6580 – MPB – Tim Maia, Um Vozeirão Soul Made in Brazil


Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942 — Niterói, 15 de março de 1998), foi um cantor, compositor, produtor, maestro, guitarrista, baterista, multi-instrumentista e empresário brasileiro, um dos pioneiros na introdução do estilo soul na música popular brasileira e um dos maiores ícones da música no Brasil.
Em 1970, gravou seu primeiro disco, intitulado Tim Maia, que, rapidamente, tornou-se um sucesso país afora com músicas como “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”. Nos três anos seguintes, lançou vários discos homônimos, fazendo sucesso com canções como “Não Quero Dinheiro” e “Gostava Tanto de Você”. De 1975 a 1977, aderiu à doutrina filosófico-religiosa conhecida como Cultura Racional, lançando, nesse período, as músicas “Que Beleza” e “Rodésia”. Pela decadência de suas músicas influenciadas por essa escola filosófica, desiludiu-se com a doutrina e voltou ao seu estilo de música anterior, lançando sucessos como “Descobridor dos Sete Mares” e “Me Dê Motivo”. Em 1988, venceu o Prêmio Sharp na categoria “Melhor Cantor”.
Muitas músicas suas foram gravadas sob a editora Seroma e a gravadora Vitória Régia Discos, sendo um dos primeiros artistas independentes do Brasil. Ganhou o apelido de “síndico do Brasil” de seu amigo Jorge Ben Jor na música W/Brasil. Na década de 90, diversos problemas assolaram a vida do cantor: problemas com as Organizações Globo e a saúde precária, devido ao uso constante de drogas ilícitas e ao agravamento de seu grau de obesidade. Sem condições de realizar uma apresentação no Teatro Municipal de Niterói, saiu em uma ambulância e, após duas paradas cardiorrespiratórias, faleceu em 15 de março de 1998. É amplo seu legado à história da música brasileira, tendo inaugurado um estilo que futuramente viria a ser cantado por diversos artistas, como seu sobrinho Ed Motta.
A revista Rolling Stone classificou Tim como o 9º maior artista da música brasileira.
Em 1970, gravou seu primeiro longplay, “Tim Maia”, na Polydor, por indicação da banda Os Mutantes. O disco permaneceu em primeiro lugar no Rio de Janeiro por 24 semanas. Nesse disco, obteve sucesso com as faixas “Azul da Cor do Mar”, “Coronel Antônio Bento” (Luís Wanderley e João do Vale), “Primavera” (Cassiano) e “Eu Amo Você”.
Nos três anos seguintes, com a mesma gravadora, lançou os discos Tim Maia Volume II, tornando-se cada vez mais famoso com canções como a dançante “Não Quero Dinheiro (Só Quero amar)”, na era Disco; Tim Maia volume III e Tim Maia volume IV, no qual se destacaram “Gostava Tanto de Você” (Edson Trindade) e “Réu Confesso”. Em 1975, gravou os LPs Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2. Em 1978, gravou, para a Warner, Tim Maia Disco Club, claramente inspirada pela Disco Music. Tim foi acompanhado pela Banda Black Rio. Nesse álbum, gravou um de seus maiores sucessos, “Sossego”.
Tim Maia se tornou notável por não aparecer ou atrasar em shows, e frequentemente reclamar da qualidade do áudio nos mesmos.
Na década de 1970, entrou em contato com a doutrina Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, quando lançou, em 1975, os álbuns Tim Maia Racional, volumes Um e Dois pelo selo Seroma (palavra “amores” ao contrário e abreviação do próprio nome, “Sebastião Rodrigues Maia”).
São considerados por muitos os melhores de Tim Maia, com grandes influências do funk e do soul e pelo fato de que, nesta época, Tim Maia manteve-se afastado dos vícios, o que refletiu na qualidade de sua voz.
Desiludido com a doutrina, percebeu que o mestre Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco, existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.
Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo vida e aos temas não religiosos em suas canções. Mais sucessos se seguiram: “Sossego” (do LP “Tim Maia Disco Club”, de 1978), “Descobridor dos Sete Mares” (faixa-título do LP de 1983, que também trouxe “Me Dê Motivo”) e “Do Leme ao Pontal” (de “Tim Maia”, 1986).
Lançou em 1983 o LP “O Descobridor dos Sete Mares”, com destaque para a canção-título “O Descobridor dos Sete Mares” (Michel e Gilson Mendonça) e para Música “Me dê Motivo” (Michael Sullivan/Paulo Massadas) um dos seus maiores sucessos. Em 1985, gravou Um Dia de Domingo, também de Sullivan e Massadas, num dueto com Gal Costa, obtendo grande sucesso. Outro disco importante da década de 1980 foi “Tim Maia” (1986), que trazia o hit “Do Leme ao Pontal”.
Em 1986, participou do musical da Rede Globo, “Cida, a Gata Roqueira”, paródia ao conto de fadas, inspirado no filme Os Irmãos Caras de Pau (1980), onde James Brown interpreta um pastor evangélico. Nelson Motta criou um personagem similar para Tim, onde o cantor improvisa o Salmo 23 embalado por uma banda tocando funk.
Em 1993, dois acontecimentos impulsionaram sua carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção “W/Brasil” e uma regravação que fez de “Como Uma Onda” (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD “Tim Maia”, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas, funks e souls.
Tim Maia filiou-se ao PSB em 1997. No final de sua vida sofreu com problemas relacionados a obesidade, diabetes e problemas respiratórios. Durante a gravação de um espetáculo para a televisão no Teatro Municipal na cidade de Niterói, no dia 8 de março de 1998, Tim tentou cantar, mesmo sabendo de sua má condição de saúde. Não conseguiu e retirou-se sem dar explicações; terminou sendo levado para o hospital numa ambulância, vindo a falecer em 15 de Março em Niterói aos 55 anos e com 140 quilos, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada. No ano seguinte, seria homenageado por vários artistas da música popular brasileira num show-tributo, que se transformou em disco, especial de televisão e vídeo.

5189 – História da Discoteca – Robson e Lincoln


O Dancin’ Days, inaugurado em 5 de agosto de 1976, iniciou o conceito de discoteca no Brasil. Antes havia bares e boates, mas era diferente. Lugares pequenos, comportados, que muitas vezes selecionavam quem podia entrar. O Dancin’ Days era como um cinema: você comprava o ingresso numa bilheteria e entrava. Isso de não ter nem couvert nem consumação, de você ir lá no bar e pegar o que fosse beber, era novidade.
A figura do DJ já existia. O próprio Dom Pepe, que foi nosso DJ, tocou na Sucata. E havia ainda o Ademir Lemos, genial, que era do Le Bateau; o Monsieur Limá, que era do Arpége, no Leme; o DJ Amândio, que era do Sótão, uma boate da Galeria Alaska, em Copabacana. E, claro, havia o DJ Big Boy, que fazia os Bailes da Pesada no Canecão.
Quem entrasse no Frenetic Dancin’ Days deparava com uma sala que levava a uma espécie de túnel, embaixo de uma arquibancada, toda forrada de jeans. A pista de dança era quadriculada, em preto-e-branco. Cabiam umas 800 pessoas lá. A discoteca ficava no quarto andar do shopping, onde, quatro meses depois de aberta, foi inaugurado o Teatro dos Quatro, do ator Sérgio Britto.
A disco music brasileira tinha muita coisa que era cópia da música norte-americana, mas não era o caso das Frenéticas. Elas tinham cara própria, eram muito ligadas aos caras que fizeram os Dzi Croquettes. Era teatro de revista, um pouco de escola de samba também, um pouco de cinema, de chanchada… Uma coisa muito brasileira. Elas gravavam músicas do Gonzaguinha, do Chico Buarque… O trabalho delas era bem- feito, uma coisa muito original e audaciosa para a época, especialmente se lembrarmos como elas se vestiam (espartilhos, cintas-ligas), como elas falavam, como elas se apresentavam. A crítica, em geral, recebeu as meninas muito bem.
No auge da disco music brasileira, vários artistas gravaram o gênero. O Tim Maia gravou Tim Maia Disco Club, talvez o melhor disco da vida dele. Também tinha a Lady Zu, que era ótima; a Banda Black Rio, que começou com as Frenéticas… O fenômeno se espalhou, o que era natural. Naquela época, apareceram também as Harmony Cats, que era outro grupo vocal feminino de disco music (elas gravaram um medley de músicas do gênero para a trilha sonora internacional da novela Dancin’ Days). Mas, nesse estilo, as Frenéticas foram as pioneiras no país.
A disco music começou no Brasil com as Frenéticas, que nem tinham muito a ver com funk e com soul. Pelo contrário, era uma espécie de disco-rock. Elas gravavam muito rock também, mas eram músicas dançantes. E os músicos que tocaram com as Frenéticas eram de rock, era o pessoal do Bixo da Seda, além do Roberto de Carvalho, que preparou as meninas para o estúdio. O primeiro disco delas foi produzido por Liminha, que havia sido baixista dos Mutantes e da Companhia Paulista de Rock. Foi a primeira produção dele.
Lincoln Olivetti
Pioneiro na utilização da eletrônica a serviço da música, Lincoln Olivetti manipulou com maestria o rock e o pop nacional na virada dos anos 70. Um de seus dons era aproximar os artistas e o hit parede sem ferir as convicções artísticas. Assim, popularizou o arranjo, criando frases sonoras reconhecíveis rapidamente. A transformação da roqueira Rita Lee em meteoro pop deve muito a seu trabalho – ele é praticamente co-autor de “Saúde”, “Mania de Você” e “Lança Perfume”. Outro artista beneficiado foi Tim Maia, que entrou com o pé direito na onda disco. E vieram Gal Costa, Gilberto Gil, Jorge Ben, Roberto Carlos, Caetano…
Natural de Nilópolis (RJ), Olivetti estudou música e engenharia eletrônica, o que lhe deu gabarito para trabalhar com bateria eletrônica e sintetizadores, recursos que apenas começavam a definir a cara do pop internacional. O domínio da nova estética também contou com o talento de Robson Jorge. Juntos emplacaram “Aleluia”, em 1982. Porém, com a onipresença veio a saturação – e as críticas de que ele “pasteurizava” o som dos anos 80. A fama de Olivetti foi resgatada no fim dos anos 90 por Ed Motta e Lulu Santos, dois admiradores de seu estilo. Para o parceiro Robson Jorge, porém, já era tarde. Ele morreu esquecido, em 1993, depois de anos de abuso alcoólico.