13.462 – Medicina – Patologia Clínica


COMO+SE+ESTUDA+PATOLOGIA
Medicina laboratorial é uma especialidade médica que tem por objetivo auxiliar os médicos de diversas especialidades no diagnóstico e acompanhamento clínico de estados de saúde e doença, através da análise de sangue, urina, fezes e outros fluidos orgânicos (como líquor, líquido sinovial, líquido ascítico, fluido seminal, etc).
No Brasil a especialidade é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com o nome de patologia clínica ou medicina laboratorial”. Deve ser diferenciada de patologia cirúrgica ou anatomia patológica, especialidade que tem por objeto de análise os tecidos sólidos do corpo humano, geralmente obtidos por meio de biópsia.
A patologia clínica apresenta as subespecialidades:

Química clínica — Ocupa-se em analisar os componentes químicos do sangue, urina e fluidos orgânicos.
Hematologia — Analisa os componentes celulares do sangue, e eventualmente de outros fluidos orgânicos.
Imunohematologia — Avalia as reações imunes dentro do sangue, especializando-se na análise dos antígenos eritrocitários e suas interações com os respectivos anticorpos. Reveste-se de importância particular na Hemoterapia ou medicina transfusional.
Imunologia (sorologia) — Avalia o sangue (e eventualmente outros fluidos orgânicos) e componentes, através de suas interações imunológicas, ou seja, das reações antígeno – anticorpo.
Microbiologia — Estuda a flora microbiológica humana normal e patológica, detectando a presença de vírus, bactérias e fungos em amostras de procedência humana. Este estudo pode se estender também à análise dos microorganismos presentes nos ambientes ocupados pelo ser humano e objetos por ele utilizados.
Bacteriologia — Subespecialidade da microbiologia cujo objeto de estudo são as bactérias, incluindo sua identificação, caracterização e avaliação de susceptibilidade a antimicrobianos.
Micologia — Subespecialidade da microbiologia que estuda os fungos e micotoxinas.
Virologia — Subespecialidade da microbiologia que se ocupa da a análise dos vírus.
Parasitologia — É a subespecialidade da Patologia Clínica que analisa as características dos parasitas externos (ectoparasitas) e internos (endoparasitas) do homem. Inclui o estudo dos protozoários parasitas sistêmicos — como os plasmódios (causadores da malária), através de métodos de detecção direta e indireta, o estudo dos artrópodes parasitas e a coprologia ou estudo macroscópico, microscópico e químico das fezes com o objetivo de se determinar o diagnóstico e prognóstico de doenças e parasitoses do sistema gastrointestinal.
Uranálise — Analisa a urina e, eventualmente, outros fluidos orgânicos.
Biologia molecular — Compreende o estudo especializado de biomoléculas, tais como o DNA e RNA.
Genética médica — Ocupa-se do estudo da genética humana, em especial as’ cromossomopatias.
Genética Bioquímica — Estuda, através de análises bioquímicas, as anomalias genéticas caracterizadas como erros inatos do metabolismo.
As modernas exigências de qualidade dos resultados em análises clínicas fizeram surgir o que hoje já é por alguns considerada uma nova subespecialidade, a garantia de qualidade. Esta opera sobre todas as demais, visando a manter a excelência das análises, incluindo a sua precisão e exatidão, e o melhoramento continuado em todos os seus aspectos. Usa como instrumentos principais a estatística e a criação e análise de indicadores de qualidade.

Uma Longa Jornada
No Brasil, o médico patologista clínico passa por uma formação que inclui, além dos 6 anos regulamentares do curso superior em medicina, mais três anos de residência médica, sendo 1 ano em clínica médica e 2 anos em laboratório de análises clínicas.

No seu trabalho, o patologista clínico pode interagir com outros profissionais, dentre eles:

Nível superior:
Biólogo
Biomédico
Cirurgião-dentista
Farmacêutico
Médico veterinário
Nível médio:
Auxiliar técnico de laboratório.
Técnico de laboratório de análises clínicas.
Biotécnico.
São compartilhadas com estes profissionais, até o limite de responsabilidade de cada um, as diversas atividades e competências necessárias ao bom desempenho do ofício. As atribuições de cada profissional, bem como os limites de sua atuação, podem ser consultadas na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, no site do Ministério do Trabalho e Emprego.
Mediante a modernidade tecnológica que significa, hoje em dia, a automação e a informatização da maioria dos processos de análise, deve também o profissional possuir conhecimentos básicos nas áreas de engenharia e informática, que viabilizem sua interação freqüente com os respectivos profissionais, também comumente envolvidos como auxiliares valiosos em todos os processos de análise.

Existem certas ambiguidades envolvendo a patologia clínica que devem ser comentadas:

No Brasil e em Portugal, podem atuar como responsáveis técnicos por laboratórios de análises clínicas:
O médico patologista clínico;
O biólogo com formação superior, habilitado em análises clínicas através da comprovação de um currículo direcionado efetivamente realizado;
O biomédico com formação superior habilitado em análises clínicas;
O farmacêutico com formação superior enfatizando a área de patologia/análises clínicas, química clínica, e técnicas moleculares;
O especialista médico em hematologia e hemoterapia, habilitado a efetuar alguns procedimentos especializados como biópsia de medula óssea, é o profissional médico que realiza diagnóstico e acompanhamento clínico em patologias envolvendo oncologia hematológica, hemoterapia e coagulação/hemostasia. Este especialista normalmente não está habilitado em patologia clínica (a menos que também dotado de formação específica nesta área), fazendo portanto uso de seus serviços como cliente médico.
A análise da celularidade de certos fluidos orgânicos, como o líquido sinovial, o líquido cérebro-espinhal ou líquor, o líquido ascítico ou peritoneal, o fluido pleural e o fluido seminal podem ser compreendidos como escopo tanto da subespecialidade de hematologia como da urinálise. Estas análises incluem também a caracterização bioquímica desses fluidos, que recorre a técnicas próprias da bioquímica. Fala-se portanto em hematologia e análise de fluidos orgânicos ou urinálise e análise de fluidos orgânicos.
A patologia cirúrgica, também conhecida como anatomia patológica, é uma especialidade médica que interage com a patologia clínica, e compreende caracteristicamente a análise de matériais sólidos de origem humana, obtidos por meio de biópsia ou necrópsia. O patologista cirúrgico usualmente não é habilitado em patologia clínica, a não ser que também tenha desenvolvido formação específica na área, embora eventualmente uma especialidade possa emprestar técnicas características da outra.
A especialidade de química clínica encontrada nos Estados Unidos corresponde grosseiramente à bioquímica no Brasil. Entretanto não temos no Brasil uma Associação exclusiva como a American Association of Clinical Chemistry.

12.978 – Profissões – O que faz um técnico patologista?


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Técnico de laboratório de análises clínicas, no Brasil, é um profissional com formação de nível médio. Não existe uma nomenclatura unificada para denominação deste profissional, podendo ser chamado de técnico em patologia clínica, técnico em citologia, técnico em análises laboratoriais, etc., o que pode gerar conflitos de nomes. Este profissional auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório – automatizadas ou técnicas clássicas – necessárias ao diagnóstico, nas áreas de parasitologia, microbiologia médica, imunologia, hematologia, bioquímica, biologia molecular e urinálise. Colabora, compondo equipes multidisciplinares, na investigação e implantação de novas tecnologias biomédicas relacionadas às análises clínicas, entre outras funções.
A profissão está descrita na Classificação Brasileira de Ocupações, assim como está na Lei Federal 3820/61, que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia, e dá outras providências legais;
A função do profissional de nível superior (na qual se enquadram o biólogo, biomédico, o farmacêutico-bioquímico e o médico patologista clínico) é a de supervisionar e se responsabilizar pelo controle de qualidade e correção nos trabalhos relacionados à bancada laboratorial, liberação dos laudos, perícias e liberação dos resultados técnicos, assinando pelos resultados e assumindo as responsabilidades civis e penais sobre os seus atos. Já o técnico em patologia clínica é o responsável pela execução, sempre sobre a orientação e coordenação de um profissional de nível superior.
É de sua função além dos trabalhos de bancada em análises clínicas o controle de qualidade de medicamentos, produção de imunobiológicos, controle de qualidade em vivo e in vitro de imunobiológicos, produção e controle de qualidade de hemoderivados, laboratório de análises clínicas veterinárias, garantia de qualidade biológica, biosseguridade industrial porém, não possui competência legal para assinar os resultados, cabendo a responsabilidade legal para assinar, o profissional que possuir o TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) do laboratório.
Os profissionais de nível médio não podem em hipótese alguma liberar laudo, resultados ou perícias bem como responder sobre o laboratório. As competências legais para isso competem ao profissional de nível superior, que possui a competência legal para liberar resultados, laudos ou perícias bem como as responsabilidades civis e penais sobre os erros cometidos por eles e pelos técnicos que os auxiliam. Estes profissionais de nível superior possuem o TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) sobre o laboratório que são responsáveis em número máximo de dois. Os profissionais de nível superior quando iniciam o seu trabalho no laboratório, fazem o ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto ao conselho a qual é subordinado.
Ao terminar o vinculo empregatício com o laboratório e deixar de ser o responsável técnico de nível superior pelo laboratório, este deve dar baixa no ART e no TRT para que possa assumir outro laboratório, o que está previsto no Código de Ética. Os ARTs são comprovações de que o profissional possui experiência e atuou na área de laboratório junto aos Conselhos e possui vínculo com o laboratório ou possuiu em data anterior.
Só podem ter o TRT ou ART os profissionais de nível superior habilitados a exercer a atividade de laboratório, porém não é obrigatório, até o presente momento, aos técnicos de Análises Clinicas se registrarem junto ao Conselho Regional de Farmácia, de Química ou de Biomedicina para poderem exercer a atividade de técnico. O profissional, mesmo possuidor do curso técnico de análises clínicas (nomenclatura oficial brasileira, aceita atualmente para todas as denominações anteriores, conforme caderno de cursos técnicos do MEC (Ministério da Educação), se não estiver registrado junto ao Conselho Regional de Farmácia, conforme previsto na Lei Federal 3820 de 11 de novembro de 1960, Art 14, § único, letra a, está no exercício irregular da profissão, o que configura crime.

11.191 – Medicina – A Infecção Urinária


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Trata-se de uma patologia que afeta qualquer parte do aparelho urinário, desde os rins, a bexiga, até a uretra. É decorrente da presença de agentes infecciosos em alguma parte do sistema urinário, sendo que quando afeta os rins, recebe o nome de pielonefrite; quando acomete a bexiga, é chamada de cistite; quando atinge a uretra, recebe o nome de uretrite. A bactéria que habitualmente é responsável pelas infecções urinárias é a Escherichia coli, que compõe a flora intestinal normal dos seres humanos.
Embora possa afetar indivíduos de ambos os sexos e de todas as idades, é mais comumente observada em mulheres. Todavia, essa relação é invertida durante o primeiro ano de vida, quando esta patologia é mais comum em meninos.

A infecção urinária afeta mulheres com maior frequência devido a fatores anatômicos, uma vez que a uretra desemboca próximo à entrada da vagina, local onde a flora bacteriana é abundante. Outro ponto que auxilia na ocorrência desse tipo de infecção é o hábito de higiene após defecar ou urinar, levando o papel higiênico na direção ânus-vagina, facilitando a migração de bactérias intestinais até a vulva. Além disso, a uretra feminina é muito mais curta quando comparada com a masculina, facilitando o caminho desses microrganismos até a bexiga. A estase urinária também é um fator importante no desenvolvimento de infecções urinárias, já que a urina estagnada contribui com a proliferação bacteriana.

Outros fatores que colaboram para o aparecimento de infecções urinárias são:

Gravidez, pois nessa época da vida da mulher, há uma diminuição da defesa do organismo da mesma, bem como aumento do hormônio progesterona, que causa um relaxamento maior da bexiga, favorecendo a estase urinária;
Diabetes;
Climatério;
Obstrução urinária, quando algum fator está impedindo o fluxo urinário;
Inserção de corpos estranhos na uretra, pois estes podem carregar bactérias para o interior do trato urinário;
Moléstias neurológicas, pois estas podem interferir no esvaziamento da bexiga;
Doenças sexualmente transmissíveis;
Infecções ginecológicas.
Dentre as manifestações clínicas observadas em infecções do trato urinário estão:

Dor e ardência ao urinar;
Dificuldade para iniciar a micção;
Urgência miccional;
Vontade de urinar diversas vezes ao dia e em pequenas quantidades;
Urina com mau odor e coloração alterada;
Hematúria (urina com sangue) em certos casos.
Quando a infecção alcança o rim, o quadro é mais preocupante, podendo o paciente apresentar febre, calafrios, dor lombar, náuseas e êmese.

O diagnóstico é feito com base no quadro clínico apresentado pelo paciente, juntamente com exame de urina, o qual pode evidenciar a presença de bactérias na urina e também outros sinais que auxiliam no diagnóstico. A urocultura também costuma ser solicitada, sendo que esta ajuda na identificação da bactéria causadora da infecção.

Em alguns pacientes, especialmente crianças e indivíduos com histórico de infecção urinária, se faz necessária a realização de exames de imagem, como a ultra-sonografia e radiografias com contraste das vias urinárias, entre outros. Estes exames auxiliam na evidenciação de defeitos congênitos que favorecem o desenvolvimento deste tipo de infecção.

O tratamento é feito por meio do uso de antibióticos, sendo este normalmente escolhido de acordo com o resultado da urocultura. A duração do tratamento varia de acordo com o tipo de infecção urinária e o antibiótico de escolha. É de extrema importância que o tratamento seja realizado por completo, de acordo com a prescrição do médico, para evitar recidivas.

A prevenção das infecções urinárias é feita através da adoção de algumas medidas:

Ingestão de bastante líquido ao longo do dia;
Evitar reter urina, devendo urinar sempre que sentir necessidade;
Praticar relações sexuais com proteção;
Urinar após as relações sexuais;
Não utilizar antibióticos indiscriminadamente.
Para as mulheres, outros cuidados também devem ser tomados, como:

Limpar-se sempre de frente para trás, após utilizar o toalete;
Lavar a região perianal depois de evacuar;
Evitar o uso por longos períodos de absorvente íntimo;
Evitar o uso constante de roupas íntimas de tecido sintético.

10.785 – Microbiologia e Patologia


Os microorganismos que causam doenças são tão pequenos que podem ser encontrados aos milhares numa gota de água, numa pitada de solo ou cm de pele. 10 mil bactérias podem se reunir sob uma unha suja de um dedo humano. Ou ainda 10 milhões de vírus, daí a importância da higiene com as mãos.
Não estamos sozinhos no planeta. A Terrra é cercada de vida por todos os lados e a nossa missão é preservar num processo que já dura bilhões de anos, apesar das extinções.

Noções de Patologia
Como o objetivo da Patologia Geral é o estudo das lesões comuns às diferentes doenças, é necessário que tais lesões sejam classificadas e tenham uma nomenclatura adequada.
Ao atingirem o organismo, as agressões comprometem um tecido (ou um órgão), no qual existem:
células, parenquimatosas e do estroma;
componentes intercelulares ou interstício;
circulação sanguínea e linfática;
inervação.
Após agressões, um ou mais desses componentes podem ser afetados, simultaneamente ou não. Desse modo,podem surgir lesões celulares, danos ao interstício, transtornos locais da circulação, distúrbios locais da inervação ou alterações complexas que envolvem muitos ou todos os componentes teciduais. Por essa razão, as lesões podem ser classificadas nesses cinco grupos, definidos de acordo com o alvo atingido, lembrando que, dada a interdependência entre os componentes estruturais dos tecidos, as lesões não surgem isoladamente nas doenças, sendo comum sua associação.
As agressões podem modificar o metabolismo celular, induzindo o acúmulo de substâncias intracelulares (degeneração|degenerações), ou podem alterar os mecanismos que regulam o crescimento e a diferenciação celular originando hipotrofias, hipertrofias, hiperplasias, hipoplasias, metaplasias, displasias, e neoplasias). Outras vezes,acumulam-se nas células pigmentos endógenos ou exógenos, constituindo pigmentações.
Lesão celular letal
São representadas pela necrose (morte celular seguida de autólise) e pela apoptose (morte celular não seguida de autólise).

10.683 – China veda cidade de 30 mil habitantes após morte por peste bubônica


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A cidade chinesa de Yumen, na província noroeste de Gansu, foi fechada e 151 pessoas colocadas em quarentena depois que um homem morreu de peste bubônica. Isso, aquela mesma que você cansou de ler a respeito nos livros do colégio, da bactéria transmitida por ratos e responsável por algumas das piores pragas da história humana.
A rede China Central Television relatou que as 30 mil pessoas de Yumen não estão autorizadas a deixar o local e a polícia instalou bloqueios no perímetro da cidade para orientar motoristas a buscarem rotas alternativas. O jornal China Daily diz que quatro setores de quarentena foram criados na cidade.
Ainda de acordo com a CCTV, a cidade tem arroz, farinha e óleo suficiente para abastecer todos os seus residentes por até um mês. Os moradores locais e aqueles em quarentena estão em condição estável. Felizmente, não houve mais casos de peste relatados.
A peste bubônica é uma infecção bacteriana conhecida pelos eventos da Praga de Justiniano e da Peste Negra. Esta última matou dezenas de milhões de pessoas na Europa do século XIV. A responsável pela tragédia foi Yersinia pestis, uma bactéria que pode infectar humanos e outros animais.
Ainda mais assustador é o fato de um estudo ter sido publicado no início deste ano na revista “Lancet” afirmando que a devastação da peste negra poderia acontecer de novo. “Se a Praga de Justiniano pôde entrar em erupção na população humana, causar uma pandemia em massa e depois desaparecer, isso sugere que poderia acontecer de novo”, observou um dos pesquisadores. “Felizmente, agora temos antibióticos que poderiam ser usados ​​para tratar eficazmente a peste, o que diminui as chances de uma nova pandemia humana em grande escala”.
e fato, o Centro para Controle de Doenças dos EUA afirma que antibióticos modernos são eficazes no tratamento de praga, mas que, sem o tratamento imediato, a doença pode se agravar seriamente, levando até à morte. Inclusive, o sudoeste dos Estado Unidos ainda registra aparições da doença, que ocasionalmente acabam em morte. Mesmo assim, nenhuma quarentena foi decretada.
Claramente, os chineses não querem correr nenhum risco.

9281 – Medicina – O Esporo do Tétano


O esporo aparece com frequência no solo, no esterco e geralmente se introduz no organismo através de um ferimento. Há casos provocados por cárie dentária palitada pelo paciente com farpas de madeira, grampos ou objetos estranhos. As vítimas podem ser tratadas administrando penicilina, que mata os micróbios do tétano no tecido e apesar da vacinação, milhares de pessoas ainda morrem de tétano no Brasil.

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O Clostridium tetani, bacilo gram-positivo esporulado, anaeróbico, morfologicamente
semelhante a um alfinete de cabeça, com 4 a 10μ de comprimento. Produz esporos que lhe
permitem sobreviver no meio ambiente por vários anos.
É encontrado na natureza na pele e no trato intestinal de animais como o cavalo, sem causar doença, e no reino vegetal, em águas putrefatas e instrumentos perfurocortantes enferrujados, poeira das ruas e etc.
O período para o esporo germinar e elaborar toxinas, conhecido como período de incubação é de 21 dias.
A doença gera espasmos em músculos voluntários e produz rigidez muscular. O pescoço é geralmente o local mais agredido. Os músculos do sistema respiratório também ficam vulneráveis a esta agressão e pode até mesmo ocorrer, por exemplo, morte por asfixia.
A bactéria pode provocar rigidez muscular em todo o corpo. A região do pescoço costuma ser, entretanto, a mais agredida. Espasmos nos músculos da face são frequentes e facilmente notados. Diante de quaisquer sintomas deve-se logo procurar por um médico para o diagnóstico e o início de um tratamento adequado. Na grande maioria dos casos, quanto antes for realizado o diagnóstico mais eficiente será o tratamento.

9066 – Saúde – Surtos de Infecção por Coronavírus


Os vírus da família Coronaviridae eram conhecidos por causar infecções simples e transitórias no homem, como o resfriado comum ou a diarreia, embora pudessem também infectar diversas espécies de animais. Entretanto, na última década, o mundo presenciou o surgimento de novas variantes altamente agressivas desse vírus.
O primeiro surto provocado por uma nova variante ocorreu entre 2002 e 2003, na China, mas depois se disseminou por mais de 30 países, causando uma grave e altamente contagiosa infecção pulmonar conhecida como SARS (da sigla em inglês Severe Acute Respiratory Syndrome). A enfermidade acometeu mais de oito mil pessoas e foi responsável por 774 óbitos. Acredita-se que essa variante do coronavírus infectou o homem a partir da transmissão do vírus de pequenos mamíferos selvagens comercializados para alimentação. A doença foi controlada após intervenção da Organização Mundial de Saúde, com isolamento de casos, quarentena de pessoas com suspeita da infecção e alerta em viagens a regiões acometidas.
Desde abril de 2012, uma nova variante do coronavírus, denominada MERS-CoV (Middle East respiratory syndrome coronavirus) vem sendo observada em diversos países do Oriente Médio (Jordânia, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos), da Europa (França, Alemanha, Reino Unido, Itália) e do norte da África (Tunísia). Até o momento, mais de 50 casos e 30 óbitos foram atribuídos a essa doença. Os relatos têm demonstrado que esse novo coronavírus parece ser bastante contagioso e causa pneumonia grave. No entanto, pelo menos aparentemente, provoca diarreia com maior frequência que o vírus da SARS.
Ainda não se conhece a origem da infecção, mas sabe-se que a transmissão de homem para homem pode ocorrer.
Infelizmente, não existe vacina contra o coronavírus para seres humanos. As medidas que podem prevenir a transmissão desse agente são: cuidados de higiene ao espirrar, tossir ou assoar o nariz; lavagem das mãos após usar o banheiro e antes das refeições; isolamento de casos suspeitos ou confirmados, principalmente dentro dos hospitais. Outras medidas como a restrição de viagens aos países em que a doença já foi observada, ainda não foram estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde.
Fica aqui uma recomendação: não há motivo para as pessoas entrarem em pânico tão logo surjam os primeiros sintomas de resfriado Os sinais que servem de alerta para o paciente procurar atendimento médico são: fraqueza e mal-estar excessivos e falta de ar.
Nesse inverno, se estiver resfriado, redobre seus cuidados de higiene e evite o contato próximo com pessoas que possam ter problemas de saúde.

9058 – Medicina – A brucelose humana


Também chamada de febre de Malta, febre ondulante ou febre mediterrânea, trata-se de uma zoonose, que tem como agente etiológico uma bactéria do gênero Brucella.
Este gênero de bactérias são bacilos Gram-negativos, aeróbios, imóveis, encapsulados, não formam esporos e são parasitas intracelulares facultativos, com predileção pelo trato reprodutivo, articulações e sistema retículo-endotelial. As principais espécies compreendem a B. abortus (bovinos), a B. suis (suínos), a B. melitensis (caprinos) e a B. cannis (caninos).
Ocorre especialmente em países em desenvolvimento, sendo hiperendêmica em algumas regiões do Mediterrâneo, Índia, Península Arábica, México, América Central e América do Sul. Algumas regiões do mundo chegam a apresentar prevalência de 10 casos para cada 100.000 habitantes.
A infecção ocorre quando os indivíduos entram em contato com animais doentes ou produtos de origem animal contaminados com a bactéria, como leite não pasteurizado, produtos lácteos, carne mal passada ou seus subprodutos. A bactéria pode adentrar o organismo por diferentes formas, como ingestão, inalação ou, até mesmo, por penetração em feridas.
Quando no organismo, este agente etiológico é fagocitado pelos macrófagos, que são células de defesa do organismo, sobrevivendo no interior dessas células, sendo carreados para os tecidos linfoides. Na tentativa de isolar a bactéria, para que a mesma não cause danos ao organismo, há a formação de um granuloma ao redor das bactérias, impedindo sua disseminação. Às vezes, essas bactérias driblam esse mecanismo de defesa, multiplicando-se e causando ataques agudos no paciente crônico.
Nos casos agudos da doença, o paciente apresenta febre, calafrios, suores, cansaço, inapetência, cefaleia, dor nas costas e no abdômen. Já nos quadros crônicos, os sintomas resurgem mais intensos e inclui: febre recorrente, fraqueza muscular acentuada, intensa cefaleia, falta de apetite, perda de peso, tremores, manifestações alérgicas, hipotensão, alterações de humor e de memória.
Para se alcançar o diagnóstico é preciso realizar uma investigação detalhada do paciente, tanto da sua condição clínica, quanto do seu histórico, em associação com exames laboratoriais (hemograma, cultura bacteriana e testes sorológicos).
O tratamento abrange o uso de antibióticos, como doxiciclina, tetraciclina e gentamicina, por, no mínimo, seis semanas. Durante uma crise da doença, o paciente deve ficar em repouso e manter uma boa hidratação.
A prevenção deste transtorno é feita essencialmente controlando e erradicando a bactéria nos animais. Desta forma, torna-se imprescindível realizar uma adequada higiene pessoal, com os utensílios de trabalho, com o preparo e escolha dos alimentos, especialmente carne, leite e seus subprodutos.

9046 – Imunologia – Pesquisadores desenvolvem nova vacina contra tuberculose


Pesquisadores canadenses anunciaram o desenvolvimento de uma nova vacina contra a tuberculose, que deve servir como um reforço para os programas de imunização da doença. A partir de um vírus do resfriado geneticamente modificado, a vacina se mostrou segura e eficaz no primeiro teste realizado com seres humanos, mostrando ser capaz de induzir uma resposta forte do sistema imunológico dos pacientes. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine.
A tuberculose é uma doença infecciosa transmitida pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ela afeta principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2011, 8,7 milhões de pessoas contraíram a doença em todo o mundo, sendo que 1,4 milhão morreram.
O controle da tuberculose tem encontrado dificuldades ao redor do planeta, principalmente por causa do desenvolvimento de novas cepas da bactéria, capazes de resistir aos medicamentos usados atualmente. A OMS afirma que casos de cepas multirresistentes foram identificados em 77 países em 2011, e estima que até dois milhões de indivíduos poderão ser contaminadas com essas variedades até 2015.
A nova vacina foi desenvolvida para agir como um reforço para a BCG (Bacille Calmette Guerin), que é atualmente a única forma de imunização contra a tuberculose disponível. Ela foi desenvolvida na década de 1920 e tem sido utilizada desde então em todo o mundo, mas sua eficácia sempre foi questionada. Os pesquisadores sabem que a vacina é mais efetiva em proteger as crianças da doença — seu efeito diminui com o passar do tempo — e mais eficaz contra alguns tipos da doença do que outros.
Atualmente, a vacina BCG é parte do programa de imunização da OMS na Ásia, África, Europa Oriental e América do Sul. Ela é aplicada no primeiro ano de vida da criança. O reforço serviria para reativar elementos do sistema imunológico que diminuem ao longo do tempo após a aplicação da BCG.
A nova vacina tem sido desenvolvida há mais de uma década, e já se mostrou eficaz em pesquisas com animais. Os primeiros testes com seres humanos começaram em 2009, com 24 voluntários saudáveis, entre eles doze que haviam sido previamente vacinados com a BCG. “Nosso objetivo era estudar a segurança de uma única dose da vacina, bem como sua potência em acionar o sistema imunológico dos pacientes”, disse Zhou Xing, professor da Universidade McMaster que também participou da pesquisa.
Como resultado, os pesquisadores descobriram que a vacina era segura e dava início a uma resposta imunológica robusta na maioria dos participantes. Seu efeito foi maior nos voluntários que já haviam sido vacinados com a BCG, reforçando ainda mais a produção de células do sistema imunológico. Os pesquisadores devem agora realizar os testes em um número maior de pacientes, para medir o potencial real da vacina, antes que ela possa chegar ao mercado.

8606 – Medicina – A síndrome serotoninérgica


Também chamada de síndrome da serotonina, trata-se de uma condição decorrente da exacerbada estimulação de receptores serotoninérgicos centrais e periféricos, caracterizada por alterações do estado mental, bem como das funções motoras e autônomas.
As causas desta síndrome são diversas. Comumente decorre de ma interação medicamentosa, quando dois ou mais fármacos que elevam a neurotransmissão serotoninérgica por meio de distintos mecanismos são utilizados concomitantemente, ou em overdose. Em raros casos, pode resultar de uma overdose causada por somente um agente.
Além disso, pode ser secundária às seguintes situações:
Elevação da síntese de serotonina (triptofano);
Aumento de liberação de serotonina armazenada (cocaína, anfetaminas, bromocriptina, L-dopa);
Diminuição da recaptação da serotonina pela terminação pré-sináptica (dextrometorfano, nefazadona, petidina, inibidores seletivos da recaptação de serotonina, antidepressivos tricíclicos);
Inibição do metabolismo da serotonina (inibidores do monoamino oxidase);
Estimulação de receptores pós-sinápticos de serotonina (dietilamida do ácido lisérgico);
Aumento da resposta pós-sináptica à estimulação pela serotonina (lítio).
As manifestações clínicas surgem dentro de horas ou dias após à exposição ao agente tóxico responsável por desencadear esta síndrome e caracteriza-se pela tríade:
Alterações do estado mental, incluindo ansiedade, agitação, confusão, inquietação, hipomania, alucinações e coma.
Alterações motoras, englobando tremores, mioclonias, hipertonia, hiperrreflexia e incoordenação. O aumento do tônus muscular é mais acentuado nos membros inferiores.
Alterações do sistema nervoso autônomo como febre, sudorese, náuseas, vômitos, diarreia e hipertensão.
A combinação da sintomatologia varia de acordo com cada caso. As diferentes complicações que podem ser encontradas nesta síndrome incluem convulsões, rabdomiólise, coagulação intravascular disseminada (CID) e coma.
Não existem exames específicos para confirmar a síndrome serotoninérgica. Estes podem ser úteis apenas para excluir outras desordens que levam a um quadro clínico semelhante como síndrome anticolinérgica, toxicidade à carbamazepina, infecções do sistema nervoso central, abstinência etílica, abstinência a alguns fármacos (hipnóticos, sedativos ou opioides), insolação, toxicidade ao lítio e overdose de simpaticomiméticos.
O tratamento é feito com base na suspensão do agente desencadeador da síndrome, juntamente com o tratamento suporte e sintomático, até que as manifestações clínicas sejam extintas.

8556 – Medicina – A Artropatia de Jaccoud


Trata-se de uma poliartrite crônica, caracterizada pela deformação insidiosa, progressiva e permanente, especialmente nas mãos, resultando em desvio ulnar dos dedos redutível. Costuma afetar indivíduos que possuem outras patologias como febre reumática, artrite psoriásica, doença mista do tecido conjuntivo, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjögren e artrite reumatoide.
Em 1867, Jaccoud relatou uma artropatia crônica em um paciente portador de febre reumática, denominando esta condição de reumatismo fibroso crônico. Anos após, Bywaters descreveu 12 casos e, em 1950, fez uma extensa revisão de literatura, conferindo o nome a esta condição de síndrome de Jaccoud.
Estima-se que esta desordem afete de 20 a 80 mil indivíduos a cada 100.000 por ano. Decorre do acúmulo de auto-anticorpos que resulta na formação de complexos imunes, que se acumulam em órgãos e tecidos, e como consequência surgem lesões sintomáticas. Os órgãos mais afetados por esses depósitos são os glomérulos renais, a pele, os pulmões, o fluido sinovial, dentre outros.
Clinicamente, os pacientes apresentam desvio ulnar do quinto quirodáctilo e subluxação das articulações metacarpofalangeanas, resultando na deformidade das mãos. Em raros casos pode afetar também os pés.
O diagnóstico deve ser estabelecido através de uma avaliação minuciosa do paciente e de seu histórico, devendo diferenciá-la de outras desordens reumáticas. Além de uma anamnese detalhada, alguns exames laboratoriais podem auxiliar no fechamento do diagnóstico, como velocidade de hemossedimentação e testes sorológicos de fator reumatoide.
O único tratamento eficaz é eliminar a doença de base. Comumente a sintomatologia responde positivamente a administração de salicilatos. Também existe a opção cirúrgica, mas esta deve ser feita somente em alguns casos, quando determinado por especialistas.
Por ser uma desordem de evolução benigna, não havendo, na maioria das vezes, o acometimento de outras articulações, o prognóstico é bom.

8536 – Um Inimigo Invisível e Silencioso


Cultura das mortíferas superbactérias
Cultura das mortíferas superbactérias

São os super micróbios. Doenças que estavam controladas ou quase erradicadas sofreram mutações e voltaram a atacar. O uso excessivo dos antibióticos tem resultado em novas cepas de tuberculose, malária, febre tifoide, gonorreia, meningite e pneumonia estão com o tratamento cada vez mais difícil e oferecendo resistência a drogas modernas. Um problema global e preocupante e que pode resultar numa catástrofe na área de Saúde.

8235 – Patologia – O que é Fomite?


É qualquer objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes ou infecciosos (de germes a parasitas), de um indivíduo a outro.
Há vários exemplos de fômites na Medicina. Sapatos contaminados podem espalhar doenças nos pés e na boca. Outros exemplos incluem ferramentas ou utensílios como mangueirinhas de chuveiro introduzidas na vagina de diversas mulheres que utilizam o mesmo banheiro e a mesma mangueira para fazerem lavagem vaginal pós coito; laringoscópios que não são apropriadamente desinfectados entre as utilizações em diversos pacientes. Toalhas sujas, talheres, maçanetas, corrimãos, ônibus e outros meios de transportes coletivos e mesmo superfícies tais como chão, paredes e mesas também podem servir de disseminadores de doenças porque são objetos que entram em contato com diversas pessoas e podem conter agentes patogênicos que são transmitidos de uns para outros devido ao uso comum desses objetos contaminados.
Pesquisadores descobriram que superfícies lisas (não-porosas), transmitem bactérias e vírus melhor que materiais porosos; assim, é mais provável que se pegue uma doença de uma maçaneta de porta do que de dinheiro em papel. A razão é que materiais porosos e, especialmente, fibrosos, absorvem e aprisionam o agente contagiante, tornando mais difícil contraí-lo apenas através do toque.

8222 – Medicina – A Leishmaniose


É uma doença crônica, de manifestação cutânea ou visceral (pode-se falar de leishmanioses, no plural), causada por protozoários flagelados do gênero Leishmania, da família dos Trypanosomatidae. O calazar (leishmaniose visceral) e a úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar americana) são formas da doença.
É uma zoonose comum ao cão e ao homem. É transmitida ao homem pela picada de mosquitos flebotomíneos, que compreendem o gênero Lutzomyia (chamados de “mosquito palha” ou birigui) e Phlebotomus.
No Brasil existem atualmente 6 espécies de Leishmania responsáveis pela doença humana, e mais de 200 espécies de flebotomíneos implicados em sua transmissão. Trata-se de uma doença que acompanha o homem desde tempos remotos e que tem apresentado, nos últimos 20 anos, um aumento do número de casos e ampliação de sua ocorrência geográfica, sendo encontrada atualmente em todos os Estados brasileiros, sob diferentes perfis epidemiológicos. Estima-se que, entre 1985 e 2003, ocorreram 523.975 casos autóctones, a sua maior parte nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Em Portugal existe principalmente a leishmaniose visceral e alguns casos (muito raros) de leishmaniose cutânea. Esta raridade é relativa, visto que na realidade o que ocorre é uma subnotificação dos casos de leishmaniose cutânea. Uma razão para esta subnotificação é o fato de a maioria dos casos de leishmaniose cutânea humana serem autolimitados, embora possam demorar até vários meses a resolverem-se.
As leishmania são transmitidas pelos insetos fêmeas dos gêneros Phlebotomus (Velho Mundo) ou Lutzomyia (Novo Mundo).
No início do século XX o médico paraense Gaspar Viana iniciou estudos sobre a leishmaniose, e a ele atribui-se a descoberta dos primeiros tratamentos para a doença. Essa doença também pode afetar o cão ou a raposa, que são considerados os reservatórios da doença, conforme referido pelo médico sanitarista Thomaz Corrêa Aragão, em 1954.
As leishmania são protozoários parasitas de células fagocitárias de mamíferos, especialmente de macrófagos. São capazes de resistir à destruição após a fagocitose. As formas promastigotas (infecciosas) são alongadas e possuem um flagelo locomotor anterior, que utilizam nas fases extracelulares do seu ciclo de vida. O amastigota (intra-celular) não tem flagelo.

Há cerca de 30 espécies patogênicas para o ser humano (CDC). As mais importantes são:

As espécies L. donovani, L. infantum infantum, e L. infantum chagasi que podem produzir a leishmaniose visceral, mas, em casos leves, apenas manifestações cutâneas.
As espécies L. major, L. tropica, L. aethiopica, L. mexicana, L. braziliensis, L. amazonensis e L. peruviana que produzem a leishmaniose cutânea ou a mais grave, mucocutânea.

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O ciclo de vida das espécies é ligeiramente diferente mas há pontos comuns. São libertados no sangue junto com a saliva de flebotomíneos ou flebótomos (em inglês são denominados sand flies) no momento da picada. As leishmanias na forma de promastigotas ligam-se por receptores específicos aos macrófagos, pelos quais são fagocitadas. Elas são imunes aos ácidos e enzimas dos lisossomas com que os macrófagos tentam digeri-las, e transformam-se nas formas amastigotas após algumas horas (cerca de 12h). Então começam a multiplicar-se por divisão binária, saindo para o sangue ou linfa por exocitose e por fim conduzem à destruição da célula, invadindo mais macrófagos. Os amastigotas ingeridos pelos insectos transmissores demoram oito dias ou mais a transformarem-se em promastigotas e multiplicarem-se no seu intestino, migrando depois para as probóscides.
Leishmaniose visceral (LV), também conhecida como calazar e febre negra, é a forma mais severa de leishmaniose. É o segundo maior assassino parasitário no mundo, depois da malária, responsável de uma estimativa de 60 000 que morrem da doença cada ano entre milhões de infecções mundiais. O parasita migra para os órgãos viscerais como fígado, baço e medula óssea e, se deixado sem tratamento, quase sempre resultará na morte do anfitrião mamífero. Sinais e sintomas incluem febre, perda de peso, anemia e inchaço significativo do fígado e baço. De preocupação particular, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é o problema emergente da co-infecção HIV/LV.

LV humana
Em hospedeiros humanos, a resposta da infecção por L. donovani varia bastante, não só pela força mas também pelo tipo da reação imune do paciente. Pacientes que produzem números grandes de células-T do tipo TH1, que ativa a resposta celular mas não encorajam a formação de anticorpos, frequentemente recuperam-se da infecção e depois são imunes a uma reinfecção. Pacientes cujos sistemas produzem mais células do tipo TH2, que promovem apenas a formação de anticorpos, são mais afetados.
Na leishmaniose visceral humana, os primeiros sintomas podem ser associados ao descamamento da pele – com destaque para regiões em torno do nariz, boca, queixo e orelhas, sendo frequentes também no couro cabeludo, onde estes são geralmente confundidos com caspa; e ao aparecimento de pequenos calombos semiesféricos sob o couro cabeludo, geralmente sensíveis ao toque. Tais calombos surgem e desaparecem com frequência sem contudo implicarem, de forma geral mas não restritiva, feridas. Não obstante, por incômodo, estes podem evoluir para lesões mediante traumas induzidos pelas unhas ou mãos do próprio paciente; tais lesões geralmente cicatrizam-se, contudo, de forma normal. Alterações nos níveis de ácido úrico que não associam-se adequadamente às causas típicas desta anomalia – a exemplo bem notórias mesmo em pacientes vegetarianos – e que acabam por implicar sintomas muito semelhantes aos da gota – bem como alterações na quantificação de enzimas associadas ao fígado – como a gama glutamil transferase e transaminase pirúvica – passam a ser detectáveis em exames de sangue. Com a evolução da doença os sintomas mais típicos incluem o aumento do baço ou esplenomegalia, sendo este geralmente também acompanhado do aumento do fígado ou hepatomegalia, ambos detectáveis via ultrassonografia. Se deixado sem tratamento a doença evolui para um quadro crítico caracterizado por rápido e intenso emagrecimento, dor abdominal, ausência de apetite, apatia e febre alta, intermitente e crônica – com duração superior a dez dias – fase na qual o paciente geralmente é levado a procurar o médico. Nesta fase os hemogramas geralmente revelam, entre outras anomalias, os níveis de albumina e contagem de leucócitos significativamente alterados, sendo notórias a anemia e a leucopenia. A mortalidade da doença nesta etapa é consideravelmente aumentada por estes sintomas serem facilmente confundidos com os de outras patogenias; nesta fase, se deixada sem tratamento, a doença quase sempre implica a morte do paciente. O escurecimento da pele, que deu à doença seu nome comum na Índia, não aparece na maioria dos casos de doença, e os outros sintomas são muito fáceis de confundir com os da malária. O erro no diagnóstico é perigoso, pois, sem tratamento, a taxa de mortalidade para kala-azar está próxima a 100%.

Humanos e outros animais infectados são considerados reservatórios da doença, uma vez que o mosquito, ao sugar o sangue destes, pode transmiti-lo a outros indivíduos ao picá-los. Em região rural e de mata, os roedores e raposas são os principais; no ambiente urbano, os cães. Nem todos os cães, quando infectados, apresentam os sinais da doença (emagrecimento, perda de pelos e lesões na pele).

Algum tempo depois do tratamento pode surgir uma forma secundária da [doença], chamada leishmaniose dérmica pós-kala-azar ou LDPK. Esta condição se manifesta primeiro como lesões de pele na face que gradualmente aumentam em tamanho e espalham-se pelo corpo. Eventualmente as lesões podem ser desfigurantes, deixando cicatrizes semelhantes a lepra e causando cegueira ocasionalmente se atingirem os olhos: contudo a doença não é a leishmaniose cutânea, mas uma doença causada por outro protozoário do gênero Leishmania, que também afeta neste estágio a pele.

LV Canina
A leishmaniose visceral é uma doença mortal de curso lento e de difícil diagnóstico, pois um cão pode estar infectado e não mostrar nenhuns sintomas exteriores.
É causada pelo protozoário Leishmania, transmitido pela picada de flebótomos (insetos) infectados. O cão é considerado o principal reservatório da doença no meio urbano, mas não o único, já o homem podem atuar como reservatórios (o que é uma situação rara).
Os sintomas no cão são bastante variáveis, sendo comum na Leishmaniose cutânea o aparecimento de lesões graves na pele acompanhadas de descamações e, eventualmente, úlceras, falta de apetite, perda de peso, lesões oculares (tipo queimaduras), atrofia muscular e, o crescimento exagerado das unhas. Em um estágio mais avançado, detecta-se problemas nos rins, no fígado e no baço, acabando o animal por morrer. Devido à variedade e à falta de sintomas específicos, o médico veterinário é o único profissional habilitado a fazer um diagnóstico da doença. É importante ressaltar que há um grande número de animais infectados que não apresentam sintomas clínicos (assintomáticos) porque a Leishmaniose pode ter uma incubação até 7 anos.
Mesmo sendo considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma das seis maiores epidemias de origem parasitária do mundo, focos de leishmaniose visceral canina continua-se expandir no mundo.
Na América Latina, a doença já foi encontrada em pelo menos 12 países, sendo que 90% dos casos ocorrem no Brasil, especialmente na região Nordeste, que possui o maior número de notificações: 1.634 casos registrados em 2007. O Ministério da Saúde do Brasil gerencia o Programa de Controle da Leishmaniose Visceral Canina, visando, entre outras ações, o diagnóstico sorológico dos cães positivos para Calazar e sua posterior eutanásia. Atualmente são utilizados dois métodos diagnósticos sorológicos, a Imunofluorescência Indireta (RIFI) e o Ensaio Imunoenzimático, também conhecido como Teste ELISA. Ambos se baseiam na busca de anticorpos anti-Leishmania em soro de cães. O Ministério recomenda a triagem com o método ELISA e a confirmação com a RIFI a um título de 1:40. São aceitos os resultados executados com kits diagnósticos fabricados pela Fundação OswaldoCruz/Biomanguinhos, distribuidor oficial do Ministério. Nas áreas endêmicas, os fiscais visitam as residências para realizar a coleta de sangue dos animais. Após o exame, os proprietários precisam aguardar cerca de 60 dias pelo resultado do teste para saber se o animal está infectado e se terá que ser sacrificado, já que com a portaria interministerial nº 1426 editada em julho de 2008, é proibido o tratamento da doença com produtos de uso humano. A opção de eutanásia de um animal de estimação é certamente para muitos uma decisão difícil, e muitas vezes procura-se por alternativas paliativas, recorrendo-se geralmente ao argumento de que a portaria não proíbe, contudo, o tratamento da doença com produtos específicos para animais; e que a validade da referida portaria encontra-se em discussão na justiça (o que não a torna inválida). Contudo é fato que o animal contaminado, quando sob tratamento – quer humano quer específico ao animal – embora possa em uma parcela dos casos apresentar remissão dos sintomas da doença, permanece infectado com o parasita em sua forma ativa, e por tal constitui um reservatório da doença no ambiente em questão. Acrescido a presença do agente vetor em tais ambientes, o que geralmente é a situação dada a contaminação do animal, tal configuração caracteriza-se como uma situação de risco iminente aos demais no ambiente, incluso sobretudo os seres humanos, risco muito agravado em caso de presença de crianças e idosos. Muito pior do que se obter um diagnóstico soropositivo para leishmaniose em um animal de estimação é certamente obter um diagnóstico soropositivo para a doença em um membro da família. O tratamento, que da mesma forma que no animal apenas ameniza os sintomas, é complicado e prolongado, exigindo quase sempre internação para a companhamento do processo dado o risco de morte diretamente associado à medicação. A medicação para uso humano é proibida para animais dada a crescente adaptação e resistência dos agentes etiológicos às drogas conhecidas (ver tratamento); as drogas aplicadas nos primórdios dos avanços no tratamento da referida doença, que remontam ao início do século XX, são hoje ineficazes, sendo as hoje utilizadas muito mais agressivas ao próprio organismo do hospedeiro do que as inicialmente aplicadas. A eutanásia dos cães contaminados é uma decisão dificil para os donos, mas os cães em estado muito debilitado, talvez seja a única solução.
Na Europa está a ser utilizada a vacina anual e preventiva contra a Leishmaniose do Laboratório Virbac. A protecção é aproximadamente de 90%. Sendo aconselhado também o uso de coleira anti-parasitária e/ou pipetas. Antes da vacinação, tem que se proceder a teste de diagnóstico, para se saber se o cão jà é portador da doença. Caso o teste dê positivo, o cão não pode ser vacinado. E, o Médico Veterinário aconselhará a melhor tratamento a seguir.
No Brasil, existe no mercado há 5 anos uma vacina contra a Leishmaniose Visceral Canina, a Leishmune, do laboratório Fort Dodge Saúde Animal, registrada no Ministrério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) desde 2003. Além desta vacina, existe uma outra do laboratório Hertape, em que, após vacinação, o animal continua negativo no exame de RIFI, diferente da vacina Fort Dodge. A vacina confere proteção superior a 92% e já protegeu mais de 70.000 cães vacinados em todo o Brasil. É importante ressaltar que os animais vacinados apresentam resultados negativos nos kits ELISA atualmente licenciados pelo MAPA (Kit Biogene e Kit Bio-Manguinhos).
O programa vacinal deve ser associado a outras medidas de controle, como combate ao inseto vetor (flebótomo), com a aplicação de inseticida no ambiente e o uso de produtos repelentes no cão.

Os flebotomíneos são cruciais na transmissão da leishmaniose visceral, que ocorre quando os insetos se alimentam sobre homens ou animais infectados. A seguir, o crescimento dos flagelados no tubo digestivo do vetor torna-se suficiente para assegurar sua inoculação em hospedeiros susceptíveis.
Se, pouco depois de infectar-se, o flebotomíneo volta a alimentar-se com sangue, o crescimento dos flagelados pode ser inibido. Mas se a segunda refeição for feita com sucos de plantas (ou, nas condições de laboratório, com passas ou soluções açucaradas), as formas promastigotas multiplicar-se-ão abundantemente no tubo digestivo do inseto. Quando ele ingere novamente sangue, poderá regurgitar com o sangue aspirado grumos de leishmanias (promastigotas infectantes) que cresciam no esôfago e no proventrículo.
Em vista do tempo requerido para o crescimento abundante dos flagelados e da vida curta dos insetos adultos (cerca de duas semanas ou pouco mais), é necessário que o flebotomíneo se infecte muito cedo, talvez por ocasião de suas primeiras refeições sanguíneas, para que possa efetuar a transmissão do calazar.
A proporção de insetos encontrados com infecção natural é sempre muito baixa. Assim, a transmissão fica na dependência de existir, nos focos americanos, uma densidade grande de Lutzomyia longipalpis, fato que se constata nas áreas de leishmaniose visceral, mesmo no interior das casas, sempre que haja um surto epidêmico.
Outro mecanismo de transmissão possível, entre os animais, é a transmissão direta, sem flebotomíneos. Em certas áreas endêmicas, observou-se a pequena densidade de insetos vetores, raros casos humanos e grande incidência do calazar canino. Como os flebotomíneos aí mostravam poucas tendências em picar os cães, supôs-se que a propagação pudesse ter lugar por contato sexual, tanto mais que em diversas pesquisas pôde-se comprovar o parasitismo da glande e da uretra dos cães por leishmanias.

A leishmaniose é uma doença que já existia desde tempos pré-históricos e que existe até hoje na maior parte do mundo. Entre 1985 e 2003 houve um aumento do número de casos e ampliação de sua ocorrência geográfica, sendo encontrada atualmente em todos os Estados brasileiros, sob diferentes perfis epidemiológicos. Estima-se que, entre 1985 e 2003, ocorreram 523.975 casos autóctones, a sua maior parte nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil. É mais de 10 vezes mais comum no Norte que no Sul do país.
Estima-se que a Leishmaniose (tegumentar e visceral) no ano de 2003 apresentava uma prevalência de 12 milhões de casos no mundo e que 350 milhões de pessoas viviam nas áreas com risco de contrair a doença. Segundo a OMS, 2 milhões de pessoas são contaminadas todos os anos (1,5 milhões de casos de leishmaniose cutânea e 500 000 casos de leishmaniose visceral). E esse número parece estar aumentando.
Essa doença está espalhada por 88 países, dos quais 72 são países em desenvolvimento. A grande maioria dos casos de Leishmaniose visceral ocorrem no Brasil, Bangladesh, Índia ou Sudão. A grande maioria dos casos de leishmaniose cutâneo-mucosa ocorrem no Brasil, Bolívia ou Peru. E a maioria dos casos de leishmaniose cutânea ocorrem no Brasil, Afeganistão, Irã, Peru, Arábia Saudita ou Síria. Mais de 90% dos casos ocorrem nesses países, sendo o Brasil o único a reunir grandes números de casos dos 3 tipos de leishmaniose.
Os casos são mais comuns nas áreas de criação de gado onde os animais também são vítimas da doença e ocorrem contaminações cruzadas (do homem para o animal e do animal para o homem).

Progressão e Sintomas
Uma infecção por leishmanias pode tomar dois cursos. Na maioria dos casos o sistema imunitário reage eficazmente pela produção de uma resposta citotóxica (resposta Th1) que destrói os macrófagos portadores de leishmanias. Nestes casos a infecção é controlada e os sintomas leves ou inexistentes, curando-se o doente ou desenvolvendo apenas manifestações cutâneas. No entanto, se o sistema imunitário escolher antes uma resposta (humoral ou Th2) com produção de anticorpos, não será eficaz a destruir as leishmanias que se escondem no interior dos macrófagos, fora do alcance dos anticorpos. Nestes casos a infecção (apenas L. donovani irá se desenvolver em leishmaniose visceral), uma doença grave, ou no caso das espécies menos virulentas, para manifestações mucocutâneas mais agressivas e crónicas. Um indivíduo imunodeprimido não reage com nenhuma resposta imunitária eficaz, e estes, especialmente os doentes com SIDA/AIDS, desenvolvem progressões muito mais perigosas e rápidas com qualquer dos patogénios. Em Portugal, Espanha, Itália e França este grupo tem ultimamente formado uma percentagem grande dos doentes com formas de leishmaniose graves.
A leishmaniose visceral, também conhecida por kala-azar ou febre dumdum, tem um período de incubação de vários meses a vários anos. As leishmanias danificam os órgãos ricos em macrófagos, como o baço, o fígado, e a medula óssea. Os sintomas mais comuns do kala azar são:

Febre prolongada,
Úlceras escuras na pele
Aumento do baço (esplenomegalia),
Aumento do fígado (hepatomegalia),
Leucopenia,
Anemia,
Hipergamaglobulinemia,
Tosse,
Dor abdominal,
Diarréia,
Perda de peso e;
caquexia.

A leishmaniose cutânea tem uma incubação de algumas semanas a alguns meses (geralmente) assintomáticos, após o qual surgem sintomas como lesões na pele (pápulas ulcerantes) extremamente irritantes nas zonas picadas pelo mosquito, que progridem para crostas com líquido seroso. Há também escurecimento por hiperpigmentação da pele, com resolução das lesões em alguns meses com formação de cicatrizes desagradáveis. A leishmaniose mucocutânea é semelhante mas com maiores e mais profundas lesões, que se estendem às mucosas da boca, nariz ou genitais.
No Brasil, o maior número de casos são registrados nas regiões Norte e Nordeste, onde a precariedade das condições sanitárias favorecem a propagação da doença. Mas o aumento do número de registros na Região Sudeste mostram que todo o país corre risco de epidemias de Leishmaniose. O interior paulista tem assistido a um crescimento grande do número de casos. Em 1999, Araçatuba enfrentou uma epidemia. Birigui e Andradina também registraram alto número de casos da doença. Em 2003, Bauru passou a registrar a doença de forma endêmica. Em todas essas cidades ocorreram óbitos, e há o risco da doença chegar a grandes centros urbanos paulistas de forma endêmica, como Campinas, Sorocaba, Santos e São Paulo.
Em Campo Grande, capital sul-matogrossense, a incidência da doença também é alta, principalmente em cães que são frequentemente recolhidos pelo poder público e submetidos a eutanásia. Tal atitude tenta conter a doença na cidade, mas nada é feito quanto ao combate efetivo do mosquito transmissor.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá, em 2006, 52,43% dos cães da cidade tiveram diagnóstico positivo para leishmaniose visceral.
A leishmaniose é considerada pela DNDi como uma doença “extremamente negligenciada”, assim como a doença do sono e a de doença de Chagas. Isto porque, em razão da prevalência em regiões de extrema pobreza, não há interesse por parte da indústria farmacêutica em desenvolver novos medicamentos para essas doenças.
Embora os agentes do serviço de controle de zoonoses geralmente cumpram com regularidade as atividades que lhe são incumbidas, ressalva significativa é feita quanto ao fato de que estes (quase?) nunca encaminham, ou sequer aconselham, os moradores da residência associada a um animal positivo-diagnosticado a também realizarem os exames diagnósticos associados. Aparte os motivos de tal atitude, os exames são geralmente simples, rápidos e baratos. Mostram-se acessíveis a todos via postos de saúde públicos ou mesmo na rede particular, e devem ser feitos por todos os moradores da residência onde haja o diagnóstico de um animal com a doença. Até o ponto em que se sabe – contradizendo as estatísticas divulgadas na mídia de enorme número de casos em animais e poucos em humanos – tanto homens quanto os cachorros, gatos, e demais mamíferos do ambiente doméstico – como ratos – estão igualmente suscetíveis à contaminação.

Tratamento para os cães
Os tratamentos existentes não curam a doença, mas estabilizam-na. Podendo, no entanto, haver recaídas.
Entre as moléculas mais utilizadas no tratamento da leishmaniose canina estão os antimoniais, o Milteforan do Laboratório Virbac, assim como Leishguard do Laboratório Esteves. O medicamento alopurinol é administrado diariamente.

Vacina
Foi desenvolvida pelo Prof. Wilson Mayrink, pesquisador do Departamento de Parasitologia da Universidade Federal de Minas Gerais, recebeu o registro do Ministério da Saúde e agora pode ser comercializada no Brasil. Segundo o Prof. Mayrink, a vacina está sendo testada na Colômbia e no Equador, sob a coordenação da OMS. Os testes estão em fase final e, até agora, os resultados são semelhantes aos do Brasil. O pesquisador está otimista também com os resultados dos testes da vacina preventiva, realizados nos municípios de Caratinga e Varzelândia, em Minas Gerais. Ele acredita que, nos próximos dois anos, a vacina preventiva também possa ser produzida em escala industrial e comercializada em todo o País.

8047 – Saúde Pública – China investiga se nova gripe aviária é transmitida entre humanos


Autoridades de saúde da China disseram que estão investigando a possibilidade de transmissão entre humanos da nova cepa do vírus da gripe aviária, o H7N9. De acordo com Felipe Zijian, diretor do centro de emergências do Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país, estão sendo avaliados, por exemplo, casos de infecção pelo vírus em membros da mesma família. Desde o fim de março, a China já confirmou 82 pessoas infectadas pelo H7N9, sendo que 17 delas morreram.
“Nós ainda estamos analisando com profundidade para descobrirmos quais são as principais possibilidades – se a infecção ocorreu primeiramente de ave para humano e depois de humano para humano, por exemplo. E se as pessoas infectadas têm um histórico comum de exposição: se entraram em contato com os mesmos objetos ou se o contágio ocorreu por meio do ambiente”, disse Zijian.
Ressaltou, porém, que ainda não há indícios de que o H7N9 é transmitido de uma pessoa para outra – reforçando o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia assegurado na última semana.
Segundo informou nesta quarta-feira o jornal chinês China Daily, Zeng Guang, cientista-chefe encarregado de epidemiologia no Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, disse que cerca de 40% das pessoas infectadas pelo H7N9 não tinham nenhum histórico claro de exposição a aves. “Como essas pessoas são infectadas? É um mistério”, disse Zeng, segundo o jornal. No mesmo dia, Gregory Hartl, porta-voz da OMS, confirmou que, de fato, algumas dessas vítimas não entraram em contato com os animais, mas não confirmou a porcentagem.

6597 – As Doenças Psicossomáticas


Diversos tipos de problemas gastrointestinais, afecções dermatológicas e alterações neurovegetativas são alguns dos transtornos orgânicos que têm origem em desequilíbrios dos processos mentais.
Doenças psicossomáticas são todos os processos orgânicos patológicos de origem psicológica, causados por estresse, ansiedade, depressão etc. Esses fatores determinam uma ativação inadequada do sistema neurovegetativo e das glândulas endócrinas. Sua repetição pode levar a alterações crônicas, tanto funcionais como anatômicas, dos sistemas orgânicos.
A medicina moderna passou a estudar a estreita relação existente entre a esfera psíquica e o funcionamento do organismo no início do século XX, com a patologia funcional de Ernest von Bergmann e as correntes personalistas e antropológicas de Ludolf von Krehl, Richard Siebeck e Viktor Weizsäcker. A tendência a considerar o homem de forma global opôs-se à crescente especialização da medicina e sua tendência ao mecanicismo.
Do ponto de vista fisiológico, verifica-se que, durante os estados de excitação, medo, raiva etc., produz-se de forma imediata uma modificação nas constantes vitais: a pressão sangüínea se eleva, o ritmo respiratório se acelera e produzem-se secreções, como a transpiração e a descarga de adrenalina. Tal preparação fisiológica para situações de emergência constitui uma resposta transitória, que atua até que as circunstâncias externas adversas ou ameaçadoras tenham deixado de existir. Entretanto, se o estado biopsíquico perdura a ponto de se tornar habitual, os mecanismos neuro-hormonais se alteram e exercem sobre órgãos e tecidos uma pressão superior à que se requer para seu funcionamento normal. Daí o grande número de afecções degenerativas — cardiovasculares, digestivas, neurológicas etc. — ligadas a atividades cujo exercício sujeita os profissionais a múltiplas tensões, ansiedade e estresse, freqüentemente associados ao excesso de trabalho.
Além das complicações já mencionadas, muitas outras podem ser causadas pela sobrecarga de preocupações, tais como hipertensão, flatulência, obesidade, enxaquecas, dermatites, impotência, frigidez, dores musculares etc. Terapia farmacológica, psicanálise, ioga, meditação, exercícios de relaxamento e massagens são alguns dos recursos utilizados para tratar as doenças psicossomáticas.

No início da década de 1980, surgiu uma nova especialidade médica, a psiconeuroimunologia, encarregada de investigar as interações entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico. Verificou-se que distúrbios de natureza psicológica estão freqüentemente associados a fenômenos fisiológicos, como alterações na chamada “química do cérebro”, que consistem em mudanças na concentração dos neurotransmissores, mensageiros químicos que atuam na transmissão dos impulsos nervosos.
Os primeiros estudos nesse campo concentraram-se nas relações entre o estresse e os distúrbios imunológicos. Pesquisas realizadas no final da década de 1980 comprovaram que alguns componentes do sistema imunológico responsáveis por estimular a ação dos linfócitos T (as chamadas células assassinas) tinham sua atividade diminuída após uma exposição do organismo a fatores estressantes. Demonstrou-se, assim, que o estresse reduz os anticorpos naturais do organismo e, portanto, a resistência às doenças.
Outros trabalhos nessa área voltaram-se para o estudo da imunoestimulação — o aumento da resposta imunológica aos agentes agressores — por meio de técnicas de hipnose, meditação e relaxamento. As primeiras pesquisas indicaram que essas técnicas são capazes de estimular o organismo a produzir mais células de defesa.

6339 – Medicina – O que é a Cirrose Hepática?


É o nome dado à patologia que afeta um órgão, transformando o tecido formado pelas suas células originais em tecido fibroso, por um processo habitualmente chamado fibrose ou esclerose. Geralmente o termo cirrose é utilizado para designar a fibrose no fígado.
O tipo mais comum de cirrose, a cirrose hepática, afeta o fígado e surge devido ao processo crônico e progressivo de inflamações (hepatites), fibrose e por fim ocorre a formação de múltiplos nódulos, que caracterizam a cirrose. A cirrose é considerada uma doença terminal do fígado para onde convergem diversas doenças diferentes, levando a complicações decorrentes da destruição de suas células, da alteração da sua estrutura e do processo inflamatório crônico.
A capacidade regenerativa do fígado é conhecida e até faz parte da mitologia grega (a história de Prometeu). É possível retirar cirurgicamente mais de dois terços de um fígado normal e a porção restante tende a crescer até praticamente o tamanho normal, com um processo de multiplicação celular que se inicia logo nas primeiras 200 horas, através de mecanismo ainda não bem esclarecido (o mesmo acontece com o transplante hepático intervivos, em que o receptor recebe uma porção do fígado do doador e depois ambos crescem). No entanto, a cirrose é o resultado de um processo crônico de destruição e regeneração com formação de fibrose. Nessa fase da hepatopatia, a capacidade regenerativa do fígado é mínima.
Apesar da crença popular de que a cirrose hepática é uma doença de alcoólatras, todas as doenças que levam a inflamação crônica do fígado (hepatopatia crônica) podem desenvolver essa patologia:

Hepatite autoimune
Lesão hepática induzida por drogas ou toxinas
Lesão hepática induzida pelo álcool
Hepatites virais B, C e D
Doenças metabólicas
Deficiência de alfa-1-antitripsina
Doença de Wilson
Hemocromatose
Distúrbios vasculares
Insuficiência cardíaca direita crônica
Síndrome de Budd-Chiari
Cirrose biliar
Cirrose biliar primária
Cirrose biliar secundária a obstrução crônica
Colangite esclerosante primária
Atresia biliar
Insuficiência congênita de ductos intra-hepáticos (Síndrome de Alagille)
Cirrose criptogênica (causa desconhecida)

No início não há praticamente nenhum sintoma, o que a torna de difícil diagnóstico precoce, pois a parte ainda saudável do fígado consegue compensar as funções da parte lesada durante muito tempo. Numa fase mais avançada da doença, podem surgir desnutrição, hematomas, aranhas vasculares, sangramentos de mucosas (especialmente gengivas), icterícia (“amarelão”), ascite (“barriga-d’água”), hemorragias digestivas (por diversas causas, entre elas devido a rompimento de varizes no esofago,levando o doente a expelir sangue pela boca e nas fezes) e encefalopatia hepática (processo causado pelo acúmulo de substâncias tóxicas que leva a um quadro neurológico que pode variar entre dificuldade de atenção e coma).

O único tratamento totalmente eficaz para portadores de cirrose hepática é o transplante de fígado, mas também pode haver melhoras se for suspenso o agente agressor que originou a cirrose, como o álcool ou o vírus da hepatite. Como o transplante está indicado apenas em situações em que o risco do procedimento é inferior ao risco esperado sem o procedimento, se não houver indicação de transplante deve-se manter acompanhamento médico periódico para a detecção precoce de complicações como desnutrição, ascite, varizes esôfago-gastricas, hepatocarcinoma, procedendo-se intervenção, se necessária.