13.980 – Oceanografia – As Fossas Marianas


É o local mais profundo dos oceanos, atingindo uma profundidade de 11 034 metros.
Localiza-se no oceano Pacífico, a leste das ilhas Marianas, na fronteira convergente entre as placas tectônicas do Pacífico e das Filipinas. Geologicamente, a fossa das Marianas é resultado geomorfológico de uma zona de subducção.
O ponto mais profundo da fossa foi sondado pelos navios Challenger e Challenger II, da Marinha Real. O local foi batizado, então, de Challenger Deep. O fundo da fossa das Marianas foi atingido em 1960 pelo batiscafo “Trieste”, da marinha Americana tripulado pelo tenente Don Walsh e o cientista suíço Jacques Piccard, que passaram 20 minutos no fundo do oceano, numa expedição que durou ao todo 9 horas.
Pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution (Estados Unidos) estão construindo um novo robô-submarino que será capaz de explorar as partes mais profundas do oceano, atingindo 11 000 metros de profundidade. O robô será alimentado por energia elétrica de baterias, podendo operar continuamente até 36 horas.
O novo robô-explorador será controlado remotamente, podendo ser operado em dois modos: autonomamente, sendo capaz de vasculhar de forma independente vastas áreas do oceano, ou preso, ligado a um cabo, com o objetivo de recolher amostras em locais específicos e bem definidos. No modo autônomo, o robô permanecerá ligado ao navio de controle, mas utilizando apenas uma fibra ótica, que será utilizada para envio de comandos e recepção de imagens.
Para lidar com as altíssimas pressões do fundo do mar, o robô-submarino terá suas câmaras acondicionadas em compartimentos feitos de cerâmicas estruturais sintéticas de última geração.
Além de pesquisa biológica, o robô permitirá acesso às zonas de terremotos e vulcões mais ativos da Terra, que consistem em falhas geológicas localizadas nas fossas oceânicas.
O homem chegou à Fossa das Marianas, o ponto mais profundo do oceano pela primeira vez em 23 de janeiro de 1960, quando o batiscafo Trieste atingiu a Depressão Challenger, a 10 916 metros de profundidade, levando os mergulhadores Don Walsh e Jacques Piccard. Em 1995, o mesmo ponto foi atingido pelo submarino-robô japonês Kaikō, que recentemente foi perdido durante uma tempestade. Na única ocasião em que seres humanos estiveram no ponto mais profundo do globo, não havia como tirar fotografias, uma vez que as janelas do batiscafo foram diminuídas a tamanhos de moedas, para melhor resistir à pressão. Por esse motivo, não existem registos visuais do evento.
Segundo o escritor norte-americano Bill Bryson, em seu livro Breve História de Quase Tudo, a aventura nunca mais foi repetida em parte porque a Marinha dos Estados Unidos se negou a financiar novas missões e em parte porque “a nação estava prestes a se voltar para as viagens espaciais e a missão de enviar um homem à Lua, que fizeram com que as investigações do mar profundo parecessem sem importância e um tanto antiquadas. Mas o fator decisivo foi a escassez de resultados do mergulho do Trieste”.
Em 1985 o oceanógrafo Robert Ballard, que tornou-se famoso pela descoberta do Titanic, utilizou um ROV (Remotely operated underwater vehicle) e seu minisubmarino Alvin para fazer mais uma descoberta histórica em conjunto com o pesquisador Dedley Foster, comprovando que, ao contrário do que se supunha, abaixo da camada batipelágico situada entre 1000 e 4000 metros, volta a existir vida. Antes da descoberta, as pesquisas eram realizadas de maneira empírica, com redes de alta profundidade. Até então era tido como certo que abaixo do batipelágico não existia mais nada no oceano. Pelas imagens de Ballard e Foster, comprovou-se que graças aos componentes químicos e ao calor exalado pelos vulcões por delicadas “chaminés” encontrados nas Fossas Marianas (a mais de 10 000 metros de profundidade) há vida exuberante nas profundezas. Pela análise das amostras coletadas pelo robô submarino comprovou-se a existência de vida marinha milhões de anos antes da vida na superfície terrestre. Na fossa das Marianas há um incalculável número de espécimes vivos altamente desenvolvidos e adaptados à colossal pressão encontrada nessas profundidades. As filmagens do ROV de Ballard e Foster mudaram para sempre parte da história da evolução da vida no planeta e abriram um campo imenso para novas pesquisas.
Em 25 de março de 2012, o cineasta James Cameron desceu sozinho até ao fundo da fossa das Marianas num batiscafo, no âmbito da expedição Deep Sea Challenge[4]. Foram sete anos de trabalho para o cineasta empreender, em apenas três horas, uma descida aos 10 998 metros de profundidade. A fossa das Marianas, que recebera a presença humana pela primeira vez em 1960, foi filmada com câmeras de alta resolução em 3D. Cameron esperava ainda, ao longo de seis horas no fundo, recolher amostras do sítio, menos conhecido pela ciência do que a superfície do planeta Marte.
A placa do Pacífico é sub duzida sob a Placa Mariana, criando a Fossa das Marianas e (mais adiante) o arco das ilhas Mariana, à medida que a água está presa na placa é lançada e explode para cima para formar vulcões da ilha. A Fossa das Marianas faz parte do sistema Izu-Bonin-Mariana subdução que forma o limite de fronteira convergente entre duas chapas tectônicas. Neste sistema, a borda ocidental de um prato, a Placa do Pacífico, é subduzida (isto é, impulso) abaixo da menor Mariana Plate que fica a oeste. O material crustal na borda ocidental da placa do Pacífico é uma das crosta oceânica mais antiga da Terra (até 170 milhões de anos) e, portanto, é mais frio e mais denso; Daí a sua grande diferença de altura em relação à Placa Mariana de alto escalão (e mais jovem). A área mais profunda do limite da placa é a Fossa Mariana propriamente dita.
O movimento das placas do Pacífico e Mariana também é indiretamente responsável pela formação das Ilhas Marianas. Estas ilhas vulcânicas são causadas pelo fluxo fundido do manto superior devido à libertação de água que está presa em minerais da porção subduzida da Placa do Pacífico.

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12.108 – Descoberto tubarão “ninja”: ele é todo preto e brilha no escuro


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Na costa do Pacífico da América Central, a cerca de 1.000 metros de profundidade, vive uma espécie de tubarão estilosa e iluminada, recentemente descoberta: o Ninja Lanternshark. Ele faz jus ao nome: além de ser preto, produz um brilho fraco, que se mistura com a luz que penetra no oceano. Isso facilita a captura de pequenos peixes e também ajuda o Ninja a se esconder dos grandes predadores.
O nome Ninja Lanternshark veio de uma fonte inesperada. Os primos da pesquisadora Vicky Vásquez, com 8 e 14 anos, sugeriram o apelido “Tubarão Super Ninja”. Ela achou que seria mais fácil convencer a comunidade científica a utilizar “Ninja Lanternshark” e assim ficou. Mas esse é só o nome usual. O original é Etmopterus benchleyi, em homenagem a Peter Benchley, autor do romance “Tubarão”, que deu origem ao blockbuster do cinema.
“Cerca de 20% das espécies de tubarões conhecidas foram descobertas nos últimos 10 anos. Nosso trabalho é procurar por esses tubarões perdidos”, diz Dave Ebert, que trabalhou no estudo com Vásquez.

10.268 – Cientistas querem o fim de toda a pesca em alto mar


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Águas profundas absorvem 1,5 bilhão de toneladas de CO2
Biólogos marinhos fizeram na semana passada um apelo radical para proteger a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera: eles querem o fim de toda a pesca em alto mar.
Isto compreende as partes do oceano que ninguém possui, ou reivindica, por estarem além das zonas econômicas de 200 milhas patrulhadas e por vezes disputadas por governos nacionais. São também o que cientistas do clima chamam de um sorvedouro de carbono, uma fonte natural de sua remoção da atmosfera.
A vida nas águas profundas absorve 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera e enterra meio bilhão de carbono no mar por ano, de acordo com Rashid Sumaila, da Universidade da Columbia Britânica, e Alex Rogers, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Os dois colocaram um valor na vida nos altos mares em U$ 148 bilhões por ano, em sua capacidade de sequestrar carbono.
Apenas um centésimo dos peixes que chegam a todos os portos do mundo são encontrados só no alto mar. Nesta região são pescadas 10 milhões de toneladas, com um valor de mercado de U$ 16 bilhões.
“Manter peixes nestas áreas tem mais valor do que apanhá-los,” diz Sumaila. “Se perdermos a vida no alto mar, teremos de encontrar outro modo de reduzir emissões, a um custo muito mais alto.”
Sumaila ajudou a calcular o valor econômico do carbono armazenado pela vida no alto mar aplicando preços à sua quantidade, e isto incluiu os benefícios de mitigação dos custos da mudança do clima, informa o Escience News.

10.248 – Poluição – Lixo quase invisível nas praias


Praia limpa é coisa rara
Praia limpa é coisa rara

A quantidade de grânulos plásticos, os chamados pellets, com diâmetro de 3 a 5 milímetros, misturados com a areia das praias, parece ser maior que a imaginada. Apenas 10% dos pellets encontram-se à superfície da areia, e a maior parte se esconde a uma profundidade de até dois metros, de acordo com um levantamento realizado em Santos e São Vicente, cidades do litoral sul do estado de São Paulo. “Queríamos ver até que profundidade os pellets chegavam”, diz o biólogo Alexander Turra, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (IO-USP) e coordenador do estudo (Scientific Reports, 27 de março). “Cavamos, cavamos e continuávamos achando os grânulos plásticos.” Com sua equipe, Turra estimou em 15 toneladas a quantidade de pellets acumulada na areia da área amostrada, com cerca de sete quilômetros de extensão. Esse material deve provir de empresas produtoras e usuárias desse tipo de plástico ou da perda dos pellets durante o transporte e armazenamento em contêineres. Em conjunto com o Instituto Plastivida, Turra está elaborando um manual de procedimentos para as empresas poderem reduzir a perda de pellets. “Não é possível retirar os pellets da praia, mas podemos impedir a entrada de mais”, propõe o pesquisador do IO.

9198 – Biologia Marinha – O Tubarão Azul


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A força de sua dentada pode chegar a 35 toneladas por centímetros cúbicos, quando ataca.

O Tubarão Azul possui este nome devido a sua cor azul.Ele possui grandes olhos,e uma longa nadadeira peitoral.
Cresce até 4 metros.
Ele adora mar aberto e raramente se aventura ficar muito perto da costa ou dos humanos.
Eles viajam milhares de milhas por ano,se alimentam de lulas e de pequenos peixes em qualquer lugar desde a superfície até 450 metros de profundidade.
Seus dentes são pontudos e serrados.São considerados os menores tubarões entre os ditos “Grandes Tubarões”
Ordem: Carchariniformes
Os tubarões-azuis (“Blue Sharks”) estão entre os mais comuns e melhores distribuídos, sendo normalmente vistos no alto-mar, e em certas ocasiões, em águas costeiras.
Eles são famosos pela sua capacidade migratória.
Há conhecimento de alguns exemplares que nadaram milhares de quilômetros entre dois continentes em apenas alguns meses.
Os tubarões-azuis são peixes de pesca esportiva muito popular e alvo de muitos pescadores.
Mas a verdadeira ameaça a eles vem dos barcos de pesca comercial, que podem apanhar cerca de 20 milhões de tubarões-azuis por ano, muitas vezes através das redes utilizadas para pescar outras espécies.
Grande parte das barbatanas utilizada nas famosas sopas de barbatanas vem desta espécie.
Tamanho Máximo: 3,8 metros
Distribuição: Águas tropicais e temperadas de mundo inteiro, principalmente em mar aberto.
Dieta: Pequenos peixes com espinhas e lulas.
Reprodução: Vivíparos. Entre 20 e 50 crias por ninhada.

8864 – Espécie de tubarão que ‘anda’ no fundo do mar é descoberta


A descoberta de uma nova espécie de tubarão que “anda” no fundo do mar foi anunciada nesta semana por cientistas ligados à ONG Conservação Internacional e ao Museu Ocidental Australiano. O animal, batizado de Hemiscyllium halmahera, ocorre próximo à costa da Indonésia, afirma o site do jornal britânico “The Telegraph”.
O peixe mede cerca de 70 centímetros e tem coloração próxima ao marrom, com manchas na pele. Ele se contorce para poder arrastar o corpo no fundo do mar e usa as barbatanas para “caminhar”, diz o jornal britânico.
O tubarão é mais ativo à noite, e caça invertebrados marinhos e peixes para se alimentar.
A espécie foi descrita no periódico científico “Jornal Internacional de Ictiologia” pelo pesquisador Gerald Allen, afirma o “The Telegraph”. Ela foi descoberta com a ajuda de outro cientista, Mark Erdmann.
O animal é muito pequeno para ameaçar humanos. Ele possui semelhanças com outro, da espécie Hemiscyullium galei, ressalta ainda o jornal.

8516 – Navio alemão de pesquisa sobre o clima atraca no Brasil


O navio de pesquisa alemão Meteor, em missão para analisar o papel do oceano Atlântico tropical na variabilidade do clima e em seus impactos, atracou em Fortaleza (CE) no fim de semana.
Na visita, que faz parte do Ano da Alemanha no Brasil, Peter Brandt, chefe da missão que sai de Fortaleza em direção à Namíbia, destacou o papel do estudo das águas brasileiras na compreensão das dinâmicas do aquecimento do oceano e até do clima nos continentes adjacentes.
Com mais de 30 cientistas de diferentes nacionalidades a bordo, o Meteor tem equipamento que permite analisar o solo marinho e a atmosfera. A embarcação tem sua própria usina de geração de energia e trata seus resíduos.
O projeto, que é do Instituto de Oceanografia da Universidade de Hamburgo, passará novamente pelo Brasil em maio de 2014.

7218 – Oceanos – No mar, bobeou vira comida


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Os bichos do mar vivem em sobressalto constante. O tempo todo, pode haver um predador à espreita, pronto para dar o bote.
Fuga e defesa são sinônimos de sobrevivência. Mas também é preciso comer. Enquanto na superfície terrestre a cobertura vegetal é abundante e predominam os animais herbívoros, no oceano a flora se limita às algas e às minúsculas plantas que compõem o fitoplâncton. Quase todas as espécies animais marinhas são carnívoras. Bicho que não come outro bicho, morre de fome.
A procura da comida ocupa a maior parte do tempo das criaturas do mar. Elas são, quase todas, caça e caçador, ao mesmo tempo. Só estão a salvo os animais situados no topo da cadeia alimentar. Como o leão na floresta, os grandes predadores marinhos reinam absolutos, sem inimigos a temer (com exceção do homem). Mas essa regra só vale para a fase adulta. Na infância, até mesmo os senhores do mar, como o tubarão, podem acabar na barriga de peixes maiores.

O plâncton animal se alimenta do plâncton vegetal, a fonte primária de energia no oceano. Um camarão come diariamente milhares de diatomáceas, as espécies mais comuns de fitoplâncton
O cardápio diário de um arenque se compõe de meio quilo de camarões e outros bichos pequenos que formam o plâncton animal
O tubarão branco, a fera mais temida dos oceanos, precisa comer no mínimo o equivalente a dois bacalhaus por dia
O bacalhau, para não terminar o dia com fome, precisa engolir três ou quatro arenques ou o equivalente em outros peixes

Na guerra subaquática, cada animal almoça um menor do que ele e, em troca, serve de jantar para uma criatura um pouco maior. Assim se estabelece uma cadeia alimentar, que varia de acordo com o ambiente. Em qualquer caso, vale a regra de que, quanto maior o animal, menor a sua quantidade. Um bicho grande, para se sustentar, precisa comer um monte de bichos pequenos. Por isso, toda cadeia alimentar tem a forma de uma pirâmide, com bilhões de seres nanicos na base e alguns marmanjões instalados no topo. Só eles podem se sentir seguros.
Essa luta permanente pode parecer cruel, mas ajuda no aprimoramento das espécies. Em geral, quem é comido são os indivíduos mais fracos, menos saudáveis, mais bobos. Os fortes e os espertos sobrevivem e passam adiante sua herança genética. É a seleção natural.
Todas as armas são válidas. Os grandes predadores nadam velozmente no encalço de suas presas, que devoram com dentes afiados. Outros, como o polvo, preferem o disfarce. Há peixes que atacam em bandos, como a barracuda. Já o marlim age sozinho, com seu bico em forma de espada. O peixe-leão ejeta um veneno letal. Os recursos de ataque e defesa da fauna marinha são ao mesmo tempo um show de criatividade e um espetáculo de pura violência.
O mergulho do cachalote
Para matar uma lula-gigante, que chega a medir 20 metros, o cachalote morde e estraçalha seu corpo durante um mergulho de até 1 200 metros de profundidade. Ele consegue essa proeza graças ao seu metabolismo, perfeitamente adaptado para longos períodos debaixo d’água. No mergulho, o coração do cachalote praticamente pára de bater, poupando oxigênio. Outro recurso é o espermacete, um óleo que fica na sua cabeça. Quando ele quer ir para o fundo, esfria o espermacete com a água, o que deixa o corpo mais pesado. Para voltar à tona, o cachalote aumenta o fluxo de sangue para o reservatório de óleo, que fica mais quente e, portanto, mais leve, ajudando-o a subir. Assim, ele consegue ficar mais de duas horas sem respirar.

O brigador Marlim não é fácil de ser pescado
O brigador Marlim não é fácil de ser pescado

Um dos bichos mais velozes do mar, o marlim pode atingir até 80 km por hora. Ao encontrar um cardume, investe ferozmente com o bico. Depois, banqueteia-se com os mortos e os feridos. Mede até 4,5 metros e pode pesar 550 quilos.
A enorme garoupa é um caçador paciente. Fica parada junto ao leito do oceano, à espera de algum incauto, como este labro-passarinho.
As vorazes barracudas atacam em bandos. Encurralam os cardumes contra as bordas dos recifes de coral e devoram as vítimas, uma a uma, com seus dentes pontiagudos. Famintas, enfrentam até os tubarões.
O polvo muda de cor e de forma para se proteger dos inimigos e surpreender as presas com os tentáculos. Em momentos de perigo, confunde os perseguidores lançando uma tinta que escurece a água.
Ninguém se iluda com a formosura da anêmona. Sua aparência de flor esconde tentáculos mortíferos, usados para envenenar e comer qualquer bicho que passe perto, como o belo caranguejo da foto de baixo. A exceção é o peixe-palhaço (à esquerda), cujas escamas são revestidas por uma mucosa que o protege da anêmona. Os dois animais estabelecem, assim, uma curiosa parceria. Com suas cores berrantes, o peixe-palhaço atrai predadores que logo cairão nos tentáculos de seu anfitrião. Em troca, recebe proteção contra seus próprios inimigos.
A arraia é um parente do tubarão que se alimenta de crustáceos e mexilhões, defende-se com um espinho na ponta da cauda, de onde sai um veneno terrível. Certas espécies usam também choques elétricos para afastar os inimigos. O peixe-leão, que mais parece um adereço de escola-de-samba, possui plumas com as pontas cheias de veneno. É a sua arma de defesa. Os mergulhadores devem tomar cuidado: a sua toxina é, quase sempre, mortal.
Nem tudo o que mora na água é peixe, mas não existe peixe que consiga sobreviver na superfície. Existem 20 000 espécies diferentes desse tipo de bicho completamente adaptado ao meio aquático – cerca de 12 000 nos oceanos e os outros 8 000, nos rios e lagos. Seu formato alongado lhe permite deslizar sem esforço (não é à toa que os construtores dos submarinos copiaram o desenho do seu corpo esguio). O esqueleto, simples e flexível, quase não pesa. Os músculos, fortes, sustentam um nado incansável. Tudo é perfeito.
Para ganhar estabilidade e precisão em seus movimentos, os peixes possuem um sofisticado sistema de barbatanas, espalhadas por todos os lados do corpo. A respiração se dá por meio de brânquias que retiram o oxigênio diretamente da água, dispensando o uso de pulmões. O dispositivo se completa com um órgão exclusivo dos peixes, a bexiga natatória, que lhes garante flutuar sem esforço e regular a profundidade com exatidão.
Nossos antepassados viviam nos mares e nos rios. Na linha da evolução, os peixes são nossos irmãos mais velhos, os primeiros vertebrados. Surgiram há 400 milhões de anos, antes dos dinossauros. Os primeiros bichos terrestres eram anfíbios, peixes que trocaram a água pela terra e as barbatanas por patas. Nós mesmos passamos nove meses em ambiente líquido, no útero. Quando você se sentar à mesa para saborear uma bacalhoada ou uma moqueca à capixaba, lembre-se disto: você também já foi peixe, um dia.

Como se respira sem pulmão
Os peixes extraem o oxigênio que existe na água, onde ele se encontra diluído numa proporção 30 vezes menor do que no ar

1. O oxigênio entra no organismo por uma espécie de filtro: as guelras, ou brânquias, localizadas nos dois lados da cabeça e protegidas por uma aba, o opérculo. As guelras possuem filamentos carnudos, em forma de leque, que se comunicam com o fundo da boca.

2. A água entra pela boca e sai pela guelra, passando pelos filamentos branquiais. Cobertos de vasos sangüíneos, eles recolhem o oxigênio da água e eliminam o gás carbônico.

Uma galeria de estilos
As criaturas marinhas desenvolveram os mais diferentes jeitos de nadar.
A água-viva contrai e relaxa os músculos debaixo do capuz. Cada contração expele a água para fora, impulsionando o bicho na direção oposta.
Os golfinhos dão impulsos vigorosos batendo a cauda de cima para baixo. Alcançam até 65 quilômetros por hora. Todos os cetáceos, mamíferos da família das baleias, nadam assim.
A lula se move por propulsão a jato. Primeiro, ela suga a água para uma espécie de bolsa, atrás da cabeça. Depois, contrai essa bolsa com força, produzindo um jato que a impulsiona.
Com raras exceções, os peixes nadam por movimentos laterais com a cauda. Seu formato hidrodinâmico reduz a resistência da água e os impele para a frente.

Peixe, a máquina de nadar
Todos os órgãos do peixe são formatados na medida exata para os desafios do meio ambiente líquido.
Bexiga natatória
É uma bolsa com oxigênio, que se enche ou esvazia para manter a flutuação na profundidade desejada, sem esforço
Boca
Apenas engole a comida, sem mastigá-la
Brânquia (guelra)
Veja infográfico na página ao lado
Coração
Com apenas duas câmaras em vez das quatro dos mamíferos, ele ativa sozinho a circulação do sangue, sem pulmão.
Linha lateral
Por meio dessa fileira de escamas, o bicho percebe qualquer alteração no fluxo da água. Consegue, assim, desviar-se dos obstáculos e detectar animais.

Tubarão, o matador injustiçado
“Tudo nele era lindo, exceto as mandíbulas.” Com essa frase, o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961) começa a descrever um magnífico tubarão-mako, em seu romance O Velho e O Mar. O tubarão, o mais voraz dos peixes, sempre provocou nos seres humanos arrepios de pavor, até certo ponto exagerados. Das 350 espécies, só 12 são perigosas para o homem. Você tem mais chances de morrer atingido por um raio do que de uma mordida desse predador.
Na verdade, o tubarão é que precisa ser protegido. Todos os anos são mortos de 30 a 100 milhões de tubarões, com os mais variados fins: desde o consumo da carne até a extração da cartilagem, cujo duvidoso valor terapêutico virou fórmula milagrosa de remédios vendidos na TV. O estrago é enorme. Quando um predador no topo de uma cadeia alimentar desaparece, tudo ao redor dele se desequilibra. Na Austrália, há alguns anos, a pesca excessiva de tubarão causou uma explosão na população de polvos. Resultado: uma crise na pesca de lagostas, que passaram a ser comidas pelos polvos numa proporção muito acima do normal.

Os poderes do superpeixe
O tubarão é um bicho tão perfeito que não sofre mudanças há 200 milhões de anos. Veja o que ele tem de especial.

Olfato implacável
É o sentido mais apurado do tubarão. Ele é capaz de perceber a presença de uma gota de sangue na água a uma distância de centenas de metros.

7067 – Peixe bebe água?


Beber não é bem o termo, pois eles praticamente não ingerem líquido. A pequena quantidade que entra pela boca vai para as brânquias, órgãos respiratórios onde também acontecem as trocas de água com o ambiente. Nos peixes de água doce, o líquido entra naturalmente no organismo, por osmose. Isso acontece devido à concentração de sais ser maior no corpo do peixe do que na água que o cerca (veja a questão abaixo). Como absorvem muita água, eles possuem um rim bem desenvolvido, capaz de eliminar excessos. Já nos peixes marinhos, a tendência é inversa: o animal é que perde água para o ambiente e os rins são pouco desenvolvidos (justamente para evitar maior perda de líquido). O excesso de sais é eliminado por meio de glândulas especiais localizadas nas brânquias. Para realizar todas essas funções, é fundamental manter uma boa circulação de água.
Por isso, depois da entrada do líquido, o peixe fecha a boca e pequenos ossos chamados opérculos obstruem a superfície das brânquias, também conhecidas como guelras. “Com esses orifícios fechados, cria-se uma pressão que impulsiona a água em direção aos filamentos branquiais, responsáveis pela retirada do oxigênio”, explica o biólogo Naércio Aquino Menezes, do Museu de Zoologia da USP. O sangue flui nos vasos capilares localizados nas brânquias em sentido contrário ao da água. Essa contra-corrente faz o oxigênio passar para o sangue, enquanto a água absorve o gás carbônico. Após esse processo, que dura poucos segundos, o peixe abre os opérculos, eliminando a água. Por viverem em meio líquido, os peixes não precisam beber água para hidratar a pele, ao contrário dos animais terrestres.

6820 – A Geofísica


☻ Mega Bloco – Ciências Biológicas

O progresso da geofísica determinou a superação de antigas concepções sobre as características físicas da Terra. A aplicação dos princípios geofísicos a questões como a busca de fontes de energia e a previsão de terremotos e erupções vulcânicas fazem dessa ciência um campo de máximo interesse.
Geofísica é a ciência que estuda a estrutura e a composição do globo terrestre, inclusive a hidrosfera e a atmosfera, aplicando métodos da física. Distingue-se da geologia por utilizar instrumentos na obtenção de dados quantitativos da área em estudo, enquanto a geologia se baseia na observação direta. Divide-se em várias especialidades, cada uma das quais constitui por si mesma uma ciência: a geodésia, relativa ao tamanho e à forma da Terra; a sismologia, que estuda os terremotos; a tectônica, que pesquisa as deformações da crosta terrestre; a oceanografia; a hidrologia; a glaciologia e a meteorologia.
As pesquisas geofísicas realizadas com técnicas e instrumentos avançados levaram a um conhecimento mais profundo do comportamento da Terra, o que possibilitou a elaboração das atuais teorias sobre a formação e configuração do planeta — tectônica de placas — e facilitou a busca de depósitos minerais.
Embora sejam muitos os ramos da geofísica, distinguem-se, para fins práticos, apenas a geofísica pura e a geofísica aplicada. A primeira, também chamada geofísica acadêmica, dedica-se a pesquisas de caráter geral, sem fins práticos imediatos. Encara a Terra como unidade e o principal objeto de seu interesse são os fenômenos físicos de escala universal. A geofísica aplicada, ou prospecção geofísica, visa sempre a um fim econômico imediato e investiga apenas estruturas geológicas de amplitude relativamente restrita. Seus principais objetivos são a prospecção de jazidas minerais, água subterrânea, petróleo, e estudos sobre a viabilidade de obras de engenharia civil.

A característica mais geral das pesquisas geofísicas é que a maior parte das observações e medidas são feitas na superfície da Terra, ou em pontos próximos. As medidas diretas, nas minas, nas sondagens e nas profundidades oceânicas, não vão além de alguns quilômetros. Como o raio da Terra tem mais de seis mil quilômetros, complementa-se a pesquisa com diversos métodos indiretos, que dão informações sobre pontos mais profundos.
No estudo da atmosfera, as observações e medidas feitas na superfície também são insuficientes, mas o acesso é mais fácil que ao interior do globo e diversos métodos permitem obter informações diretas em alturas cada vez maiores. Um dos instrumentos utilizados para esse fim são os balões-sondas, cheios de hidrogênio, que podem atingir alturas de dezenas de quilômetros. Também se utilizam foguetes, por meio dos quais são postos em órbita satélites artificiais capazes de transportar verdadeiros laboratórios. O fato de o satélite poder realizar em poucas horas uma rotação em torno da Terra permite o estudo de uma propriedade terrestre quase simultaneamente em vários pontos do globo, o que facilita a obtenção de medidas comparativas. O advento dos computadores, que tornaram o tratamento dos dados, antes longo e fastidioso, muito mais rápido e preciso, também representou uma verdadeira revolução da geofísica.
Importância da geofísica aplicada. O progresso da civilização industrial tem exigido um consumo cada vez maior de minério e materiais de construção, além de fontes de energia, especialmente petróleo. O problema do suprimento de água torna-se também cada vez mais grave em muitos centros urbanos. Daí a importância da geofísica aplicada, que busca métodos de reduzir os custos das pesquisas realizadas no subsolo.
A geofísica aplicada deve ser encarada como uma ferramenta à disposição da geologia. O trabalho do geólogo encontra grande auxílio na topografia, nas fotografias aéreas e nos sensores remotos, que fornecem apenas dados de superfície. Se houver necessidade de informações mais precisas, o geólogo lança mão dos métodos geofísicos e de prospecção convencional, que o capacitam a completar e confirmar suas hipóteses sobre as condições geológicas de subsuperfície. A grande vantagem desses métodos é poderem dar essa visão do interior da crosta terrestre num tempo rápido e por um custo operacional pequeno, em comparação com sondagens e abertura de galerias.

6042 – São Paulo ganha novo navio de pesquisa oceanográfica


Navio por dentro

Após quatro anos, a pesquisa oceanográfica de São Paulo volta a ter um navio para chamar de seu. Batizado de Alpha Crucis –a estrela da constelação do Cruzeiro do Sul que representa o Estado na bandeira do Brasil-, ele foi apresentado ontem no porto de Santos.
A embarcação foi comprada em uma ação conjunta da USP e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e levou 15 meses para ser reformada e equipada. Todo o processo custou US$ 11 milhões.
Com 64 m de comprimento, 11 m de de largura e média de 40 dias de autonomia no mar, a embarcação retoma as pesquisas interrompidas com a aposentadoria do navio Professor W. Besnard, em 2008.
Mesmo antes de encerrar suas operações, o Besnard já oferecia limitações. Por questões de segurança, não podia ir além de 370 km de distância da costa brasileira.
O navio tem sistema de estabilização que permite que ele fique parado ou siga uma linha reta sem interrupções. Isso é útil em estudos que requerem obedecer uma rota extremamente precisa.
Além disso, o navio tem ainda scanners e outros equipamentos que possibilitam uma varredura do fundo do mar, ajudando trabalhos sobre relevo, biodiversidade, petróleo e outros temas.
O Alpha Crucis já soma 39 anos em operação. Antes de chegar ao Brasil, ele pertenceu à Noaa (agência nacional de oceanos dos EUA) e à Universidade do Havaí. “Mas o navio está em excelentes condições. Além de ter sido extremamente bem cuidado, ele sofreu uma grande reforma antes de chegar até nós”, avaliou Nonato.
Antes de bater o martelo, a equipe visitou 18 outros navios. “Precisava ser um equipamento funcional e em condições de ser reformado para fazer pesquisa de ponta, mas ainda com um preço acessível”, explica Michel Mahiques, diretor do IO-USP.
O Alpha Crucis deve zarpar para sua primeira missão (um projeto da USP sobre fluxos de carbono na costa brasileira) no segundo semestre. Outras duas saídas estão programadas para 2012.
O navio também estará aberto a receber cientistas de outras instituições, que deverão submeter suas propostas a uma comissão científica.
Além do novo navio, um barco de porte menor, novinho em folha, também entrará em operação em breve. Com 27 metros, o Alpha Delphini está sendo construído em um estaleiro do Ceará e deve ficar pronto em setembro.
Primeira embarcação do gênero totalmente construída no Brasil, ela custou R$ 4,75 milhões. Os recursos são da Fapesp e da USP.
O Alpha Delplhini pode transportar até 12 pesquisadores e seis tripulantes, com autonomia de dez a 15 dias, dependendo do número de pessoas. Ele será usado em pesquisas mais próximas da costa.

5927 – Biologia – Mega expedição fez levantamento de espécies marinhas


Uma viagem que começou em 2009 e foi até 2012 produziu o mais detalhado levantamento global de seres marinhos. Microorganismos que produzem a metade do oxigênio da Terra pela fotossíntese e capturam 100 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, uma gás que acelera o aquecimento global.
A embarcação chamada Tara fugiu de piratas, enfrentou tempestades e escapou por pouco de colidir com 1 petroleiro em sua odisséia pelos oceanos. Os barcos modernos tem hoje cerca de 1/10 do peso das antigas embarcações feitas de madeira, com estruturas de fibra de vidro e alumínio. Com sistemas digitais como o GPS é possível saber a localização exata de um barco. Isso reduziu os riscos, como os da viagem do Beagle, que levou Charles Darwin à bordo e também da volta ao mundo da corveta a vapor Challenger, que descobriu 4700 espécies marinhas e fundou a oceanografia.

4376 – Mega Documentário – Mundo Submarino de Jaques Custeau


Os cientistas marinhos costumavam torcer o nariz para o explorador francês Jacques-Yves Cousteau. Diziam que ele era superficial, que não tinha objetivos nobres, como estudar a morfologia escapular dos golfinhos, mas só preocupações banais, como filmar uma orca comendo um tubarão-martelo na Ilha de Vancouver, no Canadá. Cousteau nunca perdeu tempo com críticas acadêmicas como essas. Tinha mais o que fazer. Ele precisava desatracar o Calypso, um caça-minas reformado e equipado com um laboratório, e rumar para mais uma de suas espetaculares viagens ao misterioso mundo do fundo do mar. Gerações e mais gerações acostumaram-se com O Mundo Submarino de Jacques Cousteau, documentário feito para a TV cuja primeira exibição aconteceu em 1975. Quem não assistia fascinado àquele velhinho narigudo, de olhos azuis, nadando entre cardumes de peixe ou cercado de tubarões dentro de uma gaiola de ferro submersa? Ou ainda a tripulação do Calypso içando as velas diante da chegada de uma terrível tempestade? A bordo do seu barco, Cousteau vivia envolvido com desafios, fosse uma expedição entre pingüins na Antártida ou uma viagem pelos rios da Amazônia.
Numa quarta-feira, Cousteau sofreu um ataque cardíaco e morreu. Estava em casa, tinha 87 anos e vários planos. Um deles era terminar seu livro de memórias, que vinha escrevendo nos últimos vinte anos. O outro, e principal, era construir o Calypso II, já que o Calypso original naufragou no ano passado. Enquanto viveu, Cousteau chamava atenção onde quer que estivesse. “Era talvez o francês, mais famoso do mundo”, arriscou o presidente francês Jacques Chirac. Tão importante para a oceanografia quanto o americano Carl Sagan para a astronomia, Jacques Cousteau deixou farto material de registro sobre seu trabalho. São oitenta livros publicados em doze línguas e setenta filmes, a maioria sobre o fundo do mar, que lhe renderam três Oscar e três prêmios no Festival de Cinema de Cannes. O primeiro deles foi O Mundo do Silêncio, rodado em parceria com o cineasta Louis Malle. Na semana passada, lia-se na página da Cousteau Society, na Internet: “Jacques-Yves Cousteau se juntou ao mundo do silêncio”.
A viagem à Amazônia foi uma de suas principais expedições. Acompanhado de 28 homens, percorreu 6.000 quilômetros de rios da região, tirou 75.000 fotografias, filmou as populações ribeirinhas, os peixes-bois e nadou entre ariranhas. A missão durou um ano e meio. Cousteau comandou expedições pioneiras de mergulho, como uma próxima a Nice, feita na década de 60. Para provar que o ser humano seria capaz de realizar trabalhos pesados em grandes profundidades, ele e mais seis homens passaram três semanas vivendo numa base a 100 metros da superfície do mar, respirando graças a uma mistura de oxigênio com gás hélio. Uma proeza para a época.
Dois anos depois de iniciada, a expedição chegou ao fim, com um levantamento minucioso sobre a composição da água do Amazonas e seus afluentes, um enorme acervo fotográfico das espécies animais e incontáveis histórias da vida na região – como a devastação provocada pela ação do homem e a forte influência do mercado de drogas. Foi assim que descobrimos que o Amazonas e seus mais de mil afluentes despejam no mar 900 milhões de toneladas de sedimentos a cada ano – é o mesmo que cada habitante do planeta jogar 150 quilos de terra no mar. A expedição revelou ainda que vivem na Amazônia mais espécies de peixes do que em todo o Oceano Atlântico e que a maior floresta do mundo é provavelmente a mais antiga formação vegetal da Terra, hábitat da mais exótica vida animal terrestre: aranhas, formigas, roedores, papagaios, cobras, morcegos e macacos, tudo ali é maior do que em qualquer outro lugar. Jacques Cousteau, que ensinara gerações a preservar o meio ambiente marinho, mostrou que essa imensa região, que se estende por nove países da América do Sul, ainda era um dos últimos refúgios onde a vida permanecia tão selvagem.
Cousteau nasceu em 11 de junho de 1910 na cidade de Saint-André-de-Cubzac, na região vinícola de Bordeaux, sudoeste da França. Apaixonou-se pelo mar quando o viu pela primeira vez, aos 4 anos de idade. “O toque da água me fascinava todo o tempo”, costumava dizer. A outra paixão, o cinema, surgiu quando ganhou sua primeira câmara, aos 13 anos. O pequeno Cousteau nunca foi chegado aos estudos. Preferia a arruaça. Chegou a ser expulso do colégio depois de quebrar dezessete vidraças. Com 20 anos, entrou para a escola naval, e sonhava trabalhar com aviação marítima “para poder ver o mundo”. Aos 40 anos, ele deixou a Marinha, comprou o Calypso e passou as quatro décadas seguintes desbravando o planeta.
Mestre dos mares
Cousteau revelou a vida subaquática
Oceanógrafo, mergulhador, cineasta e inventor, Jacques-Yves Cousteau nasceu em 11 de junho de 1910. Graduado pela academia naval da França, chegou a capitão-de-corveta. Pretendia seguir carreira na Marinha, mas suas aspirações foram interrompidas por um acidente de carro, em que quebrou os dois braços. Apaixonou-se pelo mergulho e, junto com o engenheiro Émile Cagnan, desenvolveu o aqualung. O cilindro portátil de ar comprimido regulado por uma válvula, também conhecido como scuba (sigla para self-contained underwater breathing apparatus ou aparelho autocontido de respiração subaquática), comercializado desde 1946, aposentou os escafandros e foi fundamental para as explorações petrolíferas submarinas e a pesquisa da vida marinha e fluvial. Cousteau criou também a câmera de TV submarina e dispositivos bastante simples que permitiam fotografar embaixo da água. Durante a Segunda Guerra, serviu como oficial de armas na França e foi membro da Resistência aos nazistas, o que lhe rendeu uma condecoração com a Legião de Honra. Terminado o conflito, fundou o Grupo de Pesquisas Submarinas da Marinha francesa. Foi um importante ecologista e produziu inúmeros livros, filmes e programas de televisão veiculados no mundo todo, como a série O Mundo Submarino de Jacques Cousteau e o filme O Mundo do Silêncio (1955), co-dirigido pelo cineasta Louis Malle, que ganhou o Oscar e a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Morreu em 1997, antes da publicação de seu último livro, Man, the Octopus, and the Orchid.