13.824 – Nobel 2018 – Cientistas que usaram evolução para criar proteínas ganham Nobel de Química


nobel de quimica
Os pesquisadores levaram a evolução para os tubos de ensaio, tornando o processo mais rápido e fácil. Com alterações e seleção genética, eles conseguiram desenvolver proteínas que ajudaram a solucionar alguns dos problemas químicos da sociedade.
Metade da premiação em dinheiro (9 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 4 milhões) será de Frances Arnold, responsável, em 1993, pela primeira evolução dirigida de enzimas —proteínas que catalisam, ou seja, facilitam reações químicas. Nesse experimento, a melhor proteína conseguida após análise das mutações era uma enzima 256 vezes melhor do que a original.
A pesquisa de Arnold, cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, possibilita atualmente a produção de substâncias químicas mais amigáveis do ponto de vista ambiental além da possibilidade de desenvolvimento de combustíveis renováveis menos poluentes.
Arnold é a quinta mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Química. A última vencedora foi Ada E. Yonath, em 2009. Antes delas, nenhuma pesquisadora tinha sido laureada na área desde 1964.
A outra metade do prêmio será dividida entre George Smith, da Universidade do Missouri, e Gregory Winter, do MRC Laboratório de Biologia Molecular.
Smith é responsável pelo desenvolvimento, 1985, de um mecanismo no qual um bacteriófago —vírus que infecta bactérias— é usado para criar novas proteínas.
Winter, por sua vez, usou esse mecanismo para a evolução dirigida de anticorpos, o que já resultou em novas drogas. O primeiro medicamento a ser produzido a partir desse método —o adalimumab— foi aprovado em 2002 e é usado para o tratamento de artrite reumatoide, psoríase e doença inflamatória intestinal.
O mesmo mecanismo já possibilita hoje a criação de anticorpos que podem neutralizar toxinas, frear doenças do sistema imune e até mesmo curar câncer metastático, com imunoterápicos —área de pesquisa vencedora do Nobel de Medicina de 2018.
Segundo Sara Snogerup Linse, membro do Comitê do Nobel para Química, Arnold (na área de biocombustíveis) e Winter (com anticorpos) já detêm patentes relacionadas às suas pesquisas.
Para ter controle sobre a evolução, Arnold tomou em suas mãos a seleção natural —pelo menos quanto as enzimas com as quais estava trabalhando.
A cientista inseriu mutações nos genes de uma enzima e colocou esse código genético mutante em uma bactéria, que acabou por gerar milhares de variações da enzima original.
O próximo passo do trabalho da pesquisadora consistiu em selecionar as enzimas que eram mais aptas para o fim pretendido —conseguir que a proteína catalisasse reações em soluções além das baseadas em água.
Arnold estudava uma enzima que interage com a caseína, que é uma proteína do leite. A cientista, então, fez testes com a caseína no tipo de solução em que ela gostaria que as enzimas funcionassem. Desse modo, as enzimas mutantes que melhor quebrassem a caseína seriam selecionadas e passariam por novas mutações aleatórias.
Ao fim, o melhor resultado alcançado pela pesquisadora americana tinha a combinação de dez mutações diferentes.​
Parte do raciocínio de seleção presente na pesquisa de Arnold é semelhante ao que Smith e Winter desenvolveram em suas pesquisas. Eles, porém, usavam uma “pescaria” para fazer suas seleções.
Smith, primeiramente, teve que desenvolver uma “isca”. Para isso, inseriu um gene no DNA de um bacteriófago. Com isso, o cientista acreditava que a proteína resultante ficaria visível na parte externa do vírus. E foi isso mesmo que aconteceu.
Com essa isca (que pode ser um peptídeo —conjunto de aminoácidos—, um anticorpo), é possível pescar outras proteínas ou antígenos. A técnica de Smith ganhou o nome de fago display.
Por fim, o britânico Winter levou a técnica a frente e conseguiu que o local de ligação de anticorpos se manifestasse na área externa do bacteriófago. Basicamente, ele conseguiu aplicar a evolução dirigida à técnica de fago display. Uma revolução farmacêutica começa a partir daí, com a possibilidade da seleção de anticorpos com grande afinidade a determinados antígenos.
Já em 1994, Winter conseguiu desenvolver anticorpos que conseguem atacar com grande especificidade células cancerígenas.
“Com essa técnica você aumenta a chance de achar um ligante”, diz Paulo Sérgio de Oliveira, pesquisador do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). Com o conhecimento já desenvolvido sobre a área, hoje é possível fazer essas varreduras computacionalmente.
Oliveira afirma que no Cnpem são pesquisadas, a partir dos mecanismos vencedores do nobel, formas de diagnóstico de zika e de tratamento de sepse —uma grave infecção generalizada.
Além da possibilidade de aperfeiçoar o que já existe, com a evolução dirigida é possível criar enzimas do zero, que não existem na natureza, diz Fábio Cesar Gozzo, do Instituto de Química da Unicamp. “É uma área que se inspira na natureza, mas na qual conseguimos ir muito além, fazer algo melhor do que existe.”
O design de proteínas —criar uma molécula— é um dos ramos relacionados à evolução dirigida. É esse tipo de criação que Allan Ferrari faz na Universidade de Washington, com auxílio de uma bolsa Fapesp.

nobel 2018 quimica
Esse tipo de toxina é produzida por fungos, pode afetar humanos e, por mais que os micro-organismos sejam eliminados, ela pode continuar nos alimentos. Uma abordagem mais radical ainda, segundo Ferrari, seria criar uma proteína que conseguisse quebrar a substância tóxica.
O laboratório de Arnold, ganhadora do nobel, também já realiza pesquisas na área de criação, trabalhando com uma química que não existe na natureza.
Além dos 9 milhões de coroas suecas, os vencedores também ganham uma medalha com a silhueta de Alfred Nobel e um diploma.
A láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos, segundo o testamento de Nobel (1833-1896).
Para a nomeação para o prêmio, o Comitê do Nobel para Química envia fichas confidenciais para pesquisadores qualificados —como membros da Academia Real Sueca de Ciências e laureados anteriores nas áreas de física e química— fazerem indicações. Ninguém pode indicar a si mesmo.
A láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos, segundo o testamento de Alfred Nobel (1833-1896).
A química era a ciência de maior importância no trabalho de Nobel, inventor da dinamite. Ele também foi responsável pelo desenvolvimento de borracha e couro sintéticos e seda artificial. Nobel registrou 355 patentes em seus 63 anos de vida.
Em 2017, o Nobel de Química premiou pesquisas de criomicroscopia eletrônica, processo pelo qual é possível congelar moléculas em meio a processos bioquímicos. Dessa forma, é possível ver com maior precisão a superfície delas e o funcionamento do organismo. Trata-se de uma fotografia da vida.
Os últimos premiados da área foram Jacques Dubochet, da Universidade de Lausanne, Joachim Frank, da Universidade Columbia e Richard Henderson, da Universidade de Cambridge.
Se na premiação de física deste ano, pela terceira vez na história, uma mulher recebeu a láurea da área, na química a situação não é muito melhor. Desde 1901 —primeiro ano da cerimônia—, o prêmio só acabou quatro vezes nas mãos de mulheres. A quinta ocorreu neste ano. Além de Frances Arnold e Ada Yonath, já receberam a láurea Marie Curie, Irène Joliot-Curie e Dorothy Crowfoot Hodgkin.
Na história do Nobel, em oito ocasiões, devido às duas guerras mundiais, a láurea de química não foi entregue —1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942.
Entre as pesquisas já premiadas estão a descoberta e trabalho com elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie, 1911) e a pesquisa sobre ligações químicas (Linus Pauling – 1954).
Com a entrega do prêmio de química, agora restam as láureas da paz, a ser entregue nesta sexta (5), e de economia, que será divulgada na segunda-feira (8).
Por conta de uma série de denúncias e escândalos, a Academia Sueca anunciou que o Nobel de Literatura de 2018 não será entregue. A premiação de 2019 também corre risco de não ocorrer.
Em novembro de 2017, o jornal Dagens Nyheter informou que pelo menos 18 mulheres acusavam Jean-Claude Arnault –importante figura no meio cultural sueco– de assédio e agressão sexual. O homem é casado com uma membro da academia, a poeta Katarina Frostenson. Ambos são dirigentes de um clube cultural chamado Fórum, que recebia verbas da Academia Sueca.
Segundo o jornal, as agressões de Arnault a mulheres teriam ocorrido, nos últimos 20 anos, no clube e em imóveis de propriedade da Academia, em Estocolmo e Paris.
O escândalo, de acordo com o Dagens Nyheter, também envolve sete vazamentos do ganhador do Nobel de Literatura, desde 1996.

13.822 – Nobel de Física 2018


nobel-de-fisica-1538475641187_615x300
Arthur Ashkin, Gérard Mourou e Donna Strickland são os ganhadores do prêmio Nobel de Física deste ano.
O americano Arthur Ashkin, 96, foi premiado com metade do valor por sua pesquisa em pinças ópticas e a aplicação delas em sistemas biológicos. O francês Gérard Mourou, 74, e a canadense Donna Strickland dividirão os outros R$ 2 milhões. Eles ganharam por seu método de gerar pulsos de laser supercurtos de alta intensidade, utilizados em cirurgias para os olhos. Donna Strickland é apenas a terceira mulher a vencer o prêmio desde 1903, e a primeira desde 1963.
Ashkin inventou pinças ópticas que conseguem agarrar partículas, átomos, vírus e outras células vivas com dedos de raios laser. Ele conseguiu que luzes laser empurrassem pequenas partículas para o centro do feixo e as segurassem ali. Em 1987, o americano conseguiu capturar bactérias vivas sem danificá-las. As pinças ópticas agora são utilizadas para investigar a “maquinaria da vida”, de acordo com a Academia sueca.
“Fiquei muito feliz com a nomeação do Ashkin, que foi reconhecido por seu trabalho pioneiro em experimentos usando lasers para aprisionamento de átomos e partículas”, diz Oscar Nassif de Mesquita, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que introduziu a técnica no Brasil, em 1999, junto com seu grupo de pesquisa.
“Utilizando raios de luz, Ashkin mostrou que era possível manipular a célula como se fosse uma pinça. É difícil desenvolver uma pinça mecânica, tão pequena, capaz de pegar uma célula só, mas você consegue desenvolver uma com feixes de luz. E sem matar a célula, que é o mais importante”, explica Vanderlei Bagnato, pesquisador em ótica e diretor do Instituto de Física de São Carlos, vinculado à USP.
Bagnato acrescenta que um feixe de luz, além de carregar energia, também tem a capacidade de gerar força. “Quando a luz penetra na célula, a célula funciona como uma lente e desvia o feixe de luz. É como se a célula empurrasse a luz para uma direção, mas aí ela sofre também um empurrão na direção oposta. E o efeito é usado para controlar o movimento das células”.

Lasers de alta intensidade
Já Mourou e Strickland desenvolveram “os pulsos de laser mais curtos e intensos já criados pela humanidade”, segundo a Academia. A técnica inventada por eles, a amplificação de pulsos (CPA, em inglês), tornou-se o padrão para raios laser de alta intensidade, servindo para cirurgias nos olhos.
A professora Ana Maria de Paula, pesquisadora da área na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que a técnica funciona porque permite que sejam feitos cortes muito precisos, sem danificar o material em volta do local da operação. A pesquisadora aponta também que, com os lasers ultracurtos e de alta potência, é possível estudar fenômenos que acontecem muito rápido, como o movimento de elétrons.
“Os elétrons, as partículas dentro dos átomos, são muito minúsculos. Os tempos associados a esses movimentos também são muito curtos. Com os lasers, você consegue acompanhar esses movimentos, que são da escala de femtosegundos (um quadrilionésimo de segundo)”, explica.
A luz é a coisa mais fundamental pra tudo na vida. Toda vez que a gente consegue desenvolver novos aplicativos, ou novas formas de manipular a própria luz, é extremamente importante para a humanidade”, completa Bagnato.

Mulheres
A falta de mulheres vencedoras na categoria foi destaque durante o anúncio do prêmio. A pesquisadora Olga Botner, membro do comitê, afirmou que “a porcentagem de mulheres nomeadas reflete o número de mulheres na ciência há 20 ou 30 anos, e vem aumentando constantemente ao longo dos anos”.
O diretor da Sociedade Brasileira de Física, Marcos Pimenta, confirma que a presença da mulher na física, hoje, é uma preocupação. “A vitória dela é uma coisa fantástica — que deveria ser mais comemorada e falada do que as pesquisas em si. As mulheres, muitas vezes, têm mais dificuldades de ascender na carreira. Eu formo de 15% a 20% de mulheres na graduação, mas a fração das que conseguem chegar a professora titular ou pesquisadora vai caindo”, avalia.
Ana Maria de Paula concorda. “Existe, sim, discriminação contra as mulheres. O trabalho das mulheres acaba sendo menos prestigiado do que o masculino, mesmo que tenha o mesmo valor e qualidade”. Ela acredita que a mudança deve ser cultural.
“Não é uma questão muito simples de ser resolvida, mas, tendo alguns reconhecimentos, incentiva mais as mulheres a perceberem que podem, também, ter chances de serem reconhecidas”, conclui.

13.819 -Nobel 2018 – Nobel de Medicina ou Fisiologia vai para imunoterapia contra o câncer


nobel 2018
O Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018 foi anunciado em 1 de outubro para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas ligadas ao combate do câncer com drogas que “bombam” a função do sistema imunológico, a chamada imunoterapia.
A estratégia pode ser traduzida como remover o “disfarce” do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença.
A descoberta, de acordo com o Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, formou um quarto pilar no tratamento contra o câncer, junto com quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Médicos e biologistas já há alguns anos esperavam que a área fosse premiada.
A pesquisa teve grande desenvolvimento nas últimas décadas e aumentou a efetividade de tratamentos contra vários tipos de câncer, como melanoma, câncer de pulmão e câncer de rim, que não respondiam bem às drogas que existiam antes e diminuindo drasticamente a taxa de mortalidade para alguns tipos.
Pioneiro na área, o imunologista americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, teve a ideia de tentar soltar o “freio” do sistema imunológico conhecido como CTLA-4, um receptor presente na célula T (ou linfócito T), responsável por reconhecer as células que não são normais no organismo, como as células cancerosas.
A estratégia para conseguir isso envolveu a criação de um anticorpo que se liga no tal “freio molecular”, impedindo que ele seja ativado. Com isso, Allison curou camundongos que tinham melanoma. O anticorpo ipilimumabe (comercializado como Yervoy, da Bristol-Myers Squibb) age da mesma forma em humanos.
Segundo Fernando Maluf, oncologista da BP (antiga Beneficência Portuguesa), o tumor provoca uma espécie de paralisia no sistema imunológico, especialmente nos linfócitos T. “O que essas drogas fazem é desparalisar o sistema imunológico, permitindo que o linfócito ataque o tumor de forma muito mais eficaz.”
Outro freio molecular cuja inibição pode gerar efeitos ainda mais dramáticos, de acordo com o comitê do Nobel, é o PD-1. Fruto da pesquisa liderada pelo médico e imunologista Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, o bloqueio do PD-1 também abriu uma avenida de possibilidades, com possivelmente menos efeitos colaterais do que a terapia anti-CTLA-4.

“Quando pacientes que se recuperam do câncer me agradecem, sinto verdadeiramente o significado de nossa pesquisa”, disse Honjo durante uma coletiva de imprensa, de acordo com a imprensa japonesa. “Eu gostaria de continuar pesquisando sobre o câncer por um tempo, para que essa imunoterapia possa ajudar a salvar mais pacientes com câncer do que nunca”.
Em uma entrevista por telefone ao jornal The New York Times, Allison disse que, quando os inibidores de ponto de verificação funcionam, os pacientes “ficarão bem por uma década ou mais”. Ele disse estar trabalhando com outros pesquisadores, incluindo sua esposa, a oncologista Padmanee Sharma, do MD Anderson, a fim de compreender mecanismos de modo que os tratamentos possam ajudar mais pacientes.
“É um grande desafio, mas nós sabemos as regras básicas agora. É apenas uma questão dedicação para juntar as peças do quebra-cabeça com base na ciência”, disse Alisson.
Entre as drogas hoje comercializadas que agem no funcionamento do sistema do PD-1 estão o nivolumabe (Opdivo, também da Bristol-Myrers Squibb) e o pembrolizumabe (Keytruda, da MSD). Ambas foram aprovadas em 2014. Há ainda outras drogas já lançadas com o mesmo princípio e várias estão em desenvolvimento.
Uma consequência natural do desenvolvimento dessas pesquisas foi tentativa de combinação das duas terapias, o que gerou uma resposta ainda melhor do que aquelas obtidas individualmente, reduzindo a mortalidade.
Cada vez mais tipos de câncer são tratados com a imunoterapia. “São tantos os exemplos que já desisti de anotar”, brinca Antonio Carlos Buzaid, oncologista do hospital Albert Einstein e da BP.
No ano passado, levaram o Nobel cientistas pioneiros nos estudos dos mecanismos moleculares por trás do ritmo circadiano —ou relógio biológico— que funciona dentro das células. Foram agraciados os americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young.
A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.
O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiro. Podem indicar nomes os membros do Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos prêmios de Fisiologia ou Medicina ou de Química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel. Autoindicações são desconsideradas.
A cerimônia de premiação dos vencedores deste ano, porém, só ocorre em dezembro.
Entre as descobertas premiadas no passado estão as da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953) e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).
Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de Medicina ou Fisiologia são a da insulina (1932), da relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971).
Os vencedores dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,1 milhões). O dinheiro vem de um fundo de quase 4,5 bilhões de coroas suecas (em valores atuais) deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

13.783 – Marie Curie é eleita a mulher mais influente da história


mariecurie
Numa lista com as 100 mulheres mais influentes de todos os tempos, criada após uma seleção de especialistas e com a votação do público, o ranking elegeu a cientista Marie Curie como a número 1. Em segundo lugar está Rosa Parks, norte-americana e símbolo do movimento pelos direitos civis, e em terceiro, a ativista britânica Emmeline Pankhurst.
De acordo com o site oficial, dez especialistas foram consultados para elaborar a lista, que contém desde escritoras como Virginia Woolf e Simone de Beauvoir a figuras históricas como Catarina de Médici, Joana D’Arc e Madre Teresa de Calcutá.
Bicampeã do Nobel
Marie Curie (1867-1934) foi uma das principais cientistas da sua época, responsável por descobertas notáveis e importantes até hoje. Nascida na Polônia, ela teve uma infância difícil. Sua família era pobre e, para bancar os estudos, revezava-se com a irmã: enquanto uma trabalhava, a outra ia para a faculdade.
Formada em física e matemática pela Universidade de Paris, Marie e seu marido, Pierre, receberam o Nobel de Física de 1903 ao lado de Henri Becquerel pela descoberta da radioatividade – e por cunharem e definirem o termo. Em 1911, ela foi laureada com o Nobel de Química após ter descoberto dois elementos, o rádio e o polônio. Com isso, entrou para a seleta lista de pessoas que conquistaram o “bicampeonato” na premiação – e foi a única a ganhar em áreas científicas diferentes.

13.646 – Mega 30 Anos + Sobre Marie Curie


mariecurie
Maria Salomea Sklodowska nasceu em 1867 na cidade de Varsóvia, na Polônia. Em qualquer outra família, Maria e suas três irmãs mais velhas teriam sido criadas para serem boas esposas, mas não foi o caso: os Sklodowska lutaram para que as quatro filhas tivessem as mesmas oportunidades acadêmicas que seu único filho homem.
Os esforços tiveram resultados: décadas depois, Maria — que mudou seu nome para Marie ao se mudar para a França — se tornou uma das pioneiras nos estudos relacionados à radioatividade. Perdemos esta incrível cientista nesta mesma data (4 de julho) , mas fomos privilegiados com os diversos conhecimentos e descobertas que ela nos deixou.
Marie teve que se esforçar muito mais por ser mulher. Como aponta Alexander Rivkin, da Escola de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos: “Marie Curie foi uma gênia da ciência quando as oportunidades para as mulheres, especialmente na academia, eram escassas”. Apesar de ter terminado o colegial quando tinha apenas 15 anos, Marie não conseguiu estudar na Universidade de Varsóvia, na Polônia, porque a instituição não aceitava estudantes do sexo feminino. Aos 17 anos, ela se mudou para Paris para estudar física na Universidade Paris-Sorbonne. Marie optou por morar em um apartamento péssimo, mas que era próximo da universidade, de forma que pudesse ter mais tempo para estudar. Ela vivia sem dinheiro, e por muito tempo sobreviveu de pão e chá. No fim, Marie colheu os frutos do esforço: ela foi uma das melhores alunas de sua turma, recebeu o diploma em física em 1893 e ganhou uma bolsa para estudar matemática na mesma instituição.
Ao estudar a descoberta da radioatividade espontânea, feita por Henri Becquerel, Marie e seu marido Pierre desenvolveram a teoria da radioatividade. A cientista descobriu que é possível medir a força da radiação do urânio; que a intensidade da radiação é proporcional à quantidade de urânio ou tório no composto e que a habilidade de emitir radiação não depende da disposição dos átomos em uma molécula e sim com o interior do próprio átomo.
Quando percebeu que alguns compostos tinham mais radiação do que o urânio, Marie sugeriu a existência de outro elemento com mais radiação do que o urânio e o tório. A cientista estava certa: em 1898, ela e Pierre descobriram dois novos elementos radioativos, o rádio (900 vezes mais radioativo que o urânio) e o polônio (400 vezes mais radioativo que o urânio), cujo nome é uma homenagem à Polônia, país de origem de Marie.
Em 1903, Marie e Pierre dividiram o Prêmio Nobel de Física com Henri Becquerel pela descoberta da radioatividade e, em 1911, a cientista foi agraciada com o Prêmio Nobel de Química pela descoberta e pelos estudos em torno dos elementos rádio e polônio. Ela foi a primeira pessoa e única mulher a ter ganhado o Nobel duas vezes em áreas distintas.
A descoberta do rádio e do polônio colaborou para o desenvolvimento dos aparelhos de raio X. Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie foi a campo levando aparelhos portáteis de raio X para ajudar nos cuidados dos soldados feridos.

13.489 – Holandês que trabalha em Campinas passou raspando no Nobel de Química


criomiscopia
Por volta de 1998 ou 1999, ele havia feito uma aposta com o cristalógrafo Venkatraman Ramakrishnan, presidente da Real Sociedade britânica: quem obtivesse primeiro a estrutura do ribossomo (máquina de fazer proteínas em cada célula) pagaria um jantar vegetariano.
Em 2009, Ramakrishnan ganhou o Nobel com Thomas Steitz e Ada Yonath. Eles tinham decifrado o ribossomo antes de Van Heel.
O holandês, que hoje trabalha no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNano/CNPEM), em Campinas, não esmoreceu. Seguiu desenvolvendo o método de preparação de amostras por resfriamento rápido em meio aquoso não congelado, útil para estudar moléculas biológicas difíceis de cristalizar.
Van Heel teve contato direto com dois dos nobelistas de 2017. Conheceu Richard Henderson no Instituto Max Planck Fritz Haber, em Berlim. Com Joachim Frank trabalhou no final de 1979 na Universidade do Estado de Nova York em Albany.
Com Henderson e Frank, conquistou o Prêmio Wiley de Ciências Biomédicas de 2017, justamente pelo desenvolvimento da criomicroscopia.
Em entrevista por telefone desde o LNNano, o pesquisador disse ter estranhado a ausência do nome de Jacques Dubochet (o outro nobelizado) no Wiley. Ele teria sido o pioneiro no campo da vitrificação da água para observar moléculas biológicas.
No Nobel, foi Van Heel quem ficou de fora. Mas ele não responde diretamente se ficou decepcionado, apenas ri. “Vamos sair dos indivíduos. Muito bom que o prêmio foi para microscopia”, diz.
“Você vê as biomoléculas em ação. Isso tem um valor enorme no mundo medicinal e farmacêutico. A indústria está entrando com muita força. Um país como o Brasil, do tamanho da Europa, precisa disso”, diz o cientista.
Van Heel tem uma longa história com o Brasil. Morou aqui até os 11 anos, em Porto Ferreira (SP), enquanto o pai era gerente da Nestlé e ensinava pecuaristas a criar gado leiteiro holandês. “É um país mágico para mim.”
Retomou contatos mais estreitos já nos anos 2000, com visitas periódicas para ensinar técnicas de criomicroscopia em cursos -“Single Particles in Brazil”- que hoje estão entre os mais requisitados do mundo. O primeiro deles, em 2005, foi na Fazenda Três Lúcias de sua infância, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), que se tornara o luxuoso Hotel Fazenda Glória.
Em maio passado, já aposentado compulsoriamente da Universidade de Leiden (Holanda) por ter feito 65 anos, começou a trabalhar no LNNano, com o qual já colaborara no passado.
Marin van Heel até hoje não pagou o jantar vegetariano para Venkatraman Ramakrishnan, mas promete fazê-lo em sua próxima
viagem a Londres.
E acrescenta, satisfeito, que sir Venki, como é conhecido, não usa mais cristalografia, e sim criomicroscopia, para investigar biomoléculas.

13.488 – Nobel 2017 – Prêmio Nobel de Física vai para pesquisadores de buracos negros


nobel 2017
O Prêmio Nobel de Física deste ano foi dado aos cientistas Rainer Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Kip Thorne e Barry Barish, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, pela descoberta de ondulações no espaço-tempo, conhecidas como ondas gravitacionais.
Essas “ondas” foram previstas por Albert Einstein um século atrás, mas não tinham sido detectadas diretamente até pouco tempo.
O Dr. Weiss receberá metade do prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,47 bilhões, no câmbio atual) e Dr. Thorne e Dr. Barish dividirão a outra metade.

A teoria
A importante descoberta aconteceu em fevereiro de 2016, quando uma colaboração internacional de físicos e astrônomos anunciou que haviam registrado ondas gravitacionais provenientes da colisão de um par de buracos negros maciços, a um bilhão de anos-luz de nós.
O trabalho validou uma previsão de longa data de Einstein. Em 1916, o físico propôs a teoria da relatividade geral, afirmando que o universo era como um tecido feito de espaço e tempo. Esse tecido podia se dobrar devido a objetos maciços, como estrelas e planetas.
Einstein também propôs que, quando dois objetos maciços interagem, eles podem criar uma ondulação no espaço-tempo. Tais ondulações deveriam ser detectáveis se pudéssemos construir instrumentos suficientemente sensíveis.

Os avanços
Weiss, Thorne e Barish foram os arquitetos e líderes do LIGO, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser, o instrumento que finalmente foi capaz de detectar essas ondas. Mais de mil cientistas participaram de uma colaboração para analisar os dados do LIGO.
Tal instrumento permaneceu um sonho até a década de 1970. Foi nessa época que Rainer Weiss sugeriu um projeto que ele pensava poder detectar ondas gravitacionais. Suas ideias foram então traduzidas em realidade através de uma série de pesquisadores, incluindo Kip Thorne, Ronald Drever e Barry Barish, no que se tornaria o LIGO.
Muitas etapas, US$ 1 bilhão em gastos e 40 anos se passaram até que a versão mais avançada do observatório, lançada em setembro de 2015, finalmente capturou o primeiro sinal que significaria a abertura de todo um novo campo da astronomia.

12.855 – Pesquisa sobre máquinas moleculares ganha Nobel de Química


nobel-2016
Pães marcaram presença, pelo segundo dia seguido, no Prêmio Nobel. Aparentemente, pretzels e bagels (um tipo de rosca turbinada) servem de ótimas metáforas para físicos e químicos. Além do dono de alguma padaria sueca, três pesquisadores acordaram mais felizes e com mais dinheiro: Jean-Pierre Sauvage, J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa ganharam o Nobel de Química de 2016 pelo design e síntese de máquinas moleculares, as menores do mundo.
As descobertas, que ainda estão em um período inicial de pesquisa, poderão ser importantes, por exemplo, na medicina. O transporte de medicamento por nanorobôs é uma das possibilidades. Além disso, avanços na computação e materiais inteligentes, que respondem a estímulos, são outras possibilidades.
Os responsáveis pelo anúncio dos vencedores do prêmio usaram, mais uma vez, as formas cilíndricas dos pães para explicar como funcionam as máquinas moleculares.
Feringa comparou seus estudos ao começo da aviação. “Perguntavam para que precisaríamos de máquinas que voam.”

“É o começo de uma nova era”, afirma Feringa.
Os vencedores dividirão 8 milhões de coroas suecas (pouco mais de R$ 3 milhões). O dinheiro é proveniente de um fundo (de mais de 4 bilhões de coroas suecas, ou R$ 1,52 bilhão, em valores atuais) deixado por Alfred Nobel. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

FRONTEIRA DAS MÁQUINAS HUMANAS
As máquinas moleculares recebem esse nome porque, além de serem construídas molécula por molécula, não conseguem se mover por conta própria. Elas, como todas as máquinas que conhecemos, até o momento pelo menos, só funcionam pela vontade e intervenção humana.
Como qualquer ligar ou desligar de computador, tudo ali só funciona porque nós damos uma ordem.
Os comandos que usamos nas máquinas moleculares são um pouco menos diretos ou lógicos, se comparados às interfaces digitais a que estamos acostumados.
As nanomáquinas, quase mil vezes menores que um fio de cabelo, assim como as moléculas do nosso corpo, são sensíveis a luz, calor, ph e cargas positivas e negativas. Com esses estímulos, elas podem se mover, mudar de forma ou ter outros comportamentos.
“O futuro está chegando”, afirma animado Henrique Toma, coordenador do centro de nanotecnologia da USP e estudioso do tema há 30 anos. Ele compara o trabalho dos laureados e o seu próprio com uma “brincadeira” de montar lego.

EVOLUÇÃO
Os avanços no campo da nanotecnologia deram um gigante salto quando, em 1983, Jean-Pierre Sauvage, da Universidade de Strasbourg, na França, e seus colegas conseguiram unir duas moléculas circulares, formando uma corrente conhecida como catenano.
O próximo passo veio com J. Fraser Stoddart, em 1991, da Universidade de Northwestern, nos EUA. O pesquisador e seu grupo demonstraram a possibilidade de mover um anel molecular ao longo de um eixo. Conseguiram inclusive construir um “elevador molecular” com a técnica desenvolvida.
Finalmente, em 1999, Bernard L. Feringa, da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, apresentou ao mundo a possibilidade do movimento controlado unidirecional, algo típico dos mecanismos de rotação de motores.
O grupo de Feringa conseguiu inclusive construir um “nanocarro”, com um chassi molecular e quatro mecanismos de rotação, as rodas moleculares, que se movimentavam em uma única direção.
Os trabalhos, contudo, não pararam nesse ponto. O grupo de Stoddart, por exemplo, passou a tentar desenvolver mecanismos eletrônicos em escala molecular. E, até certo ponto, conseguiram.
Em 2007, construíram um mecanismo molecular com função de memória. A minúscula máquina conseguia replicar a ideia de portas lógicas, algo parecido à forma como nossos computadores funcionam.

FUTURO DA COMPUTAÇÃO
O mundo hoje depende do silício para fabricação dos corações dos chips com os quais conversamos com amigos e trabalhamos.
Para o funcionamento simples de um chip, gravar um “sim” ou “não”, são usados cerca de um bilhão de átomos de silício, segundo Henrique Toma.
“Com as máquinas moleculares, você poderia pegar dezenas ou centenas de átomos e fazer a mesma coisa”, diz Toma.
O pesquisador acredita no surgimento de um novo conceito de eletrônica a partir dos conhecimentos que cercam o tema laureado no Nobel de Química de 2016.
“No futuro é possível que todo sistema de memória ou processamento seja molecular”, afirma. “Pode anotar, eu aposto tudo nisso.”
Os tecidos inteligentes também são uma aposta promissora.

MEDICINA
As máquinas moleculares também podem ter impacto em tratamentos de doenças. Como essas engenhocas funcionam a partir de estímulos, elas podem servir para atingir com maior precisão o local onde se encontram problemas de saúde, como tumores.
Fazendo jus ao nome, as pequeninas máquinas poderiam ter a habilidade de produzir sinais orgânicos para conseguir passar por certos lugares.
“Você poderia sinalizar para conseguir uma abertura na barreira hematoencefálica [escudo cerebral que acaba dificultando a chegada de medicamentos], por exemplo”, afirma Antonio Tedesco, coordenador do centro de nanotecnologia e engenharia tecidual da USP de Ribeirão Preto.
Além disso, também há vantagens na possibilidade de atingir áreas pequenas e específicas do organismo. “Você pode usar pequenas quantidades de princípio ativo para cobrir grandes áreas afetadas por uma patologia”, diz Tedesco.
O pesquisador alerta que, mesmo com esses pontos positivos, deve-se tomar muito cuidado e ter atenção quanto aos impactos ambientais, quem estará envolvido na produção dessas máquinas e como elas serão usadas.

HISTÓRICO
O Nobel de Química é entregue ao responsável pela “descoberta ou aperfeiçoamento químico mais importante”, como consta no testamento de Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite e pai da premiação. A química foi a área do conhecimento mais importante para o trabalho do criador do prêmio.
Desde o início da premiação em 1901, o prêmio de química foi distribuído 107 vezes para 171 pessoas. Somente quatro mulheres foram premiadas até o momento na categoria. A bioquímica, com 50 premiações, lidera o ranking dos temas abordados pelos vencedores.
O Nobel de Química deixou de ser entregue oito vezes (1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942). As duas guerras mundiais estão entre os fatores que explicam a ausência de prêmios nesses anos.
Algumas das descobertas premiadas durante a história são: desintegração de elementos e radioatividade de substâncias (Ernest Rutherford); descoberta e trabalho com os elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie); química atmosférica, composição e decomposição da camada de ozônio (Mario J. Molina); e ligações químicas e compreensão da estrutura de substâncias complexas (Linus Pauling).

NOBEL 2015
Os ganhadores do ano passado do Nobel de Química foram Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar, responsáveis por estudos relacionados aos mecanismos de reparo de DNA.
Os estudos dos cientistas abriram a “caixa de ferramentas de reparação do DNA”. Graças a isso, foi possível entender, em nível molecular, como as células danificadas consertam o DNA e conservam a informação genética.
O trabalho deles produziu conhecimento fundamental de como células vivas funcionam e, desse modo, ajudou no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.

NOBEL DE MEDICINA
Pela pesquisa sobre como a autofagia funciona, Yoshinori Ohsumi, 71, foi laureado com o Nobel de fisiologia ou medicina nesta segunda (3).
A autofagia está relacionada ao reaproveitamento do “lixo celular”. Por isso mesmo, a falha do processo acaba levando a doenças, como diabetes e câncer. A função está intimamente ligada à organela lisossomo.
O câncer, a resposta celular a infecções bacterianas e virais, formação do embrião e surgimento de novas células, resposta à falta de nutrientes, doenças neurodegenarativas e diabetes estão relacionados à autofagia. Ohsumi conseguiu identificar os 15 genes da autofagia e caracterizar cada estágio do processo.

NOBEL DE FÍSICA

O prêmio de física deste ano foi para David J. Thouless, Frederick Duncan M. Haldane e John Michael Kosterliz.
Eles estudaram os estranhos estados da matéria em condições extremas. As descobertas dos cientistas têm grande impacto na tecnologia. Seus estudos influenciam perspectivas para isolantes, supercondutores e metais topológicos, além de possivelmente serem úteis no desenvolvimento de computadores quânticos.

10.877 – Nobel da Paz 2015


nobel 2014
Enquanto especialistas apontavam a chanceler alemã Angela Merkel, o papa Francisco e o secretário de Estado americano John Kerry entre os candidatos favoritos, a entidade tunisiana que ajudou a implantar a democracia no país surpreendeu ao ser laureada com o prêmio. Ao anunciar o prêmio em Oslo, na Noruega, a porta-voz da Comissão do Prêmio Nobel ressaltou que o Quarteto é homenageado por seu trabalho em ajudar a garantir a condução pacífica do caos pós-Primavera Árabe para o regime democrático. O Quarteto foi formada no verão de 2013, quando o processo de democratização estava em perigo de colapso, com o país sofrendo com assassinatos políticos e agitação social generalizada. Para a Comissão do Nobel, o grupo garantiu a continuidade do processo político pacífico em um país à beira de uma guerra civil.
A Comissão do Prêmio Nobel destacou que as eleições “tranquilas e democráticas” realizadas neste ano na Tunísia constituíram “um fator essencial” para a escolha do Quarteto. “A entidade pavimentou o caminho para um diálogo pacífico entre os cidadãos, partidos políticos e autoridades, ajudando a encontrar soluções consensuais para uma ampla gama de desafios entre as divisões políticas e religiosas”. A porta-voz ressaltou ainda que o “diálogo nacional amplo que o Quarteto conseguiu estabelecer conteve a propagação da violência na Tunísia” e o trabalho é, portanto, comparável ao esforço permanente pela paz a que Alfred Nobel – o idealizador do prêmio – se refere em seu testamento.
O Quarteto para o Diálogo Nacional é formado por quatro organizações da sociedade civil tunisiana: a União Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT, Union Générale du Travail Tunisienne), a Confederação Tunisiana da Indústria, Comércio e Artesanato (Utica, Union Tunisienne de l’Industrie, du Commerce et de l’Artisanat), a Liga Tunisiana dos Direitos Humanos (LTDH, La Ligue Tunisienne pour la Défense des Droits de l’Homme), e a Ordem dos Advogados da Tunísia (Ordre National des Avocats de Tunisie).
Primavera Árabe – As revoltas por democracia e mais liberdade civis – conhecidas como Primavera Árabe – tiveram início na Tunísia no final de 2010 e rapidamente se alastraram para vários países do Norte da África e do Oriente Médio. Na maioria dos países, a luta pela democracia e por direitos fundamentais chegou a um impasse ou sofreu duros reveses. Na Tunísia, no entanto, houve uma surpreendente transição democrática com base em uma sociedade civil e respeito aos direitos humanos básicos.
Desafios – A Tunísia enfrenta desafios políticos, econômicos e de segurança significativos. Depois das revoltas ao longo de 2011, o país, uma das nações mais seculares do mundo árabe, enfrentou divisões relacionadas ao papel do Islã e à ascensão de islamistas ultraconservadores. Líderes do Ennahda – uma organização política com ideologia similar à da egípcia Irmandade Muçulmana – que viviam asilados na Europa voltaram ao país depois da queda do ditador Ben Ali e, meses depois, a organização ganhou 40% das cadeiras no Parlamento que se encarregaria de montar um governo de transição e de redigir uma nova Constituição. Cargos altos nos ministérios foram ocupados até por ex-exilados que eram constantemente monitorados pela Interpol por suspeita de terrorismo.
No ano passado, o assassinato de líderes opositores provocou uma crise no país. Associada aos desdobramentos no Egito, a crise levou o Ennahda a fazer um acordo com a oposição para formar uma nova Assembleia Constituinte e novas eleições – realizadas em dezembro de 2014, que tiveram a vitória de um político laico, Beji Caid Essebsi, o primeiro presidente democraticamente eleito no país desde a sua independência da França, em 1956.
Porém, as divisões políticas permanecem e o país também tem preocupações relacionadas à fronteira com a Líbia, refúgio de terroristas ligados à Al Qaeda a ao Estado Islâmico (EI). Neste ano, dois violentos ataques terroristas expuseram a vulnerabilidade do país. Em março, homens armados entraram ao Museu Bardo, o maior do país, localizado na capital Túnis, e mataram 22 estrangeiros. Três meses depois, em junho, um terrorista ligado ao EI matou 38 turistas em um resort na praia mediterrânea de Sousse.

10.869 – Mega Polêmica sobre Prêmio Nobel


Mas nem tudo são flores no meio acadêmico e já rolou muito bafão nos bastidores desse prêmio tão cobiçado.

Ciência de macho para macho

marie-curie-mulheres-inspiradoras

A ciência ainda é um terreno pouco amigável para as mulheres – o que é fruto de crítica até dos próprios cientistas. No Nobel não é diferente. Das 864 pessoas e 25 organizações que já foram premiadas até hoje, somente 47 (ou seja, mais ou menos 5%) eram mulheres – Marie Curie, acima, foi exceção da exceção. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Jocelyn Bell Burnerll, que descobriu os pulsares (estrelas de neutron com rotação muito, muito rápida) em 1967. Depois da descoberta, ela publicou um artigo científico sobre o tema junto com seu orientador, Antony Hewish. Na hora do prêmio, contudo, só Hewish e um outro colega, Martin Ryle (também homem), ganharam o Nobel de Física pela descoberta dos pulsares, em 1974.

Pela paz/contra a paz
yasser arafat
Ver a divulgação dos novos supercientistas que estão levando os Nobel pra casa é sempre legal. Mas nenhuma das categorias é tão aguardada como o Nobel da Paz. Mas verdade é que vários dos premiados já foram criticados por? comportamento contra a paz. Entre os mais famosos deles está Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Em 1994, ele dividiu o prêmio com os israelenses Yitzhak Rabin e Shimon Peres por seu trabalho nos Acordos de Oslo, parte fundamental do processo de paz entre Israel e Palestina. O que os críticos apontam, porém, é que, enquanto Arafat era líder do Fatah, a OLP se envolveu em atos de terrorismo.

Hitler pacífico?
Falando em Nobel da Paz, sabe quem também foi indicado ao prêmio? Adolf Hitler. Não, não foi um homônimo responsável pelo fim da mutilação genital feminina. Sim, foi o próprio Hitler, aquele, responsável pelo Holocausto. Sua indicação, pelo menos, foi em 1939, antes de ele promover o maior absurdo da história do mundo. Um legislador suíço havia colocado o nome de Hitler na contenda de brincadeira (ma ôeee!), mas ninguém achou engraçado (por que será?). A indicação, na verdade, causou uma revolta geral, e a indicação foi retirada logo logo. Por outro lado, o líder soviético Joseph Stalin foi indicado (duas vezes!) de veras.

“Não, obrigado”
Enquanto uns e outros fazem o trabalho de uma vida inteira pensando no Nobel, dois vencedores do prêmio já dispensaram a honraria (uma baita desfeita, nas palavras da minha avó). O escritor Jean-Paul Sartre, rei do desagrado que recusava todos os prêmios oficiais, não aceitou o Nobel de Literatura em 1964. Dez anos depois, o clubinho dos sem-graça recebeu também o político vietnamita Le Duc Tho. Junto com Henry Kissinger, eles receberam o Nobel da Paz pelo fim da Guerra do Vietnam. Mas Tho recusou a honraria por considerar que a paz ainda não estava estabelecida.
Acho que depois da “brincadeira” de indicar Hitler ao Nobel da Paz, ele ficou bem, digamos, indisposto com a premiação. Mas o caldo começou a engrossar já em 1935, quando o jornalista alemão, Carl von Ossietzky, que era declaradamente contrário a Hitler, recebeu o prêmio pela paz. Consequentemente, Hitler, aquele vingativo, proibiu que todos os alemães aceitassem qualquer Nobel. Além disso, ele criou o ?genérico? Prêmio Nacional Alemão de Artes e Ciência para competir com o suíço. Richard Kuhn (Nobel de Química, 1938), Adolf Butenandt (Nobel de Química, 1939) e Gerhard Domagk (Nobel de Medicina e Fisiologia, 1939) foram obrigados a rejeitar o prêmio. Mas receberam seus diplomas e medalhas anos mais tarde.

Conflito de interesses
O Nobel de Medicina e Fisiologia de 2008 foi para o médico alemão Harald zur Hausen, responsável por descobrir a relação entre o papiloma vírus humano (HPV) e o câncer de colo de útero. O problema era que, naquele ano, a AstraZeneca, laboratório fabricante de vacinas contra o HPV, estava patrocinando o Nobel. Não bastasse isso, dois membros do comitê que escolher zur Hausen era ligado à empresa. Um suposto favorecimento do médico pela ligação clara de sua pesquisa com o patrocinador do prêmio não ficou clara, mas o conflito de interesses gerou polêmica e críticas naquele ano.
Cadê o Gandhi?
Nada faria mais sentido do que premiar o maior símbolo da paz do século 20 com o Nobel, certo? Só que isso nunca aconteceu. Considerado pela Europa (e principalmente pelos colonizadores ingleses da Índia) um “terrorista” e agitador político perigoso, Gandhi acabou ignorado pelo comitê em Oslo. Anos depois, a organização declarou que a ausência do homem que lutou pela independência da Índia uma de suas maiores omissões.

Já vai tarde
Mas tudo já começou com o próprio Alfred Bernhard Nobel, o fundador do prêmio. Inventor da dinamite e outros explosivos de grande poder de destruição, a imagem de Alfred não era lá das melhores – essa reputação, aliás, fez com que um jornal francês ?matasse? Nobel antes da hora. A confusão aconteceu quando o irmão de Alfred morreu, e o tal jornal noticiou que ?o mercador da morte está morto?. Não satisfeitos, disseram ainda que ele ?ficou rico encontrando formas de matar mais gente mais rapidamente que antes?. O ?carinho? do jornal francês foi, provavelmente, o que motivou Nobel a criar o prêmio que o fez passar para a história como o maior incentivador da ciência de todos os tempos.

10.861 – Nobel de química vai para estudo sobre mecanismos de reparo do DNA


nobel 2014
Toda a informação genética para o desenvolvimento e funcionamento dos seres vivos está contida nas moléculas de DNA, e é formada quando o espermatozoide fecunda o óvulo e forma uma única célula, chamada zigoto.
Durante o desenvolvimento, essa única célula vai se dividir, formando duas novas células. Essas duas células se dividem em quatro; essas quatro se dividem em oito, e assim por diante, até chegarmos nos trilhões de células que um indivíduo adulto possui. Cada uma com suas próprias moléculas de DNA.
A cada divisão, porém, a informação genética da célula é preservada, ou seja, mesmo muitas bilhões de divisões celulares depois a cópia mais recente do seu material genético é semelhante ao original, formado quando o espermatozoide fecundou o óvulo.
É aí que reside a mágica porque o processo de divisão celular está sujeito a erros aleatórios, assim como todos outros processos químicos. Além disso, nossas moléculas de DNA são diariamente expostas a outras moléculas reativas e à radiação prejudicial, como a radiação UV.
O que o trio premiado fez foi, separadamente, descobrir quais são os mecanismos que a própria célula tem para reparar esses erros.
Até o fim dos ano 1960 –a estrutura do DNA foi descoberta em 1953– acreditava-se que o DNA fosse uma molécula resistente. Trabalhos de Lindahl, porém, estimaram que o DNA está sujeito a milhares de lesões potencialmente devastadoras, incompatíveis com a existência humana na Terra. E concluiu, então, que deveria haver na célula algum mecanismo de proteção.
Ele descobriu um mecanismo chamado “reparação por excisão de base”, no qual enzimas reconhecem algum erro na cópia das bases nitrogenadas –as “letras” A (adenina), G (guanina), C (citosina) e T (timina)– nas moléculas de DNA e removem a base pareada por engano.
O processo, porém, não dava conta de explicar como as células conseguiam proteger seu DNA de ataques externos, como o da radiação UV.
Sancar descobriu o “reparo por excisão de nucleotídeo”, mecanismo no qual enzimas identificam e reparam na molécula de DNA algum erro causado por ação da radiação UV ou outras substâncias cancerígenas, como aquelas presentes na fumaça do cigarro.
Indivíduos com defeitos congênitos nesse mecanismo são muito sensíveis à radiação UV e suscetíveis ao câncer de pele por exposição ao Sol. Modrich, por fim, descobriu um mecanismo no qual enzimas detecta erros de cópia do DNA quando ele é replicado na divisão celular. Ele foi batizado de “reparo de pareamentos errados”.
Atualmente, sabe-se que um em cada mil erros que ocorrem durante a replicação de DNA humano é corrigido pelo “reparo de pareamentos errados”, mas ainda restam dúvidas sobre como a célula consegue identificar qual das duas fitas do DNA é correta e deve servir de modelo.
Defeitos no sistema de reparo de pareamentos errados aumentam o risco de desenvolver câncer de cólon hereditário, por exemplo.

CÂNCER
As células contam com outros mecanismos de reparo além desses. Se eles falham, a informação genética muda rapidamente e o risco de desenvolver câncer aumenta. Essa instabilidade genética faz com que o DNA das células cancerígenas seja muito instável e suscetível a mutações que tornam as células mais resistentes aos tratamentos.
Por outro lado, essas células ainda dependem dos mecanismos de reparação, já que se eles estivessem completamente desligados, seu DNA se tornaria muito danificado e a célula morreria. Esse ponto fraco é a arma que os cientistas dispõem para pesquisar novas drogas contra o câncer.

NOBEL
Os cientistas dividirão um prêmio de 8 milhões de coroas suecas, que equivalem a R$ 3,8 milhões. O dinheiro provém de um fundo deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901.

10.850 – Nobel de Física 2015


Nobel1
Foi concedido ao japonês Takaaki Kajita e ao canadense Arthur McDonald por terem mostrado que o neutrino tem massa.
Neutrinos são partículas subatômicas sem carga elétrica –daí o seu nome. Por muito tempo se considerava que eles não tivessem massa, o que significaria que não interagiriam gravitacionalmente com o resto do Universo.
Kajita e McDonald, porém, trabalhando em diferentes detectores de partículas, mostraram no fim da década de 1990 e começo dos anos 2000 que neutrinos que vinham do Sol na verdade afetam, ainda que de modo muito sutil, os objetos ao seu redor.
O neutrino é a segunda partícula mais abundante do Universo, perdendo apenas para o fóton, as partículas de luz. A todo segundo, bilhões de neutrinos cruzam o seu corpo.
Até por isso, e ainda mais sabendo que eles têm massa, são candidatos a constituintes da matéria escura –a matéria que representa 85% do Universo e interage gravitacionalmente com os objetos visíveis, mas que ninguém sabe direito o que é.
“A descoberta mudou nosso entendimento da matéria e pode se mostrar crucial na nossa visão do Universo”, apontou a comissão sueca responsável pelo Nobel.
Não confunda o neutrino com o nêutron, partícula presente no núcleo dos átomos. Reações nucleares no interior do Sol são grandes criadoras de neutrinos –a maior parte das partículas que chegam à Terra têm essa origem. Neutrinos também foram criados com o Big Bang e, na Terra, surgem em usinas nucleares e, em menor escala, até dentro do corpo humano, pela atividade radioativa do potássio.
O neutrino já esteve ligado a vários ganhadores de prêmios Nobel. Na década de 1930, o primeiro a especular sobre a sua existência foi o austríaco Wolfgang Pauli, laureado em 1945. O italiano Enrico Fermi, que ganhou o Nobel em 1938, foi quem formulou a teoria que estabelecia a relação entre o neutrino e outras partículas. Em 1956, o americano Frederick Reines foi um dos responsáveis pela demonstração experimental da existência do neutrino –ele ganhou o prêmio de 1995.
Os pesquisadores descobriram que o neutrino tem massa a partir de um problema: as teorias da física previam que uma determinada quantidade de neutrinos deveria chegar à Terra a partir do Sol, mas os nossos detectores só recebiam um terço desse valor.
Quem estaria roubando os neutrinos no meio do caminho? A resposta passa pela constatação de que há três tipos de neutrino. Os físicos curiosamente chamam os diferentes modelos de “sabores”. São eles: o neutrino do elétron, o neutrino do múon e o neutrino do tau.
O que se sabia era que o Sol produzia apenas o primeiro tipo, o neutrino do elétron, e era esse “sabor” específico que os detectores estavam procurando.
A sacada foi imaginar que talvez, no caminho, os neutrinos do elétron estivessem se transformando em outros tipos de neutrino, não sendo assim enxergados pelos detectores. Sacada um tanto ousada, porque tal transformação só poderia acontecer, mostravam os modelos teóricos dos físicos, se os neutrinos tivessem massa, o que ainda não era aceito.
Dois grandes detectores no Japão e no Canadá, liderados por Kajita e McDonald, demonstraram que estávamos recebendo neutrinos do Sol de sabores que não eram produzidos nas reações nucleares desse astro. Ou seja, havia mudança de sabor no caminho –fenômeno que ficou conhecido como “oscilação de neutrino”. Se há tal mudança, fica estabelecido que o neutrino tem massa.
Os cientistas entendem tudo da luz de Cherenkov –o tanque japonês tem mais de 11 mil detectores, por todos os lados do tanque, prontos para medir esses flashs. A partir do seu formato e intensidade, é possível saber qual “sabor” de neutrino passou por ali e de onde ele estava vindo antes da colisão.
A partir da operação dos detectores no Japão e no Canadá, ficou demonstrado que não era que os neutrinos estavam desaparecendo no caminho entre o Sol e a Terra. Eles apenas estavam mudando de “sabor” –e equipamentos adequados poderiam detectar isso.
Não se sabe ainda qual é exatamente a massa do neutrino. Só se sabe que é muito pequena.
NOBEL
Os físicos dividirão um prêmio de 8 milhões de coroas suecas, que equivalem a R$ 3,8 milhões. O dinheiro provém de um fundo deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901.
Na segunda-feira (5), foi concedido o Prêmio Nobel da Medicina ou Fisiologia. O irlandês William Campbell e o japonês Satoshi Omura foram premiados por criarem novas terapias contra verminoses; a chinesa Youyou Tu, por seu trabalho contra a malária.

10.849 – Nobel de Medicina 2015 vai para pesquisas em doenças de países pobres


nobel medicina 2015
Pelas descobertas ligadas a uma nova terapia contra a malária, a chinesa Youyou Tu, de 84 anos foi premiada.
Ela dividirá o prêmio com os cientistas William Campbell, 85, irlandês radicado nos EUA, e o japonês Satoshi Omura, 80. Eles receberão a outra metade do prêmio pelas descobertas ligadas a uma nova terapia contra infecções causadas por vermes.
Omura foi pioneiro em uma área que ele mesmo classificou como entediante: isolar bactérias provenientes do solo. Entre alguns milhares de tentativas, ele separou 50 culturas de bactérias promissoras –no sentido de produzir compostos antimicrobianos– do gênero Streptomyces.
Já Campbell isolou o princípio ativo responsável por curar verminoses em animais. A molécula ficou conhecida como avermectina. A partir dela foi desenvolvida outra, a ivermectina, que trata várias verminoses tanto em homens quanto em animais domésticos e de fazendas.
Omura disse, em conferência, que “só tomou emprestado o poder dos micróbios”.
Com os achados, doenças como a filariose e a oncocercose passaram a ter um tratamento eficaz. A filariose é uma doença transmitida por mosquitos e causada por um verme (filária) que se aloja por anos no sistema linfático, e, quando se manifesta, provoca deformações e inchaço, principalmente dos genitais e das pernas. Grande parte dos casos estão na Índia e na África, mas também há casos em outras partes do mundo.
A doença não é fatal, mas ela incapacita e traz estigma social por conta da aparência alterada, afirma o professor titular de infectologia da Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia Aluisio Augusto Segurado.
A oncocercose, também conhecida como cegueira dos rios, é transmitida por uma mosca e causada pelo verme Onchocerca volvulus. Ela provoca desfigurações e pode levar à cegueira. A maior parte dos casos estão na África. Em 1995, foi iniciado um programa de eliminação da doença no continente, com a distribuição de ivermectina.
A chinesa Youyou Tu conseguiu isolar a nova droga durante um projeto secreto do governo chinês.
Ela nasceu em 1930 na cidade de Ningbo, na província chinesa de Zhejiang. Durante a guerra entre o Vietnã do Norte, aliado chinês, e Vietnã do Sul, a malária era a principal causa de mortalidade em ambos os países. A cloroquina, melhor droga disponível na época, já estava criando resistência nos parasitas.
A missão de Tu começou no final da década de 1960: ela e seu time pesquisaram mais de 2.000 receitas da e chegaram a 380 extratos, que foram testados em camundongos. Um deles, para febre intermitente (característica da malária), mostrou-se promissor. A planta era a Artemisia annua, e o princípio ativo ficou conhecido como artemisinina.
O trabalho só foi publicado em 1977, ao término das restrições impostas pelo governo. A pesquisadora era pouco conhecida na área até o início do século 21 –seu nome só surgiu após pesquisas em documentos históricos do governo chinês.
Atualmente a artemisinina é o único recurso disponível para os casos mais graves de malária –as formas mais agressivas do Plasmodium já ganhavam resistência à cloroquina, droga bastante utilizada.
Há alguns anos Youyou Tu vinha ganhando prêmios e o nome de dela sendo cogitado para o Nobel, já que a malária, apesar de ser uma doença tropical, goza do status de problema global.
A surpresa, na avaliação de Segurado, foi a outra metade do prêmio ser dada a doenças que afetam principalmente países africanos e pobres como a Índia. “Os vencedores são desbravadores, pioneiros isolados que se dedicaram à pesquisa de doenças negligenciadas”, diz. “São doenças que afetam o um bilhão de pessoas mais pobres do mundo.”
Para o professor de infectologia da Unifesp Celso Granato, a meta é achar uma política que contemple o desenvolvimento tanto das drogas que geram lucro para as indústrias farmacêuticas quanto daquelas que grande parte da população mundial precisa. E aí onde estaria o mérito dos vencedores deste ano.
Os vencedores dividirão 8 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 3,8 milhões. O dinheiro provém de um fundo deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901.
Foram recebidas 380 indicações para o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina do ano de 2015. A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele(s) que tenha(m) feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.
Entre as descobertas premiadas no passado estão a descoberta da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953), e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).

nobel 2015

11.795 – Prêmio Ig Nobel 2015 – Ferroada no pênis e ‘frangossauro’ são destaques


ignobel
Encaixar próteses de caudas de dinossauros em galinhas, estudar a possibilidade de cuidar de 888 crianças e descobrir quais pontos são os mais doloridos para uma abelha picar estão entre os estudos vencederes da edição deste ano do prêmio Ig Nobel.
Os prêmios, paródias do prêmio Nobel original, são dados todos os anos para os resultados mais inusuais ou triviais obtidos por uma pesquisa científica.
Dos vencedores deste ano, nenhum era mais merecedor que o aluno de doutorado Michael Smith, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, que testou os níveis de dor após ferroadas de abelha em 25 regiões de seu corpo. Os três mais doloridos foram na narina, no lábio superior e no pênis.
Em artigo na revista científica “PeerJ”, Smith disse: “Para a maior parte das regiões, a profundidade da ferroada pode ser importante, porque a pele é muito pouco espessa nos genitais, e também na face. As ferroadas na narina foram especialmente violentas, e imediatamente induziram espirros, lacrimejamento e um grande fluxo de muco.”
O estudo com galinhas foi conduzido para investigar a ideia de que pássaros realmente seriam os remanescentes dos dinossauros que conseguiram evitar ser extintos por um impacto de um meteoro a 65 milhões de anos atrás.
Cientistas liderados por Bruno Grossi, da Universidade do Chile em Santiago, conectaram caudas artificiais a galinhas e observaram que os pássaros começaram a adoar uma postura de dinossauros terópodes –como os tiranossauros e seus parentes.
O centro de gravidade das galinhas mudou e os pássaros adotaram um jeitão de de andar e de mexer o quadril como um dinossauro faria.
“A adição de uma cauda artificial pode produzir mudanças posturais e de locomoção em galinhas, consistente com aquilo que a cinemática [estudo do movimento] infere de dinossauros não-voadores”, escreveram os autores na revista “PlosONE”.
Ainda entre os vencedores estão os autores do estudo intitulado “O Caso de Mulay Ismael – Verdade ou Mito?”. Mulay Ismael, conhecido como Moulay, o Sedento por Sangue reinou como imperador do Marrocos entre 1672 e 1727. Assim como sede por sangue, ele tinha outros apetites, ao que tudo indica –teria tido nada menos que 888 filhos.
Os antropólogos Elisabeth Oberzaucher e Karl Gramme, da Universidade de Viena, desenvolveram um programa de computador para testar se tal feito de paternidade seria possível. Cálculos foram feitos tentando estimar quantas cópulas por dia seriam necessárias para produzir o sucesso reprodutivo, tanto com um “banco de parceiras” irrestrito quanto com um harém pessoal.
Os “troféus” foram entregues na noite desta quinta (17 de setembro) na Universidade Harvard.

10.659 – Nobel 2014 – O de Química vai para microscopia que permite enxergar funcionamento das células


nobel química 2014

O cientista americano William Moerner estava em um hotel no Recife quando recebeu um telefonema de sua mulher, às 7h: havia recebido o Nobel de química.
Segundo afirmou ao site do Nobel, Moerner ficou sem saber o que fazer: ainda participaria, pela manhã, das atividades de um workshop sobre a interação entre a luz e a matéria na Universidade Federal de Pernambuco, mas acabou ficando no hotel para atender aos jornalistas.
“Muitas coisas mudam de repente quando você recebe notícias incríveis como essa, e estou muito feliz pelo reconhecimento do campo e dos cientistas em muitos lugares do mundo que contribuíram para esse esforço.”
O prêmio deste ano em química foi dado a Moerner, da Universidade Stanford, e outros dois pesquisadores, Eric Betzig, do Instituto Médico Howard Hughes, e o alemão Stefan Hell, do Instituto Max Planck. Os três, trabalhando separadamente, superaram um limite da ciência estabelecido em 1873: quão pequeno pode ser um organismo vivo visto por um microscópio.
No século 19, o alemão Ernst Abbe encontrou o limite físico para a resolução da microscopia tradicional, que usa luz para formar imagens: 0,2 micrômetro, mais ou menos o tamanho de uma mitocôndria, uma estrutura interna de uma célula. Esse cálculo levou em conta o comprimento de onda da luz visível.
Assim, era possível ver o contorno dessas estruturas, mas não os processos químicos que acontecem dentro delas, muito menos vírus, que são ainda menores.
A alternativa disponível, a partir da década de 30, para registrar imagens dessas estruturas muito pequenas era usar microscopia eletrônica, que não trabalha com luz e sim com elétrons. O problema é que ela não pode ser empregada em estruturas vivas –o processo requer uma amostra estática e, na maioria das vezes, fatiada.
A solução foi usar fluorescência: fazer as moléculas das células brilharem e captar esse brilho de modo a aumentar o foco e a resolução do microscópio.
Em 2000, Stefan Hell desenvolveu um método que usa dois feixes de laser: um estimula o brilho de moléculas fluorescentes, e o outro elimina todo o brilho que não esteja na escala desejada.
Assim, é possível fazer uma varredura só no nível nanométrico (bilionésima parte do metro).
Betzig e Moerner criaram um método para estudar molécula por molécula, ligando e desligando o brilho em cada uma delas e registrando séries de imagens da mesma amostra. A sobreposição das imagens cria um registro de altíssima resolução.
Com o trabalho dos três, tornou-se possível ver como as células funcionam e o que acontece quando elas estão doentes. Hell, por exemplo, estudou as ligações entre os neurônios no cérebro; Moerner analisou proteínas ligadas à doença de Huntington e Betzig pesquisou a divisão celular em embriões.

10.658 – Nobel de Medicina 2014 – Ciência não tem pátria


nobel 2014

Em entrevista à “BBC”, O’Keefe, que trabalha no University College de Londres, disse que o atual sistema “é um obstáculo muito grande” na hora de contratar novos cientistas e que as proibições de investigar com animais são um problema.
O americano e os colegas noruegueses May-Britt Moser e Edvard I. Moser receberam o Nobel pelo descobrimento das “células que constituem o sistema de posicionamento do cérebro”, algo que concluíram através de ratos.
Em seu atual cargo como diretor do novo Centro Wellcome Sainsbury para a pesquisa de circuitos neuronais e comportamento, o especialista deve contratar cerca de 150 neurocientistas.
“A ciência é internacional, os melhores cientistas podem vir de qualquer parte, daqui do lado ou de um povo em um país de qualquer parte do mundo, temos que facilitar as coisas”, disse.
O especialista ressaltou que isso é necessário para que o Reino Unido possa manter o nível atual de pesquisa de ponta, assim como manter a flexibilidade quanto a certos experimentos com animais.
“É um fato indiscutível, se quisermos fazer progressos em áreas básicas da medicina e a biologia vamos ter de usar animais. Existe a preocupação que com a nova regulação possa começar a ser mais difícil “, analisou, em alusão a medidas previstas para reduzir o uso de animais em ciência.
Em resposta às declarações de O’Keefe, um porta-voz do Ministério do Interior garantiu que, “apesar de o governo não ter aplicado medidas duras contra os abusos (de imigração), o número de pessoas verdadeiramente qualificadas que vêm ao Reino Unido para preencher vagas aumentou”.

9092 – Mega de Olho no Nobel 2013 – Pesquisadores que revelaram mecanismo de transporte celular ganham Nobel de Medicina


Cada célula do corpo humano funciona como uma fábrica, que produz uma série de moléculas e as distribui para o resto do corpo. Algumas células, por exemplo, são responsáveis por produzir a insulina e a liberar na corrente sanguínea. Entre o processo de fabricação e entrega da substância, no entanto, existe um mecanismo de transporte extremamente preciso, que garante que a carga seja liberada na hora e no local exatos. O Prêmio Nobel de Medicina de 2013 foi entregue nesta segunda-feira, em Estocolmo, para três cientistas que revelaram como, exatamente, esse complexo mecanismo de transporte funciona.
O pesquisador americano Randy Schekman descobriu quais genes são necessários para que o mecanismo funcione corretamente. James Rothman, outro americano, revelou como funcionam as proteínas que fazem com que as moléculas sejam entregues em seus alvos exatos. E o alemão Thomas Südhof mostrou quais os sinais químicos que induzem as cargas a serem liberadas no momento certo, com a precisão de um relógio. Juntos, revelaram a complexa maquinaria que faz com que as células cumpram sua função no corpo humano.
Os pesquisadores costumam comparar o interior da célula com um porto grande e muito movimentado, onde uma série de cargas é transportada de um lado para outro e precisam ser entregues nos contêineres e barcos corretos. Para que isso ocorra, é necessário um sistema de transportes milimetricamente planejado, do contrário as cargas são enviadas nas direções erradas ou simplesmente ficam paradas, acumulando-se indefinidamente. Do mesmo modo, as células são compostas por uma série de componentes diferentes, chamados organelas, que precisam produzir e receber moléculas em momentos exatos. O transporte dessas moléculas é realizado por pequenas estruturas em formato de bolha — chamadas de vesículas — que são capazes de se fundir com as diversas organelas no interior da célula, liberando a carga.
Se a entrega não for feita na localização e no tempo precisos, isso pode dar origem a uma série de disfunções, como o diabetes, doenças neurológicas ou distúrbios imunológicos. Os neurônios, por exemplo, produzem moléculas chamadas neurotransmissores, que são usadas para se comunicar com outras células nervosas e transmitir seus sinais adiante. Se eles não conseguirem realizar essa transmissão no momento certo, não conseguem cumprir com sua própria razão de existir.
ames Rothman realizou suas pesquisas nas décadas seguintes, durantes os anos 1980 e 1990. Ele estudava o transporte dentro das células de mamíferos e, mais precisamente, o mecanismo pelo qual as vesículas realizavam a entrega de suas cargas. Os pesquisadores já sabiam que, para fazer isso, elas precisavam se fundir com seus alvos, fossem eles outras organelas no interior da célula ou a própria membrana exterior. O que Rothman descobriu foi a existência de um grande complexo de proteínas que permite essa fusão, fazendo com que as duas membranas se juntassem como uma espécie de zíper.
Ele também revelou que o fato de existirem muitas organelas diferentes no interior da célula, cada uma com membrana diferente, fazia com as vesículas possuíssem diversas cadeias de proteínas, garantindo que elas só se fundissem em combinações específicas, e as cargas fossem entregues somente nos locais planejados. Os pesquisadores ficaram surpresos ao entender que as proteínas descobertas por Rothman eram criadas, justamente, por alguns dos genes revelados por Schekman, mostrando que o sistema de transporte intracelular tem uma origem extremamente antiga, anterior tanto ao homem quanto às leveduras.
O alemão Thomas Südhof estudava o mecanismo pelo qual as células nervosas se comunicavam umas com as outras. Ele sabia que os neurotransmissores eram produzidos no interior das células e carregados pelas vesículas, que se fundiam com a membrana no exterior do neurônio usando o mecanismo descrito por Rothman e Schekman. O que o fascinava, no entanto, era o fato de os neurotransmissores só serem liberados no momento exato em que o neurônio desejava passar seu sinal para o vizinho. Se a transmissão acontecesse antes ou depois, a comunicação enfrentaria sérias dificuldades.
Nos anos 1990, os pesquisadores já sabiam que íons de cálcio estavam, de alguma forma envolvidos nesse processo, o que levou Südhof a procurar no interior das células por proteínas que fossem sensíveis ao cálcio. Assim, ele acabou encontrando mecanismos moleculares que respondiam de forma imediata ao aumento de íons de cálcio dentro dos neurônios, levando rapidamente à fusão das vesículas com a membrana no exterior da célula. Desse modo, conseguiu explicar como os neurônios fazem com que seus neurotransmissores sejam entregues no momento exato em que precisam se comunicar.
Juntos, os três pesquisadores agraciados com o Nobel de Medicina descreveram o mecanismo extremamente preciso de transporte celular, que permite que as moléculas sejam carregadas no interior das células e entregues nos locais certos, nos momentos certos. Sem o sistema descrito, as células entrariam em colapso, e a existência do homem seria impossível.

JAMES ROTHMAN
James E. Rothman nasceu em 1950 na cidade de Haverhill , nos Estados Unidos. Ele recebeu seu PhD na Faculdade de Medicina de Harvard em 1976, mas iniciou as pesquisas que levariam ao Nobel na Universidade de Stanford em 1978. Em 2008 , Rothman passou a lecionar na Universidade de Yale, onde é diretor do Departamento de Biologia Celular .

RANDY SCHEKMAN
Randy W. Schekman nasceu 1948, em St Paul , nos Estados Unidos. Ele obteve seu doutorado na Universidade de Stanford em 1974, sob a supervisão de Arthur Kornberg (vencedor do Prêmio Nobel de 1959), no mesmo departamento em que Rothman se juntou alguns anos mais tarde . Em 1976, Schekman se transferiu para o corpo docente da Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde atualmente é professor do Departamento de Biologia Molecular e Celular.

THOMAS SUDHOF
Thomas C. Südhof nasceu em 1955 em Gotinga, na Alemanha. Ele estudou na Universidade de Gotinga, onde recebeu o doutorado em 1982. Após se mudar para os Estados Unidos, Südhof se tornou pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes em 1991 e foi nomeado professor de Fisiologia Molecular e Celular da Universidade de Stanford em 2008.

9079 – Mega de ☻lho no Nobel – Nobel da Paz de 2013


Armas químicas mataram milhares de inocentes. Não ousamos a colocar as fotos, são realmente chocantes…

Foi concedido à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira em Oslo, na Noruega. O Comitê do Prêmio justificou a escolha mencionando os “extensos esforços” da organização na luta pelo fim das armas químicas.
Criada em 1997 com o objetivo de ser o “cão de guarda” responsável para fazer a valer a Convenção sobre Armas Químicas de 1993 – que baniu a fabricação e estocagem desse tipo de armamento -, a Opaq recebeu destaque nas últimas semanas depois que o uso de gases tóxicos contra a população síria quase provocou uma intervenção dos Estados Unidos na guerra civil que assola o país do Oriente Médio. O prêmio também ocorre justamente vinte anos depois da assinatura da convenção.
Recentemente, funcionários da organização analisaram amostras recolhidas por funcionários das Nações Unidas que investigaram o uso de armas químicas em um subúrbio de Damasco – uma ação que resultou na morte de mais de mil pessoas em 21 de agosto. Após as análises, técnicos apontaram o uso de gás sarin no ataque.
Nos últimos dez dias, duas equipes de inspetores da Opaq passaram a supervisionar a destruição do arsenal químico da Síria, depois que o ditador Bashar Assad concordou em entregar suas armas por causa das ameaças dos EUA e a assinatura de um tratado proposto pela Rússia. Estimativas de serviços de inteligência apontam que a Síria possui cerca de mil toneladas de armas químicas.
Ao justificar a escolha, o comitê do prêmio, na Noruega, afirmou em comunicado que “os recentes acontecimentos na Síria, onde as armas químicas foram novamente colocadas em uso, enfatizam a necessidade de aumentar os esforços para acabar com essas armas”.
Segundo números da organização, após a Guerra Fria a Rússia mantinha 40.000 toneladas de armas desse tipo, e os EUA, 30.000 toneladas. Com a ajuda da organização, a Rússia destruiu até o momento 75% desse arsenal, e os EUA, 90%. De acordo com a organização, 81,7% das armas químicas declaradas pelos estados-membros da convenção foram destruídas desde que a Opaq começou a funcionar, em 1997. A Opaq também já realizou mais de 5.000 inspeções em 86 países. Em seu comunicado, o comitê do Nobel mencionou que a Rússia e os EUA ainda não completaram a destruição de seus arsenais.

A convenção que deu origem à Opaq foi ratificada nos últimos anos por 189 países (190, se incluída a recente adesão da Síria, que ainda não foi totalmente formalizada). Apenas seis estados, entre eles Israel, Egito, Coreia do Norte e Angola não assinaram ou ratificaram o tratado.

Baseada em Haia, na Holanda, a organização emprega cerca de 500 pessoas, e é chefiada pelo turco Ahmet Uzumcu. O orçamento anual é de 74 milhões de euros (219 milhões de dólares), custeado pelos estados-membros, em um esquema similar de financiamento ao que existe na Organização das Nações Unidas (ONU) – apesar das duas organizações cooperarem mutuamente, a Opaq é totalmente independente.

internacional-ataques-armas-quimicas

O primeiro diretor da Opaq foi o brasileiro José Maurício Bustani, que atualmente serve como embaixador do Brasil na França. Em abril de 2002, ele acabou deixando o cargo após pressão dos EUA, que à época, em um episódio controverso, pediram sua destituição ao acusá-lo de exceder as funções da organização. À época, a Opaq negociava com o regime do ditador iraquiano Saddam Hussein para a inspeção do seu suposto arsenal químico, e os EUA já se movimentavam para invadir o país.
Após o anúncio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, parabenizaram a Opaq pelo prêmio. Ban disse que os recentes episódios na Síria mostram que as armas químicas continuam um “perigo real e imediato”.
Esta foi a segunda vez seguida que o Comitê do Nobel optou por laurear uma instituição. No ano passado, a União Europeia levou a honraria por “colaborar com o estabelecimento da democracia e dos direitos humanos no continente”. Apesar da escolha ser imprevisível, muitos apostavam que o prêmio deste ano iria para a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, de 16 anos. Defensora do direito das meninas de seu país à educação, Malala sobreviveu a um atentado do Talibã no ano passado e venceu o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos, concedido pelo Parlamento Europeu, nesta semana.
Segundo o canal de televisão norueguês NRK, que noticiou a vitória da Opaq minutos antes do anúncio oficial, o Comitê decidiu não premiar Malala por causa de sua juventude, suas poucas conquistas e pelo temor de que a honraria a transformasse em um alvo ainda maior de terroristas.
A entrega do Prêmio Nobel será realizada, segundo a tradição, em 10 de dezembro, em Oslo.

9072 – Mega de ☻lho no Nobel – Nobel de Física de 2013


☻ Não poderíamos estar falando de Ciência o ano todo e ficar alheio ao maior evento científico de todos os tempos, a premiação do Nobel.

Pesquisadores que previram bóson de Higgs ganham Nobel de Física

Os físicos François Englert e Peter Higgs receberam o Prêmio Nobel de Física de 2013, como reconhecimento à teoria que explica como as partículas subatômicas adquirem massa. Em 1964, os dois propuseram a teoria de forma independente um do outro. Em 2012, quase cinquenta anos depois, suas ideias foram finalmente confirmadas pela descoberta de uma partícula conhecida como bóson de Higgs no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de partículas do mundo. A descoberta era a última peça que faltava para confirmar o modelo padrão da física de partículas, que descreve como o mundo funciona em suas estruturas mais básicas, menores do que os próprios átomos.
De acordo com o modelo padrão, tudo — de pessoas a estrelas — é composto por apenas algumas partículas minúsculas de matéria, como os elétrons e os quarks. Essas partículas são governadas por uma série de forças que as permite interagir entre si: a gravidade, o eletromagnetismo , a interação fraca e a interação forte dos átomos. Até os anos 1960, no entanto, os pesquisadores não conseguiam explicar como algumas partículas ganhavam massa, e outras não. Sem essa massa, partículas como elétrons e quarks se comportariam como os fótons, as partículas de luz, e correriam livres pelo Universo — sem a capacidade de se aglutinarem e formarem átomos ou moléculas. Em outras palavras, toda a matéria entraria em colapso e nada existiria.

Tanto François Englert quanto Peter Higgs eram jovens cientistas quando, em 1964, formularam a teoria que iria resgatar o modelo padrão do descrédito. Suas ideias foram formuladas de forma independente, cada um em seu laboratório (Englert teve a colaboração do físico Robert Brout, morto em 2011), mas elas tocavam em pontos semelhantes. Ambos previram a existência de um campo invisível percorrendo todo o espaço — que viria a ser conhecido, de forma um pouco injusta com Englert, como o “campo de Higgs” — que seria responsável por dar massa às partículas. Aquelas que interagissem com ele, como os elétrons, ficariam mais pesadas, e aquelas que não sentissem seus efeitos, como os fótons, se locomoveriam livremente, na velocidade da luz.
Segundo a teoria, que seria desenvolvida por vários outros cientistas ao longo das décadas, no momento do Big Bang todas as partículas não possuíam massa. No entanto, nos primeiros trilionésimos de segundo após o início do Universo, algo aconteceu com o campo de Higgs, fazendo com que ele perdesse seu equilíbrio original e passasse a interagir com as partículas — permitindo que toda a matéria visível surgisse. Para comprovar a teoria, os pesquisadores precisavam encontrar o bóson de Higgs, uma partícula criada a partir de vibrações nesse campo. Durante as décadas seguintes, no entanto, ela se recusava a aparecer nas diversas pesquisas realizadas ao redor do mundo.
Foram necessários quase cinquenta anos de pesquisas, realizadas por milhares de cientistas nos laboratórios mais avançados do planeta, para que provas de sua existência fossem finalmente alcançadas. As evidências foram encontradas em detectores de partículas instalados 100 metros abaixo do solo, na fronteira franco-suíça, no LHC.
Ali, dois grupos de pesquisa com cerca de 3.000 cientistas cada um, o Atlas e o CMS , vinham incessantemente lançando prótons uns contra os outros a velocidades próximas à da luz e procurando, entre os destroços das colisões, o bóson de Higgs. Finalmente, no dia 4 de julho de 2012 , os cientistas anunciaram para o mundo a descoberta da partícula — François Englert e Peter Higgs estavam na plateia, visivelmente emocionados.
Com o anúncio, os físicos finalmente colocaram a peça que faltava para montar o quebra-cabeça do modelo padrão, confirmando os fundamentos da teoria. Isso não quer dizer, no entanto, que o quebra-cabeça cósmico está completo. O LHC ainda deve continuar sendo usado nos próximos anos, para analisar questões que o modelo padrão não aborda ou não consegue explicar completamente. A teoria, por exemplo, afirma que os neutrinos são partículas praticamente sem massa, mas estudos recentes têm mostrado que isso não é verdade.
Além disso, o modelo descreve apenas a matéria visível do Universo — o que representa apenas um quinto de tudo compõe o cosmos. Um dos grandes mistérios da ciência hoje em dia é descobrir os componentes da matéria escura, que mantém todas as galáxias unidas, mas é invisível a partir da Terra. Como se vê, o Nobel de Física coroa uma enorme pesquisa, de quase meio século de duração, que confirma a teoria mais completa já feita para explicar o cosmos. No entanto, ainda há muito a ser descoberto, e muitos prêmios a serem distribuídos.

PETER HIGGS
Nascido na cidade de Newcastle, na Inglaterra, em 1929. Adquiriu seu Ph.D na Universidade de Londres, em 1954. Hoje, é professor emérito da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido.

FRANÇOIS ENGLERT
Nascido em 1932, na cidade de Etterbeek, na Bélgica. Ele conseguiu seu Ph.D em 1959 na Universidade Livre de Bruxelas, onde é professor emérito até os dias hoje.

Glossário:
MODELO PADRÃO
O Modelo Padrão é a melhor descrição do mundo subatômico. Existem outras, mas nenhuma que tenha tido tanto sucesso em experimentos para prever e descrever as partículas e as forças de suas interações.

BÓSON DE HIGGS
O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Após décadas de procura, os físicos ainda não conseguiram nenhuma prova de que ela exista. O Higgs é importante porque a existência dele provaria que existe um campo invisível que permeia o universo. Sem o campo, ou algo parecido, nada do que conhecemos existiria. Os cientistas não esperavam detectar o campo, mas sim uma deformação nele, chamada bóson de Higgs.

LHC
O Grande Colisor de Hádrons (do inglês Large Hadron Collider, LHC) é o maior acelerador de partículas do mundo, com 27 quilômetros de circunferência. Ele pertence ao Cern, o centro europeu de pesquisas nucleares. Em seu interior, partículas são aceleradas até 99,9% da velocidade da luz.

9071-Nobel de Química de 2013 – Trio leva Nobel por criar programas de computador que preveem reações químicas


O austríaco Martin Karplus, 83, da Universidade Harvard, o britânico Michael Levitt, 66, da Universidade Stanford e o israelense Arieh Warshel, 73, da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles foram laureados com o Nobel de Química na manhã desta quarta-feira (9 de outubro de 2013).
O trabalho dos três envolve a criação de modelos de computador que preveem como acontecem as reações químicas. A academia de ciências sueca comparou os estudos do trio a levar a química do tubo de ensaio ao cyberespaço.
As reações químicas acontecem muito rápido dentro do tubo de ensaio, por isso é difícil saber os detalhes do processo. Aí entram as simulações de computador.
Antes dos trabalhos dos laureados, os químicos usavam ou a mecânica clássica –que dava a posição dos átomos nas substâncias químicas mas não previa seu comportamento durante as reações químicas, quando as moléculas estão cheias de energia e os átomos estão em “movimento”– ou a mecânica quântica, que permite enxergar esses detalhes mas requer computadores poderosos demais, pela sua complexidade.
A física quântica, que lida com o mundo das partículas subatômicas, permite “parar o tempo” e saber em detalhes como certos átomos em uma proteína do corpo vão reagir com um medicamento, por exemplo.
O trio conseguiu usar, para a análise da mesma molécula, a mecânica quântica para as partes cruciais das ligações químicas e a mecânica clássica para as partes menos importantes, que precisam de análises menos detalhadas, viabilizando o uso das simulações de computador.
A academia de ciências sueca comparou o funcionamento dessas simulações a uma fotografia. No centro, onde está o rosto da pessoa retratada, é preciso ter alta resolução, um número grande de pixels para que se vejam os detalhes. Nos cantos da imagem, não é preciso usar tanta memória de computador para fazer o registro.
Esse trabalho começou nos anos 70 e permitiu desvendar, por exemplo, o funcionamento das enzimas, substâncias que regulam e facilitam as reações químicas nos seres vivos. Como elas são muito grandes e seu estudo pediria um poder computacional muito grande, os programas desenvolvidos pelo trio foram fundamentais para elucidar como elas agem.
Os programas de computador criados por eles são usados pela indústria farmacêutica para desenvolver medicamentos e também para criar células fotoelétricas usadas no aproveitamento da energia solar, por exemplo.

Os cientistas vão dividir o prêmio de US$ 1,25 milhão.