13.899 – Mega Memória: Benito de Paula, Ufanismo em Plena Ditadura


Na década de 70 em plena ditadura, Benito de Paula fez sucesso o Amigo Charles Brown

O que é ufanismo?

É o orgulho exagerado de algo, comumente utilizado no Brasil para se referir ao patriotismo excessivo, ou seja, um grande orgulho que determinado indivíduo possui de seu país, pátria e nação.

A palavra ufanismo é um neologismo da língua portuguesa brasileira, criada em alusão a obra “Porque me Ufano do Meu País” (1900), de autoria do Conde Afonso Celso. O termo ufano provém da língua espanhola, significando a característica de um grupo que se auto vangloria.

Ao contrário do patriotismo e nacionalismo, que podem ser interpretados como conceitos positivos até certo nível, o ufanismo é visto como um exagero desmedido do “amor pela pátria”. Neste caso, o ufanismo é comparado a ideias pejorativas, como de vaidade, jactância e arrogância.

Alguns dos principais sinônimos de ufanismo são: nacionalismo exagerado e patriotismo exacerbado.

Você pode até não conhecer Benito Di Paula, mas já deve ter ouvido os versos que dizem Ê, meu amigo Charlie Brown/Ê, meu amigo Charlie Brown/ Se você quiser, vou lhe mostrar… Ou então a triste história de “Retalhos de Cetim”.

O começo
Já fazia shows na noite, quando uma gravadora pediu para que eu gravasse os sucessos da época com orquestra com a qual eu me apresentava e meu piano. Gravei “Azul da Cor do Mar”, do Tim Maia, “Madalena”, do Ivan Lins, “Na Tonga da Mironga do Kabuletê”, do Vinicius de Moraes, e gravei também “Apesar de Você”, do Chico, e meu disco acabou sendo censurado (risos). Achei uma sacanagem, mas aí que quis fazer mesmo.

Piano com samba

Desde criança, sempre ouvia Luiz Gonzaga, Ataulfo Alves, Tito Fuentes, Xavier Cougar. Misturo todos esses ritmos na minha música. Além do samba, mas não sou sambista. Sambista é o Paulinho da Viola. Eu sou sambeiro.

 

13.601 – MPB – Benito de Paula


Uday Vellozo ganhou fama nacional com o pseudônimo de Benito di Paula. Nascido em 1941, em Nova Friburgo, RJ, é um dos grandes nomes da canção nacional dos anos 70. Foi crooner de boates do Rio de Janeiro, e depois continuou tocando na noite paulistana.
Iniciou carreira pela gravadora Copacabana no início dos anos 70
Seu estilo musical é conhecido como “samba-jóia”, ao combinar o samba tradicional com piano e arranjos românticos e jazzisticos.
Seu primeiro disco “Benito Di Paula” de 1971, foi censurado por trazer a música “Apesar de Você” de Chico Buarque.
eu segundo LP, “Ela” também não trouxe grande êxito. Mas estourou nas paradas de sucesso com o terceiro, “Um Novo Samba”, onde já aparecia na capa com sua longa barba e cabelos, inúmeras correntes, brincos, pulseiras, etc. O grande sucesso desse disco foi a música “Retalhos de Cetim”.
Teve inúmeros sucessos ao longo de sua carreira como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Vai Ficar Na Saudade”, “Se Não For Amor”, “Amigo do Sol, Amigo da Lua”, “Mulher Brasileira” e “‘Ah! Como Eu Amei”. Chegou nos anos 70, a disputar a venda de LPs juntamente com Roberto Carlos, tendo composto muitas músicas para este
Comandou o programa “Benito di Paula e seus convidados – Brasil Som 75” na TV Tupi. Tem mais de 35 discos gravados, tendo parte importante de sua obra relançada em CD, devido ao sucesso de suas músicas. Chegou a fazer sucesso em nível internacional como no México, Japão, Estados Unidos e principalmente na América Latina.
Após 10 anos sem gravar, Benito di Paula lançou, em 2009, pela EMI Music seu segundo CD e primeiro DVD ao vivo, gravado no Vivo Rio, e que traz seus maiores sucessos, como Retalhos de Cetim, Sanfona Branca e Charlie Brown.
No dia 25 de outubro de 2017, em votação na Câmara dos deputados onde 251 integrantes da bancada governista barraram a segunda denúncia (participação em organização criminosa) da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer, Benito di Paula teve sua música “Tudo Está no seu Lugar” cantarolada e parodiada pelo deputado Carlos Marun (PMDB/MS) em comemoração à vitória da base aliada. Dois dias após, Benito di Paula publica um vídeo respondendo ao ato de Marun sentindo-se desrespeitado pois “tem nojo de política”. Contando ainda que quando precisou da ajuda de prefeitos para consertar o telhado da casa de sua mãe, não obteve. Trabalhou muito em São Paulo, enfrentou a ditadura militar, “levou porrada” e compôs a referida música quando conseguiu comprar outra casa para ela, disse Benito.

Uma Extensa Discografia:
1971 – Benito di Paula (Copacabana)
1972 – Ela (Copacabana)
1973 – Um Novo Samba (Copacabana)
1974 – Gravado ao Vivo (Copacabana)
1975 – Benito di Paula e Seus Convidados – Brasil Som 75 (Copacabana)
1975 – Benito di Paula (Copacabana)
1976 – Benito di Paula (Copacabana)
1977 – Benito di Paula / Assobiar ou Chupar Cana (Copacabana)
1978 – Benito di Paula (Copacabana)
1978 – Caprichos de La Vida Copacabana)
1979 – Benito di Paula (Copacabana)
1980 – Benito di Paula (Copacabana)
1981 – Benito di Paula (WEA)
1982 – Benito di Paula (WEA)
1983 – Bom Mesmo É o Brasil (WEA)
1984 – Que Brote Enfim o Rouxinol que Existe em Mim (RGE)
1985 – Nação (RGE)
1986 – Benito di Paula / Instrumental
1987 – Quando a Festa Acabar (Copacabana)
1990 – Fazendo Paixão (BMG Ariola)
1992 – A Vida Me Faz Viver (Copacabana)
1994 – Pode Acreditar (RGE)
1996 – Baileiro (Paradoxx Music)
1999 – Raízes do Samba
2009 – Ao Vivo (CD e DVD, EMI Music)
2016 – Essa Felicidade É Nossa (RYB8 Music)

10.986 – Música – Depois de Robson, foi a vez de Lincoln passar para o “andar de cima”


lincon

Lincoln Olivetti

(Nilópolis, 17 de abril de 1954 – Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2015)
Músico brasileiro (um dos melhores da era contemporânea) que ficou conhecido pela parceria com o guitarrista Robson Jorge.
Instrumentista, arranjador, compositor e produtor musical, Lincoln Olivetti iniciou-se na música ainda menino. Com 13 anos, já se apresentava em bailes do subúrbio com seu conjunto. Cursou as faculdades de música e engenharia eletrônica, mas não as concluiu . Em meados da década de 1970, conheceu Robson Jorge, com quem viria a manter uma grande parceria musical. Ouvintes desavisados já confundiram algumas de suas músicas (“Squash”, “Pret-à-porter”) com músicas feitas por George Benson.
Lincoln Olivetti fez arranjos para numerosos artistas: Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben, Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ângela Rô Rô, Zizi Possi, Fagner, Wando e Joanna.
Foi apelidado de “o feiticeiro dos estúdios” e “o mago do pop”. Na década de 1990, viveu um período de ostracismo, do qual saiu ao produzir discos para Lulu Santos e Ed Motta.
Lincoln Olivetti faleceu aos 60 anos, de infarto, na cidade do Rio de Janeiro.

6580 – MPB – Tim Maia, Um Vozeirão Soul Made in Brazil


Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942 — Niterói, 15 de março de 1998), foi um cantor, compositor, produtor, maestro, guitarrista, baterista, multi-instrumentista e empresário brasileiro, um dos pioneiros na introdução do estilo soul na música popular brasileira e um dos maiores ícones da música no Brasil.
Em 1970, gravou seu primeiro disco, intitulado Tim Maia, que, rapidamente, tornou-se um sucesso país afora com músicas como “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”. Nos três anos seguintes, lançou vários discos homônimos, fazendo sucesso com canções como “Não Quero Dinheiro” e “Gostava Tanto de Você”. De 1975 a 1977, aderiu à doutrina filosófico-religiosa conhecida como Cultura Racional, lançando, nesse período, as músicas “Que Beleza” e “Rodésia”. Pela decadência de suas músicas influenciadas por essa escola filosófica, desiludiu-se com a doutrina e voltou ao seu estilo de música anterior, lançando sucessos como “Descobridor dos Sete Mares” e “Me Dê Motivo”. Em 1988, venceu o Prêmio Sharp na categoria “Melhor Cantor”.
Muitas músicas suas foram gravadas sob a editora Seroma e a gravadora Vitória Régia Discos, sendo um dos primeiros artistas independentes do Brasil. Ganhou o apelido de “síndico do Brasil” de seu amigo Jorge Ben Jor na música W/Brasil. Na década de 90, diversos problemas assolaram a vida do cantor: problemas com as Organizações Globo e a saúde precária, devido ao uso constante de drogas ilícitas e ao agravamento de seu grau de obesidade. Sem condições de realizar uma apresentação no Teatro Municipal de Niterói, saiu em uma ambulância e, após duas paradas cardiorrespiratórias, faleceu em 15 de março de 1998. É amplo seu legado à história da música brasileira, tendo inaugurado um estilo que futuramente viria a ser cantado por diversos artistas, como seu sobrinho Ed Motta.
A revista Rolling Stone classificou Tim como o 9º maior artista da música brasileira.
Em 1970, gravou seu primeiro longplay, “Tim Maia”, na Polydor, por indicação da banda Os Mutantes. O disco permaneceu em primeiro lugar no Rio de Janeiro por 24 semanas. Nesse disco, obteve sucesso com as faixas “Azul da Cor do Mar”, “Coronel Antônio Bento” (Luís Wanderley e João do Vale), “Primavera” (Cassiano) e “Eu Amo Você”.
Nos três anos seguintes, com a mesma gravadora, lançou os discos Tim Maia Volume II, tornando-se cada vez mais famoso com canções como a dançante “Não Quero Dinheiro (Só Quero amar)”, na era Disco; Tim Maia volume III e Tim Maia volume IV, no qual se destacaram “Gostava Tanto de Você” (Edson Trindade) e “Réu Confesso”. Em 1975, gravou os LPs Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2. Em 1978, gravou, para a Warner, Tim Maia Disco Club, claramente inspirada pela Disco Music. Tim foi acompanhado pela Banda Black Rio. Nesse álbum, gravou um de seus maiores sucessos, “Sossego”.
Tim Maia se tornou notável por não aparecer ou atrasar em shows, e frequentemente reclamar da qualidade do áudio nos mesmos.
Na década de 1970, entrou em contato com a doutrina Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, quando lançou, em 1975, os álbuns Tim Maia Racional, volumes Um e Dois pelo selo Seroma (palavra “amores” ao contrário e abreviação do próprio nome, “Sebastião Rodrigues Maia”).
São considerados por muitos os melhores de Tim Maia, com grandes influências do funk e do soul e pelo fato de que, nesta época, Tim Maia manteve-se afastado dos vícios, o que refletiu na qualidade de sua voz.
Desiludido com a doutrina, percebeu que o mestre Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco, existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.
Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo vida e aos temas não religiosos em suas canções. Mais sucessos se seguiram: “Sossego” (do LP “Tim Maia Disco Club”, de 1978), “Descobridor dos Sete Mares” (faixa-título do LP de 1983, que também trouxe “Me Dê Motivo”) e “Do Leme ao Pontal” (de “Tim Maia”, 1986).
Lançou em 1983 o LP “O Descobridor dos Sete Mares”, com destaque para a canção-título “O Descobridor dos Sete Mares” (Michel e Gilson Mendonça) e para Música “Me dê Motivo” (Michael Sullivan/Paulo Massadas) um dos seus maiores sucessos. Em 1985, gravou Um Dia de Domingo, também de Sullivan e Massadas, num dueto com Gal Costa, obtendo grande sucesso. Outro disco importante da década de 1980 foi “Tim Maia” (1986), que trazia o hit “Do Leme ao Pontal”.
Em 1986, participou do musical da Rede Globo, “Cida, a Gata Roqueira”, paródia ao conto de fadas, inspirado no filme Os Irmãos Caras de Pau (1980), onde James Brown interpreta um pastor evangélico. Nelson Motta criou um personagem similar para Tim, onde o cantor improvisa o Salmo 23 embalado por uma banda tocando funk.
Em 1993, dois acontecimentos impulsionaram sua carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção “W/Brasil” e uma regravação que fez de “Como Uma Onda” (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD “Tim Maia”, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas, funks e souls.
Tim Maia filiou-se ao PSB em 1997. No final de sua vida sofreu com problemas relacionados a obesidade, diabetes e problemas respiratórios. Durante a gravação de um espetáculo para a televisão no Teatro Municipal na cidade de Niterói, no dia 8 de março de 1998, Tim tentou cantar, mesmo sabendo de sua má condição de saúde. Não conseguiu e retirou-se sem dar explicações; terminou sendo levado para o hospital numa ambulância, vindo a falecer em 15 de Março em Niterói aos 55 anos e com 140 quilos, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada. No ano seguinte, seria homenageado por vários artistas da música popular brasileira num show-tributo, que se transformou em disco, especial de televisão e vídeo.

6500 – Mega Memória MPB – Maria Bethania e sua versão para “Terezinha de Jesus”


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A clássica e tradicional cantiga de roda “Terezinha de Jesus”, que nos traz de volta os tempos de infância, também teve a sua versão para adultos, em uma música que se tornou clássico da MPB com a excepcional interpretação de Maria Bethânia, foi matéria do Fantástico, em 1977.

O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e assustada, eu disse não
O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e assustada, eu disse não
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro dentro do meu coração

5498 – MPB – Roupa Nova


É uma banda brasileira formada na década de 1980 no estado brasileiro do Rio de Janeiro. Ainda hoje encontra-se em plena atividade.
São os atuais recordistas em trilhas sonoras de novelas (mais de 35 temas), sendo “Videogame” a trilha sonora do Jornal da Manchete, da extinta Rede Manchete. As mais famosas são Dona (Roque Santeiro, 1985), A Viagem (A Viagem, 1994) e Coração Pirata (Rainha da Sucata, 1990). O grupo também esteve presente na gravação original de outra trilha bastante conhecida, Tema da Vitória. Usado nas transmissões das corridas de Fórmula 1, o tema virou um verdadeiro hino e imortalizou as vitórias do piloto brasileiro Ayrton Senna.
Algumas novelas tiveram mais de uma música do Roupa Nova em sua trilha sonora. É o caso de Um sonho a mais de 1985 que além do hit Whisky a Go Go que era tema de abertura, tinha também a Chuva de Prata na voz de Gal Costa com participação especial do sexteto. Na novela Corpo Santo, exibida pela extinta Rede Manchete em 1987, o tema de abertura era “Um Lugar no Mundo” do Roupa Nova. Além desta canção o grupo estava presente também em “Amor Explícito” ao lado de Simone e “Um Sonho a Dois” ao lado de Joanna. O fato se repetia em Felicidade de 1991. Desta vez o Roupa Nova emplacaria dois grandes sucessos da sua carreira: “Felicidade”, que era o tema de abertura e “Começo, Meio e Fim”, tema do casal principal “Álvaro e Helena” (Tony Ramos e Maitê Proença). A música “Ibiza Dance” que foi tema de abertura da novela Explode Coração de 1995 ganhou versão remix (Ibiza Dance Remix) que também entrou para a trilha sonora da novela e foi faixa de uma compilação extra lançada no mesmo ano.
Ainda em novelas, a canção “Amor de Índio” gravada pelo Roupa Nova em 2001 para o álbum Ouro de Minas fez parte da trilha sonora de duas novelas da Rede Globo. A primeira em 2001, Estrela Guia, tema dos personagens de Sandy e Guilherme Fontes, e a segunda em 2007 Desejo Proibido, tema de “Laura” vivida por Fernanda Vasconcellos. Outra canção do Roupa Nova que acabou se tornando tema de duas novelas foi Sensual de 1983, que embalou as novelas Voltei pra Você da Rede Globo e O Direito de Nascer, na época exibida pelo SBT.
Os grandes incentivadores da carreira do Roupa Nova são Mariozinho Rocha, diretor musical da Rede Globo que é inclusive o responsável pelo nome da banda, o maestro Eduardo Souto Neto com quem o Roupa Nova gravou o Tema da Vitória e o cantor e compositor Milton Nascimento que homenageou a banda com a canção Nos bailes da vida.
Vários artistas famosos também já regravaram canções compostas pelos integrantes do Roupa Nova, como é o caso de Sandy e Júnior com a canção A lenda, a dupla sertaneja Rick e Renner com as canções A Força do amor e De volta pro futuro, o cantor Eduardo Costa com Linda Demais e Volta pra mim e a dupla sertaneja Victor & Léo com Retratos rasgados. O talento dos integrantes do Roupa Nova como compositores foi reconhecido no Programa Raul Gil, quando eles foram homenageados por calouros e por artistas consagrados no quadro Homenagem ao compositor em 2005.
É a banda brasileira com maior tempo de formação, mais de 30 anos de estrada e com seus membros originais.

5469 – MPB – As águas de março


É uma canção brasileira do compositor, músico, arranjador, cantor e maestro Tom Jobim, de 1972. A canção foi lançada inicialmente em compacto simples e, a seguir, no álbum Matita Perê, no ano seguinte. Em 1974, uma versão em dueto com Elis Regina foi lançada no LP Elis & Tom. Posteriormente, Tom Jobim compôs uma versão em língua inglesa, que manteve a estrutura e a metáfora central do significado da letra.
A canção chegou a inspirar uma campanha publicitária da empresa Coca-Cola na década de 1980, com um arranjo mais próximo do rock e outros versos. A versão em inglês da música foi também utilizada, já na década de 1990, como tema publicitário para o lançamento do Ayala Center, nas Filipinas.
Em 2001, foi nomeada como a melhor canção brasileira de todos os tempos em uma pesquisa de 214 jornalistas brasileiros, músicos e outros artistas do Brasil, conduzida pelo jornal Folha de São Paulo. Na pesquisa realizada pela edição brasileira da revista Rolling Stone, em 2009, a canção ocupa o segundo lugar, atrás de Construção, de Chico Buarque de Holanda.
“Águas de Março” teve, ao menos, duas grandes fontes de inspiração. Uma é o poema “O caçador de esmeraldas”, do poeta parnasiano Olavo Bilac (“Foi em março, ao findar da chuva, quase à entrada / do outono, quando a terra em sede requeimada / bebera longamente as águas da estação. Outra é um ponto de macumba, gravado com sucesso por J.B. de Carvalho, do Conjunto Tupi (“É pau, é pedra, é seixo miúdo, roda a baiana por cima de tudo”).
A metáfora central das “Águas de março” é tomada como imagem da passagem da vida cotidiana, seu motocontínuo, sua inevitável progressão rumo à morte – como as chuvas do fim de março, que marcam o final do verão no sudeste do Brasil. A letra aproxima a imagem da “água” a uma “promessa de vida”, símbolo da renovação.
A letra e a música operam progressões lentas e graduais, à maneira das enxurradas. Os efeitos de orquestração chegam a ser cinematográficos, a partir das relações que estabelecem entre elementos musicais e imagens do texto. Algumas metáforas são dignas de nota pela sutileza e propriedade, como o quase imperceptível “tombo da ribanceira”, que acontece numa rara variação rítmica da linha do contrabaixo, além de vários movimentos de crescendo e decrescendo do naipe de cordas, reforçando o apelo da imagem da chuva na letra.

5453 – MPB – A Aquarela do Brasil


A canção “Aquarela do Brasil” recebeu esse título porque foi composta numa noite de 1939 na qual Barroso foi impedido de sair de casa devido a uma forte tempestade. Naquela mesma noite, também compôs “Três Lágrimas” antes que a chuva acabasse.
Antes de ser gravada, “Aquarela do Brasil”, inicialmente chamada de “Aquarela Brasileira”, foi apresentada pelo barítono Cândido Botelho no musical Joujoux e balangandans, espetáculo beneficente patrocinado por Darcy Vargas, a então primeira-dama. A canção foi originalmente gravada por Francisco Alves, com arranjos e acompanhamento de Radamés Gnattali e sua orquestra, e lançada pela Odeon Records naquele mesmo ano. Foi também gravada por Aracy Cortes e, apesar da popularidade da cantora, a canção não fez sucesso, talvez por não ter se adequado bem à voz dela.
O sucesso de “Aquarela do Brasil” demorou a se perpetuar. Em 1940, não conseguiu ficar entre as três primeiras colocadas no concurso de sambas carnavalescos, cujo júri era presidido por Heitor Villa-Lobos, com quem Barroso cortou relações, que só foram retomadas quinze anos depois, quando ambos receberam a Comenda Nacional do Mérito. O sucesso só veio após a inclusão no filme de animação Saludos Amigos, lançado em 1942 pelos Estúdios Disney. Foi a partir de então que a canção ganhou reconhecimento não só nacional como internacional, tendo se tornado a primeira canção brasileira com mais de um milhão de execuções nas rádios americanas.
Devido à enorme popularidade conquistada nos Estados Unidos, a canção recebeu uma letra em inglês do compositor Bob Russell, escrita para Frank Sinatra em 1957. Desde então, já foi interpretada por cantores de praticamente todas as partes do mundo.
Durante a ditadura militar, Elis Regina interpretou aquela que talvez seja a versão mais sombria da canção, acompanhada por um coral que reproduzia os cantos dos povos indígenas do Brasil.
A canção, por exaltar as qualidades e a grandiosidade do país, marcou o início do movimento que ficaria conhecido como samba-exaltação. Este movimento, por ser de natureza extremamente ufanista, era visto por vários como sendo favorável à ditadura de Getúlio Vargas, o que gerou críticas à Barroso e à sua obra. No entanto, a família do compositor nega que ele algum dia tenha sido favorável à política de Vargas, destacando o fato de que ele também escreveu “Salada Mista” (gravada em outubro de 1938 por Carmen Miranda), uma canção contrária ao nazi-fascismo do qual Vargas era simpatizante. Vale notar também que antes de seu lançamento, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) vetou o verso “terra do samba e do pandeiro”, por entender que era “depreciativo” para o Brasil. Barroso teve de ir ao DIP para convencer os censores da preservação do verso.

5385 – MPB – Uma canção ecológica


Fátima Guedes – Cheiro de mato

Diversos cantores têm no repertório músicas de Fátima Guedes, dentre os quais Simone, Maria Bethânia, Jane Duboc, Joanna, Zizi Possi, Mônica Salmaso, Leila Pinheiro, Ney Matogrosso e Nana Caymmi. Dentre as muitas composições, destacam-se: Flor de ir embora, Condenados, As pessoas, Pelo cansaço, Muito intensa, Absinto, Eu, Lápis de cor, Chora brasileira, Onze fitas, Arco íris, Passional, Cheiro de mato, A vida que a gente leva, Lápis de cor, Muito intensa, Mais uma boca, Ar puro, A bailarina, entre outras.
O mais recente CD é Outros tons (2006), somente com canções esquecidas de Tom Jobim.
Cheiro de mato é uma canção ecológica de seu álbum de 1980

4932 – Mega Memória – Lady Zu, Discoteca Made In Brazil


Na segunda metade da década de 70, não havia ninguém mais quente no cenário da música dance brasileira do que LADY ZU. Seu maior sucesso, “A Noite Vai Chegar”, incendiava as pistas das discotecas. Outro grande sucesso, “Hora de União”, foi incluído na trilha-sonora da novela “Dancin’ Days”, uma febre nacional na época.
Dona de um timbre incomparável e grande potência vocal, LADY ZU lançou outros discos nas décadas seguintes, além de participar do projeto “Alma Negra” e em discos de outros artistas.
Reconhecida como um dos maiores nomes da música soul do Brasil, ela segue ativa, com shows por todo o país e aparições em programas de televisão e rádio.
Filha de pernambucanos, Lady Zu, ou melhor, Zuleide Santos Silva, nasceu no dia 7 de maio de 1958, no bairro do Canindé, em São Paulo. Ao perceber que a pequena Zu gostava de brincar de artista, seu pai resolveu levá-la aos estúdios da TV Cultura para se apresentar no programa de talentos infantis “O Dois É Nosso”. Sua primeira interpretação foi o samba “Triste Madrugada”, da autoria de Jorge Costa. Nessa época, Zu tinha apenas 8 anos de idade.
Fez aulas de canto dos 10 aos 13 anos e seguiu apresentando-se em programas infantis do rádio e da televisão e em bailes na periferia de São Paulo. Fã de Aretha Franklin e Tina Turner, fez diversos testes para crooner em casas noturnas, mas sempre era vetada por ser ainda muito jovem. Mais tarde, ela ainda trabalharia como bancária, escriturária e até locutora do Mercado Municipal da Lapa.
Adolescente, Zu, em dupla com seu irmão Alex, participou de vários festivais escolares de música. Sua grande chance surgiria justamente num desses festivais, por volta de 1975, quando Zu levou o 1º lugar. Entre os jurados estava o compositor Osmar Navarro, que lhe deu orientações sobre o meio artístico. Munida de uma fita cassete com covers de canções de Roberto Carlos e Maria Bethania, Zu procurou o disc-jóquei Sebastião Ferreira da Silva, que a apresentou ao produtor e executivo da PhonoGram (atual Universal Music), Marcos Maynard. A empatia foi imediata, mas os planos de Maynard para Zu passavam ao largo da MPB: a gravadora pretendia trazer para o país a febre internacional das discotecas. E foi nessa oportunidade que Zuleide foi rebatizada como Lady Zu, por sugestão do músico Roberto Menescal.
Seu primeiro disco, um compacto simples com a música “A Noite Vai Chegar” (composta por Paulinho Camargo), tornou-se um hit instantâneo nas rádios e nas pistas de dança de todo o país. O sucesso foi incluído na trilha sonora da bem-sucedida novela “Sem Lenço, Sem Documento”, da Rede Globo, o que, por si só, era um feito e tanto para uma cantora nova.

Depoimentos de seu Site Oficial para o ☻ Mega

4050 – MPB – Azimuth, Na Linha do Horizonte


O grupo nasceu junto com a cervejaria Canecão em três palcos diferentes Zé, Alex e Mamão atuavam com seus grupos,revezando as apresentações Mamão com os “Youngsters”, Alex com um trio de bossa-nova e Zé Roberto resolveu se juntar com os caras que ele admirava. Maestro arranjador Zé Roberto Bertrami não parava nunca,hora escrevendo, hora gravando,hora tocando.
Contratado pela Philips (posteriormente Phonogram) os três gravavam e arranjavam as bases dos sucessos da época, entre eles estavam Raul Seixas, Tim Maia , Erasmo Carlos, MPB-4, Marcos Valle, Erlon Chaves, Sérgio Sampaio , Gonzaguinha e muitos outros o que totalizava 4 entre seis músicas que tocavam na Rádio Mundial e Tamoio em 1974.
Em 1970 faziam apresentações ao vivo com o grupo “Seleção” onde pretendiam fazer bailes que acabavam com o público sentado, ouvindo e aplaudindo como se fosse um show. Anos depois resolveram gravar um disco independente influenciados por seu amigo Tim Maia que já estava em estúdio fazendo, porém quando o LP ficou pronto a produção foi vendida a gravadora novata Som Livre que tratou de colocar a faixa “Linha do horizonte” na novela “Cuca Legal” o único sucesso cantado pelo grupo. O grupo passou a se chamar Azymuth por sugestão de Paulo Sergio Valle durante as gravações da trilha sonora do filme “O fabuloso Fittipaldi”.
Em 1975 gravam “Melô da Cuíca”, música integrante da trilha sonora da novela “Pecado Capital”, o fusion Samba funk trouxe o convite para o grupo participar do Festival de jazz de Montreaux na Suíça (foram os primeiros brasileiros então convidados para o evento). Logo depois de ser chamado para arranjar uma faixa do disco da Ella Fitzgerald, a cantora brasileira Flora Purim que havia recebido o prêmio de melhor cantora de jazz (Estados Unidos) daquele ano contratou o grupo para uma tourné por todo o país. Durante a torné a tradicional gravadora de jazz americana MILESTONES dá início a uma série de álbuns lançados anualmente naquele país,são eles :
1979 – Light As Feather – Milestones
1980 – Outubro – Milestone
1981 – Telecommunication – Milestone
1982 – Cascades – Milestone
1983 – Rapid Transit – Milestone
1984 – Flame – Milestone
1985 – Spectrum – Milestone
1985 – Live At Copocabana Palace – SBA
1986 – Tightrope Walker – Milestone
1987 – Crazy Rhythm – Milestones
1988 – Jazz Carnival – Best Of Azymuth – BGP
Anteriores ainda no Brasil :
1970 – Grupo Seleção
1973 – O Fabuloso Fittipaldi(Marcos Valle)
1975 – Linha Do Horizonte
1976 – Azimuth – Polydor
1977 – Agua Nao Come Mosca – Som Livre
Atualmente cultuados em Londres, onde o sucesso de “Jazz Carnival” na época do Disco, invadiu as pistas de dança das discotecas inglesas e faz com que DJ’S mixem e remixem os hits tão admirados por eles. A gravadora FAR OUT é responsável pela atual discografia a seguir :
1996 – Carnival
1998 – Woodland Warrior
1999 – Pieces Of Ipanema
2001 – Before We Forget
2002 – Partido Novo
2004 – Brazilian Soul
2006 – Pure (The Far Out Years 1995-2006)
Ivan Conti: Baterista
Carinhosamente apelidado de “Mamão”, nascido na Tijuca no Rio de Janeiro iniciou-se em música tocando guitarra. Mas foram os solos de Gene Kruppa que o levou a trocar de instrumento. Sua coordenação motora e seu completo domínio nos tambores é impressionante. Já se apresentou com Ray Brown, Dizzy Gillespie, Milt Jackson, Elis Regina, Gal Costa, Erasmo e Roberto Carlos, Eumir Deodato, Rita Lee. Participou da orquestra Internacional do maestro Paul Mauriat que o incluiu em duas temporadas em que fez shows no Japão.
Alex Malheiros: Baixista
Nascido em Niterói numa família de músicos, iniciou-se em música tocando bateria. Mas seguindo os moldes de pai e tio especializou-se no contra-baixo.Seu violão e sua guitarra podem ser apreciados em várias faixas de seus discos.Participou do conjunto do legendário Ed Lincoln. Apresentou-se com Antonio Adolfo, Helvius Vilela, Turma da Pilantragem, Ivan Lins, Djavan.
José Roberto Bertrami: Tecladista
Nasceu em Tatuí, interior de São Paulo e já aos 12 anos se apresentava como vibrafonista. Maestro e arranjador Zé Roberto escreve, grava, toca e improvisa como poucos.Fez arranjos para, Raul Seixas, Belchior, Tim Maia, Erasmo Carlos, Marcos Valle, Sérgio Sampaio, Maria Creuza, Gonzaguinha e muitos outros.

3978 – Mega Memória – MPB, Política & Censura em “Calice”


Irônicamente a música de Chico Buarque poderia ter o nome mudado para “Cale-se”.
Já no crepúsculo dos anos 70 (1979), época das agitações de greves no ABC, fundação do PT e etc. A ditadura militar estava chegando ao fim, mas quem achou a letra da música ofensiva foi a Igreja Católica.
A Censura no Brasil ocorreu por praticamente todo o período posterior à colonização do país, seja ela cultural, seja ela política. De certa maneira, mas sob um aspecto diferenciado, o Brasil ainda possui formas de censura desde a redemocratização.
Mas durante o regime militar iniciado em 1964, todas as formas de perseguição são intensificadas, além de outras serem elaboradas.
Após a promulgação do AI-5, todo e qualquer veículo de comunicação deveria ter a sua pauta previamente aprovada e sujeita a inspeção local por agentes autorizados.
Além da resistência ora camuflada, ora explícita da imprensa, artistas vinculados à produção musical encontraram como forma de protesto e denúncia compor obras que possuíssem duplo sentido, tentando alertar aos mais atentos, e tentando despistar a atenção dos militares, que geralmente descobriam que a música se tratava de uma crítica a eles apenas após a aprovação e sucesso entre o público das mesmas. Um dos exemplos mais marcantes do jogo lingüístico e musical presentes do período é a música Cálice, composta por Chico Buarque e Gilberto Gil. Além do título da composição ter som idêntico à expressão Cale-se, seus versos poderiam ser confundidos com uma divagação religiosa, tal como no trecho transcrito a seguir.
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto e de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
Artistas censurados durante a ditadura militar (1964-1985)
Caetano Veloso
Chico Buarque
Elis Regina
Geraldo Vandré
Gilberto Gil
Kid Abelha
Milton Nascimento
Plínio Marcos
Raul Seixas
Taiguara
Toquinho
Odair José
Torquato Neto
Zé Keti
Canções-protesto
Alguns artistas usavam a própria música para protestar contra a censura. Algumas destas músicas ganharam um caráter histórico dentro do movimento da MPB. Por outro lado, algumas canções eram censuradas apenas por não condizer com os valores morais da época, como é o caso de “Como Eu Quero” de Paula Toller e Leoni, cuja personagem principal exige de seu namorado que “tire essa bermuda”. Também é famoso o caso de censura à canção “Tortura de Amor” de Waldick Soriano, lançada no auge da repressão. Outro caso conhecido de censura por razões não políticas foi a imposta a Adoniran Barbosa, que compunha de acordo com o dialeto caipira, obrigado a corrigir as letras de suas canções de acordo com a Gramática, caso quisesse gravá-las. Adoniran preferiu esperar pelo fim da censura prévia para voltar a gravar.
“Apesar de Você” – Chico Buarque
“Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” – Geraldo Vandré
“Cálice” – Chico Buarque e Milton nascimento
“É Proibido Proibir” – Caetano Veloso
“Acorda, Amor” – Leonel Paiva e Julinho da Adelaide (Chico Buarque)
“Que as Crianças Cantem Livres” – Taiguara
“Animais Irracionais” – Dom e Ravel
“Sociedade Alternativa” Raul Seixas
“Opinião” Zé Keti
Censura após a Redemocratização
Mesmo após os militares terem deixado o poder, ainda é possível verificar algumas formas de censura. Muitas ocorrem tendo em vista proteger os cidadãos de atitudes intolerantes, mas, várias outras ocorrem por motivos mais complexos, frutos da persistência do patrimonialismo na cultura brasileira.

3891 – Mega Memória MPB – Nara Leão, Além do Horizonte


Nara Lofego Leão Diegues (Vitória, 19 de janeiro de 1942 — Rio de Janeiro, 7 de junho de 1989) foi uma cantora brasileira.
Filha caçula do casal capixaba Jairo Leão e Altina Lofego (em italiano Lofiego), descendente de imigrantes da Basilicata que imigraram para o Espírito Santo no século XIX (famílias D’Amico e Lofiego), Nara nasceu em Vitória e mudou-se para a Cidade do Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão. Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo “Os Oito Batutas” de Pixinguinha. Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, em Copacabana. Mais tarde, Nara tornou-se professora da academia.
A Bossa Nova nasceu em reuniões no apartamento dos pais da cantora, em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e seu então namorado, Ronaldo Bôscoli. No fim dos anos 1950, Nara foi repórter do jornal “Última Hora”, onde Bôscoli também trabalhava, e que pertencia a Samuel Wainer, casado com a irmã de Nara, Danuza Leão. O namoro com Bôscoli terminou quando ele a traiu e iniciou um caso com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Aires, em 1961. Daí em diante, Nara se reaproxima de Carlos Lyra, que rompeu a parceria musical com Bôscoli em 1960, e de idéias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra e se casa com ele um tempo depois. Nessa época passa a se interessar pelo samba de morro.
A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica. Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPC’s já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro.
Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto — feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980.
No começo dos anos 1970, ela volta para o Brasil grávida e nasce na Cidade do Rio de Janeiro o segundo filho do casal, Francisco. Nessa época, decide estudar psicologia na PUC-RJ. De fato, Nara planejava abandonar a música mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuindo o ritmo de trabalho e modificando o estilo dos espetáculos, pois era muito cansativa a vida de uma cantora, já que ela agora era mãe e casada, tinha que se dedicar mais aos filhos e ao marido do que a música, apesar de Nara amar cantar, teve que fazer essa difícil escolha.
Morreu na manhã de 7 de junho de 1989 vítima de um tumor cerebral inoperável aos 47 anos de idade. Ela já sabia do tumor, e sofria com esse problema havia 10 anos. O tumor estava numa área muito delicada do cérebro, por isso ela não podia ser operada, sentia fortes dores e tonturas, e isso também foi um contribuinte para ela tentar largar carreira musical. O último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.

3272 – Mega Almanaque – Luís Américo satirizou a seleção de 74


A música “Camisa 10” que se referia a ausência de Pelé na seleção brasileira de 1974 marcou época na memória futebolística.
Luíz Américo – Começou cantando desde menino e foi no concurso de calouros do Sílvio Santos que “Américo Francisco”, como era conhecido, despontou para o cenário nacional, ganhando todas as provas do concurso. Surgiram os convites de grandes gravadoras e aí já como Luiz Américo conseguiu seu primeiro sucesso, Desafio, mais conhecida como “Cuca cheia de cachaça” e daí em diante foram vários, Camisa 10, Fio da véia, Carta de alforria, Casa cheia, O gás acabou, Na hora da sede, entre tantos outros. Foram oito discos de ouro e suas músicas executadas em todas as rádios do Brasil e exterior e imagem marcada pelo seu boné em todos os programas de TV da época, sem dúvida um dos maiores ídolos da geração da década de 1970 & 1980.
Seu maior sucesso foi a canção Camisa 10, que teve uma grande repercussão por falar da Seleção Brasileira de Futebol de 1974, que depois de se tornar tricampeã México, atravessava um período de altos e baixos para disputar a Copa da Alemanha de 1974. Vendeu milhares de cópias. Recebeu prêmios no Brasil e no exterior. Hoje ele é dono de uma casa noturna chamada Lucky Scope no Guarujá, e seus filhos cantores no Grupo Feitiço (banda de samba) montaram uma casa de samba em sua homenagem com o nome de Typographia Brasil em Santos, onde o cantor se apresenta até hoje.