5773 – Mais Invenções e Descobertas da Era Moderna


O físico alemão Max Planck (1858-1947) observou que a radiação emitida por um corpo não sai de forma contínua, mas em pacotes, que ele chamaou de quanta. Está fundada a Teoria Quântica, que tenta explicar toda a integração entre energia e massa na natureza.
1903 – No dia 17 de dezembro, os irmãos americanos Orville e Wilbur Wright (1871-1948 e 1867-1912) lançaram seu avião primitivo de uma rampa e conseguiram mantê-lo no ar por 59 segundos. Em outubro de 1906, o brasileiro Santos Dumont (1873-1932) fez o primeiro vôo num artefato motorizado sem a ajuda de rampas. Três anos depois, o brasileiro construiria o Demoseille, protótipo dosaviões modernos.
1908 – O industrial americano Henry Ford (1863-1947) iniciou a construção do Modelo T, movido por um motor de 4 cilíndros,pondo em prática as técnicas de produção em grandes linhas de montagem. Além de tornar o carro um bem acessível à classe média, Ford moldou todo o processo industrial no século 20.

O industrial Henry Ford trouxe a linha de montagem.

5361 – Santos Dumont – Lutou contra uma doença que o levou ao suicídio


Um inventor rico e genial que foi notícia no mundo todo no início do século 20 com o 14 Bis e o Demoiselle. Apeser de sua muitas biografias, até hoje pouco se sabe sobre as razões que o levaram a se matar com 59 anos, num banheiro de hotel no litoral de São Paulo. A versão mais aceita é a de que o suicidio teria sido motivado pela angústia de ver o uso militar do avião. Santos Dumont padeceu de uma doença psíquica mal conhecida pela Medicina de então e portanto, sem registro confiável. Alguns dizem se tratar de neurastenia, outros de esclerose múltipla ou depressão profunda. Analisando tecidos de farmácia, comprovantes de consulta médica e cartas, especialistas concluíram que se tratava de transtorno bipolar, hoje diagnosticável e tratável com medicamentos. Entre 1910 e 1932, internou-se em clínicas de repouso européias, procurou os principais psquiatras do Brasil, tomou calmantes,massagens terapêuticas e banhos medicinais.Tinha dupla personalidade, alternando momentos de depressão com euforia. Em 1910, depois de um acidente aéreo, abandonou a Aviação por conselho médico, com 37 anos. Passou a sofrer crises de depressão esporádicas até 1925, quando se internou numa clínica na Suíça. Dois anos depois, ainda na Suíça, já tinha um aspecto envelhecido. Em 1928, ele criou o conversor marciano, uma espécie de hélice que, colocada nas costas de esquiadores, deveria ajudá-los a subir monhtanhas com menor esforço. Um grupo de amigos decidiu saudá-lo com um sobrevôo do navio que o trazia da Europa. O avião caiu e todos morreram. A partir dái as crises se agravaram. Ele já havia tentado o suicídio 3 vezes. A fortuna de S. Dumont não impediu o avanço da doença. No Brasil se consultou com os maiores nomes da Psquiatria, mas nada funcionou.

2699- Alberto Santos Dumont, O Pai da Aviação


14 Bis

MG, 1873-SP, 1932 – Estudou física, química e mecânica em Paris e em 1906, tornou-se o primeiro homem a voar com um aparelho mais pesado que o ar, o avião 14 bis. Era um gênio de 1,52m de altura. Além de inventar o sapato plataforma, construi 20 aparelhos voadores, entra balões e monoplanos. Trouxe da França o primeiro automóvel a voar no Brasil. Construiu em Petrópolis uma casa surrealista com móveis desproporcionais. Angustiou-se com a utilização bélica do avião, durante a primeira guerra mundial. Com 59 anos, enforcou-se no cano do chuveiro de um quarto de hotel no Guarujá, litoral de SP.
Santos Dumont projetou, construiu e voou os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Esse mérito lhe é garantido internacionalmente pela conquista do Prêmio Deutsch em 1901, quando em um voo contornou a Torre Eiffel com o seu dirigível Nº 6, transformando-se em uma das pessoas mais famosas do mundo durante o século XX.
Com a vitória no Prêmio Deutsch, ele também foi, portanto, o primeiro a cumprir um circuito pré-estabelecido sob testemunho oficial de especialistas, jornalistas e populares.
Santos Dumont também foi o primeiro a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor a gasolina. Em 23 de outubro de 1906, ele voou cerca de 60 metros a uma altura de dois a três metros com o Oiseau de Proie’ (francês para “ave de rapina”), no Campo de Bagatelle, em Paris. Menos de um mês depois, em 12 de novembro, diante de uma multidão de testemunhas, percorreu 220 metros a uma altura de 6 metros com o Oiseau de Proie III. Esses voos foram os primeiros homologados pelo Aeroclube da França de um aparelho mais pesado que o ar, e possivelmente a primeira demonstração pública de um veículo levantando voo por seus próprios meios, sem a necessidade de uma rampa para lançamento.
Apesar de os brasileiros considerarem Santos Dumont como o responsável pelo primeiro voo num avião, na maior parte do mundo o crédito à invenção do avião é dado aos irmãos Wright. Uma excepção é a França, onde o crédito é dado a Clément Ader que efectuou o primeiro voo de um mais pesado que o ar propulsionado a motor e levantando voo pelos seus próprios meios em 9 de Outubro de 1890
A FAI, no entanto, considera que foram os irmãos Wright os primeiros a realizar um voo controlado, motorizado, num aparelho mais pesado do que o ar, por uma decolagem e subsequente voo ocorridos em 17 de dezembro de 1903 no Flyer, já que os voos de Clément Ader foram realizados em segredo militar, vindo-se apenas a saber da sua existência muitos anos depois.

O primeiro balão

Por outro lado, o 14-Bis de Dumont teve uma decolagem autopropulsada, reconhecida oficialmente por publico e jornalistas, tendo sido a primeira atividade esportiva da aviação a ser homologada pela FAI
Em 1897, já independente e herdeiro de imensa fortuna – contava 24 anos –, Santos Dumont partiu para a França, onde contratou aeronautas profissionais que lhe ensinaram a arte da pilotagem dos balões. Sabe-se que em 1900 ele já havia criado nove balões, dos quais dois se tornaram famosos: o Brazil e o Amérique. O primeiro, estreado em 4 de julho de 1898, foi a menor das aeronaves até então construídas – inflado a hidrogênio, cubava apenas 118 metros –, e com o segundo obteve em 13 de junho de 1899 o quarto lugar num torneio aéreo, a Taça dos Aeronautas, destinada ao balonista que pousasse mais distante do ponto de partida, após 325 quilômetros percorridos e 22 horas de voo.
O primeiro dirigível projetado por Santos Dumont, o N-1, com 25 metros de comprimento e 180 de cubagem, foi inflado no Jardim da Aclimação de Paris no dia 18 de setembro de 1898, mas acabou rasgado antes de experimentado, devido a uma manobra mal feita pelos ajudantes que em terra seguravam as cordas do aparelho. Reparada dois dias depois, a aeronave partiu e evoluiu em todos os sentidos. Um imprevisto, porém, encurtou a viagem: a bomba de ar encarregada de suprir o balonete interno, que mantinha rígido o invólucro do balão, não funcionou devidamente, e o dirigível, a 400 metros de altura, começou a se dobrar e a descer com rapidez. Numa entrevista, Santos Dumont contou como escapou da morte certa
Em setembro daquele ano Santos Dumont deu início à construção de um novo balão alongado, o N-3, inflado a gás de iluminação, com 20 metros de comprimento e 7,50 de diâmetro, com capacidade para 500 metros cúbicos. A cesta instalada era a mesma utilizada nas duas outras aeronaves. O balonete interno, que até então só havia lhe causado problemas, foi dispensado.
Às 15h30min do dia 13 de novembro, data em que, de acordo com alguns astrólogos, o mundo acabaria, Santos Dumont, num gesto de desafio, partiu no N-3 do Parque de Aerostação de Vaugirard e contornou a Torre Eiffel pela primeira vez. Do monumento seguiu para o Parque dos Príncipes e de lá para o campo de Bagatelle, próximo a Longchamps. Aterrissou no local exato onde o N-1 havia caído, dessa vez em condições controladas.
O primeiro mais pesado: um planador
No começo de 1905 Santos Dumont construiu um aeromodelo de planador inspirado num protótipo auto-estável feito 100 anos antes pelo cientista inglês George Cayley, considerado o primeiro aeroplano da História: o modelo, de 1,5 metro de comprimento por 1,2 de envergadura, era provido de asas fixas, cauda cruciforme e um peso móvel para ajustar o centro de gravidade. O planador de Dumont diferia do de Cayley pelas dimensões, pelo perfil das asas e pelo fato de não possuir nenhum peso móvel.
A primeira experiência, realizada no dia 13 de maio no Aeroclube da França, foi feita pelos irmãos Dufaux com um protótipo de helicóptero. O modelo, de 17 quilogramas e dotado de um motor de 3 cavalos-vapor, subiu veloz repetidas vezes até o teto do alpendre do aeroclube, levantando nuvens de pó. Estava demonstrado que mais pesados de grandes dimensões podiam se elevar por meios própr
A segunda experiência foi feita no dia 8 de junho no rio Sena: Gabriel Voisin subiu no hidroplanador Archdeacon, rebocado por uma lancha pilotada por Alphonse Tellier, La Rapière. A 40 km/h, o aparelho ergueu-se da água, elevou-se a impressionantes 17 metros de altura e voou 150 metros. Santos Dumont percebeu que a era do avião estava próxima.
Santos-Dumont começou a sofrer de esclerose múltipla. Envelheceu na aparência e sentiu-se cansado demais para continuar competindo com novos inventores nas diversas provas. Encerrou as atividades de sua oficina em 1910 e retirou-se do convívio social.
Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas do Império Alemão. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra, primeiro para observação de tropas inimigas e, depois, em combates aéreos. Os combates aéreos ficavam mais violentos, com o uso de metralhadoras e disparo de bombas. Santos Dumont viu, de uma hora para a outra, seu sonho se transformar em pesadelo. Daí começava a guerra de nervos do “Pai da Aviação”.
Santos Dumont agora se dedicava ao estudo da astronomia, residindo em Trouville, perto do mar. Para isso usava diversos aparelhos de observação, que os vizinhos julgaram ser aparelhos de espionagem, para colaborar com os alemães. Foi preso sob essa acusação. Após o incidente ser esclarecido, o governo francês pediu desculpas formalmente.
Em 1915, sua saúde piorava e decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou do 11º Congresso Científico Pan-Americano nos Estados Unidos, tratando do tema da utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países da América. No entanto, mesmo nas Américas o avião era utilizado para fins militares: nos Estados Unidos eram produzidos 16 aviões militares por dia.
Livro inédito de Santos Dumont
Em meio aos eventos que marcaram o centenário do voo do 14-bis, surge uma descoberta que pode revolucionar o entendimento dos métodos de trabalho do aviador. Familiares descobriram um livro inédito escrito de próprio punho por Santos Dumont. O manuscrito, com 312 páginas, foi escrito por volta de 1902. Entre as passagens do livro, destacam-se trechos sobre o sonho de virar aeronauta e o encontro com Thomas Edison.