13.112 – Gigantes da Tecnologia X Donald Trump


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Cem empresas de tecnologia, incluindo Google, Facebook e Uber, assinaram uma ação judicial que tenta barrar a medida de Donald Trump que impede a entrada de imigrantes de sete países com maioria muçulmana em território norte-americano.
O documento declara que os Estados Unidos são uma “nação de imigrantes” e aponta que a ordem de Trump vai trazer problemas aos trabalhadores americanos e à economia do país.
“Essa instabilidade e incerteza tornarão muito mais difícil e caro para as empresas norte-americanas contratarem alguns dos melhores talentos do mundo – e as impede de competir no mercado global. As empresas e os empregados têm pouco incentivo para passar pelo laborioso processo de patrocinar ou obter um visto e mudar para os Estados Unidos, se um funcionário pode ser inesperadamente barrado na fronteira”, explica o documento, que continua:
“Os indivíduos qualificados não desejarão imigrar para o país, já que podem ser separados sem aviso de seus cônjuges, avós, parentes e amigos – eles não vão deixar suas raízes, nem correrão riscos econômicos significativos, e subordinarão suas famílias a uma incerteza considerável, ao imigrar para os Estados Unidos diante dessa instabilidade.”
A ação aponta ainda bases jurídicas que impedem a proibição, indicando que a discriminação de pessoas com base em sua nacionalidade viola uma lei federal de 1965. As empresas apontam ainda que a decisão do atual presidente faz parte de “uma doutrina enraizada no racismo e na xenofobia”.

10.579 – Política – Os EUA derrubaram o presidente do Brasil?


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John Kennedy tinha um brinquedo novo. Quando os convidados chegaram, o presidente apertou um botão escondido na lateral de sua mesa, acionando um microfone ali no Salão Oval e um gravador no porão da Casa Branca. Era a estreia de uma engenhoca secreta que registrou 260 horas de conversas sigilosas.
Olha que coincidência: a primeira gravação é sobre o Brasil. Das 11h52 às 12h20 de 30 de julho de 1962, debateu-se o futuro e a fritura do presidente João Goulart. O embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, disse que Jango estava “dando a porcaria do país de graça para os…” “…comunistas”, completou Kennedy. O assessor Richard Goodwin ressaltou: “podemos muito bem querer que os militares brasileiros tomem o poder no final do ano”. Isso quase dois anos antes do Golpe de 64.
Desde 1961, com a chocante renúncia de Jânio Quadros e a conturbada posse de Jango, as reuniões de Kennedy sobre nosso país eram monotemáticas: como impedir que o Brasil se tornasse uma gigantesca Cuba? Apesar disso, Lincoln Gordon, embaixador no Rio entre 1961 e 66, morreu em 2009, aos 96 anos, negando que os americanos teriam participado do golpe. Durante e após a ditadura, que foi até 1985, muitos pesquisadores brasileiros menosprezaram o papel dos americanos, tachando investigações nesse sentido de paranoia e teoria da conspiração. Mas documentos revelados nos últimos anos contam uma história diferente, que vai sendo revelada aos poucos.
Parte desse material ganhou destaque no documentário O Dia que Durou 21 Anos, da dupla de filho e pai Camillo e Flávio Tavares – autor de um grande livro sobre a luta contra o regime, Memórias do Esquecimento. O filme apresenta gravações e documentos oficiais e expõe justamente a articulação do governo americano e dos militares brasileiros contra Jango. Arquivos recém-abertos nos EUA estão mexendo até com obras definitivas: os quatro livros do jornalista Elio Gaspari serão reeditados levando em conta as gravações clandestinas de Kennedy e de seu sucessor Lyndon Johnson. E ainda há muito a ser revelado: Carlos Fico, historiador da UFRJ, estima que mesmo com a Lei de Acesso à Informação ainda não se analisou nem 20% dos arquivos dos órgãos de repressão brasileiros.
O vice-presidente João Goulart soube da renúncia do presidente Jânio Quadros após uma viagem oficial à China, durante uma missão extraconjugal em Cingapura. Em 2014, após 29 anos de democracia ininterrupta, seria uma surpresa se o vice não assumisse, seja quem for e esteja onde estiver. Em 1961, a regra não era tão clara. Aliás, era feita para confundir: havia eleição para presidente e também para vice. Os vencedores podiam ser de campos opostos. E, em 1960, foram: Jânio era um salvador-da-pátria de direita, Jango um para-raios de todas as tempestades à esquerda. Quando o presidente deixou o campo após sete meses, seu reserva era de outro time. E o árbitro – nesse caso, as Forças Armadas – não quis que o reserva entrasse.
Menos de um mês depois do golpe, os americanos aprovaram o envio de US$ 1 bilhão para o presidente Castello Branco, o que motivou o Banco Mundial e o FMI a também liberar recursos. Era como se já estivesse tudo acertado.
Um mês e meio antes de ser assassinado em Dallas, Kennedy chamou Lincoln Gordon ao Salão Oval e apertou o botão mais uma vez. O áudio desse encontro foi postado no site da Biblioteca Kennedy e descoberto por Elio Gaspari – parte dele estará na nova edição de A Ditadura Envergonhada. Em 7 de outubro de 1963, o presidente americano quis saber do embaixador o que fazer com seu colega brasileiro. Gordon respondeu que havia dois cenários: Jango podia abandonar o discurso esquerdista e resolver a coisa de modo pacífico. “Ou não tão pacífico: ele pode ser tirado involuntariamente.” Gordon buscou instruções: “Vamos suspender relações diplomáticas, econômicas, ajuda, todas essas coisas? Ou vamos encontrar uma maneira de fazer o que todo mundo faz?” Kennedy pega a bola e mais adiante devolve: “Acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?” Pense naqueles 26 golpes com selo CIA de qualidade.
Gordon desaconselhou uma ação imediata. A não ser que Jango se aproximasse de “velhos amigos” como Brizola. Ficou por isso mesmo. Kennedy morreu e a bola passou para seu sucessor, Lyndon Johnson.
Atolado com a Guerra do Vietnã, Johnson repassou a bola para Thomas C. Mann, novo coordenador da Aliança para o Progresso. E bota coordenador nisso: em 18 de março de 1964 se reuniu com todas as autoridades envolvidas com a América Latina. Desse encontro saiu a Doutrina Mann: os Estados Unidos reconheceriam o governo de qualquer aliado, mesmo sob regime autoritário, contanto que continuasse anticomunista. A definição a poucos dias do golpe era um sinal claro para militares golpistas agirem com segurança, escreveu o New York Times no dia seguinte. Mann, em vez de desmentir, declarou: cada caso era um caso.
O estopim do golpe, no entanto, não veio de Washington, mas do centro do Rio de Janeiro. É lá que fica o Automóvel Clube, onde em 30 de março um Jango em chamas disse a militares aliados que “o golpe que nós desejamos é o golpe das reformas de base, tão necessárias ao nosso país”. Para Jango, as “reformas de base” eram uma bandeira; para a oposição, a aurora do Brasil Soviético. Na mesma noite, chegou a Washington um telegrama afirmando que o golpe aconteceria dentro das próximas 48 horas, partindo de São Paulo ou de Minas Gerais. Foi de Minas: na manhã seguinte, o general Olympio Mourão Filho saiu de Juiz de Fora, dando início ao movimento que derrubaria o presidente.
Só no dia seguinte Jango voou do Rio para Brasília, onde foi informado que o movimento de Minas podia ter conhecimento e o apoio dos EUA. Para muitos, esse alerta explica a falta de resistência de Jango e sua fuga para o Uruguai: ele não quis enfrentar os americanos. Americanos que nem vieram: em 1º de abril, Castello Branco avisou Gordon que as embarcações da Operação Brother Sam, que vinham do Caribe, podiam dar meia volta.
O deputado Rainieri Mazzilli assumiu a presidência interinamente. Mas quem seria o presidente militar? Costa e Silva, ligado à linha dura, quis impor seu nome. Ficou para 1967. Em 1964, deu Castello Branco – para Green, graças à influência americana. Castello tomou posse em 11 de abril, prometendo “entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, ao meu sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma nação coesa”.
Durante os 21 anos de ditadura, Lincoln Gordon a defendeu. Ignorava a censura, a tortura e celebrava o Milagre Brasileiro. Defendeu até o fim que em 1964 o Brasil estava à beira de uma revolução comunista. Nunca se soube por que foi tão fácil para os militares tomar o poder. E talvez nunca se saiba: até hoje não encontraram um gravador no porão do Kremlin.

9332 – A Organização Mundial de Saúde (OMS)


Não confunda, você está no ☻ Mega Arquivo

OMS

Uma agência especializada subordinada à Organização das Nações Unidas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) foi fundada logo após a Segunda Guerra Mundial para tentar manter a paz entre os países do mundo. Sua atuação ocorre em diversas áreas da sociedade para tentar cumprir com seu objetivo e uma delas é a saúde. Inspirando-se no Comitê de Higiene, uma organização criada em meio a guerras no México no fim do século XIX, a Sociedade das Nações repetiu o modelo após a Primeira Guerra Mundial. Somente anos mais tarde, contudo, que seria criada uma instituição mais ampla com vigor para longevidade.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) foi fundada no dia sete de abril de 1948 com o objetivo de desenvolver o nível de saúde de todos os povos. Em sua constituição, a saúde é definida como bem-estar físico, mental e social, ou seja, não necessariamente apenas a ausência de uma enfermidade. Atualmente, a OMS é composta por 193 Estados-membros que incluem territórios que não necessariamente são membros da Organização das Nações Unidas também. Há ainda espaço reservado para os membros associados e os membros observadores. Mas são os Estados-membros que decidem pela adesão de outros países através de assembleias, que são realizadas anualmente no mês de maio. A organização é dirigida por um Diretor Geral com mandato de cinco anos que é assessorado por uma Direção Executiva composta de 34 membros. O financiamento da OMS também é proveniente dos Estados-membros e de doadores e parceiros variados, que, por sua vez, colaboram com mais investimentos do que os Estados-membros.
A Organização Mundial de Saúde se encarrega de liderar questões e parcerias para o desenvolvimento da saúde, de estimular a pesquisa científica, de estabelecer normas na área, de prestar apoio técnico e de monitorar a situação da saúde no mundo. Além disso, patrocina programas para prevenir e tratar a malária e a tuberculose, supervisiona a implementação do Regulamento Sanitário Internacional, realiza campanhas de saúde, promove pesquisas sobre doenças de variadas categorias em diversos países e publica periódicos para o desenvolvimento da área.
A Organização Mundial de Saúde tem sede em Genebra, na Suíça. O Brasil é um dos membros da OMS e tem participação representativa, pois foram seus delegados, inclusive, que propuseram a criação de uma organização dedicada a promover a saúde pública mundial. Até hoje, há intensa cooperação entre Brasil e OMS.

8952 – Política Internacional – Metas da ONU


Até 2015, a ONU e os países membros pretendem atingir as metas do atual ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), porém, a entidade já trabalha na composição de uma nova Agenda de Desenvolvimento a ser trabalhada depois de 2015.
Depois da realização da Rio+20, o então Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, prometeu nomear um Painel de Alto Nível de aconselhamento para a Agenda de Desenvolvimento pós 2015.
A partir de fevereiro de 2013, as diferentes agências da ONU começaram a trabalhar e a discutirem sobre a nova agenda pós 2015. A ONU Mulheres e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) iniciaram as consultas sobre a desigualdade e aos níveis socioeconômicos.
A diretora da Divisão de Políticas da ONU Mulheres, Saraswathi Menon, já declarou suas primeiras análises referente à composição de uma nova agenda cujas metas deverão ser mais precisas, permitindo melhores possibilidades de redução das desigualdades no mundo. Leia a seguir, a opinião que a diretora declarou à imprensa em fevereiro de 2013:

“ Objetivos de Desenvolvimento do Milênio tiveram êxito na forma como capturaram a imaginação das pessoas em todo o mundo. Vimos organizações de mulheres, a sociedade civil, a mídia e acadêmicos usando os ODM para avaliar o desempenho de seus líderes e da comunidade internacional, e em muitos casos forçando-os a prestar contas. Os governos também rapidamente integraram os ODM às suas políticas e prioridades. Qualquer nova agenda deve, portanto, responder ao que governos e povos viram como fortalezas e fraquezas no contexto anterior. Em cada país as crescentes desigualdades e os impactos das diferentes crises – alimentar, de combustíveis, econômica e de emprego – são grandes preocupações, bem como a violência contra as mulheres que ocorre em todos os países, em todos os setores sociais, nas famílias e em espaços públicos. As vidas frágeis de pessoas em situações de conflito ou em países vulneráveis aos desastres naturais ou à mudança climática também são motivo de preocupação. Estes são alguns dos temas que não foram encarados pelos ODM e devem ser tratados em algum novo contexto. Como já vimos qual foi o desempenho dos Objetivos, com um progresso desigual em muitos casos, o pior de todos em matéria de mortalidade materna, se deve prestar muita atenção não apenas na forma como são elaboradas as metas mas também como podem ser traduzidas em ações públicas para fazer uma diferença na vida das pessoas. O novo contexto será diferente, responderá às aspirações das pessoas e levará em conta as lições aprendidas pelos governos e por seus sócios. Além disso, terá de enfrentar os desafios que se agravaram ou surgiram desde a adoção da Declaração do Milênio.”

8942 – Espionagem – A Agência Central de Inteligência (CIA)


CIA

CIA é a sigla em inglês para Agência Central de Inteligência, e tem como missão coletar, avaliar e distribuir informações que sejam de uso da administração norte-americana na tomada de decisões sobre segurança nacional. Ela também pode se engajar em ações secretas, a pedido do presidente, mas não lhe é permitido espionar as atividades domésticas dos americanos ou participar de assassinatos, apesar de já ter sido acusada de tais atos.
Nos EUA, as primeiras agências formais e organizadas não surgiriam antes dos anos 1880, quando são instituídos o Escritório da Inteligência Naval e a Divisão de Inteligência Militar do Exército. Por volta da Primeira Guerra Mundial, foi criada a Divisão de Investigação, precursora do FBI. A estrutura da inteligência continuou através de várias reestruturações.

Em 1947, o Presidente Harry Truman assina o Ato de Segurança Nacional, que criou a CIA. Apesar de a agência ter um histórico de envolvimento em falhas e escândalos de espionagem, o governo ainda depende muito desta para fornecer inteligência e segurança nacional.

A CIA responde tanto ao poder executivo como ao legislativo. Por muitos anos, a principal missão da agência era proteger os Estados Unidos contra o comunismo e a União Soviética durante a Guerra Fria. Atualmente, a agência tem um trabalho bem mais complexo: proteger os Estados Unidos das ameaças terroristas de todo o globo terrestre. A CIA está dividida em quatro equipes diferentes, cada uma com suas responsabilidades:

Serviço Secreto Nacional (National Clandestine Service)
Nele que atuam os chamados “espiões”, funcionários do NCS que, sob disfarce, coletam inteligência estrangeira (ou humana). Seus funcionários são pessoas com bom nível educacional, falam outros idiomas, gostam de trabalhar com pessoas de todo o mundo e podem se adaptar a qualquer situação, incluindo as que envolvem riscos. Familiares e amigos dessas pessoas jamais chegam a saber exatamente o que os funcionários do serviço secreto fazem.

Diretório de Ciência e Tecnologia
Tal equipe atrai os interessados em ciência e engenharia, sendo responsável pela coleta inteligência pública ou de fonte aberta (informação vinda da TV, no rádio, revistas ou jornais, fotografia eletrônica e de satélite).

Diretório de Inteligência
A informação recolhida pelas duas outras equipes é entregue ao Diretório de Inteligência, responsável por interpretar a informação e fazer relatórios sobre esta. Seus membros devem ter excelentes habilidades analíticas e de escrita, segurança na apresentação de informações para grupos e ter a capacidade de lidar com a pressão de prazos.

Diretório de Apoio
Equipe que fornece apoio para o resto da organização, além de lidar com contratações e treinamento. É a área dos especialistas em um determinado campo, como um artista ou funcionário de finanças, generalistas, com muitos talentos diferentes.

8934 – Energia – Compartilhamento de energia do Brasil com a América do Sul


O Brasil possui tradição em ser generoso e amistoso com os demais países da América do Sul. Na área de produção de energia, o país possui contratos e parcerias com o Paraguai e a Bolívia, porém, essas relações geraram conflitos nos últimos anos.
Entre Brasil e Bolívia, a parceria é referente à compra e distribuição do gás natural boliviano para o território brasileiro. Porém, em 2006, após o presidente boliviano Evo Morales assumir o cargo, a Bolívia resolveu ocupar as instalações da Petrobrás no país e alterar os preços da venda de gás.
Em relação ao Paraguai, a questão envolve a hidrelétrica binacional de Itaipu. Segundo o acordo, os dois países possuem o direito de metade da energia gerada , porém, como os 50% é mais do que o necessário para a população paraguaia, o Brasil tem o direito exclusivo de comprar o excedente da parte do Paraguai para abastecer as regiões brasileiras.
Em 2019, o contrato da binacional de Itaipu será revisto, como ocorreu após a posse de Fernando Lugo, último presidente paraguaio a questionar as condições da parceria. Segundo o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), os países vizinhos costumam quebrar contratos por contarem com a generosidade diplomática e econômica do Brasil, o maior país do continente que sempre cede às pressões políticas.
Para o futuro, o Brasil pretende construir três usinas hidrelétricas binacionais no norte da América do Sul, mais precisamente na Guiana e no Suriname. No Brasil, a construção de usinas hidrelétricas com barragens estão banidas por questões técnicas e ambientais; em virtude dessa proibição, a Eletrobras pretende construir hidrelétricas nesses dois países vizinhos com uma linha de transmissão de 1.800 quilômetros, ligando os estados do Amapá e de Roraima aos países citados.
Na prática, as usinas seriam construídas em regiões estrangeiras, e a maior parte da energia seria utilizada por brasileiros. O nome do novo projeto foi batizado de Arco Norte, e terá o apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e da EDF, empresa francesa.
As novas usinas teriam capacidade de produzir 5.000 MW, capaz de abastecer uma região com população de nove milhões de pessoas, população equivalente a do estado de Pernambuco. A Eletrobrás afirma que o acordo com os dois países ainda está aberto.

8728 – O que é a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul?


Condecoração cedida pelo presidente do Brasil, a Ordem é um título que homenageia pessoas notáveis nascidas fora do país. A criação desta comenda remete à época de Dom Pedro I, que a cunhou com o nome de Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul no dia primeiro de dezembro do ano de 1822 como um ícone do poder do império no país, já que surgiu após a independência.
Com a promulgação da constituição da República no ano de 1891, a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul foi revogada. Seu restabelecimento correu apenas no governo do estão presidente Getúlio Vargas, em 1932, mas o nome da condecoração foi alterado para Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
Grandes personalidades estrangeiras como o revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, o político peruano Alberto Fujimori, Yuri Gagarin, Rainha Elizabeth, Dwight D. Eisenhower, Chiara Lubich e Alain Prost foram condecorados com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
Com a alteração do nome, que deixou de ser imperial para se tornar nacional, mudou-se também sua regra para condecoração. Se antes o título era dirigido tanto a estrangeiros quanto a brasileiros, após a modificação, a comenda passou a ser unicamente para estrangeiros.
A concessão da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul só poder ser feita através de decreto do presidente, sendo considerada uma ação referente a relações exteriores. Apesar de ser uma atribuição relacionada somente a pessoas nascidas fora do Brasil, o título geralmente é concedido para estrangeiros que tenham feito grandes contribuições para o país.
No artigo 2º do Regulamento, conforme decreto presidencial, a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é descrita da seguinte forma: “A insígnia da Ordem é uma estrela de cinco braços esmaltados de branco e orlados de prata dourada, assentada sobre uma coroa e encimada por uma grinalda, ambas feitas de folhas de fumo e café, tendo, no centro, em campo azul celeste, a constelação do Cruzeiro do Sul, esmaltada de branco e, na circunferência, em círculo azul ferrete, a legenda Benemerentium Premium1 em ouro polido. No reverso a efígie da República, em ouro com a legenda ‘República Federativa do Brasil’”.
O Conselho da Ordem (para atribuição da condecoração) é formado pelo Presidente da República, Secretário-Geral das Relações Exteriores, Ministros de Estado das Relações Exteriores e Ministro da Defesa. O Chanceler da Ordem e o Grão-Mestre são, respectivamente, o Ministro de Estado das Relações Exteriores e o Presidente da República. O Secretário da Ordem é o Chefe do Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores.

8727 – Lei e Direito – O que é Tortura?


Recebe o nome de tortura a prática intimidatória que envolve coerção física ou mental de um ou mais indivíduos, com o objetivo de obter informações ou esclarecimentos sobre determinado fato.
Através da história temos vários episódios onde a tortura foi usada como uma alternativa considerada natural por autoridades civis e religiosas, que entendiam aplicar a mais legítima forma de justiça.
As penas envolviam métodos deliberadamente dolorosos, considerados mesmo sádicos aos olhos do expectador moderno. O gradual desenvolvimento do pensamento humanista, que tomou conta da Europa a partir do século XVI, fará com que as penas cruéis sejam abolidas. Mais tarde, as ideias iluministas contribuem para desenvolver no mundo ocidental a ideia de direitos humanos universais, que mais tarde darão origem à Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Como consequência, disso, os estados membros da ONU reconhecem, ainda que formalmente, a proibição da tortura.
Hoje, no mundo todo, é unânime o entendimento de que a tortura é uma prática a ser erradicada, e que esta, sob qualquer forma é inaceitável dentro dos valores defendidos pela sociedade contemporânea. De fato, praticamente nenhuma sociedade atual sustenta a tortura oficialmente, mas sabemos que esta persiste de forma mais ou menos sigilosa, nomeadamente nas forças policiais de vários países ou ainda em meio a conflitos armados regionais.
O Brasil ainda precisa de uma considerável evolução neste quesito. Historicamente, as forças militares e policiais estão ligadas a episódios de tortura há muitas décadas. Os piores casos surgiram, sem surpresa, nos dois períodos ditatoriais vividos pelo país no século XX: o Estado Novo (de 1937 a 1945) e a série de governos militares entre 1964 a 1985. Em ambos os casos, a tortura era um instrumento que permitia obter informações sobre os diversos grupos que tinham coimo objetivo desestabilizar o regime imposto. No ordenamento jurídico nacional, a tortura é considerada crime, sendo regulada por uma lei especial, a 9455, de 7 de abril de 1997.
Além da penalização da tortura, tivemos outro fato relevante, a criação da Comissão Nacional da Verdade, instalada oficialmente em 16 de maio de 2012, e que tem por objetivo investigar violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 no Brasil por agentes estatais. A comissão é formada por sete membros nomeados pela presidente Dilma Rousseff e catorze auxiliares, que atuarão durante dois anos, e ao final publicarão um relatório dos resultados, que poderá ser público ou poderá ainda ser enviado apenas para o presidente da república ou o ministro da defesa.

8478 – Guerra Fria – A Crise dos Mísseis


Bases soviéticas em Cuba
Bases soviéticas em Cuba

Os alertas soturnos ecoavam desde agosto de 1945, quando o homem, num perverso toque de mágica, fez evaporar uma cidade inteira com o apertar de um botão. Quando Hiroxima desapareceu do mapa, nasceu um novo mundo, cuja própria existência – antes a única convicção que aproximava todos os seus habitantes – já não era mais certa. Pela primeira vez desde que seus pés começaram a caminhar pela Terra, a humanidade segurava nas mãos a decisão entre viver e morrer. E a volúpia febril despertada por esse poder fazia calar qualquer instinto de preservação. Dezessete anos se passaram, e a penosa corrida chegou ao seu ponto mais dramático. A capacidade humana de destruir o planeta passou de um incômodo pesadelo a uma ameaça assustadoramente verdadeira e palpável. Nas últimas semanas, as duas maiores potências da Terra estiveram a ponto de mergulhar no precipício sem fim, puxando com elas todos os povos que presenciam seu atemorizante duelo. O indizível desfecho de um possível enfrentamento armado entre os Estados Unidos e a União Soviética foi miraculosamente impedido, graças aos resquícios de humanidade que ainda sobrevivem em seus líderes superpoderosos – e, vale lembrar, graças também a uma certa dose de sorte. No apagar das luzes, John Kennedy e Nikita Kruschev, os homens que controlam os destinos do mundo, sentiram as repercussões de sua perigosa dança, seguiram suas emoções mais terrenas e deram um passo atrás. A partir de agora, todos se perguntam: a marcha para a perdição continuará? Os arquiinimigos ouvirão as sirenes de emergência ou continuarão bailando ao som grave de seus monstruosos arsenais? Talvez o mundo seja outro a partir deste outubro de 1962. Quais dissabores ele nos reserva, só os próximos anos serão capazes de revelar.
Assim como o nascimento da ameaça do holocausto nuclear, a gênese da última crise também ocorreu quando se fecharam as cortinas da II Guerra Mundial. A divisão do espólio do conflito entre os vencedores rachou o globo e plantou a semente para o desafio enfrentado nas semanas que se passaram. Mas a Guerra Fria entre o mundo capitalista, unido sob os auspícios dos americanos, e o bloco comunista, chefiado a ferro e a fogo pelos soviéticos, nunca tinha estado tão perto de se transformar num inferno. É aí que entra a figura de um incontrolável aspirante a tirano entronado numa irriquieta ilha caribenha. Disposto a pagar qualquer preço para sustentar seus sonhos de poder, Fidel Alejandro Castro Ruz, o comandante da barulhenta revolução de Cuba, quis brincar de Nero no meio dos gigantes. Nem em seus mais bizarros delírios ele imaginava o tamanho do estrago que seria capaz de fazer. Aliado ao maroto Kruschev, o dirigente russo sempre atento à chance de um xeque-mate no tabuleiro ideológico, Castro decidiu levar a Guerra Fria à soleira da porta dos americanos. Não se sabe de quem partiu a idéia – sem imprensa livre e com fúria impiedosa na punição aos inconfidentes, URSS e Cuba não deixam que seus segredos cheguem aos ouvidos do mundo. De qualquer forma, a instalação de mísseis nucleares numa ilha quase grudada à Flórida foi, sem dúvida, a mais ousada jogada que alguém seria capaz de imaginar. Contribuiu para a quase calamidade o inexplicável atraso dos americanos na descoberta da manobra. Além de oito anos de prosperidade e calmaria, o governo do ex-presidente Dwight Eisenhower deixou como legado a criação de uma azeitada máquina de monitoramento e espionagem dos adversários comunistas. No caso dos mísseis soviéticos em Cuba, as engrenagens ficaram travadas durante meses.

Se a vigilância dos EUA ao espectro vermelho costuma chegar aos limites da paranóia, desta vez Washington agiu com um descuido espantoso. Em julho último, a inteligência americana notou um súbito aumento no número de navios soviéticos a caminho de Cuba – hoje, acredita-se que tenha sido esse o período de início da montagem dos mísseis. O secretário de Defesa, Robert McNamara, ordenou que a movimentação fosse seguida de perto. Apesar dos indícios suspeitíssimos, Kennedy e seus auxiliares caíram no conto de Kruschev, que jurava de pés juntos que a URSS não colocaria armas em Cuba. No mês passado, Kennedy visitou o Congresso e assegurou que não havia mísseis de ataque na ilha. No mesmo dia, o secretário de Justiça, Robert Kennedy, ouvia essa mesma garantia do embaixador soviético, Anatoly Dobrynin. Kruschev procurou Kennedy pessoalmente naquela semana e repetiu: não interessava aos soviéticos espalhar seu poderio bélico mundo afora. Mas a montagem do arsenal era tão evidente que a própria população de Cuba passou a desconfiar. Por meio da comunicação entre moradores da ilha e seus parentes exilados em Miami, os EUA receberam mais de mil denúncias sobre os trabalhos dos russos. O governo, contudo, optou por desprezar as informações. Solitário em sua crença de que a carga dos navios soviéticos era bélica, o diretor da CIA, John McCone, era incapaz de convencer o presidente. Ainda passou o vexame de ser alertado sobre a instalação dos mísseis pela inteligência francesa – ele passava lua-de-mel em Paris. A negligente inocência de Kennedy chegou a tal ponto que os americanos não compreenderam um recado colocado bem debaixo de seu nariz, dentro de seu próprio território. Uma semana antes que a crise emergisse, o presidente de Cuba, Osvaldo Dorticós – pouco mais que um mensageiro do regime, pois quem manda mesmo é Fidel – discursou na Assembléia Geral da ONU, em Nova York. Seu pronunciamento foi de clareza cristalina: “Se Cuba for atacada, saberá se defender. Repito: temos meios para nossa defesa. Também temos nossas armas inevitáveis, as armas que preferíamos não ter adquirido, as armas que desejamos jamais utilizar”.

Como se ainda faltasse alguma coisa para convencer os americanos da tempestade que se formava, as provas concretas foram, enfim, obtidas – e apenas cinco dias depois. Na manhã do último dia 14, um avião U-2 equipado com uma câmara fotográfica de último tipo avistou o que parecia ser uma nova construção militar em San Cristóbal, na província de Pinar del Rio, no oeste de Cuba. As fotografias registradas pelo aparelho foram examinadas com minúcia. Agora era certo: os soviéticos instalavam mísseis em Cuba, e as características das cargas flagradas pelos americanos sinalizavam que esses mísseis eram capazes de carregar ogivas atômicas. As implicações eram gravíssimas. Os soviéticos fincavam as primeiras bases para que, dentro de pouco tempo, fossem capazes de disparar uma bomba nuclear em qualquer metrópole americana, inclusive Nova York e Washington. Ciente do peso da responsabilidade que repousaria sobre os ombros do presidente nos dias que estavam pela frente, o assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional, McGeorge Bundy, o primeiro a receber o explosivo relatório, decidiu poupar o chefe de uma noite insone – contaria as novidades só na manhã seguinte, no dia 16. Esgotado por um fim de semana de campanha eleitoral (no mês que vem, os americanos vão às urnas para eleger parlamentares e governadores), Kennedy ganhou mais algumas horas de descanso com Jackie antes de enfrentar os dias mais difíceis de sua vida. Ao despertar para o desafio, o mais jovem presidente eleito da história americana (aos 43 anos, em 1960) enfim mostrou possuir a estatura intelectual e moral necessária para liderar a principal democracia do mundo. No decorrer da crise, Kennedy se trancou com um grupo seleto de auxilares (comandados pelo irmão, Robert), apostou numa estratégia moderada e consistente, evitou alarmar a população e, principalmente, não deu ouvidos às pressões dos “falcões” de Washington – sedentos por sangue, os parlamentares republicanos, de oposição, não aceitavam nada aquém de uma ofensiva militar imediata contra Cuba.

Mais calejado depois de algumas trapalhadas nesses dois primeiros anos de governo, Kennedy logo elegeu uma linha mestra para a condução de seu país na crise. Sabendo que ganharia o apoio de todos os países não-alinhados a Moscou, o presidente decidiu não fazer nenhum movimento brusco, oferecendo tempo e espaço para que Kruschev sentisse a pressão e recuasse. Foi, de fato, o que acabou ocorrendo, resultado do bloqueio naval no Atlântico. Kennedy não pode, porém, sair da crise como o mocinho pacato que afugentou na lábia o bandido que apontava a arma para sua testa. É imperativo lembrar que o inimigo apareceu na janela ao ser atraído pelo próprio presidente. Foi com seu papel na fracassada invasão à Baía dos Porcos, em abril de 1961, que Kennedy ofereceu de bandeja a melhor desculpa possível para Castro e Kruschev – a de que era preciso armar a ilha para evitar outra tentativa de invasão a Cuba. O americano também precisa responder pelo erro grosseiro de avaliação diante das manobras de Kruschev. Ele acreditava que seu oponente não ousaria chegar tão perto de suas fronteiras.

A intrepidez do comandante vermelho durou onze dias repletos de temores, reuniões secretas, mobilizações militares e lances de desespero. Ironia suprema, Nikita Kruschev, o soberano de um império que se vangloria de sua frieza e destemor diante do sentimentalismo dos ocidentais, foi o primeiro a sucumbir. Na noite do dia 26, a Casa Branca recebia uma mensagem incomum. No lugar dos comunicados impessoais e sisudos geralmente assinados por Kruschev, chegava uma carta extensa e franca, claramente escrita sob extrema comoção. Concluiu-se que os nervos de aço de Kruschev haviam fraquejado – ele tomara para si a decisão de oferecer um acordo aos americanos, e redigira a carta de próprio punho, sem consultar a cúpula comunista. Sua proposta: Kennedy prometeria jamais atacar Cuba, todos os mísseis iriam embora. “Entendemos perfeitamente que, se atacarmos vocês, vocês responderão da mesma forma”, escreveu Kruschev. “Somos pessoas normais, que compreendemos e avaliamos corretamente a situação. Só lunáticos e suicidas poderiam agir de outra forma. Não queremos destruir seu país, mas sim, apesar das nossas diferenças ideológicas, competir pacificamente, e não por meios militares. Somente um louco é capaz de acreditar que as armas são os principais meios de vida de uma sociedade. Se as pessoas não mostrarem sabedoria, elas entrarão em confronto, e a exterminação recíproca começará.”

Os americanos foram dormir otimistas com a chance de acordo, mas ainda teriam mais um dia de angústia pela frente. Provavelmente convencido pelos camaradas de partido, Kruschev divulgou outra mensagem, desta vez de forma pública, colocando outra exigência na conta dos americanos: a remoção de seus mísseis na Turquia, vizinha da URSS. Moscou comparava a presença das armas dos EUA no país à ameaça dos mísseis soviéticos em Cuba. Kennedy lustrou a cara-de-pau e decidiu ignorar o segundo recado: preparou uma resposta apenas para a carta original de Kruschev. Inacreditavelmente, os momentos de espera por uma definição do russo foram, na verdade, os mais perigosos dos treze dias de crise. Se houve um dia em que a pior das guerras esteve mesmo perto de começar, esse dia foi sábado, 27 de outubro de 1962. Pela manhã, a crise provocou sua primeira e única baixa: o major Rudolph Anderson, que pilotava um U-2 de reconhecimento americano derrubado por baterias antiaéreas soviéticas. Dias antes, Kennedy prometera dar sinal verde para um ataque caso os inimigos dessem o primeiro tiro. Mais consciente dos possíveis desdobramentos dessa ordem, decidiu aguardar. Ao mesmo tempo, os preparativos militares chegavam ao grau máximo. Os dois lados estavam prontos para a batalha. O Pentágono já havia definido até a seqüência de alvos que deveriam ser eliminados na ilha. A CIA informava que todos os mísseis instalados pelos soviéticos em Cuba também estavam prontos para o disparo.
No fim da noite, Washington enviou uma mensagem ao comando da Otan, a aliança militar ocidental. “A situação está ficando urgente”, avisava o texto. “Dentro de um prazo muito curto, nosso país pode considerar necessário adotar uma ação militar em nome de seus próprios interesses e dos interesses das nações aliadas no Hemisfério Ocidental.” Dias depois, Robert Kennedy confessaria que a saída negociada era, a essa altura, apenas uma fina esperança, e não mais a expectativa geral. “A expectativa era de um confronto militar já no dia seguinte”, revelou. Nunca saberemos exatamente o que aconteceu naquela noite em Moscou. Na manhã seguinte, no entanto, Nikita Kruschev enfim sepultou o episódio, garantindo que a humanidade não tivesse presenciado seu derradeiro amanhecer. Em pronunciamento transmitido pela Rádio Moscou, o russo anunciava que as armas seriam encaixotadas e devolvidas à URSS.

8439 – Mega Presidentes – Ronald Reagan


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(Tampico, Illinois, 6 de Fevereiro de 1911 — Los Angeles, 5 de Junho de 2004) foi um ator e político estadunidense, 33º governador da Califórnia e 40º presidente dos Estados Unidos.
Nascido em Illinois, Reagan mudou-se para Los Angeles, Califórnia na década de 1930, onde trabalhou como ator e se tornou presidente da Screen Actors Guild (SAG), e porta-voz da General Electric (GE). Sua carreira política tem suas origens durante seu trabalho para a General Eletric. Originalmente membro do Partido Democrata, Reagan mudou para o Partido Republicano em 1962, tendo na época 51 anos de idade, creditando tal mudança às posições cada vez mais esquerdizantes do Partido Democrata, afirmando que eles o havia abandonado ao deixarem de ser o partido de Thomas Jefferson, Andrew Jackson e Grover Cleveland para se tornar o partido de Karl Marx, Vladimir Lênin, e Josef Stálin.
Após realizar o seu famoso discurso A Time for Choosing, em apoio à candidatura de Barry Goldwater à presidência dos Estados Unidos em 1964, Reagan tornou-se um fenômeno no Partido Republicano, ganhando forte apoio entre os eleitores do partido e sendo persuadido a candidatar-se ao cargo de Governador da Califórnia. Foi eleito para o cargo dois anos depois, em 1966, e reeleito em 1970. Em 1968 e 1976, Reagan participou das primárias republicanas para escolha do candidato do partido à presidência, sendo derrotado em ambas as oportunidades. No entanto, em 1980, Reagan finalmente foi escolhido como candidato republicano e, logo após, elegeu-se presidente dos Estados Unidos, tornando-se o mais velho a ser eleito para o cargo (69 anos e 349 dias).
Como presidente, Reagan implementou uma série de ousadas iniciativas econômicas e novas políticas. Sua política de recuperação econômica através do estímulo à oferta (supply-side economics), popularmente conhecida como “Reaganomics”, incluiu medidas de desregulamentação e cortes de impostos, implementadas já no seu primeiro ano de mandato em 1981.
Em 1994, cinco anos após o fim de sua presidência, ele revelou que estava sofrendo da doença de Alzheimer. Morreu dez anos depois, com 93 anos de idade. Foi considerado um grande presidente americano e era creditado com o renascimento do ideológico de direita americana.
Depois de se formar em Eureka no ano de 1932, Reagan foi a para o estado de Iowa, onde foi entrevistado para numerosas rádios locais. A Universidade de Iowa, o contratou para transmitir jogos em casa para o time de futebol dos Hawkeyes. Ele recebeu 10 dólares por jogo. Pouco depois do trabalho de apresentador, libertou o WOC estação de rádio em Davenport, e Reagan foi contratado, agora ele ganhara 100 dólares por mês. Ajudado por sua voz persuasiva, ele entrou na estação OMS em Des Moines como locutor de jogos de beisebol do Chicago Cubs.
Sua especialidade era realizar comentários de correspondência que foram enviadas por telegrama para o rádio. Então, ele seguiu os Cubs na Califórnia, Reagan realizou uma audição filme em 1937, que levou a um contrato de sete anos com o estúdio Warner Bros.
Seu primeiro papel principal foi em Love Is on the Air em 1937, e em 1939, ele já tinha aparecido em 19 filmes. Antes do filme A Estrada de Santa Fé, em 1940, ele desempenhou o papel de George “The Gipper” Gipp no filme Knute Rockne, All American daí o seu apelido de “The Gipper”.

Governador da Califórnia (1967-1975)

Os Republicanos da Califórnia ficaram impressionados com a política de Reagan, a visão e carisma em seu discurso “Time for Choosing” e que o elegeu para o cargo de governador da Califórnia em 1966. Em sua campanha, Reagan destacou dois temas: “mendigos voltando ao trabalho no sistema de proteção social”, com referência aos protestos estudantis contra a primeira guerra e para a liberdade de expressão na Universidade de Berkeley. Ele foi eleito para enfrentar Pat Brown, e foi empossado em 02 de janeiro de 1967. Durante seu primeiro mandato, ele congelou contratações do governo e o aumento de impostos aprovados para equilibrar o orçamento.
No início de 1967, o debate nacional sobre o aborto estava começando. O senador democrata Anthony Beilenson da Assembléia da Califórnia, introduziu a “Lei do Aborto Terapêutico”, cujo objetivo foi o de reduzir o número de abortos ilegais realizados na Califórnia. O Poder Legislativo enviou a lei para Reagan assiná-la, o que ele fez depois de vários dias de reflexão. Cerca de dois milhões de abortos foram realizados como resultado dessa lei, principalmente por causa da cláusula autorizando abortos para o bem-estar da mãe. Reagan estava no cargo há menos de quatro meses, quando ele assinou a lei, e ele achou que se tivesse mais experiência com esse cargo, ele não teria assinado. Tendo reconhecido que ele chamou de as “consequências” da lei, ele anunciou que ele era pró-vida. Ele manteve essa posição mais tarde e escreveu muito sobre ela.

A campanha presidencial de 1980 entre Reagan e o então atual presidente Jimmy Carter foi realizada em questões de política interna e durante a Crise de reféns no Irã. Reagan enfatizou seus princípios fundamentais: menos impostos para estimular a economia, menos interferência do governo na vida das pessoas, o reforço dos direitos dos estados, fortalecendo a defesa nacional e reindexação do dólar sobre o padrão-ouro.
Reagan lançou sua campanha, declarando “Eu acredito em direitos dos estados”, na Filadélfia e Mississippi, conhecido na época pelo assassinato de três membros do movimento de direitos civis em 1964.
Em 30 de março de 1981, apenas 69 dias após o início de sua presidência, Reagan sofreu uma tentativa de assassinato quando ele deixou o Washington Hilton Hotel. Um desequilibrado de 26 anos de idade, chamado John Hinckley, Jr. disparou seis tiros em sua direção um dos tiros ricocheteou a porta da limusine e atingiu o presidente no peito. Três pessoas ficaram feridas, seu secretário de imprensa James Brady , que ficou paralisado, o policial Thomas Delahanty e agente do Serviço Secreto Timothy McCarthy. Embora em um “estado crítico” durante a operação,Reagan se recuperou e deixou o hospital em 11 de abril . A tentativa de assassinato teve grande influência sobre a popularidade do presidente, enquetes indicavam aprovação de aproximadamente 73% dos americanos. Reagan acreditava que Deus havia poupado sua vida para que ele possa conseguir grandes coisas.

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Em 25 de outubro de 1983, Reagan ordenou a invasão da ilha de Granada, onde um golpe de Estado em 1979 trouxe ao poder um governo marxista-leninista. Um pedido formal para a Organização dos Estados do Caribe Oriental (OECS) levou à intervenção dos EUA durante a Operação Fúria Urgente. Reagan citou a ameaça representada pelo soviético-cubano influência no Caribe e ameaça a centenas de estudantes americanos da Universidade de Saint-Georges para justificar sua intervenção. Foi a primeira grande operação militar conduzida pelos Estados Unidos desde a Guerra do Vietnã, a luta durou vários dias e que o governo comunista foi derrubado ao preço de 19 mortos e 116 feridos no lado americano. Em meados de dezembro, as forças americanas se retiraram após a nomeação de um novo governo.
Em seu segundo mandato, no ano de 1988, mais de cinco anos após afirmar que a União Soviética era o “Império do Mal”, Reagan visitou a capital do país, Moscou. Quando questionado por um repórter se ele ainda acreditava no termo que havia usado, Reagan afirmou que não mais tinha essa ideia sobre o país, e que utilizara a expressão em uma “era diferente”, ou seja, no período precedente à chegada do líder reformista Mikhail Gorbachev. Ainda assim, Reagan continou sendo crítico ao regime soviético pela ausência de instituições democráticas.
De acordo com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, Reagan denunciou a União Soviética, em termos ideológicos.

Fim da Guerra Fria
No início de 1980, a URSS havia criado um exército e um arsenal militar, que superou os Estados Unidos. Anteriormente, os norte-americanos contaram com a superioridade tecnológica de suas armas para, essencialmente preocupado os soviéticos, mas a diferença diminuiu. Depois de reforçar a defesa Reagan, a União Soviética não desenvolveu as suas capacidades militares, o gasto enorme militar associado com a economia planificada e da agricultura planejada eram um fardo pesado para a economia soviética. Ao mesmo tempo, a administração Reagan convenceu a Arábia Saudita a aumentar sua produção de petróleo que levou a um colapso dos preços do petróleo, em 1985, caiu para um terço do nível anterior, o petróleo foi um dos principais produtos exportações da União Soviética. Esses fatores levaram a uma estagnação da economia soviética durante o período de Gorbachev.
Reagan reconheceu a mudança na direção da liderança soviética com a chegada de Mikhail Gorbachev e tentou encorajar o líder soviético para negociar o desarmamento. Reagan considerou que a sua missão era alcançar “um mundo livre de armas nucleares”, que ele via como “totalmente irracional, totalmente desumano, bom para nada, exceto para matar e possivelmente destruir formas de vida na Terra e a civilização.
Gorbachev e Reagan organizaram quatro conferências sobre desarmamento entre 1985 e 1988: a primeira em Genebra , a segunda em Reykjavík, a terceira, em Washington DC e a quarta em Moscou. Reagan acreditava que se pudesse convencer os soviéticos para permitir mais democracia e maior liberdade de expressão, o que levaria a reforma e o fim do comunismo.
Quando o então presidente Reagan visitou o Brasil em uma missão diplomática no ano de 1982, cometeu uma gafe quando em um banquete em Brasília. Ronald Reagan se levantou e propôs um brinde ao “povo da Bolívia”. Estava ao seu lado o então ministro das relações exteriores do Brasil, Ramiro Elísio Saraiva Guerreiro.
Após deixar a Casa Branca em 1989, Reagan comprou uma casa em Bel Air, em Los Angeles, além do Rancho Reagan, em Santa Barbara. Eles frequentavam regularmente os escritórios da Igreja Presbiteriana de Bel Air e apareceu em nome do Partido Republicano onde fez um discurso notável na Convenção Republicana de 1992. Em 04 de novembro de 1991, The Ronald Reagan Presidential Library foi dedicado e aberto ao público. Durante a cerimônia, cinco presidentes estiveram presentes, bem como seis primeiras-damas, era primeira vez em que cinco presidentes estavam no mesmo lugar. Reagan falou publicamente em favor de uma extensão do veto presidencial, para o projeto de lei Brady no controle de armas de fogo com o nome de James Brady , que foi baleado durante uma tentativa de assassinato contra Reagan, para uma emenda exigindo votar um orçamento equilibrado, e para a revogação da XXII Emenda à Constituição dos Estados Unidos sobre o número de mandatos presidenciais. Em 1992, Reagan apresentou o Ronald Reagan Freedom Award junto a Ronald Reagan Presidential Foundation. Ele deu o seu último discurso público 03 de fevereiro de 1994, durante um tributo em sua homenagem em Washington DC e ele fez sua última aparição pública no funeral de Richard Nixon no dia 27 de abril de 1994.

Alzheimer
Em agosto de 1994, com 83 anos de idade, Reagan foi diagnosticado com a doença de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa incurável no tecido cerebral que causa a perda progressiva e irreversível das funções cognitivas.
Após o anúncio, ele recebeu muitas mensagens de apoio em sua casa na Califórnia, mas também houve especulações de que ele sofria da doença quando era presidente. Em suas memórias, o ex-correspondente da Casa Branca para a CBS, Lesley Stahl, disse seu último encontro com o presidente em 1986: “Reagan parecia não saber quem ele era … Eu achava que ele era louco, que eu teria que dizer aos meus conterrâneos que o presidente dos Estados Unidos foi completamente oeste. ” No entanto, o presidente retornou à sua lucidez no final da entrevista. Como ele escreveu: “Eu estava em que a relatar que Reagan estava senil.
Para complicar a questão, Reagan sofreu traumatismo craniano em julho de 1989, cinco anos antes do diagnóstico. Depois de cair do cavalo, no México, um hematoma subdural foi formado e operado no final do ano. Nancy Reagan afirmou que a queda de seu marido, em 1989, acelerou o aparecimento da doença de Alzheimer, citando o que os médicos lhe disseram. Todavia não é certo que uma lesão cerebral possa ser a causa do início da doença. Um dos médicos de Regan, Dr. Daniel Huge, disse que era possível, mas não é certo que o acidente de cavalo tenha afetado a memória de Reagan.

Morte
Reagan morreu de pneumonia em sua casa em Bel Air, Califórnia, na tarde de 05 de junho de 2004. Pouco depois de sua morte, Nancy Reagan emitiu um comunicado: “Minha família e eu queremos que o mundo saiba que o presidente Ronald Reagan morreu após 10 anos da doença de Alzheimer com 93 anos de idade. Vamos nos sensibilizar às orações de todos”. O presidente George W. Bush decretou que 11 de junho fosse um dia de luto nacional e homenagens vieram de todo o mundo. O corpo de Reagan foi tomado na tarde, no Funeral Home Kingsley and Gates, em Santa Monica, onde partidários o homenagearam. Em 7 de junho, seu corpo foi transferido para a Biblioteca Presidencial Ronald Reagan, onde uma breve cerimônia privada foi realizada. O caixão foi exibido no átrio da biblioteca até 09 de junho, mais de 100.000 pessoas foram ver seu corpo. Em 9 de junho, o corpo de Reagan foi levado para Washington DC, onde ele foi colocado na Rotunda do Capitólio, 104.684 pessoas viram seu corpo durante as 34 horas possíveis.
Seu túmulo contém a inscrição “Eu sei em meu coração que o homem é bom, que o que é certo irá sempre triunfar e que não é um objetivo é valor para a vida toda”, recordando as palavras que ele havia falado durante a inauguração da biblioteca.
Desde o fim da presidência de Reagan, em 1989, seu legado é a fonte de intenso debate entre os historiadores, estudiosos e ao público em geral. Seus partidários apontam para a economia mais eficiente e próspera que emergiu da política dos Reaganomics, seus êxitos em política externa com o fim pacífico da Guerra Fria e restaurar o orgulho e a moral dos Estados Unidos da América. Críticos respondem que as políticas econômicas de Reagan, levaram aos défices orçamentais significativos, um aumento da desigualdade social e aumento da precariedade e a credibilidade dos EUA tenha sido enfraquecida, como resultado dos afazeres na Guerra Irã-Iraque. Apesar dos debates, Reagan é considerado um dos presidentes mais populares da história americana nas pesquisas de opinião.
Muitos estudiosos conservadores e liberais concordam, que Reagan foi o presidente mais influente desde Franklin D. Roosevelt e deixou sua marca sobre a política, a diplomacia, a cultura, a economia dos EUA. Desde que ele deixou o cargo, historiadores chegaram a um consenso, resumido pelo historiador britânico MJ Heale, que o conservadorismo de Reagan reabilitado, transformou a nação para a direita, praticado um conservadorismo muito pragmática equilibrado restrições ideológicas e políticas, fé revivida na presidência e no respeito dos norte-americanos para si e contribuiu para a vitória na Guerra Fria.

8272 – Futebol e Geo-Política – Se a Iugoslávia tivesse vencido a Copa do Mundo, que país atual ficaria com a taça?


A Sérvia seria dona do troféu mais cobiçado do futebol. A regra vale para campeonatos e estatísticas conquistados pela Iugoslávia em competições esportivas. E quem define isso não é a Fifa, nem o Comitê Olímpico Internacional, mas a ONU. É que toda vez que um país se divide, pacificamente ou por guerras, aplica-se um princípio do direito internacional chamado “sucessão de Estados”. Em resumo, novos países resultantes da divisão firmam acordos internacionais definindo quais deles serão herdeiros da nação dissolvida. A herança envolve privilégios e obrigações, como patrimônios e dívidas. Se a ONU aprova o tratado, as federações internacionais de cada modalidade esportiva assinam embaixo e transferem o histórico competitivo para o país herdeiro. Por isso, todas as conquistas da União Soviética – dissolvida em 1991 – estão na conta da Rússia. O caso mais estranho é o da ex-Checoslováquia, que desde 1993 tem dois sucessores oficiais. Nesse caso, os troféus ficam onde a federação internacional de cada esporte definir: a República Checa leva vantagem nessa disputa, herdando a maioria dos troféus e rachando algumas estatísticas esportivas com a vizinha Eslováquia.

8038 – Aaron Swartz – O Martir da Internet


Aaron H. Swartz (Chicago, 8 de novembro de 1986 – Nova Iorque, 11 de janeiro de 2013)
Foi um programador americano, escritor, organizador político e ativista na Internet. Swartz é co-autor da especificação RSS. Foi um dos fundadores do Reddit e da organização ativista online Demand Progress. Era também membro do Centro Experimental de Ética da Universidade Harvard.
Em 6 de janeiro de 2011, Swartz foi preso pelas autoridades federais dos Estados Unidos, por compartilhar artigos em domínio público distribuídos sob cobrança pela revista científica JSTOR
acusado pelo governo dos EUA de crime de invasão de computadores – podendo pegar até 35 anos de prisão e multa de mais de um milhão de dólares – pelo fato de ter usado formas não convencionais de acesso ao repositório da revista.
Swartz era contrário à prática da JSTOR de compensar financeiramente as editoras, e não os autores, e de cobrar o acesso aos artigos, limitando o accesso para finalidade acadêmicas.
Dois anos depois, na manhã de 11 de janeiro de 2013, Aaron Swartz foi encontrado enforcado no seu apartamento em Crown Heights, Brooklyn – num aparente suicídio.
Swartz nasceu em Chicago, Illinois, filho de Susan e Robert Swartz. Sua família é judia. Seu pai tinha uma empresa de software, a Mark Williams Company, e, desde pequeno, Swartz interessou-se por computação, estudando ardentemente aspectos da Internet e sua cultura.
Aos 13 anos, Swartz ganhou o prêmio ArsDigita para jovens criadores de “websites não comerciais, úteis, educacionais e colaborativos”. O prêmio incluía uma viagem para o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e encontros com pessoas notáveis da Internet.
Aos 14 anos Swartz colaborou com especialistas em padrões de rede, como membro do grupo de trabalho que inventou a Especificação 1.0 do RSS. Sobre Swartz, a jornalista Virginia Heffernan escreveu no Yahoo! News: “Ele agitou sem cessar – e sem compensação financeira – o movimento em prol da cultura livre.”
Um Pouco Mais

Um Guerrilheiro da Internet Livre
O (suposto) suicídio do gênio da programação e ativista Aaron Swartz não é somente uma tragédia, mas um sinal da enorme dimensão do conflito político e ideológico envolvendo defensores de uma Internet livre e emancipatória, de um lado, e grupos organizados dentro do sistema que pretendem privatizar e limitar o acesso à produção intelectual humana, de outro. Neste sábado (12/01), colunistas de cultura digital de diversos jornais escreveram sobre a morte do jovem Swartz, aos 26 anos, encontrado morto em um apartamento de Nova Iorque (ler os textos de John Schwartz, para o New York Times; Glenn Greenwald, para o The Guardian; Virginia Heffernan, para o Yahoo News; e Tatiana Mello Dias, para o Estadão). Diante da turbulenta vida do jovem Swartz e seu projeto político de luta pela socialização do conhecimento, difícil crer que o suicídio tenha motivações estritamente pessoais, como uma crise depressiva. A morte de Swartz pode significar um alarme para uma ameaça inédita ao projeto emancipatório da revolução informacional. O sistema jurídico está sendo moldado por grupos de interesse para limitação da liberdade de cidadãos engajados com a luta de uma Internet livre. Tais cidadãos são projetados midiaticamente como inimigos desestabilizadores da ordem (hackers). Os usuários da Internet, sedados e dominados pela nova indústria cultural, pouco sabem sobre o que, de fato, está acontecendo mundo afora.
Nascido em novembro de 1986 em Chicago, Aaron Swartz passou a infância e juventude estudando computação e programação por influência de seu pai, proprietário de uma companhia de software. Aos 13 anos de idade, foi vencedor do prêmio ArsDigita, uma competição para websites não-comerciais “úteis, educacionais e colaborativos”. Com a vitória no prêmio, Swartz visitou o Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde conheceu pesquisadores da área de Internet. Aos 14 anos, ingressou no grupo de trabalho de elaboração do versão 1.0 do Rich Site Summary (RSS), formato de publicação que permite que o usuário subscreva conteúdos de blogs e páginas (feeds), lendos-o através de computadores e celulares.
Aos 16 anos frequentou e abandonou a Universidade de Stanford, dedicando-se a fundação de novas companhias, como a Infogami. Aos 17 anos, Aaron ingressou na equipe do Creative Commons, participando de importantes debates sobre propriedade intelectual e licenças open-sources (ver a participação de Swartz em um debate de 2003). Em 2006, ingressou na equipe de programadores da Reddit, plataforma aberta que permite que membros votem em histórias e discussões importantes. No mesmo ano, tornou-se colaborador da Wikipedia e realizou pesquisas importantes sobre o modo de funcionamento da plataforma colaborativa .
Em 2007, fundou a Jottit, ferramenta que permite a criação colaborativa de websites de forma extremamente simplificada.
Em pouco tempo, Swartz tornou-se uma figura conhecida entre os programadores e grupos de financiamento dedicados a start-ups de tecnologia. Entretanto, sua inteligência e o brilhantismo pareciam não servir para empreendimentos capitalistas. Tornar-se rico não era seu objetivo, mas sim desenvolver ferramentas e instrumentos, através da linguagem de programação virtual, para aprofundar a experiência colaborativa e de cooperação da sociedade.
Aos 21 anos, Aaron ingressou em círculos acadêmicos (como o Harvard University’s Center for Ethics) e não-acadêmicos de discussão sobre as transformações sociais e econômicas provocadas pela Internet, tornando-se, aos poucos, uma figura pública e um expert no debate sobre a “sociedade em rede”.
Manifesto
Em 2008, indignado com a passividade dos cientistas com relação ao controle das informações por grandes corporações, Swartz publicou um manifesto intitulado Guerilla Open Access Manifesto (Manifesto da Guerrilha pelo Acesso Livre). Trata-se de um texto altamente revolucionário, que encerra-se com um chamado: “Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir à luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública. Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla Open Access. Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado” (cf. ‘Aaron Swartz e o manifesto da Guerrila Open Acess‘).
No final de 2010, Aaron Swartz identificou uma anomalia procedimental com relação a uma nova lei de copyright, proposta por integrantes dos partidos republicanos e democratas em setembro daquele ano. A lei havia sido introduzida com apoio majoritário, com um lapso de poucas semanas para votação. Obviamente, segundo o olhar crítico de Swartz, havia algo por trás desta lei. O objetivo camuflado era a censura da Internet.

A partir da união de três amigos, Swartz formulou uma petição on-line para chamar a atenção dos usuários da Internet e de grupos políticos dos Estados Unidos. Em dias, a petição ganhou 10 mil assinaturas. Em semanas, mais de 500 mil. Com a circulação da petição, os democratas adiaram a votação do projeto de lei para uma analise mais profunda do documento. Ao mesmo tempo, empresas da Internet como Reddit, Google e Tumblr iniciaram uma campanha maciça para conscientização sobre os efeitos da legislação (a lei autorizaria o “Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os detentores de direitos autorais a obter ordens judiciais contra sites que estejam facilitando ou infringindo os direitos de autor ou cometendo outros delitos e estejam fora da jurisdição norte americana.
Em outubro de 2011, o projeto foi reapresentado por Lamar Smith com o nome de Stop Online Piracy Act. Em janeiro de 2012, após um intenso debate promovido na rede, a mobilização de base entre ativistas chamou a atenção de diversas organizações,como Facebook, Twitter, Google, Zynga, 9GAG, entre outros. Em 18 de janeiro, a Wikipedia realizou um blecaute na versão anglófona, simulando como seria se o website fosse retirado do ar (cf. ‘Quem apagou as luzes em protesto à SOPA?‘ e ‘O apagão da Wikipedia‘). A reação no Congresso foi imediata e culminou na suspensão do projeto de lei. Vitória do novo ativismo cívico? Para Swartz, sim. Uma vitória inédita que mostrou a força da população e da mobilização possível na Internet. Mas não por muito tempo. Em um discurso feito em maio de 2012 — que merece ser visto com muita atenção –, Aaron foi claro: o projeto de lei para controlar a Internet irá voltar, com outro nome e outro formato, mas irá voltar…
Informação é poder. Swartz enxergou muito além do que seus contemporâneos e tentou mobilizar os usuários de Internet para construção de um outro mundo. Infelizmente, não foi apoiado da forma como precisava. A reverberação de suas ideias e suas ações ainda é muito fraca. Mas isso não é motivo para desistência. A brevíssima vida deste jovem estadunidense pode inspirar corações e mentes. Em tempos de discussão no Brasil sobre o Marco Civil da Internet, corrupção da política e agigantamento do Judiciário, o resgate a seu pensamento é necessário. Ainda mais em um país que conta com mais de 80 milhões de usuários de Internet. A questão é saber se as pessoas terão curiosidade e interesse em compreender o projeto de vida de Swartz ou se irão continuar lendo matérias produzidas por corporações interessadas na limitação da liberdade na Internet.
Eu fico com o projeto de Swartz. Aliás, fique livre para copiar esse texto.

Anonymous

7953 – Mega Polêmica – O Império vai Cair?


Opinião de um cientista político:

Quando o império soviético desmoronou, muitos analistas internacionais pensaram que os Estados Unidos passariam a disputar o mundo com países como Japão, Rússia, Alemanha e China. Eles se enganaram. Pela primeira vez na história, uma só nação assumiu um poder muito acima das demais, uma situação que os especialistas chamam de unipolaridade. Os domínios de Carlos Magno se limitavam à Europa. Os romanos chegavam mais longe, mas conviviam com um grande império na Pérsia e um maior ainda na China. Hoje, a história é bem diferente. Os Estados Unidos gastam em defesa o mesmo que a soma dos outros 25 países mais poderosos do mundo. Em 2007, vão gastar mais que todas as demais nações juntas.
Até onde a vista alcança, nada parece deter a superpotência solitária. “Mas ela vai cair. É apenas uma questão de tempo”, diz Kenneth Waltz, professor de ciência política da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Waltz é o pai do neorealismo, que parte da teoria clássica de que os países são o que importa nas relações internacionais, e não organizações, empresas, fundos ou bancos. A novidade de Waltz é estudar a lógica – ou, em suas palavras, a estrutura – que define o comportamento entre os países. Não importa muito quem esteja governando cada país, a estrutura estabelece regras que fazem a relação entre eles ser sempre parecida.
Uma dessas regras é que, por não existir nenhum governo que regule a relação entre as nações, cabe a cada uma competir para sobreviver. Quando um país poderoso começa a emergir, outros tratam de detê-lo para impedir que se torne hegemônico.

A China pode ser uma ameaça ao poder dos Estados Unidos?
Ainda não. Um dia os chineses poderão ter condições de igualar forças com os Estados Unidos, mas tudo vai depender de como os dois países vão se desenvolver nas esferas econômica, tecnológica e militar. Penso que esse equilíbrio só ocorrerá daqui a 20 ou 30 anos. Na última crise entre China e Taiwan, os Estados Unidos mandaram porta-aviões às águas chinesas e não houve nada que os orientais pudessem fazer. Foi muito impressionante do ponto de vista militar americano e muito deprimente do ponto de vista chinês.

E a União Européia?
Depois da Segunda Guerra Mundial, os países europeus deixaram de ser grandes poderes e mudaram de comportamento. Antigos provedores de segurança para outras partes do mundo, eles se tornaram consumidores de segurança. Passaram a viver à sombra das duas superpotências: Estados Unidos e União Soviética. Se a União Européia fosse uma entidade política, poderia equilibrar forças com os Estados Unidos em pouco tempo. Tem todos os recursos para isso: população, economia e tecnologia. Só o que lhe falta é existência política. Ela existe como uma sociedade economicamente cooperativa, uma união que pode administrar, proteger direitos humanos e impor uniformidade de leis, mas é incapaz de ter uma política exterior e de defesa comum.

O terror não ameaça a superpotência?
O terrorismo incomoda muito, mas não ameaça a segurança e o tecido social de um Estado forte. O Taleban destruiu dois edifícios importantes, causou danos ao Pentágono e matou algo como 3 mil pessoas. Em resposta, os Estados Unidos derrotaram e ocuparam o Afeganistão e o Iraque. A desproporção é imensa. Claro que não estamos acostumados a essas circunstâncias perigosas, por isso ficamos tão impressionados por eventos como os de 11 de setembro.
Globalização e interdependência são termos muito usados hoje, mas obscurecem a realidade. O mundo é altamente desigual. A diferença entre os países é imensa e está crescendo. Nos anos 90, cerca de 80% dos investimentos internacionais foram para os países do norte, sobretudo Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. E os americanos buscam aumentar essa diferença. A política oficial da administração Bush é: seremos tão fortes que todos os demais vão desistir de competir conosco. As pessoas falam de integração, mas o mundo está cada vez mais desintegrado.

7216 – Geo-Política – O Contraste das Fronteiras


ESTADOS UNIDOS / MÉXICO

De um lado, Tijuana é caótica, cinzenta, densamente povoada, com uma proliferação de casas feitas de pneus e materiais reciclados. Sua expansão só é impedida por uma cerca. Isso porque do outro lado está San Diego, Califórnia. O cenário é opressor. O cercado é feito de chapas de metal usadas em pistas de pouso nas guerras do Vietnã e do Golfo. A imagem não deixa dúvida. Enquanto o centro de Tijuana avança rumo à fronteira e ao dinheiro americano, o de San Diego se afasta da pobreza mexicana. “Atravessar a fronteira pode levar até cinco horas. A segurança para entrar no lado americano é muito mais rígida, especialmente por causa do tráfico de drogas”, disse um americano que já fez a travessia mais de dez vezes – em alguns casos, só para comer em um restaurante mexicano. Segundo ele, a volta é tumultuada também porque policiais de Tijuana costumam exigir propina para seguir viagem. “São geralmente US$ 20, mas eles não deixam você sequer entrar na fila para cruzar a fronteira caso não pague”. E, se o trajeto México-EUA é bagunçado, o oposto é tranquilo: leva só dez minutos em média.

COREIA DO SUL / COREIA DO NORTE – PARALELO 38 N
Ao final da Guerra da Coréia, em 1953, os dois lados determinaram um cessar-fogo e estabeleceram uma zona de segurança na fronteira, no paralelo 38 graus ao norte do Equador. Sob a supervisão da ONU, a área é conhecida como “zona desmilitarizada” e acabou virando, sem querer, um dos maiores pontos turísticos da Coreia do Sul. Ninguém pode passar para o norte. E nem iria querer: placas avisam sobre as inúmeras minas terrestres que cercam as estradas. O fotógrafo brasileiro Ricardo Azoury esteve na fronteira. “Não é um turismo fácil. Você precisa se justificar o tempo todo. No meu caso, tive uma escolta”, diz. Estas casas são postos de fronteira e têm uma porta em cada lado para que soldados entrem sem invadir o país vizinho.

HOLANDA / BÉLGICA
Baarle tem limites complicados. Parte dela é da Holanda e se chama Baarle-Nassau, enquanto a outra pertence à Bélgica e é Baarle-Hertog. Cada uma tem sua prefeitura, policiais etc. Mas a divisa não é marcada por uma linha contínua: é toda feita de estilhaços. Há vários pedaços de Baarle-Nassau dentro de Baarle-Hertog e vice-versa. Os únicos indicadores do país em que você se encontra são marcações na rua e minúsculas bandeiras nacionais na porta das casas. A origem está no século 12, quando dois senhores feudais não chegaram a um consenso para dividir a área de maneira simples. Hoje, as fronteiras não têm importância política, mas são defendidas pelos habitantes: eles dizem que, se não fosse isso, a(s) cidade(s) seria(m) um lugar qualquer.

HAITI / REPÚBLICA DOMINICANA
A fronteira das duas nações que dividem a ilha de Hispaniola, no Caribe, tem contrastes extremos. “Em muitos lugares nessa área, podemos olhar para o leste [o lado dominicano] e ver florestas de pinheiros e, ao virar para o outro lado [o haitiano], vemos apenas campos quase desprovidos de árvores”, descreve o geógrafo Jared Diamond no livro Colapso. Originalmente, a ilha como um todo era conhecida pela exuberância de suas florestas. Hoje, 28% da cobertura vegetal está preservada na República Dominicana, contra apenas 1% no Haiti – e as poucas reservas haitianas estão ameaçadas por camponeses que derrubam árvores para fazer carvão vegetal. A razão é histórica. Apesar de ser hoje um dos países mais pobres do mundo, o Haiti desenvolveu uma pujante economia agrícola no século 18, chegando a ser a colônia mais rica da França. “Nessa época, o império francês decidiu investir em plantações intensivas baseadas em trabalho escravo, enquanto a Espanha não desenvolveu o seu lado da ilha [a República Dominicana]”, explica Diamond. Além disso, todos os navios que traziam escravos voltavam para a Europa com cargas de madeira. Isso contribuiu para o desmatamento mais rápido e a perda de fertilidade do solo – o que dá para ver do céu.

BRASIL / FRANÇA – PARIS, AMAPÁ
Sim, o Brasil faz fronteira com a França – e é a maior que eles têm, com quase 700 quilômetros, na Guiana Francesa, um departamento ultramarino da França que faz divisa com o Amapá. Lá, a moeda corrente é o euro, o que há anos atrai amapaenses em busca de trabalho. Tanto que há muitos brasileiros francófonos na fronteira. Mesmo assim, a única ponte que liga o Brasil à Guiana Francesa, sobre o rio Oiapoque, ainda não foi inaugurada. Ela está pronta desde 2011.

ISRAEL / EGITO / PALESTINA
Desde a criação de Israel, em 1948, a terra do país ficou de cara nova, com áreas irrigadas e cultiváveis, afastando-se da secura do país vizinho, o Egito. Hoje, Israel tem áreas maiores de agricultura comercial irrigada. Enquanto isso, o solo egípcio tem uma cor bem mais clara por causa da destruição de crostas biológicas que o recobrem – o que pode ter sido provocado pelo pisoteamento da terra por homens e animais, com o pastoreio excessivo. Já a Faixa de Gaza, território palestino situado em uma estreita faixa costeira ao longo do mar Mediterrâneo, se destaca por outra característica: a enorme concentração de pessoas, a maioria refugiados, em um pequeno espaço. São 4 mil habitantes por quilômetro quadrado, dez vezes mais que Israel – e a densidade demográfica do Egito é menor ainda: apenas 74 pessoas por quilômetro quadrado. Com todo esse povo, apenas 13% da Faixa de Gaza tem terras cultiváveis. Até do ponto de vista da Nasa, os contrastes na região são gritantes.

ÍNDIA / BANGLADESH
São mais de 200 enclaves (um território dentro dos limites de outro) e exclaves (território pertencente a outro, mas que não está fisicamente junto). Para se ter uma ideia, há um pedaço da Índia dentro de um pedaço de Bangladesh que, por sua vez, está dentro da Índia. E por aí vai. Mas não basta a complexidade das fronteiras, a disparidade também choca: o lado bengalês é devastado, enquanto o indiano tem florestas subtropicais. “De uma forma geral, a fronteira de Bangladesh é um reflexo do país como um todo”, afirma Moisés Lopes de Souza, especialista em Ásia do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP. “Ele sofre com a superpopulação, e quase metade de seus 150 milhões de habitantes sobrevive em condições miseráveis”. O país é majoritariamente agrário. Quase toda a terra arável na região tem sido cultivada ou urbanizada, resultando na devastação de grande parte das florestas originais.

LESOTO / ÁFRICA DO SUL
Praticamente todo o contorno do Lesoto, um reino do tamanho de Alagoas encravado no meio da África do Sul, pode ser visto do espaço. Na fronteira oeste, no lado sul-africano, a terra é densamente cultivada e irrigada, enquanto em Lesoto ela está devastada. Além da pobreza extrema e da Aids (uma em cada quatro pessoas tem o vírus HIV), a desertificação e a erosão do solo são um problema grave no país. A culpa, mais uma vez, é da exploração da madeira, usada como combustível, e do pastoreio desenfreado.

ÍNDIA / PAQUISTÃO
Wagah é uma cidade dividida ao meio: metade indiana, metade paquistanesa. É ali que, todas as tardes, desde 1959, há uma cerimônia militar de fechamento dos portões da fronteira. Idealizada e coreografada pelas patrulhas dos dois lados em respeito à soberania mútua, ela atrai turistas de todo o mundo. “A coreografia, tentativa de demonstração de bravura e intimidação, muitas vezes foi um indicativo das relações entre os países durante as guerras pelo controle da região da Caxemira”. Em 2010, ambas as partes assinaram um acordo para amenizar o tom belicoso da cerimônia e evitar provocações por parte do público.

7060 – História – A Guerra do Golfo


Desde 1980, o Iraque se envolvera em três guerras num intervalo de apenas um quarto de século. Bombas endereçadas por três nações diferentes (Irã, Israel e Estados Unidos) atingiram seu território. Os motivos de cada conflito variavam, mas o personagem central era sempre o mesmo: Saddam Hussein, o tirano de Bagdá, figura truculenta, incendiária e sedenta de poder.
A guerra se estenderia por anos, com resultados desastrosos para toda a região.
No ano seguinte, o Brasil ouviu falar do Iraque de maneira inesperadamente próxima, já que uma aliança entre os dois países era denunciada por um jornal britânico. A acusação tratava de remessas sigilosas de material bélico de aeroportos brasileiros com destino ao Oriente Médio. Essas cargas poderiam capacitar os iraquianos a conseguir a temida bomba atômica, coisa que de fato, jamais aconteceu.
Uma guerra com nome de filme – Tempestade no Deserto -, assistida ao vivo pela televisão e destinada a dobrar um ditador de opereta, mas sanguinário.
O ataque começou pelos céus e ali ficou na primeira etapa da guerra destinada a arrancar Saddam Hussein do Kuwait invadido. No início da “mãe de todas as batalhas”, segundo a retórica grandiloqüente de Saddam, os Estados Unidos tinham 435.000 combatentes mobilizados no Golfo Pérsico, seus 27 aliados outros 230.000 e o Iraque arregimentava 545.000 homens em armas. A carnificina que a História ensinou a associar a semelhante concentração de gente disposta a matar ou morrer, no entanto, não aconteceu nesta fase – ou se desenrolava longe dos olhos capazes de transmiti-la.
Aproveitando-se de um inimigo momentaneamente nocauteado e amarrado na retranca, a assepsia da máquina de guerra americana dominou o teatro de operações no Golfo Pérsico nos dois primeiros dias. Obedecendo ao declarado e sensato objetivo de causar o menor número de baixas entre a população civil, o ataque aéreo americano instaurou no vocabulário bélico uma expressão também emprestada da medicina: precisão cirúrgica, sinônimo da exatidão milimétrica exibida pelas estrelas da guerra tecnológica. O primeiro lote de resultados da videoguerra foi tão espetacular que o principal inimigo dos americanos parecia ser uma das mais deliciosas sensações da mente humana: a euforia.
Com a precisão de relojoaria proporcionada pela alta tecnologia em ação, os balanços oficiais dos primeiros dias de guerra davam números muito distantes das cifras apavorantes que se imaginava acompanhar o maior ataque aéreo da História. Falando sempre em “desaparecidos em ação”, o Pentágono anunciou ao fim de 48 horas de combate sete tripulantes de aviões americanos nessa condição e outros sete das forças aliadas, além de dois fuzileiros navais ligeiramente feridos em terra, na fronteira entre a Arábia Saudita e o Kuwait. Em Israel, a tão prometida e temida ofensiva iraquiana começou com uma ineficácia abençoada: as quatro pessoas que morreram durante o ataque de oito mísseis Scud iraquianos disparados na madrugada de sexta-feira contra Tel Aviv e Haifa foram vitimadas pelo uso indevido dos equipamentos antigás.
Rebatizada como Rádio Mãe das Batalhas, a Rádio Bagdá se especializou em despejar as mais tonitruantes ameaças contra as forças multinacionais que lutam para expulsar o Iraque do Kuwait, invadido então há seis meses. Dia a dia, a emissora anuncia que o deserto se tingirá de vermelho, com o sangue dos soldados americanos, e o presidente George Bush vai arder para sempre no fogo do inferno.
Em pouco tempo, as fábricas de armas químicas e biológicas, sem contar os dois reatores nucleares de pesquisa do Iraque, são dadas por destruídas. As bases iraquianas de mísseis terra-ar foram atingidas e a rede de radares ficaram fora de ação.

6441 – Economia – Subsídios para todos?


Os países ricos gostam de ensinar ao 3° Mundo a lição da abertura de mercado, mas se reservam o direito da exceção. Na França, a agricultura só sobrevive graças à ajuda do Estado e nem assim os produtores estão satisfeitos. Em 1994, 200 mil agricultoresinvadiram Paris para exigir mais dinheiro, entre os presentes, estavam o ex-presidente Giscard D’Estaing e o prefeito parisiense Jacques Chirac. Ardorosos inimigos do protecionismo no exterior, eles fingiam ignorar que os subsídios à Agricultura haviam triplicado nos últimos anos, atingindo 1 bilhão de dólares em 1991.

Mas, que diacho é Protecionismo?
Protecionismo é a teoria que propõe um conjunto de medidas econômicas que favorecem as atividades internas em detrimento da concorrência estrangeira. O oposto desta doutrina é o livre-comércio.
Essa política contrasta com o livre comércio, onde as barreiras governamentais ao comércio e circulação de capitais são mantidos a um mínimo. Nos últimos anos, tornou-se alinhado com anti-globalização. O termo é usado principalmente no contexto da economia, onde o protecionismo refere-se a políticas ou doutrinas que proteger as empresas e os trabalhadores dentro de um país, restringindo ou regulando o comércio com nações estrangeiras.

6268 – George Washingnton


George Washingnton

George Washington (22 de fevereiro de 1732 – 14 de dezembro de 1799) foi um político e militar americano, foi o primeiro presidente constitucional dos Estados Unidos de 1789 a 1797, precedido por outros 14 presidentes que foram eleitos pelo Congresso dos Estados Unidos, conhecidos como “Os Presidentes Esquecidos”, e também foi comandante do Exército Continental na Guerra da Independência dos Estados Unidos de 1775 a 1783. Seu papel na revolução e na subsequente independência e formação dos Estados Unidos foi significativo, e é visto pelos americanos como o “Pai da Pátria”.

Nasceu a 22 de Fevereiro de 1732 em Bridges Creek, na Virgínia (E.U.A.), descendente de uma família oriunda da Inglaterra, que se estabeleceu na América por volta do ano de 1657. Apesar da boa situação econômica de seus pais, o pequeno George só estudou até o curso elementar que freqüentou até os 16 anos de idade na Escola de Williamsburg. Morreu a 14 de dezembro de 1799 . (11 de Fevereiro, no calendário juliano). Era filho de Augustine Washington e de Mary Ball Washington. Originário de uma família tradicional, estável e abastada, família de agricultores proprietários de terras da Virgínia, tornou-se, em 1748, zelador das propriedades de Shenandoah Valley pertencentes a Lord Fairfax e mais tarde de todo o condado de Culpeper. Estudou agrimensura e de 1749 a 1751 ocupou-se do levantamento topográfico de extensa região da Virgínia. Em 1752, herdou a grande propriedade paterna de Mount Vernon.
Ainda jovem participou ativamente das guerras contra os índios e franceses. Em 1753 foi encarregado de levar um ultimato aos franceses que haviam ultrapassado os limites do Ohio. Rejeitada a intimação, assumiu o posto de tenente-coronel, no comando de 150 homens. Servia no Primeiro Regimento de Virgínia (parte do exército britânico). Enquanto tentava expulsar os franceses do condado de Ohio, Washington ocasionou uma série de eventos que, no fim, levaram à Guerra Franco-Indígena (1754-1763).
Em 1754, recebeu a missão de estabelecer um forte, onde hoje se localiza a cidade de Pittsburgh. Iniciava-se a luta contra os franceses, que duraria até 1759. Encarregado de tomar a posição francesa de Fort Duquesne, em 28 de maio de 1754 Washington surpreendeu e derrotou as primeiras forças enviadas a seu encontro. Em 3 de Julho, os franceses contra-atacaram, venceram e concederam-lhe termos honrosos após uma resistência de dez horas. George Washington reuniu os sobreviventes e procedeu à retirada. Nova derrota em Monongahela, como integrante das forças britânicas, não o desanimou. Recrutou um contingente de colonos de Virgínia e preparou o ataque, vitorioso, contra o Fort Duquesne, em Novembro de 1758.
Deixou o exército em 1758, no posto de coronel, se casou com uma viúva rica, Martha Washington (1759), e se mudou para Virgínia com sua esposa e família, onde passou a viver do plantio de Tabaco na sua fazenda. Nos anos seguintes, Washington teria um significante papel na fundação dos Estados Unidos.
O caminho para a independência dos Estados Unidos
O domínio da Inglaterra sobre as colónias americanas começou a causar revoltas, tendo então Washington iniciado a sua atividade política na Assembleia de oposição da Virgínia, a qual protestava perante o agravamento das tributações impostas e falta de liberdade de ação. Politicamente, Washington apoiava a resistência às decisões britânicas. Em 1774 foi um dos sete delegados que representou a Virgínia no Primeiro Congresso Continental de Filadélfia, que se reuniu para discutir as medidas a tomar contra os colonizadores. Participou também do Segundo Congresso Continental, que se realizou no ano seguinte. Iniciadas as Guerra da Independência (1775-1783), em 15 de Junho de 1775 foi nomeado por John Adams comandante-em-chefe de todos os exércitos continentais, posto que assumiu em Cambridge, Massachusetts, em 3 de Julho.
Conseguiu impor alguma ordem entre os 16 mil voluntários e, em Março de 1776, expulsou os britânicos de Boston. Em Setembro, após uma inepta defesa de Nova York, liderou brilhantemente o seu exército. Durante os cinco anos seguintes, estabeleceu um “jogo de nervos” com os britânicos em Nova York e Filadélfia, estimulando ataques ocasionais e conflitos como o de Trenton (1776), Princeton, Brandywine, Germantown (1777) e, posteriormente, a campanha do Vale Forge, em Monmouth (1778).
Concluiu, em 6 de Fevereiro de 1778, uma aliança com os franceses. Praticou de uma guerra de guerrilha até que a Espanha e a França, com Rochambeau, entraram em cena, constituindo um decisivo peso para a derrota dos britânicos em Yorktown, Virgínia, em 19 de Outubro de 1781, pondo término à Guerra da Independência dos EUA. Dois anos depois era reconhecida a independência do país. Washington demitiu-se e retirou-se para Mount Vernon em 23 de Dezembro de 1783.
Seus discursos durante a guerra se tornaram famosos por serem não só uma defesa do patriotismo,mas também um pedido de atenção aos valores morais e ao cristianismo,em 1776 escreveu que:

Enquanto, zelosamente, cumprimos os deveres de bons cidadãos e soldados,certamente não podemos estar desatentos aos deveres maiores da religião.À qualidade de patriota,seria a nossa maior glória, adicionar a qualidade mais distinta de cristão.
— George Washington

A maior realização de Washington foi ter conseguído manter a união de um exército mal armado, acatando deliberações de um congresso dividido. Apreensivo frente à anarquia política pós-guerra, incentivou a convocação da Constituinte. Washington e outros nacionalistas da Virgínia foram os encarregados de organizar a Convenção Constituinte de Filadélfia (1787), da qual foi presidente. Apoiou a Constituição de 1787 e fez com que ela fosse aprovada por todos os estados em 1789. Em 4 de fevereiro de 1789, foi eleito por unanimidade para a presidência da União, derrotando John Adams. Em 1792 foi reeleito e recusou um terceiro mandato “para não dar mau exemplo”.
Washington tomou posse em 30 de Abril de 1789 e presidiu a formação e as operações iniciais do novo governo. Fundou a cidade de Washington em 1793 e praticou uma política de desenvolvimento econômico com base capitalista e de colonização de zonas até então de exclusivo povoamento índio (como o Tennessee e o Kentucky). Apesar de tentar manter seu cargo acima do jogo político, identificou-se com a política federalista, defendendo um governo central forte, com leis internas rígidas, bem como a independência financeira do país.
Sua rigorosa dignidade e sentido de decência contiveram o partidarismo que caracterizaria as administrações de seus três sucessores: John Adams, Thomas Jefferson e James Madison. Mesmo assim, tomou várias decisões que tiveram vital importância a longo prazo. Instituiu o gabinete, apesar da Constituição contemplar a formação do dito corpo e actuou de forma independente no Congresso, evitando assim o desenvolvimento de facções.
Reeleito presidente por unanimidade em Novembro de 1792, iniciou o segundo mandato presidencial em Janeiro de 1793. Nesse novo mandato, a explosão da guerra entre a França revolucionária e a colisão integrada pela Grã-Bretanha, Prússia e Áustria em 1793, pôs em perigo a política externa norte-americana.
Reprimiu a Revolta do Whisky (1794, contra imposição de taxas sobre esse produto), recusou apoio à França revolucionária e aprovou um acordo de paz com a Reino Unido da Grã-Bretanha em 1794, o chamado Tratado de Jay (Jay’s Treaty), para assentar assuntos pendentes com a antiga metrópole depois da Guerra da Independência. Estes actos provocaram o descontentamento do partido democrata republicano liderado por Thomas Jefferson por considerar tal tratado uma ingratidão com os franceses (que tinham prestado auxílio durante a Guerra da Independência) e subserviente em relação aos antigos colonizadores.
Recusou-se a concorrer ao terceiro mandato, o que estabeleceu uma norma na vida eleitoral americana. Após um discurso de adeus ao povo americano, em 19 de Setembro de 1796, retirou-se da vida pública em 3 de Março de 1797, quando acabou o seu segundo mandato, retirando-se para a propriedade herdada do meio-irmão, Mount Vernon, e, com simplicidade digna, voltou aos seus trabalhos agrícolas. Em seu discurso de despedida, deplorava o partidarismo e clamava pela neutralidade norte-americana em assuntos externos.
Em 1798, entretanto, a ameaça de guerra com a França levou-o a aceitar, em 3 de Julho, a comissão de tenente-general e a chefia do comando do Exército, postos que conservou até morrer.
George Washington faleceu em Mount Vernon, em 14 de Dezembro de 1799. Foi “o primeiro na guerra, o primeiro na paz e o primeiro no coração de seus concidadãos”, disse Henry Lee, um de seus contemporâneos no dia de sua morte. É considerado o “Pai dos Estados Unidos”.
A face e imagem de George Washington é usada com frequência nos símbolos oficiais dos Estados Unidos. A capital dos Estados Unidos, Washington, DC, é assim chamada em sua homenagem. Possivelmente a mais proeminente comemoração de seu legado é o uso de sua imagem na nota de um dólar e na moeda de 25 cents. Washington, juntamente com Theodore Roosevelt, Thomas Jefferson e Abraham Lincoln, está representado no Monte Rushmore.
Uma das mais respeitadas universidades do mundo, a Universidade George Washington, localizada em Washington, DC, teve o terreno do seu campus principal doado por George Washington, que expressou a necessidade de se ter uma universidade e centro de pesquisas de alto nível na capital do país.

2928 – Como funcionam as leis de extradição?


Fonte: USP Direito
Cada governo pode aplicar suas próprias leis a quem comete um crime em seu território, mesmo que a pessoa seja estrangeira. A isso dá-se o nome de soberania nacional, um conceito que data de 1648, quando Holanda e França assinaram o tratado de Westfalia. se você entrar na Indonésia com cocaína, é provável que seja condenado a encerrar sua vida com um tiro na cabeça autorizado pelo governo local. E, por mais esforço que façam, advogados e diplomatas brasileiros não vão poder remediar a decisão. A prova mais recente disso é a decisão da corte indonésia de executar o brasileiro Marcos Archer. Em 2003, ele foi preso com 13 quilos de cocaína na bagagem. Ainda há prazos para recursos e a embaixada pode interceder, pedindo que ele cumpra pena no Brasil, mas a decisão final fica a cargo do governo do país asiático.
Se o episódio com Archer tivesse acontecido no México, é bem provável que ele fosse mandado de volta. Isso porque México e Brasil assinaram um tratado de extradição em 1933, comprometendo-se a cooperar um com o outro.
Quando não há acordo estabelecido previamente, a decisão de extraditar o preso depende das relações diplomáticas entre os países envolvidos. Os pedidos são julgados com base na reciprocidade de tratamento. Ou seja, um país só acata pedidos de extradição de países que agiriam da mesma forma em uma situação parecida. Mas nem sempre é assim que funciona. “Na prática, a decisão final vai depender da força econômica e da influência de um país sobre outro.O Brasil segue a lei 6 815, conhecida como Estatuto do Estrangeiro, e os pedidos de extradição são avaliados pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O envio do preso ao país requerente depende de vários fatores, mas o STJ não acata pedidos quando: o crime em questão não é considerado delito no Brasil; a lei brasileira impõe punição igual ou inferior a um ano de prisão; o pedido se refere a um crime pelo qual o acusado já tenha cumprido pena no Brasil, e quando se trata de crimes políticos. E sob hipótese nenhuma o Brasil extradita um brasileiro.
Contando presos
Segundo o Itamaraty, existem aproximadamente 2 500 brasileiros presos fora do país. O órgão informa que é impossível saber o número exato, já que muitas vezes o próprio preso não quer que a família, no Brasil, seja avisada de sua prisão. O último levantamento detalhado foi feito em 1999 e apontava menos da metade da estimativa atual: 1 202 presos em 94 países do mundo. Japão e Estados Unidos são o destino favorito dos nossos conterrâneos infratores
Diplomacia em jogo
Conheça alguns casos envolvendo acordos de extradição
Estados Unidos
Pivô: Peter Franklin Paul, empresário americano
Histórico: Famoso por acusar Hilary Clinton de sonegação, Paul foi preso no Brasil, acusado de fraudes que teriam causado prejuízo de milhões de dólares
Sentença: Extraditado em 2003
Motivo: Brasil e Estados Unidos mantêm um tratado de extradição. Presos são devolvidos ao país de origem, com exceção de crimes em que a lei prevê pena de morte
México
Pivô: Glória Trevi, cantora mexicana
Histórico: Acusada de corrupção de menores, foi presa em janeiro de 2000 no Brasil e engravidou na carceragem da Polícia Federal
Sentença: Extraditada em 2002, quando ficou provado que o pai do bebê não era um brasileiro
Motivo: Ter filhos brasileiros não impede a extradição, mas o fato é usado com freqüência para tentar impedir o retorno. No México, Glória foi julgada e absolvida
Paraguai
Pivô: Alfredo Stroessner, general paraguaio
Histórico: Presidente e ditador do Paraguai por 35 anos, fugiu para o Brasil em 1989 e, acusado de genocídio, foi requerido pelo governo de seu país natal
Sentença: Não extraditado
Motivo: A lei brasileira determina que não se extraditem pessoas acusadas de crimes políticos. Hoje, Alfredo Stroessner tem 91 anos e vive em Brasília
Reino Unido
Pivô: Ronald Biggs, que assaltou o trem pagador na Inglaterra, em 1963
Histórico: Fugiu para o Brasil e viveu em liberdade por 36 anos
Sentença: Não extraditado
Motivo: A Inglaterra solicitou a extradição de Biggs, em 1990, mas o STJ alegou que o crime havia prescrevido. Em 2001, ele se entregou às autoridade britânicas. Hoje, aos 75 anos, está em um hospital penitenciário de Londres
Itália
Pivô: Salvatore Alberto Cacciola, ex-dono do banco Marka
Histórico: Acusado de fraude e corrupção em 1999, viajou para a Itália, onde também tem cidadania, e não voltou mais
Sentença: Não extraditado
Motivo: Apesar de todo o esforço diplomático brasileiro, o crime de “gestão temerária” foi considerado muito vago para o governo italiano. Cacciola tem ordem de prisão no Brasil e, se vier ao país, será preso
Alemanha
Pivô: Olga Benário, mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes
Histórico: Em Berlim, Olga era acusada de atividades subversivas. No Brasil, chefiou a tentativa de golpe que ficou conhecida como “Intentona Comunista”, em 1935
Sentença: Extraditada em 1936
Motivo: O governo brasileiro mantinha boas relações diplomáticas com a Alemanha de Hitler. Olga foi morta em um campo de concentração
Israel
Pivô: Arie Scher, vice-cônsul de Israel no Rio de Janeiro
Histórico: Em 2000, a polícia encontrou fotos pornográficas de crianças na casa do diplomata. Acusado de pedofilia, ele fugiu para Israel e enviou um habeas corpus ao Supremo Tribunal de Justiça
Sentença: Não extraditado
Motivo: Israel alegou que Arie voltou ao país a pedido do governo. O fato gerou um constrangimento legal entre os dois países