
Escravas também tinham direitos: se um homem casava com uma de suas servas, só poderia se divorciar se vendesse a mulher para outro senhor. Bom para a mulher, já que evita a situação constrangedora de trabalhar para o ex – e de graça… Menos “feminista” é outra lei bíblica: quando um homem morre e deixa uma viúva, seu irmão deve casar com ela, para garantir que o patrimônio da família não se perca. O adultério, adivinhe, é crime – pudera: no Brasil mesmo era crime até 2005 (detenção de 15 dias a 6 meses, segundo o artigo 240 do Código Penal). A diferença é que lá a pena era de morte mesmo – para ambos os envolvidos na relação sexual fora da lei.

Mais brando é são Paulo, que dá orientações para o dia a dia do casal. Ele até diz que os homens são a cabeça da relação, mas pede que os maridos respeitem as esposas. Um grande salto para nas regras de matrimônio da Antiguidade.

Além de polígamo, qualquer homem podia ter amantes, contanto que oficiais. Eram as concubinas. Jacó trabalhou 14 anos pela posse de suas duas mulheres – mas ganhou duas concubinas de bônus pelos bons serviços prestados. Uma série de regras estabelece como deve ser a vida sexual também: toda mulher tem de se casar virgem, ou então poderá ser dispensada pelo marido – por outro lado, se o marido acusar falsamente a esposa de não ter casado casta, deve permanecer com ela até o fim da vida. Para comprovar sua pureza, a acusada devia apresentar testemunhas dispostas a defender a limpidez do passado dela. As leis sexuais, enfim, eram bem abrangentes: “Quem tiver relações com um animal deve ser morto”, diz o Êxodo. E masturbação também não pode. Como diz o sutil são Paulo: “A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao marido. E o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à esposa”. “O sexo na Bíblia é cheio de contradições”, diz o arqueólogo Michael Coogan, autor de God and Sex (Deus e o Sexo). “É de se desconfiar que fossem realmente levados a sério naquela época.”

A ética comercial do Livro Sagrado tem regras simples: não roubar nem trapacear no peso ou fazer nada que prejudique a outra parte. A cobrança de juros também é proibida. As ordens se repetem ao longo da Bíblia, sempre em tom firme: “Não tomarás dele juros nem ganho” (Levítico), “Não emprestando com usura, e não recebendo mais do que emprestou” (Ezequiel). E isso numa época em que a grande moeda corrente eram sacos de grãos. O fato é que a restrição à cobrança de juros é mais antiga do que a Bíblia. As leis da Babilônia, codificadas mil anos antes, já impunham tetos na cobrança de juros, provavelmente para evitar que os mais espertos enriquecessem à custa de empobrecer o resto da sociedade. Jesus, inclusive, radicaliza. Não só condena os juros como também a cobrança do principal (a quantia emprestada inicialmente): “E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito há nisso?” (Lucas). Cristo, aliás, dá muita atenção à cobiça. “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus, 6:24), diz. E pede que seus seguidores façam como os lírios-do-campo, que recebem proteção e alimento da divindade sem precisar trabalhar. Também diz, para desespero de um fiel cheio de posses, um de seus maiores hits verbais: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus”. Mas existe uma exceção na política bíblica de juros: nos casos em que o empréstimo é concedido a um não-judeu (“um estranho”, nas palavras do Deuterônimo), é permitido praticar a usura. Até por isso os judeus se tornaram os grandes banqueiros da Idade Média.

Mas a parte mais humanista nas relações de trabalho previstas na Bíblia é uma regra para os fazendeiros: sempre deixar sem colher as plantações das bordas do terreno. Para quê? Para que as pessoas mais pobres, sem-terra, possam aproveitar essa parte.

O álcool nem sempre foi consumido com moderação na Bíblia. A palavra “vinho” é citada mais de 200 vezes, e os porres são frequentes: Ló é embebedado pelas filhas e Amnon, filho de Davi, está mais pra lá do que pra cá quando é assassinado por ordem de seu irmão Absalão – a quem interessar: foi pelo crime de ter estuprado a própria irmã, Tamar. “Os sacerdotes são orientados a não beber antes de entrar no templo, e o álcool é relacionado à perda de controle pessoal e da capacidade de diferenciar o bem do mal. Mas nada no texto bíblico proíbe o consumo”, diz historiador Marc Zvi Brettler.

A medicina bíblica é obcecada por manchas na pele – uma preocupação muito compreensível para um povo que vivia no deserto, sob um sol escaldante. Os líderes religiosos é que faziam o papel de médicos. “Quando um homem tiver na pele inchação ou pústula, então será levado a Arão ou a um de seus filhos, os sacerdotes” (Levítico).

Os sacerdotes avaliavam pessoalmente cada caso suspeito, seguindo as regras estabelecidas por Deus, transmitidas a Moisés e transcritas no Livro Sagrado. Primeiro, passar azeite sobre o ferimento (o mesmo produto também é recomendado para lavar os cabelos). Depois de uma semana, no retorno da consulta, vem o diagnóstico definitivo: se o pelo sobre a mancha estiver mais claro, e a ferida estiver mais funda do que a pele, o doente tem lepra.
A partir desse momento, a vítima não tem mais espaço na comunidade. É obrigada a andar pelas ruas, anunciando sua condição para evitar que desavisados entrem em contato com o doente e também sejam contaminados. Ocasionalmente, profetas conseguiam curar leprosos. No Novo Testamento, os sacerdotes cristãos são indicados para curar todo tipo de doença. “A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará” (Tiago).
A Bíblia também orienta na educação dos filhos. Eles devem ser apresentados a Deus recém-nascidos e, no caso dos meninos, circuncidados no oitavo dia de vida. Ao longo da infância, os pais têm a obrigação de repassar a eles a palavra de Javé. Já o Novo Testamento é mais pedagógico, digamos assim: enfatiza a educação pelo bom exemplo dos pais, para que os jovens respeitem a Deus e se comportem corretamente por vontade própria, e não porque foram forçados. Criar adultos calmos e centrados também é importante. “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios). Quando não funcionar, o Antigo Testamento indica que um bastão flexível deve ser usado para bater nos desobedientes (no Brasil, seu uso poderá trazer problemas com a Justiça caso seja aprovada a Lei da Palmada). O objeto tem até nome, vara da correção, e é indicado para qualquer situação em que o pai considere que a criança não seguiu suas instruções.

Sobre a Homossexualidade
O amor entre homens era punido com a morte – a não ser que você fosse o rei Davi. Os livros Samuel I e Samuel II contam a história da amizade entre ele e Jonatã, filho do rei Saul, antecessor de Davi e candidato natural ao trono de Israel. Davi acaba escolhido para a sucessão, mas isso não abala o relacionamento dos dois. Está escrito: “A alma de Jonatã se ligou com a alma de Davi. E Jonatã o amou, como à sua própria alma” (Samuel I). Em outra passagem, Jonatã tira todas as roupas, entrega a Davi e se deita com ele. “E inclinou-se 3 vezes, e beijaram-se um ao outro” (Samuel I). “Esse relato incomoda os intérpretes tradicionais da Bíblia, que tentam explicar a relação como uma forte amizade, e o beijo como um costume comum entre homens”, diz o historiador finlandês Martii Nissinen, da Universidade de Helsinki e autor de Homoeroticism in the Biblical World (Homoerotismo no Mundo Bíblico). “Mas é difícil negar a referência à homossexualidade nesse caso, mesmo que a lei judaica a proíba expressamente.” Em mais de uma ocasião, os relacionamentos entre homens são chamados de “abominação” e “pecado contra Javé”. Para alguns especialistas, o Antigo Testamento também sugere um relacionamento homossexual entre duas mulheres, Noemi e sua nora Rute. Está no livro de Rute um trecho em que ela diz a Noemi: “Aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu.” Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada”.

Muito sangue jorra na Bíblia. Abraão é orientado a sacrificar seu próprio filho Isaac a Javé – e teria obedecido, caso um anjo não aparecesse no último minuto dizendo era tudo um teste para sua fé. Além disso, durante os 40 dias em que detalha suas regras ao patriarca, Deus exige uma série de sacrifícios de animais.

Os rituais são descritos com grande riqueza de detalhes. Moisés manda matar e drenar 12 bois. O sangue é colocado numa tina. Metade é lançada no altar e o resto sobre a multidão. Carneiros abatidos são esfregados no corpo de fiéis, que seguram seus rins nas mãos para oferecê-los a Javé. Pedaços de bichos são queimados sobre o altar. Era uma forma de trocar favores com os deuses. Por isso mesmo, o sacrifício de animais existe em praticamente todas as culturas da Antiguidade. “O sangue é o maior símbolo da vida.
Sequestro, adultério, homossexualidade, prostituição… Tudo isso dava pena de morte. Até fazer sexo com uma virgem poderia custar a vida do “criminoso”. Esse caso, aliás, é um labirinto jurídico: se um homem transar com uma virgem dentro de uma cidade, os dois morrem; se for no campo, só ele. A lógica é que, dentro da cidade, alguém ouviria a virgem gritando por socorro caso o sexo não fosse consentido. Se ninguém ouviu é porque ela não gritou, supõe a lei. E se não gritou é porque cometeu um crime também – o de consentir. No campo é diferente: não dá para saber se ela gritou ou não. Na dúvida, então, morre só o homem.

Matar também dava em pena de morte, claro: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu” (Gênesis). Adorar outros deuses também trazia problemas sérios, já que é sinal de desobediência a um mandamento fundamental: “Não terás outros deuses diante de mim”. Moisés chega a mandar matar 3 mil judeus por causa disso.

O Levítico também manda matar prostitutas a pedradas, a não ser que a moça de vida fácil seja filha de um sacerdote. Aí a punição é pior: “Com fogo será queimada”. A regra seria fortemente contestada por Jesus, com a famosa frase que salvou Maria Madalena: “Aquele que não tem pecado atire a primeira pedra”. Ainda assim, nem todos os autores do Novo Testamento parecem concordar com a recomendação de Cristo. As cartas de são Paulo, por exemplo, defendem o respeito à lei romana, que autoriza o apedrejamento a prostitutas.

Como o Antigo Testamento não aceita o aborto, é crime provocá-lo, mesmo que por acidente, mas a pena depende da gravidade da situação. Se dois homens brigarem e, no meio do quebra-pau, ferirem sem querer uma mulher grávida que estava por perto e provocarem a morte do feto, os dois vão pagar uma indenização estabelecida pelo marido – que perdeu um bem precioso, seu herdeiro. Agora, se a mãe ficar gravemente ferida ou morrer, então vale a famosa lei do Talião – “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe” (Êxodo). Em geral, a pena de morte por apedrejamento não precisava ser julgada pelos sacerdotes. A maioria dos crimes recebia a punição na hora, diante de um grupo de pessoas que presenciaram a cena ou que estavam por perto da cena do crime e foram informadas. Mas também existem regras mais amenas, estas, sim, negociadas dentro dos tribunais e com direito a defesa do acusado. Por exemplo: o Antigo Testamento estabelece que toda mulher menstruada é tão impura que até mesmo os lugares onde ela se senta devem ser evitados. Se um homem encostar na esposa, na mãe ou na irmã nesse período do mês, ele não pode sair de casa por sete dias. E, se fizer isso, pode ter de pagar uma multa.

Em caso de roubo e furto ou qualquer outro prejuízo ao patrimônio alheio, como matar por acidente o cabrito do vizinho, a pena é o pagamento de 4 vezes o valor do bem que foi levado ou destruído. Se a pessoa que cometeu a infração não tivesse condições de pagar, podia ser vendida como escrava.
Tudo isso, é claro, são aspectos de uma vida cotidiana que não existe mais. Mas com a mensagem essencial dos textos sagrados é diferente. E essa mensagem pode ser resumida em uma frase, que também ecoa em todas as grandes religiões da Terra: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você. Ou mais ainda, como Jesus diz no Evangelho de Mateus: “Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós”. Está aí uma recomendação impossível de refutar. E que geralmente traz ótimos resultados.

5703 – Os Milagres de Cristo


Um dos pontos mais delicados na tentativa de reconstituir a dimensão histórica de Jesus são os milagres a ele atribuídos. É preciso ter claro que a separação que se faz hoje entre natural e sobrenatural praticamente não existia naqueles tempos. Os evangelhos dão numerosos testemunhos das curas operadas por Jesus. Em meio a um povo miserável e inculto, Jesus vai libertando as pessoas de seus males: a cegueira, a mudez, a surdez, a paralisia, a loucura.
Padre Storniolo sublinha o caráter alegórico de muitos relatos de milagres. Seria o caso, por exemplo, de Jesus caminhando sobre as águas: “O mar no Antigo Testamento era o símbolo das nações que podiam invadir a Palestina e dominar o povo. Os discípulos na barca agitada pelas ondas simbolizam a comunidade cristã primitiva com medo de se afogar no mar da História. Jesus vem então caminhando sobre as águas, como prova de que, pela fé, aquela comunidade podia ser vitoriosa. Pedro também caminha, até o instante em que duvida. Nesse momento divide suas energias, perde seu poder e começa a afundar, sendo salvo por Jesus”.
Um dos milagres de Jesus, citado com mais detalhes por Lucas, é o da cura da mulher que sofria de hemorragia ininterrupta. Aproximando-se por trás de Jesus, que caminhava entre o povo, ela tocou a extremidade de sua veste. Jesus perguntou então: “Quem me tocou?” Como todos negassem, Pedro disse: “Mestre, a multidão te comprime e te esmaga”. Mas Jesus insistiu: “Alguém me tocou; eu senti uma força que saía de mim”. Então a mulher se apresentou e Jesus lhe disse: “Minha filha, tua fé te curou; vai em paz”. O que chama a atenção, no caso, é Jesus ter sentido “uma força que saía” dele algo que, em linguagem moderna, talvez pudesse ser chamado poderes paranormais.