12.636 – Revelada fórmula usada por Isaac Newton para tentar atingir vida eterna


Manuscrito revelado após décadas em coleção privada mostra interesse de físico por ‘estudos ocultos’ e receita de substância ‘mágica’ que converteria metais em ouro e nos faria jovens para sempre.

O texto, escrito à mão em latim e inglês, explica como criar uma substância chave para a lendária pedra filosofal (Foto: Chemical Heritage Foundation)O texto, escrito à mão em latim e inglês, explica como criar uma substância chave para a lendária pedra filosofal (Foto: Chemical Heritage Foundation)

O físico e matemático britânico Isaac Newton (1643-1727) entrou para a história como “pai da gravidade” por lançar as bases da lei da gravitação universal, inspirado pelo dia em que uma maçã caiu sobre sua cabeça em 1666.

Newton escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia em sua vida; a prática foi um dos muitos "estudos ocultos" que despertaram seu interesse  (Foto: Reprodução/TV Globo)Newton escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia em sua vida; a prática foi um dos muitos “estudos ocultos” que despertaram seu interesse (Foto: Reprodução/TV Globo)

Descobriu-se séculos mais tarde, contudo, seus “estudos ocultos”, que mostravam seu interesse por ciências além da física, como cronologia, alquimia, cabala e interpretação de textos bíblicos.

E dada sua boa reputação como inventor, não é de se estranhar que essa revelação, na década de 1930, tenha causado comoção.

A fascinação de Newton abrangia assuntos diversos, e não necessariamente científicos.

Agora, um novo manuscrito veio a público.

E envolve uma fórmula para a imortalidade, escrita à mão por Newton, em que descreve passos do preparo de uma substância “mágica” que converteria metais em ouro e nos faria jovens para sempre.

Tratava-se, na verdade, dos primeiros passos para a criar a chamada pedra filosofal.

Elixir da vida
A pedra filosofal é uma lendária substância da alquimia (química da Idade Média, que buscava o remédio contra todos os males físicos e morais) que conteria os segredos do rejuvenescimento, o elixir da vida e a imortalidade.

Diz a lenda que essa substância poderia ainda transformar metais em ouro ou prata.

A Bíblia e textos budistas e hinduístas mencionam a pedra filosofal, e alquimistas da Idade Média já a buscavam.

E Newton fez suas próprias tentativas no século 17.

Pelo menos é o que revela o manuscrito recém-publicado, que tinha ficado por décadas em uma coleção particular. A Fundação do Patrimônio Químico (CHF, na sigla em inglês), dos EUA, comprou o material em um leilão e fez a divulgação.

No documento, escrito em latim e inglês, o gênio britânico explica a receita do “mercúrio sófico” (ou mercúrio dos filósofos), substância chave no processo alquímico para produzir a famosa pedra filosofal.

Instruções que Newton aparentemente copiou de outro alquimista, o americano George Starkey, após fazer anotações, corrigir e reescrever o texto original.

Juventude eterna
“Esse manuscrito é importante porque ajuda a entender as leituras alquímicas de Newton, principalmente aquelas de seu autor favorito”, disse James Voelkel, da Biblioteca de História Química Othmer, nos EUA.

De acordo com Voelkel, o documento também traz provas de outra metodologia de laboratório de Newton.

O físico escreveu mais de um milhão de palavras sobre alquimia em sua vida.

E embora essa prática pré-científica não tenha o prestígio internacional da física, é inquestionável que ambas tiveram um papel relevante na vida de Newton.

No fim das contas, a alquimia contribuiu para o desenvolvimento da ciência moderna. E talvez agora a pedra filosofal não interesse tanto, mas continuamos procurando o segredo da juventude eterna.

E Newton, a sua maneira, conseguiu ser imortal.

11.494 – Oráculo de Delfos – Adivinhações, ou melhor, alucinações


O Oráculo
O Oráculo

O geólogo Jelle de Boer, da Universidade de Wesleyan, Connecticut, Estados Unidos, diz que agora tem certeza: as profecias do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, tinham mesmo origem em alucinações criadas por gases que escapavam da terra. O Oráculo era um templo que funcionou entre os séculos VII a.C. e III d.C. Lá, mulheres chamadas pitonisas encarnavam Apolo, o deus grego da música e da poesia, num transe que supostamente as ajudava a resolver toda sorte de problemas da população. Já havia a idéia de que os transes eram causados por emanações do subsolo. Faltava achar a fonte dos gases. De Boer encontrou duas falhas geológicas debaixo do templo. Terremotos podem ter aberto essas falhas em fendas. ”Então, rochas calcárias, comuns na região, liberariam gases alucinógenos, como metano, etano, butano e sulfato de hidrogênio”.

11.329 – As profecias mais arrepiantes de Rasputin, o Monge Louco


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Também conhecido como “Monge Louco”, Grigori Yefimovich Rasputin (1869-1916) foi um famoso místico russo de origem camponesa e baixa formação escolar, que exerceu uma influência enorme sobre a monarquia russa. Responsável por curas milagrosas, ele foi descrito historicamente como um ser espiritual, de faculdades extrassensoriais assustadoras e um dom especial para a premonição. Listamos abaixo cinco de suas previsões mais aterrorizantes.
• “O útero da mulher será como a terra dos rios; ambos serão estéreis. E isto será uma dádiva, pois o útero não estéril e a terra não estéril criarão monstros. Desventurado o dia em que o útero materno for comercializado – como se comercializa a carne dos bovinos. Nesses tempos, o homem, criatura de Deus, se transformará em criatura da ciência”.
• “Os venenos abraçarão a Terra como um amante fogoso. E, neste mortal abraço, os céus terão o hálito da morte, e as fontes não darão senão águas amargas, e muitas destas águas serão mais tóxicas que o sangue podre da serpente. Os homens morrerão por causa do ar, mas será dito que morreram do coração ou dos rins… E as águas amargas vão infectar os tempos como a cicuta, porque as águas amargas trarão tempos amargos”.
• “As plantas, os animais e os homens foram criados para ficarem divididos. Mas vai chegar o dia em que não haverá mais fronteiras, então o homem será meio homem e meio vegetal. E o animal será animal, planta e homem. Nesses campos, sem fronteira, vereis pastar um monstro chamado kobala”.
• “Quando as imagens voarem, aparecerá um fruto venenoso, e serão muitos que o comerão. E o fruto venenoso transformará os homens em animais, incapazes de levantar a cabeça aos céus… As imagens que voam consumirão as forças do homem, mas o fruto venenoso irá embriagá-lo. E quando tudo tiver terminado, o homem ficará mais cansado e destruído, mais faminto do que antes”.
• “O ar que hoje desce aos nossos pulmões para levar a vida levará um dia à morte. E chegará o dia em que não haverá montanha nem colina; não haverá mar nem lago que não esteja envolvido pelo hálito fétido da morte. E todos os homens respirarão a morte, e todos os homens morrerão por causa dos venenos suspensos no ar. As plantas ficarão doentes e morrerão uma atrás da outra. Os bosques se transformarão em um enorme cemitério, e, entre as árvores secas, vagarão, sem rumo, homens aturdidos e envenenados pelas chuvas venenosas”.

9368 – O que eram os oráculos?


O Oráculo
O Oráculo

Eram as respostas reveladas por meio de artes de adivinhação (divinatórias) a uma questão pessoal. O termo, porém, teve seu significado ampliado para designar tanto a entidade consultada como o intermediário humano entre a divindade e o questionador e até mesmo o local em que os oráculos se manifestam. Atualmente, “oráculo” também pode designar um objeto ou método usado para obter esclarecimentos sobre assuntos específicos (tarô, por exemplo). Embora haja registros de consultas a divindades para adivinhação desde a Antiguidade, foi na Grécia que a prática ganhou status de culto nacional, com templos dedicados exclusivamente a práticas divinatórias. Um dos mais ricos e frequentados era o templo de Delfos, em que Apolo era consultado por uma sacerdotisa apelidada de pitonisa (serpente). Os rituais em Delfos duraram até a ascensão do cristianismo como religião oficial do Império Romano, que a essa altura já dominava a cidade.
Acredita-se que a pitonisa pronunciasse as respostas em versos semelhantes aos usados nos poemas Ilíada e Odisseia, de Homero.

Adivinhações ou Alucinações?
No seu auge, o templo era frequentado por cidadãos comuns e por governantes gregos e estrangeiros. Para furar as longas filas, os figurões pagavam bem. Tanto o povão como os fura-filas sacrificavam uma ovelha ou uma cabra antes de entrar no templo. As entranhas dos bichos eram examinadas por sacerdotes em busca de sinais proféticos.
Antes do ritual, a pitonisa descia até uma câmara subterrânea e inalava vapores sagrados para entrar em contato com Apolo. Historiadores divergem em relação à transmissão dos oráculos: as respostas seriam transmitidas pela profetisa aos visitantes com palavras enigmáticas ou interpretadas e repassadas aos peregrinos pelos sacerdotes.
O estado alterado em que a pitonisa recebia e declarava as revelações pode ter uma causa nada sobrenatural. Ao analisar rochas e fontes de água de Delfos, o geólogo holandês Jelle de Boer notou a presença de etano, metano e etileno. Essa combinação gasosa e narcótica subia por fendas no solo sob as quais o templo foi construído.
Uma das falhas geológicas estava alinhada com fontes de água e havia até uma nascente abaixo do templo. A água escaldante, vinda de camadas profundas do solo, passava por uma camada de pedra calcária betuminosa, liberando os vapores alucinógenos que faziam a cabeça da pitonisa.

9199 – Be a Bá das Religiões – Qual a origem da Estrela de Davi?


hexagrama

Não há registros da origem do tal hexagrama, chamado pelos místicos de “estrela de 6 pontas”.
O que se sabe é que ela já era conhecida na Índia por volta de 4 mil AC. Embora tenha ficado mais famosa como símbolo do Judaísmo, ela nunca foi de uso exclusivo dessa religião. Pode ser vista também na arte muçulmana e na decoração de muitas catedrais da Idade Média. O hexagrama sempre foi para vários povos, símbolo de proteção, representando a união do céu com a terra. O nome Estrela de Davi vem do hebraico Magen Davi, literalmente Escudo de Davi. Segundo a tradição, os soldados de Davi traziam no escudo o hexagrama para atrair proteção divina.
Só bem mais tarde, no século 17, a Estrela de Davi foi consagrada como símbolo oficial da comunidade judaica de Praga, atual República Checa. Dois séculos mais tarde, passou a representar o Judaísmo da mesma forma que a cruz representa o Cristianismo. O símbolo marcou também um episódio trágico no século 20: o nazismo alemão, que obrigou os judeus a usar, no braço, uma faixa com uma Estrela de Davi amarela para serem reconhecidos pelos soldados de Hitler.

7783 – Religião – O que é a Cabala?


Cabala

Qual a origem do Universo? Por que estamos aqui? De onde vem a vida? O que acontece depois da morte? Imagine se você pudesse fazer todas essas perguntas diretamente para a autoridade máxima no assunto. Isso mesmo: que tal ter uma conversa com Deus e ouvir dele todas as respostas? Agora imagine que as respostas já existem, e foram passadas de geração a geração por um grupo de sábios estudiosos, do início dos tempos até os dias de hoje. Pois essa é a definição da cabala: uma revelação feita por Deus para os homens, capaz de esclarecer todos os mistérios que rondam a humanidade.

No princípio, Deus criou os céus e a Terra. “Faça-se a luz”, e a luz foi feita. Depois, Deus criou o homem e o chamou Adão. Findos os 7 dias da Criação, o Senhor viu que tinha feito algo bom. O homem habitava o paraíso e tinha contato direto e constante com Ele. E daí Deus resolveu passar ao homem toda a sabedoria da cabala. “Adão conhecia a cabala”, dizem alguns praticantes. O assunto, porém, é controverso entre os próprios cabalistas. Teria o conhecimento da cabala sido passado de Adão a seus descendentes até Noé, depois até Abraão, Moisés e em seguida aos grandes mestres históricos, que selecionavam rigorosamente aqueles que estariam aptos a ser seus discípulos?
Cabala não é religião, autoajuda, superstição, magia, bruxaria, sociedade secreta, meditação, adivinhação, interpretação de sonhos, ioga, hipnose ou espiritismo, embora possa estar relacionada a todas essas coisas. Agora fica mais simples entender o que a cabala É: um conjunto de ensinamentos sobre Deus, o homem, o Universo, a Criação, o Caminho, a Verdade e coisas afins; uma revelação de Deus para o homem.
A cabala é uma forma de misticismo, pois ensina que é possível ao homem ter contato direto com esferas superiores da realidade, ou mesmo com manifestações do próprio Criador. Portanto, de um modo simplificado, a cabala é o misticismo judaico, ou a corrente mística ligada à tradição do judaísmo, para ser mais exato.

No grosso modo, a cabala está para o judaísmo assim como o gnosticismo está para o cristianismo e o sufismo está para o islã. Gnosticismo e sufismo são as correntes místicas ligadas respectivamente às tradições cristã e muçulmana. Como misticismos, essas 3 correntes têm muito em comum.
Se a cabala é um tipo de misticismo, talvez seja o caso de explicar: o que é misticismo? Em poucas palavras, é a crença na possibilidade de percepção, identidade, comunhão ou união com uma realidade superior, representada como divindade(s), verdade espiritual ou o próprio Deus único, por meio de forte intuição ou de experiência direta em vida. Na intenção de atingir esse tipo de experiência, as tradições místicas fornecem ensinamentos e práticas específicos, como meditação e aperfeiçoamento pessoal consciente.
Durante séculos, especialmente após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelos romanos, no ano 70, a sabedoria da cabala foi cuidadosamente transmitida “por mestres iluminados somente a pequenos grupos de seus discípulos mais brilhantes e inspirados”, conta Alanati. Os discípulos ideais eram homens maduros (mais de 40 anos), pais de família, de comportamento exemplar e ávidos por descobrir os segredos do Universo. Não eram muitos, portanto, aqueles que se tornavam mestres e davam continuidade à transmissão do conhecimento oral.
Para boa parte dos cabalistas, as restrições tinham uma razão clara: o público não estava preparado para receber esses ensinamentos.