10.046 – Teledramaturgia – Um Guerreiro Chamado Paulo José


paulo jose

Mesmo na luta contra o mal de parkinson, ele continua em atividade.
O ator Paulo José descobriu em 1993, há exatos 20 anos, que sofria do mal de Parkinson, doença degenerativa e incurável que se caracteriza por movimentos involuntários dos braços, pernas e cabeça, além de tremores. “O mal de Parkinson não aparece visualmente nos exames. É um diagnóstico por eliminação. Recebi uma receita para tomar dois medicamentos. Perguntei: ‘Até quando?’. O médico fez uma pausa e disse: ‘Para toda a vida!'”, contou em entrevista à revista “Época”.
Para o ator, a descoberta da doença foi a parte mais fácil, se comparado com os sintomas. “Sabia que ninguém morre de Parkinson, se morre com Parkinson. E ainda não tinha noção da gravidade. Com o tempo, os sintomas tornaram-se mais fortes”.
E contou que ao tomarem conhecimento de sua nova condição, todos a sua volta mudaram o seu comportamento: “As pessoas mudaram comigo. Queriam me proteger. Ficaram com pena. Isso nunca me incomodou. Sou um sobrevivente. Tenho muita sorte por ter gente que gosta de mim. Tenho de ser grato por isso. E sou”.
O ator, que já foi operado até pelo renomado cirurgião Paulo Niemeyer Filho, descreve sua vida como uma montanha russa de sentimentos. “Tive depressão muitas vezes. Houve um tempo em que tinha medo de dormir e não acordar. Às vezes, tenho medo de morrer. Não estou num daqueles momentos terríveis. Mas tampouco este é um período fácil. Quando acordo, tenho de fazer uma escolha. Decido sair da cama. Hoje será um dia melhor. Ao me deitar, não penso se o dia foi mesmo melhor. Só penso: ‘Amanhã será um outro dia’. Assim, sigo trabalhando e vivendo dia por dia”.
Há alguns meses, o autor Manoel Carlos perguntou a Paulo José se ele toparia entrar na próxima novela das nove na Globo, Em Família, para colocar em pauta uma delicada reflexão sobre o Mal de Parkinson. “Sim”, respondeu, solícito, o ator e diretor que vem convivendo com a doença nos últimos vinte de seus 76 anos.
Depois das aulas de canto, grava poemas num estúdio que mantém em casa, o que vai render um audiobook. Fala que tem se dedicado muito a escrever. Como sempre lhe perguntam como lida com a doença, resolveu escrever um depoimento em primeira pessoa, relatando altos e baixos vividos nesses vinte anos. “Isso tudo faz parte da minha luta diária para manter o Parkinson como um coadjuvante. Um coadjuvante de peso, mas nunca um protagonista.”

Paulo José foi casado Dina Sfat, outra atriz guerreira que trabalhou até os últimos dias de sua vida.
Ela chega à televisão no final da década de 1960 e destaca-se em papéis de enorme carga dramática em telenovelas de autoria de Janete Clair, como Selva de Pedra, Fogo Sobre Terra, O Astro e Eu Prometo, mas também brilhou em outras como Verão Vermelho, Assim na Terra Como no Céu, Gabriela e Os Ossos do Barão.
Posou nua para revista Playboy em janeiro de 1982, num ensaio secundário.
Foi casada por 17 anos com Paulo José, com quem teve três filhas: Isabel ou Bel Kutner, que também é atriz, Ana, que também se aventurou na carreira e Clara.

DinaSfat

Descobriu o câncer, inicialmente no seio, em 1986, mas não deixou de trabalhar, mesmo em tratamento. Já com a doença, viajou para a União Soviética e participou de um documentário sobre o país e os primeiros passos da Perestroika; escreveu um livro, publicado em 1988, um pouco antes da sua morte, sobre sua vida e a luta contra o câncer, chamado Dina Sfat- Palmas prá que te Quero, junto com a jornalista Mara Caballero e fez a novela Bebê a Bordo, seu último trabalho na televisão.
Seu último filme foi O Judeu que só estreou em circuito depois da morte da atriz.
Dina Sfat morreu aos 49 anos, vítima de um câncer de mama contra o qual já lutava havia anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Comunal Israelita do Caju.