12.941 – Ciclo do sono faz parte de experiências da nova missão na ISS


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Três astronautas –um russo, um francês e uma americana–, decolam do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, rumo à Estação Espacial Internacional. Durante seis meses, eles farão cerca de 200 experiências, entre elas uma sobre o impacto da luz no ciclo do sono. O retorno à Terra será em maio de 2017.
No total, 200 experiências serão realizadas na Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês). O astronauta francês, Thomas Pesquet, 38, vai ajudar diretamente nesses estudos. Equipado com um casaco “inteligente”, ele transmitirá, através de captores, todos os dados sobre sua saúde e ajudar os cientistas a evoluírem nas pesquisas.
Entre as experiências que serão realizadas, estudos sobre o sono, diminuição da massa óssea e o envelhecimento das artérias. “Seis meses no espaço equivale a um envelhecimento de dez anos das artérias na Terra”, disse ao jornal 20 Minutes Pierre Boutouyrie, pesquisador do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm). De fato, Pesquet deve voltar com as artérias de um homem de 48 anos.
O objetivo da pesquisa é conhecer as possibilidades de inverter o fenômeno e propor medidas para desacelerá-lo. De acordo com os cientistas, isso pode ajudar na prevenção de todas as doenças cardiovasculares, as que mais causam mortes no mundo.
Outro interesse desta missão é inventar ferramentas adaptadas ao espaço e que também poderiam ser utilizadas na Terra, como por exemplo um mini scanner.
O trio decola nesta quinta na cápsula Soyuz MS-03 para se posicionar a 200 quilômetros acima da Terra, em uma viagem que terá a duração de 48 horas. Eles devem chegar na Estação Espacial Internacional na noite de sábado (19de nov de 2016).

11.005 – Neurologia – Benefícios do Bom sono


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A falta de sono afeta tanta gente que já vem sendo chamada de epidemia. Só nos Estados Unidos, a privação de descanso afeta o trabalho de 160 milhões de pessoas, vítimas da pressão cultural pela redução do tempo que passam na cama. Nos últimos 100 anos, o homem moderno perdeu, em média, 90 minutos de sono por noite, roubados pela difusão da luz elétrica, pela industrialização, pelas longas jornadas de trabalho. Em 1910, dormia-se nove horas em média. Hoje, são 7,5 horas. Pode-se argumentar que, de lá para cá, a expectativa de vida dobrou. No Brasil, de 33,7 anos, em 1900, para 68 anos, em 1999. A verdade é que a evolução da expectativa de vida envolve outras variáveis, como a cura de doenças e a melhoria das condições sanitárias.
Isolado, porém, o sono é determinante para a longevidade, como comprova uma pesquisa publicada no ano passado por médicos da Universidade de Nagoya, Japão. Eles estudaram por 12 anos um grupo de 5 000 habitantes da cidade de Gifu. A pesquisa analisou apenas os hábitos de sono do grupo e revelou que o risco de morte para quem dorme menos de sete horas diárias é quase duas vezes maior que o das pessoas cujo descanso varia entre sete e dez horas.
“O sono é o mais importante indicador de quanto tempo uma pessoa viverá. Mais importante até que seus hábitos de risco, como tabagismo e sedentarismo, ou alguns níveis metabólicos vitais como pressão arterial e nível de colesterol no sangue”, diz William Dement, fundador do primeiro centro de estudos do sono, na Universidade de Stanford, Estados Unidos.

Mais sobre o sono
Uma proteína desconhecida até três anos atrás pode ajudar a desvendar um dos maiores empecilhos à produtividade do ser humano: aquele sono irresistível depois do almoço.
De tão nova, a substância, produzida no hipotálamo, não tem nome definitivo: alguns cientistas chamam-na de hipocretina. Outros, de orexina. Agora está se pensando em batizá-la de agripinina.
Nomes à parte, o que importa é a ação da agripinina como neurotransmissor, responsável pela comunicação entre neurônios. Seu papel é estimular uma região do cérebro responsável por nos manter despertos. O elo desse processo com a alimentação é a leptina, uma enzima produzida pelo organismo quando comemos. A presença da leptina inibe a produção da agripinina, ou seja, quanto mais leptina no cérebro, menos agripinina, e maior o sono.
A proteína também está ajudando a ciência a elucidar um grave distúrbio do sono, a narcolepsia, que atinge uma em cada 2 000 pessoas e tem sintomas extravagantes: é a única que causa cataplexia, um sono repentino que acomete o doente em situações emotivas. Há casos de pessoas que caem no sono ao rir de uma piada ou durante uma discussão no trânsito. Detalhe: a pessoa não consegue se mexer, mas se mantém consciente.
“Quem não conhece meu problema acha que estou dormindo, mas em segundos eu desperto e acompanho a conversa normalmente, porque estava ouvindo tudo”, diz o advogado João José Pedro Frageti, que, antes de ser diagnosticado, procurou ajuda em centros espíritas. Em média, os portadores de narcolepsia levam 14 anos para descobrir o mal que os aflige. Os narcolépticos também sofrem de um tipo de paralisia durante o sono. A pessoa acorda, mas não consegue se mexer, porque a resposta muscular está cortada. Pesquisas recentes realizadas pelas universidades de Stanford e Chicago descobriram que 90% dos pacientes têm um defeito genético. “O desafio agora é sintetizar uma substância que imite seu efeito”, afirma o biólogo Mário Pedrazzoli, um dos autores do estudo da Universidade de Stanford.
Dormindo com o inimigo
Em 100 anos de estudo, os cientistas já descreveram mais de 80 distúrbios ligados ao sono. Desde insônias passageiras até doenças que culminam com a morte. Conheça os problemas mais comuns

Apnéia obstrutiva do sono – Um problema simples com conseqüências graves. A apnéia tem como causa uma obstrução da passagem do ar durante o sono devido ao relaxamento dos tecidos da faringe ou pela língua. Sufocada, a pessoa acorda por alguns segundos, respira e volta a dormir, em um ciclo sono-despertar que se repete às vezes mais de 80 vezes por hora, causando sonolência durante o dia. A cada sufocamento, a oxigenação do sangue diminui, exigindo uma compensação do coração. Resultado: taquicardia, arritmia e pressão alta. Há outras conseqüências: ao tentar respirar, o paciente acaba por sugar o conteúdo do estômago, causando irritação no esôfago. Pode ser tratada por cirurgia, aparelhos para facilitar a respiração ou mudanças de hábitos de sono.
Insônia – É a percepção de que o sono não foi suficiente. Com essa definição abrangente, a insônia é o distúrbio mais comum: um terço da população sofre desse mal. Há várias causas, desde uma cama desconfortável até problemas psiquiátricos, passando pela mais comum delas: a ansiedade.
Jet-lag – Sonolência decorrente de mudança no fuso horário. Embora temporária, pode trazer grande prejuízo. Há casos de executivos que perderam negócios devido ao mau desempenho em reuniões. Para evitá-lo, o ideal seria começar a dormir antecipadamente no horário do local de destino. Experimentos recentes indicam que o viajante pode atenuar o problema se, alguns dias antes da viagem, passar a comer no horário das refeições de seu destino.
Sonambulismo – Está ligado a um determinado tipo de onda cerebral, as ondas delta, mais presentes no sono durante a infância, o que torna o sonambulismo um distúrbio típico entre crianças. Os cientistas aconselham a não acordar o sonâmbulo, para não deixá-lo confuso. Mas a lenda de que acordar um sonâmbulo pode matá-lo não passa disso mesmo: uma lenda.

9603 – O que é relógio biológico?


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Todo ser vivo possui um ciclo de descanso e atividade relacionado aos períodos diurno e noturno. Entre os animais, esse ciclo – chamado de circadiano (cerca de um dia) – oscila entre 23 e 26 horas. Já o relógio dos seres humanos, com pequenos desvios, dá uma volta a cada 24 horas e 18 minutos. Como o relógio avança diariamente esses 18 minutos, o organismo se recupera mais facilmente de longas viagens para o leste – direção em que o fuso horário aumenta – do que para oeste. Assim, entrar no horário de verão, quando o relógio é adiantado em uma hora, também é mais difícil do que sair dele. “Todo dia, os minutos extras do nosso ciclo circadiano são ajustados conforme as atividades e a quantidade de luz a que somos submetidos. Se ambas são intensas pela manhã, o ciclo encurta. Atividades no fim da tarde ou à noite o expandem”, afirma o fisiologista John Araújo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal.
Os biólogos acreditam que esse ciclo muda de acordo com a espécie para que cada uma delas explore um horário diferente do dia. Um estudo recente da Universidade de Osaka, no Japão, constatou que as espécies animais com relógios de exatas 24 horas tendem a ter menos sucesso evolutivo, porque, ao sairem todas juntas para caçar, formam “horários de rush” nos quais a comida se torna mais escassa.

9549 – Siga seu relógio biológico


Você não precisa ser um gênio para saber que existem dois tipos de pessoa quando o assunto é a hora de dormir. Algumas são mais corujas, e raramente têm sono antes da meia-noite. Outras dormem cedinho e levantam junto com o Sol. Cada vez mais estudos mostram que contrariar essa tendência genética é prejudicial para nossa saúde e qualidade de vida. Um estudo com 65 mil pessoas publicado ano passado mostrou que isso contribui, por exemplo, para a obesidade. Estresse, diabetes e depressão são outros problemas agravados pelo que os biólogos chamam de “jet lag social” – viver num fuso horário de duas ou mais horas distante do seu ideal. Então, quando for organizar sua rotina, escute o seu próprio corpo. Ele sabe que horas são.

8893 – Ciclo Biológico


Cada vez mais, os cientistas estão comprovando que estados de ânimo sofrem influências sazonais. Em um estudo recente, 50% dos pesquisados disseram ter desânimo físico e psicológico no inverno, reclamando da perda de vitalidade, desânimo, mal estar, melancolia e depressão. Em contra-partida, verões ensolarados aumentam a violência. Uma outra pesquisa da USP revelou que dezembro é o mês mais violento: acidentes de trânsito, suicídios, homicídios e agressões.O calor traria consequências como o aumento do ritmo cardíaco, elevada temperatura do corpo. dilatação dos vasos, transpiração, que provocaria irritabilidade e explosões emocionais.
Já dissemos que o horário de verão para economizar energia e que fora proposto pela 1ª vez por Benjamin Franklin em 1784, pode causar desordem corporal interna. Um mal estar que é decorrente de uma ação do relógio biológico a uma mudança brusca.

Quando anoitece, o hipotálamo, que é um órgão situado no centro do cérebro, recebe da retina, informações sobre a queda da luminosidade do ambiente. Um núcleo orienta as funções de todo o corpo por meio da glândula pineal e obedecendo a luminosidade. Durante a noite a glândula produz a melatolina, que é um hormônio relaxante que tem a função de percorrer a corrente sanguínea informando as células que é a hora de repousar.
A pineal é uma fábrica de hormônios. Dentro dela se produz, sem parar, o neurotransmissor serotonina, matéria prima da melatonina. Mas só à noite com a ausência de luz, a serotonina vira melatonina.
Quando o Sol começa a nascer, o hipotálamo recebe da retina, na forma de sinais elétricos, a informação do aumento de luz, ainda que estejamos de olhos fechados ou dormindo. O relógio biológico é sincronizado pela luminosidade involuntariamente.

Um pouco +
Não foi um biólogo, mas um astrônomo, quem descobriu a existência de ciclos biológicos. Em 1729, o francês Jean Mairan percebeu que uma planta de seu observatório se comportava de modo estranho á noite, parecia dormir, ficando com as folhas murchas. Durante o dia, ocorria o inverso, suas folhas se abriam. Guardou então a planta em um local totalmente escuro e percebeu que mantinha as mesmas reações nos mesmos horários. Enviou um artigo para a Academia de Ciências de Paris, informando que, aparentemente, a planta tinha uma marcação interna de tempo. A descoberta, entretanto, não despertou interesse. Somente em 1960, com a realização de um simpósio sobre o assunto, nos EUA, a Cronobiologia veia a ser formalizada como área de estudos biológicos.

8878 – Saúde – Doenças causadas pelo trabalho noturno


Ao efetuar as tarefas no turno da noite, o trabalhador gera o costume de descansar pouco em virtude de dormir durante o dia e se manter alerta no horário da noite e da madrugada. Esse fato também gera desregulação na produção de hormônios melatonina e cortisol; das as citocinas inflamatórias salivares e demais substâncias no corpo do trabalhador, expondo o indivíduo ao processo de desenvolvimento de doenças, como problemas cardiovasculares, insônia, gastrintestinais e transtornos mentais.
O trabalho noturno é necessário em alguns setores profissionais, mas, apesar da demanda deste horário de dedicação profissional, as empresas precisam alternar os turnos e os dias de trabalho. Ao trabalhar à noite perante iluminação artificial, o hormônio melatonina gera menor nível de secreção, alterando os ritmos biológicos, incluindo a regulação natural do sono.
Ao dormir durante o dia, o trabalhador poderia dormir por 7 ou 8 horas, mas o profissional acaba acordando antes, pois a “configuração” original biológica do corpo envia sinais para o cérebro avisando que não era para ele estar dormindo de dia.
As condições e o ambiente do trabalho noturno são outros dois agravantes. Trabalhadores que trabalham em ambientes quentes, com muito ruído, odor e expostos a substâncias químicas possuem maior probabilidade de ficarem doentes e inutilizados para o trabalho.
Outro fator agravante é o do nível de remuneração para cada setor profissional. Quando o trabalhador trabalha muito à noite, descansa pouco durante ao dia, exerce suas tarefas num ambiente não propício, e ainda não é valorizado financeiramente e profissionalmente na empresa, ele corre o risco de se sentir inferior aos demais funcionários ou demais setores da empresa, fator que pode gerar problemas psicológicos.

8793 – Sono – O homem é o único animal a dormir de uma tirada só


Mais do que uns, menos do que outros. Com suas 8 horas diárias de sono, o homem não é um dos mamíferos mais dorminhocos. Fica acordado bem mais tempo que o leão, que dorme 18 horas. Mas a campeã da insônia é a girafa, que fecha os olhos apenas 2 horas por dia. A principal diferença entre os homens e os outros mamíferos não está no tempo de descanso. “A maior parte dos animais dorme de forma intermitente”, conta um zoólogo, da Inpar, empresa que constrói zoológicos, em São Paulo. “Cochilam por algum tempo, acordam, espiam para verificar se tem algum predador por perto e voltam ao sono”. Por isso, são chamados de policíclicos. Por natureza, todos os mamíferos são policíclicos, até o homem. “Mas, por motivos sociais, ele acaba concentrando o seu descanso no período da noite”. Se fosse seguir os instintos, dormiria um pouco em cada parte do dia. A soneca depois do almoço é, assim, um costume natural. O ritmo da criança se aproxima do que a natureza manda. Ela dorme várias vezes por dia e só muda a rotina quando começa a ir para a escola.

O repouso dos bichos
Cada espécie precisa de um tempo de descanso diferente.
A girafa é um dos mamíferos que dormem menos. Apenas 2 horas bastam. Se um predador aparecer, ela dispara a 50 quilômetros por hora.
O cavalo também tem um período curto de descanso: 3 horas. Geralmente, cochila em pé e não cai graças a um sistema que trava os joelhos.
A foca passa cochilando quase o mesmo período que o homem. O resto do tempo ela toma sol ou mergulha para buscar comida.
O cachorro repousa cerca de 10 horas diárias. Assim como os gatos domésticos, ele adapta seus horários para acompanhar o ritmo da casa.
Sem predadores à sua espreita (além do homem), o leão tem uma rotina sossegada. Por isso pode se dar ao luxo de dormir até 18 horas.

8703 – Relógio Biológico – Faz mal dormir de luz acesa?


A luz atrapalha o sono profundo. Mesmo com o olho fechado, a luminosidade é capaz de atravessar a pálpebra, que é um tecido muito fino, e chegar ao sistema nervoso central. Quando o ambiente está escuro, a glândula pineal, que fica dentro do cérebro, produz uma substância chamada melatonina. Entre outras coisas ela é responsável por induzir o organismo ao sono profundo. Quando há muita luz, tal substância praticamente para de ser secretada pela glândula. Por isso o sono fica superficial e o dorminhoco acorda facilmente. O homem provavelmente desenvolveu tal adaptação quando ainda morava nas cavernas. A noite, no escuro, era o pior momento para caçar porque a maioria dos animais podia ver muito melhor do que ele. A característica se manteve ao longo da evolução de nossa espécie.

8673 – Relógio Biológico – Lua cheia pode atrapalhar o sono


Enquanto bebia um drinque em um bar em uma noite de Lua cheia, uma equipe de cientistas teve a ideia de rever dados de uma pesquisa sobre sono e envelhecimento feita em 2003 para responder a uma velha pergunta: as fases da Lua têm influência sobre como dormimos?
Eles revisitaram informações sobre 33 voluntários que passaram períodos de cinco dias em uma clínica de sono e viram que nos dias em torno da Lua cheia as pessoas levavam em média cinco minutos a mais para pegar no sono, dormiam 20 minutos a menos por noite e tinham 30% menos de sono profundo, segundo medições de eletroencefalograma.
Eles também encontraram uma redução na produção de melatonina, hormônio regulador do sono.
Segundo os cientistas suíços, que publicaram o estudo na revista “Current Biology”, essa é a primeira evidência científica confiável de influência do ciclo lunar na qualidade do sono.
Ainda que os resultados forem confirmados por estudos maiores, falta saber por que a Lua cheia teria esse efeito.
O estudo já descarta a luminosidade, porque os participantes estavam num local fechado, e a influência gravitacional –ainda que a Lua regule as marés, corpos de água pequenos como o homem não sofrem esse efeito.

8238 – Biologia – A Luz e o Sono


Há um período em que a temperatura do corpo está no limite mínimo ao longo da madrugada. O chamado relógio biológico do corpo adianta ou atrasa, se a pessoa for submetida à luz intensa depois ou antes de tal período, por volta da 3 horas da manhã.
A exposição à luz elétrica antes de dormir pode interferir na qualidade do sono, na pressão arterial e no risco de diabetes.
É o que sugere um novo estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Brigham and Women’s e da Escola de Medicina de Harvard, EUA. A pesquisa será publicada no “Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”, periódico da Sociedade de Endocrinologia dos EUA.
Segundo o estudo, a luz do quarto pode afetar os níveis de melatonina e interferir em processos fisiológicos controlados por esse hormônio, como o sono e a regulação da temperatura, da pressão sanguínea e dos níveis de glicose.
A melatonina é produzida durante a noite pela glândula pineal, localizada no cérebro. Além de regular o ritmo circadiano (sono e vigília), já se mostrou que o hormônio pode baixar a pressão sanguínea e a temperatura do corpo, e ser usado como alternativa no tratamento de insônia, hipertensão e câncer.
O estudo buscou avaliar se a exposição à luz do quarto durante a noite poderia inibir a produção de melatonina.
Para isso, foram avaliados 116 voluntários, entre 18 e 30 anos, que ficaram expostos à luz do quarto ou a uma luz mais fraca durante as oito horas que precedem o sono, por cinco dias consecutivos.
Um cateter intravenoso foi aplicado no antebraço dos participantes para realizar a coleta periódica do plasma sanguíneo e fazer a medição dos níveis de melatonina.
Os resultados mostraram que a exposição à luz do quarto reduzia em mais de 50% os níveis de melatonina.

7766 – Dormir menos de seis horas por noite altera atividade de centenas de genes


Dormir pouco por muitas noites em seguida altera a atividade de centenas de genes essenciais para a saúde, como os ligados ao estresse e à resposta imunológica.
Testes em pessoas que dormiram menos de seis horas por dia por uma semana revelaram mudanças importantes na atividade dos genes que regulam o sistema imune, o metabolismo, o ciclo do sono e a resposta ao estresse, sugerindo que a falta de sono possa ter um impacto grande no bem-estar a longo prazo.
As mudanças, que afetaram mais de 700 genes, podem explicar mecanismos biológicos que aumentam o risco de uma série de doenças, como problemas cardíacos, diabetes, obesidade, estresse e depressão em pessoas que dormem pouco.
Estudos anteriores sugeriam que quem dorme menos de cinco horas por noite tem um risco 15% maior de morte por qualquer causa do que quem dorme bem. Em uma pesquisa com trabalhadores britânicos, mais de 5% afirmaram dormir cinco horas ou menos por noite. Outra pesquisa americana de 2010 mostrou que 30% das pessoas não dormem mais do que seis horas por noite.
Dijk e seus colegas pediram a 14 homens e 12 mulheres, todos saudáveis com idades entre 23 e 31 anos, para viver em um centro de pesquisa de sono por 12 dias. Cada um visitou o centro em duas ocasiões. Em uma visita, eles ficaram dez horas por noite na cama por uma semana. Na outra, só seis horas.
No fim de cada semana, eles eram mantidos acordados por um dia e uma noite, de 39 a 41 horas.
Usando um exame de eletroencefalograma, os cientistas viram que os participantes dormiram 8,5 horas por noite na semana das dez horas na cama e 5h42 na semana das seis horas na cama por noite.
O tempo dormindo teve um impacto grande na atividade dos genes, detectada em exames de sangue nos voluntários, como relatado na publicação “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
Entre os privados de sono, a atividade de 444 genes foi suprimida, enquanto que 267 genes ficaram mais ativos em quem dormia mais.
As mudanças nos genes que controlam o metabolismo podem exacerbar condições como diabetes ou obesidade, enquanto problemas nos genes que regulam a resposta inflamatória do corpo podem ter impacto em doenças cardíacas. Outro genes afetados foram ligados ao estresse e à idade.
A perda de sono teve efeito nos genes que controlam o relógio biológico, sugerindo que o sono ruim possa virar um círculo vicioso.
Os pesquisadores não viram quanto tempo levou para os genes voltarem à sua atividade normal nos voluntários privados de sono, mas esperam fazer isso no futuro.
Por meio das medições das alterações dos genes após a falta de sono, os cientistas não sabem se elas são uma resposta inofensiva e de curto prazo ao sono ruim, um sinal do corpo se adaptando, ou se são potencialmente perigosas para a saúde.

7730 – Biologia – Onde fica o relógio biológico?


Este relógio é fundamental para manter vivo praticamente todos os seres, das borboletas às plantas – incluindo o homem, é claro! Ele é diferente do relógio mecânico, do relógio digital e do relógio de sol, mas sua função é a mesma: marcar o tempo. Na verdade, mais do que isso, pois cada atividade diária – do sono até a sensação de fome, passando pelo controle da pressão arterial – é virtualmente regulada pelo relógio biológico.
Mas onde ele fica e como funciona? Bem, o relógio não é algo palpável que se encontra em alguma parte obscura do corpo. Mas, sim, um intrincado sistema de glândula, hormônio e proteína que ainda não está totalmente desvendado. A melatonina, por exemplo, um neuro-hormônio liberado pela glândula pineal (situada na base do hipotálamo) é um importante ponteiro do relógio e tem grande influência sobre o sono. Sua secreção é determinada por estruturas fotossensíveis. À noite, no escuro, é o momento em que a melatonina circula em maior quantidade pelo organismo. Durante o dia, na presença da luz solar, sua liberação é suprimida.
O relógio biológico, porém, não funciona apenas com um ponteiro. Em 1999, pesquisadores descobriram mais um deles. Trata-se do peptídeo ativador da adenilciclase da glândula pituitária (PACAP). De acordo com os estudos feitos em animais, este peptídeo interage com o glutamato (um tipo de neurotransmissor) para “informar” o relógio sobre a luz ambiente. Tanto o glutamato como o PACAP parecem ser liberados numa razão proporcional à intensidade do estímulo luminoso. O PACAP faz o ajuste fino do sinal emitido pelo neurotransmissor e, os dois, em conjunto, abastecem o relógio com dados sobre a luz, permitindo que ele se atrase ou se adiante.
Dois ponteiros, portanto, já parecem ter sido encontrados. Sua engrenagem surgiu somente este ano e foi revelada pelo casal de pesquisadores James e Dorothy Morré. Eles constataram que uma única proteína (sem nome específico) pode ser responsável por toda a essência do funcionamento do relógio humano. Isso porque ela cuidaria do ciclo de expansão das células que, segundo o casal, dura 24 minutos (assim como o dia tem 24 horas). A proteína faria a célula crescer por 12 minutos e depois descansar por mais 12 antes de crescer novamente.

7414 – Relógio Biológico – O Inverno foi feito para Dormir


Dormir mais horas no inverno é tão natural no ser humano como em alguns animais. Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental de Bethesda, em Maryland, nos Estados Unidos, concluíram que o padrão de sono dos homens é muito parecido com o de animais que normalmente dormem mais no inverno, como esquilos e ovelhas.
Simulando dias e noites em laboratório, os pesquisadores notaram que uma pessoa dorme profundamente durante toda a noite no verão, mas no inverno alterna dois períodos de sono profundo com um leve despertar. A luz artificial da vida civilizada, que ignora as noites mais longas do inverno e força a padronização do sono ao longo do ano, pode causar danos à saúde, mas os pesquisadores ainda não sabem como. Só têm algumas pistas — as pessoas que dormiram durante toda a noite de inverno produziram mais hormônios do crescimento, prolactina e melatonina (duas substâncias neurotransmissoras), um indício de que a luz artificial pode ter alterado o padrão normal de secreção de hormônios no corpo humano.

4820 – Relógio Biólógico – Hora do Cochilo


Os ponteiros marcam 2 da tarde. Os olhos pesam, o corpo amolece e o trabalho não rende. Não adianta pôr a culpa na noite maldormida. Nem na digestão. “Todos nós, mamíferos, estamos sujeitos a um relógio biológico que baixa a atividade do organismo não só à noite, mas também no começo da tarde.
A mudança de ritmo decorre de processos químicos chamados ciclos circadianos, que regulam, a cada 24 horas, a temperatura do corpo e o sono. “Pode ser um vestígio de nossa origem comum com outros animais que dormem várias vezes ao dia”, diz um fisiologista da Universidade de São Paulo. O fato é que, forçada por uma marcha lenta bioquímica, a sonolência vem e se acomoda.
Agora as empresas começam a lucrar com a adoção da sesta durante o expediente. Segundo o psicólogo William Anthony, da Universidade de Boston, umas vinte companhias americanas já aderiram à moda, entre elas a New York Metropolitan Transportation Authority (a companhia de ônibus de Nova York) e a ferrovia Burlington Santa Fe Railway, do Texas.
Nelas, os empregados ganharam um período de 15 a 30 minutos imunes à cobrança dos chefes. Aliás, eles também devem tirar um cochilo, para o bem de todos e dos negócios. Segundo a Fundação Nacional do Sono, em Washington, a cada ano os Estados Unidos perdem 80 bilhões de dólares com trabalhadores que dormem no ponto ou cometem enganos, às vezes fatais.
No Brasil, o laboratório farmacêutico Eli Lilly, em São Paulo, já aderiu à moda. Os 1 100 empregados dispõem de uma sala escurinha, com sofás confortáveis, para repor energias após o almoço ou a qualquer momento.
Só que a sesta não serve para todo mundo. “Alguns indivíduos sofrem da disfunção chamada inércia do sono”, explica Menna-Barreto.
“Eles acordam mais lentos depois do cochilo.” A maioria de nós, no entanto – os dorminhocos saudáveis –, pode, sem problemas, gozar de matinês diárias de repouso.
Por que dá sono depois do almoço:
Tudo acontece no hipotálamo, a região bem atrás dos olhos. Às 2 horas da tarde e às 11 da noite, alguns neurônios trabalham mais do que no restante do dia. Os neurocientistas não sabem por que isso ocorre. Mas conseguem descrever o processo.
Ativados, esses neurônios produzem em excesso mensageiros químicos que ativam e desativam outras células do corpo: os neurotransmissores acetilcolina e serotonina. Normalmente, a acetilcolina atua sobre os órgãos digestivos e a serotonina funciona como antidepressivo. Só que, em quantidades maiores, elas causam reações diferentes.
As duas substâncias lançam impulsos elétricos pelos neurônios para as demais partes do cérebro e para a medula espinhal, de onde saem os nervos que se irradiam para o restante do corpo.
A serotonina congestiona o cérebro e diminui a capacidade de resposta dos neurônios. A mente torna-se lerda e incapaz de reagir a estímulos externos. Os olhos ficam pesados e o raciocínio, lento.
Os impulsos da acetilcolina viajam até os músculos e os nervos dos membros. Ali, ela dopa as células responsáveis pela rapidez de reação e pelos reflexos. O corpo fica mole.
Basta 1 hora para os níveis de acetilcolina e serotonina caírem e você voltar ao estado de alerta. Tirar um cochilo durante esse período ajuda. Os cientistas desconfiam que, dormindo, o corpo libera substâncias, como o neurotransmissor endorfina, que atuam na recuperação do ânimo.
A acetilcolina e a serotonina se misturam a outros neurotransmissores e hormônios, como a melatonina, e provocam um relaxamento maior que o diurno. Às 11 da noite, o metabolismo e a temperatura do corpo começam a cair. Você fica pronto para entrar num sono profundo, com direito a sonho.