9971 – Cidades Brasileiras – Milagre de São Francisco?


No sertão do nordeste, a aridez sempre rivalizou com o sonho de fazer da caatinga um enorme pomar que tirasse seus habitantes da miséria.
No extremo oeste de Pernambuco e norte da Bahia isso está virando realidade.
Nos anos 60, o Vale do São Francisco ganhou a atenção dos militares, que viram a região como um centro de energia e produção de alimentos. Foi quando começaram os projetos de irrigação com a água do Rio São Francisco. O núcleo da mudança foi Petrolina em Pernambuco. Hoje, em volta dela se cultiva 1 milhão de toneladas de frutas, com safras avaliadas em 1,3 bilhão de dólares. a fruticultura transformou não só a paisagem, mas a vida de 800 mil pessoas que trabalham no setor. Um hectare plantado de uva rende 60 vezes mais que a mesma área destinada á pecuária e emprega 6 vezes mais. nas últimas décadas tem se intensificado a produção de vinhos.
Siamesas, Petrolina e Juazeiro se nutrem da economia da irrigação. Separadas apenas por uma ponte, as 2 cidades crescem juntas. Faltam vagas na rede hoteleira e os voos que operam para lá quase sempre estão lotados, sinal do elevado movimento de investidores e técnicos agrícolas que percorrem os municípios que compõem o chamado perímetro irrigado. A prefeitura de Petrolina investe 1 milhão de reais na implantação de pontos de acesso sem fio e gratuito à Internet. edifícios de luxo são erguidos nas duas margens do Rio São Francisco.

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Com o melhor índice de saneamento básico do Nordeste, Petrolina conta com 95% de coleta de esgoto e 100% de tratamento do que é coletado.
Petrolina foi reconhecida como a maior rede hoteleira da região turística do sertão do São Francisco e do Pajeú, contando com 2.115 leitos, distribuídos em 24 hotéis; diversos restaurantes, bares, centros comerciais, hospitais, Universidades e cursos de Turismo em níveis técnico e superior, segundo um estudo de competitividade realizado pelo Ministério do Turismo, Fundação Getúlio Vargas e o Sebrae Nacional.

9659 – Um besouro pode ser a salvação do sertão


besouro

Em anos de seca prolongada, o gado da Caatinga depende da palma forrageira para sobreviver no sertão nordestino. Trata-se de uma espécie de cacto com pouco ou nenhum espinho, com raquetes (“folhas”) achatadas e suculentas. Os produtores rurais plantam e mantêm pequenas áreas como estoque: caso venha a estiagem, eles cortam as raquetes com o facão e dão para o gado comer. Em alguns locais com menos recursos, a palma chega a ser a única fonte de alimento para o gado.
Justamente quando bate a escassez, porém, uma praga “importada” – a cochonilha rosada do hibisco – ataca as palmas. Cochonilhas são insetos da família dos coccídeos, também chamados de piolho-dos-vegetais porque sugam a seiva e impede o desenvolvimento das plantas. No Nordeste, há casos de perda de 100% das áreas plantadas com palmas devido a infestações desta praga. Por isso, a Embrapa Semiárido – unidade dedicada a pesquisas para melhorar a convivência com a seca – levou para o sertão uma joaninha originária da Austrália, inimiga natural desta cochonilha.

“Depois de reproduzir a joaninha australiana fomos a campo testar a metodologia de dispersão e ver sua eficiência para controle da praga”, conta Beatriz Aguiar Jordão Paranhos, do Laboratório de Entomologia da Embrapa. “Chegando às áreas afetadas pela cochonilha, no entanto, vimos que havia uma espécie nativa, bem presente, e a coletamos”. Os pesquisadores levaram o besourinho (Zagreus bimaculosus) para o laboratório e passaram a estudar a possibilidade de usá-lo em lugar da joaninha importada (Chroptolaemus montrouzieri) para controlar a praga estrangeira.

“A espécie nativa já está adaptada às condições climáticas do semiárido e é bastante eficiente. Porém sua multiplicação precisa ser feita nos sítios, pelo produtor, para o controle funcionar bem”, comenta Beatriz. “Após mais de 3 anos de estudos, agora temos uma metodologia e vamos produzir um manual técnico ainda neste ano para repassar essa tecnologia de controle biológico da praga”.
Claro que o controle feito pelo besourinho é apenas uma ferramenta e não resolve todo o problema. É preciso também fazer um manejo, tomar uma série de medidas para evitar o alastramento da praga, tais como retirar e queimar as palmas infestadas e desinfetar as raquetes usadas para propagação (em geral, repassadas de um produtor para outro). Mas, como não existe nenhum produto químico seletivo contra esta cochonilha, a alternativa à criação de joaninhas seria o uso de químicos pesados. Assim, o besourinho é a opção mais barata e acessível para os sertanejos, além de ser ambientalmente mais segura para o sertão.

8909 – De ☻lho no Mapa – Município de Quixeramobim


Por do Sol em Quixeramobim
Por do Sol em Quixeramobim

É um município brasileiro do estado do Ceará, localizado na Mesorregião dos Sertões Cearenses.
Segundo a tradição, os primitivos habitantes da região eram os índios quixarás. Os primeiros civilizados que penetraram às terras do atual Município vieram do Jaguaribe, seguindo o rio Banabuiú. Eram membros das famílias Correia Vieira e Rodrigues Machado, que ali se estabeleceram com fazendas de criar. A povoação parece ter nascido precisamente dessas fazendas. No ano de 1704, foram concedidas por Carta Régia muitas léguas de terras a vários portugueses e, entre eles, ao portuense Antônio Dias Ferreira. Além das que Ihe foram concedidas, adquiriu este boas terras às margens do rio que o gentio chamava de Ibu, fundando ali a Fazenda de Santo Antônio do Boqueirão. Tratou logo de erigir, nas proximidades da sua casa de morada, uma pequena capela, sob a invocação de Santo Antônio de Pádua, mais tarde Santo Antônio de Quixeramobim.
Com a construção da capela, Antônio Dias Ferreira muito concorreu para o desenvolvimento da região, “atraindo-lhe os moradores”. Vinte e cinco anos mais tarde, a capelinha arruinada era substituída pela Igreja, que seria a futura Matriz da cidade, edificada pelo portuense, “homem solteiro de avultada fortuna, que possuía 20 léguas de terras”. O volume 16º da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, edição de 1959, fundamenta que quixeramobim tinha a denominação de Nova Vila de Campo Maior.
O município é banhado pelo rio Quixeramobim (daí o nome), o maior afluente esquerdo do rio Banabuiú. Sua divisão política é distribuída por nove distritos, além de sua sede. Marco obelisco com cerca de 10 metros de altura, em granito e aço que foi anteriormente instalado pelo IBGE que referencia o presumido ponto de equidistância geodésica do Estado; fica na Praça Dias Ferreira. Quixeramobim portanto, é conhecida como a cidade “Coração do Ceará”.
Praticamente todo o território do município está na bacia hidrográfica do rio Banabuiú, que corta a parte sul do seu território. Contudo, o principal curso d’água é o rio Quixeramobim que é um afluente do Banabuiú. É no rio Quixeramobim que estão as principais barragens do município, o açude Quixeramobim e o açude Fogareiro.
A vegetação presente em praticamente todo município é a caatinga arbustiva densa ou aberta, caracterizada pela presença de cactos e vegetação rasteira com árvores baixas e cheias de espinho. Apenas em uma pequena área no extremo sudoeste, próximo à fronteira com Pedra Branca ocorre a floresta caducifólia espinhosa, ou caatiga arbórea.
O Município caracteriza-se por ter a maior produção leiteira do estado do Ceará. Nos últimos 10 anos, vem experimentando um grande progresso econômico com a chegada de indústrias que oferecem milhares de empregos. Isso transformou Quixeramobim no maior centro urbano do sertão central. Em 2007, a cidade ultrapassou a marca dos 68 mil habitantes e agora em 2010 já chega a mais de 73 mil habitantes.