13.411 – Os erros mais comuns de português na hora de escrever uma redação


teste-de-portugues
Saber argumentar e ser coerente é essencial para um bom texto. Mas, segundo a professora de redação do Cursinho do XI, Vivian D’Angelo Carrera, o maior problema das redações da maioria dos alunos ainda são os erros gramaticais.
Erros ligados à semelhança sonora:

“Isso não tem haver” no lugar de “Isso não tem a ver”.

“Ele não sabe lhe dar com o problema” em vez de “Ele não sabe lidar com o problema”.

“As pessoas encontrão situações complicadas” no lugar de “As pessoas encontram situações complicadas”.

“A situação foi mau resolvida” e “ Ele é um mal elemento” no lugar de “A situação foi mal resolvida” e “ Ele é um mau elemento”. (“Mau” é o oposto de “bom“; “mal” é o oposto de “bem“. Na dúvida, troque a palavra pelo seu oposto e veja qual se encaixa melhor).

“O governo não investe como deveria em educação, mais cobra muitos impostos” em vez de “O governo não investe como deveria em educação, mas cobra muitos impostos”.

Outros erros do tipo: consiente (consciente), siguinificar (significar), extresse (estresse), supérfulos (supérfluos).

Há também os erros envolvendo junção de elementos: incomum (em comum), concerteza (com certeza), encontra partida (em contrapartida), apartir (a partir), porisso (por isso).

Erros causados pelo mau uso das regras gramaticais:

Uso do onde (pronome relativo de lugar) ligando ideias que não têm a ver com lugar.

“A amizade é algo presente na vida de todos, onde muitos se esquecem disso”.

Mau uso dos pronomes demonstrativos

“É necessário conhecer as próprias limitações. Isto deve ser feito aos poucos”. (O correto seria isso, por fazer referência a uma ideia anteriormente apresentada. “Isto” deve ser usado quando se refere a uma ideia que será apresentada em seguida).

“A população conhece os problemas do Brasil, e a mesma também sabe como resolvê-los. (Apesar de muita gente usar, o pronome mesmo não pode substituir um substantivo. O correto seria “A população conhece os problemas do Brasil, e ela também sabe como resolvê-los.”).

Erros de concordância com verbos que não permitem o plural ou uso de singular quando o verbo deve ir para o plural.

“Fazem dois anos que ninguém resolve o problema.” (Os verbos fazer e haver, quando indicam tempo cronológico, não se pluralizam).

O correto seria: “Faz dois anos que ninguém resolve o problema”.

“Encontra-se saídas” em vez de “Encontram-se saídas”. (Neste caso, o verbo concorda com o sujeito. Na dúvida, veja se dá para usar a voz passiva: “Saídas são encontradas”. Se for possível, o verbo deve ir para o plural).

Obs.: O verbo ter, para concordar com o sujeito plural, recebe acento circunflexo.

As pessoas têm o direito de votar.

Erros de regência

“Desigualdade social implica em desemprego” em vez de “Desigualdade social implica desemprego”. (Implicar é transitivo direto no sentido de acarretar).

Pleonasmo

“Aconteceu uma manifestação há dez dias atrás, então é necessário criar novas saídas para as discussões.” (Ou se usa há ou atrás. Criar e novas também trazem a mesma ideia, então o certo seria usar apenas uma das duas).

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13.251 – Português – Linguagem Coloquial


capoliglota
Compreende a linguagem informal, ou seja, é a linguagem cotidiana que utilizamos em situações informais, por exemplo, na conversa com os amigos, familiares, vizinhos, dentre outros.
Quando utilizamos a linguagem coloquial decerto que não estamos preocupados com as normas gramaticais, e por isso, falamos de maneira rápida, espontânea, descontraída, popular e regional com o intuito de interagir com as pessoas.
Dessa forma, na linguagem coloquial é comum usar gírias, estrangeirismos, abreviar e criar palavras, cometer erros de concordância, os quais não englobam as preocupações com a norma culta.
Para tanto, quando escrevemos um texto é muito importante que utilizemos a linguagem formal (culta), ou seja, gramaticalmente correta.
Isso é um problema que ocorre muitas vezes com os estudantes que tentam produzir um texto, e por estarem tão familiarizados com a linguagem falada, não conseguem se distanciar da maneira de falar.
Outro fator importante para apontar é que a linguagem utilizada pode identificar seu meio social, suas condições econômicas, dentre outros fatores.

13.174 – O que são Metáforas?


figurativo
Leia esses versos de Chico Buarque:
“Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira”.

Observe que o eu lírico mantém uma relação de similaridade entre os termos “boca” e “cadeado”, de modo que as características do “cadeado” (fechado) sejam atribuídas à “boca”. O mesmo ocorre entre os termos “corpo” e “fogueira” (ambos são quentes).

Existe aqui uma transferência da significação própria de uma palavra, no caso aqui “cadeado” e “fogueira”, para outra significação quem lhe convém graças a uma comparação existente no espírito do autor, ou seja, acontece de maneira implícita. A isso chamamos metáfora.

Veja outros exemplos de metáfora:

“O samba é o pai do prazer
O samba é filho da dor”.

(Caetano Veloso)

Nesses versos, o poeta faz referência a duas informações inerentes ao samba. Como “pai do prazer”, refere-se ao espírito festivo e contagiante que envolve a dança; como “filho da dor”, remete-nos a refletir sobre a origem do ritmo, dando ênfase ao sofrimento da raça negra desde o primeiro contato com o homem branco.

Os versos a seguir, de Cecília Meireles, apresentam um tipo diferente de metáfora:

“Pelos vales de teus olhos
de claras águas antigas
meus sonhos passando vão”.

Neste caso, “águas” e “vales” mantém uma relação de similaridade, fazendo-nos entender que os olhos de quem o eu lírico se refere estão marejados de lágrimas. Nesse caso, a metáfora aconteceu por substituição, ou seja, o vocábulo “águas” foi empregado no lugar de “vales”, evitando a repetição e adicionando mais um sentido a ela.
Em suma, metáfora é a figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra num sentido que não lhe é comum ou próprio, numa relação de semelhança entre dois termos.

13.172 – Linguística – O Português Arcaico


Se originou através da mistura entre os dialetos árabes e do latim, trazido à península ibérica durante a invasão muçulmana, dando, primeiro, origem ao galego-português, língua que mais tarde seria oficial em Portugal. Esta fase foi chamada de trovadoresca, e terminou em meados do século XIII.
Em uma fase seguinte, com os primeiros documentos escritos em língua portuguesa, temos o português arcaico. Iniciou-se o processo de diferenciação entre o português e o galego-português, e a separação entre o galego e o português, iniciada com a independência de Portugal no ano de 1185. Mais tarde esta separação se consolidaria ainda mais, principalmente com a expulsão dos mouros (1249) e com a derrota dos castelhanos (1385).
É importante saber que não há, no processo de evolução da língua, uma delimitação clara entre um período e outro. A divisão em períodos existe mais para fins didáticos, mas textos encontrados desta época contém elementos tanto do galego-português quanto do português propriamente dito e normatizado, pois os escritos são produzidos pelo povo, e a separação das duas línguas (galego e português) foi um processo que envolveu fatores sociais, políticos, históricos e linguísticos. Aos poucos a língua foi se transformando, a prosa literária foi se consolidando, e as normas foram surgindo.
Outro fator influente na evolução da língua foi a expansão do império português através das navegações que proporcionaram o contato com outras línguas, espalhando-se assim pela Ásia, África e América. Este processo aconteceu entre os séculos XIV e XVI, período em que a língua portuguesa foi sofrendo influências destas localidades, de onde trouxeram muitas palavras e expressões, incorporando-as à língua portuguesa.
Outra influência considerável foi a das línguas europeias, na mesma época, devido ao prestígio artístico-literário que estes países tinham. Muito da cultura dos países europeus foi trazido para Portugal, e a língua não poderia deixar de sofrer estas influências.
Com o Renascimento a língua recebeu elementos eruditos, influências do italiano e do grego, tornando-se ainda mais complexa.
O final deste período de evolução da língua foi marcado pela publicação do Cancioneiro Geral em 1516, por Garcia Resende.

13.042 – Parece, mas não é – Não confunda Ecúmeno com Ecumênico


Ecumenismo: É um processo de entendimento que reconhece e respeita a diversidade entre as igrejas. A ideia de ecumenismo é exatamente reunir o mundo cristão. Na prática, porém, o movimento compreende diversas religiões inclusive aquela não cristã.

Ecúmeno: É a área habitável ou habitada da Terra e apresentam condições adequadas à ocupação humana. Há também regiões de clima menos agradavél, e encontram, porém, ocupadas. Muitas cidades do Canadá e norte da Europa e da Ásia, por exemplo, apresentam invernos super rigorosos, mas, mesmo assim, suportáveis pelos seu moradores.

13.010 – Redação – O que é o resumo?


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O resumo pode ser considerado como uma leitura inteligente do texto que se pretende entender ou explorar resumidamente. A leitura inicial é uma forma de reconhecimento do texto, o leitor vai sentir as primeiras impressões do texto. Para uma boa leitura é preciso que se leia de forma atenta e deixe de lado seus preconceitos, usando a sua parte perceptiva e identificando-se com o corpo do texto. O que podemos chamar de diálogo com o texto.
Após a primeira leitura e impressões, que é um tipo de análise do todo, passa-se a segunda leitura que divide o texto em parágrafos. Leia todo o texto sem deixar páginas ou parágrafos. Agora o leitor observará e retirará as idéias centrais dos parágrafos, cuidado ao analisar os parágrafos, pegue somente as idéias centrais e deixe as secundárias em segundo plano. A cada parágrafo deve-se fazer anotações sobre as idéias principais e importantes, não polua suas anotações com opiniões de menos importância. A idéia principal é uma explicação inserida no parágrafo. Ao término da assinalação dos dados significativos, faça um confronto com uma nova leitura para observar suas anotações e o seu entendimento.
Leia suas anotações com atenção e expresse suas idéias mostrando o que entendeu do texto, em verdade integrando as idéias contidas no texto. Observação: não é uma cópia.
Evite algumas expressões do tipo:
“O autor descreve…”;
“Neste artigo, o autor descreve que…”;
“No texto o autor fala…”;
“Todos sabem…”;
“De acordo com alguns autores…”;
Gírias, frases muito longas (são passíveis de erros), “achismos”.
O resumo deve conter:
Título – o original do autor da obra original, quando só se usa um texto. Para dois ou mais textos pode-se criar um título.
Corpo do texto – é o desenvolvimento.
Elaborar a referência – você partiu de um texto, logo será sua referência. Consultar as normas da ABNT.

11.490 – Português – De onde vêm os termos magnífico, excelentíssimo e meritíssimo?


Do latim. Magnífico, que se refere aos reitores de universidades, vem de magnum – imponente, grandioso. Os juízes são tratados como meritíssimo, originário da palavra meritus, merecedor. Subentende-se que seja merecedor de confiança. Já excelentíssimo é um termo mais abrangente. Pode ser empregado para senadores, deputados e até para o presidente. A origem é o termo excellentem, traduzido como “aquele que eleva-se acima de”. Seria uma forma de distinguir alguns indivíduos no meio da multidão. O que não é possível precisar é a partir de quando essas palavras viraram uma forma de tratamento. É certo que foi em Portugal, mas não se sabe em que século. “Não existe dicionário histórico-etimológico da Língua Portuguesa”.

11.260 – Silogismos no dito Popular – A voz do povo é a voz de Deus?


Tanto Faz
“O povo não está preparado para ideias novas capazes de mudar nosso destino e traçar um novo caminho. O Brasil não precisa da voz do povo, precisa, sim, da voz da razão, que irá mostrar o caminho certo para essa grande nação.”
Karla Alves da Silva, economista da Universidade Católica de Brasília

Pode Ser
“Muito do que vimos até agora sugere que um grande grupo de indivíduos diversos vai tomar decisões melhores e mais consistentes do que o mais qualificado ‘tomador de decisões’.”
James Surowiecki, no livro A Sabedoria das Multidões

Cuidado com Ela
“A democratização excessiva do sistema leva os políticos a procurar agradar aos eleitores a qualquer preço, vivendo no pânico obsessivo dos falsos passos que possam precipitar a sua queda.”
Fareed Zacharia, no livro O Futuro da Liberdade

7420 – Quais as novas regras do Português?


Alfabeto
Nova Regra
O alfabeto será formado por 26 letras
Como é
As letras “k”, “w” e “y” não são consideradas integrantes do alfabeto
Como será
Essas letras serão usadas em unidades de medida, nomes próprios, palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos: km, kg, watt, playground, William, Kafka, kafkiano.

Trema
Nova regra
Não existirá mais o trema na língua portuguesa. Será mantido apenas em casos de nomes estrangeiros. Exemplo: Müller, mülleriano.
Como é
Agüentar, conseqüência, cinqüenta, freqüência, tranqüilo, lingüiça, bilíngüe.
Como será
Aguentar, consequência, cinquenta, frequência, tranquilo, linguiça, bilíngue.

Acentuação – ditongos “ei” e “oi”
Nova regra
Os ditongos abertos “ei” e “oi” não serão mais acentuados em palavras paroxítonas
Como é
Assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, Coréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico
Como será
Assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.
Obs: Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis, troféu, céu, chapéu.

Acentuação – “i” e “u” formando hiato
Nova regra
Não se acentuarão mais “i” e “u” tônicos formando hiato quando vierem depois de ditongo
Como é
baiúca, boiúna, feiúra, feiúme, bocaiúva
Como será
baiuca, boiuna, feiura, feiume, bocaiuva
Obs 1: Se a palavra for oxítona e o “i” ou “u” estiverem em posição final o acento permanece: tuiuiú, Piauí.
Obs 2: Nos demais “i” e “u” tônicos, formando hiato, o acento continua. Exemplo: saúde, saída, gaúcho.

Hiato
Nova regra
Os hiatos “oo” e “ee” não serão mais acentuados
Como é
enjôo, vôo, perdôo, abençôo, povôo, crêem, dêem, lêem, vêem, relêem
Como será
enjoo, voo, perdoo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, releem

Palavras homônimas
Nova regra
Não existirá mais o acento diferencial em palavras homônimas (grafia igual, som e sentido diferentes)
Como é
Pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pêra/pera, pólo/polo
Como será
para, pela, pelo, pera, polo
Obs 1: O acento diferencial ainda permanece no verbo poder (pôde, quando usado no passado) e no verbo pôr (para diferenciar da preposição por).
Obs 2: É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

Hífen – “r” e “s”
Nova regra
O hífen não será mais utilizado em prefixos terminados em vogal seguida de palavras iniciadas com “r” ou “s”. Nesse caso, essas letras deverão ser duplicadas.
Como é
ante-sala, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-rival, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, supra-renal.
Como será
antessala, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirrival, autorregulamentação, autossugestão, contrassenso, contrarregra, contrassenha, extrarregimento, infrassom, ultrassonografia, semirreal, suprarrenal.

Hífen – mesma vogal
Nova Regra
O hífen será utilizado quando o prefixo terminar com uma vogal e a segunda palavra começar com a mesma vogal.
Como é
antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus.
Como será
anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus.

Hífen – vogais diferentes
Nova regra
O hífen não será utilizado quando o prefixo terminar em vogal diferente da que inicia a segunda palavra.
Como é
auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, co-autor, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático
Como será
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiárido, semiautomático.
Obs: A regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por h: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo.

4964 – De onde surgiu a expressão:”Dar com os burros n’água”?


O interior brasileiro é um celeiro farto de pequenas histórias que vieram sendo transmitidas de pai para filho através de gerações, todas elas com um fundo moral e educativo semelhante ao contido nas fábulas de Esopo, La Fontaine, Fedro e outros, o que pode ser facilmente percebido. Um exemplo disso é a frase-feita “dar com os burros n’água”, inspirada, segundo dizem, em um caso supostamente verdadeiro, e que se manteve vivo na lembrança do povo porque também veio caminhando de boca em boca no decorrer do tempo.
Conta-se que dois tropeiros receberam de uma pessoa a incumbência de transportar determinada carga para um certo lugar. O dono da mercadoria tinha pressa em recebê-la, mas considerando que qualquer dos caminhos que os condutores dos animais percorressem rumo ao seu destino era muito acidentado, deu a eles o direito de escolher o que a tropa de cada um deveria levar, prometendo-lhes um prêmio a quem chegasse mais depressa com seus burros no local determinado. Diante disso, e pensando na recompensa que poderiam receber pelo serviço, eles decidiram que o primeiro levaria a carga de algodão, porque era leve, mas volumosa, e o segundo, a carga de sal, que apesar de não ser muito grande, era pesada e difícil de ser transportada. E em seguida iniciaram a jornada, mas por caminhos diferentes.
Em determinado trecho do percurso os tropeiros tiveram que vadear o mesmo rio, e foi então que aconteceu o inesperado. Porque na pressa de vencer o obstáculo o primeiro conduziu os burros para a água, o algodão encharcou, seu peso ficou insuportável, a carga foi levada pela correnteza e o pobre homem só a muito custo conseguir salvar a própria vida. Noutro ponto, o segundo fez a mesma coisa: entrou com os animais na água, mas quando chegou à outra margem, eles estavam descarregados, já que o sal havia se dissolvido. Dessa forma, a ânsia de ganhar dinheiro fez com que os dois condutores deixassem de cumprir e receber o que haviam tratado, pois ao induzi-los a dar com os burros n’água, provocou não só a perda da carga que lhes havia sido confiada, mas também a remuneração pelo serviço que prestavam.
Daí que a expressão “dar com os burros n’água” até hoje continua sendo usada quando se fala dos que fracassam na organização de qualquer empresa, não conseguem levar avante uma tarefa, são mal-sucedidos, ficam arruinados, falham no negócio, mas a história que a originou tem uma outra versão pouco conhecida: a de que apenas um dos tropeiros não se deu bem na travessia do rio, porque o outro conseguiu passar com a carga que levava e por isso recebeu o prêmio prometido. Registrada pela primeira por Manuel Viotti, em seu Dicionário de Gíria Brasileira, essa locução é usada em Portugal mais no diminutivo, dar com os burrinhos na água, ou n’água, e tem o mesmo significado a ela atribuído no Brasil.

4132 – De Olho nas “Frases Feitas” e Expressões Populares


De onde vem o nome “habeas-corpus”?
A palavra vem do latim e significa “que tenhas teu corpo”. É um recurso judiciário usado para garantir que um cidadão preso ilegalmente possa ser libertado. Segundo historiadores, o “habeas-corpus” surgiu na Inglaterra após a ocupação romana de 43 d.c. Em 1679, o Rei Carlos II assinou o “Act of Habeas Corpus”, que garantiu a liberdade a todo inglês preso de forma irregular.
Como nasceu a expressão “deixar as barbas de molho”?
Na Antiguidade e na Idade Média, a barba significava honra e poder. Ter a barba cortada por alguém representava uma grande humilhação. Essa idéia chegou aos dias de hoje nessa expressão que significa ficar de sobreaviso, acautelar-se, prevenir-se. Um provérbio espanhol diz que “quando você vir as barbas de seu vizinho pegar fogo, ponha as suas de molho”. Todos devemos aprender com as experiências dos outros.
Como surgiu a expressão “lágrimas de crocodilo”?
A expressão é usada para se referir a choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele “chora” enquanto devora uma vítima.
Como surgiu a expressão “falar pelos cotovelos”?
A frase, que significa “falar demais”, surgiu do costume que as pessoas muito falantes têm de tocar o interlocutor no cotovelo a fim de chamar mais a atenção. O folclorista brasileiro Câmara Cascudo fazia referência às mulheres do sertão nordestino, que à noite, na cama com os maridos, tocavam-nos para pedir reconciliação depois de alguma briga.
Como surgiu a expressão “OK”?
OK significa “tudo certo” (all correct em inglês). No início do século XIX, em Boston, nos Estados Unidos, em vez de usar as letras AC, que poderiam ser confundidas com alternating current (corrente alternada), as pessoas diziam OK, de oll korrect, gíria de mesmo significado. Durante uma campanha presidencial de 1840, a sigla foi usada como slogan e acabou conhecida no país inteiro. Outra versão é que a sigla começou a ser usada durante a Guerra da Secessão, uma disputa entre o norte e o sul dos Estados Unidos. As fachadas das casas exibiam o OK para indicar zero killed, ou seja, nenhuma baixa na guerra civil.
Como surgiu a expressão CC para falar de suor?
CC deriva de “cheiro de corpo”, expressão cunhada pela indústria de sabonetes Unilever para substituir a palavra suor. Ela surgiu na década de 1950. Nessa época, a Unilever introduziu no mercado brasileiro o sabonete Lifebuoy. O produto tinha alto poder anti-séptico e bactericida, e uma de suas qualidades, exaltada nas propagandas, era acabar com o desagradável “cheiro de corpo” e dar “completo asseio corporal”.

Como surgiu a palavra piquenique?
Esta palavra tem origem no francês pique-nique. Na França do século XVII, o pique-nique era uma refeição na qual cada um levava sua parte. Dois séculos mais tarde, os franceses absorveram do picnic inglês o sentido moderno da palavra “passeios ao ar livre” nos quais as pessoas levam alimentos para serem desfrutados por todos. Na França, existe o verbo pique-niquer, que seria algo como “piquenicar”.