13.999 – Mecânica quântica e universos paralelos – a física de “Vingadores: Ultimato”


Em Vingadores, por outro lado, toda vez que o passado é alterado, surge um universo paralelo em que tudo ocorre de maneira diferente graças a essa alteração. Esse mecanismo – diferente do adotado por J.K. Rowling e Robert Zemeckis – não deriva da física clássica de Einstein, e sim, como já mencionado, da física quântica, da qual o próprio Einstein duvidou.
Para entender esse mecanismo, imagine que uma personagem que acabamos de inventar, a Ana, se arrependeu de começar um namoro com Gabriel e quer voltar no tempo para impedir si própria de conhecê-lo. Ela pretende furar o pneu do ônibus que Gabriel pegou para ir à faculdade naquela fatídica tarde de 2014. Assim, eles nunca teriam formado uma dupla na aula.
Se o plano desse certo no mundo de De Volta para o Futuro, assim que Ana retornasse a 2019, veria sua vida completamente mudada. No mundo de Harry Potter, por outro lado, o plano não daria certo: Ana descobriria que, naquela dia, o pneu furado foi justamente o que fez com que Gabriel chegasse um pouco atrasado à aula – e fosse obrigado a formar dupla com ela em vez de escolher um amigo próximo.
Já na perspectiva quântica, Ana teria inaugurado um novo universo. Uma realidade paralela em que ela de fato não viveu com Gabriel – enquanto o outro universo, em que o namoro segue normalmente, continua existindo. Parece maluquice – é maluquice –, mas é uma consequência da maneira como o físico americano Hugh Everett III interpretou as equações de Niels Bohr (sim, o da sua aula de química) e Erwin Schrödinger (sim, o do gato). Calma que a gente explica.

O que é física quântica, afinal?
Ela é a única teoria que descreve de maneira bem sucedida o comportamento de átomos e das partículas menores que átomos – os quarks e elétrons que compõem os átomos, por exemplo, ou os fótons, as partículas que perfazem a luz. Se você tentar usar as equações da Relatividade de Einstein para explicar o que um elétron está fazendo, não vai dar certo. O mundo das coisas pequenas é inacessível às equações do alemão.
Isso porque é impossível determinar a posição de um elétron. O melhor que você pode fazer é criar uma espécie de gráfico que demonstra onde há maior ou menor probabilidade deste elétron estar em um determinado momento. A equação que gera essa gráfico foi a grande sacada de Erwin Schrödinger.
Essa é uma noção muito estranha, pois nada, na nossa experiência cotidiana, pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se você está em casa, a probabilidade de que você esteja em casa é 100%, e de que você esteja fora de casa, 0%. Não dá para estar meio grávida, não dá para cometer meia infração de trânsito, não dá para estar 50% na cama e 50% no mercado.
Isso é tão verdade que até as próprias partículas concordam: quando você tenta estabelecer a posição de um elétron, ele imediatamente abandona sua incerteza e se manifesta em um lugar só. O gráfico, antes tão irregular, atinge 100% de garantia. Dureza: o mundo, na escala quântica, passa a perna nos cientistas. Quem descobriu que o elétron se nega a manifestar sua estranheza foi o dinamarquês Niels Bohr.
O que Everett concluiu foi: de fato, é extremamente tosco supor que um elétron esteja em dois lugares ao mesmo tempo, ou que o observador veja a partícula em vários lugares ao mesmo tempo. Mas não é tão tosco assim pressupor que existem vários universos, e que cada um deles contêm o elétron em uma das posições possíveis. Ou seja: o Gato de Schrödinger está vivo em um universo, e morto em outro. Acabou o paradoxo.
Mais recentemente, um físico chamado David Deutsch juntou algumas possibilidades de viagem no tempo quântica com a ideia do multiverso – gerando um cenário teórico mais ou menos parecido com o do filme. E é esse o Deutsch mencionado por Tony Stark no começo do filme.

13.993 – Mitologia – O Mito de Narciso


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Narciso é um personagem da mitologia grega, filho do deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope.
Ele representa um forte símbolo da vaidade, sendo um dos personagens mitológicos que foi muito citado nas áreas da psicologia, filosofia, letras de música, artes plásticas e literatura.
Segunda a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boecia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa, entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.

Narciso e Eco
A bela ninfa Eco esteve perdidamente apaixonada por Narciso, no entanto, seu amor nunca foi correspondido, posto que Narciso ficou atraído por sua própria imagem.

A Flor de Narciso
Com o excessivo amor por si próprio e sobre menosprezar a ninfa Eco, ela lançou um feitiço sobre Narciso, que ficou definhando até morrer no leito do rio. Com sua morte, o belo jovem foi transformado em flor.
Na psicologia, o narcisismo é o nome dado a um conceito desenvolvido por Sigmund Freud que determina o amor exacerbado de um indivíduo por si próprio e sobretudo, por sua imagem.
O nome do transtorno de personalidade, está associado ao mito de narciso uma vez que recupera sua essência egoísta de sobrevalorização de si. Ou seja, nos estudos da psicologia a pessoa narcisista preocupa-se excessivamente com si próprio e com sua imagem.
Essa vaidade descontrolada e admiração excessiva por si próprio pode gerar outros problemas no indivíduo que geralmente necessita ser admirado e não admite que sua presença passe despercebida em determinado grupo.

13.988 – Ilíada e Odisseia


DO QUE TRATA

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“Canto, ó deusa, a cólera de Aquiles” é o verso inicial e o tema central da Ilíada, que em seus mais de 15 000 versos relata a fúria do herói Aquiles, filho de uma deusa e um mortal, e suas trágicas conseqüências na Guerra de Troia, na qual mata Heitor, o fi lho do rei de Troia. Odisseia conta as difíceis aventuras que enfrenta Ulisses, rei de Ítaca, e seu retorno para casa após a guerra, onde o esperam sua esposa, Penélope, e o fi lho, Telêmaco.

QUEM ESCREVEU
Homero foi um dos primeiros poetas da Grécia antiga. Pouco se sabe sobre sua vida, mas calcula-se que tenha nascido por volta dos séculos 8 ou 9 a.C. Pelo menos 7 cidades gregas disputam a honra de ter sido seu berço. Já houve até quem questionasse a própria existência do poeta.

POR QUE MUDOU A HUMANIDADE
São os 2 maiores poemas épicos da história, considerados o início da literatura narrativa ocidental. Tiveram enorme influência nas manifestações da arte, da literatura e da civilização do Ocidente, e seus personagens e sagas se tornaram símbolos e sínteses de toda a aventura humana.
Levados pelas diferenças de estilo de cada poema, estudiosos há séculos discutem a hipótese de cada um dos textos pertencer a um autor diferente. Ou de ambos serem a recomposição de poemas anteriores, da tradição oral, reunidos por um poeta anônimo.

13.015 – MITOLOGIA E FILOSOFIA, AS DIFERENTES EXPLICAÇÕES NA ORIGEM DAS COISAS


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Mitologia e filosofia são caminhos que buscam contar a origem do mundo e das coisas. Em certos momentos da história, a ideia de superar a mitologia era vista como uma evolução e que seguir a razão era o caminho certo. As diferenças de abordagem e metodologia são inúmeras, para começar a diferenciá-las é preciso saber o conceito de cada uma.
Mitologia, ou conjunto de mitos, é a narrativa que explica a origem do mundo e da humanidade. O mito explica a origem das coisas no passado através de alianças e rivalidade entre divindades. Contém três funções: a função explicativa, umas causas no passado em quais os efeitos permanecem; a função organizativa que legitima um sistema de permissões e proibições; e a função compensatória que busca mostrar que os erros do passado foram corrigidos.
A filosofia estuda os problemas relacionados ao conhecimento, existência e verdade. Somente após certas mudanças na sociedade como o invento da moeda e da democracia que o mítico passou a ser questionado e a maneira de pensar mudou os critérios, começando a dar ênfase para os argumentos mais racionais. A filosofia tem a conotação de conhecimento seguro, de verdade.
As principais diferenças são: a mitologia narra coisas passadas, não se importa com contradições e o incompreensível, e narra à origem através das rivalidades e alianças das divindades; enquanto a filosofia busca passar a ideia de como e por que do passado, presente e futuro, como as coisas são no todo, explica a origem das coisas por elementos e causas naturais, e não aceita explicações incompreensíveis, exige coerência e lógica.

12.152 – Física – Conheça o “martelo de Thor”, o acelerador que reproduz as condições existentes no núcleo da Terra


O nome Thor, o temido deus do trovão da mitologia nórdica, foi escolhido pelos cientistas do Sandia National Laboratories, nos EUA, para batizar sua última criação: um acelerador preparado para estudar materiais em condições extremas e que reproduz a pressão existente no núcleo da Terra, algo equivalente a 1 milhão de atmosferas.
Uma das principais vantagens do chamado “martelo” de Thor sobre seus antecessores (como, por exemplo, a Máquina Z, dos mesmos criadores) é que ele é muito menor, já que ocupa somente 600 m². Graças ao seu campo magnético, parecido com o do centro da Terra, Thor permitirá analisar a resistência e os efeitos desse tipo de pressão sobre diversos materiais.
Outra das vantagens que garantirão a eficácia desse novo acelerador é que sua tecnologia moderna evitará qualquer tipo de perda de energia e utilizará centenas de novos e pequenos capacitores. Desse modo, após 20 anos de atividade, a Máquina Z será substituída por Thor, que, embora não seja mais potente, é muito mais prático e preciso.

11.365 – Mitologia Grega – Penélope


penelope
Penélope era esposa de Ulisses, filha de Icarius e Periboea. Esperou por Ulisses mais de vinte anos: antes, durante e depois da guerra de tróia e mesmo sendo muito cortejada, nunca duvidou que seu esposo voltaria para ela.
Seu pai Icarius pediu para que se casasse novamente e ela, como queria continuar esperando por seu esposo, disse que se casaria quando terminasse de tecer uma colcha. Então, durante o dia ela tecia e durante a noite ela desmanchava.
Assim o fez até o dia em que uma das servas descobriu o que ela fazia e assim teve que terminar a colcha. Penélope teve a idéia de propor ao seu pai que se casaria com quem conseguisse atirar uma flecha da forma como Ulisses atirava, nenhum pretendente conseguiu até que Ulisses disfarçado de mendigo matou todos os pretendentes e voltou para Penélope.

11.049 – As Verdades inconvenientes sobre Astrologia


astro

A ciência prova: não há relação entre o passeio dos astros e a sua vida.
Quando Susan Miller, a astróloga mais popular do mundo, contraiu uma infecção intestinal no final de abril, milhões de seguidores ao redor do planeta ficaram sem futuro. Susan atrasou as previsões para maio e gerou comoção internacional. “Melhoras, Susan Miller!”, desejavam os leitores americanos nas redes sociais. Veículos brasileiros cobriram a doença da astróloga como se fosse uma celebridade local, enquanto ela tuitava boletins de hora em hora sobre seu estado de saúde: “Preciso dormir. Estou trabalhando na previsão para Aquário, amanhã terminarei Peixes. Estou muito cansada para continuar, me sinto muito fraca. Eu não vou desistir”.
Mesmo se você não acredita em horóscopo já deve ter ouvido falar em Susan Miller. Ela não é qualquer uma: seus horóscopos gratuitos atraem 6,5 milhões de visitas ao mês, aparecem em dezenas de publicações e permitiram que ela escrevesse nove livros sobre o assunto. Se você curte astrologia, provavelmente é fã – suas leituras são famosas por serem precisas, a ponto de indicarem datas propícias para comprar eletrônicos ou cortar o cabelo. Ela é tão eficiente que, já em janeiro deste ano, havia alertado para o mês catastrófico que abril seria, com um eclipse lunar monstruoso em 15/4. Não deu outra: numa profecia autorrealizável, Susan Miller quase morreu com o que ela mesma previu.
A astrologia é imensamente popular. No Ocidente, estima-se que uma em cada quatro pessoas acreditem no poder dos astros. De acordo com uma pesquisa da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, em 2012 metade dos americanos afirmou que astrologia tinha base científica, o número mais alto desde 1983. Isso pode explicar o sucesso de figuras como Susan Miller nos últimos anos, e o aumento na procura por mapas astrais e consultas a astrólogos. A crença de que o movimento dos corpos celestes não apenas influencia as nossas vidas, como pode prever nosso futuro, vai bem, obrigada.
O sucesso da astrologia não é de ontem. Nem de anteontem. Ele tem raízes profundas nas origens do conhecimento humano.
Roma, meia-noite de 17 para 18 de setembro do ano 96 d.C. O imperador Domiciano se virava na cama coberto de suor, ansioso demais para dormir. De acordo com uma previsão astrológica feita quando ele ainda era garoto, a hora do seu fim estava próxima: às cinco da manhã ele estaria morto, vítima de uma facada fatal. Domiciano levantou e tentou manter a calma. Lembrou-se da vez em que tentou provar que astrologia era bobagem, quando chamou à sua corte o astrólogo Ascletário e ordenou: “Adivinhe a causa de sua própria morte”. Ascletário consultou os planetas e concluiu que acabaria comido por cachorros. Para contradizer a previsão e mostrar que estava no controle, Domiciano o matou ali mesmo e mandou seu corpo para a pira funerária. O que o imperador não esperava é que cachorros acabariam atraídos pelo cheiro de carne queimada e devorariam os restos mortais de Ascletário – como ele previra. Daí a insônia de Domiciano.

Quando o sol raiou, perguntou o horário. Seis horas. Respirou aliviado: tinha sobrevivido à profecia! Animado, recebeu um amigo que trazia uma mensagem. Enquando lia o recado, Domiciano foi esfaqueado pelo amigo e morreu. Eram cinco da manhã. Um conspirador havia mentido sobre as horas.

Claro que nem todas as previsões astrológicas da história são tão precisas quanto essa. O causo da morte de Domiciano pode ter sido embelezado ao longo dos séculos para ficar mais redondinho. Mas o que dá para apreender daí é a importância que os astros tinham na vida das pessoas nos milênios passados. A astrologia que usamos hoje em dia teve origem na Mesopotâmia, atual Iraque, e depois foi adaptada pela Grécia Antiga e utilizada por toda a Europa. Setecentos anos antes de Cristo, os babilônios já haviam analisado os movimentos dos corpos celestes para determinar quais constelações faziam parte do zodíaco (o arco que o Sol faz no céu ao longo de um ano), quais pontos brilhantes eram as estrelas fixas e os planetas móveis, quais planetas surgiam a cada mudança de estação do ano, e por aí vai. Dessa forma, já haviam também preparado o terreno para o que usaríamos até hoje.

Astrologia vem do grego: “astro” = estrelas e “logos” = palavra. Ou seja, é a mensagem que as estrelas passam para nós. Durante muito tempo, astrologia e astronomia (a “lei das estrelas”) eram conceitos intercambiáveis – quem estudava um também manjava do outro. Johannes Kepler, descobridor das leis que regem a mecânica dos planetas, um feito astronômico, ganhava a vida fazendo mapa astral no século 16. Desde o final do século 17, no entanto, os dois ramos do conhecimento caminham separados. Hoje, a astronomia é a ciência que estuda o Universo com base em regras matemáticas – e não aceita a ideia de que os planetas possam ter qualquer relação com nossa vida.
Em um mundo incerto e amedrontador como o dos primórdios da civilização, qualquer forma de descobrir o que estava por vir podia significar a diferença entre a vida e a morte. A astrologia ajudava as pessoas a tomarem decisões, como quando partir para uma viagem, semear a colheita ou entrar em guerra. Isso era feito a partir do reconhecimento de padrões. Marte surgiu no horizonte no dia em que uma grande enchente aconteceu? Um sinal. A Lua estava minguante quando a batalha foi vencida? Um padrão. Ao longo de centenas de anos de observação, as coisas do céu foram ganhando sentido terreno. Para os babilônios e outros povos que procuraram respostas no alto, era como se os planetas estivessem enviando sinais. Daí o nome: signos.

Curiosamente, analisar as estrelas não era a única ciência usada para prever o futuro. O historiador Peter Maxwell Stuart, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, descreve em seu livro Astrology (sem edição brasileira) que os babilônios também acreditavam que recém-nascidos trouxessem recados sobre o futuro. Se uma mulher desse à luz um anão, a casa da família seria destruída; se parisse uma criança cega, aumentavam as chances de alterações climáticas. Especialistas analisavam as entranhas de animais sacrificados para tentar relacioná-las ao futuro: se o fígado do animal tivesse protuberâncias, era um presságio de anarquia no reinado. Ou seja, escapamos por pouco de ficar revirando miúdos de galinha para fazer previsões.

O interessante é entender como os babilônios traçaram as regras gerais para a sua – e a nossa – astrologia. Primeiro, pegaram um conhecimento histórico antiquíssimo, provavelmente ainda da Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C.), que era a divisão do céu em grupos de estrelas – as constelações. Vale lembrar que as constelações não fazem sentido físico – as estrelas podem estar próximas vistas aqui da Terra, mas situarem-se a milhares de anos-luz umas das outras. O que os antigos fizeram foi ligar os pontos desses conjuntos imaginários em formatos que se parecem levemente com alguma coisa aqui da Terra – um leão, uma cobra, uma balança etc. É como enxergar figuras em nuvens.

Em seguida, os babilônios analisaram o caminho do Sol no céu, e observaram que ao longo de um ano ele passava por aproximadamente 12 constelações (eram 13, na verdade, mas arredondaram para a conta ficar mais fácil). Assim, dividiram o céu em 12 faixas de 30 graus, para fechar os 360 graus de um círculo. Cada uma dessas faixas é o que chamamos de signo. Como era de se esperar, o Sol não passa exatamente um mês em cada constelação: fica 45 dias em Virgem, por exemplo, e só sete dias em Escorpião – deram uma arredondada aqui também.

Ou seja, a astrologia analisa a passagem do Sol, da Lua e dos planetas em frente a constelações aleatórias, formadas por estrelas aleatórias, divididas aleatoriamente em 12 faixas de aleatórios 30 dias de duração cada, a partir de um ponto de vista aleatório no espaço: o nosso minúsculo planetinha Terra. (Entenda mais no quadro da página 34). Na prática, é como se formigas tentassem prever se vão ser esmagadas a partir do padrão das ranhuras na sola dos nossos sapatos, a única coisa que elas conseguem enxergar.Levando em conta essa aleatoriedade toda, dá para entender por que a ciência moderna tem tantas críticas em relacão à astrologia – o que não quer dizer que ela não sirva para nada. Mas vamos por partes.
Desde os anos 50, cientistas tentam provar a eficiência das leituras astrológicas – e os resultados não foram muito animadores. O mais famoso dos estudos, publicado na revista Nature ainda nos anos 80, pedia que pessoas tentassem reconhecer seu mapa astral a partir de três opções disponíveis. A performance foi abaixo da esperada: só um terço das pessoas acertou qual era o seu – exatamente o mesmo resultado que um sorteio daria. Fatores como propensão a suicídio, inteligência, taxa de divórcio, extroversão e sucesso também foram analisados em dezenas de estudos, mas a conclusão é sempre a mesma: não há correlação nenhuma entre a propensão a uma coisa e os dados astrológicos.

Pensando nisso, o holandês Rob Nannninga resolveu dar uma chance aos próprios astrólogos de desenvolver um teste à prova de falhas. O desafio era acertar a profissão de sete voluntários, baseado em seus dados astrais (data, local e hora de nascimento) e um questionário – que os próprios astrólogos puderam desenvolver. Para ficar mais fácil, as sete profissões também foram disponibilizadas de maneira que o trabalho era apenas atribuir a carreira certa a cada voluntário. Cinquenta astrólogos ajudaram a desenvolver o questionário, que acabou ficando com 25 perguntas pessoais e 24 perguntas de personalidade. A pedido dos astrólogos, datas importantes dos voluntários (casamento, divórcio, nascimento dos filhos etc.) também ficaram à disposição. Com todas essas informações em mãos, os 50 especialistas – alguns dos mais experientes da Holanda – tiveram dez semanas para chegar às suas correlações. Os resultados foram frustrantes. Nenhum astrólogo conseguiu relacionar mais de três pessoas a suas profissões, e metade não acertou nem umazinha. Mais do que isso: apenas dois astrólogos concordaram entre si – o resto escolheu combinações completamente diferentes umas das outras, indicando que nem os próprios especialistas concordavam na interpretação dos astros. De novo, o resultado final não foi diferente do que se as relações tivessem sido sorteadas no bingo.

Hoje, se você perguntar a qualquer cientista, ele vai ser enfático em descreditar a astrologia sem nem se preocupar em ser delicado. “É claro que ela não funciona. Ela é um retrocesso à Idade Média. Você gostaria de se tratar com a medicina ou a odontologia de 500 anos atrás? É óbvio que não”, diz Michael Shermer, fundador da Skeptics Society (Sociedade dos Céticos) e “inimigo” do obscurantismo.

Para a ciência, o problema está na própria premissa da atividade: a de que haveria influência dos planetas sobre os seres humanos. De fato, todos os corpos no Universo exercem algum tipo de gravidade sobre outros. O problema é que os planetas estão imensamente distantes de nós, longe demais para que possa haver alguma influência. Do ponto de vista das forças gravitacionais, a passagem do Sol pela constelacão de Aquário na hora do nascimento, por exemplo, é absolutamente irrelevante. Ou, como disse o biólogo e escritor Richard Dawkins em um artigo: “Um planeta está tão distante de nós que sua atração gravitacional sobre um recém-nascido seria anulada perto da atração gravitacional causada pelo tapa do médico”.
Outro problema básico para testar os mapas astrais está nos fundos falsos que a astrologia oferece. Ela é flexível demais para ser testada em laboratório. Se alguém nascido em Escorpião não se identificar com a descrição do seu signo, por exemplo, astrológos dirão que é por causa do ascendente. E, se não for o ascendente, será a Lua. Se não, o planeta na sétima casa, ou o retorno de Saturno, ou a fase da vida, ou qualquer coisa que o valha. Com tantas possibilidades de interpretação, é quase impossível provar que a astrologia está errada – pelo menos uma das opções vai estar certa. O mesmo problema surge nas formulações que ela oferece. Peguemos Susan Miller para Gêmeos no mês de junho: “luas novas abrem portas, e oportunidades surgirão para você” ou “a lua nova na primeira casa é um sinal de que você deveria estar pensando nas suas próprias necessidades” ou “você vai ter de trabalhar duro para entender uma nova tarefa que vai ser atribuída a você”. Com previsões tão abertas, fica difícil não se identificar com elas. O astrônomo Stephen Hawking, no livro O Universo na Casca de Noz, descreveu o problema: “Astrólogos sabiamente fazem previsões tão vagas que podem ser aplicadas para qualquer acontecimento”. Ou seja, não servem nem para serem provadas falsas.
Então por que tanta gente continua acreditando na astrologia se ela não tem nenhuma base científica? Primeiro, é importante traçar o perfil das pessoas que buscam a astrologia. Ao contrário do que cientistas podem fazer parecer, não se trata de pessoas desinformadas que vivem na Era das Trevas. Segundo o psicólogo australiano Harvey Irwin, seguidores de astrologia são tão inteligentes, críticos e ajustados quanto o resto da população. Se há alguma diferença entre os dois grupos, ela fica na criatividade – maior entre quem acredita na influência dos astros do que nos outros. “A literatura indica que a crença na paranormalidade tem relação com personalidades criativas”, escreve Irwin.

A pergunta a ser feita então é outra: como é possível que tanta gente saia satisfeita das leituras de seus mapas astrais, se a ciência já provou que eles não têm nenhuma relação com a verdade? Não é muita coincidência que capricornianos se considerem centrados e racionais justamente como o signo deles diz que eles devem ser? Boa parte disso tem a ver com o próprio cérebro humano.

Quem explica é o cético Michael Shermer. Para ele, a astrologia acerta nas previsões por causa de dois mecanismos psicológicos que todos nós temos: o viés de confirmação e o viés de retrospectiva. O primeiro descreve a nossa tendência a preferir informações que combinem com aquilo que já sabemos ou acreditamos. Isso explica, por exemplo, a grande identificação que sentimos quando lemos as características dos nossos signos. Como canceriana, lembro sempre da minha descrição como pessoa “sensível e artística”, mas ignoro que também deveria ser “possessiva e chorona”. Ou seja, reforço apenas as qualidades que quero que sejam verdadeiras. Já o viés de retrospectiva explica por que nos lembramos com mais facilidade dos acertos do que dos erros. Se Susan Miller disser que você fará uma viagem nas próximas semanas e isso de fato acontecer, você vai se lembrar de que ela acertou. E provavelmente vai esquecer que ela também havia previsto um aumento de salário, uma mudança de casa e uma briga com familiares. “Pessoas encaixam suas vidas nas previsões astrológicas, e não o contrário. Elas fazem as leituras vagas confirmarem os acontecimentos depois que eles ocorreram”, diz Shermer. O mesmo acontece em qualquer outro aspecto da vida. Você provavelmente se lembra muito mais dos palpites certeiros que deu no bolão da Copa do que da maioria dos erros que passaram batidos.

Graças a esses dois mecanismos cerebrais, pessoas têm a impressão que a astrologia acerta na mosca. De acordo com o que elas conseguem se lembrar, as descrições astrológicas estavam realmente certas. Isso leva a situações curiosas, como mostrou nos anos 60 o francês Michel Gauquelin. Para provar que o ser humano adora ler descrições de sua personalidade, enviou a 500 pessoas a interpretação de um mapa astral que supostamente as descrevia. O texto tinha frases como “você é caloroso”, “organizado” e “totalmente dedicado aos outros”. Resultado: 94% dos participantes disseram se identificar com elas. O que eles não sabiam é que todas haviam recebido o mesmo texto, baseado no mapa astral de um serial killer com 27 mortes no currículo.

Mas o principal motivo pelo qual a astrologia satisfaz seus seguidores é outro. Quem consulta um astrólogo geralmente está com alguma inquietação e gostaria de saber o que os planetas têm a dizer sobre isso. As incertezas costumam ser de cunho existencial: grandes decisões, tristezas, desilusões amorosas. Nessa hora, alguns céticos concluem que é melhor consultar os astros e tomar uma decisão do que não acreditar e continuar incapaz de decidir.

O astrólogo então reserva uma hora do seu tempo para entender o que está acontecendo, faz perguntas pessoais, entende o perfil psicológico do cliente. Só depois ele passa a ajudar a pessoa a lidar com os seus problemas. Todos os astrólogos consultados para esta reportagem conversaram longamente comigo e se preocuparam em saber quem eu era para tentar me ajudar. Posso confirmar que apresentaram habilidades interpessoais acima da média. Para eles, os muitos fundos falsos da astrologia – a leitura do signo, do ascendente, da Lua, os planeta espalhados pelas casas – são úteis. Servem como ferramentas para traçar o perfil psicológico das pessoas porque abarcam as mil facetas do ser humano. Todo mundo é um pouco sensível, um pouco racional, um pouco impulsivo, um pouco teimoso – e, para a astrologia, isso pode se manifestar no signo, no ascendente, na Lua. As milhares de possibilidades de interpretação ajudam o astrólogo a ajudar quem o procura. Assim, as leituras de mapas astrais são muito mais parecidas com sessões de terapia do que com consultas médicas. De fato, há diversos psicólogos que se utilizam dos preceitos astrológicos para desenvolver as suas sessões, como um ticket de entrada para a mente do paciente.

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10.013 – Mitos – As mentiras de pernas longas


As lendas urbanas giram em torno de elementos típicos da vida nas cidades, em oposição às velhas lendas folclóricas, que têm como cenário a natureza ou ambientes rurais. Segundo quem se dedicou a estudar o tema, elas não surgem por acaso e, como todo boato, sua origem dificilmente pode ser identificada.
A história da loira que há décadas apavora crianças de norte a sul do Brasil é simbólica. Supõe-se que o banheiro tenha sido escolhido como local das aparições da moça por tratar-se do único lugar de uma escola em que o estudante tem privacidade, o que significa estar mais sujeito a “desvios de comportamento”. Se há um jeito de fazê-lo sair correndo de lá para diminuir os riscos, tanto melhor.
Há também lendas urbanas com motivação comercial – algo que muitas vezes se confunde com ideologia política, uma vez que determinadas corporações se tornaram ícones do capitalismo. Relatos desse tipo têm o objetivo claro de abalar a credibilidade de uma marca ou reduzir o consumo de um produto. “Os líderes de mercado são sempre os mais atingidos”, diz um professor especialista em mercadologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além do boato de que seus sanduíches contêm minhocas como ingrediente, o McDonald’s foi alvo de uma onda recente de boatos sobre a morte de uma criança picada por cobras na piscina de bolinhas. Em uma comunidade do Orkut destinada a discutir lendas urbanas, pessoas de diferentes regiões do país relataram ter ouvido a mesma história, mas cada uma se referindo a ela como se tivesse ocorrido em sua cidade – exemplo de como a difusão de uma lenda urbana pode ter progressão geométrica.

Mentiras da Internet
Ambiente em que verdades, meias-verdades e mentiras se confundem o tempo todo, a internet acelerou a velocidade da difusão de notícias – verídicas ou não – e tornou-se o hábitat perfeito para as lendas urbanas. Se antes essas histórias eram contadas para um pequeno grupo de amigos reunidos ao redor de uma fogueira, hoje podem atingir milhares de pessoas em questão de minutos, incluindo desconhecidos e gente que mora a centenas de quilômetros de distância. “A internet trouxe um poderoso elemento para convencer as pessoas: a possibilidade de ilustrar qualquer história com imagens”.
Foi graças à força das imagens que o caso dos gatos-bonsai disseminou-se rapidamente pela rede em 2000, gerando uma onda de protestos e abaixo-assinados ao redor do mundo. Era a história de uma empresa de Nova York que estaria criando gatos dentro de garrafas para limitar o crescimento e vendê-los a preço de ouro. Quem duvidasse poderia conferir, no site da empresa, fotos dos bichanos espremidos dentro das garrafas. Contudo, quase ninguém se preocupou em ler os textos que acompanhavam as imagens. De tão absurdos, deixavam evidente tratar-se de uma brincadeira – incluindo as fotos, montadas.

A maioria das lendas urbanas sucumbe rapidamente, mas as “melhores” têm grande capacidade de adaptação e de resistência ao tempo. Em 1999, quando o governo lançou a campanha de vacinação de idosos contra a gripe, ouviu-se a versão de que se tratava, na verdade, de um projeto de extermínio de velhinhos para reduzir rapidamente o déficit da Previdência Social. Trata-se do mesmíssimo enredo transcorrido um século atrás, em 1904, quando correu o boato de que a vacinação obrigatória contra a varíola, proposta pelo sanitarista Oswaldo Cruz, escondia o plano de acabar com a população pobre do Rio de Janeiro. Boato que acabou sendo o estopim da Revolta da Vacina, que durou três dias e deixou 23 mortos, 67 feridos e causou quase mil prisões – prova de que as lendas urbanas nem sempre são inofensivas.

A quadrilha que rouba rins
Em uma festa, um jovem aceita uma bebida oferecida por uma mulher atraente e desmaia pouco depois. Quando acorda, está em uma banheira, com o curativo de uma cirurgia nas costas. Assustado, liga do celular para um amigo médico, que afirma sem titubear: “Você foi mais uma vítima da quadrilha que rouba rins. Só nesta semana tivemos no hospital quatro casos iguais ao seu.”
Encontro macabro
Um homem dirige por uma estrada deserta à noite. De repente, surge uma mulher com gestos desesperados. Ele pára e a mulher pede ajuda para tirar o bebê dela de dentro de um carro acidentado logo adiante. Pouco antes de chegar ao carro, o homem olha para trás e não vê mais a mulher que lhe indicava o caminho. Em seguida, encontra o bebê vivo no banco de trás e uma mulher ao volante, morta – exatamente aquela que havia lhe pedido ajuda na estrada!

10.012 – Mitos Sobre O Fim do Mundo


Dilúvio universal
Curiosamente, o principal mito planetário que envolve a ideia de cataclismos não está relacionado a um porvir, e sim a um passado remoto. Informações sobre um grande dilúvio universal estão presentes nos relatos sobre o Noé bíblico, na tradição mesopotâmica, conforme narrado pelo épico Gilgamesh, em quase toda a costa ocidental africana e na maioria dos povos pré-colombianos das Américas. Entre os incas, havia a tradicional história do lavrador que, ao perguntar para sua lhama por que ela estava tão triste, foi aconselhado por ela a buscar com sua família os picos das montanhas mais elevadas, pois um grande dilúvio aproximava-se. Em todas essas histórias sempre surge um líder puro e sábio que tem o papel de recomeçar a obra divina após as inundações.
A Bíblia judaico-cristã fala sobre o fim dos tempos em seus dois blocos principais, o Velho e o Novo Testamento. No primeiro, temos a figura do profeta Daniel, que marca até hoje o imaginário ocidental com seus sonhos e visões sobre o final dos tempos. Ao lado dele, o Apocalipse de João, incluído no Novo Testamento, é um dos livros mais estudados por aqueles que se preocupam com o tema. Nos dois casos, temos uma descrição da destruição do mundo que será causada pelo comportamento inadequado da humanidade.

A batalha final
Mas os cataclismos podem surgir não só por conta do comportamento dos homens. A mitologia nórdica narra a história do Ragnarok, a última batalha entre os deuses e seus inimigos. Segundo essa versão, o futuro reserva para a humanidade uma terrível era em que armas serão empunhadas e destruídas, pais lutarão contra filhos, irmãos praticarão incestos e mães abandonarão maridos para seduzir os próprios filhos. Na superfície do planeta, o mar sairá de seu leito, a terra tremerá e homens morrerão em grande número. A boa notícia é que, depois de toda essa confusão, haverá um novo começo e uma nova oportunidade para deuses e homens. Para nossa sorte, as certezas de cataclismos sinalizadas por diferentes mitologias trazem também a promessa de um mundo novo sem impurezas. O único problema é que esse novo mundo é somente para os mais afortunados. A esperança que faz parte do imaginário de muita gente ao redor do globo, há milênios, é a de figurar entre os eleitos que escaparão dos destinos trágicos reservados à humanidade. Uma esperança que se confunde com o desejo de escapar da própria morte.

Gregos e hindus chegaram à mesma conclusão: o fim está próximo
Separados por milhares de quilômetros de distância, gregos e hindus produziram, na aurora de suas civilizações, o mito das eras da humanidade. No século 8º a.C., poetas gregos falavam de uma idade de ouro, uma época em que os homens viviam em harmonia. De forma similar, a Índia produziu a noção do Krita Yuga, uma idade áurea em que a sabedoria e a virtude eram dons naturais do homem. O segundo período, a idade da prata para os gregos ou Treta Yuga para os hindus, foi marcada pelo surgimento da violência, mas ainda assim homens gozavam de pureza. Já a idade de bronze, ou Dwapara Yuga, assinalou um distanciamento entre as duas visões. Para os hindus, virtude e mal se achavam em equilíbrio. Para os gregos, as rixas entre os homens levaram a exageros e muitos foram condenados a definhar no Hades, o reino dos mortos. A idade de ferro, ou Kali Yuga, seria o momento atual. Na visão oriental, é uma era marcada pela fome e pela guerra. Para os gregos, uma época sem justiça ou virtude. Em ambas as visões, nosso destino será a autodestruição. Quem viver verá. Ou talvez não.

9962 – As Sereias têm uma arma mais terrível que o canto: o seu silêncio


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O mais famoso episódio está na Odisseia de Homero, eram criadas no mar, canto seduzia os marinheiros, que acabavam por perder o rumo. Astuto, Ulisses tapou os ouvidos da tripulação e se amarrou no mastro. Os remadores seguiram adiante, surdos, enquanto o heroi, ouvia amarrado, o irresistível canto das sereias.
Tal poema não inclui a descrição física desses seres, sendo na imaginação moderna, mulheres com rabo de peixe, princesinhas submarinas. Na antiguidade, porém, a sereia não perdia em monstruosidade para o minotauro. Originalmente não tinha rabo de peixe, era metade mulher, metade pássaro. Foi lá pelo século 6 que surgiu a versão da mulher-peixe. Alguns bestiários medievais apresentavam a sereia em 3 versões, como híbrido de mulher com peixe, ave ou cavalo. A mulher-peixe, canta; a mulher-cavalo toca trompa; a mulher-ave, dedilha uma harpa. A música sempre tem a finalidade de fazer o homem adormecer, para que a sereia possa matá-lo. No folclore brasileiro há uma espécie de sereia de água doce, a Iara.
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9801 – Vampirismo não é só Mitologia


Drácula
Drácula

Vampirismo real consiste em uma parafilia na qual o indivíduo apresenta necessidade, que pode ser definida como obsessão, de sugar o sangue, tanto o próprio, quanto o de outras pessoas. Quando ocorre durante o ato sexual, esta condição pode ser considerada uma forma de sadismo.
A maioria dos indivíduos que sofrem com este distúrbio é do sexo masculino. O desejo pelo sangue surge, normalmente, pela ideia de que este fluído corporal é capaz de transmitir poderes que melhoram a vidam e, de acordo com especialistas, esta condição é desencadeada por um evento traumático, geralmente na infância, fazendo com que a perda de sangue ou sua ingestão passe a ser excitante.
Um caso na Turquia, relatado em 2013, estarreceu pesquisadores do mundo todo. Um rapaz de 23 anos iniciou o vampirismo cortando os próprios braços, peito e barriga, deixando o sangue escorrer para copos e, depois que os mesmos se enchiam, bebia-os com avidez.
Dentro de pouco tempo, o rapaz começou a sentir intensa necessidade de beber sangue, passando a atacar pessoas para obter seu objeto de desejo. Para evitar que o “vampiro” mordesse outras pessoas, seu pai passou a arrumar bolsas em bancos de sangue para saciar o desejo de seu filho.
Após pesquisas, os médicos descobriram que o rapaz havia passado por muitos eventos traumáticos alguns anos antes de iniciar a sede por sangue, como a morte de sua filha de dois anos, o assassinato de seu tio e um assassinato extremamente violento, no qual a vítima teve seu pênis e cabeça decepados. Os médicos acreditam que esses eventos podem ter desencadeado o vampirismo.
Poucos casos desta parafilia foram e ainda são descritos na literatura médica, e os relatórios publicados existentes referem-se ao que tem sido proposto como vampirismo, utilizando-se categorias oficiais de diagnósticos psiquiátricos como esquizofrenia ou como uma variedade de parafilia. Uma restrita quantidade de assassinos aparentemente executou rituais vampíricos sobre as suas vítimas.

9743 – A Mitologia Tupi-guarani


Todos os povos e civilizações possuem suas lendas e seus mitos, e não poderia ser diferente com os habitantes do Brasil antes da colonização. Havia entre as diversas tribos, muitos mitos, lendas e crendices, fato que é interessante de se estudar, pois explica muito do que permanece na cultura e folclore do Brasil.
O povo Tupi-Guarani acreditava em um deus supremo, que chamavam de deus do trovão e o denominavam “TUPÔ. Os índios acreditavam que a voz deste ente supremo podia ser ouvida durante as tempestades. O trovão eles chamavam de “Tupa-cinunga” e seu reflexo luminoso de “Tupãberaba” (relâmpago). Eles acreditavam que este era o deus da criação, o deus da luz, e sua morada seria o sol.

Acreditavam também em um deus do sol (Guaraci) e em uma deusa da lua (Jaci). O deus do sol seria o criador de todos os seres vivos (devido ao sol ser importante nos processos biológicos na natureza) e Jaci seria a rainha da noite e dos homens. Segundo a lenda, ela teria sido esposa de Tupã.

Além destes, havia a crença em outos deuses, tais como:

Anhum, o deus da música, que tocava o sacro Taré.
Rudá, o deus do amor, e Tambatajá, um deus de amor protetor de todos os perigos;
Caupé, a deusa da beleza;
Caramuru, o deus dragão, era ele quem ordenava as grandes ondas e revoltas dos oceanos.
Polo, o deus dos ventos, que seria o mensageiro de Tupã;
Sumá, a deusa da agricultura;
Jurará-Açu, a única deusa que podia entrar e sair livremente dos infernos, pois havia libertado o deus infernal. Ela teria sido castigada por Tupã, e transformada em uma tartaruga.
Além destes, havia diversos outros que até hoje são conhecidas figuras dos folclores e das lendas brasileiras, como Caapora (deus guardião dos animais), Tiriricas (deusas do ódio), Pirarucu (deus do mal, que mora no fundo das águas), Yara (deusa dos lagos), Curupira (protetor das matas) e Araci (deusa da aurora e das madrugadas).

A maioria destas crenças eram baseadas na observação da natureza e do céu. Os índios tinham astronomia própria e definiam o tempo da colheita, a duração das marés, o tempo das chuvas e através da observação do céu criavam histórias, mitos, lendas com ensinamentos morais, etc. Esta atividade de astronomia também serviu para que os índios determinassem muitas regras a respeito de suas atividades de caça, pesca e agricultura. Observaram também fenômenos como as fases da lua e as estações do ano.

Existiam, consequentemente, diversas lendas ou mitos, relacionando estes deuses e a criação do mundo e o comportamento da natureza. Os índios procuravam explicar o que observavam através destas lendas. Vejamos três delas:

Mito da Criação – Tupã, com a ajuda da deusa Araci, haveria descido à terra em um monte da região do Aregúa (Paraguai) e deste local, haveria criado tudo que existe (mares, florestas, animais, etc) e colocado as estrelas no céu.
Mito dos Primeiros Humanos – Os primeiros humanos criados por Tupã teriam sido Rupave (O pai dos povos) e Sypave (a mãe dos povos) e estes teriam dado origem a um grande número de filhas e a três filhos, chamados Tumé Arandú (o sábio), Marangatu (o líder generoso) e Japeusá (mentiroso), este último era ladrão e trapaceiro e teria se suicidado, porém foi ressuscitado como um caranguejo, e deste então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.
Mito da criação da Noite – Segundo esta lenda, nas aldeias de todo o mundo, era sempre dia, e os índios nunca paravam de caçar, e as mulheres de limpar e cozinhar. O sol ia do leste ao oeste e depois fazia o caminho contrário, do oeste ao leste, sempre sem nunca desaparecer. Um dia, porém, quando Tupã havia saído para caçar, um homem tocou no frágil Sol para saber como funciona, e o Sol se quebrou em mil pedaços. A partir de então, as trevas reinaram nas aldeias. Tupã, então, inconformado, recriou o Sol, mas este não voltava mais do oeste para o Leste, então Tupã criou a Lua e as estrelas para iluminar a noite.

9703 – A Mitologia Japonesa


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O Mito da Criação
Conta que os deuses haveriam convocado dois seres divinos à existência, um chamado IZANAGI (macho) e outro IZANAMI (fêmea), e haveriam lhes ordenado para que criassem seus primeiros lares. Deram a eles de presente uma lança decorada com jóias, a lança do céu, ou AMENONUHOKO. Assim, estas duas divindades seriam a ponte entre terra e céu. Izanagi e Izanami haveriam agitado o mar com a lança do céu e formado assim uma primeira ilha, a ONOGORO-SHIMA. Haveriam eles descido do céu por uma ponte e morado na ilha, onde tiveram filhos. Estes filhos eram porém imperfeitos, e não eram considerados deuses, eles colocaram os filhos em um barco, o qual foi arrastado pela correnteza. Tendo sido repreendidos pelos deuses por causa do seu erro, Izanagi e Izanami casaram-se novamente e deste casamento nasceram OHOYASHIMA, ou seja, as oito principais ilhas do Japão.

Segundo o mito, Izanagi e Izanami haveriam gerado ilhas e filhos de sua união, até que Izanami veio a morrer quando deu à luz KAGUTSUCHI, a encarnação do fogo. Este foi, porém, morto pelo pai encolerizado e a partir desta morte surgiram muitas outras divindades.

O Mito do Sol, da Luz e do Vento
Conta a história dos “kamis” que foram gerados a partir do banho de IZANAGI no rio. Entre eles, Amaterasu (sol), Tsukuyomi (lua) e Susanoo (mar).

A partir destas primeiras divindades mitológicas, é contada a história da criação do mundo, do Japão e dos demais elementos da natureza.

Os principais deuses conhecidos da mitologia japonesa são:

Shinigami – o deus da Morte;
Kagutsuchi, o deus do fogo;
Amaterasu, a deusa do sol;
Tsuki-yomi, o deus da lua;
Susanowo, o deus da tempestade.
Outro elemento interessante da mitologia japonesa são as histórias que envolvem as raposas (kitsunes). Para o folclore japonês, as raposas são descritas como seres inteligentes e até com capacidades mágicas. Muitos são os mitos japoneses, chineses, coreanos e até indianos envolvendo estes animais.

9446 – Mega Almanaque – O Armário de Davy Jones


Também conhecido como Priol de Davy Jones ou Baú de Davy Jones, é uma expressão usada para definir o fundo do mar como local de descanso dos marinheiros afogados e de quem morre no mar, funcionando como o eufemismo para a morte no oceano. Davy Jones seria o nome de um pirata considerado o mal supremo dos sete mares. No entanto, a origem do nome continua incógnita. Davy Jones pode ter sido um marinheiro sinistro e sobrenatural ou só uma definição mais estável dos temores dos próprios marinheiros.
O armário de Davy Jones é considerado purgatório de quem morre no mar. É nele que as pessoas enfrentam seus medos mais profundos, entre o céu e o inferno. A lenda diz que é o próprio Jones arrasta as almas até o fundo do mar. A lenda diz também que é possível ressuscitar, caso o morto saiba o caminho. A reputação de Jones e seu armário provocou muito medo entre os marinheiros, fazendo com que hesitassem ao entrar em maiores detalhes. No entanto, nem toda visão sobre a lenda é ruim. Em tradições associadas aos marinheiros que cruzam a linha do Equador, Davy Jones era um leal assistente do rei Netuno.
Ainda hoje persiste a dúvida acerca do motivo pelo qual o termo “armário” é utilizado para se referir ao local de descanso dos mortos no mar. A hipótese mais aceita é a de que Davy Jones seria o responsável pela morte de muitos marinheiros e, temendo as consequências de seus crimes, trancava tudo que pudesse incriminá-lo num armário de madeira. Porém, como a lenda afirma que as almas de quem morre em águas marinhas permanecem presas no armário de Davy Jones, é provável que o nome tenha surgido simplesmente porque um armário sirva para abrigar coisas, como o fundo do mar abriga a alma de todos que foram levados por ele.
O armário do Davy Jones também desempenha seu papel na cultura popular, já tendo aparecido até mesmo em um episódio do desenho Bob Esponja Calça Quadrada, exibido no canal Nickelodeon. A lenda também já foi mencionada na terceira parte da quadrilogia Piratas do Caribe, “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”. Neste filme, o pirata Jack Sparrow (Johnny Depp), após ser devorado pelo Kraken, uma terrível fera sob o poder de Davy Jones, precisa regressar do armário de Davy Jones nos confins da Terra e travar a batalha definitiva contra Jones, junto com Will Turner (Orlando Bloom), sua noiva Elizabeth Swann (Keira Knightley), o seu ex-inimigo Barbossa (Geoffrey Rush) e o Capitão Sao Feng (Chow Yun-Fat).
De acordo com etnólogos, a lenda de Davy Jones reflete a sociedade dos séculos XVII e XVIII, período da história no qual a pirataria era muito forte, e corsários ingleses assaltavam navios espanhóis que seguiam para a Europa abarrotados de ouro e prata vindos da América. Nesta época acreditava-se que o mar fosse um embarque para a morte. Na verdade, muitos marinheiros não retornavam por conta de navegações frágeis, despreparo das equipes de marinheiros, falta de alimentação decente, excesso de doenças perigosas. Ou seja, quem pudesse ver Davy Jones, no contexto da lenda, é porque já não estava no seu juízo perfeito, provavelmente atacado pelo escorbuto, muito comum nas tripulações naquela época.

9154 – Mitologia – A Espada Excalibur


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Chamada em galês de “Caledfwlch”, Excalibur é a lendária espada do Rei Artur. Segundo as histórias medievais e os romances britânicos, o monarca teria defendido a Grã-Bretanha contra invasores saxões no início do século 6. Há mais de uma versão para a história que explica como a poderosa espada teria chegado às mãos do rei. Segundo o poema Merlin, escrito por Robert de Boron no século 13, Artur teria conquistado o trono da Inglaterra ao retirar a famosa espada da pedra onde estava cravada, provando ser digno da coroa – este episódio da história do lendário rei pode ser visto em A Espada era a Lei, animação da Disney de 1963. Outros escritos apontam, no entanto, que Excalibur teria sido ofertada a Artur, quando já era rei, pela Dama do Lago – poderosa sacerdotisa de Avalon.

9153 – Mitologia – A Caixa de Pandora


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O mito de Pandora apareceu pela primeira vez no poema épico As obras e os dias, escrito por Hesíodo no ano 700 a.C. Mais de dois milênios se passaram desde então, mas a história não perde seu charme: segundo a mitologia grega, Pandora recebeu de Zeus um lindo recipiente com instruções simples: nunca abri-lo. Não é preciso ser um Deus do Olimpo para prever que esta história acabaria mal. Tomada pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa e de lá escaparam todos os males do mundo. Ops. Ao perceber o problema que havia causado, Pandora rapidamente fecha a caixa, mas tudo que restou nela é Elpis, o espírito da esperança. Apesar da conclusão do mito ser até hoje alvo de debate, a “moral” da história não envelhece: controlem sua curiosidade, crianças.

9033 – Mitologia Nórdica – Odin


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Se houvesse que dar valor ao mesmo tempo à força, à beleza e à originalidade nos nomes, o prêmio seria de Odin (furor). É a grande divindade escandinava, origem do mundo, dos deuses e dos homens. De belíssima sonoridade (nas línguas latinas lembra ode, canto solene de louvor) suas origens se perdem nas brumas nórdicas do tempo. Dizem os que sabem, que procede da raiz od do verbo vada, e que encerra a ideia de “espírito do mundo em que tudo flutua, e que desencadeia com sua ação a vida universal”. É uma espécie de deus total. O ideal panteísta elevado a sua mais alta perfeição.
Odin é o deus que organiza o mundo retirando-o do caos (feito o deus de Israel) e cria o primeiro homem e a primeira mulher (Ask e Embla) dotados da mesma alma de deus. É o deus da guerra, mas também da poesia, das ciências, das artes. Odin inunda tudo com seu espírito, governa tudo o que existe, até os outros deuses, que lhe devem obediência. Ele ajuda os heróis, lhes ensina a arte das armas, a sabedoria e a prudência. Ele os acompanha durante o combate e os protege de seus inimigos e, quando tais heróis chegam à velhice, Odin lhes concede a graça de não deixá-los morrer na cama, mas lutando. Protege a organização social, vinga o assassinato, vela pelo cumprimento dos juramentos e dos pactos, afugenta o ódio, os maus pensamentos e o tédio.
Odin é representado como um venerável ancião de farta barba branca, com somente um olho, coberto por um chapéu que representa o céu, e um manto que representa a atmosfera com a qual se veste. Odin é assistido por dois corvos que representam a reflexão e a memória que o mantêm informado de tudo que acontece no mundo. O anel de Odin simboliza a benção da terra e sua fecundidade para a felicidade dos homens, além de representar a fecundidade do espírito. A lança de Odin simboliza a força e o vigor, seu cavalo (sleipnir), como o pégaso grego, os ventos cardinais.
Odin vivia em Asgard, no palácio de Valaskjálf, local que construiu para governar desde seu trono (Hlidskjálf) e, assim, poder observar os nove mundos. Era filho de Bor e Bestla e irmão de Vili e Vê. Odin era casado com Frigg (simbolizava a terra cultivada), Jörd (simbolizava a terra desabitada) e Ring (simbolizava a terra gelada). Dentre seus muitos filhos podemos citar Thor e as Valquírias (encarregadas de recolher os guerreiros mortos durante as batalhas).

8950 – Mitologia – As Lendas Urbanas


Alguns mitos ficam gravados para sempre no imaginário popular. Quem nunca teve medo de bebericar um drink desconhecido e acabar sem um dos rins numa banheira com gelo? Quando pequenos, apertávamos a descarga do banheiro diversas vezes gritando palavrões, simplesmente para poder conhecer nossa musa: a loira do banheiro com seu algodão no nariz. Ainda existem lendas urbanas midiáticas, estas ficam no limite entre a verdade e a mentira, criando cultos e seguidores. E.T. de Varginha, Chupa-Cabras e aparições de Nossa Senhora são algumas delas.

Na verdade, estas lendas urbanas, mitos e histórias fantásticas ganham fama por serem divulgadas no boca-a-boca, e, após a revolução digital, por e-mails, sites, entre outros. Frequentemente são contadas com a premissa de terem acontecido com “um amigo da gente” e são enviadas com uma série de alardes do tipo “cuidado, isso pode acontecer com você”.

Elas ultrapassam décadas sendo espalhadas com pequenas alterações, como diz a sabedoria popular: “quem conta um conto aumenta um ponto”. Algumas foram traduzidas e fazem parte da cultura de vários países, como no caso da loira do banheiro, lenda que causa arrepios em pessoas de todas as idades até hoje. A história é sobre uma doce garota que teria se suicidado ou sido assassinada dentro de um banheiro, então, com sua alma presa ao sanitário, às vezes resolve aparecer e assustar quem está fazendo suas necessidades.

A maioria destas lendas urbanas são baseadas em fatos reais, mas acabam sendo distorcidas ao longo do tempo. As características principais deste tipo de literatura são:

História sempre pequena, buscando o máximo de leitores com uma estrutura de fácil entendimento.
Busca autenticidade por meio de fatos, locais reais, personagens conhecidos e provas.
Todos que as contam geralmente dizem ter ouvido de alguém conhecido e procuram dar veracidade ao fato como se tivesse realmente vivido.
Entre as lendas urbanas famosas no Brasil destacam-se:

A loira do banheiro
A loira da estrada
Passageira fantasma
O roubo do rim
Bonecos assassinos
Os babás
O canavial

8709 – A Lenda das Sereias


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Sereia é um ser mitológico, parte mulher e parte peixe (ou pássaro, segundo vários escritores e poetas antigos). É provável que o mito tenha tido origem em relatos da existência de animais com características próximas daquela que, mais tarde foram classificados como sirénios.
Filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore, habitavam os rochedos entre a ilha de Capri e a costa da Itália. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os tripulantes dos navios que passavam por ali para os navios colidirem com os rochedos e afundarem.
Odisseu ( Ulisses ), personagem da Odisséia de Homero, conseguiu salvar-se porque colocou cera nos ouvidos dos seus marinheiros e amarrou-se ao mastro de seu navio, para poder ouvi-las sem correr o risco de atirar-se ao mar seguindo-as.
Na Grécia Antiga, porém, os seres que atacaram Odisseu eram na verdade, retratados como sendo sereias, mulheres que ofenderam a deusa Afrodite e foram viver numa ilha isolada. Se assemelham às harpias, mas possuem penas negras, uma linda voz e uma beleza única.

As primeiras sereias
Os relatos mais conhecidos vem da antigüidade clássica, sendo o episódio mais famoso aquele na Odisséia, de Homero, onde Ulisses exausto depois de tantos anos tentando retornar à Ítaca, tem que atravessar a região onde ficavam as sereias. Graças aos conselhos da feiticeira Circe, Ulisses instrui sua tripulação para que o amarrem com força junto ao mastro de seu barco enquanto seus marinheiros deveriam fechar os ouvidos com cera. Dessa maneira Ulisses passa incólume e por fim volta para casa. Dessa experiência fica-lhe o sofrimento e o desespero vividos enquanto estava preso ao mastro, escutando e sentindo o canto e os encantos daquelas mulheres.
Outro episódio importante é o de Orfeu que embarca com a expedição dos Argonautas e no encontro com as sereias se põe a cantar de tal forma e com tal encanto que consegue superar o fascínio do Canto das Sereias. Nessa passagem apenas um dos tripulantes, Butes, não resiste e se lança ao mar para uma morte certa, sendo no entanto salvo por Afrodite e alcançando assim um destino mais feliz.

Apesar de haver variações, três são consideradas as sereias da antigüidade clássica: Leucotea (a deusa branca), Ligia ( a de voz clara) e Parténope (a virgem). A questão da paternidade das sereias não é muito questionada e em geral considera-se que Aqueloo, a mais antiga divindade fluvial do Ocidente, seria o pai das sereias. Já sua maternidade é bastante controvertida. Segundo uma das versões, Aqueloo tem um corno arrancado por Hércules na disputa por Dejanira. Das gotas do sangue derramado teriam nascido as sereias. Fato curioso este, pois esta narrativa se aproxima muito daquela que descreve o surgimento de outras figuras femininas importantes como Atená e Afrodite, cujos nascimentos também ocorrem sem intermediação materna. Em outras versões elas seriam filhas de Aqueloo e da Musa Melpômene, Estérope, ou Terpsícore.
Acompanhando o estudo de Meri Lao (Las Sirenas, 1985), encontramos referências sobre a morfogênese das sereias em três versões que expressam bem a ligação entre elas e o mundo feminino arcaico, nas seguintes passagens: a primeira conta que as sereias haviam se atrevido a competir em canto com as Musas, as quais lhes arrancam as penas sem piedade para utilizá-las como coroas. Em outra passagem Afrodite as teria castigado dando-lhes forma de pássaros devido à sua recusa em unir-se com mortais ou com divinos. Em outra versão as asas das sereias estão associadas ao mito de Deméter e sua filha Kore-Perséfone. Como ninfas do séquito de Kore, Deméter as teria transformado em aves como punição por não terem evitado o rapto de sua filha por Hades. Além disso, as sereias são frequentemente descritas como fiéis a Perséfone, intercedendo junto a ela em favor dos mortos através de cantos fúnebres. Nesse sentido podemos entendê-las como seres que conhecem e participam dos Mistérios e dos ritos sagrados de morte e renascimento.
Nesse percurso as sereias ganharam dois acessórios importantes que passaram a formar parte de sua representação simbólica: o espelho e o pente. Os pelos e os cabelos sempre estiveram associados à sexualidade e indicam atributos de natureza sexual. Cabeleiras hirsutas ou desgrenhadas são atributos de personagens tidos como indomáveis, loucos, lunáticos ou geniais e, assim como os pentes são utilizados para cardar a lã dos animais tornando-os mais atraentes, íntimos e convidativos, também são usados para “domesticar” os cabelos e domar a sensualidade animal.
Já o espelho nos fala da vaidade e da beleza, mas antes é instrumento que revela, ilude ou engana. Separa o virtual do real, e nos assombra mostrando mundos paralelos, infinitos, mágicos. O espelho é armadilha para aprisionar almas e sua ambigüidade é a mesma das sereias, que surgem no espelho d’água nos convidando a cruzar a fronteira entre dois mundos. Assim vemos que, onde quer que apareçam, Sereias, Iaras ou Iemanjás, carregam seus pentes e espelhos como parte dessa simbólica.

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Sereias no Continente Americano

É surpreendente a quantidade de histórias e lendas sobre sereias em continente americano, e vamos encontrá-las em lendas esquimós no Canadá, México, Brasil, Argentina e Chile, através de Iemanjá no candomblé, e nas lendas amazônicas sob a figura de Iara.
Entre os esquimós, Sedna é uma mistura de mulher e foca e é objeto de adoração entre eles através de cerimoniais de transe coletivo.
O mesmo aspecto de uma divindade importante no mito de criação de um povo, cultuada com rituais de transe e representada como sereias, vamos encontrar especialmente no Brasil nos rituais do Candomblé, na figura de Iemanjá.
Princesinha do Mar, Rainha do Mar, Rainha das Águas ou Dona Janaína, são alguns dentre os quase 30 nomes pelos quais é conhecida no Brasil. Seu nome deriva do iorubá Yèyé omo ejá, que significa “Mãe cujos filhos são peixes” (Verger, 1981, 190)
Camara Cascudo faz referência a sereias africanas como a Kianda, dos kimbundos e a Kiximbi, dos mbakas (Cascudo,L.C.,1948), mas é no Brasil que Iemanjá será identificada como Sereia, provavelmente por influência das lendas indígenas sobre a Iara. Existem muitas versões do mito de Iemanjá e as variações no culto se devem aos diferentes grupos étnicos de negros trazidos ao Brasil como escravos e aos modos de aculturação. O sincretismo com o cristianismo acabou por associar Iemanjá e a Virgem Maria nas figuras de NS da Conceição, NS das Candeias e NS dos Navegantes, principalmente nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Nas procissões Iemanjá é representada por uma linda sereia toda colorida e cuidadosamente adornada.
Na Bahia comemora-se a Festa de Iemanjá no dia dois de fevereiro com uma grande procissão marítima que começa de manhã bem cedo com a presença de milhares de fiéis, visitantes e curiosos. As “baianas” estão todas arrumadas, vestidas de branco, os barcos decorados e um clima de grande animação. Os barcos saem para o mar ao som de tambores, carregando seus fiéis e, principalmente, cestos de palha com oferendas para Iemanjá. A ela são oferecidos pentes, espelhos, perfumes, flores e bilhetes com pedidos que serão lançados em alto mar. Nesse momento as filhas-de-santo que estão no barco caem em transe. Finalmente os barcos regressam e no dia seguinte, se os presentes voltarem, acredita-se que o ano será ruim para a pesca, mas se Iemanjá aceitá-los então esse será um ano bom.

8708 – Mitologia – Lobisomens e vampirismo


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O lobisomem é um entre vários monstros associados ao vampiro na mente popular. Esse relacionamento foi em grande parte estabelecido nos anos 30 com a produção de dois filmes de lobisomem pela Universal Pictures, e a inclusão do lobisomem e do vampiro juntos em três filmes durante os anos 40. Por definição, o lobisomem é um ser humano que em várias ocasiões (geralmente na lua cheia), voluntária ou involuntariamente se transforma num lobo ou numa criatura parecida com um lobo, assumindo suas características, especialmente sua ferocidade. Intimamente ligada aos lobisomens havia uma doença, a licantropia, na qual as pessoas acreditavam estar se transformando em um lobisomem, quando na realidade isso não ocorria.
Lobisomens e vampiros têm sido relacionados como existindo lado a lado nas mitologias em muitas culturas, porém têm um relacionamento especial com a área dos Bálcãs do sul, de onde provém muita da mitologia vampírica. Esse relacionamento estava particularmente evidente no uso do termo vrykolokas (termo usado em muitas línguas eslavas) para descrever vampiros nos recentes séculos na Grécia. Em relatos de vrykolokas no sul dos países balcânicos havia uma certa confusão sobre o significado da palavra. No início do século 20 o pesquisador pioneiro Freidrich Krauss, trabalhando na Bósnia, concluiu que o vrykolokas (vukudlak, na Bósnia) era um lobisomem (isto é, um homem ou uma mulher que se transformava num lobo e atacava o gado).

Pesquisadores mais recentes como Harry Senn e Jan L. Perkowski têm argumentado que a palavra vrykolokas derivava de uma antiga palavra eslava relativa ao ritual de se usar peles de lobo entre as tribos eslavas durante o primeiro milênio da era cristã. Anteriormente, Mircea Eliade tinha observado que os dacianos, os povos que habitavam a região hoje conhecida como Romênia, e cujo nome significa “lobo”, transformavam ritualmente seus jovens guerreiros vestindo-os com pele de lobo e fazendo a mímica adequada. O historiador Heródoto descreveu esse comportamento entre os primitivos povos dos Bálcãs do sul. Na época o lobo era admirado como um animal guerreiro. Senn observou que durante os primeiros séculos do segundo milênio o papel do lobo mudava de um de admiração para outro de medo. O lobo tornou-se uma ameaça à comunidade porque atacava as pessoas e o gado.
No decorrer dos primeiros séculos do segundo milênio, o uso do termo vrykolokas perdeu seu significado ritual (como a imagem do lobo mudou e o próprio ritual desapareceu). De acordo com Senn, o ponto de referência dos vrykolokas foi transferido para o vampiro. Nos Bálcãs do sul (Romênia, Sérvia, Croácia, Grécia, etc…), ele substituiu o velho termo pelo vampiro. Perkowski enfatizou que havia um passo intermediário no qual o termo assumia uma referência mitológica para um ser que perseguia as nuvens e devorava a lua (Agnes Murgoci, trabalhando na Romênia durante os anos 20, descobriu referências contínuas a esse significado de vrykolokas). Uma transição adicional foi feita no século 16, na época em que vrykolokas estava passando a se referir a vampiros. Esse significado espalhou-se então pelos Bálcãs até a Grécia. Perkowski argumentou ainda ainda que o termo nunca se referiu ao lobisomem, conforme Krauss e outros têm sugerido. Entre os modernos romenos existe uma criatura parecida com o lobo, o tricolici (ou pricolici) um homem que pode assumir a forma de um porco, um cachorro ou menos freqüentemente a de um lobo.
A crença nos lobisomens aparentemente teve seu auge na Europa durante a Idade Média. Embora muitos se recusassem a acreditar que os lobisomens existiam, muitos acreditavam que a licantropia era causada pelo diabo. Os primeiros caçadores de bruxas, James Sprenger e Heinrich Kramer, autores em 1486 do livro Malleus Maleficarum, “O Martelo das Bruxas”, que iniciaria a grande caçada nos dois séculos seguintes, declararam que a transformação do homem num lobo era impossível. Acreditavam que bruxas e feiticeiras poderiam fazer com que a pessoa acreditasse que tinha se transformado num lobo. Houve no entanto, diversos julgamentos contra pessoas acusadas de “lobisominismo”.
O vampiro e o lobisomem parecem ter sido reunidos na tela pela primeira vez em The Return of the Vampire (1943), o filme de Bela Lugosi feito para a Columbia Pictures. A Universal juntou o vampiro (Drácula) e Wolf Man (personagem interpretado por Lon Chaney Jr.) em três filmes na década de 40: House of Frankenstein (1944), House of Dracula (1945) e Abbot and Costello Meet Frankenstein (1948). No primeiro filme Chaney procura uma cura para sua condição, que finalmente encontrou no segundo filme. No terceiro filem, de brincadeira, o Wolf Man juntou-se à equipe de comédia para evitar que Drácula (Lugosi) transplantasse o cérebro de Costello no monstro de Frankenstein. Seguiram-se outros filmes de lobisomens, em 1961 a Hammer Films fez o filme The Curse of the Werewolf, dirigido por Terence Fischer, que tinha feito The Horror of Dracula alguns anos antes. A Hammer, como a Universal, nunca tentou juntar Drácula e o lobisomem no mesmo filme.

Na televisão. duas criaturas foram reunidas na série Dark Shadows com um novo personagem de nome Quentin. No decorrer da história, foi amaldiçoado a se tornar um lobisomem, a primeira tranformaçao tendo ocorrido no Capítulo 752. A princípio Quentin e Barnabas Collins, o personagem vampírico, eram inimigos, tentando eliminar um ao outro. Entretanto chegaram ao entendimento de que eram afligidos pelo mesmo mal e ai começaram a trabalhar juntos.

A tentativa seguinte de juntar os dois personagens ocorreu em 1970 com Werewolf vs. Vampire Woman, de uma série que apresentava Paul Naschy como o Conde Waldemar Daninsky (o lobisomem) tendo como oponente a vampira/bruxa Condessa Waldessa. Um vampiro apareceu na quinta seqüência de Howling (série de filmes de lobisomem). Em Howling IV: The Freaks (1990), o vampiro rapta o lobisomem para servir de atração em seu show de excentricidades. O tema lobisomem também estava evidente em Dracula’s Dog (1977), história de um cachorro vampiro à solta em Los Angeles.
O lobisomem era uma figura antiga encontrada no folclore mundial. O relato mais antigo de um homem tendo se transformado em lobo veio da mitologia da Grécia antiga. Lycaon (daí a palavra licantropia) desagradou Zeus, tentando fazê-lo comer carne humana e a divindade o tranformou num lobo. Vários autores antigos, tais como Galeno e Virgílio, forneceram as primeiras descrições de licantropia, entretanto rejeitaram a mitologia e acreditavam que a transformação em animais era o resultado de uma doença provocada pela melancolia ou pelas drogas. Licantropia é uma doença naqual uma pessoa se transforma em um animal; como muitas cultural do mundo creêm. Esta crença vem da antiguidade e, normalmente, o animal mais perigoso de cada povo ( tigre, hiena, leopardo, rato, gato, urso e lobo ) está conectado à esta doença. Nos dias de hoje, a licantropia é discutida como alucinação e não transformação real da pessoa.
Da mesma forma, o “lobisominismo” tinha sido relatado em todo mundo, embora os animais nos quais os humanos se tranformavam eram bem variados, incluindo leões, tigres, tubarões e crocodilos – todos animais grandes e conhecidos por sua ferocidade. Relatórios contemporâneos de licantropia também provêm do mundo inteiro, tanto de áreas rurais como do moderno Ocidente.
A supertição do lobisomem prevaleceu na Europa medieval. Acreditava-se que a licantropia fosse uma maldição passada adiante na família, ou pela mordida de um lobisomem.
Como se tornar um Lobisomem
Não se sabe exatamente quando os Lobisomens apareceram. A primeira aparição deve ter ocorrido no século 5 a.C., quando os Gregos, estabelecidos na costa do Mar Negro, levaram estrangeiros de outras regiões para mágicos capazes de transformar a si mesmos em lobos. Os anciãos diziam que essa metamorfose tornava possível a aquisição da força e astúcia de uma fera selvagem, mas os Lobisomens retiam suas vozes e vislumbre humanos fazendo com que não fosse possível distingui-los de um animal comum. Por outro lado, a verdadeira e mais comum lenda dos Lobisomens nasceu em terras francesas.
De acordo com as lendas, existem quatro formas de alguém se tornar um Lobisomem. Elas vêm a seguir:

1: Pela própria maldição, resulta em o que é chamado de Lobisomem Alpha, que pode ser visto como o primeiro Lobisomem de uma grande família. O desafortunado indivíduo ganha a perversa maldição por ter desafiado ou destruído um poderoso mago. Ele irá perceber que está amaldiçoado na primeira noite de lua cheia, depois do encantamento. A primeira metamorfose é a mais traumática e uma completa surpresa.

2: Transmissão hereditária devido ao fato da criança do Lobisomem obter a mesma maldição de seu pai ou mãe. É exatamente o mesmo resultado de ser mordido por um Lobisomem. Se um Lobisomem decidir transmitir a maldição para outra pessoa, é suficiente que ele a morda. Mas normalmente, o Lobisomem irá considerar muito cruel amaldiçoar alguém dessa forma, então escolherá matar e devorar a vítima.

3: Sobreviver à um ataque: Se alguém for mordido e sobreviver, ele vai dormir bastante nas próximas semanas enquanto a doença se propaga por seu corpo. Com a primeira lua cheia, a vítima vai descobrir seu novo e maléfico potencial e um incontrolável desejo de sangue (não limitado à humanos).

4: Um método discutível de se tornar um Lobisomem é ser mordido por um Lobo que decide amaldiçoar um homem, por qualquer rasão. O princípio continua então como a maldição por mágica, não significando doença, mas metamorfose na primeira noite de lua cheia.

5: Outro modo contado para virar Lobisomem, é pela auto-indução. Neste caso, em busca de poderes sobre humanos, o homem se dedica a alguma espécie de ritual ou cerimônia ocultista para propositalmente tornar-se um lobisomem. Os casos clássicos incluem um banho de banha de porco sob a lua cheia ou espojar numa encruzilhada onde os animais façam espojadura.