13.865 – Mega Elefante Branco – O hotel de luxo que virou prisão de guerra e morada de sem-teto


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Inaugurado em 1955 na cidade de Beira, mil quilômetros ao sul de Maputo, a capital de Moçambique, o Grande Hotel era um dos mais sofisticados da África. Com traços curvilíneos às margens do Índico, tinha piscina olímpica, grandes escadarias, restaurantes, cinema e 122 quartos, além de um cassino, que nunca chegou a funcionar (Moçambique ainda era uma colônia de Portugal, que proibia o jogo). Apesar (ou por causa) da pompa, o hotel não atraía muita gente e o negócio logo se mostrou pouco rentável.
Em 1963, o hotel passou a ser usado apenas para grandes eventos. A última festa particular foi o Réveillon de 1981. Durante a Guerra Civil Moçambicana (1977-1992), ele serviu de base militar e cadeia para presos políticos. Após o conflito, o Grande Hotel foi abandonado, mas, com o tempo, pessoas sem moradia o ocuparam. Hoje, ele conseguiu o que não alcançou nos primeiros anos: está lotado, com 3,5 mil moradores.
Não há água encanada, luz elétrica nem saneamento básico. As enormes rachaduras nas paredes deixam claro que há risco de acidentes. Nos arredores do prédio (e até nos corredores), barraquinhas vendem produtos como açúcar, ovos, biscoitos, legumes e frutas. A antiga piscina olímpica hoje serve como uma grande lavanderia. A pobreza não é muito diferente de boa parte do país, que tem o 5º pior IDH do mundo.
Os moradores do hotel não pagam aluguel, mas, como em outras ocupações, há regras. Na falta de um serviço de coleta de lixo, é proibido jogar resíduos nas áreas comuns. Quem brigar ou causar qualquer tipo de tumulto leva uma advertência, e pode acabar banido se repetir a infração. Aqueles que agredirem mulheres ou crianças podem ser expulsos imediatamente.
Algumas famílias vivem no hotel há três gerações. Casais, idosos e crianças subdividem quartos com colchões. Mas as pessoas não ocupam apenas os leitos. Tem gente vivendo nos bares e até sob as escadas, que podem abrigar famílias inteiras. Hoje, 26 anos depois do fim da guerra, mais da metade da população do Moçambique vive com menos de US$ 60 por mês – abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco Mundial.

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11.602 – Sociedade e Miséria – O Grande Hotel Beira


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Localizado na cidade de Beira, em Moçambique, o Grande Hotel Beira foi inaugurado em 1955 e chegou a ser o maior e mais refinado do continente. Sem hóspedes, viu-se obrigado a fechar as portas depois de OITO anos.
Em seu auge, o Grande Hotel, outrora conhecido como “o orgulho da África”, contava com 122 espaçosos quartos espalhados por uma área de 21 mil metros quadrados. Seus três andares abrigavam lojas, restaurantes, cinemas, discotecas e salões de festas; além disso, o lugar oferecia uma moderníssima piscina olímpica (a única do país). Hoje, os espaços estão distribuídos entre os moradores. Nos quartos, subdivididos em quatro ou mais casas cada um, moram ao todo 378 famílias.
No início da ocupação, ainda durante a guerra civil (1977-1992), os moradores começaram a desmontar todas as peças nobres e revender o material. Assim foram embora placas de mármore do revestimento interno, o ferro dos corrimãos, os encanamentos e a fiação elétrica, deixando o complexo sem energia, sem água, sem sistema sanitário e sem equipamento de segurança. Não é raro encontrar filas de moradores enchendo baldes para uso pessoal do lado de fora, e outros com doenças derivadas das péssimas condições higiênicas. A falta de corrimãos também provoca acidentes durante a noite.

UM COMÉRCIO NO FIM DO TÚNEL
Mesmo precária, a estrutura majestosa ainda se mostra em várias partes do hotel , que é um dos maiores exemplos de reapropriação do legado colonial, ajudada pelo fracasso do poder público em oferecer uma solução para o problema da habitação. Para se sustentarem, os moradores comercializam comida e bebidas nos corredores.
O espaço interno do Grande Hotel é quase inteiramente ocupado pelos moradores. Até o antigo lobby é adaptado para moradia. Quem decide onde as pessoas vão ficar são líderes comunitários como; esses mesmos líderes também são responsáveis pela segurança dos moradores.

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7363 – Sociologia – Miséria e Violência nas Grandes Cidades


Um cientista político da USP defendeu a legalização do Jogo do Bicho, regulamentação e legalização do uso das drogas e cobrança de altos impostos para tais atividades. Sua tese é a de que a população das favelas é criminalizada pela Imprensa e que há convívio de setores da população do morro com traficantes por medo e auxílio que estes lhes dão, na ausência do poder público. Haveria também boas relações entre os traficantes e setores da classe média alta, que são seus mercados de consumo. Em São Paulo ainda chega por ano um grande número de imigrantes, coisa que já não acontece no RJ há décadas. Em ambas as cidades, a classe média alta vem se enclausurando em condomínios e shoppings.
Em pleno século XXI, grande parcela da população mundial padece com velhos inimigos, a desigualdade social e a pobreza. Estes problemas são os responsáveis por levar um grande contingente de pessoas na maioria jovens ao roubo, as drogas e ao crime organizado, estas ações, em muitos casos são alternativas para que estas pessoas tenham condições de sobreviver e serem aceitas no meio em que vivem. Este contingente marginalizado pela sociedade por não desfrutar de um bom nível de instrução e possuir um potencial econômico incapaz de subsidiar suas necessidades básicas estão à deriva e expostos a ação das facções que corrompem os cidadãos. Cabe aos governantes, instituir em seus programas de governo, uma política séria, honesta e transparente de inclusão social aos desfavorecidos, com a finalidade de combater o analfabetismo, a informalidade, a fome e o desemprego. Estas medidas devem ser uma forma de auxiliar na formação destas pessoas, prepará-las para ter as mesmas chances na busca por um emprego ou por um curso de profissionalização que é acessível a um cidadão que possui uma boa condição financeira. As grandes nações que possuem um alto potencial econômico-financeiro devem olhar com bons olhos essas causas, e dar as suas contribuições às nações mais necessitadas, quer seja de forma financeira, na abertura de seus mercados para os países subdesenvolvidos, ou de diálogo, minimizando conflitos que existem por questões raciais.

7252 – Qual é a maior favela do mundo?


Não fica no Brasil, ufa!
É a comunidade de Kibera, em Nairobi, capital do Quênia, com cerca de 2,5 milhões de habitantes. Como em toda favela, as condições de saneamento, habitação e infraestrutura são extremamente precárias. Pela definição da Organização das Nações Unidas (ONU), favela é um conjunto de moradias em que se vive sem um ou mais dos seguintes itens: água potável, instalações sanitárias próprias, segurança e número suficiente de cômodos. A África é o continente com mais gente nessas condições: 61,7% dos habitantes. Em Serra Leoa, recordista mundial, 97% da população urbana vive em barracos. A Rocinha, maior favela do Brasil, é dez vezes menor do que Kibera, com cerca de 250 mil moradores.

Fonte: Onu

7111 – Sociologia e Urbanismo – Urbanização de favelas deve valorizar o espaço público


Processos de urbanização de favelas devem dar importância para a criação de lugares públicos para a integração social da comunidade. A indicação vem de um estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. A arquiteta Marcia Grosbaum elaborou uma matriz de indicadores de avaliação, uma espécie de programa com pontos que devem ser abordados durante a elaboração de um projeto de urbanização.
As cinco propostas que compõem a matriz são: inserção social, inserção ambiental, áreas de encontro e lazer, dinâmica de uso dos espaços públicos, inserção da moradia e inserção urbana. Cada um deles especifica os indicadores importantes a serem considerados, como por exemplo no item “inserção social” o de atentar para o vínculo que os moradores da favela têm com a terra, para a oferta de serviços públicos no entorno e para a qualidade e abrangência de seus atendimentos.
As áreas de favelas se caracterizam por serem densamente e precariamente ocupadas. Cada vez mais verticalizadas e insalubres, essas áreas não passam por um progresso que regule essa ocupação. Isso faz com que beiras de córregos, áreas de risco e áreas públicas também sejam alvo dessa população que, sem alternativa de moradia digna, por causa do capitalismo selvagem e da especulação imobiliária que nos referimos em outro capítulo, migra para a periferia. Nesse processo, áreas de convívio público e de troca de relações sociais se perdem.
Como exemplos de alternativas encontradas na comunidade, podemos citar canaletas que viraram piscininhas, áreas de nascentes que, em vez de serem cobertas e encanadas, foram transformadas em fontes que integram praças, dentre diversos outros.
Esse trabalho, que é complexo e envolve diversas disciplinas, tem de ser coordenado pelo urbanista. A matriz é pensada para esse profissional, como um roteiro que ele pode seguir para repensar a estrutura das favelas e tentar solucionar os problemas da disposição dos seus espaços públicos.

3233 – Sociologia – A Mendicância


Mendigo, mendicante, morador de rua ou sem-teto é o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo garantir a sua sobrevivência com meios próprios. Tal situação de indigência material força o indivíduo a viver na rua, perambulando de um local a outro, recebendo o adjetivo de vagabundo, ou seja, aquele que vaga, que tem uma vida errante.
O estado de indigência ou mendicância é um dos mais graves dentre as diversas gradações da pobreza material.
No Brasil, numa tentativa de abordar de forma mais politicamente correta a questão dos que vivem em carência material absoluta, criou-se a expressão moradores de rua para denominar este grupo social.
Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em 2003 havia cerca de 10.700 moradores de rua na cidade de São Paulo. Até 2009 a mendicância era considerada uma contravenção penal no Brasil, quando este artigo da Lei de Contravenções Penais foi revogado pela Lei nº 11.983, de 2009. No Brasil existem muitos casos de “falsos mendigos”, uma vez que parte da população possui moradia, porém apenas dorme na rua, devido à impossibilidade de pagar por transporte público diário para retornar ao seu lar devido à seus parcos rendimentos. Também existem diversos casos de “mendigos profissionais”, pessoas que escolheram a mendicância como forma de vida, por acharem mais fácil e lucrativo mendigar do que exercer um emprego normal.
Mendigos em S.Paulo
Em ano de eleições municipais, a prefeitura, em parceria com o governo do Estado e a iniciativa privada, lança um novo plano de revitalização e ocupação do centro que pretende banir o lixo, a violência, os camelôs, os mendigos e os moradores de rua.
Batizado de Aliança pelo Centro Histórico, o programa abrange o chamado triângulo histórico: os largos de São Bento e São Francisco, as praças da Sé e do Patriarca e o Pátio do Colégio. É a cidade de São Paulo tal como era em 1810, uma área de meio quilômetro quadrado que, hoje, equivale a apenas 2% da jurisdição da Subprefeitura da Sé.

3029 – De ☻lho no Mapa – Bolsões de Miséria: A Etiópia


Castelo de um rei etíope

Etiópia no mundo

É um dos países mais antigos do mundo. Oficialmente a República Federal Democrática da Etiópia é a segunda nação mais populosa da África e a décima maior em área. O país faz fronteira com o Sudão a oeste, Djibouti e Eritreia ao norte, Somália ao leste, e Quênia ao sul. Sua capital é a cidade de Addis Ababa.
Considerando que a maioria dos Estados africanos têm muito menos de um século de idade, a Etiópia foi um país independente continuadamente desde tempos passados. Um Estado monárquico que ocupou a maioria de sua história, a Dinastia Etíope, tem suas raízes no século X a.C.. Quando o continente africano foi dividido entre as potências europeias na Conferência de Berlim, a Etiópia foi um dos dois únicos países que mantiveram sua independência. A nação foi uma dos apenas três membros africanos da Liga das Nações, e após um breve período de ocupação italiana, o país tornou-se membro das Nações Unidas. Além de ser um país antigo, a Etiópia é um dos sítios de existência humana mais antigos conhecidos por cientistas de hoje em dia que estudam os traços mais antigos da humanidade; podendo potencialmente ser o lugar em que o homo sapiens se originou. A Etiópia tem o maior número de Patrimônios Mundiais da UNESCO na África. O país também tem laços históricos próximos com as três maiores religiões abraâmicas do mundo. A Etiópia foi um dos primeiros países cristãos no mundo, tendo oficialmente adotado-o como religião do Estado no século IV. O país ainda tem uma maioria cristã, porém um terço da população é muçulmana.
O país tem, ao todo, cerca de 80 grupos étnicos diferentes hoje em dia, com o maior sendo o Oromo, seguido pelos Amhara, ambos os quais falam línguas afro-asiáticas. O país também é famoso pelas suas igrejas talhadas em pedras e como lugar onde o grão de café se originou.
No período após o derrube da monarquia, a Etiópia transformou-se em um dos países mais pobres do mundo. Ela sofreu uma série de períodos de fome trágicos na década de 1980, resultando em milhões de mortes. Lentamente, no entanto, o país começou a se recuperar, e hoje a economia etíope é uma das que mais crescem na África. Infelizmente, como em muitos lugares, este crescimento está tendo impactos negativos no meio ambiente.Pré-história
A Etiópia é considerada uma das áreas mais antigas de ocupação humana do mundo, senão a maior, de acordo com algumas descobertas científicas. Lucy, descoberta no no Vale de Awash da região Afar da Etiópia, é considerado o segundo mais antigo, mais bem preservado e mais completo fóssil adulto Australopithecus. A espécie de Lucy é chamada de Australopithecus afarensis, que significa ‘macaco do sul de Afar’, região da Etiópia onde a descoberta foi feita. É estimado que Lucy tenha vivido na Etiópia a 3,2 milhões de anos atrás. Houve várias outras descobertas notáveis de fósseis no país, incluindo o fóssil humano mais velho, Ardi.
Por volta do século VIII a.C., um reino conhecido como Dʿmt foi estabelecido ao norte da Etiópia e Eritreia, com sua capital em Yeha, norte etíope. Muitos historiadores modernos consideram esta civilização nativa da África, embora influenciada pelos sabeus, por causa de sua tardia hegemonia do Mar Vermelho, enquanto outros consideram os Dʿmt como o resultado de uma mistura dos sabeus e populações indígenas
O país tem um alto planalto central que varia de 1 290 a 3 000 m (4 232 a 9 843 ft) acima do nível do mar, com a maior montanha alcançando 4 533 m (14 872 ft). A elevação é geralmente mais alta pouco antes do ponto de descida do Vale do Rift que divide o planalto diagonalmente. Inúmeros rios cortam o planalto – notavelmente o Nilo Azul, que sobe o Lago Tana. O planalto gradualmente obliqua-se às planícies do Sudão no oeste e nos planaltos inabitados da Somália ao sudeste.
O clima é temperado no planalto e quente na planície
A estação chuvosa normal é em meados de junho e meados de setembro (sendo maior nos planaltos do sul), precedido por chuvas interminentes de fevereiro a março; o restante do ano é geralmente seco.
A Etiópia é um país ecologicamente diversificado, que vai desde desertos ao longo da fronteira oriental às florestas tropicais no sul à ao extenso Afromontane nas partes norte e sudoeste. O Lago Tana, ao norte, é a fonte do Nilo Azul. O país também tem um grande número de espécies endêmicas, notavelmente o Babuíno Gelada, e o Lobo-etíope. A ampla gama de diversidade de altitudes deu ao país uma variedade de áreas distintas ecologicamente, ajudando a estimular a evolução de espécies endêmicas na isolação ecológica.
Aproximadamente 80% da população sobrevive da agricultura, que é a espinha dorsal da economia etíope, respondendo por cerca de 90% do PIB. As exportações principais do setor são café, sementes oleaginosas, leguminosas (feijão), flores, cana-de-açúcar, forragem para animais, e uma planta conhecida por qat, que prossui propriedades psicotrópicas quando mascada. Outros produtos agrícolas importantes são cereais: trigo, milho, sorgo, cevada e o teff, cereal nativo que constitui a base da alimentação no país. As condições naturais são favoráveis à agricultura, mas as técnicas agrícolas são arcaicas e, portanto, a produção se limita ao nível de subsistência. A economia etíope é eminentemente agrícola e se encontra entre as mais atrasadas do mundo. Como ocorre com a maior parte dos países africanos, a Etiópia tem, no subdesenvolvimento e na fome, seus maiores problemas. As secas periódicas, a erosão e o esgotamento do solo, o desmatamento, a alta densidade populacional e a infra-estrutura precária tornam difícil o abastecimento satisfatório dos mercados. Os camponeses foram reunidos nas cooperativas e granjas do Estado, mas essas medidas oficiais, destinadas a melhorar a produção agrícola, tiveram pouco êxito. A pesca, a pecuária e as atividades extrativas também apresentam problemas relacionados com métodos ainda rudimentares de produção. O setor industrial (alimentos, couro, calçados, produtos têxteis, metalúrgicos e químicos) é incipiente. O governo incentivou também o turismo. Para isso melhorou os parques nacionais e a infraestrutura hoteleira. Metade da população (a terceira maior da África, perdendo apenas para o Egito e a Nigéria) sofre de subnutrição crônica.

1777-África: Fome e Guerra


Idi Amim Dada, famoso ditador de Uganda, na África, do final da década de 70

Um continente assediado pela fome. Pelas estatísticas recentes, as cifras desse flagelo não param de crescer, tornando-se mais graves e mais preocupantes. A cada ano, 27 milhões de africanos, a maioria crianças, estão ameaçados de morrer de fome. Dos 800 milhões de habitantes, pelo menos 150 milhões vivem em debilitante escassez de alimentos. Os países mais atingidos pelo flagelo são: Etiópia, Somália, Sudão, Moçambique, Malavi, Libéria e Angola. Além disso, são os mais atingidos por violentos conflitos internos, que ameaçam aumentar a ruína. No fluxo do comércio mundial, no qual a África não tem condições de tomar parte, contribuem com modestíssimos 1,5%. Anualmente os EUA destinam como ajuda 1 dólar para cada africano, enquanto Israel é beneficiado com 700 por habitante. Com a queda do comunismo, o ex-império de Stálin foram os primeiros a clamar por uma gorda fatia dessa ajuda, oferecendo em troca seus imensos mercados ao capitalismo. A África corre o risco de ver o aumento da degradação social e se transformar num continente que sobrevive da caridade alheia, sem condições de tratar seus problemas, entre eles a fome e a AIDS. A falência quase total do processo de descolonização é atestada pelo fato de que hoje 3 a cada 4 africanos vivem em estado de pobreza absoluta e a dívida externa é 5 vezes maior do que no início dos anos 80 (250 bilhões de dólares contra 50).
Ditadura-Siad Barre- Nascido em 1921 e apelidado pejorativamente de hiena foi o ditador da Somália. Calcula-se que durante o seu regime, que durou de 1969 a 1991, tenha mandado matar pelo menos 200 mil somalis, enquanto 1 milhão viu-se obrigado a procurar exílio. Conseguiu, recorrendo ao terror, manter-se no poder até 1991, quando uma revolta popular o derrubou. Zaire, um exemplo de degradação – Submetido à ditadura de Mobutu a partir de 1965, o país compreende 450 línguas e tribos. Em 1991, a renda média de um cidadão de lá era de 92 dólares por ano, muito abaixo dos 5370 dólares pelos quais o Banco Mundial mede o limite da pobreza. Uma obra ilustrada de 180 páginas chegou a custar 1250 mil zaires e um operário mais que 30 a 50 mil por mês, em 1985 1 Zaire equivalia a 2 dólares. O país é ex-colônia belga, o Congo Belga. Independente desde 1960. O regime pós-colonialista levou o país a beira da falência e por isso o trono de Mobutu, que parecia intocável, começou a ruir. A resistência dos donos do poder, quase sempre apoiados por militares locais, ainda é muito forte e certamente não serão afastados com facilidade e nem em curto prazo.

1607-África, Um Continente Doente


Um continente que reúne condições altamente desfavoráveis. 29 dos 36 países mais pobres do mundo estão ao sul do Saara, uma região onde o PNB anual gira em torno dos 300 dólares per capita, enquanto a renda média anual dos países mais desenvolvidos do mundo ultrapassa 10 mil. Ao norte a situação é um pouco melhor e na áfrica do Sul há uma comunidade relativamente próspera, mas de um modo geral, o quadro é bastante sombrio. As taxas de mortalidade infantil são as maiores do mundo e o continente tem sido devastado pela seca e pela fome, como já temos visto no decorrer do Mega Arquivo. A ONU inclui a saúde e a alimentação entre os direitos básicos do ser humano. No entanto, passado meio século da criação da ONU, existem ainda enormes disparidades entre as condições dos países mais desenvolvidos e dos menos. 75% da população mundial vivem em países subdesenvolvidos e esse enorme contingente só tem acesso a 6% dos gastos mundiais com saúde. A expectativa de vida no continente africano é de 48,6 anos, a menor do mundo. O percentual de africanos que vivem em pobreza absoluta aumentou de 82% em 1974 para 91% em 1982. Todo ano, 1,5 milhão de hectares são engolidos pelo Saara, além das doenças endêmicas transmitidas por moscas. A produção de alimentos não consegue acompanhar o crescimento da população e o continente precisa importar anualmente 20 milhões de toneladas de cereais. Além das doenças tropicais, a África enfrenta outras doenças típicas de climas mais temperados. A malária mata quase 1 milhão de africanos por ano; 200 milhões estão infectados pela esquistossomose; há 5 milhões de leprosos, 1/3 da população está infestada de vermes e a anemia é tão comum que a taxa média de hemoglobina de seus habitantes é 15% menor que dos europeus. Mas tais dados apenas oferecem uma visão parcial das condições de saúde, a lista de doenças no continente é interminável. Deslocados pela seca, crianças e velhos perdem a esperança e ficam praticamente reduzidos a inanição, na imundície de abrigos improvisados.
AIDS, Ai da África
Tal síndrome vem absorvendo ainda mais os já exíguos recursos do continente. É provável que haja entre 2 e 3 milhões de portadores do vírus. Se a cada ano 1% deles adquirirem a doença (estimativa moderada) se registrarão a cada ano 10 mil casos novos. O que difere lá é que as contaminações são mais comuns por via heterossexual, o contrário ocorre na Europa e EUA, onde as transmissões são feitas principalmente por via homossexual. Carente de recursos adequados, sujeita a desnutrição e a anemia, a população africana está muito mais vulnerável á destruição pelo vírus HIV. Com uma média anual de gastos de 1,75 dólares por pessoa apenas, em algumas regiões, em algumas regiões, 20% dos doadores de sangue têm anticorpos HIV. Apesar dos esforços das autoridades sanitárias para combater a epidemia, a contaminação não para de aumentar. A incidência dos anticorpos HIV entre as prostitutas de Nairóbi subiu de 4% em 1980 para 59% em 1986. A doença ataca também o setor produtivo, já que a idade média dos aidéticos é de 33,6 anos, o que prejudica a força de trabalho.
O que esperar do futuro?
As tentativas para solucionar os problemas de desenvolvimento e de melhorias nos serviços de saúde tem fracassado. Grandes projetos como o da construção de enormes represas não tiveram impacto positivo na economia, pelo contrário, provocaram efeitos adversos sobre as condições de saúde. A ajuda estrangeira tem decrescido a proposta de uma nova ordem econômica mundial parece fadada ao insucesso; destinada a tornar mais justo o comércio internacional e dar chance aos menos favorecidos de progredir e se industrializar. Para minimizar os problemas africanos as cifras são astronômicas: pelo menos a metade da população tem que ter água potável,é necessário vagas escolares para pelo menos 18% da população, um milhão de novos leitos hospitalares, mais de 155 mil médicos e outros 640 mil funcionários na área de saúde; 2,8 de professores e criar 72 milhões de vagas escolares. As despesas só no setor de saúde e educação chegariam a 7,8 bilhões, só para atender as exigências mínimas. Por uma série de motivos, mas principalmente por egoísmo da comunidade internacional, as verbas tem sido insuficiente. Os gastos militares no mundo aproximam-se da marca de 1 trilhão de dólares enquanto a ajuda oficial corresponde á miserável ajuda de 0,33% do PNB dos países ricos, menos de 35 bilhões de dólares, onde apenas 3,9 bilhões se destinam a programas de saúde. Como problemas sociais e pobreza existem mesmo nos países ricos, isso dificulta ainda mais o desvio de recursos para o exterior. O setor militar, porém poderia reduzir seus gastos sem prejuízos sociais. Com uma bem planejada transferência de tecnologia militar para a indústria civil, não haveria desemprego.

Sociedade – Escravidão em S. Paulo


Fazendas da região de Araraquara fazem contratação por tempo determinado, quando deveriam fazer por prazo indeterminado. 160 Colhedores da fazenda Fitipaldi Citrus estavam com contrato rompido na carteira, mas continuavam trabalhando. Em Nova Odessa, 50 trabalhadores rurais trazidos da Paraíba foram libertados da condição de escravidão em que viviam em alojamentos. Eles estavam sem salário e eram obrigados a fazer dívidas para pagar alimentação. O empreiteiro foi preso.

Exclusão Social em SP – Segundo a PUC no início da década
Nos últimos 10 anos que antecederam a pesquisa, a população que vive em áreas de exclusão social em S. P, cresceu 1,1 milhão de habitantes. Na zona sul estão os 2 extremos: Moema com os melhores números e Jardim Ângela com os piores. Na pesquisa são considerados 47 indicadores sociais como renda, educação, acesso a serviços públicos, condições de moradia, mortalidade na infância, homicídio juvenil e etc.
Ranking da miséria em SP:                           E os 10 melhores:
1° – Jardim Ângela                                             1° – Moema
2° – Grajaú                                                            2° – JD Paulista
3° – Lajeado                                                      3° – Pinheiros
4° – Cidade Tiradentes                                      4°- Alto de Pinheiros
5° – Parelheiros                                                  5° – Itaim Bibi
6° -JD Helena                                                     6° – S. Amaro
7° – Iguatemi                                                     7° – Perdizes
8° – Pedreira                                                     8° – V Mariana
9° – Brasilândia                                                  9° – Consolação
10° Itaim Paulista                                           10° – Lapa

Globalização – Bom para a minoria -Apesar dos avanços sociais e democráticos, o abismo entre ricos e pobres se aprofundou. Nos anos 60, os 20 países mais ricos tinham 30 vezes mais dinheiro e hoje é 70 vezes. Havia 1,3 bilhão de pessoas vivendo com menos de 2 reais por dia segundo a ONU. Cerca de 2,5 bilhões vivem sem saneamento basico, 1 bilhão sem água potável (98% em países subdesenvolvidos). A falta de esgoto mata por hora quase 1000 crianças. Os bebês do mundo pobre já nascem com expectativa de vida reduzida em 10 anos em relação ao hemisfério rico. A precariedade na na formação cria uma leva de trabalhadores marginalizados (sobretudo nordestinos), incapazes de atender as exigências do mercado de trabalho.