12.358 – Cidades Industriais


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Cidades do século 19 como Londres ou Paris, cresceram sem planejamento, operários e burgueses não dividiam a mesma vizinhança, trabalhadores moravam junto as fábricas enquanto os patrões moravam nos subúrbios arborizados. As casas dos operários eram pequenas, miseráveis e grudadas umas as outras. O trabalho nas fábricas consumia 15 horas por dia de homens, mulheres e crianças.

9931 – Projeções – Quais profissões condenadas a desaparecer – e as que resistirão às novas tecnologias?


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O russo Gary Kasparov não foi apenas o maior jogador de xadrez de seu tempo. Quando aceitou jogar contra o supercomputador Deep Blue, em 1997, era considerado o maior enxadrista de todos os tempos. “Não acho apropriado discutir o que eu faria em caso de derrota”, disse, antes do duelo. “Nunca perdi.” Em outra ocasião, foi ainda mais confiante: “Nunca vou perder para uma máquina”. Depois de oito dias e seis partidas, o que parecia improvável aconteceu. A máquina venceu o homem num duelo de capacidade intelectual. A vida profissional de Kasparov foi diretamente afetada a partir daquele dia 11 de maio. A vida dos demais profissionais, não. Supercomputadores eram para poucos. O Deep Blue pesava 1,4 tonelada, só sabia jogar xadrez e custou, em valores atuais, o equivalente a US$ 15 milhões. Computadores já haviam chegado a fábricas e escritórios, mas com capacidade e resultados tímidos. Ainda prevalecia a frase cunhada em 1987 por Robert Solow, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre crescimento: “Dá para ver a era dos computadores em todo lugar, menos nas estatísticas de produtividade”. Hoje, 16 anos após a derrota de Kasparov, o cenário mudou. O poder de processamento de um supercomputador dos anos 1990 está agora disponível em computadores pequenos, baratos, versáteis e interconectados, como os smartphones. Incrivelmente capazes de armazenar e interpretar informações, essas novas máquinas estão revolucionando o ambiente de trabalho – e isso afeta diretamente seu emprego. “Cerca de 47% das profissões correm risco”.
Frey e Michael Osborne, professor de ciência de engenharia de Oxford, avaliaram tarefas cotidianas de mais de 700 ocupações, para identificar o que uma máquina poderá fazer melhor que os humanos nas próximas duas décadas. Chegaram a um índice que varia entre 0 (nenhum risco de substituição) e 100% (risco total). As profissões mais ameaçadas estão nas áreas de logística, escritório e produção, aquelas que envolvem tarefas intelectualmente repetitivas. Embora o estudo seja baseado no mercado de trabalho dos Estados Unidos, suas conclusões são aplicáveis mundialmente. “Trocar profissionais por máquinas no Brasil é, em tese, menos atraente do que nos Estados Unidos, porque os salários são mais baixos.
Exercícios de futurologia sobre a evolução da tecnologia existem há décadas – e, há décadas, eles costumam errar o alvo. Historicamente, os profetas pecam pelo otimismo. Agora, a realidade parece ter chegado antes do previsto. Em 2004, os economistas Frank Levy, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Richard Murnane, da Universidade Harvard, disseram no livro A nova divisão do trabalho que os robôs continuariam incapazes de realizar tarefas complexas, como dirigir. A previsão dos dois especialistas foi superada em 2005, quando Stanley, um carro sem motorista da Universidade Stanford, venceu um desafio proposto pela Agência de Projetos Avançados de Defesa dos Estados Unidos (Darpa). Desde 2009, o Google desenvolve a tecnologia do Stanley em estradas abertas ao trânsito. Os robôs já rodaram mais de 500.000 quilômetros, sem acidentes. O custo do sistema de radares a laser, usado pelos carros, caiu de US$ 35 milhões para US$ 80 mil. Considerados, no livro de 2004, insubstituíveis em longo prazo, motoristas de ônibus escolares têm 89% de chance de ser substituídos por uma máquina, segundo a previsão atual.

Nova Revolução Industrial?
O grande salto e a grande crise ocorreram com a Revolução Industrial. O trabalho repetitivo de artesãos foi substituído por máquinas, operadas por profissionais mais baratos e de menor qualificação. A mudança encontrou resistência de muitos – pois nunca se sabem, de antemão, os vencedores e perdedores de uma revolução. Até a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, resistiu. Em 1589, recusou-se a patentear a máquina de tecer criada pelo inventor William Lee. “Imagine o que sua invenção poderia fazer a meus pobres cidadãos”, disse. “Sua máquina certamente os levará à ruína, ao tirar o emprego, tornando-os mendigos.” A tentativa mais inflamada de conter a evolução tecnológica foi liderada pelo inglês Ned Ludd, entre 1811 e 1817. Os “luditas” invadiram tecelagens e quebraram máquinas. Em vão. No longo prazo, a sociedade saiu ganhando. A manufatura tornou os produtos acessíveis a um público maior, porque ficaram mais baratos e porque a profissão de operário incluiu no mercado mais consumidores. O aumento nas vendas criou demanda por atividades relacionadas, como produção de matéria-prima e manutenção das linhas de produção, e indiretamente relacionadas, como transporte e alimentação. Fez a economia girar. A Revolução Industrial melhorou as condições de vida de tal forma que, entre os anos 1700 e 1900, a população mundial cresceu de 680 mil habitantes para 1,6 bilhão.

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A automação do trabalho intelectual será um salto comparável ao da Revolução Industrial, afirmam Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, professores do MIT, no livro The second machine age (A segunda era da máquina). Os autores afirmam que a segunda revolução das máquinas, a exemplo da primeira, trará possibilidades fantásticas de melhora na qualidade de vida – ao lado de incertezas, desemprego e, possivelmente, concentração de renda. O avanço da computação nos Estados Unidos, nas últimas três décadas, já foi acompanhado de aumento na desigualdade social. Os dados mais recentes do Departamento de Receita americano mostram que a camada 1% mais rica da população acumulou 19,3% da renda do país em 2012 – um recorde, num século de levantamento. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego no mundo crescerá 6,4% de 2013 a 2018, apesar da perspectiva de recuperação econômica nos países ricos. Historicamente, o avanço tecnológico fechou portas e abriu um número ainda maior de janelas. Num momento de transição, como agora, nem sempre é fácil identificar onde as janelas se abrem. Mas algumas parecem bastante claras.
criatividade sobreviverá ao avanço das máquinas em carreiras artísticas, como design de moda. “Um computador pode criar variações do que faz sucesso, mas é incapaz de lançar tendências”, diz Frey. “A moda é uma abstração humana.” A maior oportunidade do século está na simbiose entre a criatividade humana e o poder de computação das máquinas. Serviços como Amazon e Google são o melhor exemplo desse casamento feliz. Há duas décadas, seus fundadores eram jovens de classe média, formados em ciências exatas nas melhores universidades americanas. Hoje, Larry Page e Sergey Brin (fundadores do Google) e Jeff Bezos (fundador da Amazon) são os mais jovens integrantes da lista de 20 homens mais ricos do mundo. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, está no caminho. Aos 29 anos, é o 66o mais rico. A tecnologia atual permite a qualquer jovem lançar um produto de sucesso mundial. Basta ter uma boa ideia, de preferência uma que dê sentido à avalanche de dados digitais armazenados pelas máquinas.

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8540 – Tecnologia – Nova Revolução Industrial?


Revolução Industrial
Revolução Industrial

A maior invenção do Século 21, até então, a impressora 3D, hoje ainda cara e pouco conhecida. Mas tal cenário deve mudar em breve.
No Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da USP ela custou em torno de 50 mil dólares em 2009.
Seu uso na confecção de protótipos de pesquisas compensara fartamente o investimento.
A melhor medida de uma revolução tecnológica é seu impacto na vida das pessoas. Mudanças no modo como produzimos bens e serviços desencadeiam uma energia transformadora nas relações humanas e aspectos que vão do íntimo ao profissional.
O aperfeiçoamento da máquina de tecer do século 18, por exemplo, foi o estopim de uma renovação para melhor na sociedade, na cultura, na política e bem estar social. Em 1766, o tecelão James Hargreaves, cuja indústria era a própria casa, imaginou um mecanismo com apenas uma roda de fiar, mas capaz de trabalhar múltiplas linhas de algodão. Da noite para o dia, a fiandeira de pedal multiplicou por 8 a produtividade de um operário. Quando morreu em 1778, o tear já trabalhava com 80 linhas e havia mais de 20 mil de tais máquinas instaladas. O salário médio dos ingleses se multiplicou por 10. A prosperidade, somada ao desenvolvimento de novos medicamentos dobrara a expectativa de vida no país. Esta foi a 1ª Revolução Industrial, uma pedra sobre a qual se ergueu o mundo moderno, e o capitalismo selvagem foi seu efeito colateral.

Quase 250 anos depois da revolução do tear a pedal, e por causa dele, a nossa produção em massa é feita em fábricas, mas isso começa a mudar novamente com a chegada da impressora 3D, que vem prenunciando uma nova revolução.
Tal máquina permite confeccionar objetos sólidos em 3 dimensões, utilizando-se para isso, em teoria, qualquer material, do plástico ao concreto. Programas de computador fazem o desenho em 3 dimensões.
Hoje, ainda engatinhando, já é possível imprimir as paredes de um edifício e até tecido humano.

Vejamos como:
O cartucho da impressora é abastecido com uma cultura de células-tronco mistura a colágeno.
3 Seringas ejetam diferentes tipos de células em filamentos viscosos. Uma 4ª libera acrilato, composto químico utilizado para agrupar as células.
O tecido se desenvolve sob luz ultravioleta, que matém aquecida a mistura.
Em 7 horas, tem se um rim de dimensões similares ás do órgão humano.
A previsão do 1° transplante em ser humano é para 2014.

5814 – História – A Revolução Industrial


Revolução Industrial

No início do século 18, a Revolução Industrial começou a reconfigurar todo o planeta. Aqueles países que primeiro embarcaram nessa onda de inovações tecnológicas virariam também as primeiras potências da Era Moderna. Por volta de 1900, nações como Inglaterra, França, Itália e Alemanha já faziam pose de donas do mundo, exercendo forte influência política e econômica sobre todas as outras E não tardaria até que EUA, Japão e Rússia também engrossassem a lista dos poderosos – embora não fossem impérios coloniais como seus pares da Europa Ocidental. Esse novo modelo de imperialismo, agora baseado no desenvolvimento da indústria, ajudaria a definir quais países escreveriam a história do mundo dali em diante.

1700
AMÉRICAS
• Cerca de 30 mil escravos africanos trabalham no garimpo de ouro em Minas Gerais.
ÁFRICA E O. MÉDIO
• Astrônomos islâmicos adotam instrumentos desenvolvidos por europeus, como o telescópio.
• O reino de Darfur se expande na África Oriental.

ÁSIA E OCEANIA
• A China atinge sua maior extensão territorial, com população de 300 milhões.

1750

AMÉRICAS
• Os EUA declaram independência.

EUROPA
• Está em curso a Revolução Francesa, que terminará com a queda da monarquia.

ÁSIA E OCEANIA
• O Sião (atual Tailândia) conquista a independência de Burma (atual Mianmar).

1800

AMÉRICAS
• Várias colônias espanholas na América tornam-se independentes.
• O Brasil declara sua independência de Portugal.
EUROPA
• Napoleão Bonaparte se declara imperador da França.
• Karl Marx publica o Manifesto Comunista e revoluções populares eclodem por toda a Europa.

1850
AMÉRICAS
• A escravidão é abolida nas ex-colônias espanholas.

1900
Clube dos cinco
Potências mundiais em 1900
INGLATERRA
Foi o berço da industrialização, impulsionada por invenções importantes como a fundição de ferro a carvão (Abraham Darby, 1709), a máquina de tear (Richard Arkwright, 1769) e o motor a vapor (James Watt, 1769).

ITÁLIA
Dois inventores viraram sinônimo de Revolução Industrial em território italiano: Alessandro Volta e Guglielmo Marconi. O primeiro criou a bateria elétrica, em 1800. O segundo inventou o rádio, na virada do século 19 para o século 20.

FRANÇA
Seu processo de industrialização patinou no início, mas acabou pegando no tranco. As descobertas do físico britânico Michael Faraday no campo do eletromagnetismo tornaram possível construir em Paris o primeiro gerador elétrico, no ano de 1832.

ALEMANHA
Sua revolução industrial só começou para valer em 1815, depois da unifi cação do país. A partir daí, no entanto, caminhou a passos largos, com invenções como motores a explosão (Gittlieb Daimler, 1885) e movidos a diesel (Rudolph Diesel, 1897).

EUA
Antes de pensar em Revolução Industrial, os americanos tiveram de resolver sua guerra civil, encerrada só em 1865. Daí em diante, o processo deslanchou, empurrado por invenções como a lâmpada (Thomas Edison, 1879) e a linha de montagem (Henry Ford, 1913).
A escravidão acompanha a humanidade desde o seu passado mais remoto. Na 2a metade do século 18, contudo, fazer e vender escravos virou um negócio dos mais lucrativos. Àquela altura, colônias e ex-colônias europeias nas Américas dependiam da mão-de-obra escrava para tocar suas culturas de algodão, café, cana-de-açúcar e tabaco, ou seguir com a rentável mineração de ouro e pedras preciosas. Resultado: tráfico humano em proporções aterradoras. Estima-se que, de 1500 a 1870, de 10 milhões a 12 milhões de africanos tenham sido escravizados e enviados para trabalhos forçados no continente americano.
A escravidão acompanha a humanidade desde o seu passado mais remoto. Na 2a metade do século 18, contudo, fazer e vender escravos virou um negócio dos mais lucrativos. Àquela altura, colônias e ex-colônias europeias nas Américas dependiam da mão-de-obra escrava para tocar suas culturas de algodão, café, cana-de-açúcar e tabaco, ou seguir com a rentável mineração de ouro e pedras preciosas. Resultado: tráfico humano em proporções aterradoras. Estima-se que, de 1500 a 1870, de 10 milhões a 12 milhões de africanos tenham sido escravizados e enviados para trabalhos forçados no continente americano.

2695- A Revolução Industrial


Indústria à vapor, a todo o vapor

Até o século 18, a produção industrial limitava-se ao trabalho manual realizado pelos artesãos. Entretanto a partir de 1750, quando iniciou-se na Inglaterra a revolução industrial, os artigos passaram a ser confeccionados pelas máquinas, que produziam rapidamente e em maior quantidade. Seus Resultados: A existência de carvão, combustível utilizado na máquinas á vapor. Os capitalistas investiram seu dinheiro acumulado graças ao comércio marítimo desenvolvido. Havia na Inglaterra grande disponibilidade de mão de obra. As áreas coloniais inglesas forneciam matéria prima para a indústria e os colonos compravam os produtos industrializados. Com o passar do tempo o petróleo e a eletricidade substituíram o vapor, bem como o aço sobrepujou o ferro.
A Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção. Completou ainda o movimento da revolução burguesa iniciada na Inglaterra no século XVII.
1760 a 1850 – A Revolução se restringe à Inglaterra, a “oficina do mundo”. Preponderam a produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor.
1850 a 1900 – A Revolução espalha-se por Europa, América e Ásia: Bélgica, França, Ale­manha, Estados Unidos, Itália, Japão, Rússia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a derivada do petróleo. O trans­porte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.
1900 até hoje – Surgem conglomerados industriais e multinacionais. A produção se automatiza; surge a produção em série; e explode a sociedade de consumo de massas, com a expansão dos meios de comunicação. Avançam a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica
Artesanato, manufatura e maquinofatura
O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu no fim da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.
A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o arte­são trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado. Esse comerciante passou a produzir. Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da produção.
Na maquinofatura, o trabalhador estava sub­metido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial.
Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, mercado, transformação agrária.
Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a burguesia conquistou os merca­dos mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares. A hegemonia naval lhes dava o controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado.
Até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a tecelagem de lã. Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial (Estados Uni­dos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, na arrancada industrial da Inglaterra. As colônias contribuíam com matéria-prima, capitais e consumo.
Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros; isto é, havia dinheiro barato para os empresários.
Depois de capital, recursos naturais e merca­do, vamos ao quarto elemento essencial à industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas beneficiou os grandes proprietários. As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transforma­ram em proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos.
Duas conseqüências se destacam: 1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, no momento em que ganhava impulso 0 mercado, tornando-se indispensável adotar nova forma de produção capaz de satisfazê-lo; 2) a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da produtividade.
A população cresceu, o mercado consumidor também; e sobrou mão-de-obra para os centros industriais.