14.048 – Em teste o Foguete que Levará o Homem a Marte


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Foguete reutilizável é peça-chave nos planos da SpaceX de chegar a Marte
Ao responder uma série de perguntas de seus milhares de fãs no Twitter, Elon Musk revelou suas intenções de uma apresentação completa do Starship, o foguete reutilizável de próxima geração da SpaceX já para o final de julho de 2019. A espaçonave é peça-chave no plano da empresa para chegar a Marte.
O CEO da SpaceX também lembrou que o último teste de um de seus motores de foguete Raptor foi “bem-sucedido em geral”, apesar de um aborto, já que o objetivo era testar os limites externos de tolerância do novo motor.
Segundo Musk, a apresentação oficial de Starship da SpaceX deve ocorrer “algumas semanas após Hopper pairar”, se referindo ao teste de voo de curta duração da StarHopper. O StarHopper completou um teste limitado em abril. O próximo passo é repetir o feito sem restrições, o que está mais próximo da realidade do que nunca depois que a empresa resolveu um problema importante com a vibração do motor Raptor em uma frequência operacional específica.
O Super Heavy é o estágio superior do veículo Starship, capaz de transportar até 20 toneladas para a órbita geoestacionária da Terra, ou mais de 100 toneladas para a órbita baixa. O compartimento de carga tem nove metros, e o sistema será capaz de transportar, além de cargas, tripulações e recursos necessários em viagens de astronautas para a Lua ou para Marte.
Vários voos de teste estão previstos com o conjunto Starship-Super Heavy antes que esse primeiro voo comercial de 2021 aconteça, segundo Hofeller, que servirão para demonstrar o sistema de lançamento aos clientes em potencial, bem como para resolver quaisquer problemas que porventura possam acontecer.
Recentemente, a empresa fez um “salto” com um protótipo do Starship, que subiu alguns metros a partir do solo, e os próximos testes alcançarão altitudes mais elevadas. Eventualmente, a SpaceX poderá substituir seus atuais foguetes Falcon 9 e Falcon Heavy pelo Super Heavy, ainda que a empresa provavelmente não apressará seus atuais clientes para aceitarem esta troca.

13.983 – Hibernação – Acorde, você chegou em Marte


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Eram seis homens vivendo juntos, espremidos em uma área de 72 metros quadrados, ao longo de 520 dias. Eles estavam trancados numa estação de testes em Moscou – mas a ideia da experiência, realizada pela Academia Russa de Ciências entre 2010 e 2011, era simular uma ida a Marte. O time era formado por três russos, um italiano, um francês e um chinês. Eles tinham de responder a testes e cumprir uma rotina de tarefas, e passavam as horas de folga vendo filmes e jogando videogame. Se davam bem. Mas, conforme o tempo foi passando, o clima mudou. Todos foram se tornando apáticos, e quatro dos seis participantes se isolaram – cada um deles passou a se alimentar sozinho, teve insônia e exibiu claros sinais de depressão. Tudo isso numa missão de mentirinha, sem riscos nem problemas reais. Imagine se fosse no meio do espaço.
Enviar humanos a Marte, como a Nasa pretende fazer na década de 2030, exigirá a superação de vários obstáculos. Mas nenhum deles parece tão complexo, e tão intratável, quanto a questão psicológica. O confinamento prolongado, como a experiência russa deixou claro, mexe com a cabeça. É por isso que, nos filmes de ficção científica, os astronautas são colocados em hibernação e só acordam quando estão perto do destino. Por incrível que pareça, a Nasa cogita essa possibilidade na vida real: encomendou a uma empresa de Atlanta, a SpaceWorks Enterprises, um estudo detalhadíssimo sobre o tema. O documento descreve com precisão todas as etapas do processo – e as tecnologias que poderiam ser usadas em cada uma.
Logo ao embarcar na nave, antes do lançamento, os astronautas se dirigiriam às cabines de hibernação, Receberiam sedativos na veia e dormiriam. Em seguida, um tubinho enfiado no nariz de cada astronauta começaria a liberar gotículas de perfluorocarbono, um líquido inerte e gelado que, em contato com a mucosa nasal, reduz a temperatura do organismo. O interior de cada cabine também seria mantido a temperaturas baixas. Seis horas depois, a temperatura corporal dos astronautas teria baixado para 32 oC – e eles entrariam em estado de hibernação.
A respiração e os batimentos cardíacos ficariam mais lentos, com o organismo gastando menos energia. Sondas conectadas a dois pontos do corpo, no peito e na perna, jogariam na corrente sanguínea uma solução contendo vitaminas, aminoácidos, glicose e minerais necessários para a sobrevivência. Também haveria uma máquina gerando oxigênio e filtrando o gás carbônico eliminado pela respiração. Cada astronauta seria monitorado por um braço robótico, capaz de intervir em caso de problemas – os sensores colados no corpo da pessoa poderiam parar de funcionar e precisar ser substituídos, por exemplo, ou os tubos de coleta de urina poderiam vazar (como os astronautas só receberiam alimentação intravenosa, não haveria produção de fezes).
Para evitar que os músculos dos astronautas se degradassem, o ambiente seria pressurizado e também teria gravidade artificial. Ela seria produzida rotacionando o habitáculo – como na famosa cena da centrífuga no filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A SpaceWorks calcula que girar o compartimento a 17 km/h seria o suficiente para gerar força centrífuga equivalente à gravidade terrestre (quando a nave estivesse chegando a Marte, a rotação do habitáculo seria reduzida para 10,8 km/h, simulando a menor gravidade do planeta vermelho).
O cenário descrito pela SpaceWorks é bem impressionante. Mas puramente hipotético. Se a Nasa realmente quiser colocar humanos para hibernar, terá de correr vários riscos, que também estão previstos no estudo – e não são pequenos.
SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE TEMPERATURA
Um tubo inserido nas narinas dispara um spray de perfluorocarbono, líquido inerte e gelado. Em contato com a mucosa nasal, ele reduz a temperatura corporal, até chegar a 32 oC.

TUBO DE ALIMENTAÇÃO
Duas sondas, ligadas no peito e na perna, enviam uma solução que inclui glicose, aminoácidos e vitaminas. Esse líquido é parecido com o que os pacientes em coma recebem nos hospitais.

COLETORES DE URINA
A coleta acontece com o uso de um dreno, fixado no corpo dos astronautas antes de a viagem começar. Ela pode ser reciclada e reaproveitada (como já acontece na Estação Espacial Internacional).

SENSORES
Vigiam os batimentos cardíacos, a respiração, o funcionamento de órgãos importantes, como o fígado, e a atividade do sistema nervoso. Também monitoram o possível surgimento de elementos perigosos, como infecções ou coágulos sanguíneos.

BRAÇOS ROBÓTICOS
São capazes de trocar sondas, consertar vazamentos e solucionar pequenos problemas. Em casos mais graves, com risco à saúde da pessoa que está hibernando, o sistema emite um alerta para os astronautas que estão acordados.
A hibernação é uma estratégia de sobrevivência conhecida na natureza. Morcegos a praticam, assim como roedores e ursos. Esse tipo de repouso permite que o corpo equilibre sua temperatura com a do ambiente e reduz o gasto de energia (algo essencial para a sobrevivência nas estações do ano em que não há alimento). O que você talvez não saiba é que a medicina já domina, e pratica, uma espécie de hibernação em humanos.
Trata-se da hipotermia terapêutica, uma técnica de resfriamento corporal usada, há quase 20 anos, por paramédicos para socorrer vítimas de infarto, derrames ou ferimentos graves. Quando isso acontece, a circulação é prejudicada ou interrompida, e as células do organismo começam a morrer por falta de oxigênio. Nessa situação, esfriar o corpo é benéfico, porque reduz a velocidade de morte celular e aumenta exponencialmente as chances de sobrevivência. A temperatura pode ser reduzida colocando bolsas geladas sobre o paciente ou injetando nele uma solução salina gelada (água e cloreto de sódio, cloreto de cálcio, cloreto de potássio e lactato de sódio), que resfria o corpo rapidamente e sem provocar danos. Nas cabines espaciais, a hipotermia seria induzida de outra forma: com a RhinoChill, uma máquina que resfria o organismo pela mucosa nasal – e já é utilizada por paramédicos dos EUA em situações de emergência. O princípio é o mesmo. “Os seres humanos não hibernam naturalmente. Mas existem métodos capazes de induzir estados de torpor”, diz a bioquímica Kelly Drew, da Universidade do Alasca. Nos hospitais, a redução de temperatura não costuma durar mais do que 24 horas. “Com a tecnologia atual, é possível manter humanos saudáveis em temperaturas entre 32 oC e 34 oC, por até três dias. Períodos mais longos só foram registrados em pacientes com alto risco de morte”, diz Drew.
1 Aumento dos voos suborbitais tripulados, em parceria com companhias privadas.

2 Testes de microgravidade na ISS, para entender como o corpo humano reage a ela
em períodos longos.

3 Desenvolvimento de tecnologias avançadas de suporte vital (como um sistema que recicla 100% do CO2 expirado pelos astronautas).

4 Retomada das missões tripuladas para a Lua e construção da Deep Space Gateway, estação espacial da qual partiriam missões a Marte.

5 Construção da Deep Space Transport, uma estação de habitação. Astronautas viveriam nela por 400 dias para testá-la.

6 Realização de viagens não tripuladas a Marte, para levar equipamentos e testar decolagens do solo marciano.

7 Quatro astronautas vão até Phobos, principal lua de Marte (pois, de lá, é mais fácil voltar). Seis anos depois, uma missão pousa no planeta vermelho.

O recorde de hibernação terapêutica pertence a uma mulher de 43 anos, moradora da Flórida, que sofreu um aneurisma e entrou em coma. Ela foi mantida em hibernação por 14 dias, e sua temperatura só foi normalizada quando não havia mais hemorragia no cérebro. A paciente sobreviveu ao procedimento; mas correndo risco considerável.
No espaço, o resfriamento corporal teria de ser mantido por muito mais tempo – o ideal seria 200 dias seguidos de hibernação, cobrindo a maior parte do percurso até Marte. “Na natureza, existem animais que suportam períodos longos, de vários meses. Em humanos, ainda não sabemos quais as consequências do torpor induzido por mais de duas semanas”, admite John Bradford, presidente da SpaceWorks.
Por isso, a primeira meta é mais modesta. O projeto prevê que todos os astronautas se revezem em períodos de hibernação de 8 a 14 dias, para que nenhum deles ultrapasse o período já estudado pela ciência. Essa estratégia também garante que sempre haja algum humano acordado e consciente a bordo, o que seria útil em caso de pane nos computadores que controlam a hibernação ou se algum astronauta passar mal durante o estado de torpor – o que pode acontecer. A diminuição da circulação sanguínea, por exemplo, pode provocar embolias (obstrução dos vasos sanguíneos que pode levar à morte). A hibernação reduz a atividade dos glóbulos brancos, deixando o astronauta mais vulnerável a infecções – inclusive porque ele está em situação de risco, com agulhas e cateteres espetados por todo o corpo. As alterações no metabolismo podem provocar hipoglicemia e matar. E, mesmo com a gravidade artificial gerada pela rotação da nave, a falta de atividade física pode provocar atrofia muscular.
Para cada um desses problemas, existe uma resposta. O risco de embolia, por exemplo, pode ser reduzido com injeções regulares de heparina, uma substância que ajuda a dissolver coágulos. É possível prevenir infecções limpando bem os equipamentos ligados aos corpos dos astronautas. Já a atrofia pode ser evitada aplicando choques elétricos de baixa intensidade nos músculos, para mantê-los devidamente tonificados. Mas ninguém sabe quão bem tudo isso funcionaria na prática, nem como os astronautas se sentiriam ao despertar.
Não é agradável voltar da hibernação. Os animais que a praticam costumam acordar extremamente cansados, tendo a necessidade de voltar a dormir logo em seguida. No habitáculo da SpaceWorks, a estratégia seria aumentar a temperatura gradualmente e cortar aos poucos o fornecimento do RhinoChill. O processo seria ainda mais lento do que o resfriamento, podendo levar até oito horas.
Mas, mesmo que todos os aspectos fisiológicos sejam controlados, a questão psicológica continuará uma incógnita. Até hoje, todos os humanos submetidos à hibernação forçada estavam muito doentes, à beira da morte. Não dá para saber como um astronauta saudável e plenamente lúcido reagiria ao processo. Só mesmo testando na prática. E há um grande incentivo para isso. Com a hibernação, viagens espaciais longas se tornariam mais viáveis – e a humanidade poderia ir mais longe.

A economia de recursos
Dependendo da posição da Terra e de Marte em suas trajetórias em torno do Sol, a distância entre os dois planetas varia de 55 a 401 milhões de quilômetros. Se iniciada no momento certo, quando os planetas estão mais próximos um do outro, a ida levaria seis a oito meses. Somando o tempo na superfície do planeta mais o tempo da volta, uma missão poderia levar quase dois anos. Isso significa que a nave precisaria levar grande quantidade de combustível e suprimentos – e pesaria no mínimo 300 toneladas, contra as 120 toneladas das missões à Lua. E é aí que a hibernação entra. Ela permite viajar com muito menos coisas, em naves bem menores e mais leves.
Na Estação Espacial Internacional, os astronautas dormem em cabines com sacos de dormir presos às paredes. Não é nenhum luxo. Mas parece uma mansão perto do “habitáculo” imaginado pela SpaceWorks, que é 75% menor, pesa 50% a menos, e também gasta menos energia: precisa de apenas 30 kW para se manter, contra 50 kW das cabines da ISS. Além disso, seu consumo de oxigênio é 75% menor, e o de água é 50% mais baixo.
Essas contas batem com as estimativas da European Space Agency (ESA), que em 2018 publicou um artigo sobre hibernação espacial. Segundo a agência, o uso dessa técnica numa missão a Marte reduziria em 42,5% a quantidade total de suprimentos necessários e também ajudaria a proteger os astronautas da radiação cósmica, que pode causar câncer e é um problema sério em missões longas. “Estudos em animais mostraram que a hibernação aumenta a proteção contra radioatividade”, afirma a ESA. Isso supostamente acontece porque a hibernação desacelera a reprodução celular (que é vulnerável a mutações causadas por radiação).
A SpaceWorks se diz pronta. “Poderíamos começar a operar em pouco tempo, enviando missões para Marte com quatro a seis integrantes”, afirma John Bradford. A empresa jura que seu sistema de hibernação poderia manter seis pessoas no espaço por até 900 dias com apenas 1,6 tonelada de alimentos e medicamentos, contra as 13,1 toneladas necessárias numa cápsula comum. Ela também estuda cenários ainda mais radicais. Em 2015, apresentou um protótipo de 10×8,5 metros, que seria capaz de transportar 48 astronautas numa eventual missão de colonização.
Mas a Nasa vê a ideia com cautela. Em 2015, o biólogo Yuri Griko, que dirige o departamento de biociências da agência, pediu para fazer uma experiência (ele queria fazer voos experimentais com animais em hibernação), e não obteve autorização. Em 2016, a Nasa assinou um novo contrato com a SpaceWorks para que a empresa continue as pesquisas – mas não permitiu que ela realizasse um teste de hibernação forçada em porcos, como desejava. Ou seja: a hibernação espacial vai demorar. Mas pode se tornar realidade um dia. E atravessar o Sistema Solar sem sentir, com a leveza de quem acaba de acordar, terá deixado de ser apenas um sonho.

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13.841 – Má Ideia – Rússia deseja lançar missão a Marte em 2019


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O programa espacial russo é ambicioso, já que a Lua também está no pacote. Os planos para explorar nosso satélite natural incluem um pouso para 2019, testes com tecnologias que podem ser usada em uma base permanente em 2023, retorno para a Terra com solo lunar em 2025 e estabelecimento da tão sonhada base por volta dos anos 2040 e 2050.
Esse plano parece muito mais promissor que a ideia de ir para Marte. Isso porque não é tão simples sair voando e chegar no Planeta Vermelho. Além de toda tecnologia, é preciso esperar a hora certa. Um momento em que as órbitas dos dois planetas se coincidam, com apenas 56 milhões de quilômetros separando Marte e a Terra.
O momento, conhecido como janela de lançamento, ocorre a cada 26 meses. A próxima começa em maio e se encerra em junho deste ano. A NASA pretende, inclusive, aproveitar para lançar a missão Insight Lander no dia cinco de maio, viajando por sete meses até chegar ao nosso vizinho, no dia 25 de novembro.
Depois disso, somente na metade de 2020. Ou seja, se a Rússia realmente quiser mandar uma missão para marte, seu foguete teria que pegar um caminho mais longo, dando uma volta pelo Sol e percorrer uma distância de 401 milhões de quilômetros. Alguém manda um recado para o Putin: é melhor esperar uns meses a mais.

13.636 – A um passo de Marte: Nasa faz primeiro teste de poderoso foguete


Nasa realizou nesta quarta-feira um primeiro teste em solo de um foguete auxiliar destinado a equipar o futuro veículo de lançamento de carga pesada da agência espacial norte-americana, o “Space Launch System” (SLS), que será utilizado para cumprir a meta de viajar até Marte.
“Teste fantástico, resultado fantástico”, comemorou Alex Priskos, um dos encarregados do sistema de propulsão dos ônibus espaciais da Nasa.
Preso horizontalmente ao solo na base de uma montanha em Utah, o foguete auxiliar de 54 metros de comprimento funcionou como previsto, após ser aquecido durante dois minutos para testar o desempenho do sistema quando for eventualmente lançado.
Mais de 500 sensores registraram os dados emitidos, que serão analisados nos próximos meses.
O arranque do motor do foguete foi feito a uma temperatura ambiente elevada para simular um lançamento no verão, quando a atmosfera supera os 35° C.
Outro teste está previsto para o início de 2016, com temperaturas muito frias, no intuito de simular um lançamento no inverno.
O futuro veículo de lançamento de carga pesada da Nasa será equipado por estes dois foguetes de reforço para a decolagem, que são versões modernizadas e mais potentes que as usadas para o ônibus espacial.
Eles permitirão dispor de 75% da força propulsora do SLS durante os dois primeiros minutos do lançamento. O restante será garantido pelos quatro motores criogênicos RS-25 do lançador, que provêm também do ônibus.
O último ônibus espacial voou em julho de 2011.
O SLS realizará seu primeiro voo de testes em 2018 e lançará na ocasião a cápsula Orion. No futuro, esta cápsula transportará dois astronautas norte-americanos para as missões ao redor da Lua, de um asteroide e, no longo prazo, até Marte, possivelmente em 2030.
A cápsula Orion realizou seu primeiro voo-teste sem astronautas em dezembro de 2014, quando deu voltas ao redor da Terra para testar seu escudo térmico ao voltar para a atmosfera.

13.623 – Astronáutica – Você sabia que brasileiro chefia missão de Marte na Nasa?


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Ramon Perez de Paula – chefão em missões de Marte

Se você nunca tinha ouvido falar nesse nome, guarde-o. Ele é um dos brasileiros que está há mais tempo na Nasa: começou na agência em 1985. Natural de Guaratinguetá (SP), o cientista de 64 anos foi para os Estados Unidos com a família aos 17 anos por causa do pai, que trabalhava na Força Aérea Brasileira e foi deslocado para o território norte-americano. Nos Estados Unidos, terminou o colegial e seguiu no país mesmo após o retorno do pai. Paula cursou duas faculdades de engenharia (elétrica e nuclear), um doutorado e chegou à Nasa após fazer uma palestra no laboratório JPL (Jet Propulsion Lab) da agência. Anos depois, já estava no quartel-general da empresa. Na Nasa, chefiou missões importantes relativas a Marte como a Mars Reconnaissance Orbiter e a Odyssey. E já está envolvido com projetos futuros como a missão InSight, que vai ser lançada em 2018.

13.249 – Em Marte Cedo ou Tarde – Astronomia: O plano da Nasa para ir a Marte


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Durante o evento Humans to Mars 2017, realizado em Washington, a Nasa apresentou dados concretos sobre seu plano para levar astronautas a Marte na década de 2030.

FASE ZERO
O plano foi dividido em quatro fases e, no momento, estamos, adivinhe, na fase zero. Essa “pré-etapa” envolve testar tecnologias a bordo da Estação Espacial Internacional, que orbita a meros 400 km da superfície da Terra.

FASE UM
A primeira etapa para valer começa a partir de 2021 e se estende por quatro voos do megafoguete SLS, que deve realizar seu primeiro voo-teste em 2019. Cada uma dessas missões levará uma cápsula Orion com quatro astronautas às imediações da Lua, além de um módulo para a construção de uma estação que terá a função de servir como “porto espacial”. A Nasa está chamando essa nova estação de Deep Space Gateway e espera que ela esteja pronta ao redor de 2026.
FASE DOIS
O Gateway poderá apoiar exploração lunar — controlando robôs remotamente e mesmo sendo usado como ponto de partida para missões tripuladas ao solo –, mas sua principal função será servir como porto para o Deep Space Transport, o veículo interplanetário que deve transportar humanos até Marte. A segunda fase envolve uma missão tripulada de um ano com esse veículo nas imediações da Lua — um voo de teste dos sistemas –, em 2028.

FASE TRÊS
Confirmado o sucesso da nave interplanetária em manter uma tripulação viva e bem por um período de tempo longo, chega a hora do primeiro voo até Marte. Ele deve acontecer ao redor de 2033 e, entre ida e volta, consumir cerca de mil dias — quase três anos.

FASE QUATRO
Finalmente, chega o ponto em que pousaremos em Marte. Ainda não há arquitetura fechada para essa etapa final, exceto pelo fato de que ela envolverá, além da nave interplanetária, um módulo de pouso e ascensão marciano. Mas, para tudo isso acontecer, a Nasa espera conseguir parceiros internacionais que contribuam elementos tanto para o Gateway como para as missões marcianas.

 

13.060 – Iglus podem permitir a presença humana em Marte


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Uma espécie de iglu, similar àqueles que encontramos no polo norte, pode ser a solução para a vida em Marte daqui a alguns anos.
O iglu marciano segue o mesmo princípio dos terrenos: criar uma barreira para proteger os moradores contra os agentes externos – no caso de Marte, a radiação letal emitida pelo sol e por outros astros.
O projeto, criado pela Nasa em parceria com laboratórios de pesquisa e design, é bastante simples: desenvolver uma oca inflável que pode ser preenchida com água. O líquido irá congelar rapidamente diante das temperaturas marcianas, que podem chegar a -140oC, e criar um ambiente que permita, por exemplo, viagens exploratórias ao planeta vermelho. Além de tudo, o material é leve e fácil de transportar.
A água é bastante eficaz no bloqueio e controle da radiação. Basta uma camada de cinco centímetros de gelo para manter os raios gama e ultravioleta a níveis seguros.
Será que teremos um condomínio de iglus marcianos nos próximos anos?

12.893 – Tá de Rosca – NASA descobre mais efeitos negativos da viagem a Marte para a saúde


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Com uma missão tripulada a Marte nos planos da NASA, a agência espacial está gastando muito dinheiro e tempo pesquisando os efeitos da viagem espacial prolongada no corpo humano e os resultados não são os melhores possíveis.
Um novo estudo descobriu que a viagem espacial vai afetar a coluna vertebral dos astronautas, causando atrofia dos músculos que suportam a coluna.
Os pesquisadores registraram aumento nas taxas de dor nas costas e doença do disco vertebral que tem sido associado com o voo espacial de longa duração. Os tripulantes usados nos testes passaram de quatro a sete meses em microgravidade e foram submetidos a exames de ressonância magnética da coluna antes e depois da missão.
Normalmente, os astronautas têm maior risco de sofrer com hérnia de disco durante os meses após um voo. No entanto, os exames mostraram atrofia muscular significativa da paravertebral durante o voo espacial, chegando a uma redução de 19% da área funcional do músculo. Além disso, dois meses depois da viagem apenas dois terços do músculo conseguiu se recuperar.

12.568 – Planos para a Missão Marte


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O primeiro passo para a colonização de Marte será dado em 2018. A SpaceX, empresa fundada pelo bilionário Elon Musk com o objetivo número 1 de estabelecer colônias marcianas, vai, a partir desta data, começar a enviar as naves para o planeta vermelho. Inicialmente, no entanto, elas não serão tripuladas.
Em entrevista ao Washington Post, Musk deu mais alguns detalhes sobre qual é o plano para estabelecer a humanidade em um novo planeta. Ele crê que haverá voluntários o suficiente quando chegar a hora de colocar pessoas de verdade em uma missão arriscada com grandes chances de ser uma viagem sem volta.
A ideia é apostar no mesmo espírito de exploração que os colonizadores que cruzaram o Atlântico na metade do milênio passado. “Assim como foi com o estabelecimento das colônias inglesas, as pessoas adoram isso. Elas querem ser as pioneiras”, conta ele. O que ele não diz é que, em muitas destas viagens colonizadoras, houve outros interesses além do “avanço da humanidade” e “pioneirismo”; a maioria foi em busca de riqueza além-mar, estabelecendo rotas de comércio, ou fugia de outras ameaças, como guerras.
De qualquer forma, esse momento de confiar no espírito aventureiro da humanidade vai demorar para chegar ainda, o que está planejado para acontecer apenas em 2025. Até lá, as missões não serão tripuladas.
As primeiras fases do plano envolvem enviar sondas e equipamentos para realizar experimentos em Marte. Estes primeiros voos têm como objetivo mais do que conhecer o terreno, e as informações coletadas serão usadas para garantir um voo seguro dos humanos quando chegar a hora. Elon Musk fala em estabelecer “rotas de carga para Marte”.
“Essencialmente, o que estamos falando é em estabelecer uma rota de carga para Marte. Você pode contar com isso. Vai acontecer a cada 26 meses, como um trem que deixa a estação. E, se os cientistas ao redor do mundo sabem que podem contar com isso, e que não vai ser caro comparado com qualquer coisa feita no passado, então eles irão planejar de acordo, e criar grandes experimentos”, afirmou Musk. A frequência de 26 meses não é acaso, e coincide com a época em que a órbita da Terra e Marte estão mais próximas.
Para chegar lá, a SpaceX vai usar suas espaçonaves Dragon, que usa um foguete chamado Falcon Heavy, que contém 27 motores de primeiro estágio. Ao ser lançado pela primeira vez, ainda neste ano, ele será o foguete operacional mais poderoso do mundo, com força equivalente a 18 aviões Boeing 747.
O histórico de missões a Marte não é muito bom, por enquanto. São 43 voos robóticos, com 18 pousos bem-sucedidos, e a nave Dragon é pelo menos 10 vezes maior do que qualquer outro objeto humano em Marte, o que também dificulta o pouso.
A expectative é que até 2020 já tenham sido enviados para Marte duas espaçonaves Dragon, repletas de materiais e experimentos. Em 2022, a empresa vai lançar o Mars Colonial Transporter, um equipamento para fornecer o essencial para colonizar o planeta. Em seguida, em 2024, o primeiro voo humano, com previsão de chegada em 2025.
A linha do tempo é bastante ambiciosa. E polêmica. Musk já foi criticado por muitos que acreditam que não há tempo suficiente para fazer os experimentos necessários para garantir a segurança de uma viagem tripulada em 2024. No entanto, se o foguete Falcon Heavy tiver sucesso em seu primeiro lançamento neste ano, as esperanças de cumprir o objetivo aumenta; senão, é bem provável que haja um atraso nesta linha do tempo.

12.129 – Experimento da Nasa quer testar o plantio da batata em Marte


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Quando a Nasa disser que pretende levar astronautas a Marte na década de 2030, mande-a plantar batatas. Ou, pelo menos, é o que o Centro Internacional da Batata, no Peru, já está fazendo.
A organização se emparceirou com a agência espacial americana para realizar um experimento que criará uma plantação de batatas num ambiente simulado que se assemelhe ao planeta vermelho, ainda que aqui na Terra.
O solo será retirado do deserto Pampas de La Joya, no Peru, que os pesquisadores acreditam ser uma aproximação razoável do que existiria em Marte.
O material será colocado numa estufa fechada contendo uma versão da atmosfera marciana, composta por 95% de dióxido de carbono.
“Estou empolgado de colocar batatas em Marte e ainda mais que possamos usar um terreno marciano simulado saído de tão perto da área onde as batatas se originaram”, afirmou Julio Valdivia-Silva, pesquisador do Instituto SETI (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), ligado à Nasa, que lidera a equipe científica do projeto.
Nativas de uma região na divisa do sul do Peru com o noroeste da Bolívia, as batatas são um dos alimentos mais nutritivos e calóricos que se pode plantar.
Por isso, podem ser uma importante fonte de energia para tripulações que tenham de passar longos períodos longe da Terra –como será o caso dos astronautas que no futuro explorarão Marte.
Aliás, uma plantação de batatas marciana foi exatamente a forma que o fictício astronauta Mark Whatney, interpretado pelo ator Matt Damon, encontrou para sobreviver no planeta vermelho, no filme “Perdido em Marte”.
Será que poderia funcionar também na vida real?

DESAFIOS
“Quando trabalhamos com simulação ambiental, é bem difícil mimetizar todas as condições ao mesmo tempo”, comenta Fabio Rodrigues, astrobiólogo do Instituto de Química da USP que não participa do estudo. “Por isso, é muito difícil prever o comportamento exato do objeto de estudo no ambiente real.”
Por exemplo, o trabalho do Centro Internacional da Batata com a Nasa não pretende simular os efeitos da radiação cósmica sobre as plantações –e em Marte, por conta da falta de um campo magnético global e da atmosfera rarefeita, isso pode ser um problema para plantações.

12.087- NASA suspende missão espacial que iria a Marte em 2016


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A NASA anunciou o cancelamento de sua missão espacial InSight, que tinha como objetivo medir e ouvir tremores em Marte para obter novas informações sobre o interior do planeta. A nave seria enviada em 2016, mas um instrumento de medição sísmica, feito por uma equipe francesa, apresentou problemas e não pode ser consertado a tempo.
Em 3 de dezembro, o laboratório JPL, responsável por grandes avanços de robótica para a NASA e organizador da missão, confirmou que havia um vazamento em uma esfera selada a vácuo que continha três sismômetros. Fornecido pela agência espacial francesa CNES, o instrumento – apelidado de SEIS – pousaria na superfície de Marte para capturar os sons emitidos pelo interior do planeta. Os esforços para reparar o vazamento não foram suficientes e, em 20 de dezembro, depois de uma bateria de testes, o instrumento vazou mais uma vez.
A notícia, é claro, abalou bastante a comunidade científica, uma vez que o experimento era bastante aguardado. Lisa Pratt, chefe de um dos comitês responsáveis por missões até Marte, definiu que a equipe responsável está “devastada”. E não apenas por conta da ansiedade de saber mais sobre o interior do planeta, mas também, é claro, por conta dos custos – que só aumentam quando uma empresa internacional entra na conta. “Ninguém deseja que uma parceria internacional tão vibrante como esta seja abalada dessa forma”, contou ela. A missão custaria 675 milhões de dólares e estava dentro do programa Discovery, que oferece missões de baixo custo e altamente competitivas. A InSight foi escolhida entre diversas candidatas; uma delas sugeria que uma nave fosse enviada à lua Titã de Saturno.
A organização espacial ainda não confirmou uma nova data de lançamento, mas estima-se que seja necessário esperar 26 meses para uma nova tentativa de envio, por conta das órbitas de ambos os planetas. É esperar para ver – e torcer para dar certo na próxima.

10.893 – Marte – Veja como será a primeira casa marciana


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Os planos de colonizar Marte, uma velha fantasia da ficção científica, estão cada vez mais próximos de se tornarem realidade. O engenheiro aeroespacial argentino, Pablo de León, venceu, em agosto passado, um concurso organizado pela NASA para projetar o primeiro protótipo de um habitat marciano. A ideia é desenvolver um ambiente parecido com uma casa, onde os astronautas possam tirar seus trajes e se sentir mais confortáveis.
De León explica que o local tem que estar preparado para suportar temperaturas muito frias, ar rarefeito, dióxido de carbono (que é altamente tóxico), radiação e a poeira marciana, que também inclui elementos tóxicos. O protótipo possui vários módulos independentes, alguns infláveis e outros rígidos, que serão utilizados como laboratórios, onde acontecerão as pesquisas científicas da missão. O módulo onde viverão os astronautas conta com pequenos dormitórios individuais, cozinha, banheiro e área de lazer. Além disso, há um centro de comunicações em contato com a Terra.
O projeto, que tem um orçamento estimado em US$ 1,3 milhão, será concluído em três anos e, em seguida, testado em território marciano, em missões que ocorrerão por vários meses. Depois dessa experiência, serão realizadas as modificações necessárias no projeto. A estadia em Marte será de 6 a 8 meses, embora a viagem completa leve 3 anos. A agência espacial americana planeja a primeira viagem tripulada ao planeta vermelho para 2030.

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10.841 – Água em Marte e Filme – Coincidência ou Conspiração?


De volta a Marte
De volta a Marte

Em uma cena do filme Perdido em Marte, o ator Jeff Daniel, que interpreta o diretor da Nasa, diz: “Quando alguma missão falha, as pessoas esquecem do por que voamos para o espaço”. A fala não é um conselho de mãe com roupagem astronômica. De fato, como escreveu o psicólogo americano Roy F. Baumeister, da Universidade da Flórida, em um artigo para o The Review of General Psychology, acontecimentos ruins têm um impacto maior do que os bons no nosso cérebro.

Por isso, não será surpresa se você sair da sessão do novo filme de Ridley Scott com três grandes dúvidas: 1) “Peraí, o Matt Damon desnutrido empurrou a tampa de um foguete de 400 kg com as costas?”; 2) “Os astronautas fazem reparações do lado de fora das espaçonaves, em órbita, sem nem uma cordinha para segurar? Eles não assistiram ao filme Gravidade?”; e 3) “Será que o longa é uma grande propaganda da Nasa?” Provavelmente, a resposta para a última questão é não, mas nem por isso deixa de fazer sentido.
Qualquer pessoa mais atenta deve ter achado estranho o fato de a agência espacial americana ter divulgado a existência de água em Marte exatamente na mesma semana do lançamento do filme. Seria possível que a Nasa tivesse segurado a informação para as pessoas ficarem animadas com a possibilidade de uma viagem tripulada ao planeta vermelho e, assim, conseguir apoio público para seus programas espaciais, esquecendo possíveis futuras falhas e mantendo a chama do glamur das viagens interplanetárias acesa em nossos corações? Ou melhor: será que tudo não passa de um golpe de marketing do filme? É nessa hora que o sensor interior de teoria da conspiração explode. Mas vamos aos fatos:

1) A Nasa já era fã do livro que deu origem ao filme, escrito por Andy Weir, e trabalhou na produção do filme para garantir a precisão científica da obra. Em entrevista à revista Wired, Weir comentou: “Eles adoraram o livro e viram a obra como uma oportunidade para engajar as pessoas nas viagens espaciais”. Isso quando eles nem sabiam que Matt Damon interpretaria um colega de trabalho.
2) Enquanto o mundo estava surpreso com a descoberta marciana, Ridley Scott bocejava. O diretor do filme afirmou ao jornal The New York Times que a Nasa já havia contado a ele sobre a existência de água em Marte há dois meses. Scott disse ainda que isso teria mudado o enredo do filme, se a produção já não tivesse acabado.
3) A coincidência já aconteceu antes. Algumas versões em DVD do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, contém extras com um discurso do escritor Arthur C. Clarke, autor do livro em que o filme foi baseado, no qual ele afirma: “Nas últimas semanas, os astrônomos estão animados com as frequências de rádio vindas de um ponto entre as estrelas Vega e Altair, que devem ter uma explicação natural, mas cujas características são tão extraordiárias que ainda não há nenhuma explicação plausível”. Ou seja, bem no lançamento de 2001, na década de 1960, a Terra estava recebendo ligações de ETs? Com uma notícia assim, não seria difícil encontrar pessoas animadas em ver um filme que tratasse do assunto.
4) A Nasa planeja enviar seres humanos a Marte e ela precisa de dinheiro público para isso. Sim, a agência é um órgão do governo, e, apesar da realidade americana ser bem diferente da do Brasil, ela precisa do dinheiro dos cidadãos para sobreviver. Caso a opinião pública se voltasse contra o órgão, como eles realizariam todas as cinco missões necessárias para conseguir enviar Matt Damon, ou qualquer outra pessoa, a Marte em 2030, conforme o plano?
Nem sempre a importância de se fazer investigações espaciais são evidentes. Nem sempre são óbvios os motivos que fazem um governo aumentar em U$ 6 bilhões a verba de um programa espacial (sim, Obama fez isso!), enquanto problemas graves acontecem na Terra. Logo, como afirmou o jornal The Guardian, se os cientistas da Nasa, a indústria cinematográfica e seus respectivos assessores de imprensa têm um interessem em comum — o qual, por sinal, diz respeito a toda humanidade e ao futuro dela — por que não?

11.456 – Churrasquinho em Marte?


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Sua presença no céu foi notada pela primeira vez por astrônomos do Egito antigo. Tempos depois, o filósofo e físico grego Aristóteles se deu conta de que às vezes o planeta vermelho se escondia atrás do Sol, o que indicava que estava mais longe da Terra do que se imaginava. Quanto mais se conhecia sobre astronomia, mais crescia o fascínio por Marte. As manchas escuras seriam a prova da presença de rios caudalosos, e muitos diziam que o planeta era habitado por seres inteligentes. A euforia se espalhou pela ficção científica e pela cultura pop. Hoje se sabe que nada daquilo era verdade — Marte é um lugar inóspito coberto por rochas vermelhas. Recentemente, no entanto, o planeta voltou a ganhar destaque nas páginas de jornais e de revistas científicas.
Pelo menos três sondas encontram-se neste exato momento na órbita de Marte para coletar informações sobre a atmosfera. Quatro anos após seu lançamento, o jipe Curiosity continua enviando informações importantes para a Terra, como a recente descoberta de gás metano saindo de um buraco, o que indicaria a presença de alguma forma de vida. E o mais importante: novas missões espaciais estão sendo desenhadas para levar o homem ao planeta — não só a passeio ou para estudos científicos, mas como sua segunda casa. Há muito se fala de colonizar Marte, é verdade, mas até pouco tempo o assunto parecia papo de ficção científica. Isso mudou: nunca estivemos tão perto de habitar de fato o planeta vermelho. “Vamos colonizar Marte, e não serão apenas alguns astronautas, mas milhares de pessoas”, disse a GALILEU o pesquisador Stephen Petranek, autor do livro How We’ll Live on Mars (“Como viveremos em Marte”, em tradução livre), que chegará às livrarias dos Estados Unidos em julho. “É algo inevitável e possível. Acredito que chegaremos lá em 2027.”
“O sistema solar não tem vida infinita; o Sol vai começar a morrer daqui a alguns bilhões de anos, e será o nosso fim”, disse Petranek. “Precisamos chegar a Marte e aprender a viver num ambiente hostil antes de conseguir sair deste sistema.”
A julgar pelas condições naturais, não será tarefa fácil: a atmosfera de Marte é composta por 96% de CO2. Para se ter uma ideia, com apenas 1% de dióxido de carbono no ar o ser humano começa a sentir tontura. Numa quantidade dez vezes maior, causa asfixia. Sem falar que não existe água na forma líquida na superfície. Ou seja, para sobreviver em solo marciano é preciso fazer uma série de adaptações que tornem a vida minimamente possível. Uma das invenções criadas com esse fim é o Moxie, aparelho produzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que transforma dióxido de carbono em oxigênio e que será testado in loco pela Nasa em 2020.
As ideias sobre colonização soariam disparatadas se Petranek não estivesse usando como fonte um dos mais surpreendentes empresários da atualidade, o bilionário Elon Musk. Aos 43 anos, o sul-africano já criou o sistema de pagamentos on-line PayPal; a Tesla, primeira montadora de carros elétricos de linha; e, mais recentemente, a SpaceX. Em dez anos de existência, a empresa espacial transformou-se na primeira companhia privada a mandar uma nave para a Estação Espacial Internacional, façanha realizada em 2012. Dois anos depois, ganhou um contrato bilionário da Nasa para desenvolver uma espaçonave que levará astronautas norte-americanos à estação em 2017. Com sede em uma cidade ao sul de Los Angeles e com o Google entre seus investidores, a SpaceX trabalha com relativo sucesso em foguetes reutilizáveis, algo essencial para diminuir os custos astronômicos da exploração interplanetária, um dos principais fatores que levaram a Nasa a deixar Marte de lado e optar por investimentos na estação e nos ônibus espaciais após a chegada à Lua, em 1969.

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Já para Musk, a única razão de ser da SpaceX é a chegada do homem a Marte. Ou melhor, homens, mulheres e tudo o mais que tivermos na Terra, como fábricas, lojas, restaurantes. Seu plano é construir uma frota de megafoguetes com capacidade para até 80 pessoas, chamados Mars Colonizer, e lançá-los regularmente com destino ao planeta vermelho a partir de 2030. Musk imagina 80 mil pes­soas viajando com destino a Marte a cada dois anos. “Francamente, fiquei chocado com sua ideia de sistema de foguetes para chegar lá”, disse Petranek. “Será um foguete de dois estágios. O primeiro bem pesado, e depois só um segundo estágio, que entrará em órbita e ficará acoplado à aeronave.”
Musk não é o único nessa jornada. Com um orçamento federal de US$ 17,6 bilhões, a Nasa também fez do planeta sua prioridade para os próximos anos e tem como meta mandar uma tripulação a Marte até 2035, seguindo diretrizes do presidente Barack Obama para que a agência desembarque astronautas por lá nas próximas três décadas. Russos, europeus e chineses também trabalham em projetos com destino a Marte.
A ambição de chegar ao quarto planeta do sistema solar é antiga. Desde os anos 1950, o lendário engenheiro Wernher von Braun (1912–1977), responsável pela criação do foguete que levou a nave Apollo 11 à Lua, descrevia planos de uma missão tripulada a Marte. As primeiras missões não eram tripuladas: na década de 1960, a Rússia investiu no lançamento da Marsnik 1. Fracasso total: a nave não conseguiu sequer atingir a atmosfera terrestre. Quatro anos depois foi a vez de os norte-americanos darem o troco com a sonda Mariner 4, que fez a primeira imagem de Marte e sepultou de vez a ideia de que o planeta era habitado por ETs. De lá para cá foram muitas missões — algumas com mais sucesso que outras (veja na página 48). Apesar da dificuldade, o ex-astronauta Buzz Aldrin, de 85 anos, tem esperança na colonização mar­ciana. “Marte tem muito mais a oferecer [do que a Lua]. É muito mais terrestre, tem estações do ano, uma atmosfera fina e um ciclo de dia e noite muito parecido com o nosso”, disse ele ao jornal The New York Times. “A Lua não é promissora para atividades comerciais.”
Para chegar a Marte, os astronautas terão de enfrentar uma viagem de oito meses que seria não apenas cansativa, mas perigosa. A Nasa vem fazendo vários estudos nos últimos anos para entender os efeitos do espaço no corpo humano. Em março, o americano Scott Kelly e o russo Mikhail Kornienko embarcaram numa missão inédita para passar pouco menos de um ano na estação espacial. O objetivo? Estudar os efeitos da ausência de gravidade por longos perío­dos no organismo.
Normalmente, cada residente fica cerca de seis meses no laboratório orbital, que tem o tamanho de uma casa de seis quartos, e volta para a Terra com uma série de problemas, como distrofia muscular e deterioração dos ossos (veja mais na página 44). Kelly, de 50 anos, será o primeiro norte-americano a ficar mais tempo, e traz uma curiosa vantagem para os testes realizados pela agência: ele tem um irmão gêmeo idêntico, Mark, que é astronauta aposentado e irá ajudar nas pesquisas da Nasa aqui na Terra, servindo de base de comparação para as dez tarefas a serem realizadas no período. O DNA dos dois será observado de perto para rastrear possíveis mudanças nos genes que controlam o sono, o stress e a atividade celular.
A busca pela colonização de Marte não é unanimidade na comunidade científica. Uma das vozes contrárias é a de Nathalie Cabrol, integrante do time da Nasa que organiza as missões a Marte com veículos exploradores e pesquisadora sênior do Seti Institute, organização dedicada a buscar sinais de vida fora da Terra. “Para mim, caras como o Musk parecem dizer o equivalente a ‘vamos fazer o que for preciso para subir o monte Everest, não importa quantos sherpas tenhamos que contratar para nos carregar até o topo, quantos corpos tenhamos que deixar para trás. Chegaremos lá primeiro, fincaremos nossa bandeira e tiraremos uma selfie’”, disse a astrobióloga num respiro entre palestras durante o TED, no qual se apresentou. “Não há salvação em Marte, que é apenas uma parte do nosso processo de crescimento para treinar a humanidade para tornar-se uma espécie interestelar.”
Nos últimos 13 anos, Nathalie fez diversas viagens ao deserto do Atacama, o mais árido e alto do mundo, no norte do Chile, para escalar vulcões e mergulhar em lagos inóspitos a fim de entender o desenvolvimento da vida em ambientes extremos, similares aos encontrados em Marte, o que acabou revolucionando nosso entendimento do que é de fato um planeta habitável.
Para a cientista, somos a única forma de vida avançada no sistema solar, mas isso não significa que não haja vida microbiana na vizinhança, como em Marte. “Não há vida possível na sua superfície hoje, mas talvez esteja escondida debaixo do solo. E, se alguém falar que procurar por micróbios alienígenas não é cool, lembre-se de que, às vezes, o que começou como um caminho microbiano pode ter terminado numa civilização.” Terra e Marte foram formados na mesma época, algo em torno de 4,5 bilhões de anos atrás. Sinais de vida, como bactérias primitivas formadas por moléculas orgânicas rudimentares, foram encontrados por aqui com até 3 bilhões de anos.

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O que aconteceu neste intervalo de 1,5 bilhão de anos é um enigma, e essa peça do quebra-cabeça poderia estar em Marte, que divide patrimônio geológico com a Terra e foi há dezenas de milhões de anos leito de grandes rios, lagos e oceanos, segundo evidências coletadas pelos robôs exploradores da Nasa. “É preciso dar tempo para a ciência provar. No dia em que você colocar humanos em Marte, acabou. A vida estará em Marte. E não falo dos bípedes que somos, e sim das fábricas de micróbios que somos. Micróbios são muito resilientes, eles sempre encontram uma maneira de sobreviver”, completa Nathalie. “Queremos responder a perguntas preciosas. Qual é a nossa origem? Estamos sozinhos no universo? E os micróbios podem nos contar algo importante, que dinheiro nenhum pode comprar.”
Em abril, uma nova descoberta do Curiosity animou as equipes que se preparam para realizar a viagem: água líquida abaixo do solo. Até então, acreditava-se que havia apenas geleiras, mas em quantidade suficiente para inundar o planeta. “Não é gelo incorporado ou misturado à terra, é um gelo bem limpo, puro. Foi algo incrível, não esperávamos”, disse a GALILEU a cientista Deborah Bass, geóloga especialista em água polar marciana do Jet Propulsion Laboratory, um centro de pesquisa da Nasa no sul da Califórnia, criadora do Spirit e do Curiosity.
Bass trabalhou na próxima missão da agência para Marte, na qual um novo veículo explorador, ainda sem nome e estimado em US$ 1,9 bilhão, será lançado em 2020, equipado com sete instrumentos de pesquisas científicas, selecionados entre um total de 60 projetos do mundo inteiro. Além do aparelho que produz oxigênio, há um radar norueguês de penetração no solo para estudo geológico e uma ferramenta espanhola com sensores para avaliar temperatura, umidade, ventos e pressão.
O problema é que a corrida espacial não atrai apenas grandes potências ou empresários bem-intencionados. Há espaço também para falcatruas. Um dos casos mais polêmicos é o da Mars One, uma organização holandesa que planejava financiar a viagem a Marte de quatro terráqueos, com passagem só de ida, como parte de um reality show no melhor estilo BBB. Eles afirmam que mais de 200 mil pessoas se candidataram, e a organização chegou a 100 nomes (incluindo uma professora brasileira de 51 anos).

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As primeiras viagens tripuladas aconteceriam em 2026. Em março deste ano, no entanto, os planos do empresário Bas Lansdorp começaram a ruir. A Endemol, produtora do Big Brother, recusou-se a fazer um acordo com a Mars One, e a SpaceX afirmou não ter nenhum contrato com a firma, que havia anunciado em seus planos o uso das aeronaves de Musk. Para piorar, o prestigioso MIT resolveu debruçar-se sobre o projeto e chegou a uma conclusão assustadora: os quatro astronautas só conseguiriam viver 68 dias em Marte, antes de morrer de fome ou por falta de oxigênio no ar.
Para completar, os próprios escolhidos começaram a sentir cheiro de fraude e a fazer denúncias de que o projeto não passava de um esquema de pirâmide. Lansdorp, fundador de uma companhia de energia eólica, negou as denúncias e segue firme atrás de financiamento.
Seja lá como ou quando for que cheguemos a Marte, a aventura interplanetária faz parte da nossa história de desbravadores de novas terras. “A exploração está em nosso DNA. Há 2 milhões de anos, os humanos evo­luíram na África e foram se espalhando pelo planeta, indo além de seus horizontes. Está dentro de nós”, disse Petranek. Que os novos astronautas tenham o mesmo sucesso que esses africanos que, um dia, saíram em busca de uma nova casa.

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11.383 – Viagem a Marte pode causar danos no cérebro


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A lista de possíveis problemas a serem enfrentados pelos astronautas pioneiros de missões a Marte ganhou mais um item: o de estragos no cérebro. Uma viagem para Marte teria a duração de pelo menos nove meses.
Um estudo da Universidade da Califórnia, divulgado na revista “Science Advances”, sugere que a longa exposição a raios cósmicos pode causar danos significativos ao sistema nervoso central, resultando em sequelas semelhantes às sofridas por pessoas com demência.
Raios cósmicos são formados por partículas de alta energia originadas no espaço e que viajam quase que na velocidade da luz.
Cientistas acreditam que uma viagem a Marte, distante cerca de 226 milhões de quilômetros da Terra, duraria pelo menos nove meses. E os danos cerebrais poderiam ocorrer já durante a viagem.
A equipe de Limoli fez testes com ratos, submetendo-os a sessões de irradiação num laboratório da Agência Espacial Americana (Nasa) especializado em estudos com raios cósmicos.
A exposição a determinadas partículas resultou em inflamações no cérebro que dificultaram a transmissão de sinais pelos neurônios. Tomografias computadorizadas mostraram que a rede de comunicação cerebral foi prejudicada por danos às estruturas de neurônios chamadas dendritos –alterações que contribuíram para a redução de desempenho dos ratos em atividades ligadas ao conhecimento e à memória.
Tipos semelhantes de disfunções cognitivas são comuns em pacientes com câncer de cérebro que receberam tratamentos à base de radiação de prótons.
Segundo Limoli, defeitos cognitivos nos astronautas demorariam meses para se manifestar, mas o tempo de viagem para Marte seria suficiente para isso. O cientista ressaltou ainda que, embora os astronautas trabalhando na Estação Espacial Internacional por longos períodos também sejam atingidos por raios cósmicos, a intensidade do “bombardeio” é menor e eles ainda contam com um pouco de proteção da magnetosfera terrestre.
O estudo da Universidade da Califórnia faz parte de um programa da Nasa que procura entender os efeitos da radiação espacial em astronautas e possíveis maneiras de mitigá-los.
Limoli sugere que a cápsula que levará os astronautas à Marte tenha escudos de proteção contra radiação mais reforçados em áreas usadas para descansar e dormir. No entanto, não existe proteção total contra as partículas.
Outra solução podem ser tratamentos preventivos para os astronautas, incluindo o uso de novas drogas. “Mas as pesquisas ainda estão em desenvolvimento”.

11.229 – Curiosity encontra nitrogênio, essencial à vida, em Marte


Robô Curiosity
Robô Curiosity

O veículo Curiosity, da Nasa, descobriu na superfície de Marte evidências de nitrogênio, elemento químico essencial para a vida, em sua forma mais amigável à atividade biológica: a dos nitratos. O robô já havia encontrado no planeta rastros de outros ingredientes necessários à vida, como água em estado líquido e matéria orgânica, no local conhecido como Cratera Gale.
O nitrogênio é fundamental para as formas de vida conhecidas porque é um dos blocos de construção das moléculas de DNA e RNA, que armazenam toda informação genética. O elemento pode ser comumente encontrado na forma de gás de dióxido de nitrogênio, mas, dessa forma, não reage facilmente com outros átomos. Já o nitrogênio fixado nos nitratos pode se ligar mais facilmente a outros elementos e, assim, ser aproveitado em processos orgânicos.
No entanto, não há nenhuma evidência de que as moléculas encontradas pela equipe da Nasa tenham sido sintetizadas por algum organismo. Em vez disso, a equipe de pesquisa acha que os nitratos são resultado de impactos de meteoritos, raios e outros processos não-biológicos.
O veículo Curiosity está atualmente ao pé do Monte Sharp, uma montanha de 5.500 metros, formada por camadas sedimentares. Em dezembro, o robô detectou emissões de metano regulares, mas a origem do fenômeno ainda é desconhecida.
Os cientistas não esperam que o Curiosity encontre alienígenas ou seres vivos em Marte, mas esperam usá-lo para analisar o solo e as rochas em busca de sinais dos elementos-chave para a vida que o planeta pode ter abrigado no passado.
O veículo de 2,5 bilhões de dólares também tem como objetivo estudar o ambiente marciano para se preparar para uma eventual missão humana por lá nos próximos anos. Os Estados Unidos têm planos de enviar humanos para o planeta vermelho até 2030.

11.016- A NASA quer mandar um helicóptero para Marte


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Para otimizar as pesquisas em Marte, a próxima ideia do Jet Propulsion Lab, da NASA, é enviar um tipo de helicóptero ao planeta vermelho. Afinal, até o momento, nossas sondas foram capazes de cobrir áreas menores e limitadas pelo relevo. Com uma sonda capaz de ‘voar baixo’, mais informações poderiam ser obtidas em um tempo menor.
Mas o negócio é mais difícil do que apenas mandar um tipo de drone para lá. A gravidade de Marte é diferente da Terra – precisamente apenas 38% da gravidade que temos por aqui. “Além disso, o sistema precisa ser autônomo e ser capaz de pousar e decolar em terreno rochoso”, afirma Bob Balaram, engenheiro da Nasa.
Até o momento, um protótipo está sendo testado em uma câmara que simula o ambiente marciano. Para conseguir o impulso suficiente, cientistas precisam criar uma máquina que seja capaz de produzir 2,400 revoluções por minuto. Com isso, o helicóptero poderia dar saltos e voar em Marte por períodos de dois a três minutos antes de precisar pousar novamente.
E pousar é um grande desafio – “enquanto com a Curiosity tivemos 7 minutos de terror, quando realizamos seu pouso, com o helicóptero teremos essa preocupação diariamente”.

10.898 – Astronomia – Nasa acha gás que é produzido por micróbios em Marte


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A descoberta de misteriosas emissões de metano em Marte, feita pelo jipe americano Curiosity, pode dar novo foco às próximas sondas enviadas ao planeta vermelho. É preciso agora identificar a origem desse gás.
Na Terra, a maior parte das emissões de metano é produzida por atividade biológica. Micróbios que processam gás carbônico e emitem o gás são comuns por aqui.
A história em Marte, contudo, pode ser outra. Uma das possibilidades é que o metano seja produzido por processos geológicos, como a reação do mineral olivina com água no subsolo.
A detecção aconteceu cerca de um ano e meio depois do pouso do Curiosity na cratera Gale, no planeta vermelho. As medições iniciais surpreenderam, pois produziram uma concentração de metano muito menor do que a estimada por observações orbitais.
Contudo, durante cerca de 60 dias, entre o fim de 2013 e o começo de 2014, o jipe viu um aumento de cerca de dez vezes na concentração do gás. Os cientistas foram capazes de descartar a hipótese de que a emissão se dá pela reação de compostos orgânicos trazidos por meteoritos e poeira cósmica com a radiação ultravioleta do Sol.
Em vez disso, ficou claro que alguma coisa está borbulhando o metano para a atmosfera, onde ele é rapidamente destruído. O enigma é biológico ou geológico?
A ExoMars é composta por várias etapas. Em 2016, partem um orbitador e um pequeno módulo de pouso. Um dos principais objetivos é fazer o mapeamento do metano na atmosfera marciana.
Em 2018, haverá um jipe, destinado a fazer análises na superfície. Entre os instrumentos, há um que poderá analisar em detalhes compostos orgânicos em Marte –talvez até encontrando uma assinatura química que possa distinguir entre origem biológica e geológica.
Em 2020, um novo jipe da Nasa também estará mais bem equipado para analisar em detalhes as moléculas orgânicas marcianas. E não se pode descartar novas e empolgantes descobertas a serem feitas pelo Curiosity, conforme ele se desloca por Marte.
De toda forma, a história da busca por vida em Marte promete ainda ter seus melhores capítulos nos próximos anos.

10.540 – Astronáutica – Nasa vai formatar a memória de robô explorador de Marte


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A Nasa anunciou que vai formatar neste mês a memória da sonda Opportunity, que exploraMarte há mais de uma década. O objetivo é resolver uma série de erros que tem interrompido o trabalho da sonda, forçando os pesquisadores a reiniciar seu sistema com frequência. Essas falhas têm causado atraso nas pesquisas científicas do robô, uma vez que cada reinicialização leva de um a dois dias, e, só no mês de agosto, o procedimento foi feito doze vezes. 

O problema está na memória flash, que retém as informações mesmo quando o sistema é desligado. Trata-se do mesmo tipo de memória que armazena as fotos em smartphones e câmeras digitais. Segundo os especialistas, partes dessa memória podem sofrer desgaste com o uso contínuo, e a sonda deve estar tentando utilizar as porções danificadas.

O procedimento de formatação é considerado de baixo risco, já que sequências mais importantes estão armazenadas em outro local, que não pode ser apagado. Com o processo, a Nasa acredita que a Opportunity vai conseguir identificar as células da memória que não funcionam bem e deixar de utilizá-las, evitando a necessidade de reiniciar a sonda com frequência.

Todos os dados serão baixados pela Nasa antes da formatação, e a sonda vai se comunicar deforma mais lenta durante o procedimento. Essa será a primeira formatação de memória da Opportunity, mas o processo já foi feito na sonda Spirit, atualmente fora de operação.

 

10.477 – Astronáutica – Inventores criam motor que pode reduzir tempo de viagem a Marte


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Mega Motor

Uma nova era das viagens espaciais pode estar em curso. Isso por conta de um motor experimental que abre a porta para viagens perpétuas pelo espaço que seriam alimentadas pelas estrelas. A ideia, aparentemente revolucionária, não é nova e tenta quebrar o ceticismo dos pesquisadores. A razão para desconfiança reside em um detalhe: seria preciso quebrar uma lei da física para que o motor, o EmDrive, cumpra as suas promessas.
A invenção usa eletricidade para gerar microondas, que, em seguida, circulam em um espaço fechado e geram o impulso. O dispositivo não precisa de propulsor, uma parte importante dos atuais mecanismos de viagem no espaço. A força gerada pelo motor não é particularmente forte, mas suas implicações são grandes. Vários experimentos independentes estão reproduzindo a capacidade do dispositivo para gerar impulso, com níveis variados de sucesso. Tudo isso é realizado com painéis que convertem energia solar em eletricidade e, em seguida, em impulso.
Os cientistas demoraram para receber o EmDrive com entusiasmo porque ele viola a lei da conservação do momento. De acordo com ela, não há como criar ou destruir o impulso – o impulso de dois objetos que colidem é igual a antes e depois do impacto. A viagem espacial depende deste princípio. Um motor de foguete típico utiliza um propulsor que cria uma explosão para gerar uma força oposta e, desta maneira, impulsiona as missões espacias humanas pelo espaço.
Neste sentido, o EmDrive parece ter encontrado uma brecha na lei. O invento é de Roger Shawyer e de sua empresa, a SPR Ltd. Ele vem trabalhando no projeto há mais de uma década. Apesar das críticas, ninguém provou, efetivamente, que sua ideia não funciona. O certo é que cientistas chineses e também a NASA estão trabalhando em projetos como o EmDrive. Caso dê certo, os satélites poderiam servir como uma aplicação da ideia, o que reduziria custos e dificuldades de funcionamento para fornecer impulso sustentável em missões no espaço profundo. Seguindo esta linha, é de se pensar que uma viagem a Marte poderia levar semanas em vez de meses.