13.958 – Reprodução – Uso de maconha prejudica a fertilidade


maconha
Alguns estudos já demonstraram que o consumo de maconha por homens afeta na movimentação dos espermatozoides, fazendo-os nadar em círculos, além de alterar formato e tamanho dos gametas. Agora, um estudo publicado em dezembro do ano passado no periódico Epigenetics mostrou como isso ocorre. Os resultados apontam para possíveis riscos reprodutivos associados ao uso da droga.
A cannabis é uma das drogas psicoativas mais utilizadas e os homens são os principais consumidores. O uso da maconha decai com a idade, mas ainda é representativo durante a idade reprodutiva.
Após avaliações, 24 homens, entre 18 e 40 anos, concluíram o estudo, sendo 12 deles usuários de maconha e os outros 12, não. Com as análises, foi identificado que o princípio ativo da cannabis, o tetra-hidrocarbinol (THC), provoca mudanças no DNA do espermatozoide. Além disso, o uso da droga foi associado a uma concentração significativamente menor de espermatozoides comparado com os não usuários.
Maconha e a fertilidade masculina
Paulo Gallo, especialista em reprodução humana e diretor médico do Vida – Centro de Fertilidade, explica que o espermatozoide carrega o DNA masculino que vai formar o embrião. Durante o processo de formação do gameta, qualquer substância no sangue vai agir sobre esse material.
Quanto à concentração, o médico explica que, em condições normais, o ideal são 15 milhões de espermatozoides por mililitro, sendo que 30% deles devem ter boa morfologia e 32% boa motilidade, que é a capacidade de se mover e ter direção. Conforme o DNA dos gametas são afetados, essas características se perdem. Outro problema que pode decorrer do uso da maconha é a disfunção erétil, mais conhecida como impotência sexual.
Porém, o comprometimento da fertilidade é relativa. Alguns homens podem ter, naturalmente, concentrações maiores de espermatozoides, cuja produção é contínua. “Leva 72 dias para formar um espermatozoide. Em homens com produção ótima, mesmo que fume [maconha], não haverá problemas”, diz Gallo.
O contrário também é válido. “Homem com produção levemente deficiente, mas com limite inferior à normalidade, tem chance maior de ficar infértil se usar maconha”, afirma o especialista. Caso o homem queira ter filhos, o ideal, segundo Gallo, é ficar de três a seis meses sem consumir a droga “Geralmente, reverte, mas nem sempre.”
O estudo internacional aponta que ainda é incerto se as mudanças na metilação do DNA são capazes de passar do homem para os filhos. Gallo diz que “talvez” o processo cause mutações genéticas que são transmitidas para a geração futura.
Outros estudos veem pouca associação entre o uso de maconha por homens e mulheres e taxas de fecundidade. A maioria, porém, indica questões negativas. Uma pesquisa de universidades norte-americanas mostra que o tempo médio para concepção foi significativamente menor nas mulheres que usaram maconha regularmente do que para aquelas que nunca usaram a droga.
Soma-se a isso o fato de que a maconha diminui a libido e que, se o consumo se acumular ao longo dos anos, as consequências podem se agravar. Até mesmo usuárias ocasionais podem ter sua fertilidade reduzida devido à ovulação anormal.

13.952 – Transexuais Fazem Transplante de útero para terem os próprios Filhos (?)


Para o um dr inglês, o procedimento brasileiro, que envolveu uma doadora falecida, é essencialmente idêntico ao que poderá ser realizado em transgêneros. “Esse parto pioneiro é extremamente importante para qualquer mulher trans que queira dar à luz seu próprio filho”, disse ele entrevista ao jornal Mirror.
“Uma vez que a comunidade médica aceita isso como um tratamento para mulheres com infertilidade uterina, como a ausência congênita de um útero, seria ilegal negá-lo a uma mulher transexual que completou sua transição”, disse.
Na Europa, atualmente, não existem regulamentações que impeçam mulheres trans passarem por tratamentos de fertilização in vitro. Segundo o médico, o problema está em coletar o útero do doador, porque se trata de um procedimento complicado e que veias e artérias do útero podem ser facilmente danificadas no processo.
No entanto, ele diz que o procedimento cirúrgico é como um “encanamento” direto, uma vez que os vasos estão conectados, tudo ocorrerá bem, já que homens e mulheres têm as mesmas veias e artérias que possibilitam o transplante.
Embora as transexuais tenham a pelves mais estreita que a das mulheres, ainda assim há espaço suficiente para carregar uma criança. Além disso, as transplantadas poderiam tomar suplementos para replicar os hormônios que ocorrem naturalmente durante a gravidez. O nascimento teria de ocorrer via cesariana, para que a vida da criança não seja colocada em risco.
ara o Dr. Richard Paulson, ex-presidente da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, não há razão óbvia para que as mulheres transexuais não recebam um implante de útero. “Eu pessoalmente suspeito que haverá mulheres trans que vão querer ter um útero e provavelmente receberão o transplante”, acrescentou.
O caso do bebê brasileiro que nasceu de um útero transplantado, descrito na revista científica The Lancet, uma das mais famosas e respeitadas do mundo, ocorreu em setembro de 2016 no Hospital das Clínicas de São Paulo. O procedimento, segundo o jornal Correio Braziliense, durou cerca de 10 horas e o órgão foi coletado de uma mulher de 45 anos que teve morte cerebral causada por AVC.
As veias e artérias do útero foram cuidadosamente ligadas para preservar o endométrio (camada interna do órgão), onde o embrião se fixa para dar início a uma gravidez. A criança, que nasceu saudável, já completou um ano de vida e pesa 7,2 kg.

12.630 – Viúva Verde – Louva-deus fêmea come o macho depois do sexo para ficar mais fértil


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Se você acha que tem hábitos sexuais peculiares, é porque não conhece o louva-deus. A fêmea desse curioso inseto leva o conceito de “predador sexual” a um outro nível: ela costuma literalmente comer seu parceiro após o coito. Uma nova pesquisa, realizada pelos biólogos William Brown, da Universidade de Nova York, e Katherine Barry, da Universidade Macquarie, na Austrália, acaba de entender por quê. Os pesquisadores descobriram que fêmeas que comem os parceiros botam em média 88 ovos – 50 a mais do que as que não comem.
O canibalismo post coitum do louva-deus não é uma regra geral: algo como 72% dos machos escapam vivos. O que Brown e Barry mostraram foi que os machos que viram janta aumentam bastante o número de descendentes – já que deixam mais ovos. Perdem a vida, mas propagam os genes.
Já sabia-se que as fêmeas usam o material ejaculado pelo macho para produzir ovos. O que a nova pesquisa mostrou é que, quando o canibalismo ocorre, os ovos são produzidos não apenas com esperma, mas com o corpo inteiro do finado. Por isso a produção aumenta tanto.
A pesquisa foi bem bolada. Os cientistas marcaram as proteínas dos louva-deus machos com uma substância radioativa e depois mediram a radioatividade dos ovos resultantes. Assim puderam provar, sem sombra de dúvida, que boa parte do material do corpo dos mártires sexuais foi parar nos ovos.

12.263 – Nova técnica dá esperanças a mulheres com câncer que querem engravidar


Mulheres que vão se submeter a tratamentos que afetam a fertilidade, como a quimioterapia, agora têm um novo recurso para ter filhos: o congelamento ou criopreservação do tecido ovariano.
Ainda considerada experimental, a técnica consiste em retirar um pedaço ou até metade do ovário por meio de uma videolaparoscopia. Em seguida, o tecido é congelado em fragmentos de 1 centímetro, em nitrogênio líquido, à temperatura de -196º C. O ovário pode permanecer congelado por tempo indeterminado, já que o tecido não envelhece.
Após a liberação do oncologista, a paciente pode realizar o reimplante do tecido ovariano, caso o órgão remanescente tenha sido danificado durante o tratamento, o que ocorre na maioria dos casos. O tecido é reimplantando por meio de uma nova videolaparoscopia. Espera-se que entre dois e três meses após a cirurgia o órgão retome suas funções hormonais e a paciente possa engravidar de forma natural ou por fertilização in vitro (FIV).
Os especialistas ressaltam que a opção do reimplante é importante mesmo para mulheres que não querem engravidar, já que o ovário desempenha uma importante função endócrina.
Congelamento de óvulos versus tecido ovariano – Em comparação com o congelamento de óvulos ou de embriões, técnicas já estabelecidas há mais de uma década, a criopreservação do ovário é mais complexa. Entretanto, em alguns casos, ela é a única esperança para mulheres que desejam engravidar – e é a única forma de tentar restaurar a função hormonal do ovário, caso ela se deteriore após o tratamento.
“A grande inovação desta técnica é que ela dispensa tratamento prévio e o tempo necessário para o congelamento de óvulos. Além disso, é a única esperança de meninas pré-púberes tentarem manter a fertilidade”, explica Maurício Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.
Explica Edson Borges, diretor clínico do Centro de Fertilização Assistida Fertility, em São Paulo: “Meninas que ainda não entraram na puberdade não podem fazer congelamento de óvulos, simplesmente porque elas não têm óvulos. Nesses casos, a criopreservação do tecido é a única opção para elas tentarem engravidar no futuro.”
No entanto, Borges ressalta que ainda não se sabe como é a recuperação da fertilidade nas crianças. “Ao contrário das mulheres que já menstruaram, o ovário de meninas pré-púberes ainda não amadureceu e por isso não teve sua função reprodutiva ativada. Assim, quando há o reimplante de um ovário nessas condições é necessário realizar a maturação do tecido retirado em laboratório antes do reimplante. É algo que ainda não podemos garantir que irá acontecer. Mas acredito que vale muito a pena tentar”, afirma.
Para congelar óvulos ou embriões, a mulher passa por uma indução de ovulação que demora entre 10 e 15 dias. Já na nova técnica, o procedimento é cirúrgico e não precisa de preparação prévia. A desvantagem é que o método é mais invasivo e requer internação hospitalar de um a dois dias.

12.004 -Reprodução – Primeiros transplantes de útero serão realizados nos EUA


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O procedimento irá beneficiar as mulheres que tiveram seu útero removido devido a doenças ou danos, ou que nasceram sem o órgão, recebendo um doado. Depois que o destinatário tiver um ou dois filhos, o útero será removido novamente, para impedir a ação de rejeição do organismo, que estará sob efeito de medicamentos.
Embora os transplantes de órgãos existam há décadas, o transplante de útero é relativamente novo no cenário médico, pois o órgão não é essencial para a sobrevivência. Portanto, nunca havia sido considerado uma grande prioridade pela maioria dos pesquisadores, ao contrário de outros, como fígado e coração. Porém, como milhares de mulheres nos EUA não conseguem ter filhos devido à ausência de um útero, houve forte interesse no procedimento.
Em 2014, uma mulher na Suécia se tornou a primeiro a dar à luz com um útero transplantado, após receber a doação de uma mulher de 61 anos. No final de setembro, o Reino Unido anunciou que iria realizar o procedimento em 10 mulheres como parte de um ensaio. Algo semelhante irá acontecer por parte dos cirurgiões norte-americanos, na Cleveland Clinic, oferecendo úteros transplantados a 10 mulheres, nos próximos meses. A triagem para potenciais candidatas, com idade entre 21 e 30 anos, já se iniciou. Todas as candidatas precisam ter seus ovários ainda intactos, e precisam ser mentalmente e financeiramente estáveis.
O procedimento funciona através da recuperação dos óvulos da mulher, com a fertilização e o congelamento deles, até que estejam prontos para o transplante.
“Um ano após o transplante, os embriões congelados são então descongelados e implantados, um de cada vez, até a paciente ficar grávida”, informou o hospital à imprensa.
Após o nascimento da criança, a mulher será capaz de manter o útero para tentar outro bebê, ou pode tê-lo removido. Caso ela não queira ter a cirurgia de remoção, os médicos afirmam ser possível interromper a medicação e deixar que o sistema imunológico rejeite o útero, que deve desaparecer gradualmente.
Apesar de riscos em todos os processos, as mulheres envolvidas estarão cientes. Para muitas delas, está é a única chance de ter um filho. Portanto, muitas mulheres já demonstraram interesse nos testes.
“O emocionante trabalho dos investigadores pioneiros, na Suécia, demonstrara que o transplante de útero pode resultar no nascimento bem-sucedido de crianças saudáveis”, disse Andreas Tzakis, investigador principal da Cleveland Clinic, ao jornal The Telegraph.

11.774 – Reprodução – Curiosidades que você não sabia sobre os espermatozoides


espermatozoide-infetilidade-mutacao
Estudos sugerem que alguns nutrientes são bons para a qualidade e a quantidade de esperma. Por exemplo, o ácido docosa-hexaenóico (DHA), um ácido essencialmente graxo do tipo ômega-3, encontrado em peixes, é essencial para a formação de esperma.
Pesquisadores relataram que o DHA transforma espermatozoides defeituosos em fortes nadadores, com grande possibilidade de fertilização. Em homens mais velhos, uma dieta rica em antioxidantes, ou multivitamínicos, pode fazer bem. De acordo com um estudo realizado por cientistas do Departamento do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley dos Estados Unidos, descobriu-se que homens com mais de 44 anos, com dietas ricas em vitamina C, tinham 20% menos danos ao DNA de espermatozoides do que os seus pares que consumiam menos vitamina C. Os antioxidantes, vitamina E, zinco e folato tiveram efeitos semelhantes.
Um espermatozoide saudável é aquele com uma cabeça oval suave e uma longa cauda não uniforme. Visualmente, ele não é perfeito. “Apenas cerca de um terço do esperma de um homem ‘parece’ normal. Isso significa que, para a maioria dos homens, a maioria de seus espermatozoides são engraçados de serem vistos”, relatou o Dr. Craig Niederberger. Não se sabe se essas anomalias morfológicas influenciam na potência do esperma, e, de acordo com Niederberger, chefe do departamento de urologia da Universidade de Illinois, em Chicago o fato ainda está em estudo.
O esperma animal é ainda mais estranho
Muitos animais possuem espermas ainda mais estranhos que o dos humanos. Os espermas dos besouros, por exemplo, nadam em pares ou em grupos, normalmente, e mais de 100 células atingem o objetivo. O espermatozoide das toupeiras também é um objeto curioso de estudo, pois apenas 0,1% das células reprodutoras das toupeiras tem a capacidade de nadar.

O espermatozoide foi descoberto por um holandês
Em 1677, o Holandês Antony van Leeuwenhoek relatou ter visto “minúsculos animais” movendo-se como enguias em uma amostra de seu próprio sêmen sob a lente de um microscópio. “Seus corpos eram arredondados, mas sem corte na frente e correndo para um ponto anterior, decorados com uma cauda longa e fina”, ele escreveu em seu relatório inicial.

Sua fertilização era desconhecida
Antony van Leeuwenhoek descobriu um novo mundo de células no líquido sêmen, mas ele estava muito enganado sobre como era o trabalho de fertilização dos espermatozoides. Na verdade, o processo de fertilização não foi comprovado até 1879. Em 1600, os pesquisadores acreditavam que os seres humanos eram pré-formados, enrolados em miniaturas internas do óvulo ou do esperma.

Eles recebem um pouco de ajuda
Os espermatozoides são pequenos grandes nadadores, mas eles ganham ajuda na hora de penetrar no óvulo. Uma explosão do hormônio progesterona produzido por mulheres incentiva os espermatozoides a mexerem suas caudas pequenas freneticamente a fim de se empurrarem sobre a membrana protetora do óvulo. Uma proteína nas células do espermatozoide é responsável por receber o sinal hormonal, de acordo com uma publicação feita em 2011 na revista Nature.
“Machos-alfa” não possuem “super espermatozoides”
As mulheres tendem a ser atraídas por homens conhecidos como ‘verdadeiros machos’, com vozes fortes e estrutura corporal superior. Mas uma pesquisa publicada em dezembro de 2012, na revista PLoS ONE, constata que tais ‘machões’ não têm qualidade superior de espermatozoide do que os outros homens.
Na verdade, a concentração de espermatozoides nos homens com vozes mais grossas, foi menor do que em homens com vozes mais finas. O tom de voz está relacionado com os níveis de testosterona, mas um nível suficientemente elevado de testosterona pode efetivamente impedir a produção de esperma, de acordo com os pesquisadores.

11.728 – Isso tem hora? – Ciência descobre a hora exata para fazer sexo


Um estudo científico recente, publicado pela revista British Medical Journal – que coleta dados divulgados pela Associação Médica Britânica –, afirma ter descoberto o horário perfeito para fazer sexo. Provavelmente, o resultado surpreenderá muitas pessoas, já que a hora escolhida não parece ser a mais comum; entretanto, é o momento em que tanto os homens quanto as mulheres estão com o nível de testosterona mais elevado: às 5h48m da manhã.
Esse horário preciso é a combinação dos dados de aumento da testosterona com os das atividades cotidianas: mais testosterona e menos preocupação em relação aos afazeres diários resultariam no momento perfeito para a troca sexual. Nos homens, a quantidade de testosterona presente no organismo 12 minutos antes das 6h pode chegar a ser 25% a 50% maior que no resto do dia – isso, claro, se ele tiver dormido à noite, uma vez que a glândula que regula sua produção é muito mais ativa durante o sono. O resultado desse estudo é baseado em uma estatística do horário em que as pessoas acordam. Por isso, se se passou a noite em claro, o horário ideal não será o mesmo.
O fenômeno que explica essa pesquisa é o mesmo que faz com que a maioria dos homens tenha ereções matinais. E isso coincide com um estudo recente feito na Itália, no qual se descobriu que, para as mulheres, a manhã é o momento ideal para chegar ao orgasmo.

11.125-Anatomia-Sistema Genital Feminino


sistemareprodutor

O sistema reprodutor e genital engloba os órgãos que produzem, transportam e armazenam as células germinativas, que são as responsáveis por dar origem aos gametas.
E são os gametas que, ao se unirem, formam um novo indivíduo, que será abrigado em um órgão durante seu desenvolvimento. Esse órgão, chamado útero, faz com que o sistema reprodutor feminino seja considerado mais complexo que o masculino em razão da função de abrigar e propiciar o desenvolvimento de um novo indivíduo.
Ovários, tubas uterinas, útero, vagina, hímen, grandes lábios, pequenos lábios e clitóris são as estruturas encontradas no sistema de reprodução feminino. Além disso, as mamas também são de grande importância na manutenção da vida. Os órgãos externos desse sistema permitem a entrada do esperma no organismo, além de protegerem os órgãos genitais internos contra micro-organismos infecciosos.
Os grandes lábios e os pequenos lábios são dobras de pele e mucosa que protegem a abertura vaginal. Os pequenos lábios, durante o processo de excitação, ficam intumescidos e aumentam sensivelmente seu tamanho durante a penetração nas relações sexuais. Os grandes lábios ficam entre o monte púbico (ou monte de Vênus) e se estendem até o períneo, espaço entre ânus e vulva, e são cobertos por pelos pubianos após a puberdade.
A vagina é um canal com cerca de 7,5 a 10 centímetros que se estende do útero, órgão interno, à vulva, estrutura genital externa. Suas paredes normalmente se tocam e no exame clínico o médico utiliza um aparelho para afastá-las. Esse canal é responsável por receber o pênis durante a relação sexual e serve de canal de saída tanto para o fluxo menstrual quanto para o bebê no momento de parto normal. É um órgão musculoso cujo orifício é denominado introito. Próximos ao introito existem pequenas glândulas chamadas glândulas de Bartholin, que secretam muco para lubrificar a vagina sob a ação de estímulos sexuais.
O hímen é uma membrana de tecido conjuntivo forrada por mucosa tanto interna como externamente. Ele pode variar de tamanho e forma. No primeiro ato sexual sofre ruptura, permanecendo apenas pequenos fragmentos no local, chamados carúnculas himenais.
O clitóris é uma pequena saliência, bastante sensível ao tato, situada na junção anterior aos pequenos lábios. Tem função muito importante na excitação sexual feminina e pode ser considerado similar ao pênis no homem.
O útero é o órgão responsável por alojar o embrião e mantê-lo durante todo o seu desenvolvimento até o nascimento. Tem a forma de uma pera invertida, mas pode variar de forma, tamanho, posição e estrutura. É formado por tecido muscular que se estende amplamente durante a gravidez e apresenta camadas, sendo o endométrio aquele que sofre modificações com o ciclo menstrual, preparando-se mensalmente para receber o ovo já fecundado e, caso isso não ocorra, apresenta descamação e é eliminado pela menstruação.
Os ovários são duas glândulas situadas uma em cada lado do útero, abaixo das trompas. São responsáveis por produzir gametas ou óvulos e também por produzir hormônios sexuais femininos, estrógeno e progesterona. Esses hormônios vão controlar o ciclo menstrual, provocar o crescimento do endométrio e estimular o desenvolvimento dos vasos sanguíneos e glândulas do endométrio, tornando-o espesso, vascularizado e cheio de secreções nutritivas.
As tubas uterinas são aquelas que transportam os óvulos que romperam a superfície do ovário para a cavidade do útero. São dois canais finos que saem de cada lado do fundo do útero e terminam com as extremidades próximas aos ovários. Nas tubas, os espermatozoides unem-se aos óvulos quando há fecundação para então se fixar no útero. Pode ocorrer também do óvulo já fecundado fixar-se na tuba uterina e iniciar o desenvolvimento do embrião, o que se denomina gravidez tubária.

11.124 – Sistema Reprodutor Masculino


ap reprod masculino

O sistema reprodutor masculino, também chamado de sistema genital masculino, é composto pelos testículos, bolsa escrotal, pênis, um sistema de ductos ou canais e glândulas anexas.
No sistema reprodutor masculino, encontramos um par de testículos. Eles são as gônadas masculinas e se localizam no interior da bolsa escrotal. Ambos os testículos são constituídos por milhares de túbulos seminíferos e no interior desses túbulos ocorre a produção dos espermatozoides num processo chamado de espermatogênese. Também é nos testículos que encontramos as células intersticiais ou células de Leydig, cuja função é produzir o hormônio testosterona.
Após a formação dos espermatozoides nos túbulos seminíferos, eles são encaminhados através de ductos eferentes ao epidídimo, onde ganharão mobilidade e ficarão armazenados até serem eliminados na ejaculação. Quando o homem é estimulado sexualmente, os espermatozoides saem do epidídimo, através dos ductos deferentes, e são encaminhados até as glândulas seminais, e, em seguida, para a próstata. Tanto as glândulas seminais quanto a próstata são glândulas anexas que produzem substâncias que nutrem os espermatozoides. Depois de passar por essas glândulas anexas, o esperma ou sêmen é encaminhado à uretra, de onde será expulso.
Quando estimulado sexualmente, o homem libera um líquido que lubrifica a extremidade do pênis, além de atuar na limpeza da uretra. Esse líquido é produzido pelas glândulas bulbouretrais, que se localizam abaixo da próstata.
O pênis é o órgão copulador do sistema reprodutor masculino. Ele é composto por tecidos esponjosos que se enchem de sangue, deixando-o rígido e com maior volume.

11.054 – História da Medicina – A mãe mais jovem da literatura médica


Lina Medina, uma peruana nascida em 27 de Setembro de 1933, é conhecida mundialmente por ter dado a luz a um filho precocemente, com apenas cinco anos de idade. Por este fato, Lina Medina é a mãe mais jovem já confirmada na história da medicina.
Nascida e criada no distrito de Ticrapo, localizado na região Huancavelica, Lina vivia em condições precárias em uma aldeia andina juntamente com sua família. Os pais da garota ao detectarem um aumento anormal em seu abdômen, resolveram levá-la a um curandeiro da vila. Seu pai Tiburcio Medina procurou imediatamente os xamãs da vila (os curandeiros) que faziam rituais xamânicos, do quais invocavam espíritos da natureza para ajudar o povo da vila. Porém os xamãs descartaram que houvesse superstições da localidade, como a possibilidade da menina abrigar em sua barriga uma cobra (Apu), que iria crescer a até matá-la. Recomendaram então, que os pais a levassem a um hospital.
Os pais de Lina Medina, bastante assustados imaginavam que sua filha pudesse estar com um tumor maligno e temiam pela morte dela. Seguindo a recomendação dos xamãs da vila, a menina foi encaminhada a um hospital mais próximo localizado na cidade de Pisco. Para a surpresa dos pais, Lina Medina felizmente não estava com nenhum tumor, porém estava grávida, para o espanto de todos. O médico Gerardo Lozada levou a garota até Lima, capital do Peru, para que o diagnóstico pudesse ser comprovado mais uma vez, por outros especialistas.
Em 14 de maio de 1939, um mês depois da descoberta da gravidez de Lina Medina, ela deu à luz a um menino saudável de 2,7 quilogramas. O parto foi realizado pelos médicos Dr. Lozada e Dr. Busalleu que fizeram uma cesariana, opção de parto escolhida pelo fato da pélvis de Lina ser bem pequena, ou seja, impossível a realização de um parto normal. Lina colocou o nome do seu filho de Gerardo, em homenagem ao Dr. Gerardo Lozada.
Lina Medina teve um desenvolvimento sexual precoce. Com apenas oito meses de idade, a garota apresentava sinais de maturidade sexual e já havia tido sua primeira menstruação. Porém sua mentalidade era de uma criança normal de cinco anos de idade. Após o nascimento de seu filho, Lina preferia brincar de boneca em vez de ficar com seu bebê, que era alimentado por uma enfermeira.
O garoto foi criado pelo irmão de Lina Medina e levado a acreditar que sua mãe era sua irmã. Somente quando Gerardo chegou à puberdade descobriu que Lina era sua mãe. Porém, nunca soube quem era seu pai. Infelizmente Gerard morreu com apenas 40 anos de idade, devido a uma doença na medula óssea. O mistério de quem poderia ser o pai de Gerard ainda prevalece e Lina Medina se nega a falar do assunto até hoje, aos 76 anos de idade.

10.973 – O que é Reprodução Assexuada?


É aquela que não envolve trocas de gametas entre os indivíduos e os organismos formados são geneticamente idênticos ao organismo que os gerou. Caso ocorra uma mutação no DNA, estes organismos apresentarão diferenças em relação ao progenitor. Existem vários tipos de reprodução assexuada: divisão binária, brotamento, regeneração e esporulação.

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Divisão binária, bipartição ou cissiparidade
Este tipo de reprodução é o processo em que uma célula se divide em duas, por mitose, e origina duas células geneticamente idênticas. Encontramos este tipo de reprodução em bactérias e protozoários.
Brotamento ou gemiparidade
Neste tipo de reprodução um broto se desenvolve no indivíduo e após um tempo se desprende, passando a ter uma vida independente. Podemos citar como exemplos de organismos que se reproduzem por brotamento os fungos, as hidras, as esponjas e até certas plantas.
Regeneração
Alguns organismos possuem uma capacidade de regeneração muito grande. Quando algum fragmento é retirado, ao encontrar condições ideais de sobrevivência, pode se regenerar e dar origem a um novo indivíduo. Isto pode acontecer nas planárias, esponjas e algumas plantas.

Algumas partes de certas plantas, ao serem destacadas e implantadas no solo, ou imersas em água, desenvolvem raízes e dão origem à novas plantas. Esta prática e chamada de estaquia e é muito utilizada em jardinagem.
Esporulação
Trata-se de um processo de reprodução onde os organismos produzem esporos que são liberados no ambiente e quando encontram condições favoráveis, germinam. Encontramos este tipo de reprodução em bactérias, fungos e algas.

10.922 – Reprodução – Cientistas criam formas primitivas de óvulo e esperma artificial


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Pesquisadores conseguiram criar, pela primeira vez, formas primitivas de óvulos e espermas humanos em laboratório. A descoberta pode ajudar a solucionar problemas de infertilidade, compreender melhor os primeiros estágios do desenvolvimento embrionário e, potencialmente, permitir o desenvolvimento de novos tipos de tecnologia reprodutiva.
As chamadas células germinativas primordiais (PGC, na sigla em inglês), das quais derivam os óvulos e espermatozoides, já haviam sido desenvolvidas em testes de laboratório com roedores, mas nunca com humanos. A descoberta, descrita por cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, foi publicada no periódico Cell, na quarta-feira.
Células germinativas primordiais têm potencial para serem transformadas em espermatozoides e óvulos humanos. O próximo passo da pesquisa é injetar as células em ovários de roedoras para testar se elas se desenvolvem em animais.
As PGCs aparecem durante as primeiras semanas do crescimento embrionário, quando as células-tronco do óvulo fertilizado começam a diferenciar-se em vários tipos de células básicas. Em um estágio seguinte, as PGCs se transformam em precursoras de espermatozoides ou de óvulos ‘de uma maneira bastante automática’, segundo o coautor da pesquisa, Jacob Hanna, do Instituto Weizmann.
O estudo demonstrou que as PGCs também podem ser criadas a partir de células adultas reprogramadas, como as da pele. Essa técnica ajudará cientistas a comparar como as células sexuais se desenvolvem em pessoas férteis e inférteis. “Essa é a base para o nosso futuro trabalho”, afirmou ao jornal britânico The Guardian Azim Surani, coautor da pesquisa, da Universidade de Cambridge.
Em outra frente, o trabalho pode esclarecer dúvidas sobre doenças associadas ao envelhecimento. Com o passar dos anos, hábitos como tabagismo, alimentação e exposição a compostos químicos causam mutações genéticas. As células que formam o esperma e os óvulos, no entanto, são livres dessas alterações. “Isso pode nos ensinar como eliminar as mutações, que, em moléstias ligadas ao envelhecimento, podem ser exageradas e desregular os genes”, disse Surani ao jornal.
Os pesquisadores descobriram que um gene conhecido como SOX17 é fundamental para fazer com que as células-tronco humanas se transformem em PGCs. A descoberta foi surpreendente, pois, no caso dos ratos, o equivalente desse gene não intervém no processo. “Não estou dizendo que os estudos em ratos não se aplicam em humanos, mas há diferenças fundamentais com as quais precisamos ter cuidado”.

10.536 – A Embriologia


O termo embriologia que refere-se ao estudo de embriões, compreende apenas o período de desenvolvimento pré-natal de embriões e fetos. Durante este estágio o organismo sofre diversas mudanças, compondo o cenário de evolução embrionária até o instante do parto. Período este denominado pelos estudiosos como “anatomia de desenvolvimento”. O desenvolvimento pré-natal é mais acelerado do que o pós-natal, cumprindo-se em 9 meses aproximadamente, resultando em mudanças amplamente cruciais para a vida pós-natal do feto.
Porém durante este desenvolvimento podem ocorrer anormalidades, que resultarão em um neonato com problemas congênitos. O segmento da embriologia que estuda este evento é a Teratologia, do grego “teratos” que significa “monstro”, uma analogia ao feto com defeitos de nascimento. Este segmento da embriologia sofre intervenção direta ou não de vários fatores, genéticos ou ambientais, que atrapalham a evolução normal do embrião.

A embriologia tem quatro objetivos básicos, são eles:

– Integrar o desenvolvimento pré-natal com as ciências e com as diversas vertentes da própria medicina, no intuito de entender os eventos da embriologia e otimizar o uso deste conhecimento, diminuindo os riscos na gestação.

– Desenvolver e aplicar o conhecimento sobre os eventos que iniciam a vida humana e às mudanças que eles trazem para o feto, durante o período gestacional.

– Auxiliar o entendimento das causas das alterações que ocorrem na estrutura humana;

– Esclarecer a anatomia fetal e explicar como há o desenvolvimento das estruturas normais e anormais.

Muitas práticas modernas utilizadas atualmente na obstetrícia necessitam da aplicação da embriologia. Assim, o conhecimento que os médicos tem sobre o desenvolvimento normal (padrão) do feto e das causas prováveis das anomalias faz-se importante para auxiliar o embrião durante todo o seu desenvolvimento, garantindo, então, boas chances do bebê nascer sadio. Os eventos embriológicos de interesse especial para os obstetras são: a ovulação, o transporte do ovócito e do espermatozóide, fertilização, a implantação, as relações materno-fetais, a circulação fetal, os períodos críticos do desenvolvimento e as causas das anomalias congênitas. Estes especialistas vão além do cuidado com a mãe, cuidam principalmente da saúde do embrião.
Infelizmente as anomalias que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião causam a maioria das mortes durante o primeiro ano de vida, por isso o estudo é importante já que pode prevenir uma boa parte delas. Vale ressaltar a importância do progresso da cirurgia, especialmente nos grupos de idade infantil, perinatal e fetal, que tornou viável um tratamento cirúrgico antes impossível.
A compreensão e a correção da maioria das anomalias congênitas dependem, sobretudo, do conhecimento sobre o processo total de desenvolvimento normal e dos desvios que podem ocorrer durante este estágio. A correção pós-natal nem sempre é possível e isso muda a vida não só do paciente contemplado, mas de todos os familiares à sua volta. Portanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico há mais chances de reverter o quadro clínico embrionário.

9831 – Biologia – Um presente de núpcias venenoso


Para um macho da mariposa da espécie Utetheisa ornatrix, natural do sul dos Estados Unidos, conquistar uma parceira não é bolinho, não. Além de bonito, o pretendente deve carregar na dose de perfume da grife certa, feito de substâncias chamadas alcalóides, tiradas da erva guizo-de-cascavel. Mas a exigência feminina não é mero capricho. Uma equipe de biólogos da Universidade Cornell, no Estado de Nova York, descobriu que essas substâncias são transmitidas às fêmeas no acasalamento. Os alcaloides deixam o corpo delas com gosto ruim e, assim, afastam os predadores. “Esta é a primeira vez que encontramos esse tipo de transmissão entre macho e fêmea”, disse Andrés González, um dos integrantes da equipe americana.

9644 – Bê a bá da Genética


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Clonagem é um mecanismo comum de propagação da espécie em plantas ou bactérias. De acordo com Webber (1903), o clone é definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original e entre si.
Em humanos, clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um único óvulo fertilizado. A grande revolução que a Dolly provocou abriu caminho para a possibilidade de clonagem humana. Pela primeira vez, ficou patente que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir uma cópia geneticamente idêntica a partir de uma célula somática diferenciada. Para entendermos por que essa experiência foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia.
Todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo com um espermatozoide. Essa primeira célula já tem, em seu núcleo, o DNA com toda a informação genética necessária para gerar um novo ser. Nas células, o DNA fica extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exceção das nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozoide que têm 23 cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos. Em cada uma delas, existem 22 pares que são iguais nos dois sexos, os chamados autossomos, e um par de cromossomos sexuais : XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. As células com 46 cromossomos são chamadas células somáticas.

Voltemos agora a nossa primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozoide. Logo após a fecundação, ela começa a dividir-se: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de desenvolver-se num ser humano completo. Por isso, são chamadas de totipotentes. Na fase de 8 a 16 células, as células do embrião se diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas, que vão originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células internas que vai originar o embrião propriamente dito. Setenta e duas horas depois da fecundação, esse embrião agora com cerca de 100 células passa a ser chamado de blastocisto. É nessa fase que ocorre sua implantação na cavidade uterina. As células internas do blastocisto que vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano são chamadas de células-tronco embrionárias pluripotentes.

Num dado momento, porém, as células somáticas, que até então eram todas iguais, começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos, etc… Os genes que controlam essa diferenciação e o processo pelo qual isso ocorre ainda é um mistério.

O que sabemos é que, uma vez diferenciadas, as células somáticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As descendentes de uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado, células musculares vão originar células musculares e assim por diante. Apesar do número de genes e do DNA serem iguais em todas as células do nosso corpo, nas células somáticas diferenciadas, os genes se expressam de maneira diferente em cada tecido, isto é, a expressão gênica é específica para cada tecido. Com exceção dos genes responsáveis pela manutenção do metabolismo celular (“housekeeping genes”) que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para sua manutenção. Os outros se mantêm “silenciados” ou inativos.

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O PROCESSO DE CLONAGEM REPRODUTIVA

A grande notícia que a Dolly trouxe consigo foi justamente a descoberta de que uma célula somática de mamífero, já diferenciada, poderia ser reprogramada ao estágio inicial e voltar a ser totipotente. Isso foi conseguido transferindo o núcleo de uma célula somática da glândula mamária da ovelha que originou Dolly para um óvulo enucleado que, surpreendentemente, começou a comportar-se como um óvulo recém fecundado por um espermatozoide. Isso provavelmente ocorreu porque o óvulo, quando fecundado, tem mecanismos — para nós ainda desconhecidos – para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus genes novamente ativos, o que ocorre no processo normal de fertilização.

Para obtenção de um clone, o óvulo enucleado para o qual foi transferido o núcleo da célula somática foi inserido no útero de outra ovelha. No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o núcleo de uma célula somática, que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma criança ou de um adulto, inserir esse núcleo em um óvulo e implantá-lo num útero (que funcionaria como barriga de aluguel). Se esse óvulo conseguir desenvolver-se, teremos um novo ser com as mesmas características físicas da criança ou do adulto de quem foi retirada a célula somática. Seria como um gêmeo idêntico nascido posteriormente.

Já sabemos que não é um processo fácil. Dolly só nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram. Além disso, dentre as 277 células “da mãe de Dolly“ que foram inseridas num óvulo sem núcleo, 90% não alcançaram nem o estágio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros mamíferos, tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado, também tem mostrado eficiência muito baixa e proporção muito grande de abortos e embriões malformados. Penta, a primeira bezerra brasileira clonada a partir de uma célula somática adulta, em 2002, morreu com um pouco mais de um mês. Ainda em 2002, foi anunciada a clonagem do “copycat” o primeiro gato de estimação clonado a partir de uma célula somática adulta. Para isso, foram utilizados 188 óvulos que geraram 87 embriões e apenas um animal vivo. Na realidade, experiências recentes, com diferentes modelos animais têm mostrado que a reprogramação dos genes para o estágio embrionário, processo que originou Dolly, é extremamente difícil.

O grupo liderado por Ian Wilmut, cientista escocês que se tornou famoso por essa experiência, afirma que praticamente todos os animais clonados nos últimos anos a partir de células não embrionárias estão com problemas (Rhind , 2003). Entre os diferentes defeitos observados nos pouquíssimos animais que nasceram vivos após inúmeras tentativas, observam-se placentas anormais, gigantismo em ovelhas e gado, defeitos cardíacos em porcos, problemas pulmonares em vacas, ovelhas e porcos, problemas imunológicos, falha na produção de leucócitos, defeitos musculares em carneiros. De acordo com Hochedlinger e Jaenisch (2003), os avanços recentes em clonagem reprodutiva permitem quatro conclusões importantes: 1) a maioria dos clones morre no início da gestação; 2) os animais clonados têm defeitos e anormalidades semelhantes independentemente da célula doadora ou da espécie; 3) essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprogramação do genoma; 4) a eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação da célula doadora. De fato, a clonagem reprodutiva a partir de células embrionárias tem mostrado uma eficiência de 10 a 20 vezes maior provavelmente porque os genes que são fundamentais no início da embriogênese estão ainda ativos no genoma da célula doadora. (Hochedlinger e Jaenisch, 2003)

É interessante que, dentre todos os mamíferos que já foram clonados, a eficiência é um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro lado, um fato intrigante é que ainda não se tem notícia de macaco ou cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista inglesa Ann McLaren afirme que as falhas na reprogramação do núcleo somático possam constituir uma barreira intransponível para a clonagem humana.
Mesmo assim, pessoas como o médico italiano Antinori ou a seita dos raelianos defendem a clonagem humana, procedimento que tem sido proibido em todos os países. Na realidade, em documento assinado em 2003, as academias de ciências de 63 países, inclusive do Brasil, pedem o banimento da clonagem reprodutiva humana. O fato é que a simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discussões éticas em todos os segmentos da sociedade. Por que clonar? Quem deveria ser clonado ? Quem iria decidir? Quem será o pai ou a mãe do clone? O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?, são questões sempre em pauta.

Na verdade, o maior problema ético atual é o enorme risco biológico associado à clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa que discutir os prós e os contras da liberação de uma medicação nova, cujos efeitos são devastadores e ainda totalmente incontroláveis.

Apesar de todos os argumentos contra a clonagem humana reprodutiva, experiências com animais clonados têm-nos ensinado muito acerca do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferência de núcleo para fins terapêuticos, a chamada clonagem terapêutica, poderá ser extremamente útil para obtenção de células-tronco.

A TÉCNICA DE CLONAGEM TERAPÊUTICA PARA OBTENÇÃO DE CÉLULAS-TRONCO

Se pegarmos o óvulo cujo núcleo foi substituído pelo núcleo de uma célula somática e, em vez de inseri-lo em um útero, deixarmos que ele se divida no laboratório, teremos a possibilidade de usar essas células que, na fase de blastocisto, são pluripotentes, para fabricar diferentes tecidos. Isso abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido de onde foram retiradas. É importante que as pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados apenas tecidos, em laboratório, sem implantação do óvulo no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois retirar-lhe os órgãos, como alguns acreditam. Também não há por que chamar esse óvulo, após a transferência de núcleo, de embrião porque ele nunca terá esse destino.

Pesquisa publicada na revista Science, por um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col, 2004) confirmou a possibilidade de obter células-tronco pluripotentes a partir da técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos (TN). O trabalho foi feito graças a participação de 16 mulheres voluntárias que doaram ao todo 242 óvulos e células cumulus (células que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à clonagem terapêutica. As células cumulus, que já são diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais haviam sido retirados os núcleos. De todos eles, 25% conseguiram dividir-se e chegar ao estágio de blastocisto, portanto capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes.

A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para substituir o tecido cardíaco comprometido por um infarto. Entretanto, essa técnica tem limitações. No caso dos afetados por doenças genéticas, o doador não poderia ser a própria pessoa, pois a mutação patogênica causadora da doença está presente em todas as células. Usar linhagens de células-tronco embrionárias de outra pessoa pode provocar o problema da compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de um indivíduo afetado por distrofia muscular progressiva que necessita substituir tecido muscular.

Ele não poderia utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas teria de recorrer a um doador compatível, eventualmente, um parente próximo. Além disso, não sabemos se as células obtidas de uma pessoa idosa com doença de Alzheimer, por exemplo, uma vez clonadas, teriam a mesma idade do doador ou seriam células jovens. Outra questão em aberto seria a reprogramação dos genes que poderiam inviabilizar o processo, dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído.

Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por esse motivo, a curto prazo, a grande esperança para terapia celular vem da utilização de células-tronco de outras fontes.

TERAPIA CELULAR COM OUTRAS FONTES DE CÉLULAS-TRONCO

a) Indivíduos adultos

Existem células-tronco em vários tecidos (medula óssea, sangue, fígado) de crianças e adultos. Entretanto, a quantidade é pequena e não sabemos ainda em que tecidos são capazes de diferenciar-se. Pesquisas recentes mostraram que células-tronco retiradas da medula de indivíduos com problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo do seu coração, o que abre perspectivas fantásticas para o tratamento de problemas cardíacos. A maior limitação dessa técnica – autotransplante -, porém, é não servir para portadores de doenças genéticas.
É importante lembrar que as doenças genéticas afetam entre 3% e 4% das crianças que nascem, ou seja, mais de cinco milhões de brasileiros, se considerarmos uma população de 170 milhões de habitantes. É verdade que nem todas as doenças genéticas poderiam ser tratadas com células-tronco, mas, se pensarmos somente nas doenças neuromusculares degenerativas que afetam uma em cada mil pessoas, estaremos falando em quase 200.000 pacientes.

b) Cordão umbilical e placenta

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta são ricos em células-tronco. Entretanto, também não sabemos ainda qual é o potencial de diferenciação dessas células em diferentes tecidos. Se as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical derem os resultados esperados, isto é, se as células-tronco forem realmente capazes de regenerar tecidos ou órgãos, essa será certamente uma notícia fantástica, porque não envolve questões éticas. Ainda assim, porém, teremos de resolver o problema de compatibilidade entre as células-tronco do cordão doador e o receptor. Para tanto, será necessário criar, com a maior urgência, bancos de cordão públicos à semelhança dos bancos de sangue, porque se sabe que quanto maior o número de amostras de cordão em um banco, maior a chance de achar um doador compatível.

Experiências recentes já demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material para substituir a medula em casos de leucemia. Por isso, a criação dos bancos de cordão é prioridade que se justificaria somente pelo fato de servirem de base para o tratamento de doenças sanguíneas, mesmo antes de serem confirmados os resultados de outras pesquisas.

c) Células embrionárias

Se as células-tronco de cordão tiverem a potencialidade desejada, a alternativa será o uso de células-tronco embrionárias obtidas de embriões não utilizados e que são descartados em clínicas de fertilização. Opositores ao uso de células embrionárias para fins terapêuticos argumentam que isso poderia gerar um comércio de óvulos ou que “embriões humanos” seriam destruídos e não é ético destruir uma vida para salvar outra.

ASPECTOS ÉTICOS
Apesar desses argumentos, o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido por todos aqueles, e são muitos, que poderão beneficiar-se com a aplicação dessa técnica e pela maioria dos cientistas.
As 63 academias de ciência do mundo, que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva, defendem as pesquisas com células embrionárias para fins terapêuticos. Em relação aos que acham que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva, devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois procedimentos: a implantação e a não implantação em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero!

Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula da cutícula poderia ser colocado em um óvulo enucleado, inserido em um útero e gerar uma nova vida!
Por outro lado, a cultura de tecidos é prática comum em laboratório, apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos (quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder produzir apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de antiético nisso?
Quanto ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa do que já ocorre com o transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim? Cada um de nós pode fazer a si próprio esta pergunta: “Eu doaria um óvulo para ajudar alguém? Para salvar uma vida?”.
No que se refere à destruição de “embriões humanos”, novamente devemos lembrar que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir de embriões que são normalmente descartados e que nunca serão inseridos em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e inseridos num útero nas melhores condições possíveis não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.
Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo implantado em um útero, teria potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doença letal, na realidade não estamos criando vida? Isso não é comparável ao que se faz hoje nos transplantes, quando se retira os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa indefinidamente)?
É extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com células-tronco embrionárias antes de assumir uma posição contrária. Por outro lado, também não podemos acreditar que as células-tronco sejam capazes de curar todas as doenças humanas. As pesquisas que estão se iniciando agora serão fundamentais para responder inúmeras questões sobre o potencial das células-tronco adultas em comparação com o das embrionárias, sobre as doenças que poderão ser tratadas e quais serão os benefícios e riscos da terapia celular.

9561- O que é Consanguinidade?


É a relação entre indivíduos que apresentam determinado grau de parentesco. São considerados consanguíneos os indivíduos que tenham ao menos um ancestral em comum.
Nos casamentos consanguíneos, em que o casal é formado por parentes próximos, as chances de genes recessivos se combinarem são significativas. E isso se acentua com o grau de consanguinidade: quanto mais próximo for o parentesco (pais, filhos, irmãos, avós, tios e primos de primeiro grau), maior a probabilidade das duas pessoas compartilharem os genes recessivos.
Os genes recessivos são “menos expressivos” e, por isso, é preciso herdá-los duas vezes para que a característica se manifeste. Muitas vezes, essa manifestação não se trata de apenas uma característica, e sim, de doenças, são as chamadas doenças autossômicas recessivas. Uma vez que as pessoas aparentadas tendem a compartilhar genes próximos, os descendentes de um casal consanguíneo têm grandes chances de desenvolver doenças autossômicas recessivas.
Certas doenças autossômicas recessivas podem causar erros inatos no metabolismo (albinismo, fenilcetonúria, alcaptonúria), cegueira, surdez congênita, retardo mental e displasias ósseas. A fibrose cística é um exemplo de doenças causadas por genes recessivos. Trata-se de uma doença genética que afeta o funcionamento de glândulas exócrinas, responsáveis pela produção de muco e outras substâncias mais espessas. A doença compromete, principalmente, os sistemas digestivo e respiratório, podendo levar o portador à morte prematura.
Outro exemplo de doença autossômica recessiva é a anemia falciforme, que causa deformidade de hemácias. Com essa doença, as hemácias perdem o formato de disco e assumem a forma de foice (daí o nome falciforme), dificultando a circulação do sangue pelos vasos sanguíneos mais finos.
Para evitar o risco de ter filhos portadores de doenças hereditárias, os casais consanguíneos devem, antes, buscar orientação de um geneticista, médico especialista no ramo de Genética Humana. Esse profissional fará um estudo detalhado da situação, analisará os dados familiares e, com isso, terá condições de estimar a probabilidade de a criança ser afetada por alguma dessas doenças. Esse processo recebe o nome de aconselhamento genético.
Os distúrbios provocados por casamentos consanguíneos também podem ocorrer entre animais domésticos e de zoológico. Devido ao pequeno número de indivíduos daquela população, é comum o cruzamento de parentes próximos.
Em muitas culturas e etnias existem leis que proíbem a união entre parentes próximos. Acredita-se que essas leis tenham surgido através de observações empíricas de que algumas anormalidades em recém-nascidos são mais frequentes em casamentos entre parentes.

9273 – Reprodução – Como um pinto se desenvolve dentro do ovo?


Quando o galo parte para cima da galinha, ela levanta a cauda. Isso facilita o contato entre as cloacas – saída dos sistemas digestivo, urinário e genital das aves. É o chamado beijo cloacal. O macho introduz seu órgão erétil (phallus) na fêmea e despeja seus espermatozoides, fecundando o ovo, que fica “galado”.
A casca é oval porque o óvulo desce em espiral pelo oviduto. O formato também ajuda na hora de o ovo sair da galinha, com a ponta abrindo caminho. Outro ponto alto do design: a forma oval orienta o pintinho para quebrar a ponta mais larga do ovo. Assim, ele atinge um bolsão de ar para respirar antes de sair.
O óvulo fertilizado sai da galinha em 24 horas. Nesse período, os materiais que formam o ovo vão sendo depositados. Primeiro, quatro camadas de albúmen (clara), depois, uma fina membrana – aquela pele que separa a casca da clara nos ovos cozidos – e, por fim, a casca e os pigmentos que dão sua cor.
Na hora de “nascer”, o pintinho empurra a cabeça na direção da casca. A arma secreta para escapar é uma estrutura afiada de queratina que cresce na parte de cima do bico e é chamada “dente do ovo” ou “diamante”. Ela cai alguns dias depois que o pintinho sai do ovo.
O pintinho fica dentro do saco amniótico, totalmente preenchido por líquido. O alimento dele vem da gema, rica em minerais e gorduras. Em volta de tudo, fica a clara, que fornece proteína ao embrião. A captura de nutrientes rola por uma abertura umbilical que se liga ao saco – não confundir com o cordão umbilical, exclusivo dos mamíferos.
A casca e a membrana têm minúsculos poros, que protegem o pintinho contra a entrada de agentes infecciosos externos, além de evitar a perda excessiva de água para o ambiente. É por esses furos microscópicos que o embrião recebe oxigênio e elimina vapor de água e gás carbônico.
Para o embrião se desenvolver, a temperatura interna tem que ser constante – cerca de 37,8 oC. Para isso, a galinha deita sobre ele, apoiando a parte do ventre em que não crescem penas: a placa de incubação. Na época de chocar, a circulação de sangue aumenta na placa e a galinha fica até febril

• A casca é formada por carbonato de cálcio, magnésio e fosfatos

Vejamos passo a passo:
Depois que a galinha bota o ovo, o pintinho se desenvolve em 21 dias

Dia 1
O embrião pesa 0,0002 g. O sistema vascular começa a se formar, mas o coração só bate no dia 2

Dia 4
Todos os órgãos vitais já estão formados. Começam a surgir o bico, as asas, as pernas e as aberturas nasais

Dia 7
Dígitos surgem nas asas e nos pés, e o coração vai para dentro da caixa torácica – antes batia fora do corpo do embrião

Dia 10
Surgem as primeiras penas, e o bico começa a endurecer. O pintinho pesa pouco mais de 2 g

Dia 14
As unhas estão se formando, e o embrião já se movimenta para a posição de eclosão (saída do ovo)

Dia 17
Com todas as estruturas formadas, o embrião já pesa quase 17 g, mas ainda vai engordar outros 13 g

Dia 20
Perfura a membrana e respira pelos pulmões, sugando o ar da cavidade entre membrana e casca

9054 – Reprodução Humana – Empresa faz patente de método para escolher da cor dos olhos ao risco de doenças no bebê


Uma empresa americana registrou há uma semana a patente para um teste de DNA que permite a receptores de óvulos e esperma doados tentarem escolher características do bebê a ser concebido.
O patenteamento foi feito pela 23andMe, da Califórnia, fundada com US$ 3,9 milhões do Google e capital de empresas de biomedicina da região.
O método de seleção de gametas registrado, que está sendo criticado por geneticistas independentes, envolve o rastreamento de genes ligados tanto a características triviais como outras menos.
No texto da patente, a empresa sugere que poderia oferecer a receptores de óvulos ou esperma a identificação dos doadores mais propensos a transmitir traços como cor dos olhos e estatura, mas também expectativa de vida e porte atlético.
O pedido de patente exibe esquemas de menus de computador no qual o usuário escolhe as características desejadas antes de clicar um botão para submeter um pedido de busca do doador. O método lista como característica passível de escolha até mesmo o sexo do bebê, algo que a maioria dos países, inclusive o Brasil, proíbe na regulamentação para tratamentos de fertilidade.
A empresa diz que, na época em que havia submetido o pedido da patente, há mais de cinco anos, ainda considerava a possibilidade de aplicar a mesma tecnologia a métodos de escolha de gametas para clínicas de fertilização, mas desistiu de fazê-lo depois. O objetivo da patente, a partir de agora, seria apenas o de proteger os algoritmos usados na “calculadora”.

Ainda assim, em comentário na revista científica “Genetics and Medicine”, um grupo de eticistas questiona a concessão do “invento”.

“Em nenhum estágio durante a análise do pedido de patente, o examinador questionou se técnicas que facilitam ‘projetar’ futuros bebês humanos seriam objeto apropriado para patentes” afirma o grupo, liderado por Sigrid Sterckx, da Universidade de Ghent, na Bélgica.
A pesquisadora lembra que esta não é a primeira vez que a 23andMe se envolve em uma controvérsia ética.
Após a empresa ter anunciado em 2012 a patente de um teste de DNA de propensão ao desenvolvimento do mal de Parkinson, alguns clientes insatisfeitos –aqueles que haviam fornecido amostras para o banco de dados usado na criação do teste– protestaram. Eles queriam ter sido consultados sobre o uso de suas informações pessoais para outros fins.
Alguns geneticistas não se opõem à prática da seleção de gametas caso seja aplicada apenas para evitar que a criança adquira doenças, mas acreditam que a escolha de genes deve ser limitada.

“Acho totalmente antiético selecionar características ‘fúteis’; filhos não são brinquedos”, diz Mayana Zatz, da USP. “No momento em que você escolhe uma característica importante para você, como o talento esportivo, você coloca uma enorme expectativa em torno disso, e seu filho pode se revoltar.”

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9015 – Reprodução – Vem aí os superbebês


Recentemente, um casal inglês teve uma menina. A garotinha nasceu bonita e saudável. Mais do que o normal, na verdade. Foi a primeira criança a ser curada de uma doença letal antes mesmo de nascer. Naquela família, 3 gerações de mulheres já haviam desenvolvido câncer de mama. A chance de que a menininha também o tivesse era alta. Mas, num projeto pioneiro, os cientistas do University College Hospital de Londres analisaram o material genético dos pais da menina. Usando técnicas de fertilização in vitro, criaram 11 embriões. Desses 11, foram escolhidos 2 – que não possuíam o gene BRCA1, que, após uma mutação, pode ocasionar câncer de mama. Esses embriões foram implantados no útero da mãe. Um dos embriões vingou, se transformou em feto e, 9 meses depois, a garotinha vinha ao mundo: antes mesmo de nascer, protegida do câncer. Essa tecnologia futurista já é uma realidade. O procedimento, que se chama Diagnóstico Pré-Implantacional (DPI), permite escanear o DNA de embriões com poucos dias de vida retirando uma célula deles. Com o DPI, já é possível escolher o sexo do bebê e selecionar embriões livres de mais de 300 doenças e anormalidades genéticas. No futuro, ele também poderá ser usado para escolher a cor dos olhos e dos cabelos e várias outras características – gerando bebês potencialmente imunes a problemas como miopia e diabetes.
Uma pesquisa da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, estimou que, em 2006, quase metade das clínicas de DPI americanas já oferecia o serviço de escolha do sexo do bebê. Outro levantamento, da Universidade de Nova York, mostrou que 10% dos entrevistados fariam o procedimento para garantir “melhorias” como habilidade atlética, e 12%, inteligência superior no bebê. Já existe até um nome para essas crianças: são os “designer babies”, ou bebês projetados.
Dez anos antes do nascimento da menininha inglesa, o cientista americano Francis Collins, então diretor do Instituto Nacional de Pesquisas sobre o Genoma Humano, previu que o DPI estaria disponível para a maior parte das pessoas em 30 anos. Quando isso acontecesse, os médicos seriam pressionados a criar seres humanos melhorados pela escolha de embriões. “Eu não me surpreenderia se, depois de começarmos a ter sucesso manipulando genes, começássemos a nos perguntar, como Stephen Hawking já se perguntou, se não devemos tomar o controle de nossa própria evolução e tentar melhorar o que somos”, disse.
Mas, entre detectar doenças genéticas e criar um futuro campeão do esporte ou das olimpíadas de matemática, há um longo caminho, que passa por descobrir exatamente quais genes ou combinações genéticas determinam cada uma de nossas habilidades e traços físicos. O exame mais básico, hoje utilizado pela maior parte das clínicas, inclusive no Brasil, permite descobrir cerca de 7 tipos de má-formação genética, além do sexo do bebê. Para fazer o Diagnóstico Pré-implantacional, é preciso primeiro passar por todo o tratamento de fertilização, para criar embriões de proveta no laboratório. Cerca de 3 dias depois, quando o embrião já tem 8 células, os médicos retiram 1 delas para a análise.
Os cromossomos dessa célula passam por uma espécie de escaneamento, que vai determinar se o embrião é masculino ou feminino e se a quantidade de cromossomos é anormal (o que pode resultar em síndromes genéticas como Down). Nos EUA, o procedimento completo, incluindo a implantação do bebê no útero, pode chegar a custar US$ 20 mil. No Brasil, são R$ 2 500 por embrião escaneado, fora os outros custos do tratamento.
Depois de escaneados, os embriões são submetidos a uma seleção exatamente como aquela feita pelo cientista Gregor Mendel (o pai da genética, que você conheceu nas aulas de biologia) fazia com ervilhas. Os embriões que contêm características indesejadas são descartados (ou, no caso dos embriões humanos, doados para pesquisa). Aqueles que reúnem os traços desejados pelos pais são implantados no útero da mulher para nascer.
Essas técnicas são baseadas em seleção, ou seja, os cientistas geram muitos embriões até que apareça um com as características desejadas. Isso significa que só é possível escolher traços físicos hereditários. Se ninguém da família tiver passado a você, ou a seu parceiro ou parceira, um gene (ou combinação genética) para ter olhos verdes, esqueça. Até que os cientistas descubram como reescrever o DNA humano. Mas já existe gente tentando fazer isso.
O código genético não é tudo, claro. A ciência está descobrindo que o que acontece durante a gestação é muito mais importante do que se pensava. Isso porque o funcionamento dos genes pode ser alterado pelas condições do ambiente, a começar pelo útero. Isso não é o mesmo que dizer que as coisas que a mãe come ou faz durante a gravidez mudam o DNA do filho, mas é quase. Os estudos mais recentes mostram que o período pré-natal é quando muitos genes que determinam a propensão a doenças ou habilidades são ligados ou desligados. Essa variação no funcionamento dos genes se chama epigenética. E funciona a todo vapor durante a gestação.
O feto incorpora elementos da dieta da mãe, toxinas no ar que ela respira e também é influenciado por suas emoções e seus sentimentos. Tudo isso pode ativar ou desativar genes durante o desenvolvimento do bebê. É um mecanismo de defesa, para que o organismo do feto se prepare para o mundo que ele irá encontrar quando nascer. Se a dieta da mãe é pobre, por exemplo, o bebê pode nascer mais propenso à obesidade – pois seu organismo fica geneticamente programado para reter calorias. Esse fenômeno foi observado pela primeira vez durante o estudo da chamada “fome holandesa”. Entre 1944 e 1945, em plena Segunda Guerra Mundial, os nazistas interromperam o fluxo de alimentos para a Holanda, fazendo com que 4,5 milhões de pessoas ficassem sem comida. As mulheres que estavam grávidas e passaram fome deram à luz filhos mais propensos a vários problemas de base genética comprovada, incluindo obesidade e diabetes. Essas crianças nasceram com alterações epigenéticas e as transferiram para seus descendentes – que têm mais risco dessas doenças.

DOADOR PROJETADO
A escolha de embriões também pode gerar os chamados “irmãos salva-vidas”. Isso é realidade desde o ano 2000, quando uma família americana selecionou geneticamente o embrião de seu próximo filho. O objetivo era gerar um doador de medula compatível com a irmã mais velha – que tinha anemia de Fanconi, uma doença letal. Desde então, a prática foi usada em 15 outros casos no Reino Unido, na Austrália e nos EUA.

Um estudo da Universidade de Bristol constatou que as crianças nascidas no final do verão e no começo do outono são em média 1 cm maiores e têm ossos mais fortes do que os bebês nascidos em outros momentos do ano. Uma possível explicação é que as mães tenham sido expostas a mais raios solares. Eles são uma fonte de vitamina D, vital para a formação óssea.
Quanto mais rápido o cérebro do bebê detecta mudanças na frequência e na duração de sons, maior a probabilidade de que ele aprenda mais rápido a falar e a ler com fluência. Crianças com mais problemas em perceber os sons básicos da fala apresentam performance pior em testes de linguagem aos 8 ou 9 anos. Mas, para cientistas americanos, jogos educativos desde o berço podem compensar a deficiência.

8218 – Cientistas identificam droga capaz de evitar infertilidade em mulheres após quimioterapia


Um dos principais efeitos colaterais de tratamentos de câncer em mulheres jovens — a falência prematura dos ovários e a infertilidade —, embora bem conhecido, era pouco compreendido. Um novo estudo, além de explicar os motivos pelos quais esse problema ocorre, propôs uma forma que pode ajudar a evitar o efeito adverso. A pesquisa, feita no Centro Médico Sheba, em Israel, foi publicada nesta quarta feira na revista Science Translational Medicine.
Cientistas desvendaram os mecanismos que fazem com que certas drogas usadas no tratamento contra o câncer causem infertilidade nas mulheres. Esses mesmos pesquisadores descobriram, porém, que um medicamento que ainda está sendo testado pode proteger a paciente contra tais danos.
O trabalho avaliou o mecanismo de ação de um quimioterápico conhecido como ciclofosfamida, droga de uma geração mais antiga e que compõe coquetéis de tratamento principalmente para casos de câncer de mama. Investigando seu efeito em camundongos fêmeas, os pesquisadores observaram que o medicamento, ao mesmo tempo em que impede a proliferação de células cancerígenas, acaba promovendo o crescimento de folículos presentes no ovário.

Esses folículos são aglomerados de células que contêm, cada um, um óvulo. Ao longo da vida de uma mulher, a cada mês um pequeno número desses folículos começa a crescer até atingir a maturidade, quando ocorre a ovulação. Com o envelhecimento, esse número de folículos vai diminuindo. Os pesquisadores descobriram que a ciclofosfamida acelera esse processo, fazendo com que todos os folículos comecem a crescer. E, uma vez que se inicia o amadurecimento, o caminho é sem volta. O reservatório, por fim, acaba sendo esvaziado. Daí a infertilidade.
A equipe de cientistas, liderada por Lital Kalich-Philosoph, descobriu que outra droga, apelidada de AS101, foi capaz de proteger os ovários durante o tratamento. Os camundongos que receberam a medicação juntamente com a quimioterapia mantiveram mais folículos em seus ovários após o tratamento do que aqueles que só tomaram o remédio anticâncer. E, quando elas acasalaram algum tempo depois, conseguiram ter tantos filhotes quanto animais que não tinham passado pelo tratamento.
A infertilidade é uma questão importante no tratamento de mulheres jovens com câncer. Como ainda não há uma droga disponível que evite a infertilidade, a saída é congelar óvulos ou até embriões. A droga AS101 está em fase 2 de teste clínico — ou seja, está sendo investigado se ela pode ser considerada segura para humanos. Mas até se traduzir em um possível tratamento para mulheres ainda há uma longa distância.