10.015 – Radioatividade – Medida de radiação é homenagem a cientista sueco


radiação

Nascido em 1898, o médico e físico sueco Rolf Maximilian Sievert foi pioneiro no estudo dos efeitos biológicos da radiação. Em sua homenagem, cientistas deram o nome de Sievert (símbolo: Sv) para a unidade internacional de doses equivalentes de radiação, em 1979, durante a Conferência Geral de Pesos e Medidas, 13 anos após sua morte.
Rolf Sievert teve um papel importante na medição das doses de radiação especialmente para o diagnóstico e tratamento do câncer. Inventou vários instrumentos para medir a radiação. O mais conhecido deles é a câmara Sievert, criada entre os anos 1920 e 1940.
Em 1937, Sievert tornou-se chefe do departamento de física da radiação no Instituto Karolinska, na Suécia, entidade que escolhe o Prêmio Nobel de Medicina. Anos mais tarde, concentrou sua pesquisa nos efeitos biológicos da exposição repetida a pequenas doses de radiação. Em 1964, fundou a Associação Internacional de Proteção contra a Radiação. Também liderou o comitê científico das Nações Unidas para os efeitos da radiação atômica.

Sievert (Sv) é uma unidade para medir os efeitos biológicos da radiação – os efeitos físicos são mensurados por outra unidade, chamada gray (Gy). A dose de radiação no tecido humano, em Sv, é encontrada pela multiplicação da dose medida em gray por outros fatores que dependem do tipo de radiação, parte do corpo atingida, tempo, intensidade de exposição e outros fatores.

10.014 – Radiação – Glossário


Fissão nuclear: Reação nuclear que consiste na ruptura do núcleo pesado de um átomo (geralmente de urânio) em dois átomos menores por meio do choque de nêutrons. Essa ruptura é responsável pela emissão de energia que esquenta a água do sistema de refrigeração, utilizada para gerar o vapor (energia térmica) que gira uma turbina, produzindo eletricidade. É o processo que acontece nas usinas nucleares para geração de energia. A grande vantagem da energia nuclear é que apenas 10 gramas de urânio, um combustível nuclear, equivalem a 1,2 tonelada de carvão mineral, utilizado em usinas termoelétricas.

Reator nuclear: Local onde acontece a fissão nuclear em cadeia para geração de energia térmica. Existem vários tipos de reatores. Um dos mais utilizados é o reator a água em ebulição. É o tipo presente na usina japonesa de Fukushima, onde a situação é mais grave.

Reator a água em ebulição: O calor liberado durante a fissão nuclear serve para ferver a água do sistema de refrigeração. O calor gira uma turbina que transforma a energia térmica em eletricidade.

Varetas de combustível: Estrutura cilíndrica que contém o combustível nuclear (normalmente urânio), disposto em pastilhas submersas no sistema de refrigeração primário. É um recipiente hermético que abriga o combustível nuclear. Impede a saída dos produtos da fissão nuclear e garante a resistência mecânica que assegura a integridade do combustível. É a primeira barreira a impedir o escape do material radioativo.

Barras de controle: São estruturas que passam através das varetas de combustível para controlar a fissão nuclear em cadeia. Quando as barras de controle estão totalmente para fora, o reator está trabalhando no máximo da capacidade para gerar energia térmica. Quando estão totalmente dentro, significa que o reator está ‘parado’ (não há reação nuclear em cadeia).

Vaso de controle: As varetas de combustível são colocadas dentro de um grande vaso de aço com paredes de cerca de 30 centímetros. Ele é montado sobre uma estrutura de concreto, com cerca de cinco metros de espessura na base. O vaso de controle é a segunda barreira física para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

Contenção: Grande ‘carcaça’ de aço usada para abrigar o vaso de controle e o gerador de vapor. É construída para manter contidos os gases ou vapores possíveis de serem liberados durante a operação do reator. É a terceira barreira para impedir que material radioativo seja lançado ao meio ambiente.

Edifício do reator: Último envoltório, de concreto, revestindo a contenção. É a quarta barreira que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente e, além disso, protege contra impactos externos (queda de aviões e explosões).

Circuito de refrigeração externo: É o circuito de água que parte de uma fonte natural (rio, represa, lago, mar) para condensar o vapor de água depois que ele movimenta a turbina (semelhante às usinas termoelétricas de carvão e gás). Essa água nunca entra em contato com o combustível nuclear. Ela volta ao rio, represa ou mar, a uma temperatura ligeiramente superior à inicial.

Circuito de refrigeração primário: Sistema em que circula o fluido de refrigeração (composto em grande parte por água) de um reator nuclear. É o circuito que está em contato direto com as varetas de combustível, extraindo o calor gerado pela fissão nuclear, para se transformar em vapor e incidir sobre a turbina e produzir eletricidade.

Derretimento: Dano grave ao núcleo do reator nuclear, causado por superaquecimento. O derretimento do núcleo ocorre quando uma falha severa do sistema de refrigeração impede o resfriamento apropriado do combustível nuclear. Sem refrigeração, as varetas de combustível nuclear esquentam até derreter. A situação é considerada grave porque há risco de vazamento do material radioativo (o combustível nuclear). Além disso, o derretimento faz com que o núcleo do reator fique instável podendo ocorrer explosões.

Sievert (Sv): É a unidade que mede os efeitos biológicos da radiação – os efeitos físicos são medidos por outra unidade, chamada gray (Gy). A dose de radiação no tecido humano, em Sv, é encontrada pela multiplicação da dose medida em gray por outros fatores que dependem do tipo de radiação, parte do corpo atingida, tempo e intensidade de exposição.

9414 – Lixo Tóxico


☻ Mega Arquivo – Conhecimento é Poder

Nos EUA, até 1982, os rejeitos eram depositados na superfície ou jogados no mar. Em 1983 o lixo de alta atividade foi levado para uma mina de sal no estado do Novo México, desativada em seguida por falta de segurança. Hoje, tal material está guardado no deserto de Nevada, enquanto 600 mil m³ de rejeitos de meia vida curta se encontram espalhados por diversos depósitos.

Na exURSS existem 35 depósitos superficiais de cimento revestidos com chumbo.
Na Inglaterra, desde 1986 com a proibição de lançar lixo no mar, procura-se um lugar para enterrar o lixo de alta atividade. Para rejeitos de baixa atividade construíram-se depósitos de cimento próximos de usinas nucleares, no0 nordeste do país.
Na França, todo o lixo está armazenado na Usina de La Hague, no noroeste do país e estuda-se a construção de um depósito de grande profundidade.

Falamos de lixo radioativo, mas há outros residuos perigosos.

O termo Resíduos sólidos pode ser definido de acordo com a Lei Brasileira n. 12305, de 2 de agosto de 2010, como:
“todo aquele material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.”
Vulgarmente, o termo resíduo sólido é incorporado ao conceito de lixo, termo que designa tudo aquilo que não tem mais utilidade para o indivíduo em questão. Contudo, chamar algo de lixo é uma interpretação pessoal em que não implica necessariamente que aquilo não tenha mais nenhum uso possível, seja através de um reparo ou reciclado.
O conceito de “lixo” ou rejeito pode ser considerado como uma invenção humana, pois em processos naturais não há lixo, apenas substâncias resíduais que sempre terão uso em algum outro organismo em outro nível trófico. Isso implica que as substâncias produzidas pelos seres vivos e que são inúteis ou prejudiciais para o organismo serão úteis e benéficas para outro, por exemplo: As fezes e urina dos animais, são alimento para microorganismos e outros organismos heterotrófos decompositores, e que produzem resíduos minerais e orgânicos que são os alimentos (nutrientes) para as plantas, que por sua vez produzem o oxigénio como resíduo e que é uma substância necessária para a respiração aeróbia fechando os resíduos da vida dentro do ciclo trófico do planeta.
Embora o termo lixo se aplique aos resíduos sólidos em geral, muito do que se considera lixo pode ser reutilizado ou reciclado, desde que os materiais sejam adequadamente tratados e não sejam misturados aos resíduos orgânicos que inviabilizam ou tornam muito mais difícil a reciclagem. Além de gerar emprego e renda, a reciclagem proporciona uma redução da demanda de matérias-primas e energia para a fabricação de novos produtos, contribuindo também para o aumento da vida útil dos aterros sanitários. Certos resíduos, no entanto, não podem ser reciclados, a exemplo do lixo hospitalar ou nuclear.

Resíduos domiciliares
No Brasil, em média, mais de 50% dos resíduos domiciliares são compostos por materiais orgânicos. Nessa categoria se inclui os restos de comida e varrição dos resíduos das residências, estabelecimentos comerciais e refeitórios contido no resíduo sólido urbano. Comumente este resíduo é misturado na origem junto a resíduos recicláveis e rejeitos dentro de sacos plásticos colocados nas ruas a ser coletado pelos gari, nesse caso, a fração orgânica se decompõe anaeróbicamente (por estar fechado e não ter acesso ao oxigênio atmosférico), gerando mal cheiro, além de atrair organismos indesejados como ratos, baratas, pombos e insetos. Todos esses animais, em contato com a material orgânico, servem de vetores para microorganismos, que podem ser patogênicos. Todavia, o resíduo orgânico pode ser compostado para a fabricação de adubos ou até ter seu conteúdo energético aproveitado, seja através do calor gerado na compostagem seja através da Digestão Anaeróbia, que gera biogás, um combustível renovável.

Lixo Hospitalar
É a classificação dada aos resíduos perigosos produzidos dentro de hospitais, como seringas usadas, aventais, etc. Por conter agentes causadores de doenças, este tipo de lixo é separado do restante dos resíduos produzidos dentro de um hospital (restos de comida, etc), e é geralmente incinerado. Porém, certos materiais hospitalares, como aventais que estiveram em contato com raios eletromagnéticos de alta energia como raios X, são categorizados de forma diferente (o mencionado avental, por exemplo, é considerado lixo nuclear), e recebem tratamento diferente.

Lixo Nuclear
Composto por produtos altamente radioativos, como restos de combustível nuclear, produtos hospitalares que tiveram contato com radioatividade (aventais, papéis, etc), enfim, qualquer material que teve exposição prolongada à radioatividade ou que possui algum grau de radioatividade. Devido ao fato de que tais materiais continuam a emitir radioatividade por muito tempo, eles precisam ser totalmente confinados e isolados do resto do mundo.

9242 – Medicina – Bactéria radioativa ataca o câncer


O câncer de pâncreas é um dos piores que existem. Isso porque, quando é descoberto, geralmente já se espalhou pelo corpo, ou seja, sofreu metástase. E isso torna o câncer incontrolável – cinco anos após o diagnóstico, 95% dos pacientes estão mortos. Mas duas pesquisadoras da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, criaram uma arma ousada: uma bactéria radioativa, capaz de se infiltrar nas células cancerosas de todo o corpo e destruí-las.
É uma versão modificada da Listeria monocytogenes, que causa intoxicação alimentar. As cientistas criaram uma versão enfraquecida dessa bactéria e juntaram a ela um anticorpo produzido em laboratório – que continha um elemento radioativo, o rênio-188. Por fim, injetaram a combinação no sangue de ratos com câncer de pâncreas. A bactéria fez o resto: e levou o rênio-188 até as células cancerosas.
O tumor principal encolheu cerca de 60%, e as metástases foram reduzidas em mais de 90%. A bactéria não produziu efeitos colaterais, pois só agiu nos focos de câncer. Isso supostamente acontece porque, como é fraca, não consegue infectar as células saudáveis. Já as células cancerosas, que costumam despistar o sistema imunológico, foram um prato cheio para a Listeria radioativa. A mecânica do tratamento ainda não é totalmente compreendida, mas os resultados animaram as pesquisadoras.Se o governo dos EUA autorizar, os testes em seres humanos começarão em 2015.

8871 – Altos níveis de radiação são detectados em outros três tanques de Fukushima


A Tepco, empresa operadora da usina nuclear de Fukushima, anunciou neste domingo que detectou altos níveis de radiação em três tanques de armazenamento de água contaminada e em uma das tubulações, o que pode significar novos vazamentos. A radiação detectada é de entre 70 e 1,8 mil milisieverts por hora, um nível de radioatividade 18 vezes maior que o registrado no mesmo lugar na semana passada, informou a Tokyo Electric Power (Tepco).
A lei japonesa estabelece que o nível seguro de exposição anual a radiação está em 50 milisieverts, o que significa que os níveis detectados neste sábado pela Tepco seriam altamente perigosos. A empresa não descarta que a situação esteja ocorrendo por um novo vazamento de água contaminada dos tanques, mas nada foi detectado.
Um porta-voz da operadora explicou que os altos níveis detectados podem ter ocorrido também pelo fato de que agora estão sendo utilizados instrumentos de medição capazes de detectar quantidades de radiação muito maiores.
Os tanques afetados foram construídos com chapas de aço e montados da mesma forma que o tanque em que houve vazamento de 300 toneladas de água contaminada na semana passada. A Tepco revelou na ocasião que, além do vazamento de água radioativa de um de seus tanques, foram descobertos altos índices de radiação na parte inferior de outros dois.
Após o início da crise, o governo japonês e a operadora da usina iniciaram os trabalhos de limpeza e decretaram uma área de isolamento de 20 quilômetros em torno da usina devido aos altos índices de radiação. A área foi parcialmente suspensa, mas dezenas de milhares de pessoas ainda estão proibidas de voltarem para suas casas.

6734 – Atomismo, Evolução e Relatividade


No século XIX surgiu um novo enfoque das ciências, marcado de certa forma pela descoberta do mundo microscópico e pela formulação de modelos atômicos. A conexão entre as forças elétricas e magnéticas, corroborada por Oërsted e Faraday, deu origem a uma teoria unitária das modalidades físicas de ação recíproca que se mantém até hoje. Houve grandes progressos nos métodos matemáticos e, conseqüentemente, na formulação de complexos modelos teóricos. Joule e Helmholtz estabeleceram o princípio de conservação da energia e Helmholtz descobriu também a natureza eletromagnética da luz.
Com a teoria atômica de Dalton e o sistema periódico de Mendeleiev, a química consolidou seus princípios e seu método, enquanto a biologia teve grande impulso com os estudos de classificação realizados por Cuvier. Ainda no século XIX, o naturalista inglês Darwin provocou uma autêntica revolução, que durante muitos anos foi objeto de controvérsia, com a publicação do livro On the Origin of the Species by Means of Natural Selection (1859; A origem das espécies), onde se acha exposta a célebre teoria da evolução. Em 1838, Schwann e Schleiden lançaram as bases da teoria celular. Pouco depois, Pasteur e Koch estudaram a natureza dos germes microscópicos causadores das enfermidades e criaram as primeiras vacinas. As ciências sociais progrediram e deram nascimento à sociologia e à economia como disciplinas científicas e independentes.
O século XX principiou com a descoberta da radioatividade natural por Pierre e Marie Curie e o anúncio de novas doutrinas revolucionárias. A confirmação do conceito evolucionista das espécies e a extensão dessa idéia ao conjunto do universo, junto com a teoria quântica de Planck e a teoria da relatividade de Einstein, levaram a um conceito não-causal do cosmo, em que só é lícito adquirir conhecimento a partir de dados estatísticos, cálculos de probabilidade e conclusões parciais. Nada disso implica um retrocesso na validade do método científico, pois não se duvida que esse método assegurou enormes progressos tecnológicos, mas sim um reconhecimento, por parte da ciência, de sua incapacidade de dar respostas cabais sobre a natureza e a origem do universo.
Na segunda metade do século XX, os métodos de observação de alta precisão apresentaram notáveis progressos com o descobrimento do microscópio eletrônico, no qual as lentes foram substituídas por campos eletromagnéticos e a luz por um feixe de prótons, e dos microscópios de raios X e de ultra-som, com grande poder de resolução.
A reunião de disciplinas como a automação, destinada ao estudo e controle dos processos em que o homem não intervém diretamente, e a informática, ou conjunto de técnicas dedicadas à sistematização automática da informação, nasceram outras disciplinas como a robótica, que se ocupa do desenho e do planejamento de sistemas de manipulação a distância. Essa área de conhecimento teve aplicação, por exemplo, na astronáutica. Permitiu que o homem chegasse à superfície da Lua ou viajasse pelo espaço cósmico.
No campo da astronomia foram criadas disciplinas como a astronomia das radiações ultra-violeta e infravermelha, dos raios X, gama e outros. Esses progressos se devem aos conhecimentos da física nuclear, que permitiram descobrir uma enorme quantidade de fenômenos e de corpos celestes, como os buracos negros, objetos astrais de densidade elevada e que não emitem radiação, e os quasares, objetos semelhantes às estrelas que emitem radiações de grande intensidade.
A ciência moderna tem-se esforçado para obter novos materiais e fontes de energia alternativas para o carvão e o petróleo. O progresso da técnica permitiu a fabricação de semicondutores e dispositivos eletrônicos que conduziram aos computadores modernos. O domínio dos processos atômicos e nucleares possibilitou a construção de centrais elétricas e instrumentos de precisão. A aplicação de novas tecnologias na medicina e o maior conhecimento do corpo humano e de seus mecanismos proporcionaram uma melhora apreciável nas condições de vida dos habitantes do planeta.

Causas e Efeitos da Radioatividade


Marie Curie, Nobel de física de 1903

Em núcleos de grande peso atômico a força de coesão não tem o mesmo poder verificado nos menores. O entre-choque das partículas provocam uma pequena explosão dentro do núcleo, se desintegrando em alguns fragmentos. O chumbo é o último elemento da tabela que possui uma estrutura estável, depois dele todos são radioativos. A explosão de um núcleo gera calor e faz com que outros núcleos próximos a ele aumentem sua suas vibrações, explodindo. A desagregação total de uma massa radioativa pode ser marcada através de um processo. Um elemento radioativo que leve 10 anos para que a metade de seus átomos se desagregue, levará outros tantos para que o fenômeno se repita na metade da massa restante. Esse tempo é chamado de meia vida. O Carbônio radioativo tem meia vida de 5 mil anos, ou seja, levará 5 mil anos para que a metade da sua massa seja consumida e outros 5 mil para consumir a metade do que ficou (1/4) e outros 5 mil para consumir 1/8, assim, por diante, para que tudo seja consumido levará tempo fabuloso. Tal processo obedece a uma pontualidade cronológica, possibilitando ao homem, estudar por meio da decomposição dos núcleos atômicos radioativos. a idade dos fósseis. No estudo da idade dos fósseis animais e vegetais utiliza-se o carbono-14, cujo núcleo tem 6 prótons e 8 nêutrons, que é também chamado de radiocarbono. O constante bombardeio de raios cósmicos nas altas camadas da atmosfera transforma o nitrogênio ali existente em carbono-14 que em seguida é respirado pelos animais e vegetais. Deste modo pode se determinar a idade de um antigo pergaminho, de uma mina de carvão vegetal ou ossos pré-históricos. O rádio, descoberto no final do século 19 pelo casal Curie, é o mais notável de todos os elementos radioativos. Nele se desintegram 400 bilhões de átomos por segundo. Isso pouco representa em relação ao número de átomos ali existentes. A sua importância está nas 4 diferentes emissões que ele produz: elétrons livres, raios gama, ondas de calor e núcleos de hélio. Foi também nele onde 1° se observou a radioatividade, razão pela qual acabou emprestando-lhe o próprio nome. Os núcleos de hélio, ou raios alfa, são pequenas associações de 2 prótons e 2 nêutrons, que surgem initerruptamente com a desintegração do rádio. Tais raios atingem a velocidade de 15 mil km/seg e vão a uma distância de uns poucos cm. Os raios gama são vibrações curtíssimas e atingem 100 m de distância. Apesar de em um grama de rádio explodiram por segundo seguramente 400 bilhões de átomos, ainda assim, ele levará milhares de anos para perder suas propriedades radioativas. Embora benéfica, a radioativiodade pode ser fatal. A vida animal ou vegetal pode sofrer mutilações ou desaparecer. Sua nocividade, embora invisível e não imediata, não é curável. As embalagens dos produtos radioativos devem pesar milhares de vezes o peso do próprio conteúdo. Embora o contador geiser tenha sido inventado há 1 século, só depois que a energia atômica foi empregada como artefato de guerra é que se popularizou. Pode ser utilizado por qualquer pessoa; quando o bastão se aproxima do material radioativo, as emissões que dali surgem vão perturbar o equíbrio eletrostático do gás que preenche o bastão.
Pesquisadores ousados subiam em balões a 10 mil metros para fazer a previsão do tempo, enquanto nos Estados Unidos cartões perfurados ajudavam a coletar e interpretar os dados do recenseamento. Foi no ano em que Irène nasceu que o francês Antoine-Henri Becquerel (1852- 1908) descobriu que os sais de urânio emitiam raios que, como os raios X, penetram a matéria. Interessada, Marie resolveu tirar daí sua tese: medir esses raios e verificar se, além do urânio, havia outros elementos capazes de produzir radiações. Logo nas primeiras semanas fez uma descoberta animadora: o tório e seus compostos tinham as mesmas propriedades do urânio. Marie passou a outra série de experiências. Com um aparelho inventado por Pierre, mediu a intensidade da corrente provocada pelos compostos de urânio e tório. O primeiro resultado foi a descoberta de que a atividade dos compostos de urânio dependia apenas da quantidade de urânio neles presentee de nada mais. Do ponto de vista científico, foi essa descobertae não as posteriores, às quais ela iria dever sua celebridade que constitui a obra-mestra de Marie Curie.

Afinal, ela tinha provado que, ao contrário do que se poderia supor na época, a radiação não era conseqüência nem da interação entre as moléculas, nem da formação de novas moléculas, nem ainda da reorganização de moléculas em novos esquemascomo ocorre numa reação química normal.

A nova energia só podia se originar dos átomos propriamente ditos: a radiação é obrigatoriamente uma propriedade dos átomos de certos elementos químicos. A partir dessa descoberta, a ciência adquiria as primeiras condições de decifrar os mistérios atômicos.

Entre as substâncias manipuladas por Marie Curie estavam dois minerais que, segundo ela desconfiava continham forte proporção de urânio a pechblenda e a chalcolita. Ela intuía que esses minerais continham, na verdade, pequenas quantidades de outra substânciaentão ainda desconhecidaconsideravelmente mais ativa que o próprio urânio. Ao ser colocado diante da hipótese, Pierre ficou intrigadíssimo e resolveu interromper seus trabalhos com os cristais e dedicar-se aos átomos. Era 14 de abril de 1898.

Marie tinha a mania de anotar tudo que fosse quantificável. Em cadernos meticulosamente organizados, marcava o preço dos sapatos do marido, a conta da lavanderia, da eletricidade ou dos queijos. Essa obsessão foi muito útil para sua atividade científica, já que as notas continham sempre observações objetivas. Se ela tivesse que registrar que estava cansada, diria “subi 25 degraus e tive de parar”. Os cadernos de Marie revelam que o casal trabalhava até altas horas. As únicas distrações que se permitiam eram uma rara peça de teatro ou um passeio de bicicleta ou ainda uma reunião com os colegas cientistas, nas tardes de domingo. Nenhum dos dois gastava muito: comiam pouco e se vestiam modestamente.

Uma das marcas registradas de Marie, por exemplo, eram seus vestidos, sempre compridos e pretos, cinza ou marinho. Em junho de 1898, apenas dois meses depois de iniciada a pesquisa com a pechblenda, algo extraordinário aconteceu. No dia 6, sabe-se pelas anotações, Marie pegou uma solução de nitrato de bismuto e misturou-a a sulfato de hidrogênio. Depois, recolheu o sólido assim precipitado e mediu sua atividade. O resultado está sublinhado: ” 150 vezes mais ativo que o urânio”. No mesmo dia, depois de colocar sulfato de bismuto numa proveta e aquecê-lo a 300 graus, Pierre percebeu que um fino pó negro se depositara no vidro. Em dado momento, a proveta estourou, mas a atividade do pó negro foi medida: 330 vezes superior à do urânio. À medida que purificavam a substância, com a retirada do bismuto, mais ela se revelava radioativa.

Como suspeitava Marie, estavam diante de um novo elementoe, em homenagem a seu país natal, chamaram- no polonium (polônio, em português). De julho a novembro de 1898, o casal se afastou do laboratório para cuidar da saúde. Ambos sentiam um cansaço inexplicável e dores leves mas preocupantes. Estavam frágeis e ficavam doentes continuamente. Pierre achava que estava com reumatismo. As pontas dos dedos de Marie doíam muito e rachavam à medida que ela manipulava as soluções purificadas. Eram já conseqüências da radioatividademas, à época, não se conheciam seus efeitos nocivos para o organismo.

De volta à pesquisa, obtiveram uma substância novecentas vezes mais radioativa que o urânio. Ao novo elemento deram o nome de radium (rádio). A 26 de dezembro, a descoberta é comunicada à Academia de Ciências numa nota assinada por Pierre, Marie e ainda pelo químico Georges Bémontchefe da equipe de pesquisas da escola. Só faltava provar que o rádio era um elemento da natureza e não uma substância produzida em laboratório. Foi a isso que, de 1899 a 1902, o casal se dedicou. Pierre mergulhou no estudo das propriedades da radiação, enquanto Marie tentava isolar a substância e obter um frasco de sal de rádio. Para consegui-lo, ela trabalhou sobre toneladas de resíduos de pechblenda.

“Eu passava às vezes o dia inteiro a mexer uma massa em ebulição com um bastão de ferro quase tão grande quanto eu. A noite, estava quebrada de cansaço”, escreveu Marie. Apesar disso, esse trabalho era sua paixão. À noite, depois de voltar para casa e cuidar da filha, eles retornavam ao laboratório. “Para dar uma olhada”, dizia Marie. “Nossos preciosos produtos, para os quais não tínhamos abrigo, estavam colocados sobre mesas e prateleiras; de todos os lados víamos suas silhuetas fracamente luminosas, e essas luzes que pareciam suspensas na escuridão eram um motivo sempre novo de emoção e encantamento.” O rádio purificado é uma substância luminosa e fluorescente.