3945 – Mega Memória – Problemas no Projeto Biosfera 2


Apenas seis semanas depois da fechada a grande cúpula de vidro para o início de sal fantástica experiência, em 26 de setembro passado, os oito habitantes da Biosfera 2, instalada no deserto do Arizona, nos Estados Unidos, estavam ameaçados por um mal muito nosso conhecido: poluição atmosférica. Apesar das promessas de segurança desse projeto que custou 150 milhões de dólares à Space Biosphere Ventures, temeu-se que os oito biosferianos precisassem fugir do seu pequeno novo mundo, assolado por incontrolável efeito estufa.
Biosfera 2 pretendia ser uma experiência de sobrevivência autônoma de uma pequena colônia de humanos, num ambiente cuja salubridade seria garantida pelo funcionamento equilibrado de vários ecossistemas ali artificialmente instalados. Infelizmente, os níveis de dióxido de carbono logo se tornaram oito vezes mais elevados do que os da atmosfera terrestre (2000 partes por milhão). A saúde dos oito habitantes da colônia não chegou a ser ameaçada – nos ônibus espaciais da NASA trabalha-se com até 5000 ppm desse gás. Mas a da experiência foi arruinada; sendo preciso instalar aparelhos para evitar, artificialmente, o aumento da poluição.

2572 – O Projeto Biosfera 2


Como vimos em capítulos anteriores, em pleno deserto, foi construída como réplica da Biosfera 1, ou Planeta Terra, com 5 de seus ecossistemas em miniatura: deserto, oceano, floresta tropical, savana e pântano. Foi escolhida uma equipe que viveria isolada durante 2 anos, comeriam o que plantassem. Reciclariam a água, os dejetos e até o ar. Nada entraria nem sairia.
A auto sustentação seria transportada para Marte, se desse certo. Por trás de um investimento de 150 milhões de dólares vieram fraudes, para esconder fracassos. A concentração de gás carbônico tornou-se tão alta que foi preciso removê-lo e isso foi feito clandestinamente. Por baixo do pano também se injetou ar fresco na redoma. Depois falharam as colheitas. Houve fome e um tripulante que saiu para tratamento médico voltou trazendo comida. No final dos 2 anos, a tripulação deixou a redoma, magra, pálida, faminta e desacreditada. Eram 8 pessoas e 3800 espécies de plantas e animais trancados dentro da redoma de 12.600 metros quadrados, no Arizona. Com o objetivo de criar o modelo de uma colônia humana auto suficiente, capaz de sobreviver em outros planetas. Agora, os cientistas estão começando do zero. São 18 das melhores universidades dos EUA. Na nova fase o ar foi trocado. Mais de 700 mil litros do reservatório de água foram substituídos. Quase 90 metros cúbicos de material orgânico foram removidos. 200 barris, com 200 litros de CO2 cada, na forma de carbonato de cálcio, foram retirados. O ar da biosfera ficou com apenas 14% de oxigênio contra 21% da atmosfera natural. Crônica de um fracasso Inaugura em setembro de 1991 em noite de gala. Seu criador temia o Day after de um holocausto nuclear. Queria criar colônias humanas auto-suficientes capazes de povoar outros planetas. Em setembro de 1992, a tripulação pousou sorridente no 1º aniversário. Na saída, em setembro de 1993, tinham perdido 15% do peso, em média cerca de 11 quilos cada um. A morte de muitas plantações deixou os canteiros com aspecto desolado. A proximidade dos ecossistemas provocou migrações de espécies de um para outro: o deserto virou um matagal de arbustos.