10.058 – Psicologia – A Persuasão


Trata-se de um ardil muito utilizado no campo da comunicação; os profissionais desta área, principalmente da Publicidade, se valem de recursos, legais ou ilegais, para convencer as pessoas a incorporar determinadas normas de comportamento, teses ou convicções.
Para alcançar esse objetivo é viável recorrer à lógica, à racionalidade ou a símbolos que instiguem outrem a acatar uma concepção, certa conduta ou até a praticar um ato, lícito ou não. Portanto, essa persuasão pode acontecer de forma tranquila, por meio de palavras, ou através de atos repressores, traduzidos por sérias intimidações e pelo exercício da força física.
Por outro lado, convencer alguém de algo não está o tempo todo relacionado com a submissão de uma psique fraca a outra considerada mais elevada. A persuasão pode ocorrer sem que os envolvidos percebam, para propósitos inofensivos. No universo do Direito, todavia, considera-se que seu exercício pode muitas vezes acarretar a transgressão das leis.
Neste sentido, se alguém convence outra pessoa a cometer um crime, o indivíduo persuadido pode ser responsabilizado pelo delito arquitetado por aquele que o coagiu a violar as regras. Isto está previsto no artigo 29 do Código Penal Brasileiro, datado de 1940. Mas também é visto como uma prática criminosa constranger uma pessoa a transgredir as normas.
Alguns seres têm um talento especial para persuadir os outros sem ter que fazer muita força. Eles obtêm vantagens, realizam negociações ou arrecadam recursos com a maior naturalidade. Já os que são convencidos por eles vêem esse dom como algo quase sobrenatural, um carisma inerente a esses indivíduos.
Os mecanismos de domínio e persuasão são analisados e debatidos desde o apogeu da Civilização Grega, na Antiguidade. Nesta época o discípulo de Platão, Aristóteles, desenvolveu a arte da Retórica, a qual tem o poder de revelar, em cada contexto específico, que recursos persuasivos então acessíveis foram utilizados nos bastidores.
Esta teoria aristotélica estava naquele momento no mais alto grau de evidência. Porém ainda hoje ela encanta e seduz os pesquisadores que atuam no campo das Ciências Sociais, principalmente no universo da Psicologia Social. Vários estudiosos têm se dedicado a compreender os elementos que concorrem para que determinadas pessoas estejam mais aptas a persuadir, e outras sejam convencidas por estas.
Suas teorias derrubam alguns mitos, como a crença de que a persuasão é um ofício dominado por uma elite. Eles elevam a persuasão a um nível de destaque na Ciência, e a consideram uma atividade acessível a qualquer um.

7375 – Publicidade vende Ilusão


Usar medo e punição para vender é uma arma poderosa, que se enraíza em nossos instintos de sobrevivência e controle do ambiente. Ninguém quer passar por dificuldades por causa de uma decisão errada na hora de gastar. Tocar o terror lembra você disso. E a razão está em um mecanismo do seu cérebro – os chamados “marcadores somáticos”, descritos pela primeira vez pelo neurocientista português António Damásio. Esses marcadores são atalhos que nos ajudam a fazer escolhas com base naquilo que já vivemos ou sabemos, tornando automáticas nossas ações do dia a dia. Por exemplo, não colocamos a mão no fogo porque o cérebro aprendeu que isso provoca dor. O marcador para “fogo” é associado ao marcador “dor”, e isso nos livra de ter que raciocinar toda vez que chegamos próximo a uma fogueira. A estratégia do medo usa esse mecanismo, segundo Martin Lindstrom, autor de A Lógica do Consumo.

“Pirataria é crime”
A indústria audiovisual brasileira não se atualizou na velocidade dos downloads piratas. Qual a estratégia então? Campanhas voltadas para o medo da punição e para a chantagem emocional: dar o troco para o dvd pirata em balas de fuzil ou mostrar o pai de família ouvindo do filho que copiar a lição do coleguinha não tem problema.

Pertencimento ao grupo
O slogan “Eu sou brahmeiro”, da Brahma, deixa claro: quem bebe essa cerveja tem comportamento e valores próprios, que o diferenciam de outras pessoas. É algo importante para o brahmeiro, mas que pouco diz, por exemplo, sobre a bebida. A campanha “Existem razões para acreditar”, da Coca-Cola, divide o mundo entre uma maioria de pessoas boas (com as quais ela se identifica) e uma minoria má, responsável por guerras, poluição e corrupção. Aqui, o foco não é mostrar o produto, mas estar do lado do bem e inspirar otimismo. Para isso, não faltam coral infantil, cenas de aniversário e imagem do sol estourado no céu azul.
Você pode não gostar de um produto, mas basta notar que as pessoas à sua volta acham o contrário para você pensar duas vezes. Somos muito influenciáveis, e mostrar que várias pessoas já aprovam algo é uma maneira de vender sem necessariamente falar do que está à venda, segundo David H. Schaefer, professor de administração e marketing no Sacramento College. Uma das explicações é que certas áreas do nosso cérebro ativadas quando nos sentimos bonitos ou temos dor também são ativadas ao observarmos alguém na mesma situação. A campanha da Dove que mostrava mulheres fora do padrão de beleza de celebridades era um recado da Unilever: você pode usar também, como todas essas pessoas do mundo real.
“Todo mundo adora”
Mais direto que esse bordão de uma campanha recente da montadora Volkswagen, impossível. Ao apelar para a popularidade, ela espera que você se renda também, sem partir para argumentos mais racionais.

“A marca no 1 em recomendação dos dentistas”
O slogan da Oral-B é um clássico das marcas de escovas e pastas de dente. Se os dentistas recomendam, por que nós iríamos discordar? Assim fica fácil a Maria ir com as outras. Mas quem são esses dentistas? Quantos deles recomendam? Isso não fica em primeiro plano.
HUMOR
A publicidade brasileira é craque em fazer anúncios com humor ou coisas absurdas. A intenção é criar uma boa lembrança de seus produtos. Você se lembra da piada, dá uma risada e a associa, ainda que inconscientemente, à marca. Não que você sairá comprando porque achou uma sacada engraçada. Mas a decisão de compra é influenciada por fatores irracionais como essa lembrança. Martin Lindstrom explica em A Lógica do Consumo que todo dia novos marcadores são acrescentados ao nosso cérebro e as empresas estão na disputa para entrar nesse arquivo de atalhos mentais. A estratégia, então, é criar uma situação memorável que será associada ao “marcador” do produto. O único cuidado é para não cair em campanhas em que a piada é memorável, mas a marca, não.
Quem anuncia quer atenção, certo? Nem sempre. Uma técnica importante para quem quer vender é desviar a atenção do produto. Isso acontece porque alguns deles têm algo de desagradável ou inconveniente. Em As Mentiras na Propaganda e na Publicidade, Guy Durandin, professor de psicologia social da Universidade Paris 5, diz que, no final dos anos 1970, as companhias aéreas descobriram, por meio de estudos psicológicos, que seus passageiros tinham sentimentos angustiantes de separação e perigo. Elas passaram, então, a focar em outros aspectos não relacionados ao voo, como o conforto da classe executiva e a ausência de escalas. Isso pode acontecer com qualquer produto. A ideia é diluir coisas que possam estimular sentimentos negativos.
Estilo de vida
Nos anos 1980 e 1990, as campanhas do cigarro Free incluíam frases que beiravam a filosofia de boteco e imagens de um estilo de vida bacana – pintores e músicos em seus estúdios, jovens na praia… Nisso, o lado negativo do cigarro ficava em segundo plano.

Alfredo…
A imagem de um cachorrinho comunica muito mais fofura do que qualquer descrição de papel higiênico. Mas pétalas de rosa, coelhinhos, elefantinhos e o Reynaldo Gianecchini vestido de mordomo também desviam o consumidor da, digamos, finalidade do produto.
Se você comprar, vai se sentir como as pessoas da propaganda. O mecanismo usado pelos anúncios com celebridades é o dos neurônios-espelho – aqueles que fazem refletir na gente aquilo que outros experimentam. Aqui, pouco importa o que o produto tem a oferecer em termos práticos, mas sim a capacidade do anúncio de reproduzir sentimentos. Para a publicidade, portanto, a importância de quem aparece é grande. Os garotos-propaganda têm que ser modelos não só de beleza, mas de sucesso, talento e ficha-limpa. Ídolos por definição.
A musa
Anúncios de produtos para cabelo, como este da linha Clear, mostram modelos com fios que nenhum ser humano normal é capaz de manter.

7373 – Mega Memória – Comercial da Virada “Marcas do que se foi”


Um comercial que marcou época. O ano: 1976. Num tempo onde não havia o recurso da computação gráfica, era necessário muita criatividade dos publicitários.

Este ano quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar

Nossos passos pelo chão
Vão Ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

Este ano quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar

Nosso passos pelo chão
Vão ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer

6991 – Marketing – Os Logos Mais Famosos


Os logotipos são como as ‘caras’ das empresas. Por isso, toda vez que uma companhia decide mudar o seu logo, isso envolve muito mais do que criar apenas um novo desenho. Isso significa também que há uma ‘indústria’ que vive disso – e ganhando muito bem. Porém, algumas das marcas mais famosas não gastaram nadinha para criar suas imagens. Você sabe quais delas investiram fortunas e quais tiveram gasto zero?

Pepsi

Quanto custou?
1.000.000 de dólares.
O novo logo da Pepsi foi desenhado pelo Grupo Arnell, uma reconhecida empresa de design e criação de marcas, em 2008. O preço citado acima inclui um pacote completo de renovação da marca, embora ninguém tenha reparado muito nisso. Dinheiro jogado fora?

Coca Cola

Quanto custou?
Nada.
O famoso logo da Coca-Cola foi criado por Frank Mason Robinson, em 1885. Na época, Mason era escriturário de John Pemberton, o criador da bebida, e teve a ideia de fazer o logo com a letra cursiva. A fonte usada, conhecida como Spencerian Script, foi desenvolvida no meio do século 19 e era a forma dominante da escrita à mão nos Estados Unidos na época.

Britsh Petrol

Quanto custou?
211.000.000 de dólares.
Redesenhado também no ano 2000, o logo da British Petrol custou uma verdadeira fortuna. A companhia multinacional de petróleo e gás queria lançar um novo conceito para a marca, depois de passar anos usando o escudo com as iniciais da empresa como logotipo. O novo logo, conhecido como “Helios”, o deus do Sol na Grécia Antiga, representaria a energia dinâmica em todas as suas formas. No preço acima, estão incluídos os custos de redesenhar o logo e também de substituir o símbolo em todos os veículos e locais da empresa.

Google

Quanto custou?
Nada.
O logo da empresa foi desenhado em 1998 por Sergey Brin, um dos próprios fundadores da companhia. Depois disso, sofreu algumas pequenas alterações, mas o conceito original se manteve intacto. O logotipo também ganha versões divertidas em datas especiais, que são chamadas de doodles. Na imagem acima, dá para ver o primeiro logo do Google e o seu logo atual.

Olimpíadas de Londres 2012

Quanto custou?
625.000 dólares.
Por quê?
Desenhado pela agência londrina de design de marcas Wolff Ollins, em 2007, o logo dos Jogos Olímpicos de Londres causou ~polêmica~. Teve gente que viu a suástica, pessoas em ato sexual e até a palavra “ZOR”.

Nike

Quanto custou?
35 dólares.
O logo da Nike, um dos mais fáceis de ser reconhecido, foi criado por Carolyn Davidson em 1975. O preço incluiu apenas o design do logo, que mais tarde foi sendo refinado. Mas, assim como o logotipo da Coca-Cola, ele manteve intacto o conceito original.