13.179 -Veneno de peixe do Pacífico pode ajudar a criar analgésico


Pequenos peixes da espécie Meiacanthus grammistes, que habita os recifes de corais do oceano Pacífico, possuem um veneno incomum que poderia ser usado como matéria-prima para um novo tipo de analgésico, afirmaram cientistas britânicos e australianos.
O veneno desses peixes, que têm de quatro a sete centímetros de comprimento, paralisa os predadores, sem causar dor, segundo um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Uma análise mostrou que o veneno tinha três componentes: um neuropeptídeo encontrado no veneno de caracóis, uma enzima similar à do veneno de escorpião, e um composto opiáceo.
Os cientistas estimam que o neuropeptídeo e o componente opiáceo poderiam provocar uma queda repentina na pressão arterial. “O veneno faz com que o peixe mordido se mova mais lentamente e fique desorientado, ao agir sobre seus receptores opioides”.
Experimentos com ratos de laboratório revelaram que os roedores não mostraram nenhum sinal de dor quando foram injetados com o veneno do peixe. Fry disse que o veneno é “quimicamente único”, e que esta espécie é “a mais interessante”.
Seu comportamento também é intrigante, disse, devido à maneira como eles parecem não ter medo de predadores e lutam por territórios com peixes do mesmo tamanho.
O pesquisador afirma que as descobertas reforçam a necessidade de proteger a Grande Barreira de Corais australiana e outros ecossistemas frágeis.

13.062 -Toxicologia – Como é feito e como age o soro antiofídico?


soro-anti2
Apesar de existirem soros específicos para diferentes gêneros de cobras, o processo de produção de todos eles segue o mesmo padrão. O veneno da serpente é introduzido no organismo de um cavalo, que reage desenvolvendo anticorpos. E são esses anticorpos que, após serem retirados do cavalo, formam o soro. A eficiência do produto é grande e, diferentemente do que muitos pensam, uma picada de cobra não significa um convite quase certo para a morte. Segundo dados do Ministério da Saúde, das cerca de 20 mil pessoas picadas por serpentes venenosas a cada ano no Brasil, apenas 0,4% morrem. Mas é bom não bobear. As poucas mortes ocorrem justamente pelo uso incorreto ou tardio do soro ou ainda pela falta dele. A utilização incorreta do produto pode ser evitada com ajuda do diagnóstico de um especialista, já que o veneno de diferentes gêneros de cobras precisa ser combatido com diferentes tipos de sonoro. A confusão nesse aspecto só não é maior porque 90,5% dos casos de pessoas picadas no país envolvem serpentes de um mesmo gênero, Bothrops. Pertencem a ele cobras como jararaca, jararacuçu, caiçaca, urutu e cotiara, todas com peçonhas que podem ser combatidas com o mesmo tipo de soro. Em seguida, em número de picadas, aparecem as cascavéis (do gênero Crotalus), a surucucu (Lachesis) e as corais verdadeiras (Micrurus). Essas espécies ameaçadoras, porém, são minoria no Brasil. Dos 256 tipos de serpentes existentes por aqui, apenas 70 são peçonhentas, ou seja, capazes de inocular seu veneno. No país, os soros são feitos pelo Instituto Butantan, em São Paulo, pela Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais, e pelo Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro. Toda a produção é comprada pelo Ministério da Saúde e oferecida gratuitamente em hospitais e postos de saúde de todo o Brasil.

Socorro a galope Eqüinos produzem os anticorpos que barram o veneno das cobras
1. O primeiro passo para se produzir o soro é extrair o veneno de uma serpente — ou de um grupo delas do mesmo gênero, se o objetivo for uma vacina “multiuso”. Para coletar o veneno das glândulas que secretam a substância, basta pressioná-las com as mãos ou aplicar um pequeno choque. Em pouco tempo, a serpente repõe sua peçonha.

2. Um cavalo recebe o veneno em pequenas e sucessivas doses, que não prejudicam a sua saúde. Ele então começa a produzir anticorpos contra a peçonha. Por que são usados os cavalos? “Poderia ser qualquer animal, mas o cavalo é dócil e tem um rendimento maior na produção de anticorpos que outros mamíferos”, diz a bioquímica Hisako Higashi, do Instituto Butantan.

3. Após dez dias, amostras de sangue são retiradas do cavalo até se constatar que já há anticorpos suficientes no corpo do animal — o que leva, em média, 15 dias. Quando isso ocorre, até 16 litros de sangue são colhidos. Então, separa-se o plasma, parte do sangue onde ficam os anticorpos. O restante é reintroduzido no animal.

4. O plasma do sangue é purificado em reatores e diluído. Aí o soro já está pronto. Quando uma pessoa é picada por um cobra peçonhenta, precisa receber a substância salvadora o mais rápido possível. No organismo da vítima, os anticorpos do soro se misturam com o veneno, neutralizando sua ação pouco a pouco. Em geral, o paciente se restabelece após um dia de tratamento.

cavalo-salva-vidas

7588 – Arma Química – Biologia do Mal


O ano é 1995. Membros da seita japonesa Verdade Suprema espalham gás sarin, substância química que ataca o sistema nervoso, no metrô de Tóquio. Treze passageiros morrem e mais de 5 000 pessoas são hospitalizadas. Apesar da opção pelo gás, a idéia original era empregar armas biológicas – ou seja, usar agentes infecciosos para provocar o surto de uma doença. A seita empreendeu nove tentativas malsucedidas em um período de cinco anos. Integrantes pulverizaram ruas da capital japonesa com bactérias e toxinas, mas usaram cepas fracas dos microorganismos e técnicas erradas de disseminação. Alguns deles chegaram a viajar ao Zaire a fim de buscar amostras do vírus ebola e, com ele, desenvolver uma arma biológica.
A tenebrosa destruição causada pelas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki abafou o debate sobre os limites para as pesquisas com armas biológicas. Na época, já vigorava um tratado assinado em 1925, na Suíça, que proibia o uso, pelos exércitos, de gás asfixiante e de métodos bacteriológicos de combate. Mas nem o Japão nem os Estados Unidos haviam assinado tal acordo.
Durante a Guerra Fria, o aperfeiçoamento dos meios bélicos de dispersão de agentes infecciosos – e dos próprios microorganismos – continuou a ser feito na surdina. Em 1972, passou a valer outro tratado, em vigência até hoje, banindo todos os passos necessários para desenvolver uma arma biológica: produção, estocagem, posse, transferência de agentes infecciosos e meios de propagação que denotem fins hostis. Ele foi ratificado por 144 países, após a Convenção das Armas Biológicas (BWC, na sigla em inglês).

O carbúnculo foi também o causador de uma epidemia na cidade de Sverdlovsk (hoje Yekaterinburg), na antiga União Soviética, em 1979. Mais de 100 pessoas morreram repentinamente. As autoridades atribuíram o fato à ingestão de carne contaminada. Mas, em 1992, o presidente russo Boris Ieltsin reconheceu que as mortes haviam sido causadas pela dispersão involuntária do carbúnculo nas redondezas de uma instalação militar voltada ao aperfeiçoamento de armas com agentes patogênicos. Tanto os soviéticos quanto o Iraque tinham assinado o tratado de proibição de armamento biológico – daí, o esforço do Grupo Ad Hoc em definir o mais rápido possível um protocolo de verificação.
Não há informações precisas sobre quais nações teriam programas biológicos em andamento. Dados como esses são obtidos por agências de inteligência e mantidos em sigilo. “Rússia e Iraque admitiram publicamente que sim. Há uma certeza razoável de que Irã, Coréia do Norte e Líbia também tenham programas do tipo. Outras listas incluem China, Taiwan, Síria, Israel, Índia e Paquistão, mas esses casos não passam de suposição,
Teoricamente, qualquer organismo que provoque alguma doença no homem ou que traga danos à agricultura ou à pecuária pode se tornar agente de uma arma biológica – seja ele vírus, bactéria, toxina ou fungo. Mas, na prática, não são muitos os que causam enfermidade ou morte e que podem ser manipulados e dispersos de maneira eficaz.
Governantes e cientistas debatem atualmente o futuro de um dos agentes infecciosos mais potentes: o vírus da varíola, doença oficialmente erradicada no mundo todo em 1980. Restaram apenas alguns estoques do vírus em laboratórios nos Estados Unidos e na Rússia. Um comitê da OMS recomendou a destruição dos últimos exemplares do agente e os países votaram unanimemente pelo fim dos estoques em 2002 – o que significará também o fim da espécie. Pela primeira vez, um ser vivo será deliberadamente extinto.
A decisão tem causado polêmica. Especula-se que alguns dos estoques russos foram parar na mão de terroristas.
A história registra o uso rudimentar da varíola como arma biológica já no século XVIII. Durante a ocupação da América do Norte, tropas inglesas presentearam os índios com roupas contaminadas com o vírus.
No século XIV, os tártaros tentavam conquistar a cidade de Kaffa (atualmente Feodossia, na Ucrânia), mas sofreram uma epidemia de peste. Converteram seu infortúnio em arma: catapultavam os cadáveres para dentro dos muros da cidade. As forças de defesa caíram, vitimadas pela moléstia que, de lá, se espalhou por toda a Europa: a célebre Peste Negra, que matou um terço da população do continente naquela época.
Mas se o uso de armas biológicas é tão antigo, o que explica a atual onda de preocupação com essa questão?
Já se conhecem seqüências completas do genoma de pelo menos mais de 30 microorganismos. Na teoria, nada impede que um supervírus seja produzido em laboratório, formado por pedaços de DNA de outros. Ou que microorganismos normalmente inofensivos sejam manipulados para adquirir elevado potencial tóxico ou infeccioso. O progresso da biotecnologia também torna essas técnicas mais acessíveis a terroristas. Fabricar armas biológicas envolve menos recursos e uma infra-estrutura bem mais simples do que armas químicas e nucleares. Microorganismos
crescem com facilidade e uma quantidade pequena deles já serve para fazer um baita estrago. “A produção dessas armas aproveita equipamentos e materiais normalmente utilizados para fins pacíficos, como o desenvolvimento de vacinas, o que dificulta muito a identificação de programas de armamento biológico”. A ameaça é real. Como se proteger?

7133 – Mega Notícias da Medicina – Meio máquina, meio humano


Cirurgiões americanos da Universidade de Minnesota estão usando células vivas do fígado para forrar um fígado artificial. Trata-se de um emaranhado de tubos finos similar ao aparelho de hemodiálise usado para suprir a falência dos rins -, que substitui o órgão, enquanto o paciente se recupera de alguma doença ou espera um transplante. Usar células vivas foi a única maneira encontrada para desenvolver esse sistema. Pois as complexas células do fígado realizam várias funções ao mesmo tempo, desde neutralizar toxinas até preparar glicose para que possa ser usada como combustível por todo o organismo. Ou seja, é difícil substituí-las por mecanismos artificiais.
Por isso, os cientistas retiraram as células do fígado de ratos, mergulhando-as no sangue desses animais, para que não perdessem o hábito de trabalhar. Em seguida, elas foram misturadas com colágeno, a proteína capaz de costurar uma célula na outra. O coquetel resultou em uma gelatina que permitia às células grudarem nas paredes do fígado artificial. Em breve, um aparelho cerca de cem vezes maior do que o dos roedores será testado no homem dessa vez, claro, forrado com células humanas.

6839 – Medicina – A Cirrose


No início do século XIX, o francês René Laënnec criou o termo cirrose para designar a doença que, caracterizada pela presença de grânulos amarelo-alaranjados no tecido hepático, causa uma degeneração de conseqüências graves.
Cirrose é uma enfermidade que afeta o fígado e, do ponto de vista anatômico, se caracteriza pela degeneração das células hepáticas e sua substituição pelo tecido fibroso que as conecta.

Tipos e causas
A cirrose altera o funcionamento normal do tecido hepático e é irreversível. O tipo mais comum de cirrose é a de Laënnec, que tem origem na desnutrição, quase sempre ligada ao alcoolismo. A progressão da doença é lenta e, no primeiro estágio há, em geral, aumento na quantidade de gordura hepática; posteriormente, o nível de gordura desce até um patamar mínimo e o fígado degenera completamente.
Existem outros tipos de cirrose, como a pós-necrótica, que resulta de infecção viral ou da ação de toxinas como o tetracloreto de carbono. Nesse caso, a necrose — ou seja, morte de partes do tecido — desenvolve-se rapidamente, no transcorrer de poucas semanas ou, no máximo, alguns meses. Na cirrose sifilítica a característica principal são lesões grandes e moles no fígado, que erodem o tecido e, ao final, deixam-no com cicatrizes e fissuras.
Na cirrose pigmentar, ou hemocromatose, dá-se um aumento dos depósitos de ferro nas células hepáticas devido a desordens no metabolismo desse elemento, ou a um acúmulo de ferro nos vasos, provocado por transfusão de sangue. O fígado adquire consistência granular ou nodular e coloração marrom-escura.
As partículas de ferro podem adquirir tal densidade que obscurecem a célula e inibem suas funções. Também fatores de cunho hereditário, como na doença de Wilson, podem provocar cirrose; nesse caso o mal se deve à excessiva concentração de cobre no fígado. O órgão adquire uma aparência esverdeada, em função da bile no tecido e, quando o mal se torna crônico, ocorrem inchação, fibrose, alteração no nível de gordura e abscessos.
Sintomas e tratamento. Os sintomas iniciais da cirrose são do tipo gastrintestinal. Em etapas avançadas, produzem-se hemorragias no baço, no esôfago e no intestino. É também relativamente freqüente o aparecimento de edema na cavidade abdominal. Na fase terminal, ocorre o coma hepático.
O tratamento busca restabelecer o equilíbrio da composição sangüínea. Para isso se aplicam, entre outras medidas, as de controle da dieta e de aumento do índice de proteínas plasmáticas.

5334 – O leite pode conter a ação de venenos?


Se a quantidade da substância tóxica ingerida for pequena, o leite pode ajudar a eliminar com mais rapidez. A bebida funciona como uma espécie de mata-borrão porque suas partículas de proteína e gordura atraem uma parte das molécula perigosas. Como o leite é digerido rapidamente, ele carrega as toxinas da parte alta do tubo digestivo para a parte baixa, onde a absorção é menor.
Mas, se a quantidade de veneno ingerida for grande, o leite não ajudará porque ele absorve apenas uma parte dos elementos nocivos.