10.817 – História – Guerra do Golfo, último capítulo


guerra golfo

Ano: 1991
Rico e poderoso, o Iraque desperdiçava a chance de um futuro promissor e sob o bombardeio de aliados se tornava um país em ruínas.
Era dono do exército mais poderoso do mundo árabe e 100 bilhões de barris de petróleo. caminhando para ser uma potência média. Nem os 8 anos de guerra com o Irã, que deixaram um rombo de 80 bilhões de dólares comprometeram. O erro foi invadir e saquear o Kuweit. Em pouco mais de um mês de guerra, o estado iraquiano entrava em colapso:
20 mil mortos, 60 mil feridos e um prejuízo de 200 bilhões de dólares.
Com um passado glorioso de já ter sido o país mais cosmopolita do planeta, enquanto a Europa ainda chafurdava no barbarismo, Bagdá fora reduzida a escombros só comparáveis a Beirute, com a diferença que a capital libanesa precisou de 15 anos de guerra civil para acabar num monte de ruínas.
Com seu exército mutilado, Saddam Hussein ia em busca de um final honroso para salvar o governo e disfarçar a humilhação da derrota.
Com o Iraque em ruínas, seu exército mutilado antes mesmo de conseguir acertar um único tiro e lutando contra 28 países, liderados pelos EUA, o massacre seria inexorável em campo de batalha. Com exceção de um suposto ataque com armas químicas, de duvidosa eficácia militar, todos os cartuchos de Bagdá já haviam sido queimados, com o mesmo destino dos Scud; os paleolíticos mísseis russos que no início causaram pânico em Israel, mas depois, eram até motivo de piada.

Os descalibrados mísseis iraquianos
Os descalibrados mísseis iraquianos

7060 – História – A Guerra do Golfo


Desde 1980, o Iraque se envolvera em três guerras num intervalo de apenas um quarto de século. Bombas endereçadas por três nações diferentes (Irã, Israel e Estados Unidos) atingiram seu território. Os motivos de cada conflito variavam, mas o personagem central era sempre o mesmo: Saddam Hussein, o tirano de Bagdá, figura truculenta, incendiária e sedenta de poder.
A guerra se estenderia por anos, com resultados desastrosos para toda a região.
No ano seguinte, o Brasil ouviu falar do Iraque de maneira inesperadamente próxima, já que uma aliança entre os dois países era denunciada por um jornal britânico. A acusação tratava de remessas sigilosas de material bélico de aeroportos brasileiros com destino ao Oriente Médio. Essas cargas poderiam capacitar os iraquianos a conseguir a temida bomba atômica, coisa que de fato, jamais aconteceu.
Uma guerra com nome de filme – Tempestade no Deserto -, assistida ao vivo pela televisão e destinada a dobrar um ditador de opereta, mas sanguinário.
O ataque começou pelos céus e ali ficou na primeira etapa da guerra destinada a arrancar Saddam Hussein do Kuwait invadido. No início da “mãe de todas as batalhas”, segundo a retórica grandiloqüente de Saddam, os Estados Unidos tinham 435.000 combatentes mobilizados no Golfo Pérsico, seus 27 aliados outros 230.000 e o Iraque arregimentava 545.000 homens em armas. A carnificina que a História ensinou a associar a semelhante concentração de gente disposta a matar ou morrer, no entanto, não aconteceu nesta fase – ou se desenrolava longe dos olhos capazes de transmiti-la.
Aproveitando-se de um inimigo momentaneamente nocauteado e amarrado na retranca, a assepsia da máquina de guerra americana dominou o teatro de operações no Golfo Pérsico nos dois primeiros dias. Obedecendo ao declarado e sensato objetivo de causar o menor número de baixas entre a população civil, o ataque aéreo americano instaurou no vocabulário bélico uma expressão também emprestada da medicina: precisão cirúrgica, sinônimo da exatidão milimétrica exibida pelas estrelas da guerra tecnológica. O primeiro lote de resultados da videoguerra foi tão espetacular que o principal inimigo dos americanos parecia ser uma das mais deliciosas sensações da mente humana: a euforia.
Com a precisão de relojoaria proporcionada pela alta tecnologia em ação, os balanços oficiais dos primeiros dias de guerra davam números muito distantes das cifras apavorantes que se imaginava acompanhar o maior ataque aéreo da História. Falando sempre em “desaparecidos em ação”, o Pentágono anunciou ao fim de 48 horas de combate sete tripulantes de aviões americanos nessa condição e outros sete das forças aliadas, além de dois fuzileiros navais ligeiramente feridos em terra, na fronteira entre a Arábia Saudita e o Kuwait. Em Israel, a tão prometida e temida ofensiva iraquiana começou com uma ineficácia abençoada: as quatro pessoas que morreram durante o ataque de oito mísseis Scud iraquianos disparados na madrugada de sexta-feira contra Tel Aviv e Haifa foram vitimadas pelo uso indevido dos equipamentos antigás.
Rebatizada como Rádio Mãe das Batalhas, a Rádio Bagdá se especializou em despejar as mais tonitruantes ameaças contra as forças multinacionais que lutam para expulsar o Iraque do Kuwait, invadido então há seis meses. Dia a dia, a emissora anuncia que o deserto se tingirá de vermelho, com o sangue dos soldados americanos, e o presidente George Bush vai arder para sempre no fogo do inferno.
Em pouco tempo, as fábricas de armas químicas e biológicas, sem contar os dois reatores nucleares de pesquisa do Iraque, são dadas por destruídas. As bases iraquianas de mísseis terra-ar foram atingidas e a rede de radares ficaram fora de ação.