12.007 – Ecologia – Peixe mais cobiçado do mundo em risco de extinção


atum
Frango do mar – em inglês, Chicken of the Sea. Este é o nome de uma marca hoje pertencente ao maior fabricante de atum em lata do mundo, o Thai Union Group. A comparação fazia sentido em 1914, quando a Chicken of the Sea foi criada: o atum, até então destinado majoritariamente à alimentação de gatos, começava a ganhar importância na dieta dos humanos dos Estados Unidos. Para convencê-los a comprar a novidade, exaltava-se a qualidade do produto: carne macia, de sabor suave.
Com o devido respeito aos galináceos, a analogia é uma afronta ao atum. Como o mundo viria a aprender ao longo do século 20, esse peixe de sangue quente tem uma das carnes mais saborosas dos mares. Por isso mesmo, o atum tornou-se um favorito global. Sua carne gorda e suculenta está presente em uma gama enorme de pratos, que vão da larica improvisada à alta gastronomia.
Até porque o preço do atum varia imensamente, de acordo com a espécie. As mais valorizadas são a Thunnus maccoyii, a Thunnus orientalis e a Thunnus thynnus, todas conhecidas pelo nome genérico bluefin – “barbatana azul”. São animais enormes – o maior bluefin já capturado pesava 780 quilos, tanto quanto um Fusca. Eles são, portanto, vendidos aos pedaços. A parte mais apreciada e mais cara encontra-se na barriga do peixe. A ventrecha do bluefin, mais conhecida por seu nome em japonês (o-toro), é uma carne gorda, rosada. Deliciosa. Um único sushi desse corte chega a custar R$ 100 nos restaurantes de São Paulo. Como um sushi leva entre 10 gramas e 15 gramas de peixe, o quilo do o-toro pode chegar a R$ 10 mil para o consumidor final.
O lucro insano que um único atum pode proporcionar fez com que a bióloga marinha americana Barbara Block, da Universidade Stanford, apelidasse o bluefin de cocaína do mar. Mais poética, a pesquisadora inglesa Lucy Hawkes, da Universidade de Exeter, chama o atum de Ferrari do oceano. Os cardumes, com algumas dezenas de indivíduos, fazem viagens transoceânicas a 90 quilômetros por hora. “Para os biólogos, o atum é o epítome da excelência hidrodinâmica; ele é rápido, poderoso e tem o design ideal”, derrama-se Richard Ellis, também biólogo marinho.*
A indústria da pesca, menos reverente, fez do atum uma espécie de boi marítimo.
Mas não por se tratar de um peixe grande e de carne vermelha, e sim porque a altíssima demanda pelo bluefin fez surgir um sistema de produção semelhante ao do gado. Os animais são confinados em currais flutuantes, onde não fazem nada além de comer até atingir o peso ideal para o abate. O método mostrou-se ainda mais daninho à espécie do que a pesca indiscriminada, pois presume a captura de animais muito jovens para o confinamento. Como esses peixes são impedidos de procriar, a população de bluefin está caindo num ritmo preocupante.

Sommeliers de atum
Em dezembro de 2004, o jornal japonês Yomiuri Shimbun estampou uma notícia curiosa. O cliente de um sushi bar de Nagoya acusou o dono do estabelecimento de mentir sobre a procedência do atum. O peixe era vendido como se houvesse sido pescado no Estreito de Tsugaru, entre as ilhas de Honshu e Hokkaido. Ao provar seu sashimi, o homem achou a carne gordurosa demais para um animal capturado na natureza. Ele tinha razão a respeito da fraude: uma investigação provou que a origem do pescado era uma fazenda de atum na Turquia.
Não surpreende tamanha sensibilidade. O Japão consome 80% de todo o atum bluefin pescado ou criado no mundo. No Brasil, ele é pouco servido. Mas lá a obsessão chega a ponto de existirem especialistas análogos aos sommeliers de vinho – gente capaz de identificar, pelo sabor, o terroir do peixe, no caso, o hábitat de onde ele veio. A exibição mais gritante da “atumania” japonesa é o mercado de Tsukiji, em Tóquio, onde todas as manhãs são leiloados centenas de peixes para varejistas e donos de restaurantes. Uma vez ao ano, no primeiro sábado de janeiro, há um leilão cerimonial em que um exemplar de bluefin é arrematado por um preço exorbitante – por uma questão de marketing, já que o restaurante vencedor ganha fama nacional instantaneamente. O recorde foi estabelecido em 2013: US$ 1,76 milhão por um peixe que depois renderia US$ 80 mil com a venda da carne, mais um valor intangivelmente alto para a imagem do estabelecimento vendedor da carne.
Até meados do século passado, nem o Japão nem lugar algum no mundo dava valor ao atum bluefin. Enquanto espécies menores, como a albacora e o atum-bonito, já alimentavam a gigantesca indústria de enlatados (que corresponde a 99% do mercado de atum), a carne do grandão de barbatanas azuis era vendida para alimentar gatos. “Ninguém apreciava a carne sanguínea, de sabor intenso”, diz a chef Telma Shiraishi, do restaurante paulistano Aizomê, pesquisadora dos hábitos alimentares japoneses.
A mudança veio na esteira de dois marcos históricos: o barateamento dos equipamentos de refrigeração e a vitória aliada na Segunda Guerra. Freezers deixaram mais acessível o peixe cru, o que proporcionou a explosão do consumo de sashimi e sushi no Japão. Já a tara por atum bluefin é cortesia dos EUA.
Depois de Hiroshima e Nagasaki, o Japão foi bombardeado outra vez – agora pela cultura americana, e mudou seus hábitos alimentares. “Foi por influência ocidental que começaram a apreciar as carnes mais gordas, como a do bluefin.” Para saciar esse novo apetite, a pesca evoluiu para métodos cada vez mais eficazes (e destrutivos): barcos com múltiplas varas de pescar, redes flutuantes com quilômetros de extensão e o espinhel, uma traquitana flutuante com muitas linhas e anzóis. A voracidade dos pescadores e de seus clientes fez com que os cardumes minguassem, o que quase aniquilou o mercado de atum nos anos 1990. Os animais capturados eram pequenos demais para ter valor comercial.
Foi quando começou, na Austrália, a criação de atum em cativeiro – ou quase isso. Não existe maricultura legítima de atum porque até hoje ninguém conseguiu dominar o processo inteiro, a partir da eclosão dos ovos. As fazendas – ou ranchos – de bluefin são povoadas com peixes jovens, capturados nos oceanos. Eles não se reproduzem em cativeiro. Ao encarcerar um atum, então, você elimina a chance de que ele se reproduza.
Um helicóptero localiza o cardume de atuns adolescentes e avisa o barco pesqueiro. A embarcação envolve os peixinhos com uma rede, que é arrastada dentro d’água até o curral fixo. Trata-se de uma estrutura circular e flutuante, no meio do mar, em que os atuns vão morar até morrer. Nesse intervalo, que pode durar vários meses ou até um ano, eles são alimentados intensivamente com peixes menores – sardinhas, principalmente. Quando está gordo o bastante para o leilão de Tsukiji, dois “caubóis de atum” cuidam do abate como boiadeiros encarregados de capturar uma rês desgarrada. Um deles entra no curral usando equipamento de mergulho e escolhe a vítima, que é forçada a nadar até uma plataforma acoplada a um barco. Lá o peixe é agarrado a partir das guelras pelo segundo caubói, que desfere o golpe mortal no cérebro, com um arpão. Hoje, aliás, as fazendas de bluefin estão espalhadas pelo mundo, de Cabo Verde às Filipinas, mas não existem no Brasil – as frotas japonesas aniquilaram os cardumes, antes abundantes no Nordeste, já nos anos 1970. A produção é maior no Golfo da Califórnia (México) e no Mar Mediterrâneo, zonas naturais de reprodução do peixe.
Embora seja impossível fazer recenseamento de peixes, a variação no número de indivíduos pode ser verificada pela disponibilidade da pesca. A população de bluefin selvagem está em evidente declínio. Para interromper esse processo, entidades ambientais tentam estabelecer cotas, mas encontram uma série de obstáculos.
O mais óbvio é a resistência das partes economicamente interessadas: sempre que a restrição é posta em discussão, surge o argumento do desemprego que ela geraria na indústria da pesca.
Mas existe uma boa notícia. Os consumidores japoneses parecem ter percebido que algo precisa ser feito para o sushi não sumir do mapa. Nos últimos dois anos, o lance vencedor do leilão de janeiro em Tsukiji despencou de quase US$ 2 milhões para US$ 37,5 mil – sinal de que o marketing ligado à pesca irresponsável de atum não funciona mais.
E a notícia mais promissora dos últimos tempos para os fãs do peixe também vem do Japão: em abril deste ano, um time da Universidade Kinki, em Wakayama, anunciou que conseguiu procriar o bluefin em cativeiro. Se vai dar certo em escala industrial, não se sabe ainda. Mas caso esse tipo de iniciativa fracasse, não tem outra saída: os melhores restaurantes de sushi vão perder seu grande e gordo protagonista.

10.268 – Cientistas querem o fim de toda a pesca em alto mar


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Águas profundas absorvem 1,5 bilhão de toneladas de CO2
Biólogos marinhos fizeram na semana passada um apelo radical para proteger a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera: eles querem o fim de toda a pesca em alto mar.
Isto compreende as partes do oceano que ninguém possui, ou reivindica, por estarem além das zonas econômicas de 200 milhas patrulhadas e por vezes disputadas por governos nacionais. São também o que cientistas do clima chamam de um sorvedouro de carbono, uma fonte natural de sua remoção da atmosfera.
A vida nas águas profundas absorve 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera e enterra meio bilhão de carbono no mar por ano, de acordo com Rashid Sumaila, da Universidade da Columbia Britânica, e Alex Rogers, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Os dois colocaram um valor na vida nos altos mares em U$ 148 bilhões por ano, em sua capacidade de sequestrar carbono.
Apenas um centésimo dos peixes que chegam a todos os portos do mundo são encontrados só no alto mar. Nesta região são pescadas 10 milhões de toneladas, com um valor de mercado de U$ 16 bilhões.
“Manter peixes nestas áreas tem mais valor do que apanhá-los,” diz Sumaila. “Se perdermos a vida no alto mar, teremos de encontrar outro modo de reduzir emissões, a um custo muito mais alto.”
Sumaila ajudou a calcular o valor econômico do carbono armazenado pela vida no alto mar aplicando preços à sua quantidade, e isto incluiu os benefícios de mitigação dos custos da mudança do clima, informa o Escience News.

10.267 – Maior varejista online do Japão para de vender carne de baleia


Decisão envolve também golfinhos, mas não peças de marfim
O varejista online Rakuten afirmou hoje que vai abandonar até o final de abril todas as vendas de carne de baleia e golfinho, depois de esta semana a Corte Internacional de Justiça de Haia ter ordenado que o Japão pare imediatamente de caçar baleias no Oceano Sul.
O veredito de segunda-feira, no entanto, não cobre a venda de carne de baleia no país, que é legal, ou a caça a um número delas no noroeste do Pacífico e em suas águas costeiras.
As aquisições da Rakuten incluem a Buy.com (agora Rakuten Shopping) nos EUA e a Play.com no Reino Unido. Ela é dona da empresa de leitores de e-books Kobo e importante acionista do Pinterest. “A Rakuten, que expandiu sua presença global em anos recentes, também pediu a suas subsidiárias que removam todos os itens relacionados de suas vendas”, disse uma fonte do varejista.
Até recentemente, o site da companhia tinha mais de 28.000 anúncios de produtos derivados de presas de elefantes e 1200 de baleias., de acordo com a Agência de Investigação Ambiental e a Humane Society International. As vendas cobriam não apenas carne, mas ainda pele, ossos, e outros produtos.
“Há no Japão um enorme comércio ilegal de marfim e os milhares de anúncios na Rakuten ajudam a fomentar a matança em massa de elefantes em toda a África”, disse Allan Thornton, presidente da agência. “Estamos pedindo à empresa que pare imediatamente a venda de produtos de marfim”.
Clare Perry, também da agência, afirmou que “a remoção dos produtos das baleias são um passo bem-vindo e um reconhecimento claro da empresa que as vendas são perigosas tanto para sua reputação internacional como para a saúde dos consumidores”. Eles contém até 20 vezes o nível de mercúrio recomendado pela agência de regulamentação japonesa de alimentos, informa o International Business Times.

9772 – Biologia Marinha – Tubarões em Perigo


Discovery & Mega de ☻lho nos oceanos

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Sobrepesca
Tal como centenas de outras espécies de peixes, os tubarões se encontram sob uma pressão crescente por parte da indústria de pesca mundial. Com o declínio das reservas de peixes comestíveis no mundo, muitas das frotas pesqueiras estão se voltando para os tubarões como uma fonte alternativa de alimento, o que pode vir a provocar efeitos catastróficos não somente nas populações de tubarões em geral, mas também nos ecossistemas marinhos como um todo.
As populações de tubarões demoram muito tempo a se recomporem da sobrepesca. Esses animais possuem um crescimento lento e demoram a atingir a maturidade sexual – 20 anos ou mais, dependendo das espécies. Em comparação às outras espécies de peixes, os tubarões dão à luz poucas crias. Estes fatores já colocaram a sobrevivência de várias espécies de tubarões em perigo, principalmente em áreas costeiras com grandes populações, como na costa da América, no Atlântico Norte.
O declínio no número de espécies de tubarões provoca sérias conseqüências no ecossistema em que vivem. Os tubarões são uma parte vital da cadeia alimentar e a sua natureza predatória ajuda a manter sob controle as populações marinhas. Sem tubarões para manter um equilíbrio saudável, o ambiente marinho está sujeito a sofrer enorme risco de danos permanentes.

9663 – Nem aí pro Oscar… – Pescadores japoneses saem novamente ao mar para capturar mais golfinhos


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Pescadores japoneses voltaram ao mar para tentar capturar mais golfinhos na costa do arquipélago, anunciaram organizações de defesa dos animais, que tentam alertar a opinião mundial sobre a prática.
O governo japonês defendeu a caça a golfinhos em sua costa, confrontando a nova embaixadora americana, Caroline Kennedy, que criticara a caça recentemente em um post no Twitter, no qual a qualificava de “desumana”.
Kennedy se opôs a uma forma de pesca conhecida como “drive hunt”, em que golfinhos são conduzidos por barcos a uma área da qual não podem escapar, onde dezenas ou, talvez, centenas de animais são capturados. Críticos haviam considerado a prática desumana em razão do número de golfinhos mortos e da ameaça que isso traz às populações do animal.
Ativistas da associação de defesa dos animais Sea Sheperd, com sede nos Estados Unidos, viajaram a Taiji, no oeste do Japão, para denunciar o que consideram uma carnificina.
Segundo este organismo, desde o início da temporada de pesca de golfinhos nesta região 41 cetáceos foram mortos e 52 foram capturados para serem vendidos vivos por somas que podem alcançar milhares de dólares. Mais de 200 animais foram confinados na baía e parte deles foi libertada, acrescentou a Sea Sheperd.
Esta prática local foi divulgada em todo o mundo no documentário “The Cove”, de 2009, que obteve o Oscar de melhor documentário em 2010.
As autoridades e os pescadores de Taiji afirmam, no entanto, que esta atividade é primordial para a economia da comunidade e acusam os ativistas de não respeitarem a cultura local.

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