13.354 – Microbiologia – Superbactérias avançam no Brasil e levam autoridades de saúde a correr contra o tempo


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Bactérias que não respondem a antibióticos vêm aumentando a taxas alarmantes no Brasil e já são responsáveis por ao menos 23 mil mortes anuais no país, afirmam especialistas.
Capazes de criar escudos contra os medicamentos mais potentes, esses organismos infectam pacientes geralmente debilitados em camas de hospitais e se espalham rapidamente pela falta de antibióticos capazes de contê-los. Por isso, as chamadas superbactérias são consideradas a próxima grande ameaça global em saúde pública pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

PERIGOSAS
Um exemplo é a Acinetobacter spp. A bactéria pode causar infecções de urina, da corrente sanguínea e pneumonia e foi incluída na lista da OMS como uma das 12 bactérias de maior risco à saúde humana pelo seu alto poder de resistência.
De acordo com a Anvisa, 77,4% das infecções da corrente sanguínea registradas em hospitais por essa bactéria em 2015 foram causadas por uma versão resistente a antibióticos poderosos, como os carbapenems.
Essa família de antibióticos é uma das últimas opções que restam aos médicos no caso de infecções graves.
utro exemplo é a Klebsiella pneumoniae. Naturalmente encontrada na flora intestinal humana, é considerada endêmica no Brasil e foi a principal causa de infecções sanguíneas em pacientes internados em unidades de terapia intensiva em 2015, segundo dados da Anvisa.
O mais preocupante é que ela tem se tornado mais forte com o passar do tempo. Nos últimos cinco anos, a sua taxa de resistência aos antibióticos carbapenêmicos (aqueles usados em pacientes já infectados por bactérias resistentes) praticamente quadruplicou no Estado de São Paulo –foi de 14% para 53%, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica paulista.
A capacidade de bactérias de passar por mutações para vencer medicamentos desenvolvidos para matá-las é chamada de resistência antimicrobiana –ou resistência a antibióticos.
Essa extraordinária habilidade é algo natural: os remédios, ao atacar essas bactérias, exercem uma “pressão seletiva” sobre elas, que lutam para sobreviver. Aquelas que não são extintas nessa batalha são chamadas de resistentes. Elas, então, multiplicam-se aos milhares, passando o gene da resistência a sua prole.
Esse processo natural pode ser acelerado por alguns fatores, como o uso excessivo de antibióticos. Um agravante é o emprego desses medicamentos também na agricultura, na pecuária e em outras atividades de produção de proteína animal.
Muitos fazendeiros injetam regularmente medicamentos em animais saudáveis como um aditivo de performance. Isso acelera a seleção de bactérias no ambiente e em animais, que podem vir a contaminar humanos.
De acordo com especialistas, o número crescente de infecções –que poderiam ser barradas por mais higiene e saneamento básico– também é um problema, porque demanda maior uso de antibióticos, o que, por sua vez, seleciona mais bactérias resistentes, perpetuando um círculo vicioso.
Um estudo encomendado pelo governo britânico no ano passado estima que tais organismos irão causar mais de 10 milhões de mortes por ano após 2050. Atualmente, 700 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de bactérias resistentes no mundo.
Os efeitos na economia também podem ser devastadores. Países como o Brasil estariam sob o risco de perder até 4,4% de seu PIB em 2050, segundo estimativas do Banco Mundial.

PECUÁRIA
Características específicas, como hospitais superlotados e alta atividade agropecuária com uso de antibióticos, fazem do Brasil um grande facilitador a bactérias resistentes.
O país é hoje o terceiro no mundo a mais utilizar antibióticos na produção de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos –e deve continuar nessa posição até pelo menos 2030, aponta um estudo coordenado por Thomas P. Van Boeckel, da Universidade de Princeton (EUA).
Consultado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento diz que atua para diminuir o uso desses produtos em animais. A pasta afirma que já é proibido utilizar antibióticos como as penicilinas e as cefalosporinas para melhorar o desempenho dos animais.
No ano passado, a colistina, um antibiótico considerado a última opção de tratamento a bactérias resistentes também teve seu uso proibido em animais saudáveis.
Na área hospitalar, a Anvisa monitora as infecções da corrente sanguínea em UTIs, associadas ao uso de instrumentos para aplicação de remédios, como o cateter. Somente em 2015, foram mais de 25 mil infecções desse tipo –a maioria causada por bactérias com altos índices de resistência.
Desde dezembro, o Ministério da Saúde vem elaborando, com diferentes ministérios e a Anvisa, um plano nacional de combate a bactérias resistentes, a pedido da OMS. Alguns dos objetivos do material são fortalecer o conhecimento científico sobre o tema e expandir a rede de saneamento básico no país para ajudar a prevenir infecções.
O governo diz que também pretende educar melhor profissionais e pacientes sobre a urgência do tema.
De acordo com o Ministério da Saúde, o plano estratégico está pronto, mas ainda é necessário definir como será a implementação e o monitoramento das ações.
A proposta brasileira está prevista para ser colocada em ação a partir de 2018, com expectativa de conclusão até 2022. Comparado com outras economias em desenvolvimento, o país está atrasado: a África do Sul começou a colocar seu plano em prática ainda em 2014, enquanto a China implementa o seu desde 2016. Já a Índia começou nesse ano.
O país é também um dos únicos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que ainda não disponibilizou o documento publicamente no site da OMS, juntamente com a Rússia.
Consultada, a OMS disse que os países não são obrigados a compartilharem seus planos, mas que ela encoraja a prática “como uma forma de transparência e de boas práticas”.
Mas enquanto o governo trabalha numa estratégia, bactérias aprimoram sua capacidade de sobreviver aos remédios mais poderosos.
Em outubro, a Anvisa emitiu um alerta sobre a detecção no Brasil de cepas da E. coli, resistentes a uma família de antibióticos chamada polimixinas. que se tornaram a última escolha de médicos frente a bactérias resistentes.
O mais preocupante é que essas cepas da E.coli têm a capacidade de trocar material genético com outras espécies de bactérias e transferir o gene da resistência às polimixinas a outros organismos –não apenas a sua prole.
O novo mecanismo de resistência exemplifica o quanto o assunto é urgente, diz Sampaio, da USP, para quem “a cada dia há uma surpresa” no universo desses organismos.

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13.252 – Farmacologia – Brasileiros criam nanoantibióticos contra infecções resistentes


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Da Folha para o ☻Mega

Pesquisadores brasileiros criaram um método que combina minúsculas partículas de prata com um antibiótico para tentar vencer a crescente resistência das bactérias aos medicamentos convencionais.
Em testes preliminares de laboratório, a abordagem mostrou bom potencial para enfrentar formas resistentes do micróbio Escherichia coli, que às vezes causa sérios problemas no sistema digestivo humano.
“Alguns sistemas podem até funcionar melhor no que diz respeito à capacidade de matar as células bacterianas, mas o ponto-chave é que as nossas partículas combinam um efeito grande contra as bactérias com o fato de que elas são inofensivas para células de mamíferos como nós”, explica um dos responsáveis pelo desenvolvimento da estratégia, Mateus Borba Cardoso, do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).
Cardoso e seus colegas assinam estudo recente na revista especializada “Scientific Reports”, no qual descrevem o processo de produção da arma antibacteriana e seu efeito sobre os micróbios.
Esse mesmo grupo já utilizou nanopartículas para inativar o HIV e atacar somente as células tumorais, em caso de câncer de próstata, poupando as células saudáveis.
O aumento da resistência das bactérias causadoras de doenças aos antibióticos tradicionais é um caso clássico de seleção natural em ação que tem preocupado os médicos do mundo todo.
Em síntese, o que ocorre é que é quase impossível eliminar todos os micróbios durante o tratamento. Uma ou outra bactéria sempre escapa, e seus descendentes paulatinamente vão dominando a população da espécie e espalhando a resistência, já que os micro-organismos suscetíveis morreram sem deixar herdeiros.
Para piorar ainda mais o cenário, tais criaturas costumam trocar material genético entre si com grande promiscuidade, numa forma primitiva de “sexo”. Assim, os genes ligados à resistência diante dos remédios se disseminam ainda mais.
Já se sabe, porém, que as nanopartículas de prata (ou seja, partículas feitas a partir desse metal com dimensão de bilionésimos de metro) têm bom potencial para vencer as barreiras bacterianas e, de quebra, parecem induzir muito pouco o surgimento de variedades resistentes.
Por outro lado, essas nanopartículas, sozinhas, podem ter efeitos indesejáveis no organismo.
A solução bolada pelos cientistas brasileiros envolveu “vestir” as partículas de prata com diferentes camadas à base de sílica, o mesmo composto que está presente em grandes quantidades no quartzo ou na areia.
Testes feitos pela equipe mostraram que o conjunto afeta de forma específica as células da bactéria E. coli, tanto as de uma cepa de ação mais amena quanto a de uma variedade resistente a antibióticos, sem ter o mesmo efeito sobre células humanas –provavelmente porque a ampicilina se conecta apenas à parede celular das bactérias.
É claro que ainda é preciso muito trabalho antes que a abordagem dê origem a medicamentos comerciais.
Segundo Cardoso, o primeiro passo seria o uso de sistemas semelhantes em casos muitos graves, nos quais pacientes com infecções hospitalares já não respondem a nenhum antibiótico.
Para um emprego mais generalizado, provavelmente será necessário substituir o “recheio” de nanopartículas de prata por outras moléculas, mais compatíveis com o organismo.
O trabalho teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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12.840 – O Fantasma da Resistência Bacteriana – Pacientes são diagnosticados com gonorreia resistente


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De acordo com confirmações feitas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, no Havaí, seis homens e uma mulher contraíram uma forma de gonorreia altamente resistente.
Os sete pacientes eventualmente conseguiram ser tratados a partir de uma combinação de medicamentos potentes – o que não é usual no caso de tratamentos comuns. No entanto, testes de laboratórios mostraram que a estirpe da bactéria não sucumbiu facilmente aos antibióticos. Agora, os especialistas temem que este tipo de infecção intratável possa se tornar mais comum do que se imaginava, segundo informações do Daily Mail.
Desde 2005, foram relatados apenas quatro casos isolados que apresentaram resistência aos medicamentes comumente utilizados para tratar a infecção – a ceftriaxona e azitromicina. No entanto, este é o primeiro conjunto de casos que apresentaram susceptibilidade reduzida a ambas as drogas.
O relatório do CDC foi divulgado na última quarta-feira. Apesar de anos de avisos de que as bactérias estavam construindo resistência a uma série de antibióticos, os cientistas advertiram que ninguém estava fazendo nada para atrasar ou parar o processo. O relatório revelou que hospitais não limitaram prescrições desta classe de medicamentos e que, na verdade, o uso de antibióticos nos últimos anos havia aumentado.
Estima-se que, atualmente, a resistência das bactérias aos medicamente tire 700.000 vidas por ano. Autoridades globais de saúde pública ainda alertaram que este número pode subir para 10 milhões por ano até 2050, se o uso de antibióticos não for limitado.
Segundo eles, a culpa por trás deste desastre em potencial está relacionada ao uso negligente de antibióticos no tratamento de doenças menores e em animais. Administrar pequenas doses desta classe de medicamento no corpo permite que as bactérias possam se adaptar à droga, construindo defesas contra ela. Como resultado disso, infecções comuns, como a gonorreia e E. coli, em breve serão consideradas intratáveis.
“A resistência dessas DSTs para o efeito de antibióticos tem aumentado rapidamente nos últimos anos e reduziu as opções de tratamento”, disse a ONU. A mesma resistência foi observada em casos de clamídia e sífilis, embora de forma menos comum.
A gonorreia também já apresentou imunidade a penicilina, tetraciclina e a classe das fluoroquinolonas. Quando não diagnosticada, as três doenças podem trazer consequências graves. Em mulheres, por exemplo, aumenta as chances de gravidez ectópica, aborto, morte fetal e neonatal.

12.788 – EUA proíbem sabonetes que “matam até 99,9% das bactérias”


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Se você quer evitar infecções, fique na clássica mistura de sabão comum e água. Pelo menos, essa é a recomendação da FDA, que regula remédios e alimentos nos EUA, como a Anvisa no Brasil. A agência baniu 19 químicos usados na maioria dos sabonetes que dizem eliminar ?até 99,9% das bactérias?. Eles vão precisar sair do mercado em até 1 ano.
A preocupação da agência tem dois motivos: eficácia e segurança. Em 2013, a FDA pediu que as marcas que produzem sabonetes com bactericidas – ou seja, substâncias químicas que matam bactérias – enviassem estudos e dados que comprovassem que seu produto matava mais micróbios que o sabão neutro comum.
Grande parte das marcas não chegou a mandar documento algum, alegando que estudos clínicos com seres humanos são caros e longos. E os estudos que chegaram na agência não foram suficientes para garantir que o sabonete realmente faz o que promete e não convenceram a FDA.
Só que os problemas não param por aí. Ainda que ficasse provado que o sabonete bactericida funciona perfeitamente, matando 99,9% da bactérias, isso não é necessariamente uma notícia boa.
O julgamento final da FDA incluiu mais de 20 estudos preocupantes sobre os 19 químicos banidos esta semana – especialmente os mais comuns, Triclocarban e Triclosan. Em primeiro lugar, ninguém sabe exatamente quanto tempo essas substâncias ficam no organismo. O Triclosan, por exemplo, mesmo enxaguado, é absorvido pela pele e vai parar na urina. Somos expostos com tanta frequência a esses compostos que ninguém sabe exatamente quanto tempo leva para serem eliminados do corpo.
Mais graves são os resultados de estudos que mostram que o Triclocarban pode causar alterações nos hormônios da tireoide e na ação da testosterona. Testes com ratos na puberdade também mostraram riscos para o desenvolvimento sexual.
Esses efeitos hormonais podem aparecer só depois de muitos anos da exposição inicial, e não são a única preocupação dos cientistas. Há também o problema das superbactérias.
Os bactericidas do sabonete não são antibióticos, que também matam bactérias, mas com mecanismos diferentes. Só que pesquisadores têm estudado uma possibilidade assustadora: que bactericidas acabem selecionando bactérias resistentes a antibióticos.
Dos 99,9% das bactérias mortas quando você lava as mãos com um sabão antibacteriano, aquele 0,01% provavelmente tem uma resistência genética ao princípio ativo do germicida. E vai continuar a se reproduzir, criando números cada vez maiores de bactérias resistentes.
Os cientistas ainda não tem certeza se, na sua mão, essa seleção natural pode trazer problemas graves. Mas, em laboratório, já conseguiram demonstrar que uma bactéria sobrevivente ao Triclocarban pode desenvolver ?resistência cruzada? a antibióticos – e não em um estudo isolado, mas em 10 trabalhos diferentes encontrados pela FDA. Um deles, inclusive, mostrou que a Salmonela se torna mais resistente a vários medicamentos depois da exposição prolongada a sabonetes desinfetantes.
As marcas de sabonete ganharam 3 anos para se defender contra os resultados desses estudos, mas não foi suficiente para garantir, além da eficácia, a segurança desses produtos no longo prazo.
Além dos químicos banidos, a FDA ainda vai analisar os desinfetantes de mão e os produtos usados em hospitais, para avaliar se eles também apresentam um risco para quem faz uso deles diariamente – enfermeiros, por exemplo, chegam a limpar as mãos até 100 vezes por dia (uma ótima prática? A não ser que o produto esteja colocando a saúde deles mesmos em risco).
Por enquanto, a recomendação do órgão norteamericano para quem não é profissional de saúde é se ater a lavar as mãos com água e sabão e só usar desinfetantes de mão com no mínimo 60% de álcool – o que seria mais que suficiente para limpar a superfície das mãos sem absorver químicos com efeitos duvidosos.

OS PROIBIDOS
A lista completa de substâncias proibidas pela FDA (que a agência acredita serem usadas em mais de 700 marcas de sabonetes bactericidas):
Cloflucarban
Fluorosalana
Hexaclorofeno
Hexilresorcinol
Complexo de Iodo (Éter-sulfato de amônio e o monolaurato de sorbitano de polioxietileno)
Éster fosfato de ariloxialquila de polietilenoglicol
Complexo iodo etanol, nonil fenoxi-polioxietileno
Iodopovidona (5% a 10% de concentração)
Complexo de iodo e cloreto de undecoylium
Cloreto de metilbenzetônio
Fenol
Amyltricresols secundária
Oxicloroseno de sódio
Tribromsalan
Triclocarban
Triclosan
Corante triplo (verde brilhante, violeta de genciana, hemissulfato de proflavina)

12.756 – Não tome mais do que 8 doses de antibióticos ao ano


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O alerta foi dado na prestigiosa revista Science e foi direcionado aos líderes mundiais: para conter o desenvolvimento de superbactérias, aquelas resistentes a todos os tipos de antibióticos, a população geral não deve tomar mais de 8 doses diárias de antibióticos ao ano.
A pesquisa foi enviada às Nações Unidas, para que vire recomendação oficial. “Nenhum país deve consumir mais do que a dose média global: 8,5 doses diárias per capita ao ano. Calculamos que isso poderia diminuir o consumo de antibióticos em 17,5% no mundo todo”, diz o estudo. O número, claro, é uma médias Pessoas saudáveis deveriam evitar totalmente os antibióticos, para que quem precise puder tomar do que 8 doses.
A recomendação veio depois do aumento no consumo de antibióticos e na prescrição sem necessidade. Esse tipo de remédio não é eficaz em casos de gripe (que é uma doença viral) e na maior parte das inflamações da garganta, por exemplo. Cada vez que alguém toma um antibiótico sem motivo, acaba matando a fauna natural de bactérias protetoras juntos com as malignas – e deixa sobreviver apenas as mais fortes. Isso pode causar o surgimento de superbactérias.
Mortes por superbactérias são comuns dentro de hospitais, onde as pessoas já estão com a saúde debilitada. O medo é que esse tipo de doença possa se espalhar também pela população comum – e aí a ciência não teria como se defender. Casos de superbactérias aconteceram no fim de 2015 em três fazendas britânicas, por exemplo.

11.221 – Medicina – Exame de sangue rápido pode diminuir o uso desnecessário de antibiótico


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Foi desenvolvido um novo exame sanguíneo capaz de detectar, em até duas horas, se uma infecção é causada por vírus ou bactéria. De acordo com os pesquisadores, atualmente o diagnóstico clínico destas infecções é impreciso e os exames laboratoriais são demorados, levando ao mal uso de antibióticos. Feito em parceria com a empresa israelense MeMed, o estudo foi publicado na edição online do periódico Plos One.
Um exame de sangue realizado em laboratório conseguiu detectar, em até duas horas, se uma infecção foi causada por vírus ou bactéria
Para desenvolver o exame, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de mais de 1 000 pacientes. Inicialmente, eles procuraram identificar proteínas do sistema imune cuja produção é desencadeada exclusivamente por vírus ou bactérias. Em seguida, foram desenvolvidos marcadores, utilizados no novo exame de sangue, que identificam estas proteínas e detectam com precisão as causas da infecção. Este exame é realizado em laboratório, mas os cientistas já estão trabalhando em uma forma de transformá-lo em um dispositivo portátil.
Embora os resultados da pesquisa tenham mostrado que o novo exame acertou na maioria dos diagnósticos, a MeMed afirma que o teste não dispensa a avaliação clínica de um médico nem outros exames de apoio. No entanto, para os cientistas, a rapidez deste método pode ajudar a evitar o uso inapropriado de antibióticos e melhorar a rapidez e prescrição de um tratamento adequado.
O uso excessivo de antibióticos é uma preocupação para médicos e para a Organização Mundial da Saúde (OMS), pois a prática contribui para a disseminação da resistência ao medicamento. De acordo com um relatório da instituição divulgado no ano passado, essa condição é uma ameaça global à saúde pública. Por outro lado, a demora na prescrição de antibióticos para tratar infecções bacterianas coloca em risco os pacientes e aumenta os custos no tratamento.

Resistência Bacteriana
MRSA (Methicillin Resistant Staphylococcus aureus)
Encontrada na pele e responsável principalmente por infecções de pele, a bactéria Staphylococcus aureus foi a primeira a apresentar resistência à penicilina, nos anos 1950. Hoje, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC, sigla em inglês) estima três quartos da sua versão MRSA seja ultrarresistente e não responda a vários tipos de antibióticos.

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11.192 – Microbiologia – Bactéria mortal escapa de laboratório nos EUA


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Segundo um comunicado das autoridades da Luisiana, nos EUA, uma perigosa bactéria teria escapado de um laboratório de segurança máxima. Os especialistas afirmam que a Burkholderia pseudomallei “fugiu” do Centro de Pesquisa Nacional do Primata de Tulane, localizado a 80 km do norte de Nova Orleans.
O bacilo, originário do sudeste asiático e norte da Austrália, pode ser transmitido para seres humanos e animais através do contato com a água e com o solo contaminado. Ele foi classificado pelas autoridades como “um agente bioterrorista em potencial”. O incidente teria ocorrido em novembro do ano passado, quando cientistas trabalhavam no desenvolvimento de uma vacina contra a Burkholderia pseudomallei.
Apesar de o agente patógeno não ter sido, até o momento, detectado no ar da região em torno do laboratório, quatro macacos mantidos em jaulas ao ar livre foram contaminados, e dois deles tiveram que ser sacrificados.

10.758 – Resistência Bacteriana – Exame rápido diminui uso desnecessário de antibiótico


Informações na bula
Informações na bula

Segundo o estudo realizado por cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, os médicos geralmente não têm nenhuma maneira imediata de saber se o paciente está com uma infecção bacteriana ou viral. Na dúvida, receitam o antibiótico.
O uso desnecessário do medicamento pode criar bactérias resistência às drogas disponíveis no mercado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considerou o problema uma realidade na saúde pública global e diversos pesquisadores pensam na possibilidade da existência de uma era pós-antibiótico.
“Os nossos resultados sugerem que a prescrição de antibióticos em pacientes com infecções respiratórias agudas poderia ser reduzida com a realização de testes de biomarcadores de bactérias”, diz Rune Aabenhus, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Copenhague.
Os pesquisadores analisaram seis estudos que verificaram se o exame que mede o nível da proteína C reativa, marcador que indica se o corpo passa por algum processo inflamatório, é eficaz para identificar uma infecção bacteriana. Atualmente, esse é o único método rápido que poderia ajudar os médicos na prescrição adequada de antibióticos — o resultado sai em até 3 minutos.
Os estudos envolveram 3 284 pacientes adultos. Ao todo, 1 685 realizaram o teste da proteína C reativa, sendo que em 631 casos os antibióticos foram receitados. Entre os 1 599 pacientes que não fizeram o teste, 785 receberam prescrição de antibióticos. Assim, os pesquisadores constataram que a utilização de antibiótico foi 22% menor no grupo que se submeteu ao teste.

9218 – Substância de coral destrói superbactéria hospitalar em testes


Uma das superbactérias mais resistentes a antibióticos, a KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) acaba de ganhar um novo adversário: o coral orelha-de-elefante (Phyllogorgia dilatata).
A espécie, que existe apenas na costa brasileira, é a primeira nas águas da América do Sul a apresentar capacidade de controle desse microrganismo, encontrado em ambiente hospitalar.
Há relatos de moléculas extraídas de animais marinhos, corais e esponjas que combatem outros tipos de bactérias, mas não a KPC.
Causadora de infecção pulmonar, a KPC matou ao menos 106 pessoas no país em 2010 e 2011, segundo o último levantamento do Ministério da Saúde. A maioria dos casos foi registrada na região sudeste (64) e sul (12).
Responsáveis pelo estudo, pesquisadores da pós-graduação de Ciências Genômicas e Biotecnologia da UCB (Universidade Católica de Brasília) e do Projeto Coral Vivo selecionaram seis espécies de corais para testes.
“A escolha foi feita pelas características desses animais, que sobrevivem à alta competitividade nos ambientes marinhos, possivelmente por possuírem barreiras químicas. Mas ainda não sabemos se a substância que combate a KPC é do coral ou de uma bactéria que vive associada a ele”, diz o biólogo Clovis Castro, coautor da pesquisa e coordenador do Projeto Coral Vivo, ligado ao programa Petrobras Ambiental.

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“Nos testes percebemos que o orelha-de-elefante tinha mais potencial [no combate à superbactéria] do que os demais”, disse Loiane Alves de Lima, que apresentou o estudo no mestrado na UCB.
“Também vamos fazer testes contra vírus e fungos. A descoberta pode ter potencial ainda maior”, disse a bióloga molecular Simoni Campos Dias, da UCB, que orientou Loiane Lima.
A descoberta foi publicada na revista “Protein & Peptide Letters”, voltada para estudos de bioquímica. O levantamento começou em 2009 com material recolhido em Porto Seguro (BA).
Pedaços de diferentes colônias da espécie foram triturados e passaram por processo de purificação até a separação da substância de combate à superbactéria.
Testes in vitro indicaram que após 12 horas, toda da população de KPC fora exterminada pela proteína do coral.
Detectada pela primeira vez nos EUA em 2001, a KPC chegou ao Brasil em meados de 2005. De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia Marcos Cyrillo, sua incidência decuplicou nos últimos cinco anos. “De 100 amostras de Klebsiella pneumoniae (bactérias do trato gastrointestinal) analisadas há cerca de cinco anos, 2% eram KPC, ou seja, multirresistentes. No último ano, constatamos que esse número subiu para 20%”, destaca.
Os pesquisadores contam que o composto será clonado dentro de leveduras para que seja possível produzir o princípio ativo em grande escala.
Para que o medicamento seja fabricado, no entanto, ainda há necessidade de testes em animais e humanos, além da aprovação dos órgãos competentes, o que pode demorar até 10 anos.
Além da KPC, a proteína combate outras duas bactérias hospitalares resistentes: a Staphylococcus aureus e a Shigella flexneri.
A espécie está ameaçada de extinção devido à coleta predatória para venda em aquários e lojas de souvenires. O projeto Coral Vivo vem estudando a espécie com o objetivo de criar um projeto de cultivo do organismo.

8979 – Microbiologia – Bactéria de 153 anos resiste a antibióticos


Cientistas canadenses conseguiram multiplicar uma bactéria de 153 anos de idade que mostrou surpreendente resistência aos mais modernos antibióticos. Trata-se de um microorganismo retirado dos corpos congelados de dois exploradores do Ártico, mortos em 1846. A resistência dessas bactérias, preservadas graças a baixíssimas temperaturas, obriga os cientistas a rever algumas idéias tradicionais em Microbiologia. Isso porque, de acordo com a teoria, apenas o uso excessivo de antibióticos cria bactérias resistentes a drogas – o que evidentemente não é o caso desses germes.
Logo, a não ser que estivessem expostos a algum antibiótico natural, tudo indica que existem outros fatores capazes de aumentar a resistência de uma bactéria. Por exemplo, metais pesados, como o chumbo que devia haver nos ossos dos exploradores, oriundos das latas dos alimentos consumidos na expedição. Somente testes com culturas a partir da bactéria congelada podem revelar o segredo de sua espantosa vitalidade. E desse segredo podem vir a nascer remédios mais eficazes.

6974 – Bactérias sobreviveriam a explosão de uma estrela


Cientistas recriaram em laboratório os efeitos de uma supernova –detonação explosiva de uma estrela gigante– para saber se a vida seria capaz de aguentá-los. Aparentemente, ao menos no que diz respeito à radiação produzida, a resposta é sim, com um pouco de sorte, é claro.
O estudo foi apresentado na 37ª reunião anual da Sociedade Astronômica Brasileira, que ocorreu em Águas de Lindoia (interior de SP).
A bactéria escolhida foi a Deinococcus radiodurans, famosa por sua notável resistência à radiação.
O experimento, conduzido por Douglas Galante, do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), foi realizado no Diamond Light Source, um laboratório de luz síncrotron no Reino Unido.
“Esse é um dos primeiros estudos em que tentamos simular os efeitos biológicos de uma supernova em laboratório”, afirma Galante.
O estudo expôs as bactérias a um nível de radiação similar ao que seria gerada num evento de supernova.
Três modalidades do experimento foram conduzidas, com exposição direta dos micro-organismos e com exposição sob uma camada de grãos de arenito ou basalto. A ideia era verificar se o substrato daria mais proteção às criaturas bombardeadas.
Daí veio a primeira surpresa: aparentemente, tanto o basalto quanto o arenito (em quantidade menor) emitem radiação secundária quando irradiados, o que torna a sobrevivência ainda mais difícil para as bactérias. Viveram mais as que estavam livres.
E a boa notícia é que elas resistiram –ou pelo menos uma parte delas. “Uma supernova estando até cerca de 30 parsecs de distância conseguiria matar 90% de uma população dos organismos mais radiorresistentes que conhecemos”.
Um parsec é a medida favorita dos astrônomos e equivale a 3,26 anos-luz, ou 31 trilhões de quilômetros.
O estudo se restringiu aos efeitos da radiação. Nada sobre a onda de choque ou modificações atmosféricas causadas por uma supernova próxima foi investigado, o que torna as estimativas de sobrevivência mais otimistas.
Contudo, também é improvável uma detonação de uma supernova a meros 30 parsecs daqui. E o fato de que, mesmo a essa pequena distância (em termos astronômicos), uma parcela das bactérias pôde resistir mostra que extinguir a vida completamente pode ser bem difícil.
Não que os humanos devessem se confortar. Mas há razão para festa entre as bactérias radiorresistentes.

6807 – Bacteria KPC, a superbactéria


A bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase) , a“superbactéria”, foi identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2000, depois de ter sofrido uma mutação genética, que lhe conferiu resistência a múltiplos antibióticos (aos carbapenêmicos, especialmente) e a capacidade de tornar resistentes outras bactérias. Essa característica pode estar diretamente relacionada com o uso indiscriminado ou incorreto de antibióticos.
A bactéria KPC pode ser encontrada em fezes, na água, no solo, em vegetais, cereais e frutas. A transmissão ocorre em ambiente hospitalar, através do contato com secreções do paciente infectado, desde que não sejam respeitadas normas básicas de desinfecção e higiene.
A KPC pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas, enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, muitas vezes, mortal.
Crianças, idosos, pessoas debilitadas, com doenças crônicas e imunidade baixa ou submetidas a longos períodos de internação hospitalar (dentro ou fora da UTI) correm risco maior de contrair esse tipo de infecção.
A resistência aos antibióticos não é um fenômeno novo nem específico da espécie Klebsiella. Felizmente, esses germes multirresistentes não conseguem propagar-se fora do ambiente hospitalar.

Sintomas
Os sintomas são os mesmos de qualquer outra infecção: febre, prostração, dores no corpo, especialmente na bexiga, quando a infecção atinge o trato urinário, e tosse nos episódios de pneumonia.

Diagnóstico
A confirmação do diagnóstico se dá por meio de um exame de laboratório que identifica a presença da bactéria em material retirado do sistema digestivo. Infelizmente, nem todos os hospitais estão suficientemente aparelhados para realizar esse exame.

Prevenção
A prevenção é fundamental no controle da infecção hospitalar. Por isso, todos os pacientes portadores da bactéria KPC, mesmo que assintomáticos, devem ser mantidos em isolamento.
Lavar as mãos com bastante água e sabão e desinfetá-las com álcool em gel são medidas de extrema eficácia para evitar a propagação das bactérias. Esses recursos devem ser utilizados, tanto pelos profissionais de saúde que lidam com os doentes, como pelas visitas.
Outras formas de prevenir a propagação das bactérias incluem o uso sistemático de aventais de mangas compridas, luvas e máscaras descartáveis, sempre que houver contato direto com os pacientes, a desinfecção rotineira dos equipamentos hospitalares e a esterilização dos instrumentos médico-cirúrgicos.

Tratamento
Existem poucas classes de antibióticos que se mostram efetivas para o tratamento das infecções hospitalares pela bactéria KPC. Daí, a importância dos cuidados com a prevenção.

Recomendações
Lave as mãos com frequência, especialmente antes e depois de entrar em contato com pessoas doentes;

* Só tome antibióticos se forem prescritos sob orientação médica;

* Saiba que a maioria das infecções respiratórias não é causada por bactérias, mas, sim, por vírus sobre os quais os antibióticos não exercem nenhum efeito;

* Mantenha as visitas afastadas dos pacientes infectados;

* Higienize as mãos com álcool gel, sempre que possível;

* Esteja atento à nova regulamentação da Anvisa sobre o uso dos antibióticos;

*Procure reduzir ao mínimo necessário as visitas e consultas nos hospitais.

Escola Paulista de Medicina

6660 – Morte por superbactéria fecha maior emergência hospitalar de SC


A emergência do Hospital Regional de São José, que a maior de Santa Catarina, ficará fechada por três dias, a partir desta terça-feira (4-setembro), após a confirmação de uma morte causada por complicações decorrentes da superbactéria KPC.
O paciente estava na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital para tratamento de uma pneumonia e morreu no último final de semana.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a emergência passará por uma desinfecção para evitar que a superbactéria se prolifere. “Foi uma decisão rápida, mas é melhor fecharmos agora do que no feriado”, afirma Walter Gomes Filho, superintendente dos Hospitais Públicos de Santa Catarina.
A preocupação com o feriado de 7 de Setembro é porque o hospital é referência no atendimento a vítimas de trânsito na Grande Florianópolis, principalmente das rodovias BR-101 e BR-282.
O Hospital Regional atende por mês cerca de 46 mil pessoas somente na emergência.
A superbactéria surge em razão de uma enzima que torna uma bactéria comum resistente à boa parte dos antibióticos, dificultando o tratamento de pacientes com infecções, principalmente respiratórias.
O primeiro surto da KPC no país ocorreu em 2010 e, desde então, avançou pelos hospitais. Um dos principais focos foi registrado no Distrito Federal, onde, em 2011, foram registrados 715 casos de contaminação –68% a mais do que no ano anterior.

A superbactéria KPC, resistente à maior parte dos antibióticos, avançou nos hospitais desde o surto de 2010.
No Distrito Federal, principal foco das infecções naquele ano, as notificações de casos aumentaram 68% de 2010 (426) para 2011 (715). Segundo a Secretaria de Saúde do DF, 56 pessoas morreram.
No Espírito Santo, eram sete os casos confirmados em 2010. Em 2011, o número subiu para 37, nos três primeiros meses deste ano, 15. Nove pessoas morreram.
Santa Catarina tinha registrado três casos até outubro de 2010, quando, por causa do surto, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pediu aos Estados que enviassem dados sobre KPC. Depois disso, houve 43 casos e três mortes.
Como a KPC normalmente atinge pessoas com doenças graves, não é possível dizer que todas as mortes foram causadas pela superbactéria.
Outros Estados que em 2010 não tinham relatado casos à Anvisa também já têm registros. No Ceará, foram 103 casos suspeitos no ano passado. Neste ano, já há 45. Duas pessoas morreram.
Segundo a Anvisa, o primeiro caso de infecção hospitalar causada por KPC no Brasil foi registrado em 2005.
A superbactéria existe em hospitais porque nesses ambientes há uso frequente de antibióticos, o que favorece o aumento da resistência. Entre as recomendações para evitá-la estão o isolamento de pacientes infectados e o controle da higiene hospitalar.

5120 – Bactérias Nocauteadas


Com seus átomos dispostos em uma combinação inédita, projetada por computador, a molécula de linezolida é uma peça absolutamente única na Química. Totalmente sintética e jamais vista por um microrganismo, sua aparição surpreende as bactérias que invade, destruindo-as sem que possam se defender – com a precisão de um míssil inteligente. Seu segredo são três engenhosos anéis de carbono, guarnecidos de átomos de nitrogênio, oxigênio e fósforo. Eles são a chave que bloqueia o sistema reprodutivo dos bacilos do tipo gram-positivo – aqueles que têm uma grossa membrana celular, rica em açúcar. Entre eles estão os perigosos estreptococos, os estafilococos e os enterococos, cujas quadrilhas de micróbios são impedidas de se multiplicar. Infelizmente, contra as bactérias gram-negativas – as que possuem várias membranas, ricas em gordura – a nova droga é inócua.
A programação para matar gram-positivas transformou a linezolida no princípio ativo do antibiótico mais eficiente que existe, o Zyvox, lançado em março no Brasil, pela empresa americana Pharmacy & Upjohn. Trata-se de uma arma nova, com a qual os médicos nocauteiam bactérias mutantes, que adquiriram resistência aos remédios disponíveis contra infecções e flagelam os hospitais.
A estimativa vale também para os remédios encontrados semiprontos na natureza, como aconteceu com o Synercid. Ele faz parte de um grupo de substâncias, denominadas estreptogaminas, que já haviam originado um mata-micróbio – a pristimacina, lançada na França na década de 60. Mas a droga só fazia sucesso como estimulante de crescimento de vacas e galinhas: misturada à comida, ajudava os animais a engordar. Os cientistas não sabem até hoje por quê.
O fato é que a pristimacina nunca teve a ação que se esperava dela como remédio. Assim, o trabalho dos pesquisadores da Aventis foi o de aprimorar outras estreptogaminas em laboratório. Após dez anos de tentativas, eles descobriram que essas substâncias eram muitos mais letais para os micróbios quando aplicadas em duplas aos organismos doentes. O Synercid nasceu de uma aliança entre a quinuspristina e a dalfopristina. Juntas, elas produzem um efeito dezesseis vezes maior do que cada uma delas sozinha.
Apesar das vitórias, o inimigo renasce. É que os micróbios procriam com enorme velocidade e cada vez que um se divide em dois, duplicando seus genes, surge a chance de uma mutação que os torna resistentes aos remédios.
A penicilina, o primeiro antibiótico, demorou a ser fabricada. Descoberta em 1928 pelo bacteriologista escocês Alexander Fleming, ela é produzida naturalmente, pelo fungo penicillium, mas em pequena quantidade. Só em 1941 a empresa americana Pfizer alcançou a escala industrial. Para tanto, usou tanques de fermentação refinados, até então usados para produzir ácido cítrico, matéria-prima de sucos e de produtos de limpeza. Só aí o fungo desinibiu-se.
Estafilococo
Inofensivo para quem está saudável, esse bacilo virou flagelo em hospitais e enfermarias. Por meio de cateteres, ele escala a corrente sangüínea e se alastra, podendo causar septicemia, infeção generalizada pelo organismo do paciente. Provoca morte.
Estreptococo
Ele é o vilão de moléstias como pneumonia, meningite e infecção nos ouvidos. Em geral essas bactérias são destruídas pela penicilina ou seus derivados, como a metilcilina. Mas algumas já se tornaram super-resistentes.
Enterococo
Em 1986, ele foi o primeiro bacilo a apresentar indivíduos que resistiam até ao antibiótico mais potente, a vancomicina. Causa dolorosas infecções urinárias, cirúrgicas e septicemia.

4731 – Xeque – Mate nas bactérias mutantes


Com seus átomos dispostos em uma combinação inédita, projetada por computador, a molécula de linezolida é uma peça absolutamente única na Química. Totalmente sintética e jamais vista por um microrganismo, sua aparição surpreende as bactérias que invade, destruindo-as sem que possam se defender — com a precisão de um míssil inteligente. Seu segredo são três engenhosos anéis de carbono, guarnecidos de átomos de nitrogênio, oxigênio e fósforo. Eles são a chave que bloqueia o sistema reprodutivo dos bacilos do tipo gram-positivo — aqueles que têm uma grossa membrana celular, rica em açúcar. Entre eles estão os perigosos estreptococos, os estafilococos e os enterococos, cujas quadrilhas de micróbios são impedidas de se multiplicar. Infelizmente, contra as bactérias gram-negativas — as que possuem várias membranas, ricas em gordura — a nova droga é inócua.
A programação para matar gram-positivas transformou a linezolida no princípio ativo do antibiótico mais eficiente que existe, o Zyvox, lançado em março no Brasil, pela empresa americana Pharmacy & Upjohn. Trata-se de uma arma nova, com a qual os médicos nocauteiam bactérias mutantes, que adquiriram resistência aos remédios disponíveis contra infecções e flagelam os hospitais.
Alguns brasileiros já testaram a superarma. Em 1998, uma paciente internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, livrou-se da letal bactéria Staphylococcus aureus, causadora da osteomielite, com a ajuda do Synercid. Ele ainda estava em estudo na época, mas o médico Isídio Calish resolveu experimentar, porque o micróbio já havia derrotado a vancomicina, a melhor arma disponível àquela época.
Quando os cientistas começam a desenvolver um novo antibiótico, primeiro estudam minuciosamente o comportamento das bactérias que querem destruir. Só depois que seus pontos fracos são identificados é que se pode projetar armadilhas para neutralizá-las. A pesquisa é complexa e demorada. Mesmo sabendo onde atacar, é preciso encontrar um veneno apropriado entre milhares de possibilidades.
No caso do Zyvox, o computador foi programado para analisar cerca de 100 000 arranjos entre átomos de centenas moléculas. Antes de tudo, os cientistas gravaram na memória da máquina todas as informações disponíveis sobre a biologia dos micróbios. Com isso, o computador foi capaz de “imaginar” substâncias inexistentes, teoricamente prejudiciais aos microrganismos. Depois, as moléculas promissoras foram peneiradas e as que não funcionavam como se pretendia, descartadas. Graças à propriedade dos chips de oferecer simulações virtuais de reações químicas, muitas vezes não foi necessário checar se a toxina projetada artificialmente tinha mesmo o efeito desejado. Esse tempo ganho pelos computadores foi precioso.

2845 – Medicina – Mau uso de antibióticos teria gerado a superbactéria


Essa foi a conclusão da OMS. Micro-organismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas se tornam imunes aos remédios usados nos tratamentos e passam a ser chamados de superbactérias. Elas aumentam o risco de mortes, são transmissíveis e geram um aumento de custos para pacientes e instituições.
A OMS afirmou que o aumento da resistência bacteriana está relacionada ao uso indiscriminado de remédios como os antibióticos, ao abandono de tratamentos, prescrições erradas, remédios de baixa qualidade e falta de controle.
Uma nova lei tem obrigado as farmácias no Brasil a venderem antibióticos somente com receita. Os antimicrobianos passaram a serem registrados no Sistema Nacional de Gerenciamento de produtos Controlados.

A verdadeira superbactéria

Mutação genética torna duas espécies de bactérias invulneráveis a todos os medicamentos existentes
Há anos os cientistas previam que isso iria acontecer. Mas finalmente a ameaça parece estar batendo à porta: estão surgindo bactérias capazes de resistir a praticamente todos os antibióticos. Praticamente todos, ou todos mesmo. Depois da KPC, que foi apelidada de superbactéria e causou pânico nos hospitais brasileiros (mas que pode ser tratada com uma combinação de 3 antibióticos), está surgindo uma linhagem de micro-organismos ainda mais resistentes. E o pior: isso já aconteceu. As bactérias E. coli e Salmonella, que causam infecções intestinais e são comuns em todo o mundo, já adquiriram um gene que as torna capazes de destruir as moléculas de qualquer tipo de antibiótico – inclusive os carbapenemos, que hoje são a última arma eficaz para matar os micro-organismos mais resistentes, como a superbactéria brasileira.

Por enquanto, as bactérias indestrutíveis só foram encontradas na Índia, no Paquistão e no Reino Unido. Mas os cientistas temem que elas se espalhem pelo resto do planeta – ou transfiram o tal gene para espécies mais agressivas. “Isso poderia significar o fim [da era dos antibióticos]”, afirma o pesquisador Tim Walsh, da Universidade de Cardiff, cuja equipe foi responsável pela descoberta. “Não há medicamentos contra as bactérias que produzem esse gene.” Contra elas, a humanidade está indefesa.

2805 – O Maior Inimigo é Invisível: A humanidade perde batalha contra superbactérias, segundo os europeus


Cultura das mortíferas superbactérias

A incidência de infecções resistentes a drogas atingiu níveis sem precedentes e supera nossa capacidade atual de combatê-las com as drogas existentes, alertam especialistas europeus.
A cada ano, mais de 25 mil pessoas morrem na União Europeia em decorrência de infecções de bactérias que driblam até mesmo antibióticos recém-lançados.
Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), a situação chegou a um ponto crítico e é necessário um esforço conjunto urgente para produzir novos medicamentos.
Sem esse esforço, a humanidade pode ter que enfrentar um “cenário de pesadelo” global, de proliferação de infecções incuráveis, de acordo com a OMS.
Um exemplo é a superbactéria NDM-1, que saiu de Nova Délhi (Índia) e chegou ao Reino Unido em meados de 2010, trazida por britânicos que fizeram tratamentos médicos na Índia ou no Paquistão.
No Brasil, em outubro de 2010, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reforçou o controle sobre receitas médicas de antibióticos, na tentativa de conter o avanço da superbactéria KPC, que atacou principalmente em hospitais.
A resistência das superbactérias a antibióticos mais fortes causa preocupação entre os especialistas.
Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, que identificaram a NDM-1 no ano passado, dizem que as bactérias resistentes contaminaram reservatórios de água de Nova Délhi, o que significa que milhões de pessoas podem ter se tornado portadoras do micro-organismo.
A equipe do médico Timothy Walsh coletou 171 amostras de água filtrada e 50 de água de torneiras em um raio de 12 quilômetros do centro de Nova Déli, entre setembro e outubro de 2010.
O gene da NDM-1 foi encontrado em duas das amostras de torneira e em 51 das amostras de água filtrada.
Isso se torna mais preocupante porque, segundo a equipe de Walsh, o gene se espalhou para bactérias que causam diarreia e cólera, doenças facilmente transmissíveis através de água contaminada.
“A transmissão oral-fecal de bactérias é um problema global, mas seu risco potencial varia de acordo com os padrões sanitários”, disseram os pesquisadores em artigo no periódico científico “Lancet Infectious Diseases”. “Na Índia, essa transmissão representa um problema sério [porque] 650 milhões de cidadãos não têm acesso a vasos sanitários, e um número provavelmente maior não tem acesso a água limpa.”
Os cientistas pedem ação urgente das autoridades globais para atacar as novas variedades de bactérias e para prevenir epidemias globais.
A diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab, diz: “Os antibióticos são uma descoberta preciosa, mas não lhes damos valor. Os usamos em excesso e os usamos mal. [Por isso], agora há superbactérias que não respondem a nenhuma droga.”
“As pessoas precisam estar cientes de que, até que todos os países enfrentem [o problema das superbactérias], nenhum país por si só estará seguro”, comenta ela ante o crescimento no número de viagens internacionais e de trocas comerciais no mundo.
Autoridades sanitárias britânicas dizem estar monitorando a NDM-1, que, segundo registros oficiais, já contaminou 70 pessoas no país.

2294-☻Mega Notícias da Medicina:Estudo Sobre a Resistência Bacteriana


No combate à pneumonia, remédio funcionou só em 38% dos casos.
Resistência seria resultado do uso excessivo de antibióticos. Um levantamento feito pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 64 hospitais brasileiros durante nove meses revela o problema da resistência de bactérias a antibióticos no país. Tratamentos para doenças que já são velhas conhecidas dos médicos se mostram cada vez menos eficazes, preocupando as autoridades. O remédio gentamicina, por exemplo, um dos mais usados no combate a infecções gastrointestinais, só tem demonstrado efeito em 41% dos pacientes. No combate à pneumonia, mais dificuldade. A oxacilina só eliminou a bactéria em 38% dos casos.
A resistência também foi sentida no tratamento de infecção urinária. Apenas 30% dos pacientes tiveram melhora ao tomar um dos antibióticos recomendados. O cefepime, contra úlceras, só fez efeito em 23% dos doentes. A ceftazidima, que combate a sinusite, só para 14%.
Para quem fez a pesquisa está claro: a resistência é resultado do uso excessivo de antibióticos. Assim como nós, as bactérias criam barreiras contra os inimigos. Passam a reconhecer as fórmulas, aprendem a se defender e ficam mais fortes. Com isso, os medicamentos deixam de fazer efeito.

1666-Um Inimigo Íntimo


Trata-se do Staphylococos Aureus. É uma das milhares de bactérias que moram na pele. Pode ser uma hóspede inofensiva que só se alimenta de impurezas, desde que não penetre no corpo de pacientes debilitados. Micróbio insignificante, vulgar e inócuo virou um monstrengo infeccioso. Se cair no sangue, alastrando infecções pelo organismo, pode matar em 24 horas. Para piorar, uma linhagem brasileira se tornou resistente aos mais fortes antibióticos e está flagelando hospitais. Só a vancomicina pode detê-la; mas nos EUA, uma variedade da bactéria também venceu a vancomicina. Um simples corte na pele pode gerar a septicemia, uma infecção generalizada, com a morte vinda em 24 horas. Segundo o centro de controle de doenças dos EUA, em 1950, 7 anos após a introdução da penicilina, 50% das linhagens já resistiam. Em 1960, surgiu a Meticilina, vencida 1 ano depois na Inglaterra. A ineficiência de tal droga pulou de 2% em 1975 para 35% em 1996, nos EUA. Mais de 100 antibióticos foram desenvolvidos dos anos 50 até hoje e todos foram derrotados. A vancomicina foi inventada em 1958, mas abandonada devido a sua alta toxidade, foi recuperada, purificada e lançada no mercado nos anos 80. Parecendo até então invencível, em março de 1998, registrou-se o primeiro caso fatal de infecção por Staphylococos Aureus resistente á vancomicina em NY. Uma nova droga pode demorar de 8 a 10 anos. Os laboratórios também foram surpreendidos, pois quando a vancomicina surgiu foi tida como imbatível e as indústrias suspenderam o investimento com antibióticos, já que o mercado estava saturado. Não existem dados confiáveis, mas está claro que as mortes causadas por bactérias multiresistentes estão aumentando. Mesmo quando explode, o Aureus espalha seu código genético, que pode ser herdado até por outra espécie. Os vírus que parasitam a bactéria juntam seu próprio código genético a pedaços do DNA do micróbio. Invadindo outras células, repassam as receitas do estafilococo para o contra ataque aos antibióticos. Tal bactéria está arrastando o homem para uma viagem no tempo para mais de 50 anos atrás, antes da descoberta da penicilina, quando as infecções reinavam.