13.249 – Em Marte Cedo ou Tarde – Astronomia: O plano da Nasa para ir a Marte


missão Mar te
Durante o evento Humans to Mars 2017, realizado em Washington, a Nasa apresentou dados concretos sobre seu plano para levar astronautas a Marte na década de 2030.

FASE ZERO
O plano foi dividido em quatro fases e, no momento, estamos, adivinhe, na fase zero. Essa “pré-etapa” envolve testar tecnologias a bordo da Estação Espacial Internacional, que orbita a meros 400 km da superfície da Terra.

FASE UM
A primeira etapa para valer começa a partir de 2021 e se estende por quatro voos do megafoguete SLS, que deve realizar seu primeiro voo-teste em 2019. Cada uma dessas missões levará uma cápsula Orion com quatro astronautas às imediações da Lua, além de um módulo para a construção de uma estação que terá a função de servir como “porto espacial”. A Nasa está chamando essa nova estação de Deep Space Gateway e espera que ela esteja pronta ao redor de 2026.
FASE DOIS
O Gateway poderá apoiar exploração lunar — controlando robôs remotamente e mesmo sendo usado como ponto de partida para missões tripuladas ao solo –, mas sua principal função será servir como porto para o Deep Space Transport, o veículo interplanetário que deve transportar humanos até Marte. A segunda fase envolve uma missão tripulada de um ano com esse veículo nas imediações da Lua — um voo de teste dos sistemas –, em 2028.

FASE TRÊS
Confirmado o sucesso da nave interplanetária em manter uma tripulação viva e bem por um período de tempo longo, chega a hora do primeiro voo até Marte. Ele deve acontecer ao redor de 2033 e, entre ida e volta, consumir cerca de mil dias — quase três anos.

FASE QUATRO
Finalmente, chega o ponto em que pousaremos em Marte. Ainda não há arquitetura fechada para essa etapa final, exceto pelo fato de que ela envolverá, além da nave interplanetária, um módulo de pouso e ascensão marciano. Mas, para tudo isso acontecer, a Nasa espera conseguir parceiros internacionais que contribuam elementos tanto para o Gateway como para as missões marcianas.

 

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13.060 – Iglus podem permitir a presença humana em Marte


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Uma espécie de iglu, similar àqueles que encontramos no polo norte, pode ser a solução para a vida em Marte daqui a alguns anos.
O iglu marciano segue o mesmo princípio dos terrenos: criar uma barreira para proteger os moradores contra os agentes externos – no caso de Marte, a radiação letal emitida pelo sol e por outros astros.
O projeto, criado pela Nasa em parceria com laboratórios de pesquisa e design, é bastante simples: desenvolver uma oca inflável que pode ser preenchida com água. O líquido irá congelar rapidamente diante das temperaturas marcianas, que podem chegar a -140oC, e criar um ambiente que permita, por exemplo, viagens exploratórias ao planeta vermelho. Além de tudo, o material é leve e fácil de transportar.
A água é bastante eficaz no bloqueio e controle da radiação. Basta uma camada de cinco centímetros de gelo para manter os raios gama e ultravioleta a níveis seguros.
Será que teremos um condomínio de iglus marcianos nos próximos anos?

12.893 – Tá de Rosca – NASA descobre mais efeitos negativos da viagem a Marte para a saúde


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Com uma missão tripulada a Marte nos planos da NASA, a agência espacial está gastando muito dinheiro e tempo pesquisando os efeitos da viagem espacial prolongada no corpo humano e os resultados não são os melhores possíveis.
Um novo estudo descobriu que a viagem espacial vai afetar a coluna vertebral dos astronautas, causando atrofia dos músculos que suportam a coluna.
Os pesquisadores registraram aumento nas taxas de dor nas costas e doença do disco vertebral que tem sido associado com o voo espacial de longa duração. Os tripulantes usados nos testes passaram de quatro a sete meses em microgravidade e foram submetidos a exames de ressonância magnética da coluna antes e depois da missão.
Normalmente, os astronautas têm maior risco de sofrer com hérnia de disco durante os meses após um voo. No entanto, os exames mostraram atrofia muscular significativa da paravertebral durante o voo espacial, chegando a uma redução de 19% da área funcional do músculo. Além disso, dois meses depois da viagem apenas dois terços do músculo conseguiu se recuperar.

12.568 – Planos para a Missão Marte


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O primeiro passo para a colonização de Marte será dado em 2018. A SpaceX, empresa fundada pelo bilionário Elon Musk com o objetivo número 1 de estabelecer colônias marcianas, vai, a partir desta data, começar a enviar as naves para o planeta vermelho. Inicialmente, no entanto, elas não serão tripuladas.
Em entrevista ao Washington Post, Musk deu mais alguns detalhes sobre qual é o plano para estabelecer a humanidade em um novo planeta. Ele crê que haverá voluntários o suficiente quando chegar a hora de colocar pessoas de verdade em uma missão arriscada com grandes chances de ser uma viagem sem volta.
A ideia é apostar no mesmo espírito de exploração que os colonizadores que cruzaram o Atlântico na metade do milênio passado. “Assim como foi com o estabelecimento das colônias inglesas, as pessoas adoram isso. Elas querem ser as pioneiras”, conta ele. O que ele não diz é que, em muitas destas viagens colonizadoras, houve outros interesses além do “avanço da humanidade” e “pioneirismo”; a maioria foi em busca de riqueza além-mar, estabelecendo rotas de comércio, ou fugia de outras ameaças, como guerras.
De qualquer forma, esse momento de confiar no espírito aventureiro da humanidade vai demorar para chegar ainda, o que está planejado para acontecer apenas em 2025. Até lá, as missões não serão tripuladas.
As primeiras fases do plano envolvem enviar sondas e equipamentos para realizar experimentos em Marte. Estes primeiros voos têm como objetivo mais do que conhecer o terreno, e as informações coletadas serão usadas para garantir um voo seguro dos humanos quando chegar a hora. Elon Musk fala em estabelecer “rotas de carga para Marte”.
“Essencialmente, o que estamos falando é em estabelecer uma rota de carga para Marte. Você pode contar com isso. Vai acontecer a cada 26 meses, como um trem que deixa a estação. E, se os cientistas ao redor do mundo sabem que podem contar com isso, e que não vai ser caro comparado com qualquer coisa feita no passado, então eles irão planejar de acordo, e criar grandes experimentos”, afirmou Musk. A frequência de 26 meses não é acaso, e coincide com a época em que a órbita da Terra e Marte estão mais próximas.
Para chegar lá, a SpaceX vai usar suas espaçonaves Dragon, que usa um foguete chamado Falcon Heavy, que contém 27 motores de primeiro estágio. Ao ser lançado pela primeira vez, ainda neste ano, ele será o foguete operacional mais poderoso do mundo, com força equivalente a 18 aviões Boeing 747.
O histórico de missões a Marte não é muito bom, por enquanto. São 43 voos robóticos, com 18 pousos bem-sucedidos, e a nave Dragon é pelo menos 10 vezes maior do que qualquer outro objeto humano em Marte, o que também dificulta o pouso.
A expectative é que até 2020 já tenham sido enviados para Marte duas espaçonaves Dragon, repletas de materiais e experimentos. Em 2022, a empresa vai lançar o Mars Colonial Transporter, um equipamento para fornecer o essencial para colonizar o planeta. Em seguida, em 2024, o primeiro voo humano, com previsão de chegada em 2025.
A linha do tempo é bastante ambiciosa. E polêmica. Musk já foi criticado por muitos que acreditam que não há tempo suficiente para fazer os experimentos necessários para garantir a segurança de uma viagem tripulada em 2024. No entanto, se o foguete Falcon Heavy tiver sucesso em seu primeiro lançamento neste ano, as esperanças de cumprir o objetivo aumenta; senão, é bem provável que haja um atraso nesta linha do tempo.

12.129 – Experimento da Nasa quer testar o plantio da batata em Marte


batata marte
Quando a Nasa disser que pretende levar astronautas a Marte na década de 2030, mande-a plantar batatas. Ou, pelo menos, é o que o Centro Internacional da Batata, no Peru, já está fazendo.
A organização se emparceirou com a agência espacial americana para realizar um experimento que criará uma plantação de batatas num ambiente simulado que se assemelhe ao planeta vermelho, ainda que aqui na Terra.
O solo será retirado do deserto Pampas de La Joya, no Peru, que os pesquisadores acreditam ser uma aproximação razoável do que existiria em Marte.
O material será colocado numa estufa fechada contendo uma versão da atmosfera marciana, composta por 95% de dióxido de carbono.
“Estou empolgado de colocar batatas em Marte e ainda mais que possamos usar um terreno marciano simulado saído de tão perto da área onde as batatas se originaram”, afirmou Julio Valdivia-Silva, pesquisador do Instituto SETI (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), ligado à Nasa, que lidera a equipe científica do projeto.
Nativas de uma região na divisa do sul do Peru com o noroeste da Bolívia, as batatas são um dos alimentos mais nutritivos e calóricos que se pode plantar.
Por isso, podem ser uma importante fonte de energia para tripulações que tenham de passar longos períodos longe da Terra –como será o caso dos astronautas que no futuro explorarão Marte.
Aliás, uma plantação de batatas marciana foi exatamente a forma que o fictício astronauta Mark Whatney, interpretado pelo ator Matt Damon, encontrou para sobreviver no planeta vermelho, no filme “Perdido em Marte”.
Será que poderia funcionar também na vida real?

DESAFIOS
“Quando trabalhamos com simulação ambiental, é bem difícil mimetizar todas as condições ao mesmo tempo”, comenta Fabio Rodrigues, astrobiólogo do Instituto de Química da USP que não participa do estudo. “Por isso, é muito difícil prever o comportamento exato do objeto de estudo no ambiente real.”
Por exemplo, o trabalho do Centro Internacional da Batata com a Nasa não pretende simular os efeitos da radiação cósmica sobre as plantações –e em Marte, por conta da falta de um campo magnético global e da atmosfera rarefeita, isso pode ser um problema para plantações.

12.087- NASA suspende missão espacial que iria a Marte em 2016


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A NASA anunciou o cancelamento de sua missão espacial InSight, que tinha como objetivo medir e ouvir tremores em Marte para obter novas informações sobre o interior do planeta. A nave seria enviada em 2016, mas um instrumento de medição sísmica, feito por uma equipe francesa, apresentou problemas e não pode ser consertado a tempo.
Em 3 de dezembro, o laboratório JPL, responsável por grandes avanços de robótica para a NASA e organizador da missão, confirmou que havia um vazamento em uma esfera selada a vácuo que continha três sismômetros. Fornecido pela agência espacial francesa CNES, o instrumento – apelidado de SEIS – pousaria na superfície de Marte para capturar os sons emitidos pelo interior do planeta. Os esforços para reparar o vazamento não foram suficientes e, em 20 de dezembro, depois de uma bateria de testes, o instrumento vazou mais uma vez.
A notícia, é claro, abalou bastante a comunidade científica, uma vez que o experimento era bastante aguardado. Lisa Pratt, chefe de um dos comitês responsáveis por missões até Marte, definiu que a equipe responsável está “devastada”. E não apenas por conta da ansiedade de saber mais sobre o interior do planeta, mas também, é claro, por conta dos custos – que só aumentam quando uma empresa internacional entra na conta. “Ninguém deseja que uma parceria internacional tão vibrante como esta seja abalada dessa forma”, contou ela. A missão custaria 675 milhões de dólares e estava dentro do programa Discovery, que oferece missões de baixo custo e altamente competitivas. A InSight foi escolhida entre diversas candidatas; uma delas sugeria que uma nave fosse enviada à lua Titã de Saturno.
A organização espacial ainda não confirmou uma nova data de lançamento, mas estima-se que seja necessário esperar 26 meses para uma nova tentativa de envio, por conta das órbitas de ambos os planetas. É esperar para ver – e torcer para dar certo na próxima.

10.893 – Marte – Veja como será a primeira casa marciana


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Os planos de colonizar Marte, uma velha fantasia da ficção científica, estão cada vez mais próximos de se tornarem realidade. O engenheiro aeroespacial argentino, Pablo de León, venceu, em agosto passado, um concurso organizado pela NASA para projetar o primeiro protótipo de um habitat marciano. A ideia é desenvolver um ambiente parecido com uma casa, onde os astronautas possam tirar seus trajes e se sentir mais confortáveis.
De León explica que o local tem que estar preparado para suportar temperaturas muito frias, ar rarefeito, dióxido de carbono (que é altamente tóxico), radiação e a poeira marciana, que também inclui elementos tóxicos. O protótipo possui vários módulos independentes, alguns infláveis e outros rígidos, que serão utilizados como laboratórios, onde acontecerão as pesquisas científicas da missão. O módulo onde viverão os astronautas conta com pequenos dormitórios individuais, cozinha, banheiro e área de lazer. Além disso, há um centro de comunicações em contato com a Terra.
O projeto, que tem um orçamento estimado em US$ 1,3 milhão, será concluído em três anos e, em seguida, testado em território marciano, em missões que ocorrerão por vários meses. Depois dessa experiência, serão realizadas as modificações necessárias no projeto. A estadia em Marte será de 6 a 8 meses, embora a viagem completa leve 3 anos. A agência espacial americana planeja a primeira viagem tripulada ao planeta vermelho para 2030.

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10.841 – Água em Marte e Filme – Coincidência ou Conspiração?


De volta a Marte
De volta a Marte

Em uma cena do filme Perdido em Marte, o ator Jeff Daniel, que interpreta o diretor da Nasa, diz: “Quando alguma missão falha, as pessoas esquecem do por que voamos para o espaço”. A fala não é um conselho de mãe com roupagem astronômica. De fato, como escreveu o psicólogo americano Roy F. Baumeister, da Universidade da Flórida, em um artigo para o The Review of General Psychology, acontecimentos ruins têm um impacto maior do que os bons no nosso cérebro.

Por isso, não será surpresa se você sair da sessão do novo filme de Ridley Scott com três grandes dúvidas: 1) “Peraí, o Matt Damon desnutrido empurrou a tampa de um foguete de 400 kg com as costas?”; 2) “Os astronautas fazem reparações do lado de fora das espaçonaves, em órbita, sem nem uma cordinha para segurar? Eles não assistiram ao filme Gravidade?”; e 3) “Será que o longa é uma grande propaganda da Nasa?” Provavelmente, a resposta para a última questão é não, mas nem por isso deixa de fazer sentido.
Qualquer pessoa mais atenta deve ter achado estranho o fato de a agência espacial americana ter divulgado a existência de água em Marte exatamente na mesma semana do lançamento do filme. Seria possível que a Nasa tivesse segurado a informação para as pessoas ficarem animadas com a possibilidade de uma viagem tripulada ao planeta vermelho e, assim, conseguir apoio público para seus programas espaciais, esquecendo possíveis futuras falhas e mantendo a chama do glamur das viagens interplanetárias acesa em nossos corações? Ou melhor: será que tudo não passa de um golpe de marketing do filme? É nessa hora que o sensor interior de teoria da conspiração explode. Mas vamos aos fatos:

1) A Nasa já era fã do livro que deu origem ao filme, escrito por Andy Weir, e trabalhou na produção do filme para garantir a precisão científica da obra. Em entrevista à revista Wired, Weir comentou: “Eles adoraram o livro e viram a obra como uma oportunidade para engajar as pessoas nas viagens espaciais”. Isso quando eles nem sabiam que Matt Damon interpretaria um colega de trabalho.
2) Enquanto o mundo estava surpreso com a descoberta marciana, Ridley Scott bocejava. O diretor do filme afirmou ao jornal The New York Times que a Nasa já havia contado a ele sobre a existência de água em Marte há dois meses. Scott disse ainda que isso teria mudado o enredo do filme, se a produção já não tivesse acabado.
3) A coincidência já aconteceu antes. Algumas versões em DVD do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, contém extras com um discurso do escritor Arthur C. Clarke, autor do livro em que o filme foi baseado, no qual ele afirma: “Nas últimas semanas, os astrônomos estão animados com as frequências de rádio vindas de um ponto entre as estrelas Vega e Altair, que devem ter uma explicação natural, mas cujas características são tão extraordiárias que ainda não há nenhuma explicação plausível”. Ou seja, bem no lançamento de 2001, na década de 1960, a Terra estava recebendo ligações de ETs? Com uma notícia assim, não seria difícil encontrar pessoas animadas em ver um filme que tratasse do assunto.
4) A Nasa planeja enviar seres humanos a Marte e ela precisa de dinheiro público para isso. Sim, a agência é um órgão do governo, e, apesar da realidade americana ser bem diferente da do Brasil, ela precisa do dinheiro dos cidadãos para sobreviver. Caso a opinião pública se voltasse contra o órgão, como eles realizariam todas as cinco missões necessárias para conseguir enviar Matt Damon, ou qualquer outra pessoa, a Marte em 2030, conforme o plano?
Nem sempre a importância de se fazer investigações espaciais são evidentes. Nem sempre são óbvios os motivos que fazem um governo aumentar em U$ 6 bilhões a verba de um programa espacial (sim, Obama fez isso!), enquanto problemas graves acontecem na Terra. Logo, como afirmou o jornal The Guardian, se os cientistas da Nasa, a indústria cinematográfica e seus respectivos assessores de imprensa têm um interessem em comum — o qual, por sinal, diz respeito a toda humanidade e ao futuro dela — por que não?

11.456 – Churrasquinho em Marte?


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Sua presença no céu foi notada pela primeira vez por astrônomos do Egito antigo. Tempos depois, o filósofo e físico grego Aristóteles se deu conta de que às vezes o planeta vermelho se escondia atrás do Sol, o que indicava que estava mais longe da Terra do que se imaginava. Quanto mais se conhecia sobre astronomia, mais crescia o fascínio por Marte. As manchas escuras seriam a prova da presença de rios caudalosos, e muitos diziam que o planeta era habitado por seres inteligentes. A euforia se espalhou pela ficção científica e pela cultura pop. Hoje se sabe que nada daquilo era verdade — Marte é um lugar inóspito coberto por rochas vermelhas. Recentemente, no entanto, o planeta voltou a ganhar destaque nas páginas de jornais e de revistas científicas.
Pelo menos três sondas encontram-se neste exato momento na órbita de Marte para coletar informações sobre a atmosfera. Quatro anos após seu lançamento, o jipe Curiosity continua enviando informações importantes para a Terra, como a recente descoberta de gás metano saindo de um buraco, o que indicaria a presença de alguma forma de vida. E o mais importante: novas missões espaciais estão sendo desenhadas para levar o homem ao planeta — não só a passeio ou para estudos científicos, mas como sua segunda casa. Há muito se fala de colonizar Marte, é verdade, mas até pouco tempo o assunto parecia papo de ficção científica. Isso mudou: nunca estivemos tão perto de habitar de fato o planeta vermelho. “Vamos colonizar Marte, e não serão apenas alguns astronautas, mas milhares de pessoas”, disse a GALILEU o pesquisador Stephen Petranek, autor do livro How We’ll Live on Mars (“Como viveremos em Marte”, em tradução livre), que chegará às livrarias dos Estados Unidos em julho. “É algo inevitável e possível. Acredito que chegaremos lá em 2027.”
“O sistema solar não tem vida infinita; o Sol vai começar a morrer daqui a alguns bilhões de anos, e será o nosso fim”, disse Petranek. “Precisamos chegar a Marte e aprender a viver num ambiente hostil antes de conseguir sair deste sistema.”
A julgar pelas condições naturais, não será tarefa fácil: a atmosfera de Marte é composta por 96% de CO2. Para se ter uma ideia, com apenas 1% de dióxido de carbono no ar o ser humano começa a sentir tontura. Numa quantidade dez vezes maior, causa asfixia. Sem falar que não existe água na forma líquida na superfície. Ou seja, para sobreviver em solo marciano é preciso fazer uma série de adaptações que tornem a vida minimamente possível. Uma das invenções criadas com esse fim é o Moxie, aparelho produzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que transforma dióxido de carbono em oxigênio e que será testado in loco pela Nasa em 2020.
As ideias sobre colonização soariam disparatadas se Petranek não estivesse usando como fonte um dos mais surpreendentes empresários da atualidade, o bilionário Elon Musk. Aos 43 anos, o sul-africano já criou o sistema de pagamentos on-line PayPal; a Tesla, primeira montadora de carros elétricos de linha; e, mais recentemente, a SpaceX. Em dez anos de existência, a empresa espacial transformou-se na primeira companhia privada a mandar uma nave para a Estação Espacial Internacional, façanha realizada em 2012. Dois anos depois, ganhou um contrato bilionário da Nasa para desenvolver uma espaçonave que levará astronautas norte-americanos à estação em 2017. Com sede em uma cidade ao sul de Los Angeles e com o Google entre seus investidores, a SpaceX trabalha com relativo sucesso em foguetes reutilizáveis, algo essencial para diminuir os custos astronômicos da exploração interplanetária, um dos principais fatores que levaram a Nasa a deixar Marte de lado e optar por investimentos na estação e nos ônibus espaciais após a chegada à Lua, em 1969.

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Já para Musk, a única razão de ser da SpaceX é a chegada do homem a Marte. Ou melhor, homens, mulheres e tudo o mais que tivermos na Terra, como fábricas, lojas, restaurantes. Seu plano é construir uma frota de megafoguetes com capacidade para até 80 pessoas, chamados Mars Colonizer, e lançá-los regularmente com destino ao planeta vermelho a partir de 2030. Musk imagina 80 mil pes­soas viajando com destino a Marte a cada dois anos. “Francamente, fiquei chocado com sua ideia de sistema de foguetes para chegar lá”, disse Petranek. “Será um foguete de dois estágios. O primeiro bem pesado, e depois só um segundo estágio, que entrará em órbita e ficará acoplado à aeronave.”
Musk não é o único nessa jornada. Com um orçamento federal de US$ 17,6 bilhões, a Nasa também fez do planeta sua prioridade para os próximos anos e tem como meta mandar uma tripulação a Marte até 2035, seguindo diretrizes do presidente Barack Obama para que a agência desembarque astronautas por lá nas próximas três décadas. Russos, europeus e chineses também trabalham em projetos com destino a Marte.
A ambição de chegar ao quarto planeta do sistema solar é antiga. Desde os anos 1950, o lendário engenheiro Wernher von Braun (1912–1977), responsável pela criação do foguete que levou a nave Apollo 11 à Lua, descrevia planos de uma missão tripulada a Marte. As primeiras missões não eram tripuladas: na década de 1960, a Rússia investiu no lançamento da Marsnik 1. Fracasso total: a nave não conseguiu sequer atingir a atmosfera terrestre. Quatro anos depois foi a vez de os norte-americanos darem o troco com a sonda Mariner 4, que fez a primeira imagem de Marte e sepultou de vez a ideia de que o planeta era habitado por ETs. De lá para cá foram muitas missões — algumas com mais sucesso que outras (veja na página 48). Apesar da dificuldade, o ex-astronauta Buzz Aldrin, de 85 anos, tem esperança na colonização mar­ciana. “Marte tem muito mais a oferecer [do que a Lua]. É muito mais terrestre, tem estações do ano, uma atmosfera fina e um ciclo de dia e noite muito parecido com o nosso”, disse ele ao jornal The New York Times. “A Lua não é promissora para atividades comerciais.”
Para chegar a Marte, os astronautas terão de enfrentar uma viagem de oito meses que seria não apenas cansativa, mas perigosa. A Nasa vem fazendo vários estudos nos últimos anos para entender os efeitos do espaço no corpo humano. Em março, o americano Scott Kelly e o russo Mikhail Kornienko embarcaram numa missão inédita para passar pouco menos de um ano na estação espacial. O objetivo? Estudar os efeitos da ausência de gravidade por longos perío­dos no organismo.
Normalmente, cada residente fica cerca de seis meses no laboratório orbital, que tem o tamanho de uma casa de seis quartos, e volta para a Terra com uma série de problemas, como distrofia muscular e deterioração dos ossos (veja mais na página 44). Kelly, de 50 anos, será o primeiro norte-americano a ficar mais tempo, e traz uma curiosa vantagem para os testes realizados pela agência: ele tem um irmão gêmeo idêntico, Mark, que é astronauta aposentado e irá ajudar nas pesquisas da Nasa aqui na Terra, servindo de base de comparação para as dez tarefas a serem realizadas no período. O DNA dos dois será observado de perto para rastrear possíveis mudanças nos genes que controlam o sono, o stress e a atividade celular.
A busca pela colonização de Marte não é unanimidade na comunidade científica. Uma das vozes contrárias é a de Nathalie Cabrol, integrante do time da Nasa que organiza as missões a Marte com veículos exploradores e pesquisadora sênior do Seti Institute, organização dedicada a buscar sinais de vida fora da Terra. “Para mim, caras como o Musk parecem dizer o equivalente a ‘vamos fazer o que for preciso para subir o monte Everest, não importa quantos sherpas tenhamos que contratar para nos carregar até o topo, quantos corpos tenhamos que deixar para trás. Chegaremos lá primeiro, fincaremos nossa bandeira e tiraremos uma selfie’”, disse a astrobióloga num respiro entre palestras durante o TED, no qual se apresentou. “Não há salvação em Marte, que é apenas uma parte do nosso processo de crescimento para treinar a humanidade para tornar-se uma espécie interestelar.”
Nos últimos 13 anos, Nathalie fez diversas viagens ao deserto do Atacama, o mais árido e alto do mundo, no norte do Chile, para escalar vulcões e mergulhar em lagos inóspitos a fim de entender o desenvolvimento da vida em ambientes extremos, similares aos encontrados em Marte, o que acabou revolucionando nosso entendimento do que é de fato um planeta habitável.
Para a cientista, somos a única forma de vida avançada no sistema solar, mas isso não significa que não haja vida microbiana na vizinhança, como em Marte. “Não há vida possível na sua superfície hoje, mas talvez esteja escondida debaixo do solo. E, se alguém falar que procurar por micróbios alienígenas não é cool, lembre-se de que, às vezes, o que começou como um caminho microbiano pode ter terminado numa civilização.” Terra e Marte foram formados na mesma época, algo em torno de 4,5 bilhões de anos atrás. Sinais de vida, como bactérias primitivas formadas por moléculas orgânicas rudimentares, foram encontrados por aqui com até 3 bilhões de anos.

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O que aconteceu neste intervalo de 1,5 bilhão de anos é um enigma, e essa peça do quebra-cabeça poderia estar em Marte, que divide patrimônio geológico com a Terra e foi há dezenas de milhões de anos leito de grandes rios, lagos e oceanos, segundo evidências coletadas pelos robôs exploradores da Nasa. “É preciso dar tempo para a ciência provar. No dia em que você colocar humanos em Marte, acabou. A vida estará em Marte. E não falo dos bípedes que somos, e sim das fábricas de micróbios que somos. Micróbios são muito resilientes, eles sempre encontram uma maneira de sobreviver”, completa Nathalie. “Queremos responder a perguntas preciosas. Qual é a nossa origem? Estamos sozinhos no universo? E os micróbios podem nos contar algo importante, que dinheiro nenhum pode comprar.”
Em abril, uma nova descoberta do Curiosity animou as equipes que se preparam para realizar a viagem: água líquida abaixo do solo. Até então, acreditava-se que havia apenas geleiras, mas em quantidade suficiente para inundar o planeta. “Não é gelo incorporado ou misturado à terra, é um gelo bem limpo, puro. Foi algo incrível, não esperávamos”, disse a GALILEU a cientista Deborah Bass, geóloga especialista em água polar marciana do Jet Propulsion Laboratory, um centro de pesquisa da Nasa no sul da Califórnia, criadora do Spirit e do Curiosity.
Bass trabalhou na próxima missão da agência para Marte, na qual um novo veículo explorador, ainda sem nome e estimado em US$ 1,9 bilhão, será lançado em 2020, equipado com sete instrumentos de pesquisas científicas, selecionados entre um total de 60 projetos do mundo inteiro. Além do aparelho que produz oxigênio, há um radar norueguês de penetração no solo para estudo geológico e uma ferramenta espanhola com sensores para avaliar temperatura, umidade, ventos e pressão.
O problema é que a corrida espacial não atrai apenas grandes potências ou empresários bem-intencionados. Há espaço também para falcatruas. Um dos casos mais polêmicos é o da Mars One, uma organização holandesa que planejava financiar a viagem a Marte de quatro terráqueos, com passagem só de ida, como parte de um reality show no melhor estilo BBB. Eles afirmam que mais de 200 mil pessoas se candidataram, e a organização chegou a 100 nomes (incluindo uma professora brasileira de 51 anos).

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As primeiras viagens tripuladas aconteceriam em 2026. Em março deste ano, no entanto, os planos do empresário Bas Lansdorp começaram a ruir. A Endemol, produtora do Big Brother, recusou-se a fazer um acordo com a Mars One, e a SpaceX afirmou não ter nenhum contrato com a firma, que havia anunciado em seus planos o uso das aeronaves de Musk. Para piorar, o prestigioso MIT resolveu debruçar-se sobre o projeto e chegou a uma conclusão assustadora: os quatro astronautas só conseguiriam viver 68 dias em Marte, antes de morrer de fome ou por falta de oxigênio no ar.
Para completar, os próprios escolhidos começaram a sentir cheiro de fraude e a fazer denúncias de que o projeto não passava de um esquema de pirâmide. Lansdorp, fundador de uma companhia de energia eólica, negou as denúncias e segue firme atrás de financiamento.
Seja lá como ou quando for que cheguemos a Marte, a aventura interplanetária faz parte da nossa história de desbravadores de novas terras. “A exploração está em nosso DNA. Há 2 milhões de anos, os humanos evo­luíram na África e foram se espalhando pelo planeta, indo além de seus horizontes. Está dentro de nós”, disse Petranek. Que os novos astronautas tenham o mesmo sucesso que esses africanos que, um dia, saíram em busca de uma nova casa.

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11.383 – Viagem a Marte pode causar danos no cérebro


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A lista de possíveis problemas a serem enfrentados pelos astronautas pioneiros de missões a Marte ganhou mais um item: o de estragos no cérebro. Uma viagem para Marte teria a duração de pelo menos nove meses.
Um estudo da Universidade da Califórnia, divulgado na revista “Science Advances”, sugere que a longa exposição a raios cósmicos pode causar danos significativos ao sistema nervoso central, resultando em sequelas semelhantes às sofridas por pessoas com demência.
Raios cósmicos são formados por partículas de alta energia originadas no espaço e que viajam quase que na velocidade da luz.
Cientistas acreditam que uma viagem a Marte, distante cerca de 226 milhões de quilômetros da Terra, duraria pelo menos nove meses. E os danos cerebrais poderiam ocorrer já durante a viagem.
A equipe de Limoli fez testes com ratos, submetendo-os a sessões de irradiação num laboratório da Agência Espacial Americana (Nasa) especializado em estudos com raios cósmicos.
A exposição a determinadas partículas resultou em inflamações no cérebro que dificultaram a transmissão de sinais pelos neurônios. Tomografias computadorizadas mostraram que a rede de comunicação cerebral foi prejudicada por danos às estruturas de neurônios chamadas dendritos –alterações que contribuíram para a redução de desempenho dos ratos em atividades ligadas ao conhecimento e à memória.
Tipos semelhantes de disfunções cognitivas são comuns em pacientes com câncer de cérebro que receberam tratamentos à base de radiação de prótons.
Segundo Limoli, defeitos cognitivos nos astronautas demorariam meses para se manifestar, mas o tempo de viagem para Marte seria suficiente para isso. O cientista ressaltou ainda que, embora os astronautas trabalhando na Estação Espacial Internacional por longos períodos também sejam atingidos por raios cósmicos, a intensidade do “bombardeio” é menor e eles ainda contam com um pouco de proteção da magnetosfera terrestre.
O estudo da Universidade da Califórnia faz parte de um programa da Nasa que procura entender os efeitos da radiação espacial em astronautas e possíveis maneiras de mitigá-los.
Limoli sugere que a cápsula que levará os astronautas à Marte tenha escudos de proteção contra radiação mais reforçados em áreas usadas para descansar e dormir. No entanto, não existe proteção total contra as partículas.
Outra solução podem ser tratamentos preventivos para os astronautas, incluindo o uso de novas drogas. “Mas as pesquisas ainda estão em desenvolvimento”.

11.229 – Curiosity encontra nitrogênio, essencial à vida, em Marte


Robô Curiosity
Robô Curiosity

O veículo Curiosity, da Nasa, descobriu na superfície de Marte evidências de nitrogênio, elemento químico essencial para a vida, em sua forma mais amigável à atividade biológica: a dos nitratos. O robô já havia encontrado no planeta rastros de outros ingredientes necessários à vida, como água em estado líquido e matéria orgânica, no local conhecido como Cratera Gale.
O nitrogênio é fundamental para as formas de vida conhecidas porque é um dos blocos de construção das moléculas de DNA e RNA, que armazenam toda informação genética. O elemento pode ser comumente encontrado na forma de gás de dióxido de nitrogênio, mas, dessa forma, não reage facilmente com outros átomos. Já o nitrogênio fixado nos nitratos pode se ligar mais facilmente a outros elementos e, assim, ser aproveitado em processos orgânicos.
No entanto, não há nenhuma evidência de que as moléculas encontradas pela equipe da Nasa tenham sido sintetizadas por algum organismo. Em vez disso, a equipe de pesquisa acha que os nitratos são resultado de impactos de meteoritos, raios e outros processos não-biológicos.
O veículo Curiosity está atualmente ao pé do Monte Sharp, uma montanha de 5.500 metros, formada por camadas sedimentares. Em dezembro, o robô detectou emissões de metano regulares, mas a origem do fenômeno ainda é desconhecida.
Os cientistas não esperam que o Curiosity encontre alienígenas ou seres vivos em Marte, mas esperam usá-lo para analisar o solo e as rochas em busca de sinais dos elementos-chave para a vida que o planeta pode ter abrigado no passado.
O veículo de 2,5 bilhões de dólares também tem como objetivo estudar o ambiente marciano para se preparar para uma eventual missão humana por lá nos próximos anos. Os Estados Unidos têm planos de enviar humanos para o planeta vermelho até 2030.

11.016- A NASA quer mandar um helicóptero para Marte


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Para otimizar as pesquisas em Marte, a próxima ideia do Jet Propulsion Lab, da NASA, é enviar um tipo de helicóptero ao planeta vermelho. Afinal, até o momento, nossas sondas foram capazes de cobrir áreas menores e limitadas pelo relevo. Com uma sonda capaz de ‘voar baixo’, mais informações poderiam ser obtidas em um tempo menor.
Mas o negócio é mais difícil do que apenas mandar um tipo de drone para lá. A gravidade de Marte é diferente da Terra – precisamente apenas 38% da gravidade que temos por aqui. “Além disso, o sistema precisa ser autônomo e ser capaz de pousar e decolar em terreno rochoso”, afirma Bob Balaram, engenheiro da Nasa.
Até o momento, um protótipo está sendo testado em uma câmara que simula o ambiente marciano. Para conseguir o impulso suficiente, cientistas precisam criar uma máquina que seja capaz de produzir 2,400 revoluções por minuto. Com isso, o helicóptero poderia dar saltos e voar em Marte por períodos de dois a três minutos antes de precisar pousar novamente.
E pousar é um grande desafio – “enquanto com a Curiosity tivemos 7 minutos de terror, quando realizamos seu pouso, com o helicóptero teremos essa preocupação diariamente”.

10.898 – Astronomia – Nasa acha gás que é produzido por micróbios em Marte


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A descoberta de misteriosas emissões de metano em Marte, feita pelo jipe americano Curiosity, pode dar novo foco às próximas sondas enviadas ao planeta vermelho. É preciso agora identificar a origem desse gás.
Na Terra, a maior parte das emissões de metano é produzida por atividade biológica. Micróbios que processam gás carbônico e emitem o gás são comuns por aqui.
A história em Marte, contudo, pode ser outra. Uma das possibilidades é que o metano seja produzido por processos geológicos, como a reação do mineral olivina com água no subsolo.
A detecção aconteceu cerca de um ano e meio depois do pouso do Curiosity na cratera Gale, no planeta vermelho. As medições iniciais surpreenderam, pois produziram uma concentração de metano muito menor do que a estimada por observações orbitais.
Contudo, durante cerca de 60 dias, entre o fim de 2013 e o começo de 2014, o jipe viu um aumento de cerca de dez vezes na concentração do gás. Os cientistas foram capazes de descartar a hipótese de que a emissão se dá pela reação de compostos orgânicos trazidos por meteoritos e poeira cósmica com a radiação ultravioleta do Sol.
Em vez disso, ficou claro que alguma coisa está borbulhando o metano para a atmosfera, onde ele é rapidamente destruído. O enigma é biológico ou geológico?
A ExoMars é composta por várias etapas. Em 2016, partem um orbitador e um pequeno módulo de pouso. Um dos principais objetivos é fazer o mapeamento do metano na atmosfera marciana.
Em 2018, haverá um jipe, destinado a fazer análises na superfície. Entre os instrumentos, há um que poderá analisar em detalhes compostos orgânicos em Marte –talvez até encontrando uma assinatura química que possa distinguir entre origem biológica e geológica.
Em 2020, um novo jipe da Nasa também estará mais bem equipado para analisar em detalhes as moléculas orgânicas marcianas. E não se pode descartar novas e empolgantes descobertas a serem feitas pelo Curiosity, conforme ele se desloca por Marte.
De toda forma, a história da busca por vida em Marte promete ainda ter seus melhores capítulos nos próximos anos.

10.540 – Astronáutica – Nasa vai formatar a memória de robô explorador de Marte


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A Nasa anunciou que vai formatar neste mês a memória da sonda Opportunity, que exploraMarte há mais de uma década. O objetivo é resolver uma série de erros que tem interrompido o trabalho da sonda, forçando os pesquisadores a reiniciar seu sistema com frequência. Essas falhas têm causado atraso nas pesquisas científicas do robô, uma vez que cada reinicialização leva de um a dois dias, e, só no mês de agosto, o procedimento foi feito doze vezes. 

O problema está na memória flash, que retém as informações mesmo quando o sistema é desligado. Trata-se do mesmo tipo de memória que armazena as fotos em smartphones e câmeras digitais. Segundo os especialistas, partes dessa memória podem sofrer desgaste com o uso contínuo, e a sonda deve estar tentando utilizar as porções danificadas.

O procedimento de formatação é considerado de baixo risco, já que sequências mais importantes estão armazenadas em outro local, que não pode ser apagado. Com o processo, a Nasa acredita que a Opportunity vai conseguir identificar as células da memória que não funcionam bem e deixar de utilizá-las, evitando a necessidade de reiniciar a sonda com frequência.

Todos os dados serão baixados pela Nasa antes da formatação, e a sonda vai se comunicar deforma mais lenta durante o procedimento. Essa será a primeira formatação de memória da Opportunity, mas o processo já foi feito na sonda Spirit, atualmente fora de operação.

 

10.477 – Astronáutica – Inventores criam motor que pode reduzir tempo de viagem a Marte


Mega Motor
Mega Motor

Uma nova era das viagens espaciais pode estar em curso. Isso por conta de um motor experimental que abre a porta para viagens perpétuas pelo espaço que seriam alimentadas pelas estrelas. A ideia, aparentemente revolucionária, não é nova e tenta quebrar o ceticismo dos pesquisadores. A razão para desconfiança reside em um detalhe: seria preciso quebrar uma lei da física para que o motor, o EmDrive, cumpra as suas promessas.
A invenção usa eletricidade para gerar microondas, que, em seguida, circulam em um espaço fechado e geram o impulso. O dispositivo não precisa de propulsor, uma parte importante dos atuais mecanismos de viagem no espaço. A força gerada pelo motor não é particularmente forte, mas suas implicações são grandes. Vários experimentos independentes estão reproduzindo a capacidade do dispositivo para gerar impulso, com níveis variados de sucesso. Tudo isso é realizado com painéis que convertem energia solar em eletricidade e, em seguida, em impulso.
Os cientistas demoraram para receber o EmDrive com entusiasmo porque ele viola a lei da conservação do momento. De acordo com ela, não há como criar ou destruir o impulso – o impulso de dois objetos que colidem é igual a antes e depois do impacto. A viagem espacial depende deste princípio. Um motor de foguete típico utiliza um propulsor que cria uma explosão para gerar uma força oposta e, desta maneira, impulsiona as missões espacias humanas pelo espaço.
Neste sentido, o EmDrive parece ter encontrado uma brecha na lei. O invento é de Roger Shawyer e de sua empresa, a SPR Ltd. Ele vem trabalhando no projeto há mais de uma década. Apesar das críticas, ninguém provou, efetivamente, que sua ideia não funciona. O certo é que cientistas chineses e também a NASA estão trabalhando em projetos como o EmDrive. Caso dê certo, os satélites poderiam servir como uma aplicação da ideia, o que reduziria custos e dificuldades de funcionamento para fornecer impulso sustentável em missões no espaço profundo. Seguindo esta linha, é de se pensar que uma viagem a Marte poderia levar semanas em vez de meses.

10.394 – Missão árabe planeja chegar a Marte em 2021


Por do Sol em Marte
Por do Sol em Marte

As últimas grandes contribuições islâmicas à ciência ocorreram em meados do século XII, na época de Averróis, com o advento de instrumentos astronômicos, dos cálculos matemáticos e da cartografia, entre outros avanços. Um anúncio feito na quarta-feira pelo governo dos Emirados Árabes Unidos pode recolocar a sociedade muçulmana no trilho da ciência. O país pretende criar uma agência espacial com o propósito de enviar uma missão não tripulada a Marte em 2021. “A sonda representa a entrada do mundo islâmico na era da exploração espacial. Provaremos que somos capazes de entregar novas contribuições científicas à humanidade”, disse o presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeque Khalifa bin Zayed al-Nahyan, em um comunicado oficial.
A primeira missão espacial árabe na história foi escolhida para pousar em Marte no ano que marca o 50º aniversário da formação dos Emirados Árabes Unidos. Até 2021, a agência espacial irá desenvolver uma indústria de tecnologia espacial no país e supervisionar o projeto. O comunicado não forneceu detalhes sobre o custo da sonda ou como será projetada e construída.
A agência de notícias oficial do governo informou que a viagem espacial levará nove meses para percorrer os 60 milhões de quilômetros até o planeta. A nota afirma que os investimentos do país em tecnologia espacial superam os 5,4 bilhões de dólares, incluídos os recursos de várias companhias de telecomunicações e satélites.
Há algum tempo, os Emirados Árabes têm pressionado os países da região para a criação de uma agência espacial semelhante à Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Com uma população estimada em cerca de 8 milhões de pessoas, a maioria de trabalhadores estrangeiros, os Emirados ainda não possuem a base científica e industrial de outros países que exploram o espaço. Enviar uma sonda a Marte é um desafio, pois as missões ao planeta costumam ter alto índice de falhas. Desde os anos 1960, a Nasa, agência mais bem sucedida no envio de sondas ao planeta, planejou 21 missões, das quais quinze deram certo.

10.017 – Genética – Organismos sintéticos podem ajudar na colonização de Marte


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Organismos sintéticos produzidos para usar o gás carbônico (CO2) como matéria-prima poderão ajudar na colonização de Marte. É o que acredita o biólogo Craig Venter, biólogo-empresário que chefiou o programa privado de sequenciamento do genoma humano concluído em 2003 e líder da pesquisa que criou a primeira célula controlada por genoma sintético.
De acordo com Venter, em palestra dada no evento TEDxNASA@Sillicon Valley, formas de vida artificiais que lidam com o gás carbônico já estão em produção. A equipe do biólogo está tentando desenvolver células que conseguem usar o gás carbônico para produzir alimento, combustível, plástico e outros produtos. Além do grande impacto na Terra, Venter acredita que os organismos poderão fazer de Marte um lugar menos inóspito, transformando a fina atmosfera do planeta, formada basicamente por CO2.
A prioridade de Venter, contudo, é usar a ‘vida sintética’ para ajudar resolver grandes problemas na Terra, como alimento e produção de combustível. A Synthetic Genomics, empresa do biólogo, está desenvolvendo algas sintéticas que produzem biocombustível de forma mais barata e eficiente.

9981 – Viagem para Marte – Realidade ou só mais um golpe de publicidade?


marte viagem

Os inscritos pagaram uma taxa que variava de país para país -no Brasil, o valor foi de cerca de R$ 30 (US$ 13).
A fundação privada Mars One quer estabelecer o primeiro acampamento de humanos em Marte em 2025.
A ideia é de dois holandeses -um engenheiro e um físico que passou pela ESA (Agência Espacial Europeia).
Para conseguir o dinheiro de que precisam -cerca de US$ 6 bilhões-, a dupla está fazendo um financiamento coletivo on-line. Eles já conseguiram cerca de US$ 500 mil. Também planejam um “reality show” no planeta.
Os candidatos tiveram de enviar vídeos para uma espécie de rede social, dizendo por que queriam protagonizar a empreitada.
“Disse que acredito que a humanidade pode evoluir para algo melhor”, diz Hamad. O vídeo dela pode ser visto no no site do projeto.
Mas há obstáculos a serem vencidos
Entre eles estão os altos níveis de radiação que os astronautas receberão na viagem de 210 dias até o planeta. Também há perda de massa óssea e atrofia muscular.
O principal desafio, no entanto, é psicológico. Os colonos nunca mais terão contato direto com quem ficou.
Além disso, experiências de confinamento podem resultar em abalos graves. O diagnóstico é da ESA, que simulou uma missão de 520 dias em 2010 e 2011 com seis tripulantes. Eles tiveram depressão, letargia e insônia.

Tem tudo pra dar errado:
O Mars One não é o único projeto de excursões espaciais privadas em Marte. Fundada pelo multimilionário Dennis Tito, a Inspiration Mars pretende levar um casal de meia idade para orbitar o planeta em 2018. Tito foi o primeiro a pagar por um assento para ir à Estação Espacial Internacional, em 2001.
Projetos como esses costumam despertar ceticismo na comunidade científica. No caso do Mars One, o orçamento de cerca de US$ 6 bilhões é considerado baixo. O prazo de dez anos também é apontado como irrealista.
“Teríamos de ter uma maturidade tecnológica maior para cumpri-lo. Mandar satélites é uma coisa; enviar pessoas é outra”, diz Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica da USP São Carlos.
Nem a Nasa tem planos tão ambiciosos de missões tripuladas ao planeta. O objetivo da agência é levar astronautas a Marte em 2030, numa viagem que não ultrapassará a órbita do corpo celeste.
Mas é claro, há quem pense o contrário.

9672 – Marte – Uma nova Terra?


Marte tem a metade do tamanho da Terra
Marte tem a metade do tamanho da Terra

A Terra vai fica inabitável?
Com a emissão crescente de gases causadores do efeito estufa em nossa atmosfera, estamos inadvertidamente “venusformando” a Terra. (Vênus é um planeta cujo efeito estufa é tão intenso que a temperatura, seja dia, seja noite, fica na casa dos 450 graus Celsius.)
Dentre os mundos do sistema solar, o único que é suficientemente parecido com o nosso para sofrer um processo de terraformação é Marte. Suas principais diferenças com relação à Terra são a atmosfera muito tênue e, por causa disso, uma temperatura muito gélida para que a água seja mantida em estado líquido na superfície.
A solução seria do mesmo modo que estamos “venusformando” a Terra, ou seja, teríamos de “poluir” a atmosfera marciana para que o efeito estufa aumentasse.
O pontapé inicial poderia ser dado pela introdução artificial de um poderoso gás-estufa, o perfluorocarbono. Ele poderia ser fabricado em Marte usando apenas produtos já presentes localmente.

A partir daí, se as contas dos cientistas estiverem certas sobre a quantidade de gás carbônico, em um século teríamos um planeta com uma atmosfera com o dobro da densidade da terrestre, e uma temperatura local oscilando entre 0 e 30 graus Celsius.
Esse aumento de temperatura teria outro efeito bastante desejável: derreter a água hoje escondida no subsolo marciano sob a forma de gelo. O resultado seria a criação de vários mares – e potencialmente oceanos, dependendo da quantidade de água disponível – na superfície do planeta vermelho.

Seleção artificial

As primeiras bactérias que transplantaríamos para o planeta vizinho seriam geneticamente escolhidas para metabolizar todo aquele gás carbônico e produzir em troca oxigênio – a boa e velha fotossíntese. Depois delas, viriam as plantas.
Caso a eficiência da nova biosfera seja tão grande quanto a que veio “de fábrica” com a Terra, em cerca de 100 mil anos Marte terá oxigênio suficiente para sustentar seres humanos e outros animais de grande porte em sua superfície. Pode parecer tempo demais, mas estamos falando de um grande processo de engenharia planetária: um dos legados mais positivos da humanidade poderá ser o de espalhar a vida pelo sistema solar!

9500 – Astronomia – O homem que nos levará a Marte


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Um sucessor de Steve Jobs?

Grandes avanços científicos e tecnológicos quase sempre nascem de ideias simples, emolduradas por raciocínios complexos. A ideia simples que pode consagrar o sul-africano Elon Musk como um dos maiores visionários da história: precisamos colonizar outros planetas para preservar a civilização a longo prazo. Musk acredita ter encontrado a solução há um ano, quando acordou às 2 da madrugada com uma fixação. “Eu me toquei que foguetes movidos a metano e oxigênio podem atingir um impulso maior que 380”, contou ele. Esse é seu raciocínio complexo. No jargão científico, significa que esse impulso, equivalente a 3,8 quilômetros por segundo, é suficiente para tirar um foguete da Terra e levá-lo a Marte. E, como Marte é cheio de dióxido de carbono (CO2) e permafrost – solo congelado com abundância de água (H2O) -, é possível converter esses elementos em metano (CH4) e oxigênio líquido (O2), que garantiriam o combustível para a viagem de volta. Ah, e convém lembrar que sempre é útil associar as tais ideias simples e elaborações sofisticadas a dinheiro, muito dinheiro. Musk tem de sobra.
Ele se tornou bilionário em 2002, com a venda do PayPal, popular sistema de pagamentos pela internet que deu credibilidade a negociações on-line, ao eBay, por 1,5 bilhão de dólares. Resolveu usar a fortuna para fundar, no mesmo ano, a SpaceX, a maior empresa de exploração do cosmo, dona de contratos bilionários com a Nasa, a agência espacial americana. A SpaceX foi, em 2012, a primeira companhia privada a atracar uma sonda na Estação Espacial Internacional. No começo, era apenas uma piada, dado o alto risco de o negócio fracassar. A charada engraçadinha: “Você ouviu a notícia do cara que fez uma pequena fortuna na indústria espacial? Só que ele começou com uma fortuna maior”. Musk respondia, com humor: “Estava tentando imaginar a forma mais rápida de transformar uma grande fortuna numa pequena”. A SpaceX era um sonho de criança. Na infância, além de brincar de desenvolver códigos de programação, o sul-africano criava modelos de foguetes. E já imaginava como seria ir para a Lua. Aos 17 anos, mudou-se para o Canadá, terra natal de sua mãe. Depois foi para os Estados Unidos, estudar física e administração na Pensilvânia. Formado, começou um doutorado na renomada Universidade Stanford, no Vale do Silício. Largou o curso no segundo dia para se dedicar ao empreendedorismo, já com a cabeça definitivamente nas estrelas. O próximo passo, ele reafirma com a rotina dos obcecados, será Marte.
Mesmo que produzir CO2 fosse bom para a natureza, teríamos de operar de forma sustentável, visto que ficaremos sem hidrocarbonetos (base dos combustíveis fósseis) em dado momento”, reflete. Essa elaboração é o alicerce da Tesla, montadora de carros elétricos, e da SolarCity, desenvolvedora de painéis solares para residências americanas. Um terceiro caminho é o Hyperloop, projeto de um sistema de transportes rápido, de baixo custo e movido a energia sustentável (veja o quadro abaixo). Com a Tesla, a ideia de Musk é fornecer transporte sustentável a todos. O problema: o primeiro automóvel a sair da linha de montagem custava mais de 100 000 dólares. Musk explica: “Começamos com poucas unidades do esportivo Roadster. Daí, criamos o Model S, que custa 50 000 dólares. A terceira geração, que deve ser lançada em três anos, será de 30 000”. Hoje a Tesla está na segunda fase do plano e o Model S já é o carro elétrico mais popular dos Estados Unidos.
A ousadia quase o levou à falência. Durante a crise econômica que atingiu os Estados Unidos em 2008, a SpaceX e a Tesla estiveram perto de fechar. O que o manteve de pé? Musk preferia falir a abandonar as grandes causas de uma vida inteira, a exploração espacial e o zelo com energia limpa. A turbulência passou. A aposentadoria dos ônibus espaciais da Nasa, em 2011, lhe garantiu um contrato de 1,6 bilhão de dólares para dar início à privatização da exploração do cosmo, e a Tesla vale atualmente 18 bilhões de dólares. Musk, cuja figura é frequentemente colada à imagem de um personagem de ficção, Tony Stark, o Homem de Ferro, que alterna a vida de bilionário com a de herói, acumula uma fortuna de 6,7 bilhões de dólares. Assim como Stark, o sul-africano é conhecido por ser arrogante e impaciente com quem considera de intelecto inferior (quase todos que o circundam). Tê-lo por perto é irritante – mas não tê-lo pode ser pior. É muito provável que a humanidade tenha um futuro cada vez melhor se as inovações de Musk vingarem, e delas brotarem outras.