12.207 – Saúde – Água é o melhor remédio


O alerta vem de médicos de diversos países, convencidos de que as pessoas não conhecem direito os benefícios desta santa fórmula, o H2O. Ela é simples, eficiente e sem contra-indicações. Basta seguir uma receita trivial – tome pelo menos oito copos de água por dia – e os efeitos aparecem no corpo inteiro, do cérebro aos intestinos e ossos. O difícil é descobrir algo que a água não faça dentro do organismo. Ela transporta nutrientes e oxigênio para as células, dissolve vitaminas e sais minerais dentro delas, ajuda a desintoxicar os rins, dá flexibilidade aos músculos, lubrifica as juntas ósseas e refrigera o corpo ao expulsar pela pele o suor aquecido. Perder apenas 20% dos 40 ou 50 litros do volume total de água do corpo pode ser mortal. A sede já é sinal de desidratação. E, se você não beber água, podem aparecer sintomas mórbidos. Eles surgem no cérebro, que é 74% líquido. Se ele começa a secar, você sente dor de cabeça, moleza e um pouco de confusão mental. Já o sangue, que contêm 83% de H2O, engrossa, elevando a pressão. E o apetite também desaparece. Portanto não perca tempo: encha a cara de água.

11.099 – Projeções – Se os velhos fossem a maioria


envelhecimento

Ao lado de matemática, física e português, envelhecimento seria uma das nossas disciplinas escolares. E essa não é nem a diferença mais radical num mundo em que a maior parte das pessoas têm mais de 60 anos. “Tudo terá de ser transformado à medida que a sociedade envelhecer”, escreveu o jornalista alemão Frank Schirrmacher em A Revolução dos Idosos, que busca nos alertar para o inevitável processo de envelhecimento mundial. Segundo a ONU, os idosos vão passar de 606 milhões para 1, 97 bilhão em 2050. E, para Schirrmacher, o choque provocado por essa mudança será comparável ao de uma guerra mundial.
O mercado de trabalho, por exemplo, deve sofrer transformações drásticas. “A noção de aposentadoria compulsória a uma determinada idade ficaria obsoleta numa sociedade muito envelhecida”, diz o médico brasileiro Alexandre Kalache, que coordena o Programa de Envelhecimento da Organização Mundial da Saúde, em Genebra. Afinal, não há economia que resista a 51% da população economicamente inativa. A solução seria mudar as cargas de trabalho e horário.
E apesar de a velhice trazer dificuldades físicas inevitáveis (perda de sentidos e de massa muscular e óssea), um mundo com a maioria de velhos não quer dizer um mundo doente. Um estudo de 2001 da Duke University, nos EUA, chegou à conclusão de que o risco de algumas doenças (entre elas, câncer, hipertensão e arteriosclerose) diminui com o tempo. “O metabolismo do idoso fica mais lento, as células passam a trabalhar e a se reproduzir menos e isso dificulta o progresso de enfermidades crônicas”, diz Svetlana V. Ukraintseva, coordenadora da pesquisa. Conheça outras mudanças que veríamos se os velhos se tornassem maioria.

Possíveis Classificados
EMPREGOS
Procura-se engenheiro com mais de 40 anos de experiência.
• “Hoje, ser velho é a experiência de uma minoria”, escreveu Frank Schirrmacher. E, como sempre, as qualidades da maioria é que são valorizadas. Criatividade e flexibilidade são moedas da juventude e, por isso, tornaram-se pré-requisitos no mercado de trabalho. Se envelhecermos, isso tende a mudar.
Vaga para consultor financeiro. Carga de 20 horas semanais.
• “As pessoas irão, progressivamente, trabalhar menos e em tarefas fisicamente menos exigentes”, diz Alexandre Kalache, da OMS. Aos jovens – e às máquinas – restaria o trabalho braçal.
Vende-se carro. Retrovisores com lentes de aumento.
• Produtos especiais para velhos seriam comuns. “Já temos tecnologia para isso. O que falta é investidores”, diz Joseph Couhlin, diretor do AgeLab, um laboratório do MIT que pesquisa produtos para idosos. Como falta de investidores costuma estar ligada à falta de demanda, a situação tenderia a mudar se os velhos fossem maioria.
Vendo computador g-23, com comando de voz.
• Os jovens de hoje adoram aparelhos eletrônicos e não se assustam diante das novidades. Schirrmacher acredita que, em 2050, quando envelhecerem, eles estarão acostumados a se adaptar às novas tecnologias – e não a ser ultrapassados por elas, como acontece com nossos pais e avós.
Fazemos sua festa de 100 anos.
• A expectativa de vida em 1900 era de 50 anos. 100 anos depois, pulou para 79. E a tendência é que ela aumente cada vez mais. As projeções da ONU dizem que, em 2050, o número de pessoas com mais de 100 anos de idade será 16 vezes maior do que é hoje.
Viaje nas férias. grupos especiais para homens e mulheres da quinta e sexta idades.
• Hoje, velhos são vistos como um grupo homogêneo: qualquer pessoa com mais de 60 anos entra na categoria terceira idade. Se esse grupo se tornar maioria, será preciso estabalecer divisões dentro dele. “Peritos em marketing já fazem diferença entre idosos da primeira, segunda, terceira e quarta idades”, escreveu Schirrmacher.
PRODUTOS
Está se sentindo sozinho? Vendemos e alugamos netos virtuais.
• “Para manter os níveis populacionais é preciso uma taxa de fecundidade de 2,2 filhos por mulher. Hoje o número é de 1,4”, escreveu Schirrmacher. A conseqüência será uma sociedade de vovôs, mas sem netos. “Um dos cenários prováveis é a substituição da família pela internet.”
SERVIÇOS
Escola Velhice Ativa. Aceitamos alunos a partir dos 5 anos.
• “Começaríamos a nos preocupar com a velhice desde muito cedo”, diz o médico Alexandre Kalache. “Tomaremos precauções para manter nossa força muscular, capacidade respiratória e funções cardiovasculares. Quanto maior for o capital de saúde que pudermos armazenar, melhor.”
CONCURSOS
Miss 80. Inscreva-se já!
• Nossa sociedade exalta imagens da juventude porque o envelhecimento é um tabu. “Pessoas mais velhas só aparecem na televisão como pacientes de hospitais ou tomando remédios”, diz Schirrmacher. Essa aversão à figura dos velhos tende a desaparecer se eles se tornarem maioria.

10.987 – Neurologia – Qual a causa da depressão?


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Tal distúrbio está ligado à menor produção de substâncias como serotonina e endorfina. Elas facilitam a comunicação entre neurônios e influenciam diretamente na sensação de bem-estar. Mas o que desencadeia esse processo ainda não foi definido com precisão pela ciência. Há vários motivos, como uma doença, um forte sentimento de perda ou até fatores genéticos. Segundo dados de 2012 da Organização Mundial da Saúde, 5% da população global sofre de depressão. E, até 2030, ela deve se tornar a doença mais comum do mundo.
A comunicação neuronal ocorre quando um impulso elétrico passa entre os neurônios. Entre eles, há um espaço que precisa ser vencido: a fenda sináptica. É aí que entram os neurotransmissores, liberados pela célula que quer “enviar” a mensagem. Eles reagem com os receptores da célula seguinte, formando uma espécie de ponte.
O depressivo produz menos neurotransmissores. Isso dificulta a comunicação e gera a sensação de desânimo. Para piorar, alguns dos neurotransmissores são reabsorvidos pelo neurônio que os enviou, antes de se conectarem com o neurônio seguinte. Assim, o nível dessas substâncias vai caindo e a pessoa fica mais depressiva.
O tratamento é feito com medicamento e terapia. O remédio bloqueia a reabsorção. Assim, os neurotransmissores remanescentes são mantidos na fenda sináptica, tentando maximizar a comunicação. O acompanhamento psicológico ajuda a descobrir onde está a causa externa do problema, resolvendo-o antes que se crie uma dependência do remédio.

10.758 – Resistência Bacteriana – Exame rápido diminui uso desnecessário de antibiótico


Informações na bula
Informações na bula

Segundo o estudo realizado por cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, os médicos geralmente não têm nenhuma maneira imediata de saber se o paciente está com uma infecção bacteriana ou viral. Na dúvida, receitam o antibiótico.
O uso desnecessário do medicamento pode criar bactérias resistência às drogas disponíveis no mercado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considerou o problema uma realidade na saúde pública global e diversos pesquisadores pensam na possibilidade da existência de uma era pós-antibiótico.
“Os nossos resultados sugerem que a prescrição de antibióticos em pacientes com infecções respiratórias agudas poderia ser reduzida com a realização de testes de biomarcadores de bactérias”, diz Rune Aabenhus, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Copenhague.
Os pesquisadores analisaram seis estudos que verificaram se o exame que mede o nível da proteína C reativa, marcador que indica se o corpo passa por algum processo inflamatório, é eficaz para identificar uma infecção bacteriana. Atualmente, esse é o único método rápido que poderia ajudar os médicos na prescrição adequada de antibióticos — o resultado sai em até 3 minutos.
Os estudos envolveram 3 284 pacientes adultos. Ao todo, 1 685 realizaram o teste da proteína C reativa, sendo que em 631 casos os antibióticos foram receitados. Entre os 1 599 pacientes que não fizeram o teste, 785 receberam prescrição de antibióticos. Assim, os pesquisadores constataram que a utilização de antibiótico foi 22% menor no grupo que se submeteu ao teste.

10.491 – Epidemia do Ebola – Números ‘subestimados’, diz OMS


Ebola - 04-04

A Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou nesta quinta-feira, em Genebra, que a amplitude da atual epidemia de ebola no oeste da África foi “subestimada”. Segundo a organização, os números reais do surto podem ser maiores do que os casos registrados até agora. “As equipes presentes nas zonas de contaminação viram evidências de que os números de casos e de mortes foram amplamente subestimados”, destacou a OMS em comunicado, sem apresentar uma estimativa dos casos não contabilizados. Oficialmente, o atual surto de ebola contaminou 1.975 pessoas, matando 1.069 delas.
Diante da crise, a OMS declarou que coordena uma “ampliação massiva da resposta internacional, por meio da ajuda de diversos países, das agências de controle de doenças e de órgãos das Nações Unidas”. “Antecipando que a epidemia vai continuar por algum tempo, o plano operacional de resposta da OMS se estenderá pelos próximos meses”, assinala o comunicado.

Droga experimental – A atual epidemia de ebola, a mais grave desde o surgimento da febre hemorrágica em 1976, matou 377 pessoas na Guiné, 355 na Libéria, 334 em Serra Leoa e três na Nigéria. Os quatro países se encontram em estado de emergência sanitária para tentar frear a propagação do vírus. Diante do avanço da febre hemorrágica, a Libéria começou as obras para ampliar o único centro de tratamento da capital. O país recebeu recentemente doses do soro experimental americano ZMapp. O medicamento teve resultados positivos em dois americanos contaminados pelo ebola na Libéria, mas que não conseguiu salvar um padre espanhol morto na terça-feira após ser repatriado para Madri. A princípio, o soro será administrado apenas em dois médicos liberianos.

10.433 – Surto de Ebola na África


Ebola - 04-04

O vírus Ebola foi descoberto em 1976 a partir de diagnósticos simultâneos na República Democrática do Congo e no Sudão, na África. Ele provoca uma grave doença conhecida como febre hemorrágica Ebola, que pode afetar seres humanos e primatas, como macacos e chipanzés. O surto de Ebola pode chegar a provocar a morte de 90% das pessoas infectadas. Atualmente, não existe vacina e nem cura para a doença.
O Ebola é transmitido de pessoa para pessoa principalmente a partir do contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. A transmissão também pode acontecer a partir do contato com ambientes e objetivos contaminados por esses fluidos, como roupas. Segundo a OMS, não há risco de contágio no período de incubação do vírus — ou seja, entre a infecção e os primeiros sintomas. No caso do Ebola, esse tempo pode variar de 2 a 21 dias.
A doença costuma aparecer com quadros de febre, fraqueza e dores musculares, de cabeça e de garganta. Em seguida, surgem sinais como náusea, diarreia, feridas na pele, problemas hepáticos e hemorragia interna e externa. O tempo entre a infecção pelo vírus e o os primeiros sintomas variam de 2 a 21 dias.
Não existe um tratamento específico para a febre hemorrágica Ebola. Pacientes graves recebem cuidados intensivos, que incluem reidratação oral e intravenosa, e devem ser isolados e receber a visita apenas de profissionais de saúde que seguem todas as medidas de prevenção contra a infecção.
Segundo a OMS, as pessoas com maior risco de contágio são profissionais de saúde e familiares de pacientes contaminados. A organização considera que as probabilidades de infecção entre turistas que visitam uma área endêmica são baixas.

10.134 – Saúde – Metade dos hipertensos desconhece que tem o problema


A hipertensão atinge cerca de 30% da população brasileira — em idosos, essa prevalência chega a ser de 50% e, em crianças e adolescentes, de 5%. Estima-se, no entanto, que metade dessas pessoas desconhece ter o problema — e, entre aquelas que sabem, apenas um quarto segue corretamente o tratamento.
Esses dados são da Sociedade Brasileira de Hipertensão, que lançou nesta semana, junto ao Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a campanha “Conheça a sua pressão arterial!”. O objetivo é alertar a população sobre a importância de conhecer e entender os valores da própria pressão arterial.
Os especialistas ressaltam que essa informação pode fazer com que mais pessoas com pressão alta recebam tratamento adequado e se protejam de uma série de doenças. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, 80% dos derrames cerebrais, 40% dos infartos e 25% dos casos de insuficiência renal terminal são causados pela pressão arterial alta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima de o problema seja responsável por 7 milhões de mortes no mundo anualmente.

10.106 – Medicina – Crises de Ansiedade


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Neste momento, uma em cada quatro pessoas no mundo está com uma sensação de aperto no peito, sentindo o coração bater mais rápido, com as mãos suando. Na mente, um medo inexplicável ou preocupação obsessiva com algo que ainda nem aconteceu. Esses são alguns dos sintomas das crises de ansiedade, um dos transtornos mentais mais incidentes da atualidade e, assim como os demais, extremamente cruel. Dependendo do grau, tira o sono do indivíduo, deixa-o mais predisposto a sofrer de enfermidades cardiovasculares e o priva de sair de casa quando o medo atinge níveis incontroláveis.
Estudos mostram que a ansiedade é mais frequente do que transtornos de humor como a depressão. E dados divulgados pelo World Health Mental Survey, ligado à Organização Mundial da Saúde, revelam um triste panorama para o Brasil: 20% das pessoas que vivem em São Paulo convivem com ou tiveram algum transtorno ansioso nos últimos 12 meses. “Foram analisadas cidades de 24 países. Em São Paulo, encontramos o índice mais elevado”, diz Laura Andrade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Mas um esforço monumental da medicina para buscar as origens da doença e criar novas opções de tratamento promete dar alívio a quem sofre desse pesadelo.
Atualmente, há catalogados oito tipos da enfermidade.
Como ocorre com a maioria das enfermidades mentais, há dificuldade na detecção do problema. “Um estudo feito em Londres, pelo psiquiatra Paul Bebbington, mostrou que apenas 14% dos pacientes tinham sido diagnosticados e tratados no ano anterior ao trabalho”, contou Márcio Bernik, coordenador do Programa de Ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria da USP. O diagnóstico é feito por psicólogos ou psiquiatras, que recorrem a perguntas definidas para identificar a alteração, como ela se insere na vida do indivíduo e sua gravidade. “Uma das primeiras perguntas é se a pessoa sente que teve prejuízo em algum campo ou momento da vida por causa da doença”, diz o psiquiatra Bernik.
O tratamento varia de acordo com o transtorno especifico e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, indicam-se apenas medicamentos ou sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC), método cujo objetivo é modificar padrões de pensamentos e comportamentos associados. Uma pessoa que tenha receio permanente de perder o emprego, por exemplo, pode ser treinada para evitar esses pensamentos ou substituí-los por outros, mais otimistas e calcados na realidade. Nos casos moderados e mais graves, é recomendada a combinação de remédios com a TCC. Um trabalho da psicóloga Mariângela Savoia, ligada ao Amban, mostrou que essa associação foi mais eficaz do que o uso isolado dos métodos.
A ansiedade fazia parte das reações que nossos ancestrais manifestavam diante de ameaças como a possibilidade de um ataque animal ou a morte por frio extremo. Preocupar-se com esses eventos mantinha o corpo em alerta: mais tenso, pressão elevada, maior bombeamento de sangue. Se o perigo se concretizasse, o corpo estava pronto para reagir. Se não, o sistema era desligado. Esse esquema ficou gravado no cérebro e até hoje entra em ação diante de situações interpretadas como risco. Essas circunstâncias podem ser reais ou fictícias, resultado de mecanismos psíquicos não totalmente esclarecidos. O problema é que, se esse estado de preocupação se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença.
Os recursos criados recentemente são utilizados para os casos mais severos e que não respondem ao tratamento padrão. Um dos mais promissores é a aplicação da realidade virtual. A terapia consiste em expor o paciente – de modo virtual – às situações que desencadeiam crises para que, aos poucos, ele aprenda formas de evitar os pensamentos ansiosos. Na Universidade de Washington (EUA), o método está sendo aplicado para tratar fobias, a ansiedade gerada pelo estresse pós-traumático e aquela sentida durante a troca de curativos em pacientes com queimaduras.
Semelhante à realidade virtual, a terapia de modificação cognitiva com auxílio de computador também desponta como alternativa. Um trabalho da Brown University (EUA) mostrou que indivíduos com fobia de falar em público melhoraram depois de se submeter aos exercícios duas vezes por semana, por um mês. Eles consistem em instruir o paciente a evitar expressões faciais hostis – para quem tem fobia social isso detona crises – e a interpretar as reações de interlocutores de forma otimista.
Começa também a ser testada a eficácia da estimulação magnética transcraniana. A técnica submete o paciente a aplicações de ondas eletromagnéticas. O objetivo é regularizar a atividade elétrica nas regiões cerebrais associadas à doença (leia mais no quadro à pág. 82). O médico Marco Marcolin, do Instituto de Psiquiatria da USP, iniciará até o fim do ano testes com 30 pacientes com fobia social. Por enquanto, não há nada conclusivo. Estudos com o método para tratar a ansiedade associada ao estresse pós-traumático deram resultados negativos no Brasil e positivos na Europa.
Ganhando espaço na prática clínica está o neurofeedback, método que se propõe a imprimir no cérebro um novo padrão de funcionamento, igual ao de uma pessoa sem a doença. “Eletrodos colocados sobre o couro cabeludo fazem a leitura da informação neurológica que está sendo produzida e registrada por eletroencefalografia”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em neurociências pelo Núcleo de Neurociências e Comportamento da USP e autor do livro “Para Que Medicação?”. Segundo ele, na presença de enfermidades como a ansiedade, os dados revelam padrões eletroencefalográficos anormais e específicos que possibilitam o reconhecimento da doença ou de outros comprometimentos neurológicos.
Ainda na USP, cientistas investigam a relação da enfermidade com o sistema serotonérgico do cérebro. Recentemente, o psiquiatra Felipe Corchs, em estudo feito no Amban com universidades da Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, observou que as diferenças na quantidade de serotonina (substância que faz a comunicação entre neurônios) interferem na sensibilidade aos estímulos que iniciam crises. Para chegar a essa conclusão, os cientistas deixaram sem comer proteínas um dia inteiro voluntários que já haviam sido tratados de transtornos ansiosos. Não ingerir proteína prejudica o aporte de triptofano, aminoácido essencial para a formação da serotonina.
O resultado foi surpreendente: pacientes com pânico, estresse pós-traumático e fobia social ficaram mais sensíveis aos gatilhos de crise, sugerindo que a serotonina tem papel na modulação dessa resposta.
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10.035 – Marca-passo cerebral para epilepsia é aprovado nos EUA


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Uma espécie de marca-passo cerebral, desenvolvido para tratar casos de epilepsia resistentes a remédios, acaba de ser aprovado pela FDA (agência que regulamenta o mercado de alimentos e medicamentos nos EUA).
O RNS System, produzido pela empresa americana Neuropace, faz parte de uma nova geração de neuroestimuladores inteligentes.
Implantado no crânio, o aparelho analisa a atividade elétrica do órgão, identificando padrões anormais ligados a crises epiléticas e impedindo as convulsões.
A estimulação elétrica cerebral não é novidade no controle de doenças –um aparelho similar já é usado para tratar mal de Parkinson.
Nos aparelho disponíveis atualmente, a estimulação é contínua. Um marca-passo desse tipo, implantado no peito e com um fio sob a pele, já é usado no Brasil para tratar a epilepsia.

Ainda não há previsão de uso desse novo neuroestimulador no país.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que cerca de 50 milhões de pessoas sofram de epilepsia no mundo; destas, entre 20% e 30% possuem epilepsia crônica resistente a medicamentos.

Pessoas com epilepsia intratável frequentemente encontram dificuldades para se manter em empregos. Elas podem sofrer crises frequentes e, devido às quedas resultantes, lesões. A taxa de mortalidade desse grupo é de duas a três vezes mais altas do que a da população geral.

“Há muitas pessoas desesperadas pelo próximo tratamento”, diz Janice Buelow, vicê-presidente de pesquisa da Epilepsy Foundation.

O aparelho, que requer uma troca de bateria a cada dois ou três anos, funciona apenas em pessoas nas quais as crises convulsivas iniciam-se em uma ou duas regiões no cérebro. Isso porque a estimulação elétrica atua precisamente nesses locais, impedindo que a crise se espalhe pelo cérebro.
Antes da instalação do aparelho, é necessário identificar os padrões específicos de convulsão de cada paciente. Inicia-se então um período de tentativa e erro, em que a intensidade da estimulação e o número de pulsos elétricos são alterados, tudo isso para analisar em quais condições o paciente experimenta menos convulsões.
“Ensinamos o aparelho a detectar padrões que representam as convulsões para cada pessoa”, diz Christianne Heck, diretor médico do programa de epilepsia da Universidade do Sul da Califórnia.
A cirurgia para a implantação do aparelho requer dois dias no hospital.