13.979 – Borracha rupestre Extraída no Parque Nacional da Serra da Capivara


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A maniçoba, árvore típica da caatinga, produz um látex de grande qualidade. Além de pneus, até meados do século XX sua borracha natural era usada para produzir luvas cirúrgicas por conta de seu potencial de evitar rejeição durante operações. Entre 1900 e 1940, famílias de diversas localidades do Nordeste brasileiro foram ganhar a vida na extração de maniçoba, em uma região do Piauí onde hoje está o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e maior sítio arqueológico da América Latina. Imerso em uma crise financeira que se estende há anos, o parque inaugurou recentemente a Trilha Caminho dos Maniçobeiros, com o objetivo de preservar a memória desses trabalhadores em diálogo com os vestígios pré-históricos. O circuito turístico inclui visita aos locais em que essas famílias costumavam habitar: abrigos formados por paredes de taipa (pedra, paus e barro amassado) e tocas de rocha adaptadas para moradia. Muitos deles ainda preservam inscrições rupestres, algumas feitas há 50 mil anos. O Caminho dos Maniçobeiros tem aproximadamente 20 quilômetros de extensão. Começa na Guarita da Serra Branca e o trajeto pode ser feito de carro ou ônibus até o Sítio Igrejinha, tendo o visitante que seguir a pé pela estrada e pelas trilhas abertas na mata de caatinga. Há locais sinalizados com árvores de maniçoba e muitas tocas onde vestígios rupestres e dos maniçobeiros se misturam. O modo de vida e trabalho dos maniçobeiros começou a ser investigado, na década de 1970, por pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), que administra o Parque da Serra da Capivara. A arquiteta Elizabete Buco, pesquisadora da Fundham, ressalta a importância da preservação dessa memória: “Resolvemos tirar do papel e mostrar o que o parque ainda guarda sobre esses homens que faziam das tocas suas moradias, convivendo com vestígios arqueológicos, reocupando a área e construindo um novo espaço, com novos simbolismos e manifestações culturais”. Naquele período, a extração do látex de maniçoba no Nordeste só perdia em quantidade para os seringais da Amazônia. Ainda assim, “a demanda era tão grande que o governo brasileiro incentivava a extração e o cultivo de toda árvore que produzisse borracha”, observa Ana Stela de Negreiros Oliveira, pesquisadora do Iphan no Piauí. Os maniçobeiros extraíam látex de forma diferente: enquanto na seringueira as incisões eram feitas no tronco da planta, na maniçoba o látex era retirado da raiz, com auxílio de um instrumento pontiagudo criado por eles, a léga. Mas as relações de trabalho de seringueiros e maniçobeiros se assemelhavam: eram ambos explorados ao contrair dívidas com seus patrões, que monopolizavam o acesso a produtos alimentícios. Isto explica por que as famílias utilizavam os abrigos pré-históricos como moradias.

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9899 – O Cânion das Andorinhas


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Os paredões do cânion das Andorinhas são uma das atrações do Parque Nacional da Serra da Capivara. Essas formas únicas surgiram a partir da atividade vulcânica que separou o continente africano da América do Sul. O terreno já foi fundo de oceano e berço de florestas tropicais.
Tal cânion atrai as andorinhas em tardes ensolaradas.
Em tardes claras, o que acontece na maioria dos dias do ano na serra Vermelha, os turistas podem aguardar e presenciar a descida das andorinhas em pontos específicos dos cânions.
A reunião começa com uma cantoria e termina com um som forte, como um jato rumo ao solo.
Mas nem sempre o sol brilha. Este repórter encontrou naquele dia um tempo nublado. E foi questionado por um comerciante, sem ironia, se já teria imaginado que poderia passar frio no Piauí. A temperatura? Era de 28ºC.
Desça as escadas que dão acesso ao sítio localizado próximo à parte inferior do baixão das Andorinhas.
Lá estão algumas pinturas de cor vermelha, outras brancas e, ainda, algumas feitas com o preenchimento amarelo e o contorno vermelho.

9651 – Arqueologia – Sítios deram apoio a tese polêmica sobre a ocupação da América


Houve um tempo em que o sítio arqueológico Boqueirão da Pedra Furada estava no epicentro de uma longa e azeda controvérsia científica: a antiguidade da ocupação humana das Américas. Que o Parque Nacional da Serra da Capivara esteja à beira de fechar é só mais uma oportunidade perdida na pátria das oportunidades perdidas.
A polêmica já teve como desfecho a quebra do chamado paradigma Clovis. O nome vem de um sítio no Novo México (EUA) que seria o mais representativo dos primeiros ocupantes do Novo Mundo.
Mais dogma que paradigma, a hipótese rezava que todas as populações pré-colombianas descendiam de caçadores-coletores da Ásia que teriam alcançado este continente por uma passagem de terra no estreito de Bering há 13 mil anos –e não mais.
A antropóloga Niède Guidon foi uma das primeiras a se levantar contra Clovis. Nos anos 1970, participou de um estudo científico pioneiro naquela região do Piauí, que conta com um milhar de abrigos cobertos de pinturas rupestres. Para ela, ali estavam os vestígios mais antigos do homem americano.
Guidon não teve entre arqueólogos o sucesso obtido –de início– em criar o parque. Nunca conseguiu convencer a maioria dos especialistas de que os pedaços de carvão de Pedra Furada, datados de 50 mil anos atrás, tivessem feito parte de uma fogueira construída por mãos humanas e não fossem produto de um incêndio natural.
O Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato ainda fala em ocupação de 50 mil anos, mas isso não é levado a sério fora dali.
Clovis está enterrado. A teoria que vier a substituí-lo, porém, estará baseada nas datações de sítios como Monte Verde (Chile) ou Paisley (Oregon, EUA), que apontam para uma leva de migração 14 mil ou 15 mil anos atrás.
A última promessa da Serra da Capivara é a Toca da Tira-Peia, com artefatos datados de 22 mil anos atrás.
Mas como esperar que a pesquisa no sítio receba todos os recursos para tornar essa datação inquestionável, se nem o parque nacional o país se dispõe a sustentar?

6705 – Copa do Mundo do Brasil já tem o seu Mascote


O mascote

A Copa do Mundo no Brasil já tem um mascote: o tatu-bola, único que só existe no Brasil, nas regiões de Cerrado e Caatinga. Em função da caça predatória e destruição do habitat natural, é a espécie de tatu mais ameaçada de extinção no país. Atualmente, pode ser encontrado em Unidades de Conservação como o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, e o Parque Ecológico do Jalapão, no Tocantins.
A ideia foi proposta pela ONG Associação Caatinga, que atua no Ceará e luta pela defesa do animal. Quando se sente ameaçado, ele se fecha na própria carapaça e forma uma bola – característica importante na escolha e que será aproveitada nos vídeos e animações publicitárias do evento. A Fifa também recebeu sugestões como onça, arara e jacaré.
O desenho do tatu-bola foi registrado ontem no site de patentes europeias (OHIM) e terá seu nome definido por votação na internet.