10.598 – Seremos pegos de surpresa? Apenas 10% dos asteroides de médio porte foram localizados pela Nasa


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No ano de 2005, um congresso da Nasa rendeu uma missão específica à agência espacial: localizar 90% dos asteroides próximos à Terra até o ano de 2020. Contudo, nove anos depois do tal evento, foi divulgado que apenas 10% dessa informação já foi compilada pela empresa.
De acordo com o inspetor geral Paul Martin, houve um significativo aumento no número de descobertas desde 2010, mas que possivelmente a Nasa não será capaz de bater a meta até 2020.
O fato vem à tona depois de um pequeno asteroide ter passado extremamente próximo ao nosso planeta na semana passada. O corpo celeste esteve 10 vezes mais perto que a Lua e só foi descoberto pelos nossos satélites uma semana antes. Caso o asteroide fosse maior, ainda estaríamos vivendo as consequências de sua passagem próxima à Terra.
Por mais aterrorizante que possa parecer essa situação, dificilmente daremos de cara com um gigantesco corpo celeste que irá acabar com a vida humana na Terra. Isso se dá por cientistas terem encontrado mais de 90% dos asteroides capazes de tal feito (aqueles com largura maior que um quilômetro) e nenhum deles está vindo para cá. Contudo, as más notícias aparecem quando descobrimos que os asteroides de médio porte (maiores que 140 metros de largura e também muito capazes de causar grandes danos a nós) podem atingir a Terra com muito mais frequência e que apenas pouquíssimos já foram reconhecidos.
Um caso em específico mostra bem as consequências de uma colisão de médio porte: o evento de Tunguska. No ano de 1908, um asteroide entre 30 e 60 metros de largura atingiu uma região remota da Sibéria. Calcula-se que sua explosão gerou uma quantidade de energia mil vezes maior do que a bomba atômica de Hiroshima, acabando com mais de 80 milhões de árvores em uma região de 1300 km².
Especialistas afirmam, no entanto, que casos assim ocorrem uma vez por vários séculos. Mesmo assim, não deixam de ocorrer. Outro exemplo, mas de menor proporção, foi o do asteroide de 18 metros de largura que passou sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia, no ano passado. Mais de mil pessoas ficaram feridas por causa de janelas quebradas e, cientificamente, casos assim são muito mais comuns.
Cientistas afirmam que o passo mais importante para proteger o planeta de um asteroide é encontrá-lo. Exatamente por isso, o projeto “Near-Earth Object Program” – responsável por cumprir a missão dos 90% – recebeu 40 milhões de dólares em investimento nos últimos cinco anos.
Porém, para conseguir visualizar corpos desse tipo, seria melhor se os telescópios estivessem no espaço. E eles não estão. Por motivos financeiros, esses aparelhos têm que trabalhar da Terra, diminuindo sua efetividade por causa da atmosfera e do brilho do sol. Duas fundações estão angariando fundos para levarem seus satélites ao espaço, mas atingir os 450 milhões de dólares não tem sido fácil.
Depois de reconhecer, não há problemas para “abater” o asteroide. A ação normal seria enviar uma nave para dividir o corpo em menores partes, assim fazendo com que não atinja a Terra. A ONU possui uma proposta de reunir as agências espaciais de todo o mundo para viabilizar uma “resposta padrão generalizada” contra esse tipo de ameaça, mas ainda aguarda a confirmação das parcerias, já que se estima um custo de dois bilhões e meio de dólares.

tabela de asteroides

9241 – Meteoritos como o que atingiu a Rússia podem ser dez vezes mais comuns do que o previsto


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Em meados de fevereiro, um meteorito atingiu uma região próxima à cidade de Chelyabinsk, na Rússia. A maior parte de sua massa se desintegrou no ar, mas a onda de impacto foi forte o suficiente para ferir mais de 1 500 pessoas. O evento foi capturado por uma série de câmeras espalhadas pela região, o que possibilitou aos cientistas realizarem estudos detalhados de sua origem, trajetória e destruição. A conclusão das pesquisas não é tranquilizadora: esse tipo de impacto pode ser até dez vezes mais comuns do que se pensava.
A queda do asteroide aconteceu sobre uma área densamente povoada da Rússia, onde pôde ser observada por uma série de equipamentos eletrônicos, desde instrumentos científicos até centenas de câmeras amadoras. A enorme disponibilidade de imagens forneceu aos pesquisadores uma oportunidade única para analisar o maior meteorito a atingir o planeta nos últimos cem anos.
O estudo dessas filmagens deu origem a três pesquisas publicadas duas delas na revista Nature e uma na Science. “Se a humanidade não quiser seguir o caminho dos dinossauros, precisamos estudar um evento como esse em detalhes”, diz Qing-Zhu Yin, professor da Universidade da Califórnia, que participou do estudo publicado na Science.
Ao analisar o caminho percorrido pela bola de fogo no céu — e capturada por uma série de câmeras no solo — os cientistas conseguiram detalhes importantes de sua trajetória. Segundo os estudos, a bola de fogo teve origem em um asteroide com cerca de 19 metros de diâmetro, que entrou na atmosfera a uma velocidade de 19 quilômetros por segundo — mais de cinquenta vezes mais rápido que a velocidade do som.
Conforme penetrava na atmosfera terrestre, o meteorito foi se desgastando por causa do atrito com ao ar. A partir dos 45 quilômetros de altura, ele começou a se desintegrar em diversos pedaços, até que, a 27 quilômetros da superfície, explodiu em uma bola de fogo, poeira e gás. Nesse momento, a luz emitida pelo objeto foi até trinta vezes mais brilhante que a do sol e pôde ser vista por pessoas localizadas a até 100 quilômetros de distância — causando, inclusive, queimaduras.
Os pesquisadores estimam que cerca de três quartos do asteroide evaporou nesse instante. A maior parte do material que restou virou poeira e apenas cerca de 4 000 quilos — 0,05% de sua massa total — atingiu a superfície terrestre como meteoritos. A maior peça, pesando 570 quilos, foi encontrada por mergulhadores no fundo do lago Chebarkul, em outubro.
Ao desenhar o caminho percorrido pelo meteoro na atmosfera terrestre, os pesquisadores também conseguiram estimar a rota que percorreu antes de atingir o planeta. Descobriram, assim, que o impacto não foi previsto por nenhum astrônomo, pois, nos últimos anos, percorreu uma órbita que não podia ser vista a partir de telescópios terrestres.
Essa trajetória é muito semelhante à de outro corpo que gira em volta do Sol e passou perto da Terra recentemente: o asteroide 86039, de dois quilômetros de diâmetro. Segundo os pesquisadores a semelhança entre as duas órbitas é tanta que, muito provavelmente, ambos os corpos faziam parte de um mesmo asteroide, que se fragmentou no meio do caminho.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ASTEROIDE, METEORITO E METEORO?
Asteroides são corpos celestes menores que planetas que vagam pelo Sistema Solar desde sua formação, há 4,6 bilhões de anos. Meteoritos são pedaços de asteroides que eventualmente atingem a superfície da Terra. Meteoros são os rastros luminosos produzidos por pedaços de asteroides em contato com a atmosfera da Terra, resultado do atrito com o ar, e são popularmente reconhecidos como estrelas cadentes.

9034 – Astronomia – O Meteoro de Chelyabinsk


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No dia 15 de fevereiro de 2013, vídeos e palavras-chaves sobre um meteoro que acabara de atingir a Rússia ganharam força em várias redes sociais. Após às 9h20 (horário de Brasília) daquele dia, tags como #meteoronarussia ou apenas #meteoro figuraram nos trending topics do Twitter. No Youtube e no Facebook, eram postados vídeos em que se via o rastro do meteoro no céu da Rússia. Muitos não acreditaram, achando que seria mais uma jogada de marketing ou um vídeo viral. Porém, momentos após, os veículos de comunicação da Rússia confirmaram que um meteoro havia atingido a atmosfera terrestre na região dos Urais e explodido sobre a cidade de Chelyabinsk.
Institutos de pequisa russos informaram que, ao adentrar a atmosfera da Terra, o meteoro teria 17 metros de diâmetro e 10 mil megagramas de massa, produzindo 500 quilotrons de energia durante a ocorrência do fenômeno. A liberação de energia do evento superou, até mesmo, a da bomba de Hiroshima, que liberou aproximadamente 13 quilotons. Depois de se dividir em pequenos pedaços sobre Chelyabinsk, a parte mais volumosa do objeto afundou no lago Chebarkul.
Após o incidente, a RIA Novosti, uma das principais agências de notícias da Rússia, informou, através de órgãos oficiais, a detecção de uma explosão em uma altitude de 10 mil metros, na troposfera. Porém, a Academia de Ciências da Rússia indicou a distância de aproximadamente 50 quilômetros de altitude. Já a velocidade do objeto seria de 108 mil quilômetros por hora. A duração do evento foi de 32,5 segundos.
Mil e duzentas pessoas foram socorridas devido aos efeitos causados pelo meteoro de Chelyabinsk. A onda de impacto do objeto estilhaçou vidros e causou danos. Prédios e casas da região onde o evento ocorreu foram danificadas, sendo que duas pessoas foram atendidas em estado grave. Em Chelyabinsk, foram projetadas sombras enormes que resultaram do calor do atrito entre o ar atmosférico e o meteoro e puderam ser vistas a olho nu de áreas vizinhas.
Desde o ano de 1908, quando ocorreu o evento de Tunguska, esse foi o maior objeto a adentrar a atmosfera da Terra. O incidente serviu de alerta para a comunidade científica internacional, pois, o meteoro de Chelyabinsk fazia parte de um grupo de asteroides chamado Apollo, que orbita próximo à Terra de forma perigosa. Neste grupo, o asteroide 99942 Apophis pode atingir a Terra de 2036.