11.196 – Neurologia – Mais uma arma contra o Alzheimer


Alzheimer

Uma técnica experimental aplicada em ratos conseguiu corroer a placa que se forma no cérebro dos pacientes que sofrem de mal de Alzheimer. Alguns dos animais conseguiram, inclusive, recuperar sua memória.
Os resultados do estudo foram publicados na revista especializada “Science Translational Medicine”.
O dano cerebral causado pela doença de Alzheimer é originado por causa de depósitos de fragmentos da proteína beta-amiloide. Esses depósitos formam placas que afetam as sinapses entre as células nervosas do cérebro.
Para tentar penetrar no cérebro dos ratos e destruir essas placas de beta-amiloide, os neurocirurgiões Jürgen Göt e Gerhard Leinenga, do Instituto do Cérebro da Universidade de Queensland, na Austrália, usaram um exame de ultrassom, combinado com microbolhas injetadas no sangue do rato que vibram em reação às ondas emitidas pelo aparelho.
Os pesquisadores aplicaram essa técnica ao cérebro de ratos afetados pelo mal de Alzheimer em várias ocasiões durante o período de algumas semanas. Após o experimento, descobriram que as placas desapareceram quase totalmente em 75% dos ratos, sem causar danos ao tecido cerebral.
Os ratos, por sua vez, tiveram melhores resultados nos testes de memória, orientação e reconhecimento de objetos após a aplicação do ultrassom.
A análise dos tecidos cerebrais revelou que o exame de ultrassom também estimulou as células do sistema imunológico do sistema nervoso central (micróglias), que contribuíram para erodir as placas de beta-amiloides.
Os cientistas assinalaram que se trata de uma técnica não invasiva que se encontra nos estágios iniciais de pesquisa. Eles acreditam, porém, que no futuro essa poderá ser uma estratégia para tratar o Alzheimer e outras doenças degenerativas.
Os autores esperam testar agora esta técnica em ovelhas com a doença de Alzheimer.

10.837 – Odontologia – Cientistas de Harvard criam novo método para regenerar dentes


regenerar-dentes

Dentadura vai ser coisa do passado:
Através de um novo método, eles conseguiram estimular o crescimento de dentes na arcada de quem os perdeu. E para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram um raio laser de baixa potência, que estimula a ativação de células-tronco dentárias. Estas, aos poucos, começam a formar a dentina, o tecido duro similar ao osso que fica sob o esmalte e que forma a maior parte da massa dentária.
Após expor as células-tronco ao laser por cinco minutos, o processo de cura começou dentro da boca, segundo o artigo que a universidade norte-americana publicou na revista Science Translational Medicine. Depois de doze semanas, a dentina tinha se formado por completo. A técnica revolucionária foi testada com sucesso em ratos de laboratório graças ao trabalho de uma equipe de cientistas mantida por especialistas da área de pesquisa odontológica do governo dos EUA. Eles esperam poder realizar o teste em humanos em breve.
O desafio atual consiste em conseguir regenerar outras partes do dente, como o esmalte, para, finalmente, substituir os tratamentos dentários atuais, caros e dolorosos. Indo mais longe ainda, os cientistas estão certos de que os resultados obtidos servirão de base para procedimentos como a cicatrização de feridas e a regeneração óssea, entre muitos outros.

10.390 – Cientistas criam “marca-passo transgênico” em estudo com porcos


marca passo p porco

A inserção de um único gene em células do coração de porcos com problemas cardíacos foi suficiente para transformá-las num marca-passo biológico, devolvendo ao coração dos bichos seu ritmo normal.
A estratégia, bolada por cientistas nos EUA e em Taiwan, tem potencial para ajudar pessoas cujos organismos rejeitam os marca-passos eletrônicos disponíveis hoje e, no futuro, poderia até substituí-los totalmente.
O feito, descrito na revista especializada “Science Translational Medicine”, em edição publicada recentemente, foi coordenado por Eduardo Marbán, do Instituto do Coração Cedars-Sinai, em Los Angeles.
Os pesquisadores intuíram que seria possível chegar a esse marca-passo biológico porque, afinal de contas, ele já existe em corações normais.
Trata-se do chamado nódulo sinoatrial, uma região desses órgãos que abriga células especializadas, responsáveis por lançar impulsos elétricos. São esses pequenos “choques” que mantêm afinado o ritmo cardíaco.
Para que essas células assumam sua função, é crucial o gene TBX18, que contém a receita de um fator de transcrição (molécula que liga e desliga outros genes).
O caminho a seguir, portanto, não era complicado: inserir esse gene em células do coração “” o que os pesquisadores fizeram por meio de um cateter, levando vírus geneticamente modificados para carregar esse pedaço de DNA.
Os porcos que passaram pelo cateterismo sofriam de bloqueio cardíaco de terceiro grau, uma doença do coração que deixava seus batimentos cardíacos em níveis muito baixos –apenas 50 batidas por minuto, causando desmaios e vertigens.
Após o procedimento, essa situação se normalizou, permitindo inclusive que eles fizessem exercícios sem dificuldade.
O efeito durou apenas duas semanas. “Mas achamos que ele pode até se tornar permanente”, afirmou Marbán. Os pesquisadores consideram que o risco de usar o vírus é baixo, porque sua ação fica restrita ao local afetado pelo cateterismo.
Por enquanto, o objetivo deles é testar a abordagem em pessoas que sofrem de infecções graves causadas pelos marca-passos eletrônicos, que poderiam ter uma “folga” do aparelho enquanto se recuperam.
Também seria interessante usar o gene para ajudar bebês que, ainda na barriga da mãe, apresentam defeitos em seus marca-passos naturais –nesses casos, não é possível colocar o aparelho, e os bebês podem acabar morrendo logo após o parto.

9709 – Vacina terapêutica pode tratar lesões cervicais


Depois do arsenal preventivo contra o câncer de colo do útero (exame papanicolaou e da vacina que previne o HPV), desponta agora uma vacina terapêutica que pretende evitar que células pré-cancerígenas se transformem em tumor de colo uterino.
Os resultados ainda são preliminares –apenas 12 mulheres com lesões cervicais ligadas ao vírus HPV foram testadas. O estudo foi publicado ontem na revista científica “Science Translational Medicine”.
O tratamento potencializou a ação do sistema imunológico contra as células pré-cancerígenas presentes na lesão cervical. As mulheres receberam três injeções da vacina no braço durante oito semanas. Não houve recidiva.
Após a aplicação da vacina, os pesquisadores compararam as respostas autoimunes. Foi observado que as células T se manifestaram em níveis antes não vistos. Espera-se que, com isso, as respostas imunes geradas pela vacina tenham o potencial de induzir a regressão completa da lesão cervical.
No futuro, a expectativa é que essas vacinas evitem as cirurgias para a retirada de lesões do colo do útero. Hoje, parte do colo é removida, o que pode causar infertilidade e partos prematuros.