13.670 – NASA projeta helicóptero para sobrevoar Marte em 2021


heli marte
Pesquisar os 144 milhões de quilômetros quadrados da superfície de Marte não é tarefa fácil. É 100 milhões de km² a mais que todos os continentes terrestres somados. A missão é ainda mais desafiadora se considerar que os métodos atuais são extremamente lentos, como a sonda Curiosity, que se locomove a 0,14 km/h.

A NASA, porém, encontrou a solução, e ela vem pelo alto. A Agência Espacial Americana promete lançar em julho de 2020 um mini-helicóptero autônomo , chamado Marscopter, que vai sobrevoar o vizinho da Terra em missões de reconhecimento. A chegada deve ficar para fevereiro de 2021.
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“A NASA tem uma orgulhosa história de ser pioneira”, disse o administrador da NASA, Jim Bridenstine. “A idéia de um helicóptero voando pelos céus de outro planeta é emocionante. O Marscopter é muito promissor para as nossas futuras missões de ciência, descoberta e exploração em Marte. ”
O projeto do helicóptero marciano prevê um equipamento de apenas quatro quilos e cerca de 30 centímetros de circunferência, o equivalente à metade de uma bola de futsal.
Para que consiga levantar voo na praticamente inexistente atmosfera de Marte, onde a pressão do ar na superfície do planeta é menor do que na altitude máxima de um helicóptero quando voando acima da Terra, suas duas hélices precisam girar dez vezes mais rápido que o necessário para se sustentar por aqui. São 3 mil rotações por minuto.

O maior desafio dos engenheiros é o sistema de comunicação com o computador. Mesmo se as instruções vindas da Terra viajar até Marte na velocidade da luz, seriam alguns minutos para chegar lá. Controlar o helicóptero daqui, portanto, é impossível. Por isso, ele precisa ser, pelo menos parcialmente, autônomo.

Entre os objetivos da missão está procurar zonas de pouso ideais na superfície, verificar o planeta em busca de sinais de vida ou perigos que possam ser importantes para os futuros astronautas que finalmente se aventurarem por lá. Ele também ajudará na pesquisa geológica que está sendo feita atualmente pela Curiosity e a Opportunity.

13.032 – Google cria prêmio milionário para quem levar minijipe à Lua primeiro


minijipe
Trata-se do Prêmio X Lunar Google (GLXP), patrocinado pela gigante da internet para fomentar o desenvolvimento de tecnologias espaciais de baixo custo e a exploração do satélite natural da Terra.
A maior bolada –US$ 20 milhões– vai para o primeiro grupo que conseguir pousar na Lua um módulo robótico capaz de se deslocar por no mínimo 500 metros pela superfície e transmitir vídeos e fotos em alta definição de lá.
O segundo colocado, se houver, não sairá de mãos abanando; levará US$ 5 milhões. É importante colocar esses valores em perspectiva, porém. O preço de tabela para o lançamento de um foguete Falcon 9, da SpaceX –o mais barato do mercado com capacidade para levar uma carga útil até a Lua–, não sai por menos que US$ 62 milhões.
E as regras da premiação exigem que 90% do financiamento do projeto seja privado. Ou seja, as equipes precisam ter um plano de negócios que justifique o investimento todo na missão.
Isso explica a intensa movimentação no grid até o último dia de 2016: das 16 equipes atualmente inscritas (antes eram 29), apenas 5 conseguiram apresentar contratos de lançamento. E como o contrato assinado até o fim do ano é pré-condição para seguir na disputa, várias delas estão se associando.
É o caso da brasileira SpaceMETA, liderada pelo engenheiro Sergio Cavalcanti. Ela chegou a ter um acordo assinado para usar o primeiro voo do foguete Cyclone-4 a partir de Alcântara, mas o lançador se desmaterializou com o cancelamento da parceria entre brasileiros e ucranianos.
Agora, para ter alguma chance, ela e outras três equipes tentam se reunir num grupo em torno do grupo internacional Synergy Moon. “Montamos a estratégia de desaparecer e reaparecer com um time global”, disse Cavalcanti à Folha. Detalhe: o contrato da Synergy, embora reconhecido pelos juízes do GLXP, envolve um foguete ainda não testado sequer uma vez em voo.
Movimento similar de emparceiramento de última hora fez a equipe japonesa Hakuto, que se juntou à indiana Team Indus para viajar junto com ela. Mas nesse caso a chance de sucesso é bem maior: elas têm voo assegurado no foguete indiano PSLV –lançador que inclusive já realizou uma missão lunar, a Chandrayaan-1. (Será esse mesmo lançador que levará a Garatéa-L, primeira missão lunar brasileira, em 2020.)

Objetivos
> Pousar suavemente uma espaçonave na Lua

> Viajar 500 metros no solo lunar

> Enviar fotos e vídeos em alta definição

Prêmios

1º colocado – US$ 20 milhões
2º colocado – US$ 5 milhões
Prêmios-bônus – US$ 5 milhões

Prazo final
31 de dezembro de 2017

Equipes
> Team SpaceIL (Israel)
> Team Indus (Índia)
> Part-Time Scientists (Alemanha)
> Moon Express (EUA)
> Synergy Moon (internacional)
> STELLAR (EUA)
> Independence-X (Malásia)
> Omega Envoy (EUA)
> Euroluna (internacional)
> Hakuto (Japão)
> Astrobotic (EUA)
> Team Puli (Hungria)
> SpaceMETA (Brasil)
> Team Plan B (Canadá)
> AngelicvM (Chile)
> Team Italia (Itália)

12.882 – Sonda europeia pode não ter sobrevivido ao pouso em Marte


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Após ter lançado duas naves em direção a Marte, a missão ExoMars — conduzida em parceria com a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Federal Russa — já passa por dificuldades. Um minuto antes do horário previsto para o pouso no planeta vermelho, o contato com a sonda Schiaparelli foi perdido.
Satélites em Marte tentaram identificar o estado atual da sonda, por enquanto sem sucesso, segundo a BBC. A maior preocupação das agências é com a hipótese de que o robô teria sido destruído durante uma possível colisão, mas nenhuma declaração oficial sobre essa possibilidade foi divulgada até o momento.
Alguns engenheiros estão fazendo análises para entender o motivo da perda de comunicação e o que poderá ser feito para recuperá-la. Este posicionamento ainda deve durar alguns dias.
A outra sonda da missão, TGO (Trace Gas Orbiter), alimenta algumas esperanças: quando Schiaparelli se aproximava da superfície do planeta, a TGO ainda recebia sinais da sonda através de telemetria, um sistema de monitoramento. Esse processo pode ter guardado informações importantes sobre o que realmente aconteceu até o momento em que a comunicação foi perdida. Especialistas da Agência Europeia e responsáveis pela construção da Schiaparelli irão examinar esses dados em breve.
Até o momento, o satélite TGO teve um percurso menos sombrio e é parte importante da missão. Ele deve passar anos estudando o comportamento de gases como metano, dióxido de nitrogênio e vapor d’água na atmosfera de Marte. Embora estejam presentes em quantidades pequenas, esses componentes podem guardar características importantes e até indicar a existência de vida no planeta hoje.

12.804 – NASA lança sonda que voltará com um pedaço de asteroide para a Terra


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A United Launch Alliance (ULA) colocou no espaço o mais novo brinquedo da NASA: o Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer (OSIRIS-Rex), cujo nome, para um leigo, não revela sua missão incrível nem em inglês nem em português. Trata-se de uma sonda sommelier de asteroides.
Ela não irá simplesmente chegar lá, cortar uma fatia e ir embora de barriga cheia, claro. Já em sua aproximação, que deve ocorrer em 2018, ela começará a analisar a topografia e a composição química do asteroide em busca do melhor ponto possível para fazer o corte. Ficará em órbita no rochedo flutuante por três anos e poderá fazer até três tentativas de coleta antes de começar a viagem de volta em 2021, quando a órbita do asteroide estará no ponto mais propício ao retorno.
Se tudo der certo, até julho de 2020, ela terá coletado uma amostra do astro Bennu, que em setembro de 2023 já estará na Terra para ser analisado. A ideia é entender um pouco melhor sobre a formação dos corpos celestes e, assim, ter mais pistas sobre o surgimento do Sistema Solar.

12.731 – Americanos vão voltar à Lua ano que vem. Mas não é a Nasa


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Como vimos numa matéria anterior, (12.725); o governo americano acaba de autorizar a primeira missão privada a sair da órbita terrestre. A companhia Moon Express ganhou autorização para mandar um robô para a Lua ano que vem.
A empresa teve que passar por uma batalha burocrática que envolveu várias agências governamentais, como o Departamento de Estado, a Agência Nacional de Segurança (a famosa NSA dos grampos), a Administração Federal de Avião e, claro, a Nasa.
A iniciativa começou em 2010, por três empresários do Vale do Silício: Naveen Jain, Barney Pell e Robert D. Richards. Em 2014, eles testaram com a Nasa, no Centro Espacial Kennedy, seu MTV-1X, o módulo lunar. A geringonça tem o tamanho de uma mesa de centro e lembra um disco voador (ou um pneu, para quem não é ligado em sci-fi).
O foguete que irá levar a sonda é o Electron, da Rocket Labs. Com 16 metros de comprimento e dois estágios, a um módico custo de 4,9 milhões de dólares, é um teco-teco perto do colossal Saturno V, que conduziu as missões Apollo – o maior foguete da história, com 111 metros. Mas a Rocket Labs garante que chega lá.
Se chegar, eles levam o Google Lunar X PRIZE, uma boladinha de 20 milhões que mal deve cobrir as despesas, se tanto. Mas o plano é dar largada à exploração comercial do espaço além da órbita terrestre. “Agora estamos livres para velejar como exploradores para o oitavo continente da Terra, a Lua”, afirma o CEO Bob Richards. “Procurando novo conhecimento e recursos para expandir a esfera econômica da Terra para benefício de toda a humanidade.” Aliás, antes mesmo de conseguirem a autorização para os voos, eles já tinham autorização para conduzir atividades de mineração no espaço, o que foi aprovado no congresso americano.
O futuro do espaço já está nas mãos das empresas, com a Nasa privatizando seus lançamentos desde 2008. Por mais excitante que tenha sido, a primeira era da exploração espacial foi uma manobra de publicidade entre duas superpotências. Assim que os States ganharam a Corrida Espacial com a Apollo 11, o público dormiu: o lançamento da última Apollo, a 17, em 1972, perdeu em audiência para reprises de I Love Lucy.
O caminho do espaço agora é o caminho do dinheiro, mais para Han Solo que Capitão Kirk. Ou, para manter os pés na Terra, mais para Cristóvão Colombo que Neil Armstrong.

12.725 – Empresa privada dos EUA vai enviar sonda à Lua em 2017


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Trata-se da primeira vez que uma empresa privada poderá realizar este tipo de missão. Até hoje, apenas os governos dos Estados Unidos, da China e o da ex-União Soviética enviaram naves espaciais para o satélite.
“Agora nós estamos livres para partir como exploradores para o oitavo continente da Terra, a Lua, buscando novos conhecimentos e recursos para expandir a esfera econômica da Terra, para o benefício de toda a humanidade”, disse Bob Richards, cofundador e presidente-executivo da Moon Express, empresa fundada em 2010 e sediada em Cabo Canaveral, na Flórida.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos anunciou a aprovação, após realizar consultas com a Casa Branca, o Departamento de Estado e a Nasa, a agência espacial americana.

12.162 – Sonda Galileu – Missão Suicida em Júpiter


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Sonda Galileu entra na atmosfera de Júpiter e explode

Os vaivéns da nave americana Galileu, que estava desde 1989 fotografando e estudando diversos planetas e luas, terminariam num espetacular mergulho kamikase. Ela se estatelou no maior dos mundos do sistema solar, Júpiter. Os cientistas da Nasa queriam evitar que a nave caisse no satélite jupiteriano Europa, que se acreditavam ser habitado por micróbios ou outras formas de vida. Se despencasse por lá, Galileu contaminaria o ambiente extraterrestre mais promissor à vida que se conhece. Decidiu-se então estender o voo por um ano, tirando dele o maior proveito possível, e depois mandar a viajante do espaço para Júpiter sem bilhete de volta.

12.151 – Sonda da NASA que utiliza energia solar bate recorde de distância


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A sonda Juno, da NASA, acabou de se tornar a missão que chegou mais longe no espaço utilizando energia solar: 793 milhões de quilômetros ou 3,5 vezes a distância entre a Terra e Marte – e ela pretende ir ainda mais longe.
Lançada em 2011, a missão Juno foi desenvolvida para estudar Júpiter, onde ela deve chegar em julho de 2016. Ela é a primeira nave que substitui as baterias de energia nuclear por energia solar criada para funcionar a um intervalo tão grande do Sol. A uma distância Terra-Sol, as células conseguem gerar aproximadamente 14 quilowatts de eletricidade. Como a intenção é operar em Júpiter, essa quantidade de energia diminui significativamente, por isso seus painéis são gigantescos: nove metros de matrizes, com 18.698 células solares individuais. No total, a construção pesa quatro toneladas.
“Júpiter é cinco vezes mais distante do Sol do que a Terra, e a luz lá é 25 vezes mais fraca. Os nossos painéis vão gerar apenas 500 watts de energia em Júpiter. Mas Juno foi desenhada com muita eficiência, e isso deve ser mais que suficiente para fazer o trabalho”, diz Rick Nybakken, gerente do projeto.
Estudar Júpiter é tão importante quanto estudar o próprio Sol: pelo seu tamanho e por ter sido o primeiro planeta gasoso a se formar, ele influenciou profundamente a formação e evolução de outros corpos. Já salvou a Terra de diversos impactos de cometas: a sua massa é tão grande que é capaz de formatar órbitas de planetas, asteroides e de outros corpos. A NASA espera que algumas perguntas como quando Júpiter nasceu, como o seu campo magnético foi formado e qual a sua composição sejam respondidas através da análise da sonda.
O nome da missão não foi escolhido aleatoriamente: Juno (Hera), na mitologia greco-romana, é a esposa de Júpiter (Zeus). O pai dos deuses criou um véu de nuvens ao redor de si mesmo, para esconder sua perversidade. Sua esposa conseguiu atravessar as nuvens, para revelar sua verdadeira natureza. Espera-se que Juno, a sonda, consiga fazer o mesmo.

12.087- NASA suspende missão espacial que iria a Marte em 2016


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A NASA anunciou o cancelamento de sua missão espacial InSight, que tinha como objetivo medir e ouvir tremores em Marte para obter novas informações sobre o interior do planeta. A nave seria enviada em 2016, mas um instrumento de medição sísmica, feito por uma equipe francesa, apresentou problemas e não pode ser consertado a tempo.
Em 3 de dezembro, o laboratório JPL, responsável por grandes avanços de robótica para a NASA e organizador da missão, confirmou que havia um vazamento em uma esfera selada a vácuo que continha três sismômetros. Fornecido pela agência espacial francesa CNES, o instrumento – apelidado de SEIS – pousaria na superfície de Marte para capturar os sons emitidos pelo interior do planeta. Os esforços para reparar o vazamento não foram suficientes e, em 20 de dezembro, depois de uma bateria de testes, o instrumento vazou mais uma vez.
A notícia, é claro, abalou bastante a comunidade científica, uma vez que o experimento era bastante aguardado. Lisa Pratt, chefe de um dos comitês responsáveis por missões até Marte, definiu que a equipe responsável está “devastada”. E não apenas por conta da ansiedade de saber mais sobre o interior do planeta, mas também, é claro, por conta dos custos – que só aumentam quando uma empresa internacional entra na conta. “Ninguém deseja que uma parceria internacional tão vibrante como esta seja abalada dessa forma”, contou ela. A missão custaria 675 milhões de dólares e estava dentro do programa Discovery, que oferece missões de baixo custo e altamente competitivas. A InSight foi escolhida entre diversas candidatas; uma delas sugeria que uma nave fosse enviada à lua Titã de Saturno.
A organização espacial ainda não confirmou uma nova data de lançamento, mas estima-se que seja necessário esperar 26 meses para uma nova tentativa de envio, por conta das órbitas de ambos os planetas. É esperar para ver – e torcer para dar certo na próxima.

11.776 – Astronomia – Plutão tem dunas mesmo sem vento, descobre sonda da Nasa


sonda
A Nasa retomou o recebimento de imagens feitas pela sonda durante seu sobrevoo de Plutão e suas luas, que ocorreu em 14 de julho de 2015.
A essa altura, a espaçonave já está a mais de 70 milhões de quilômetros do astro, mergulhando cada vez mais profundamente no cinturão de Kuiper –uma coleção de centenas de milhares de pedregulhos dos mais variados tamanhos, remanescentes do processo que deu origem aos planetas.
O sobrevoo de Plutão, por sinal, foi a primeira visita de uma espaçonave a um objeto dessa misteriosa região do espaço na periferia do Sistema Solar.
A segunda visita deve ser protagonizada pela própria New Horizons, em 2019. A Nasa já selecionou um alvo para ser visitado além de Plutão –o pequeno 2014 MU69. O astro tem só 50 km de diâmetro e é “nascido e criado” nessa região do espaço (Plutão, por sua vez, pode ter surgido mais perto do Sol e depois migrado para lá).
Aliás, o sobrevoo também será o primeiro feito por uma espaçonave lançada antes mesmo que seu alvo fosse descoberto –a New Horizons partiu em 2006, e o MU69 foi descoberto no ano passado.
As primeiras manobras da sonda para chegar lá serão executadas no mês que vem, mas a investigação científica ainda pende por aprovação orçamentária. A decisão final só deve acontecer no ano que vem.
A tendência é a aprovação. Na verdade, o plano decadal da Nasa que levou à New Horizons pedia uma missão “ao cinturão de Kuiper”, então não aprovar a extensão até 2019 seria perder a oportunidade de cumprir o objetivo inicial, depois de chegar tão perto e gastar mais de US$ 700 milhões.
Os cientistas devem apresentar um plano detalhado para o segundo sobrevoo em 2016. Enquanto isso, continuam a estudar os mistérios de Plutão.
Os dados colhidos durante aquele frenético encontro ainda estão sendo transmitidos. Depois de uma bateria inicial de imagens comprimidas, logo após o sobrevoo de julho, as transmissões priorizaram dados de telemetria e os pacotes científicos mais “leves”, que não envolviam fotografia.
A partir de agora, começam a “descer” todas as imagens colhidas, em sua resolução máxima. É nessa primeira leva que figuram as dunas de Plutão.
“Dunas em Plutão -se for isso mesmo- é algo completamente inesperado, porque a atmosfera é tão rarefeita…”, disse William McKinnon, da Universidade Washington, em Saint Louis. “Ou Plutão teve uma atmosfera mais densa no passado, ou algum processo que não sacamos está em operação. É de coçar a cabeça.”
Os cientistas ainda têm muito trabalho pela frente. Transmitindo em velocidade de internet discada, a sonda levará um ano para concluir o envio das imagens feitas no sobrevoo.

11.443 – Sonda New Horizons poderia fazer “contato com alienígenas” após sobrevoo histórico em Plutão


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Os investigadores esperam usar a sonda para enviar uma mensagem às profundezas do espaço, contando aos supostos extraterrestres detalhes da humanidade e enviando um ‘mapa’ para encontrar a Terra. A sonda deve fazer o primeiro sobrevoo em Plutão em 14 de julho, e uma transmissão de mundos alienígenas já poderia acontecer em julho de 2016.
O projeto, apelidado de “Uma Mensagem da Terra”, é ideia de Jon Lomberg, o mesmo responsável pela inserção de músicas populares colocadas a bordo da Sonda Voyager da Nasa, em 1977. Similar ao projeto anterior, chamado de ‘Golden Records’, o atual irá pedir às pessoas de todo o mundo que contribuam com imagens, sons e ideias para enviar a bordo da New Horizons.
“Esta é realmente uma chance de tentar pensar sobre nós mesmos a partir de uma longa perspectiva”, disse Lomberg ao Space.com. “Nós nunca saberemos se esse público extraterrestre que nós estamos imaginando, irá receber as mensagens, mas nós sabemos que as pessoas da Terra que participarem, desempenham um papel importante no projeto, podendo, literalmente, mudar nossas vidas”, completou.
Caso a Nasa aprove a inserção do projeto em sua sonda, os pesquisadores planejam criar um arquivo digital com 150 megabytes de dados, basicamente o mesmo valor dos registros enviados pela Voyager. De acordo com a Space.com, a mensagem também poderia incluir um mapa do mundo e cada imagem e som poderia ser assinalado para o lugar de onde veio.
Lomberg e seus colegas estão, agora, com o objetivo de levantar pelo menos US $ 500.000 (R$ 1.500.000) de pessoas ao redor do mundo para financiar o projeto. Mas, primeiro, New Horizons precisa torná-lo viável, através de seu sobrevoo em Plutão, em uma peça acoplada.
Pesquisadores disseram que anéis e luas ainda desconhecidos em torno do planeta anão podem representar um perigo para a sonda. Até agora, sabe-se de cinco luas nas proximidades do planeta, mas teorias acreditam que possam existir mais, e, eventualmente, um sistema complexo de anéis.
Se isso acontecer, a New Horizons pode precisar tomar uma ação defensiva, a fim de se proteger e garantir que a viagem de mais de nove anos não termine em fracasso. O perigo deve ser levado em conta, pois a distância de Plutão da Terra faz com que seja difícil descobrir exatamente o que está orbitando o planeta anão.
A sonda New Horizons deve fazer sua maior aproximação em 14 de julho, mas há uma chance – embora pequena – de que uma lua inédita possa representar um perigo. E se, assim como Saturno, Plutão tiver um extenso sistema de anéis, composto por pequenas pedras, esses restos também poderiam ser uma ameaça. “Com a New Horizons a uma velocidade de cerca de 50.400 km/h, qualquer fragmento, por menor que seja, poderia prejudicar ou destruir a sonda”, disse o cientista do projeto, Dr. Hal Weaver.
Cada vez mais perto de Plutão, New Horizons começa agora sua primeira busca por essas prováveis novas luas ou anéis. No início deste mês, a sonda capturou imagens em baixa resolução das menores das cinco luas conhecidas de Plutão, Kerberos e Styx.
Uma animação lançada continha quatro imagens tiradas entre 25 de Abril e 1 de Maio. “New Horizons está agora no limiar da descoberta”, disse um membro da equipe científica da missão, Dr. John Spencer, do Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado. “Se a sonda observar quaisquer luas adicionais, à medida que se aproximar de Plutão, elas serão inéditas”, concluiu.

11.335 – NASA anuncia que nave Massenger se chocará contra o planeta Mercúrio


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A nave espacial Messenger, da NASA, está prestes a se chocar contra Mercúrio, o planeta que ela tem estudado há pouco mais de quatro anos. Lançada em 2004, depois de seis anos e meio de viagem, a Messenger chegou à órbita do planeta mais próximo ao Sol do nosso sistema. Após realizar uma longa e bem-sucedida missão, que recolheu informações que os cientistas estudarão por muitos anos, a nave em breve ficará sem combustível e se colidirá contra a superfície de Mercúrio, a 14.087 km/h.
O impacto acontecerá em algum momento entre amanhã (29) e depois de amanhã (30), do lado oposto à Terra, por isso não poderá ser visto do nosso planeta. Em sua despedida, o engenheiro de sistemas da missão, Daniel O’Shaughnessy, destaca: “Pela primeira vez na história, temos um conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que tem se mostrado um mundo fascinante”. A última manobra do Messenger ocorreu na semana retrasada, reduzindo aos poucos todo o gás hélio remanescente. “Agora, a nave já não é mais capaz de lutar contra a atração da gravidade do Sol”, explicou O’Shaughnessy.

10.967 – Mega Memória – Em 20 de Agosto de 1975, foi lançada Viking 1, a primeira sonda da Nasa enviada para Marte


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A primeira das missões da Nasa rumo a Marte, o veículo espacial Viking 1, foi lançada em um dia como este, no ano de 1975, a bordo do foguete Titan-Centaur. Foram necessários 10 meses de viagem até chegar ao Planeta Vermelho.
Cinco dias antes da inserção em órbita, o equipamento começou a enviar imagens de Marte para a Terra. A aterrissagem da Viking 1 estava programada para o dia 4 de julho de 1976, mas a equipe em terra considerou que a área de pouso era muito rochosa e resolveu esperar por uma oportunidade mais segura, o que só aconteceu no dia 20 de julho, quando o “lander” se separou do “orbiter”.
Ao todo, a Viking 1 operou durante seis anos. Em 21 de novembro de 1982 houve a perda de controle do equipamento. Em 2006, a Viking 1 foi fotografada na superfície de Marte pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter.

10.157 – Sonda Rosetta


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O ano de 2014 prevê uma grande inovação para a ciência espacial: a sonda Rosetta, desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) vai realizar o primeiro pouso em um cometa. Em 20 de janeiro, Rosetta foi reativada, depois de 957 dias “hibernando” no espaço. Lançada em 2004, ela vai se aproximar em agosto do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e, depois de analisar sua superfície, vai liberar a sonda Philae, que deve pousar na superfície do cometa em novembro deste ano. Rosetta vai acompanhar o cometa em sua viagem em direção ao Sol, para monitorar as mudanças que acontecerão no corpo celeste durante este trajeto, até que ele atinja o ponto mais próximo do Sol, em agosto de 2015. Por serem “sobras” da formação do nosso Sistema Solar, a composição dos cometas pode dar pistas importantes sobre o surgimento da vida na Terra e a evolução do Universo.

8470 – Sonda Voyager 1 explora última fronteira do Sistema Solar


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Três novos artigos científicos sobre a sonda Voyager lançada pela Nasa em 1977– foram divulgados recentemente, com dados de sua localização atual. Mas não foi desta vez que ocorreu a aguardada confirmação de que ela finalmente saiu do Sistema Solar para a vastidão do espaço interestelar.
Depois de mais de 35 anos de viagem e 18 bilhões de quilômetros percorridos, a nave parece estar mesmo na última parte da periferia de influência solar, uma região com características muito diferentes das que os cientistas imaginavam.
Acreditava-se que a transição da heliosfera (a área de influência do Sol) para o espaço interestelar (região não ocupada por estrelas ou galáxias) seria gradual e sem grandes emoções.
Mas, nos artigos publicados na revista “Science”, os cientistas relatam dados que mostram as intensas variações nessa região, batizada de “estrada magnética”.
Os instrumentos da Voyager 1 detectaram a maior taxa de partículas carregadas vindas de fora da heliosfera, em comparação com o desaparecimento das partículas carregadas vindas do Sol.

“Vimos um desaparecimento rápido e dramático de partículas de origem solar, que diminuíram mais de mil vezes em intensidade, como se houvesse um aspirador gigante na rampa de entrada da estrada magnética”, disse Stamatios Krimigis, da Universidade Johns Hopkins.
Mas, para atestar que a sonda está fora do Sistema Solar, é preciso ainda haver uma mudança abrupta na direção do campo magnético, mostrando que a influência do Sol já não acontece.
Os pesquisadores disseram não poder precisar exatamente quanto tempo mais vai levar para que a sonda finalmente saia do Sistema Solar. Segundo eles, isso pode levar meses ou até anos.

8373 – Sonda vai enviar mini laboratório para pousar em núcleo de cometa


Um projeto concebido há duas décadas está perto de ser concluído, depois de quase dez anos de viagens pelo Sistema Solar.
A sonda espacial europeia Rosetta, lançada em 2004, deverá sobrevoar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2014, além de enviar um minilaboratório, o Philae, para pousar no núcleo do corpo celeste, um feito inédito.
Cometas são verdadeiros “fósseis” espaciais, surgidos há bilhões de anos e mantendo basicamente a mesma composição química.
Ao passarem perto do Sol, criam a famosa cauda luminosa que os caracteriza, ejetando poeira, água e outras substâncias.
A ESA (Agência Espacial Europeia) já tinha tradição no estudo desse tipo de astro. A sonda Giotto passou a meros 600 km do núcleo do cometa Halley em 1986. Foi um feito impressionante, que deu ímpeto ao ainda mais ambicioso projeto Rosetta.
O nome da sonda é uma homenagem à Pedra de Roseta, encontrada no Egito e que ajudou a decifrar a antiga escrita egípcia de hieróglifos, pois o mesmo texto também está escrito em grego; Philae é uma ilha onde foi achado um obelisco também usado na decifração.
As duas sondas também pretendem “decifrar” os enigmas dos cometas.
A ideia foi aprovada em 1993 e seu projeto começou em 1996, na empresa Astrium, a maior do setor espacial na Europa. Desde então o engenheiro Gunther Lautenschlaeger está envolvido com a missão.
“Em primeiro lugar, estou esperando nervosamente o despertar da Rosetta em janeiro de 2014 e interessado em saber como o ‘nosso bebê’ sobreviveu a mais de dois anos sem nenhum contato com a Terra”.
A Rosetta vai monitorar a passagem do cometa pelo Sistema Solar, com especial atenção para sua atividade ao ser aquecido pelo Sol.
O laboratório Philae vai estudar a composição do núcleo do cometa. O módulo de pouso vai fazer um furo de 20 cm de profundidade para coletar amostras para análise pelo laboratório de bordo.
Graças a novas tecnologias de células solares, a sonda é a primeira a ir além do cinturão de asteroides dependendo apenas de energia solar, em vez dos tradicionais geradores térmicos.
A 800 milhões de quilômetros do Sol, o nível de radiação é apenas 4% daquele que atinge a Terra.
“Nenhuma missão anterior viajou tão longe no espaço profundo, perto de Júpiter, apenas com painéis solares; ela é com certeza uma ‘espaçonave verde'”, disse o engenheiro, gerente do projeto na Astrium.

Cometa grafico

A sonda tem dois painéis solares de 14 metros de comprimento cada um. Os 11 instrumentos a bordo ficam concentrados no lado que será direcionado ao cometa e são capazes de medir a composição, a massa e o fluxo de poeira do núcleo, além da interação do cometa com o vento solar de partículas carregadas eletricamente.
A parte mais “perigosa” dessa trajetória, no entanto, é o passo final, a ser dado em novembro de 2014: o pouso do mini laboratório Philae no núcleo do cometa.
Segundo o engenheiro, o módulo foi projetado para áreas de pouso extremas, mas a gravidade do cometa, cujo núcleo tem 4 km de diâmetro, é muito baixa. “E ninguém sabe exatamente o que há na superfície”, afirmou.
“Pode ser poeira macia, na qual ele vai afundar; ferrita sólida, na qual pode se arrebentar; ou uma superfície de fendas, onde pode cair de lado ou de cabeça para baixo.”
O que resta às equipes é cruzar dedos até 2014.

7996 – Missão Marte – O Fracasso da Sonda Mars Observer


…Não sepultou a Missão Marte
Pacíficos, sábios admiradores da harmonia da vida, os últimos marcianos apegam-se desesperadamente aos derradeiros momentos de sua existência. Surpreendidos pela chegada de visitantes ao seu planeta, escondem-se em cavernas ou montanhas distantes, tentando preservar sua civilização antiqüíssima. Nada disso, é claro, estava nos planos dos cientistas que organizaram o vôo da nave americana Mars Observer, desaparecida no espaço pouco antes de fazer sua primeira órbita em torno do planeta vermelho. Mas uma de suas metas era realmente procurar vestígios de marcianos que viveram bilhões de anos atrás.
Eles dificilmente estarão vivos, e mesmo que algum dia tenham existido, nunca tiveram uma civilização. Ainda assim, a malsinada viagem da Mars Observer deixou um sentimento de frustração comparável ao que transmite a história do primeiro parágrafo — enredo da novela As crônicas marcianas, do americano Ray Bradbury, clássica obra-prima da ficção científica. O sentimento é ainda mais forte porque os marcianos reais, caso existam, também são remanescentes de outras eras e fazem milagres para sobreviver num dos mais secos e gélidos ambientes em que se pode conceber a vida.
A lúcida proposta de McKay é que os habitantes de Marte devem ser parecidos com as algas e os liquens que conseguiram se adaptar ao interior do continente antártico, escondidos do frio e da falta de água alguns centímetros abaixo da superfície hostil. “Os nichos do subsolo podem ter preservado a vida muito depois de as condições da superfície terem se tornado inóspitas.” Como na Terra, aquelas minúsculas e primitivas formas vegetais podem ter se desenvolvido há bilhões de anos, quando Marte ainda não era um mundo tão frígido e havia água corrente em sua superfície.
Mais tarde, depois que o planeta perdeu a atmosfera e esfriou, seus organismos podem ter tomado dois rumos: extinção ou adaptação às terríveis condições prevalecentes. Desde 1980, McKay procura elementos para reforçar essa tese. Para isso, ele pesquisa a vida em ambientes análogos aos de Marte, seja nos vales secos da Antártida, ou, mais recentemente, nas regiões árticas da Sibéria. Seu objetivo atual, em termos bem amplos, é investigar se a vida é fruto da própria evolução do sistema solar — em vez de um mero acaso na história da Terra.
O mais importante deles é a camâra de alta resolução, capaz de ver detalhes menores que 250 metros na superfície. Ela teria ampliado formas suspeitas, bem visíveis na face de Marte, que lembram o leito seco de antigos rios ou lagos. “Nosso trabalho na Antártida sugere que os lagos marcianos seriam locais perfeitos para caçar fósseis”, explica McKay. “Lagos cobertos de gelo poderiam ter servido de abrigo para a vida muito depois de o resto da superfície ter se tornado desabitado. Além disso, enterrados sob os sedimentos do fundo de um lago, os fósseis ficariam preservados em ótimas condições.”
Mas a grande imagem da câmara seria a de um vulcão ativo. Ela provaria que em Marte há calor para derreter gelo da superfície e gerar água corrente, e assim sustentar alguma forma de vida. Nesse caso, um segundo instrumento-chave poderia ter entrado em ação: o chamado espectrômetro de emissão de calor, por meio do qual se poderia medir a temperatura do próprio solo. Mais do que isso, ele era capaz de analisar minerais, em eventuais pontos quentes do planeta, e assim verificar se contêm compostos comumente associados a água líquida, como carbonatos, nitratos e outras. O espectrômetro também poderia detectar substâncias ricas em energia química — uma alternativa salvadora à energia luminosa.
A hipótese vigente é que eles vomitaram lava durante 4 bilhões de anos e depois se apagaram. Mas, se ainda estavam ativos há 200 milhões de anos, como sugere o meteorito Shergotty, é razoável supor que o planeta não esteja geologicamente morto. É bom lembrar que a Mars Observer, além dos instrumentos adequados, teria tido tempo bastante para bisbilhotar o menor sinal de vulcanismo. Sua meta era circundar o planeta durante os 687 dias (terrestres) que compõem o ano marciano e vigiar bem de perto o clima do planeta. A começar pelas gigantescas tempestades de areia e pelo vapor de água que se supõe fluir no finíssimo ar, composto basicamente de gás carbônico.
Marte poderia até entrar para o horário nobre da televisão, pois a nave enviaria uma previsão diária de seu tempo — tal como se faz para as cidades e regiões mais importantes da Terra. Embora Marte seja bem conhecido, comparado aos outros planetas, apenas 15% de sua superfície é conhecida em detalhes menores que 250 metros. A Mars Observer deveria ampliar a porcentagem para 100%. A importância da missão pode ser avaliada pela frase do americano James Pollack, um dos mais respeitados cientistas planetários, que antes de a nave se perder antecipou grandes mudanças nas idéias sobre Marte: “Eu ficaria desapontado se isso não ocorrer”.
O desapontamento foi muito maior, pois se deveu ao fracasso total da experiência, e atinge com mais força os 100 pesquisadores que planejaram a missão, durante a década passada, e outros 500 que estariam envolvidos na análise dos seus dados, como relata a revista Science, da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência. A indignação é tanta, na verdade, que talvez o estudo de Marte seja retomado — uma possibilidade distante, mas não descartável. “Eu não estou triste, estou furioso”, explodiu Michael Malin, chefe da equipe que devia operar a câmara de alta resolução.

Imaginários caçadores de naves
Diz a revista inglesa The Economist que a história começou em 1964, quando a sonda soviética Zond 2 tomou o mesmo destino da antecessora Mars 1, dois anos antes, e sumiu nas cercanias de Marte. Nessa época, o americano John Cassini preparava o vôo Mariner 4, e, talvez para aliviar a própria tensão, inventou que o culpado era o Grande Ghoul Cósmico, referência a um monstro da mitologia britânica. Desde então, o Ghoul teria feito outras vítimas até chegar à Mars Observer. Puro sarcasmo, claro. Sua graça decorre da idéia implausível, para dizer o mínimo, de que a Mars Observer teria sido perdida de propósito — para evitar que revelasse uma civilização alienígena supostamente estabelecida em Marte. Sugestão parecida, lembra The Economist, foi feita sobre a nave russa Fobos: a última foto tirada por ela mostraria “algo” tentando alcançá-la. Sarcasmo e excesso de imaginação à parte, o mais provável é que cortes de orçamento e outros problemas administrativos estejam produzindo mais erros do que se poderia esperar. Quem duvida, basta ver a lista da revista americana Science, que contém os desastres americanos apenas no mês em que a Mars Observer emudeceu: três satélites espiões explodiram com o foguete Titan IV, cujo motor já negou fogo duas vezes depois disso; um satélite meteorológico NOAA emudeceu em órbita; o ônibus espacial falhou em três lançamentos sucessivos; e, como resultado do atraso, o telescópio orbital ORFEUS não poderá estudar o mais brilhante dos astros conhecidos como quasares, o 3C 273.

Marte na Terra
O biólogo brasileiro Antônio Batista Pereira não é especialista em assuntos de Marte — mas estuda as criaturas que mais se assemelham aos possíveis marcianos. Veterano de quatro expedições à Antártida, ele conhece bem as áridas paisagens que as chamadas algas criobiontes adotaram como lar — onde a temperatura média anda sempre em torno dos 35 graus negativos e, o que é pior, caem menos de 5 centímetros de água anualmente, três vezes menos que no Deserto do Saara. Ou seja, se existe na Terra um lugar tão hostil para a vida quanto Marte, esse lugar é o interior da Antártida. Portanto, se os marcianos existiram algum dia, eles devem ter se parecido com aquelas algas, primitivas formas vegetais. “Não é absurdo cogitar que Marte tenha sido habitado por algas”, concorda Pereira, que trabalha na Universidade de Santa Cruz do Sul, RS. Ele explica que as criobiontes antárticas não são simples sobreviventes, mas um sucesso evolutivo, pois agrupam nada menos que 460 espécies diferentes. Alojadas alguns centímetros abaixo da superfície, elas usam o gelo como um cobertor, capaz de impedir a entrada do ar gelado, enquanto retém o constante fluxo de calor vindo das entranhas da Terra. Nesse nicho, a temperatura é razoavelmente confortável e poucas vezes cai abaixo de 1 grau negativo. Marte, como qualquer outro planeta, deve ter vísceras quentes, e é possível que, sob a gélida superfície, se encontrem primitivas plantinhas.

A idéia de que Marte já abrigou alguma forma de vida deve-se à hipótese de esse planeta, no passado, não ter sido tão diferente da Terra quanto é hoje. A chave dessa semelhança é o gás carbônico: há cerca de 4 bilhões de anos, ele teria retido calor em quantidade suficiente para que a água fluísse como um líquido na superfície marciana. Foi assim, até onde se sabe, que a vida surgiu na Terra, e é razoável supor que o mesmo tenha acontecido no planeta vermelho. Essa tese pode ser melhor visualizada com ajuda dos gráficos que, no alto e no pé desta página, comparam a evolução dos dois mundos. Publicados pela revista americana Astronomy de setembro passado, eles ilustram, não por acaso, um artigo do cientista planetário Christopher McKay sobre as condições necessárias para que a vida surgisse no planeta vermelho. O pesquisador explica que o gás carbônico vazou em grande quantidade, tanto do interior da Terra como de Marte, logo depois de um pesado bombardeio de meteo-ritos que terminou há 3,8 bilhões de anos. A questão é saber quanto tempo a vida demorou para surgir, depois que a superfície dos planetas começou a esquentar. Na Terra, tudo indica que a explosão vital durou algumas centenas de milhões de anos, o que não é muito, em termos cósmicos. Nesse caso, haveria tempo para que os organismos vivos também se desenvolvessem em Marte, pois seus habitats “líquidos” podem ter durado até 1 bilhão de anos. Depois, o gás carbônico reagiria com a água, formando carbonatos agregados a rochas. Os vulcões, por algum tempo, devolveram parte do gás ao ar, mas em quantidade pequena. Incapaz de elevar a temperatura média acima dos 60 °C negativos (contra 15 °C po-sitivos na Terra). E, possivelmente, incapaz de manter acesa a chama vital que um dia possa ter brilhado.

Uma ordem sem resposta

Mars_Observer

Na noite de 21 de agosto passado, a nave Mars Observer chegou ao fim de sua tortuosa jornada de 720 milhões de quilômetros, iniciada na Terra onze meses antes. Nada, até então, indicava que o dispendioso veículo espacial, transportando 120 milhões de dólares em instrumentos científicos, pudesse fracassar nas manobras finais que o colocariam em órbita segura à volta do planeta vermelho. Se ele não fosse desacelerado, passaria direto sobre o pólo norte marciano e possivelmente se perderia rumo ao Sol. Mas, até onde se sabe, apenas a primeira operação de frenagem foi executada com precisão. Conforme previamente determinado, no início daquela noite o computador de bordo desligou os transmissores de rádio. Nunca isento de risco, esse procedimento era necessário para proteger os transmissores da pequena explosão que viria a seguir, cuja função era abrir as válvulas que injetavam gás e pressurizavam os tanques de combustível. Ou seja, ela dava o passo inicial para se acionarem dois dos quatro motores da nave e assim reduzir sua velocidade. É impossível dizer se isso foi feito. O computador de bordo estava preparado para realizar, por conta própria, todas as manobras necessárias. Mas, como os transmissores de rádio não voltaram a funcionar, ninguém sabe o que aconteceu, nem onde foi parar a infortunada viajante.

7928 – ETs – Se eles existem, onde estão?


ETs2

Considerando que nossa galáxia existe há muito tempo e que as civilizações tecnológicas podem estar por aí, Enrico Fermi, um dos mais importantes físicos do século passado, formulou a pergunta que angustia todos esses cientistas: “Se eles existem, onde estão?” Para responder a isso, muitos pesquisadores apostam na Busca por Inteligência Extraterrestre, conhecida por SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence). Os programas SETI rastreiam o Universo em busca da emissão de sinais de rádio de origem artificial.
Para Thomas McDonough, professor do California Institute of Technology, não recebemos nenhum sinal do espaço porque o tempo de pesquisa radiotelescópica ainda é ínfimo em proporção à magnitude do trabalho. “Nós procuramos por uma freqüência desconhecida, por um sinal de direção desconhecida e potência desconhecida”, diz. Ou seja: mesmo que os extraterrestres estivessem situados nas nossas vizinhanças, ainda assim o primeiro contato poderia demorar centenas de anos para ocorrer, devido à dificuldade de localizá-los.
A primeira dificuldade da exobiologia é definir o que estamos procurando. Quem aposta na SETI, por exemplo, procura por nossos duplos espaciais, culturas que desenvolveram tecnologias de comunicação interestelar. Então a resposta seria: buscamos vida inteligente. Pois é, a dificuldade já começa aí: precisamos saber o que é vida. Embora essa possa parecer uma questão banal, os cientistas ainda não conseguiram elaborar uma definição do fenômeno biológico de aceitação universal. Apesar da falta de consenso, alguns fenômenos caracterizam um ser vivo: a realização de metabolismo, a capacidade de se reproduzir e a existência de um limite que separa o organismo do meio circundante.
Além disso, a possibilidade de sofrer mutação e evoluir são definidoras da atividade biológica. Mesmo que a definição fosse suficiente, ainda restaria um grande problema. Conhecemos apenas um tipo de arranjo biológico, o nosso. Não sabemos se somos a manifestação local de um fenômeno universal ou apenas o produto casual de algo que assume as mais variadas naturezas em outros ambientes cósmicos.
Em nosso planeta, a vida desenvolveu-se a partir de água no estado líquido e de compostos químicos baseados no carbono. Seria isso um acaso ou a base de um fenômeno universal? Será mera casualidade que a biota (conjunto de sistemas vivos) esteja fundamentada em um meio aquoso e as moléculas, no carbono? Talvez não. A astronomia e a química já determinaram que a água é uma molécula largamente distribuída no Universo e que o carbono tem uma grande capacidade de ligação com outros átomos, permitindo a formação de extensas e complexas cadeias moleculares. Por isso, a maioria dos exobiólogos acredita que o padrão biológico daqui é universal e será encontrado em outros mundos.

Sonda Cassini

Como acontece muitas vezes na ciência, as idéias geradas pelos teóricos são o material a partir do qual os pesquisadores experimentais vão a campo, em busca da sua comprovação ou rejeição. Na história da exobiologia, o conceito da SETI também precedeu a prática, embora por pouco tempo. Em 1959, os físicos Giuseppe Cocconi e Philip Morrison publicaram um artigo na prestigiosa revista Nature em que propunham a busca de comunicação interestelar. Com base na possibilidade de que existam sociedades tecnológicas em outros mundos, imaginaram que estas, um dia, acabariam por desenvolver equipamentos de rádio e tentariam a comunicação com seus “primos” da galáxia.
Um ano depois, o jovem astrônomo Frank Drake coordenou a primeira busca de sinais de rádio de origem inteligente. Drake observou duas estrelas próximas parecidas com o Sol, Tau Ceti e Epsilon Eridani, por 400 horas. Recebeu alguns pulsos regulares, mas logo ficou claro que se tratava de um avião. Foi o primeiro dos chamados “falsos alarmes”. Cinco anos depois, cientistas soviéticos sugeriram que uma singular fonte de rádio seria produto da atividade de uma supercivilização alienígena, em virtude de variações regulares de suas emissões. Descobriu-se que eram quasares, galáxias produtoras de quantidades prodigiosas de energia. Outro episódio de confusão ocorreu em 1967, quando foram descobertos os pulsares, estrelas cuja regularidade na emissão de energia é assombrosa e aparentemente artificial. Na ocasião, o astrônomo Anthony Hewish disse que “alguma mensagem de seres extraterrestres seria a mais simples explicação”.
A Nasa está desenvolvendo o telescópio espacial James Webb, o sucessor do Hubble, que deverá ser inserido em uma órbita situada a mais de 1 milhão de quilômetros da Terra.

Marte
Enquanto isso, vamos explorando nas vizinhanças. E não é que os vizinhos têm reservado supresas para os exobiologistas? Depois da conquista da Lua, nos anos 60, Marte tornou-se o local predileto para a busca de vida. Em 1976, sondas da missão Viking desceram no planeta vermelho. Os experimentos biológicos eram os mais aguardados. Amostras do solo foram testadas e os resultados só revelaram reações químicas abióticas. Ou seja, nem sinal de vida. Máquinas soviéticas visitaram a superfície do planeta em 1971 e 1988. Os resultados de suas pesquisas ficariam por muito tempo obscuros e só agora começam a ser conhecidos. Em 1997, após 21 anos de interrupção da exploração direta de Marte, os americanos pousaram a Mars Pathfinder no planeta. Reuniram algumas pedras e fizeram uma baita publicidade, mas não encontraram nada de novo.
Quando todos pensavam em desistir, Marte aprontou uma surpresa. Em 1996, o presidente americano Bill Clinton anunciou que haviam sido encontrados sinais de vida em um meteorito de origem marciana, o ALH84001. As três letras da sigla referem-se ao local onde ele foi encontrado, na região de Alan Hills, Antártida, e o número significa ter sido o primeiro encontrado no ano de 1984. Para os exobiólogos americanos, as estruturas encontradas no interior do meteorito “poderiam ser remanescentes fósseis de uma antiga biota marciana”. Teria havido vida em Marte há cerca de 3,6 bilhões de anos!
As evidências bióticas do meteorito seriam a presença de carbonatos, de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, magnetita e de nanofósseis (menores que qualquer fóssil terrestre). Mesmo que cada uma delas admita, separadamente, uma explicação inorgânica, sua reunião no interior do ALH84001 é considerada, por alguns pesquisadores, um forte indicador de origem biológica. Mas a comunidade científica encontra-se, até hoje, dividida sobre o pedregulho. Em seguida ao anúncio, laboratórios independentes chegaram a resultados diferentes: uns acham que os indícios se referem a vestígios inorgânicos, outros que a contaminação por bactéria se deu já em solo terráqueo. E o caso continua inconcluso.
A última de Marte chegou até nós pela sonda americana Mars Odissey, lançada em 2001, que comprovou a existência de vastas quantidades de água ao redor do pólo sul do planeta, 1 metro abaixo da superfície. Misturados ao solo, os depósitos marcianos reforçam as suspeitas de que ali houve um passado molhado, com água fluindo na superfície. Enfim, uma boa notícia para os exobiólogos. Atualmente, a Odissey e a Mars Global Surveyor estão em órbita, funcionando plenamente e transmitindo imagens e dados. Essas informações têm sido fundamentais para melhor compreendermos a evolução climática e a possibilidade de o planeta ter abrigado vida.
A próxima missão a ser lançada tem o objetivo de colocar em Marte mais dois robôs móveis. Com chegada prevista para janeiro de 2004, os Mars Exploration Rovers 1 e 2 poderão se deslocar até 100 metros a cada dia marciano, o que equivale a 24 horas e 37 minutos terráqueos. Independentes do módulo de aterrissagem, eles estabelecerão contato direto com a Terra. Seus cinco instrumentos serão utilizados, entre outras funções, para a detecção de sinais da água líquida que deve ter percorrido a superfície do planeta, escavando longos canais. Para 2009, a Nasa estuda o lançamento de um laboratório científico móvel, um poderoso veículo capaz de atingir áreas de difícil acesso. Ele será o predecessor da primeira missão de retorno de amostras de Marte, esta sim decisiva para a realização de um estudo detalhado e extenso do solo e de resquícios de formas de vida presentes ou já extintas.
A proximidade de vida em Marte esquenta uma outra teoria dos exobiólogos. Carl Sagan, muito antes do ALH84001, sugeriu que, “se descobríssemos vida em Marte e verificássemos que é semelhante à da Terra, a proposição de que a vida foi transferida há muito tempo pelo espaço interplanetário teria de ser levada a sério”. Esse cenário poderia nos levar a uma conclusão chocante: a de que nós somos os marcianos. A evolução na Terra poderia ter sido desencadeada pelo desembarque de rochas marcianas contendo os germes da vida. Depois de tanto tempo e tantas discussões, talvez baste uma simples olhada no espelho para descobrir um extraterrestre.

Esses aparelhos investigaram o sistema solar e agora rumam ao desconhecido
Pioneer 11
Lançada em 5/4/1973, fotografou novas luas e anéis de Saturno
Distância atual: 9 bilhões de km do Sol
Velocidade: 11,8 km/s
Destino: estrela Lambda Aquilae, na constelação de Águia
Tempo estimado: 4 milhões de anos
Voyager 2
Lançada em 20/8/1977, descobriu dez luas em Urano e duas em Netuno
Distância atual: 10,7 bilhões de km do Sol
Velocidade: 15,7 km/s
Destino: estrela Sirius, na constelação de Cão Maior
Tempo estimado: 296 mil anos
Voyager 1
Lançada em 5/9/1977, descobriu duas luas em Júpiter e três em Saturno
Distância atual: 13,4 bilhões de km do Sol
Velocidade: 17,2 km/s
Destino: estrela AC+ 79 3888, na constelação da Girafa
Tempo estimado: 40 mil anos
Pioneer 10
Lançada em 2/3/1972, passou pelo cinturão de asteróides e fez as primeiras fotos próximas de Júpiter
Distância atual: 12,6 bilhões de km do Sol
Velocidade: 12,2 km/s
Destino: estrela Aldebaran, na constelação de Touro
Tempo estimado: 2 milhões de anos

As quatro sondas enviadas ao infinito estão levando nossos cartões de visita
Ainda estamos muito distantes das façanhas de qualquer cruzador imperial de Guerra nas Estrelas, mas quatro aparelhos terrestres deverão desbravar o território misterioso que se estende além da heliopausa, a região limítrofe do sistema solar. Nossos primeiros engenhos interestelares são as Pioneer 10 e 11 e as Voyager 1 e 2
Lançadas em 1972 e 1973, as sondas Pioneer 10 e 11 realizaram pela primeira vez o exame direto dos gigantes gasosos Júpiter e Saturno. As Voyager, de 1977, estudaram ainda Urano e Netuno. As Pioneer portam um cartão de visita para inteligências extraterrestres. É uma placa metálica com informações como a distância ao sistema solar de 14 estrelas, um desenho esquemático dos planetas e do Sol e uma representação do hidrogênio. As Voyager carregam um dispositivo muito mais bacana: um LP e uma agulha para tocar o disco (veja à direita). Para que os ETs conheçam as mensagens, as sondas devem ser capturadas no espaço: elas não resistiriam à entrada num planeta.

Manual de instruções
Cada Voyager leva um LP de cobre para os ETs. Na capa, reproduzida abaixo, o segredo para tocá-lo
O LP e a agulha vistos de cima e de lado mostram que o disco deve ser tocado de fora para dentro. Os tracinhos em volta são um código binário indicando o tempo de uma rotação (3,6 segundos). São 27 músicas (tem Johnny B. Goode, de Chuck Berry), a saudação “Paz e felicidade a todos” em 55 línguas (sim, em português também) e 21 sons da Terra (como chuva, tratores e um beijo)
Os três primeiros desenhos indicam como as fotografias devem ser “construídas” a partir dos sinais gravados no LP
Se a mensagem for decifrada corretamente, a primeira imagem que o disco vai revelar é esta: um círculo. Em seguida, aparecerão 115 fotos que mostram como somos e vivemos. Uma das cenas que os ETs verão, chamada “Lambendo, comendo e bebendo”, é esta aqui embaixo:
Representação do átomo de hidrogênio em dois estados. A transição de um estado para o outro fornece a unidade de tempo certa para se tocar o LP.

7368 – Novas missões devem ser lançadas até 2020 para buscar vida em Marte


marte

Em dez anos, se há alguma forma de vida facilmente acessível nos primeiros centímetros do solo marciano, é bem provável que já tenhamos ouvido falar dela.
Holandeses planejam ‘colônia reality show’ em Marte
Essa é a tônica da próxima fase da exploração não tripulada do planeta vermelho, promovida conjuntamente pela Nasa, agência espacial americana, e a ESA, sua contraparte europeia.
Até 2020, haverá três missões que confrontarão a pergunta em torno da qual todos têm dançado nos últimos anos: há vida em Marte?
Além dessas, duas outras -as primeiras a serem lançadas- tratarão de questões diferentes, mas também intrigantes: a estrutura interna do planeta vermelho e a dinâmica de sua alta atmosfera.
Até recentemente, havia um grande vazio na agenda da agência americana no que diz respeito a Marte. Duas possíveis sondas estavam em estudo para lançamento até 2016. Dali em diante, era uma folha em branco. Em meio à difícil situação econômica mundial, parecia até que os americanos estavam tirando o pé do acelerador.
Diante disso, os ianques se sentiram na obrigação de mostrar que ainda tinham gana de explorar o planeta vermelho e acabam de anunciar sua intenção de enviar, em 2020, um novo jipe, nos moldes do modelo mais recente levado a Marte.
Desta vez, a missão será procurar vida para valer e não os simples pré-requisitos para sua existência, como o Curiosity está fazendo agora.
Contudo, antes que o novo veículo americano faça isso, uma missão europeia pode roubar a descoberta.
O ambicioso projeto ExoMars está separado em duas etapas. Na primeira, em 2016, os europeus lançarão um satélite para mapear a presença de metano na atmosfera de Marte –o que pode ser um indicador de vida– e um veículo de pouso controlado.
Na segunda etapa, em 2018, um jipe de seis rodas buscará vida diretamente na superfície. Os russos prometeram ajudar, com grana e conhecimento, e os americanos aceitaram colaborar.
Procurar vida marciana não é exatamente uma novidade. Em 1976, as sondas americanas Viking 1 e 2 pousaram no planeta vermelho com um experimento projetado para detectar bactérias.
O dispositivo recolhia uma amostra de solo e colocava-a numa câmara, onde era banhada por uma solução de nutrientes. Se houvesse reação, estaria comprovada a presença de organismos vivos metabolizando alimento.
Ou não, pois o experimento foi conduzido e houve reação. Mas a análise das curvas de consumo dos nutrientes mostrava que eles eram rapidamente devorados e o processo parava de uma vez.
O padrão sugeria mais uma reação não biológica do que a atividade de bactérias.
O teste mostrou como é complicado buscar criaturas alienígenas sem saber o que procurar e, desde então, a Nasa adotou uma nova estratégia: cobrir de forma sistemática os enigmas do planeta vermelho, respondendo a questões como “Há água em Marte?” e “O planeta já reuniu condições para a vida?”
Foi nesses temas que as últimas missões avançaram.
Os jipes Spirit e Opportunity, lançados em 2003, demonstraram que Marte já teve água em abundância no passado; a sonda Phoenix, enviada em 2007, provou que ainda há gelo no subsolo e o Curiosity está fazendo análises sem precedentes em busca de compostos orgânicos.
Tudo parece apontar -na pior das hipóteses- para um passado favorável à vida. Se ela de fato floresceu e ainda resiste em algum lugar, ninguém sabe.
É onde entrará o novo jipe da Nasa, em 2020. “Ele será uma base científica móvel num local selecionado por sua habilidade de preservar evidências de vida”, afirma James Green, diretor da divisão de ciência planetária da agência americana.
A agência ianque trata o esforço como a última etapa para a realização de uma futura missão de retorno de amostras, na década de 2020, a ser seguida pelo envio de astronautas, nos anos 2030.

6686 – Nave Voyager faz 35 anos de viagens no limite do Sistema Solar


A sonda espacial Voyager-1, que acaba de completar 35 anos ainda na ativa, parecia estar prestes a celebrar um marco histórico: seu salto para o espaço interestelar.
Carregando um disco de ouro com imagens e sons da Terra e informações científicas, a nave marcou época por ser a primeira “mensagem na garrafa” cósmica enviada pelo nosso planeta -um recado para possíveis civilizações extraterrestres que derem a sorte de encontrá-la.
Agora, porém, cientistas estão em dúvida sobre sua localização -pode ser que ela ainda não esteja nas fronteiras do Sistema Solar, ao contrário do que se pensava.
O fenômeno que traça a fronteira entre a zona de influência do Sol e a exterior é o chamado vento solar: as partículas eletricamente carregadas emitidas por nossa estrela em alta velocidade.
Os cientistas da Voyager-1 achavam que a nave já tinha se aproximado da chamada heliopausa, onde o vento solar encontra o vento interestelar (vindo do resto da Via Láctea). Nessa fronteira, os dois se anulam.
Em abril de 2010, a nave parou de sentir o vento solar, e cientistas concluíram que a calmaria era sinal de que as partículas do Sol estavam sendo freadas pelas da região interestelar. A nave estaria exatamente na transição da heliopausa, prestes a saltar para fora do reino do Sol.
Para confirmar a descoberta, em 2011, os cientistas decidiram rotacionar a Voyager-1 para fazer mais medidas. Mesmo sendo incapaz de detectar o vento solar radial (vindo diretamente do Sol), a espaçonave deveria sentir o vento meridional (que ricocheteia na heliopausa e sopra perpendicularmente).
A tentativa, porém, foi em vão.
O célebre disco de ouro das Voyagers foi idealizado pelo astrônomo pop star Carl Sagan (1934-1996). O comitê reunido por ele fez de tudo para que as instruções para tocar o disco pudessem ser entendidas por qualquer criatura com conhecimento científico avançado, usando como unidade o período de uma transição dos átomos de hidrogênio -os mais comuns e “básicos” do Universo.
À velocidade atual, a pobre nave precisará de 17 mil anos -mais ou menos o tempo que nos separa do auge da Idade do Gelo- para viajar um ano-luz completo.

Um Pouco +
Com a criação da NASA a ciência teve condições de conhecer e explorar o espaço, e como as viagens tripuladas ainda são difíceis os cientistas investem em naves não tripuladas chamadas sondas, que visitam os planetas e seus respectivos satélites e nos enviam valiosas informações, mas um programa em especial me chama muito a atenção e desperta a minha curiosidade, trata-se do Programa Voyager, que lançou duas sondas denominadas Voyager 1 e Voyager 2, que neste exato momento estão viajando para além do nosso Sistema Solar a bilhões de quilômetros de distância, enviando dados a Terra e o mais fascinante, levando consigo saudações da humanidade a uma possível civilização inteligente que venha a recuperá-las algum dia.

O PROJETO
Os EUA se lançaram em um projeto denominado Marinner, que lançou algumas sondas, porém houve um corte de gastos e o projeto passou a ser chamado de Voyager, comandado pelo astrônomo Ed Stone, onde foram lançadas duas sondas.
Em 20 de agosto 1977, a bordo do foguete Titan III – Centaur, é enviada ao espaço a Voyager 2, tendo os cientistas aproveitado um raro alinhamento planetário que permitiu a inclusão de Saturno e Urano na missão. Logo após, em 05 de setembro do mesmo ano foi enviada ao espaço a Voyager 1 através de uma trajetória que permitia uma chegada mais rápida a Júpiter e Saturno.
Usando um recurso chamado assistência gravitacional, os cientistas conseguiram fazer com que as sondas utilizassem o movimento relativo e a gravidade dos planetas para impulsionar as sondas, a cada planeta visitado as sondas eram empurradas para frente atingindo assim os planetas exteriores do nosso sistema solar, fazendo um mapeamento quase que completo e inédito dos planetas que giram em torno nosso sol e muitos dos seus respectivos satélites.
Após 11 anos de uma viagem sem precedentes pelo nosso sistema solar a Voyager 1 começou sua jornada rumo ao espaço sideral, isso em 1988, a uma velocidade de 17 km/s. Já a Voyager 2 passou por Netuno em 1989 e, a uma velocidade de 15 Km/s também rumou para a fronteira do nosso sistema solar e se lançou na imensidão do espaço, onde os últimos raios de sol atingem as pequenas naves.
Após sua viagem pelo nosso sistema solar, antes de se lançar na imensidão do espaço, a Voyager 2 se vira pela última vez para nosso planeta, e se despedindo, tira essa última foto da Terra. Esse pequenino ponto azul é o nosso lar, nosso pequeno planeta, somos nós mesmos.
A missão ganhou um novo financiamento e passou a se chamar Missão Interestelar Voyager, tendo sido designados 10 cientistas que até hoje monitoram as sondas e analisam os dados enviados por elas de uma região completamente desconhecida pelo ser humano.
No ano de 2005 as sondas Voyager atingiram a marca de 14 bilhões de quilômetros percorridos, sendo que os dados enviados por elas demoravam cerca de 760 minutos para chegar até aqui.
A Voyager 1 está se dirigindo nesse momento em direção à estrela AC+79 3888, na constelação de Camelopardalis, ela irá levar 40. 000 anos para passar a uma distância de 1,6 anos-luz da estrela. Já a Voyager 2, daqui a 296.000 anos irá passar a 4,3 anos-luz de Sírius, a estrela mais brilhante do céu. Mas quando isso acontecer as sondas não estarão mais em funcionamento, já que em 2020 os geradores nucleares que alimentam as sondas não serão mais capazes de produzir energia elétrica para as Voyagers, e será o fim das comunicações com nossas mensageiras estelares.

Saudações Terráqueas

Com o fim das comunicações entre a Terra e as Voyagers em 2020 se dará o fim da missão mais espetacular do programa espacial americano em relação ao lançamento de sondas, porém o fim será para nós aqui neste pequeno planeta azul, pois as Voyager, ainda que silenciosas, levam consigo mensagens humanas para uma possível civilização inteligente que venham a resgatá-las algum dia.
A bordo das sondas está um disco fonográfico de 12 polegadas (similar aos LP de vinil), feitos de cobre e folheados em ouro idealizado pelo grande astrônomo Carl Sagan. Nele estão contidas 118 fotos do cotidiano na Terra, 90 minutos das mais variadas músicas e saudações de paz em 55 idiomas inclusive em português, que em nosso idioma leva a frase “Paz e Felicidade a todos”. Além desses arquivos há também ilustrações da localização da Terra, além de informações sobre a anatomia humana e o nosso genoma, e também instruções de como ter acesso as informações contidas no disco.