13.641 – Ciência no Cinema – A Teoria de Tudo


A teoria de Tudo
Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa quando tinha apenas 21 anos.
O filme narra a vida do cientista Stephen Hawking, responsável pela teoria sobre buracos negros e portador de esclerose lateral amiotrófica, que o confinou a uma cadeira de rodas e a uma expectativa de vida de dois anos, quando ainda era jovem. Pois o ator Eddie Redmayne (Os Miseráveis) está absolutamente impecável no papel do protagonista. Ele passa a maior parte do filme mudo, por conta da evolução da doença do personagem, mas adota um repertório de trejeitos e postura (a maneira como ele – não – sustenta o ombro torto, por exemplo) incrivelmente semelhantes aos de Hawking – o resultado é um registro quase que documental sobre o biografado.
James Marsh (vencedor do Oscar de melhor documentário com O Equilibrista) soube aproveitar com sensibilidade o extenso material da vida do estudioso, baseado nas memórias da própria (primeira) esposa de Stephen Hawking, Jane Hawking – interpretada com sutileza por Felicity Jones (O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro), que passa da excitação do início da relação ao visível cansaço (humano) decorrente dos cuidados com o marido.

O roteiro (de Anthony McCarten) tinha tudo para ser um dramalhão daqueles (afinal, estamos falando de Hollywood), mas se converte em um retrato que, para além de fiel, é poético e (surpresa!) bem-humorado. Ao mesmo tempo em que A Teoria de Tudo é apresentando com leveza, o filme também não foge de polêmicas que poderiam chocar a audiência mais conservadora, a principal delas envolvendo um triângulo amoroso. Em um dado momento, um terceiro elemento, Jonathan Hellyer Jones (Charlie Cox) entra para a vida do casal. Cada um dos personagens tem consciência das suas limitações e, por isso, a iminente mudança na relação é abordada de maneira natural e madura. Não deixa de ser arriscado (afinal, estamos falando de Hollywood).
A fotografia de Benoît Delhomme também chama a atenção: é exuberante, com destaque para a cena do “baile de maio”, quando Stephen joga todo seu charme para Jane, sob as luzes de um carrossel e, em seguida, de fogos de artifício; ou no filtro usado para dar uma cara de caseiro para as cenas do casamento dos dois.
É bem verdade que o contexto geral da trama que envolve as descobertas profissionais – bem como o conhecido ateísmo de Hawking – é deixado de lado para privilegiar a história de amor do casal. Mas é uma opção que, como tal, foi bem executada. E sem a necessidade de muletas (ou cadeira de rodas).

 

13.640 – O Legado de Stephem Hawking


hawking
A carreira de Stephen William Hawking (1942-2018), já seria fantástica para uma pessoa qualquer. Mas Hawking se agigantou ao contrariar a previsão dos médicos de que não sobreviveria a uma doença degenerativa rápida e mortal.
Seu pai, Frank Hawking, era médico, e sua mãe, Isobel Hawking, estudou filosofia, política e economia. Ambos se formaram pela Universidade de Oxford, onde viviam. Ele inglês, ela escocesa, o casal se conheceu logo após o início da Segunda Guerra Mundial, onde ela trabalhava como secretária e ele, médico.
Stephen foi o primeiro filho dos dois. Depois dele viriam duas irmãs, Philippa e Mary, e um irmão adotado, Edward. Em 1950, quando o jovem Hawking tinha 8 anos, Frank se tornou chefe da divisão de parasitologia do Instituto Nacional para Pesquisa Médica, e a família se mudou para St. Albans. Não tinham luxos e eram tidos pelos vizinhos e conhecidos como muito inteligentes e excêntricos.
Curiosamente, Stephen demorou a engrenar nos estudos. Aprendeu a ler tardiamente, aos 8 anos. Da infância, Hawking se lembra de sua paixão por trens de brinquedo e, mais tarde, aeromodelos. “Meu objetivo sempre foi construir modelos que funcionassem e que eu pudesse controlar”, contou o cientista, em sua autobiografia Minha Breve História, publicada em 2013.
Esse desejo de compreender como as coisas funcionam e controlá-las seria a motivação mais básica para perseguir uma carreira em física e cosmologia, segundo ele. Partiu para estudar física na Universidade de Oxford e estava namorando Jane Wilde, uma amiga de sua irmã, quando, em 1962, começou a sentir os primeiros sintomas de sua doença. Recebeu então o diagnóstico: esclerose lateral amiotrófica.
De progressão usualmente acelerada, ela é caracterizada pela crescente paralisia dos músculos, culminando com a incapacidade de respirar e a morte. O médico previu que Hawking não viveria mais três anos. Não haveria tempo sequer para concluir seu doutorado em física.

Stephen e Jane discutiram aquela situação terrível e decidiram manter o relacionamento. Tornaram-se noivos em 1964, o que, segundo o próprio Hawking, lhe deu “algo pelo que viver”. Casaram-se em 14 de julho de 1965. Tiveram um filho, Robert, em 1967, uma filha, Lucy, em 1970, e um terceiro filho,

Timothy, em 1979. Hawking seguia desafiando o prognóstico médico. De forma jamais vista, a doença se estabilizou e entrou numa marcha lenta sem precedentes. Não que Hawking não tenha pago um alto preço, com a crescente perda de controle do corpo. Mas, surpreendendo a todos, o cientista conseguiu ter uma carreira e uma vida plenas. Mas obviamente a vida da família se tornava cada vez mais difícil. Os anos 1970 marcaram o auge da produção científica de Stephen. Ao fim da década, ele assumiria a cátedra lucasiana na Universidade de Cambridge – a mesma que havia sido ocupada por Isaac Newton séculos antes –, onde permaneceria por mais de três décadas, até se aposentar. E foi nessa mesma época que ele de fato encantou o mundo com sua pesquisa.

O maior feito científico do físico inglês foi demonstrar que os buracos negros não são completamente negros, e sim emitem uma pequena quantidade de radiação. Até então, pensava-se que esses objetos – normalmente fruto da implosão de uma estrela de alta massa que esgotou seu combustível – fossem literalmente imortais. Como nada consegue escapar de seu campo gravitacional, inclusive a luz, o futuro do cosmos tenderia a ter somente buracos negros gigantes, que permaneceriam para todo o sempre.

Contudo, ao combinar efeitos da mecânica quântica à relatividade geral, Hawking descobriu que a energia do buraco negro poderia “vazar” lentamente na forma de radiação. Com isso, ao longo de zilhões de anos, até mesmo esses parentemente indestrutíveis objetos tendem a deixar de existir.

Se Hawking cativou os físicos com essa previsão surpreendente – que só não lhe valeu um Prêmio Nobel pela dificuldade extrema de detectar a sutil radiação emanada de um buraco negro –, ele conseguiu capturar com igual habilidade a imaginação do público, com vários livros de divulgação científica, a começar pelo bestseller Uma breve história do tempo, de 1988.

A imagem do “gênio preso a uma cadeira de rodas que se comunica por um sintetizador de voz” era irresistível demais para a mídia, e Hawking soube usar sua fama em favor de causas importantes, como a defesa dos direitos dos deficientes físicos ou a advocacia da exploração espacial. De forma igualmente surpreendente, tornou-se um ícone da cultura pop.

Em 1992, Hawking participou, como ele mesmo, de um episódio da série de TV Jornada nas estrelas: A nova geração. Numa cena muito interessante, ele aparece jogando pôquer com Isaac Newton, Albert Einstein e o androide Data, um dos personagens principais do programa. Dois anos depois, o grupo Pink Floyd inclui trechos de falas do sintetizador de Hawking na música “Keep talking”. Em 2007, em comemoração aos seus 65 anos, o físico faz um voo parabólico em avião para experimentar a mesma ausência de peso que se sente no espaço. E em 2012 ele fez uma ponta num episódio da série de comédia americana The Big Bang Theory.

Essa cortina de fama, contudo, não conseguia esconder as dificuldades de Hawking na vida pessoal. Ao final da década de 1970, Jane, compreensivelmente, se apaixonou por um organista de igreja que se tornara amigo da família, Jonathan Hellyer Jones. A relação passou muito tempo num estágio platônico e acabou evoluindo com a aceitação de Hawking. Diz Jane que ele concordou, “contanto que eu continuasse a amá-lo”. No fim, o casamento acabou chegando ao fim depois que o cientista acabou se apaixonando por Elaine Mason, uma das enfermeiras que lhe prestavam cuidados. Hawking casou-se pela segunda vez em 1995, e o novo relacionamento durou até 2006. Houve rumores de que Elaine o agredia, mas Stephen jamais quis prestar queixa, deixando a situação no ar. “Meu casamento com Elaine foi apaixonado e tempestuoso. Tivemos nossos altos e baixos, mas o fato de Elaine ser enfermeira salvou minha vida em diversas ocasiões”, resumiu, em sua autobiografia.
Apesar da fama, Hawking nunca gostou de discutir seus problemas pessoais em público, e durante todo esse período, não houve exceção. Em compensação, sua celebridade pode tê-lo levado a violar um dos mais básicos princípios do comportamento acadêmico: não se deve fazer afirmações extraordinárias sem evidências igualmente extraordinárias.

Em 2004, o pop-star britânico anunciou ter solucionado um dos mais intrigados problemas ligado à física de buracos negros, o chamado “paradoxo da informação”. É basicamente a ideia de que a informação codificada no interior das partículas que caem no buraco negro é destruída e desaparece do Universo para sempre. Os físicos consideram isso paradoxal porque as leis físicas funcionam justamente em razão das condições anteriores do sistema. Se você parte de um estado “desinformado”, não há como aplicar as teorias sobre ele para saber o que acontece depois ou determinar o que ocorreu antes.

Ao dizer que teria resolvido o dilema, Hawking chamou a atenção dos físicos do mundo inteiro. Mas ele nunca apresentou cálculos que demonstrassem isso. Dez anos depois, em 2014, repetiu a dose, dizendo ter concluído que buracos negros podem nem existir.

Mais uma vez um choque: a imensa maioria dos cientistas já estava convencida de que esses fenômenos são reais, depois de estudá-los a fundo – embora só por meio de equações. Mas Hawking de novo não apresentou o devido embasamento matemático para demonstrar sua conclusão bombástica.
A situação é perfeitamente compreensível, dada a extrema dificuldade que Hawking tinha para se comunicar. Só o fazia por meio de um computador, que traduzia pequenos movimentos da bochecha em letras e palavras, que então são expressas por meio de um sintetizador de voz. Imagine a dificuldade do cientista em desenvolver suas ideias, altamente matemáticas, valendo-se apenas de sua mente para proceder com os cálculos. É natural que o pesquisador tenha passado o fim da vida desenvolvendo apenas artigos sumários, na esperança de que outros fisgassem as ideias e as desenvolvessem mais concretamente.
Fora do âmbito acadêmico, Hawking também soube usar muito bem sua fama, ao alertar para riscos existenciais à humanidade ocasionados pelo progresso tecnológico, em especial a inteligência artificial. “As formas primitivas de inteligência artificial que temos agora se mostraram muito úteis. Mas acho que o desenvolvimento de inteligência artificial completa pode significar o fim da raça humana”, disse o cientista, em 2014.
Convencido de que a humanidade precisa colonizar outras partes do Universo para sobreviver a esse e outros riscos à nossa existência, Hawking era um dos primeiros passageiros na lista de espera da empresa Virgin Galactic, que deve realizar voos espaciais suborbitais nos próximos anos. Morreu aos 76 anos, em Cambridge, sem ter realizado este sonho.

11.182 – Exploração Espacial – Cautela na Busca por ETs


ETs2

Alguns cientistas acreditam que o encontro com alienígenas pode não ser tão agradável. O temor tem bases terrenas. Por aqui, ao longo da história, civilizações mais avançadas sempre subjugaram seus pares menos poderosos. A premissa não é unânime: como no nosso planeta, a evolução moral pode acompanhar o progresso tecnológico.
A visão pessimista dessa investigação tem um aliado muito respeitado na área. O físico britânico Stephen Hawking aconselha: os humanos não deveriam anunciar com tanto entusiasmo sua existência. Para ele, é provável que haja vida inteligente fora da Terra. E para nós, é melhor que ela permaneça distante.
Mundialmente famoso por seus trabalhos sobre o universo, Hawking acha temerário emitir sinais a fim de procurar seres extraterrestres. Ele considera provável que outras civilizações, com tecnologia muito mais avançada do que a humana, poderiam gostar do contato – e vir para a Terra em busca de seus recursos naturais.
Contrariando a recomendação, a Terra tem se mostrado bem receptiva. Há seis décadas, a emissão de sinais de rádio inaugurou a fase científica da busca por inteligência extraterrestre. Desde então, muitos foram os esforços para procurar vida no espaço e divulgar nosso planeta pelo universo.
Há 35 anos, por exemplo, as sondas Voyager partiram em uma viagem de descobrimento. Cada uma delas possui um “golden record”, disco dourado que contém informações sobre a nossa civilização, a nossa cultura e a nossa localização na galáxia. Neste momento, as duas naves, representantes terráqueas mais distantes de seu planeta natal, se preparam para abandonar o Sistema Solar.
Os discos dourados são apenas duas das diversas mensagens que a Terra envia a possíveis “vizinhos”. Mais recentemente, em 2008, a Nasa lançou no espaço a canção Across the Universe, dos Beatles, enviando uma mensagem de paz que deve chegar à região de Polaris em 2439.
Não se sabe quem – ou o quê – poderia receber essas mensagens. Por isso, outro renomado físico, o americano Michio Kaku, disse em entrevista à rede CNN em 2012 que, embora o hipotético contato com extraterrestres tendesse a ser amigável, seria importante a humanidade se preparar para uma hostilidade alienígena. “Seria como um encontro entre Bambi e Godzilla”, comparou.

Tal preocupação é vista como um ato de bom senso por Jorge Quillfeldt, pesquisador em astrobiologia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Embora evite visões alarmistas, ele se apega à história da humanidade – único caso conhecido de vida no universo – para afirmar que, se um contato com alienígenas ocorrer, é provável que tenha consequências negativas aos terráqueos. Em uma analogia semelhante, Hawking lembrou como a descoberta da América foi danosa aos povos nativos do continente.

“A história humana não é muito bonita”, diz Quillfeldt. “É baseada em povos com ligeira ou grande superioridade tecnológica e cultural conquistando outros povos. Povos mais fortes, com capacidade de guerrear maior ou tecnologia maior, acabam subjugando outros, quase sempre de forma negativa e destruidora”.

Wuensche, contudo, acha possível que uma civilização muito mais avançada não tenha interesse predatório – situação também cogitada por Quillfeldt. “É possível supor que, se acontecer um contato, os povos mais desenvolvidos tenham o cuidado de não chegar na hora errada, de monitorar a Terra e se aproximar no momento certo”, avalia o neurocientista.
Já para Milan Ćirković, professor e pesquisador do Observatório Astronômico de Belgrado, na Sérvia, e pesquisador associado do Instituto do Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford, na Inglaterra, o risco é extremamente exagerado. Ele afirma que o progresso científico e tecnológico da humanidade vem acompanhado de progresso moral, citando a rejeição a práticas respeitadas no passado, como a escravidão.

Ćirković entende que possíveis civilizações que se dedicam à expansão interestelar devem ser moralmente superiores, o que incluiria um elevado grau de tolerância e compreensão para aqueles de tecnologia e moral inferiores. “Acredito na mesma tendência para o futuro, ou, então, uma civilização de tecnologia avançada se destruiria muito antes de se aventurar em voos espaciais interestelares”.
Entre os especialistas, há quase um consenso de que vida inteligente extraterrestre não será encontrada nos próximos anos. Wuensche diz aguardar pela identificação fora da Terra de uma forma de vida simples, como uma bactéria. Também não acredita em contato direto, como na coleta de material por um astronauta, mas pela exploração de sondas, como ocorre em Marte, atualmente.
“Há vida, sim, mas não vamos encontrar ETs ou naves espaciais”, concorda Quillfeldt, acrescentando que a ideia principal na comunidade astrobiológica indica que, se houver vida em outros planetas, é provável que seja unicelular, como a que originou os demais seres vivos na Terra.
Ćirković, por sua vez, crê na possibilidade de contato inteligente, mas não em curto prazo. Para ele, a humanidade está mais propensa a detectar vestígios de atividades ligadas à megaengenharia em civilizações extraterrestres avançadas do que receber suas mensagens intencionais.
Enquanto isso, a sonda Curiosity avança em Marte, uma empresa holandesa planeja colonizar o planeta vermelho, os telescópios Hubble e Kepler desvendam estrelas distantes, um telescópio espacial pode ser construído graças ao crowdfunding, a captura de um asteroide entra no cronograma da Nasa e o turismo espacial dá seus primeiros passos. A busca continua.

10.856 – “O avanço da inteligência artificial pode alavancar o fim da raça humana”


Filme de 2001
Filme de 2001

É a opinião de Stephen Hawking:
Nas últimas semanas, o físico Stephen Hawking afirmou que está trabalhando em um upgrade no seu sistema de comunicação. Mesmo sendo de seu interesse, o icônico professor está desconfiado das implicações envolvidas no avanço da inteligência artificial. Em suas palavras, “seu desenvolvimento pode ser o fim da raça humana”.
No começo do ano, Hawking deu uma entrevista dizendo: “Se nós conseguirmos fazer robôs mais espertos que os humanos; eles serão capazes de superar os pesquisadores e manipular os líderes da raça humana, inventando armas impossíveis de entender”.
Em (2/12/2014), quando conversava com a BBC, o físico ressaltou a utilidade das formas primitivas já existentes de IA, mas teme as consequências de criarmos algo que ultrapasse nossas próprias capacidades: “Esta inteligência viveria por conta e redesenharia a si própria a níveis sempre crescentes. Humanos, que são limitados por sua lenta evolução biológica, não poderiam competir, logo seríamos substituídos”.
Sobre as alterações no seu sistema de comunicação, Stephen Hawking disse que não se interessa em mudar muito: “Minha voz se tornou uma marca, não vale a pena mudar para uma voz mais natural com um sotaque britânico (o cientista é inglês). Uma vez me disseram que as crianças pediam para que os computadores com vozes tivessem algo próximo da minha”.

10.768 – Interestelar – O que a Física tem a dizer sobre o filme?


astrofisica

O filme que retrata buracos negros, wormholes e viagem no tempo é uma experiência e tanto. Principalmente àqueles que sempre se interessaram por galáxias distantes e pelas teorias dos físicos Stephen Hawking e Kip Thorne.
Thorne, aliás, foi uma das principais inspirações de Christopher Nolan e seu irmão, Jonathan, na realização do filme. Conhecido por sua expertise no campo da relatividade geral, o físico também se tornou responsável pela área de “fidelidade científica” do longa. Sobre isso, Thorne reuniu todas as experiências de trabalho em Hollywood para escrever o livro “The Science of Interstellar”, lançado no dia 7 de novembro.
Em entrevista à ScienceAaas, o cientista contou um pouco sobre a sua impressão final do filme protagonizado por Matthew McCounaghey lançado no dia 6 de novembro. “Em sua essência, a história mudou completamente. A não ser pela ideia de que temos exploradores deixando a Terra e usando wormholes para visitar outras galáxias, é basicamente tudo trabalho do Nolan. Mas a visão continuou, a visão de um filme baseado em ciência real, seja ela verdade ou especulação. Isso foi preservado, agradando muito a mim e a minha mulher”.
Quando perguntado sobre a “praga” que assola a Terra no filme, ele diz: “A gente reuniu os melhores cientistas e estudiosos sobre pragas para um jantar. Aí Jonathan, minha mulher Lynda e eu conversamos com eles sobre fatores biológicos capazes de acabar com o nosso planeta”.
Para o físico, algo trazido pelo diretor Christopher Nolan foi uma surpresa muito agradável: “Quando ele me disse que estava pensando em usar o tesseract (análogo a um cubo 4D), senti um grande impacto. O que ele criou nesse filme é mais complexo do que tudo já visto no cinema. É fascinante e lindo”.
Kip Thorne acredita que a reprodução do buraco negro realizada em ‘Interestelar’ é “maravilhosa”. No geral, o cientista acha que foi um ótimo trabalho em parceria: “Para mim, é uma descoberta impressionante saber que tudo isso produzido foi resultado de uma colaboração entre cientistas e artistas”.

8639 – Mega documentário- Stephen Hawking diz que médicos já cogitaram desligar seus aparelhos


Em novo documentário sobre a sua vida, com lançamento previsto para setembro deste ano, o cientista britânico Stephen Hawking diz já ter ficado tão doente que, em 1985, médicos sugeriram que os aparelhos que o mantinham vivo fossem desligados. Segundo reportagem publicada neste domingo no jornal The Sunday Times, nessa época o cientista estava escrevendo o best-seller Uma Breve História do Tempo, que já vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo. No filme, Hawking revela que quase não conseguiu terminar a obra.
Stephen Hawking é considerado o cientista vivo mais famoso do mundo. Há cinco décadas, com 21 anos de idade, ele foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa que paralisou todos os movimentos de seu corpo ao longo dos anos. Na ocasião, os médicos deram a Hawking somente dois anos de vida.
Em 1985, o cientista ainda vivia na Suíça quando contraiu uma forte pneumonia que o obrigou a passar semanas em uma UTI. A sugestão dos médicos sobre desligar os aparelhos foi feita à primeira esposa de Hawking, Jane, mas ela se negou e pediu que o físico fosse transferido para Cambridge, na Inglaterra. Hoje com 71 anos, Hawking considera que as semanas naquela UTI foram “os momentos mais obscuros” de sua vida.
Embora o cientista tenha melhorado e conseguido finalizar sua obra prima, a consequência do tratamento foi a perda da capacidade de falar. Desde então, ele se comunica através de um sofisticado aparelho sintetizador de sua voz.

Vida pessoal
No documentário, intitulado Hawking, o físico fala também de seus dois casamentos e dois divórcios. Hoje ele mantém uma boa relação com sua primeira mulher e mãe de seus três filhos, e dedica o filme a ela. Durante seu segundo casamento, com uma de suas enfermeiras, Elaine Mason, houve a suspeita de que o cientista teria sofrido violência doméstica por parte da esposa. Ele sempre negou e atribuiu as acusações a “invenções da imprensa”.
Hawking, durante o filme, diz não ter “nenhuma pressa” ou medo de morrer. Ele falou mais uma vez sobre um de seus sonhos: o de viajar para o espaço por meio de uma aeronave da Virgin Galactic, empresa de viagens interespaciais do milionário Richard Branson, que já convidou o físico para o voo inicial.

8591 – Astronomia – O brilho paradoxal dos astros sem luz


buraco negro

Buracos negros são corpos de densidade altíssima que, de acordo com a Teoria da Relatividade, devem existir em diversas partes do Universo. As observações dos astrofísicos tendem a confirmar a existência desses corpos, indicando que, na prática, eles pertencem a duas categorias distintas. A primeira é a dos supermonstros, cuja massa pode ser entre 1 milhão e 1 bilhão de vezes maior que a do Sol. Os astros dessa classe estão associados aos núcleos das galáxias ou aos quasares, objetos superbrilhantes, situados a distâncias imensas. Em outras palavras, os buracos gigantes estão ligados à evolução das galáxias. Já a segunda categoria, que reúne corpos bem menores, com massas de três a dez vezes maior que a do Sol, aparecem em estrelas duplas e estão ligados à evolução das estrelas.
Muito já se especulou sobre a possibilidade de haver uma terceira categoria: a dos microburacos, cuja massa não seria medida em muitos quatrilhões de toneladas, mas em simples toneladas, ou até em quilos e gramas. Apesar de terem massa reduzida, esses objetos também têm um volume muito pequeno, e isso garante sua alta concentração de matéria, que é a característica central dos buracos negros.
O teórico inglês Stephen Hawking tem feito muito para popularizar os pequenos astros escuros. Eles são diferentes dos corpos das outras categorias porque podem “evaporar”. Melhor dizendo, eles emitem partículas subatômicas. Parece um pouco estranho à primeira vista pois é sabido que nos buracos negros tudo pode entrar e nada pode sair. Então, como é que sai algo dos miniastros?
É que, quando se trata de objetos de dimensões atômicas, começam a aparecer fenômenos que somente são explicados pela Mecânica Quântica. Por isso, antes de pensar nos pequenos buracos negros, vamos ver o caso da radioatividade, que é feita de partículas escapando do núcleo atômico, mesmo quando não têm energia suficiente para isso. Segundo o chamado Princípio de Heisenberg, é impossível determinar com absoluta precisão se uma dada partícula está dentro do núcleo ou fora dele. Dito de outra maneira, se a partícula de fato está dentro, ela também tem uma probabilidade de estar fora. Portanto, ela pode eventualmente sair.
Tal raciocínio parece não estar muito de acordo com o senso comum, mas a radioatividade é um fenômeno comprovado. Um raciocínio análogo se aplicaria aos buracos negros de dimensões muito pequenas. Eles teriam uma espécie de radioatividade natural. Ocorre, entretanto, que, se isso acontece, sua massa e seu diâmetro vão diminuir com o tempo. Isso aumenta o ritmo da perda de massa, levando gradualmente à total evaporação.
Esses objetos minúsculos existem apenas na imaginação dos cientistas. Jamais alguém comprovou a sua existência na natureza. Também não se consegue conceber nenhum processo pelo qual eles poderiam ser criados durante a evolução de uma estrela ou mesmo de um planeta. Os mais resistentes argumentam que microburacos negros poderiam ter surgido durante o Big Bang, a grande explosão que deu origem ao Universo. Nesse caso, deveríamos observar, ainda hoje, o processo de sua evaporação. Isso também nunca foi registrado. A conclusão é que esses objetos criados no papel, a partir da pura imaginação, ou não existem no mundo real ou então são extremamente raros.

8150 – Mega Byte – Falando com a Máquina e pela Máquina


Pessoas com deficiências físicas que tem dificuldade com a fala e a coordenação podem começar a se comunicar pelo ORAC, um computador portátil lançado na Inglaterra. Capaz de sintetizar a voz a partir de palavras ou frases digitadas em seu teclado–que são plaquinhas muito sensíveis ao toque–, o ORAC pode armazenar a fala, recebida par meio de um microfone, com a vantagem de se adaptar às várias velocidades de discurso. Desenvolvido na Universidade de Lancaster, o equipamento pode ainda ser acoplado a cadeiras de rodas. O modelo mais simples é especialmente útil para crianças com deficiência física, que podem passar aos modelos mais completos conforme aprendam a se comunicar.
Como Stephen Hawking consegue falar?
O físico britânico Stephen Hawking, ajudou a entender a origem do universo, o papel dos buracos negros e, de quebra, escreveu as 262 páginas do maior best-seller da ciência para leigos: Uma Breve História do Tempo. E fez isso sem conseguir mover o corpo.
O problema dele: aos 21 anos, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, doença que afeta células nervosas responsáveis pelo controle da musculatura. Os médicos lhe deram 2 anos de vida. A doença afetou a fala, cada vez mais desarticulada, mas ele conseguia se comunicar. Ditou à secretária o rascunho do livro em 1984.
No ano seguinte, porém, Hawking teve uma pneumonia grave e precisou fazer uma traqueostomia de emergência. Foi então que perdeu de vez a voz. Mudo e quase todo paralisado, passou a levantar uma sobrancelha quando alguém apontava para letras. Mais tarde adotou o software Equalizer, que permite escrever frases selecionando palavras de um menu com um toque da mão. Por fim, um sintetizador de voz instalado com o Equalizer trouxe de volta a fala, ainda que eletrônica.
Hawking ocupou a cadeira de Isaac Newton na Universidade de Cambridge até 2009 comunicando-se apenas com um botão. E reclama: “O sintetizador me dá um sotaque americano”.

Como Hawking escreve e pronuncia seus discursos:

Um tablet é instalado em um suporte de metal acoplado a um dos braços da cadeira.
No menu há termos prontos, como “sim”, e uma lista de palavras em ordem alfabética, além da função Soletrar.
Um sensor nos óculos capta movimentos da bochecha usados para escolher as frases.
O texto completo é enviado ao sintetizador, que cria a voz simulando entonação, segundo Sam Blackburn, assistente de Hawking. O som sai atrás do suporte do computador.
Para palestrar, ele escreve o discurso antes. Na hora da participação, envia ao sintetizador uma frase por vez, o que deixa a fala mais natural.

Hawking no dia a dia
Stephen Hawking tem na cadeira de rodas um controle remoto universal que usa para acender luzes, abrir portas e usar TV, DVD e aparelho de som.

8025 – Deus, a Ciência e Eu – Stephen Hawking


Raio do Universo
Raio do Universo

Ele talvez seja o cara que mais entende de Universo no mundo. O que ele tem a dizer sobre Deus? E sobre design inteligente – teoria segundo a qual certas características do Cosmos e dos seres vivos, de tão complexas, só poderiam ter sido “projetadas” por um Criador? Hawking já falou e escreveu bastante sobre os dois temas. Às vezes, tem-se a impressão de que ele é ateu. Outras vezes, que admite a possibilidade de um ser sobrenatural. Pouco importa. O importante são os argumentos do cientista – e as reflexões que eles suscitam.
No livro Uma Breve História do Tempo, sua obra mais famosa, o doutor em cosmologia Stephen William Hawking usa a física teórica para responder à maioria das questões sobre a origem e os mistérios do Universo. Ele defende, entre outras teses, que o espaço e o tempo não têm começo nem fim – um conceito que desafia o dogma teológico da Criação divina. “Desde que o Universo tenha um começo, podemos supor que ele teve um Criador”, escreve o cientista. “Mas, se o Universo é completamente autocontido, não tendo fronteiras ou bordas, ele não poderia ser nem criado nem destruído… Ele simplesmente seria. Que lugar haveria, então, para um Criador?”

Deus também é colocado contra a parede em Buracos Negros, Universos-Bebês e Outros Ensaios (Editora Rocco). Nesse livro, Hawking defende que, se o Criador existe, é Ele quem obedece às leis do Universo, e não o contrário. “Se Ele existe.” O cientista admite, portanto, a possibilidade da existência de Deus. Será? A julgar por uma entrevista concedida ao jornal alemão Der Spiegel, parece que sim, Hawking admite. “O que tenho feito é demonstrar que o surgimento do Universo pode ter sido determinado pelas leis da ciência”, declarou. “Mas isso não prova que Deus não existe. Prova apenas que ele não é necessário.”
Independentemente do que pense sobre Deus, Hawking demonstra um profundo respeito pela fé das pessoas comuns. E, apesar de ter ajudado a estabelecer teorias que afrontam a versão bíblica para a origem de tudo, mantém uma boa relação com a Igreja Católica. Em 1975, chegou a ser condecorado pessoalmente pelo papa Paulo 6º, em reconhecimento aos “notáveis” trabalhos no campo da cosmologia. Mais tarde, em 1981, foi recebido por João Paulo 2º, depois de conferir uma série de palestras sobre astrofísica no Vaticano. Nessa ocasião, ouviu uma reprimenda do pontífice.

Um pouco +

Nascido em Oxford em 8 de janeiro de 1942, ele é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Doutor em cosmologia, foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge, onde hoje encontra-se como professor lucasiano emérito, um posto que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage. Atualmente, é diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.
nasceu exatamente no aniversário de 300 anos da morte de Galileu. Seus pais eram Frank Hawking, um biólogo pesquisador que trabalhava como parasitólogo no Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Londres, e Isabel Hawking. Teve duas irmãs mais novas, Philippa e Mary, e um irmão adotivo, Edward. Hawking sempre foi interessado por ciência. Em sua infância, quando ainda morava em St. Albans, estudou na St Albans High School for Girls (garotos de até 10 anos eram educados em escolas para garotas) entre 1950 e 1953 – ele foi um bom aluno, mas não era considerado excepcional.

Entrou, em 1959, na University College, Oxford, onde pretendia estudar matemática, conflitando com seu pai que gostaria que Stephen estudasse medicina. Como não pôde, por não ser disponível em tal universidade, optou então por física, formando-se três anos depois (1962). Seus principais interesses eram termodinâmica, relatividade e mecânica quântica. Obteve o doutorado na Trinity Hall em Cambridge em 1966, onde é atualmente um membro honorário. Nesta época foi diagnosticada em Stephen W. Hawking a doença degenerativa ELA (esclerose lateral amiotrófica). Depois de obter doutorado, passou a ser investigador e, mais tarde, professor nos Colégios Maiores de Gonville e Caius. Depois de abandonar o Instituto de Astronomia em 1973, Stephen entrou para o Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica tendo, entre 1979 e 2009, ano em que atingiu a idade limite para o cargo, ocupado o posto de professor lucasiano de Matemática, cátedra que fora de Newton, sendo atualmente professor lucasiano emérito da Universidade de Cambridge.
Casou pela primeira vez em julho de 1965 com Jane Wilde, separando-se em 1991. Casou depois com sua enfermeira Elaine Mason em 16 de setembro de 1995. Hawking continua combinando a vida em família (seus três filhos e um neto) e sua investigação em física teórica junto com um extenso programa de viagens e conferências.

Hawking é portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais, sendo uma doença que ainda não possui cura.
A doença foi detectada quando tinha 21 anos. Em 1985 teve que submeter-se a uma traqueostomia em decorrência do agravamento da ELA (ALS, sigla em inglês) após ter contraído pneumonia e, desde então, utiliza um sintetizador de voz para se comunicar. Gradualmente, foi perdendo o movimento dos seus braços e pernas, assim como do resto da musculatura voluntária, incluindo a força para manter a cabeça erguida, de modo que sua mobilidade é praticamente nula.
Em 9 de janeiro de 1986, foi nomeado pelo papa João Paulo II membro da Pontifícia Academia das Ciências.
Recentemente fez uma participação numa propaganda do Discovery Channel chamada Eu amo o Mundo, onde ele disse “Boom De Ya Da”.

Em 2012, participou de um episódio de The Big Bang Theory, onde conversa com Sheldon Cooper.
E mais recentemente participou na cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos de Verão de 2012.

Filosofia religiosa
Hawking se descreve como ateísta agnóstico. Ele repetidamente tem usado a palavra “Deus” em seus livros e discursos, mas segundo ele próprio, no sentido metafórico e relativo. Sua ex-esposa Jane já afirmou que durante o processo de divórcio, ele se descreveu como ateu. Hawking declarou que não é religioso no sentido comum, e que acredita que “o universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido criadas por um Criador, mas um Criador não intervém para quebrar essas leis”. Hawking comparou a ciência e a religião durante uma entrevista, dizendo “há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade; e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque ela funciona”.

Em alguns trechos de seus livros, Hawking também parece seguir uma linha de pensamento baseado em Einstein ou em Leibniz, que se aproxima muito ao Deísmo no que tange à admiração e o deslumbre pela ordem presente no universo, mas não necessariamente implica a admissão da existência de deidade(s) por tudo responsáveis como fazem os deístas.

Polêmica
Porém, em seu mais recente e polêmico livro “The Grand Design”, Hawking contradiz suas antigas declarações sobre a ideia de um criador e afirma que “Deus não tem mais lugar nas teorias sobre criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física”. No livro, numa declaração controversa, afirma que “Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos”, dizendo que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da lei da gravidade. Hawking também cita a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbita uma estrela fora do Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos.

Assista ao vídeo a seguir, é preciso ativar as legendas.
Nota: Dos 3 participantes apenas Hawking ainda está vivo.

5264 – Deus Existe?


Novo filão literário está dedicado a discutir o Divino – aquele mesmo, um Criador Onipotente e Onisciente! – à luz da física e da matemática, da química e da biologia.
O culpado, ao que tudo indica, é o físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac Newton na ultra-prestigiosa Universidade de Cambridge e um dos principais teóricos dos buracos negros. Hawking, todo mundo sabe, realizou um milagre digno do Grande Arquiteto Celestial ao vender mais de dez milhões de cópias de um tratado de cosmologia e astrofísica, denso o suficiente para fritar o cérebro do público leigo. Publicado em 1988, Uma Breve História do Tempo tornou-se o mais inesperado best seller da história e até filme virou – não sem antes deixar no ar, bem no parágrafo final, uma sedutora insinuação de casamento entre ciência e religião:
“Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo mundo poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos… Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus.”
Aviso importante: Hawking nunca se declarou religioso e usa essa idéia mais como uma frase de efeito, uma metáfora do conhecimento total do Universo. Mas não demorou para outro cientista inglês do alto escalão, o físico Paul Davies, extrair todo um livro – e mais um sucesso comercial de arromba! – levando ao pé da letra as palavras do colega. Acolhido com uma chuva de prêmios destinados à divulgação científica, A Mente de Deus (1992) passa em revista a história da ciência e da filosofia para afirmar, com convicção, que tudo no cosmo revela intenção e consciência.
Alguma transformação radical deve ter ocorrido para que a crença em Deus, assunto que havia se tornado tabu em laboratórios e universidades, renascesse com tanta força. Cem anos atrás, a ciência se projetava como a própria imagem do progresso e da civilização: decifrar todos os mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Era como se estivéssemos em um trem, atravessando planícies ensolaradas, com uma visão cada vez mais ampla de tudo que nos cercava. Nós mesmos havíamos nos tornado os senhores do universo. Ninguém necessitava mais de fantasias como “providência divina”. Conceitos desse tipo – e entidades sobrenaturais em geral – passaram a ser considerado ou uma infantilização neurótica (Freud) ou um meio das classes dominantes subjugarem os pobres e oprimidos (Nietzche e Marx).
Já no final do século passado, o matemático e físico francês Henri Poincaré (1854-1912) tocou no problema de que essas condições iniciais nunca são bem conhecidas. Ele mostrou que mesmo a mecânica de Newton não era determinística no sentido que se pensava. Aí, veio a mecânica quântica e introduziu o conceito de que é impossível se conhecer simultaneamente a posição e o movimento de uma partícula. Esse é o Princípio da Incerteza de Heisenberg, que realmente derrubou aquela atitude científica do tipo ‘conhecemos tudo e podemos prever o futuro’.
Sagan foi um dos raros cientistas a se declarar ateu. A grande maioria prefere o termo “agnóstico”, criado em 1869 pelo biólogo inglês Thomas Huxley – apelidado “buldogue de Darwin” pela sua incansável defesa da teoria da evolução em um dos maiores conflitos da história entre ciência e religião.
Há uma grande diferença entre as duas posições: dizer-se ateu é recusar a existência de um Deus, enquanto o agnóstico (“sem conhecimento”, em grego) admite que nada sabe sobre dimensões sobrenaturais no Universo – e que o mais provável é que seja impossível superar tal ignorância. É essa combinação exemplar de humildade e a diplomacia – nada a ver com o cão-de-guarda que usaram para batizar Huxley! – que define até hoje a postura de quase todos os cientistas não-religiosos.
No outro extremo está o físico Frank Tipler, crente de que a ciência pode – e deve – ser utilizada para provar a existência de Deus, como princípio criador, organizador, onisciente, onipotente etc, como rezam as escrituras. Tipler escreveu todo um livro, The Physics of Immortality (1994), apresentando a versão mais radical de uma visão compartilhada com mais cautela por John Polkinghorne, Paul Davies e os cientistas que apóiam o chamado princípio antrópico – a mais surpreendente teoria dos últimos tempos. Para eles, o modo como o caos espontaneamente gera ordem e todo o cosmo parece conspirar a favor da existência de vida revela atributos divinos como consciência e intenção. A vida, assim, deve ser vista como nada menos que um milagre; e a vida consciente, um milagre maior ainda. O princípio antrópico postula que o Universo foi criado da maneira que nós o percebemos justamente para ser observado por criaturas inteligentes (nós mesmos!) e que é nossa conciência que seleciona uma realidade entre todas as probabilidades quânticas. Não custa lembrar que Brandon Carter, que apresentou pela primeira vez o princípio antrópico em 1973, não é nenhum guru aloprado e sim um cientista respeitadíssimo entre seus pares por suas pesquisas na linha-de-frente da nova física.
A teoria mais aceita para explicar a origem do Universo – a explosão de uma bola de energia – também vale para esses estudiosos como sinal de uma criação intencional e inteligente. Como diz o próprio astrônomo que batizou essa teoria de Big Bang, o inglês Fred Hoyle: “Uma explosão num depósito de ferro velho não faz com que pedaços de metal se juntem numa máquina útil e funcional!”
E o que teria existido, então, antes do Big Bang? Os físicos são unânimes em dizer que é impossível saber. Enquanto houver mistérios intransponíveis para a mente humana, idéias de divindade não só sobrevivem, como proliferam – e até são atualizadas cientificamente.