8483 – Uma Pedra de 5 Trilhões


O mundo vive sua pior crise econômica desde a década de 1930. Mas um pequeno grupo de empresários diz que tem a resposta para acabar com ela e inaugurar a fase mais próspera da história da humanidade. Como? Fazendo uma nova corrida do ouro, como as que aconteceram no Velho Oeste americano e no garimpo brasileiro de Serra Pelada – só que, desta vez, no espaço. Isso porque os asteroides, que só costumam ser assunto quando passam perto da Terra (ou quando fragmentos deles caem aqui, como aconteceu na Rússia em fevereiro, deixando centenas de feridos), são uma enorme fonte de riquezas. Contêm quantidades enormes de ouro, platina e outros metais preciosos. “Todos os recursos naturais que você puder imaginar, energia, metais, minerais e água, existem em quantidades praticamente infinitas no espaço”, diz Peter Diamandis, fundador da empresa Planetary Resources, a primeira a entrar na nova corrida do ouro.
Diamandis não é um sujeito qualquer. Ele é o criador do X Prize, competição que dá US$ 10 milhões de prêmio a quem conseguir realizar determinado feito tecnológico (como mandar um robô até à Lua ou criar uma máquina capaz de ler DNA em alta velocidade, por exemplo). A maior proeza do X Prize até agora foi o desenvolvimento da primeira nave espacial privada, que está sendo preparada para viagens turísticas. Mas, se o conceito de turismo espacial é fácil de entender, a mineração espacial já parece ser ficção científica demais para ser levada a sério. Não é à toa que o principal foco da Planetary Resources e sua recém-apresentada competidora, a Deep Space Industries, agora é buscar financiadores.

A Planetary Resources parece estar mais adiante nesse quesito. Entre seus investidores estão Eric Schmidt e Larry Page, respectivamente presidente e CEO do Google, e Charles Simonyi, programador húngaro-americano que fez fortuna na Microsoft. De quebra, ela tem o cineasta James Cameron na função de consultor. No que diz respeito à qualidade técnica das equipes, ambas as empresas estão muito bem servidas. Reúnem ex-funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, engenheiros que ajudaram a colocar os jipes robóticos Spirit e Opportunity em Marte, e por aí vai. Pessoas que sabem o que estão fazendo. Mas será que estão à altura do desafio, e têm como pagar a conta?

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Diâmetro – 600 metros
Distância da Terra – 12 milhões de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 6,9 trilhões

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Diâmetro – 420 metros
Distância da Terra – 1,5 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 5,28 trilhões

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Diâmetro – 730 metros
Distância da Terra – 1,9 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 1,74 trilhões

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Diâmetro – 1000 metros
Distância da Terra – 1 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 1,31 trilhão

Terra – Lua: 384 mil km
Terra – Marte: 54 a 401 milhões de km (dependendo da órbita)

O maior repositório de asteroides é o cinturão que existe entre as órbitas de Marte e de Júpiter – a uma distância bem grande da Terra. É lá que reside, por exemplo, um asteroide chamado Germania. Estudos telescópicos sugerem que essa pedrona de 169 km de diâmetro é riquíssima em metais preciosos. Pense alto. Mais alto. Mais. Estima-se que o valor dela seja superior a US$ 100 trilhões. É mais do que toda a riqueza produzida no mundo inteiro ao longo de um ano. Mas estima-se que, para explorar todo esse potencial, seria preciso investir US$ 5 trilhões – quase 300 vezes o orçamento anual da Nasa.

Por isso, os primeiros mineradores espaciais estão pensando mais modestamente. A ideia é começar mais perto de casa. O asteroide 2012 DA14, por exemplo, que em fevereiro passou “perto” (a 27 mil km) da Terra, tem valor estimado em US$ 195 bilhões. Mas as naves e os equipamentos necessários para explorá-lo ainda não existem. Antes de começar a construir tudo isso, as empresas de mineração espacial vão fazer um mapeamento detalhado de seus possíveis alvos. Como o asteroide 5143 Heracles, que mencionamos no começo deste texto. Ele fica a 8,6 milhões de quilômetros da Terra – é seis vezes mais perto do que Marte. E há asteroides mais próximos daqui do que a Lua, ou seja, praticamente vizinhos nossos. “Cerca de 900 asteroides que passam perto da Terra são descobertos a cada ano”, afirma David Gump, presidente da Deep Space Industries.

A empresa pretende construir sondas de baixo custo, que farão um reconhecimento dos asteroides. Batizadas de Firefly, são pequenas naves de 25 kg que devem começar a voar em 2015, pegando carona em lançamentos comerciais de satélites. Já para a Planetary Resources, o ponto de partida é lançar uma rede de telescópios espaciais, batizados de Arkid-100, que irão tentar descobrir asteroides que posssam ter passado despercebidos. Em seguida, analisando o albedo (termo técnico para o brilho) dos objetos, os cientistas da empresa tentarão identificar quais são os mais valiosos. Eles querem lançar o primeiro desses telescópios já no ano que vem, a um custo de US$ 1 milhão.

Depois de encontrar e selecionar um alvo, aí sim a Planetary Resources enviaria uma espaçonave, batizada de Arkid-200, para analisar de perto cada metro quadrado do asteroide. “Nós vamos conhecê-lo nos mínimos detalhes antes que cheguemos lá para minerá-lo”, diz Eric Anderson, que comanda a empresa ao lado de Diamandis e é fundador da companhia Space Adventures, que envia turistas à Estação Espacial Internacional (por US$ 20 milhões).
É possível imaginar o que fazer com platina e ouro obtidos de asteroides. Mas eles teriam de ser revendidos bem lentamente, ou seu preço na Terra simplesmente despencaria (pois é justamente a escassez desses metais que os torna valiosos). Por isso, a Planetary Resources e a DSI poderiam levar décadas até recuperar seu investimento. Para antecipar o lucro, alguns subprodutos poderiam ser vendidos no próprio espaço. Certos asteroides são uma fonte riquíssima de água, que pode ser usada para alimentar estações espaciais ou transformada em hidrogênio para abastecer naves. Mas isso só tem valor se tiver gente querendo comprar.

A pesquisa – 2014 e 2015
Uma rede de 15 minissatélites (1 metro de comprimento cada) é lançada e começa a capturar imagens de asteroides, usando câmeras comuns e especiais.

A análise – 2016 a 2019
Essas imagens são analisadas e, a partir delas, identificam-se os asteroides que podem conter minérios de valor.

– 8 800 Asteroides descobertos até o momento
– 900 Asteroides descobertos por ano
– 1 500 Asteroides relativamente próximos da Terra (mais fáceis de alcançar do que a Lua)

A viagem – 2020
Uma ou mais espaçonaves não-tripuladas são enviadas até o asteroide e pousam nele. Essa tecnologia já existe: em 2001, a Nasa conseguiu pousar uma sonda no asteroide Eros, a 313 mil quilômetros da Terra.

A extração – 2020+
Os braços robóticos da nave perfuram o asteroide e sugam os minérios, que são separados, processados e colocados em cápsulas, que são lançadas de volta.

O resultado
Os minérios podem ser comercializados na Terra ou usados como matéria-prima para a construção de bases espaciais. Além de metais pouco valiosos, como ferro, níquel e cobalto, alguns asteroides contêm ouro, platina e paládio. Além disso, eles podem ter até 20% de gelo, que pode ser transformado em:

Água potável – Para alimentar colônias espaciais
Oxigênio – Para respirar
Hidrogênio – Combustível

Um asteroide pode conter até 250 milhões de litros de água.

Torre de Babel – 220 andares em 180 dias
O prédio mais alto do mundo é Burj Khalifa, em Dubai – que tem 163 andares e levou mais de cinco anos para ser construído. Mas uma empresa chinesa diz que pode fazer muito melhor. Ela se chama Broad Sustainable Building Corporation (BSBC) e promete fazer a obra mais ambiciosa de todos os tempos: levantar um prédio de 220 andares, o maior do mundo, em apenas seis meses. E gastar apenas US$ 625 milhões, menos da metade do que o Burj Khalifa custou.

O megaprédio se chama SkyCity e será construído em Changsha, uma metrópole de 7 milhões de habitantes no sul da China. A rapidez tem explicação: o edifício é todo feito de peças pré-fabricadas. “95% das partes chegarão prontas. Parte elétrica, hidráulica, paredes, teto, encanamento”, explica Juliet Jung, vice-presidente da BSBC. Para Luiz Sérgio Coelho, professor de engenharia civil da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), o prazo é exequível se houver planejamento. “Gruas, guindastes, estrutura metálica, tudo já vai estar catalogado e posicionado estrategicamente ao lado da fundação. Um parafuso do 37º andar, por exemplo, já teria dia e hora para ser apertado”.
A BSBC tem experiência em construções ultrarrápidas. Em 2011, ela ergueu um hotel de 30 andares em apenas 30 dias. Mesmo assim, o governo chinês ainda não autorizou o SkyCity – até porque há certo receio no país com relação a edifícios como ele (em 2009, um prédio pré-fabricado desabou em Xangai, supostamente porque sua estrutura não era forte o bastante).

Técnica permite construir seis vezes mais rápido do que numa obra convencional

ALICERCE
Cava-se um enorme buraco no qual são colocadas as fundações – estruturas metálicas de 40 metros de altura que irão segurar a base do prédio. Demora aproximadamente três meses.

PEÇAS
Caminhões começam a trazer os pedaços do prédio: colunas, paredes e piso. Tudo já chega pronto, com tubulações elétrica e hidráulica, pintura e acabamento.

MONTAGEM
Usando uma rede de guindastes e gruas, os operários encaixam e parafusam as peças – formando o chão, as paredes e o teto. Quando um andar fica pronto, eles começam o seguinte.

7559 – Deep Space Industries é a segunda empresa a se voltar para a mineração de asteroides


explorA asteróide

A Deep Space Industries, empresa americana focada na mineração espacial, anunciou que vai lançar, a partir de 2015, pequenas sondas espaciais para explorar os minerais e outros recursos encontrados nos asteroides em nosso Sistema Solar situados entre as órbitas de Marte e Júpiter.
A empresa acredita que os humanos estão prontos para começar a colher recursos do espaço para o uso no espaço em missões espaciais e para aumentar a riqueza e prosperidade das pessoas na Terra.
Por tanto sua missão é localizar, explorar, coletar e utilizar o vasto número de asteroides presentes do cinturão de asteroides do Sistema Solar.
A estratégia da Deep Space Industries é ser práticos e criativos, dando passos pequenos mas contínuos. As sondas exploratórias que eles devem enviar serão econômicas e criadas com elementos em miniatura de satélites existentes.
Elas vão ser enviadas ao espaço a um preço acessível, pegando carona em lançadores de missões maiores usados para transportar astronautas ou grandes satélites de comunicação.
Com esses planos a Deep Space Industries está começando a buscar investidores e clientes para suas atuações. E também está trabalhando junto à Nasa e outras entidades para descobrir os primeiros asteroides mais promissores para a exploração de minerais.
Os planos deles são lançar sondas pequenas de até 25 kg em 2015 e a partir de 2016 enviar sondar mais pesadas de 32 kg capazes de contatar os asteroides e iniciar a análise no local.
A recém-lançada Deep Space Industries é a segunda empresa a se voltar para a prospecção e exploração de minerais presentes em asteroides. A primeira foi a Planetary Resources, criada em abril de 2012 pelo presidente da Google, Larry Page, e pelo cineasta James Cameron.