13.341 – Mega Sampa – O Museu de Arte de São Paulo


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Museu Assis Chateaubriand (mais conhecido pelo acrônimo MASP) é uma das mais importantes instituições culturais brasileiras. Localiza-se, desde 7 de novembro de 1968, na Avenida Paulista, cidade de São Paulo, em um edifício projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi para ser sua sede. Famoso pelo vão de mais de 70 metros que se estende sob quatro enormes pilares, concebido pelo engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, o edifício é considerado um importante exemplar da arquitetura brutalista brasileira e um dos mais populares ícones da capital paulista, sendo tombado pelas três esferas do poder executivo. O engenheiro responsável foi Isac Grobman.
A década de 1940 caracterizou-se no Brasil como um período de grande efervescência no plano econômico e político. A ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, havia marcado o fim do liberalismo e uma maior interferência do Estado na vida econômica do país, mas fatores de ordem internacional, como a Segunda Guerra Mundial e a crise de 1929, favoreceram um surto de desenvolvimento industrial, em substituição ao ciclo do café, tendo como conseqüência direta a criação das condições necessárias ao crescimento urbano e à instalação de uma “estrutura cultural” no país. Em São Paulo, particularmente, o período se notabilizou pela consolidação de um vigoroso parque industrial. O estado, a essa altura, já havia suplantado o Rio de Janeiro como principal produtor de bens de consumo do país. A capital paulista prosseguia em sua trajetória de extraordinário crescimento populacional. Atraindo muitas indústrias e concentrando uma expressiva e poderosa elite, abandonava progressivamente o aspecto de cidade provinciana.
O paraibano Assis Chateaubriand, fundador e proprietário dos Diários Associados – à época o maior conglomerado de veículos de comunicação do Brasil – foi uma das figuras mais emblemáticas desse período. Comandava um verdadeiro império midiático, composto por 34 jornais, 36 emissoras de rádio, uma agência de notícias, uma editora (responsável pela publicação da revista O Cruzeiro, a mais lida do país entre 1930 e 1960) e se preparava para ser o pioneiro da televisão na América Latina – e futuro proprietário de 18 estações. Dono de um espírito empreendedor, Chateaubriand manteve uma postura ativa no processo de modernização do Brasil e utilizava-se da influência de seu conglomerado para pressionar a elite do país a auxiliá-lo em suas iniciativas, quer fossem políticas, econômicas ou culturais. Em meados dos anos quarenta, criou a “campanha da aviação”, que consistia em enérgicos pedidos de contribuições para a aquisição de aeronaves de treinamento a serem doados ao aeroclubes do país. Como fruto da iniciativa, cerca de mil aviões foram comprados e doados às escolas para formação de pilotos. Terminada a campanha, Chateaubriand iniciaria uma nova e ousada empreitada: a aquisição de obras de arte para formar um museu de nível internacional no Brasil.
Chateaubriand pretendia sediar o futuro museu no Rio de Janeiro, mas optou por São Paulo por acreditar que nessa cidade teria mais sucesso em arrecadar os fundos necessários para formar a coleção. O mercado de arte internacional passava por um momento propício para quem dispunha de fundos para adquirir obras de relevo e o Brasil passava por um momento de grande prosperidade. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a Europa em reconstrução, muitas coleções eram postas à venda. O aumento exponencial da oferta derrubou os preços das obras de arte em níveis inéditos.
Nos três primeiros anos de atividade, o museu funcionaria em uma sala de mil metros quadrados, no segundo andar do Edifício Guilherme Guinle, na rua Sete de Abril, centro de São Paulo, projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon para ser a sede dos Diários Associados.
O museu foi inaugurado em 2 de outubro de 1947, com a presença do governador do estado, Ademar de Barros e do ministro da educação, Clemente Mariani, além de outras personalidades do mundo artístico e político. No dia seguinte, os primeiros visitantes chegaram para ver a incipiente coleção, ainda com poucas peças, destacando-se o Busto de atleta, de Pablo Picasso e o Auto-retrato com barba nascente, de Rembrandt. Duas exposições temporárias também puderam ser vistas: uma com a Série Bíblica de Cândido Portinari e outra com obras de Ernesto de Fiori.

As escolas do MASP
Três anos após a fundação, visando acomodar o crescente acervo, o museu passou a contar com mais três andares do Edifício Guilherme Guinle. O terceiro andar foi reservado para a coleção permanente e se destacava pelo partido museológico adotado: as paredes eram suspensas por tirantes de aço, com iluminação planejada e sem a intervenção de paredes. Cursos e palestras ocupavam o quarto e o décimo-quinto andares. No segundo andar, ficavam os auditórios, e espaços expositivos, além de biblioteca e laboratório fotográfico. Os novos espaços foram inaugurados pelo presidente da república, Eurico Gaspar Dutra, com a presença do banqueiro Nelson Rockefeller e do cineasta Henri-Georges Clouzot.
A ampliação dos espaços permitiu ao museu diversificar a sua atuação didática. Assim, em 1950, foi criado o Instituto de Arte Contemporânea, englobando diversos cursos, com o objetivo principal de suprir importantes lacunas no ensino técnico e artístico da cidade. O primeiro curso ministrado pelo instituto foi o de gravura, aos cuidados de Poty Lazzarotto e Renina Katz. O de desenho foi confiado a Roberto Sambonet, importante designer italiano. Gastone Novelli e Waldemar da Costa lecionaram pintura, e o polonês August Zamoyski, escultura.
O longo período de apresentações de obras do museu na Europa foi bastante prolífico para o aumento da coleção. À medida que as exposições iam se sucedendo, apareciam boas oportunidades no mercado. Bardi e Chateaubriand decidiram, portanto, comprar mais algumas obras. Para isso, assumiram uma dívida considerável com duas tradicionais galerias comerciais, a Wildenstein e a Knoedler. Quando as obras foram apresentadas nos Estados Unidos, o representante da Galeria Knoedler, Walter J. Leary, impaciente por uma solução, decidiu executar a dívida, solicitando à justiça norte-americana o seqüestro das obras. Georges Wildenstein recusou-se a tomar a mesma atitude. A respeito do assunto, declarava: “Somos criadores e não liqüidantes de museus”.
Para efetuar o pagamento, Chateaubriand solicitou a David Rockefeller um crédito de cinco milhões de dólares junto à Morgan Guaranty Trust Company, a ser pago em parcelas semestrais. A garantia de pagamento era o penhor de todo o acervo. A dívida, no entanto, era demasiadamente alta, e somente a primeira parcela foi paga. Diante da possibilidade das obras serem confiscadas, Chateaubriand recorreu diretamente ao presidente, Juscelino Kubitschek, que autorizou a Caixa Econômica Federal a conceder um empréstimo ao museu para honrar as dívidas contraídas no exterior, detendo dessa forma o controle da coleção. Os futuros problemas financeiros do museu impediriam que a dívida junto ao governo brasileiro fosse paga. A situação só seria equacionada muito tempo depois, durante a gestão de Antônio Delfim Netto no Ministério da Fazenda, quando, para quitar o débito, o governo decidiu utilizar todo o montante arrecadado com a Loteria Esportiva, destinada, por lei, à cultura.
Assis Chateaubriand não chegaria a ver a inauguração da nova sede do MASP. Faleceu alguns meses antes, em 4 de abril de 1968, vítima de uma trombose. Seu império jornalístico, por sua vez, já havia começado a se esfacelar desde o início da década de 1960, com dívidas crescentes e com a concorrência da rede de jornais de Roberto Marinho, fazendo escassear os recursos que haviam permitido a formação do acervo.
Apesar das dificuldades financeiras do MASP terem se agravado após a morte do fundador, impossibilitando a aquisição de novas obras, o museu conservou seu perfil de instituição dinâmica. Em 1970, organizou e sediou a primeira edição do Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos, do qual participaram artistas consagrados, como Burne Hogarth e Lee Falk, entre outros. Em 1973, o museu foi convidado a expor obras do acervo em várias instituições japonesas, iniciando um longo e profícuo intercâmbio com este país. Quando retornou, a coleção foi apresentada no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Parte do acervo seguiria novamente para o Japão, em uma série de exposições realizadas entre 1978 e 1979.
Em 1977, em comemoração aos 30 anos do museu, Leon Cakoff, crítico, jornalista e diretor do Departamento de Cinema do MASP, organizou a Mostra Internacional de Cinema, com 16 longa-metragens e 7 curtas de 17 países, e inaugurou a modalidade de voto do público para a escolha do melhor filme. O vencedor da primeira edição foi Hector Babenco, com Lúcio Flávio, o passageiro da agonia. A mostra, realizada anualmente desde então, tornou-se uma das mais importantes e tradicionais do Brasil. Seguiu vinculada ao museu até 1984, quando ganhou autonomia.

Roubo de obras do acervo
No dia 20 de dezembro de 2007, por volta das cinco horas da manhã, três homens invadiram o museu, levando duas obras importantes do acervo: O Lavrador de Café de Cândido Portinari e Retrato de Suzanne Bloch de Pablo Picasso. A ação durou cerca de três minutos.
A atual sede do MASP foi erguida pela Prefeitura de São Paulo, e inaugurada em 1968, com a presença da soberana britânica, a rainha Isabel II. É uma das principais obras da arquitetura modernista no país. O edifício foi erguido no terreno do antigo Belvedere do Trianon, na Avenida Paulista, de onde se avistava o centro da cidade e a serra da Cantareira. O doador do terreno à prefeitura, o engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, construtor da avenida Paulista e precursor do urbanismo no Brasil, havia vinculado a doação do terreno à municipalidade ao compromisso expresso de que jamais se construiria ali obra que prejudicasse a amplidão do panorama. Desse modo, o projeto exigia ou uma edificação subterrânea ou uma suspensa. A arquiteta Lina Bo Bardi e o engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, optaram por ambas as alternativas, concebendo um bloco subterrâneo e um elevado, suspenso a oito metros do piso, através de quatro pilares interligados por duas gigantescas vigas de concreto.
O Museu de Arte de São Paulo possui a maior e mais completa coleção de arte ocidental da América Latina e de todo Hemisfério Sul.
A coleção de arte italiana do MASP abrange um amplo período, que vai das manifestações artísticas da Idade Média, até o Fovismo de Filippo De Pisis. Do período bizantino, há estatuetas em marfim (Figura de Anjo, século XII) e obras de ourivesaria de temática sacra, ornados com prata e pedras preciosas. Na coleção de pinturas, estão representadas a arte tardo-medieval, com a Madona de Mestre do Bigallo, e o Gótico italiano (Mestre de San Martino alla Palma, Paolo Serafini da Modena, Ottaviano Nelli e Mestre de 1416).
A coleção de arte francesa representa o núcleo mais numeroso do acervo, e é conhecida por sua densidade e homogeneidade, especialmente no que se refere aos movimentos artísticos dos séculos XVIII e XIX. A produção artística referente ao período gótico e à Renascença (séculos XIII ao XV]) encontra-se representada por estatuetas e bustos relicários de temática sacra, finamente adornados com filigranas e pedras semi-preciosas. Os séculos XVI e XVII, embora escassos na coleção, emergem no maneirismo de François Clouet e nas composições barrocas de Nicolas Poussin e Pierre Mignard.
O segmento referente à arte espanhola no acervo do MASP cobre um arco de mais de oito séculos, sendo Virgem sobre o Trono, obra da escola castelhana do século XII, a mais remota cronologicamente. É imperioso citar ainda o retábulo O Juízo Final, do Mestre da Família Artés, único representante do renascimento ibérico na coleção.
Embora seja um museu especializado na história da arte internacional, o acervo do MASP conserva momentos de grande intensidade das artes no Brasil, desde os registros pictóricos de Frans Post no século XVII, passando pela estatuária barroca de Aleijadinho, até as mais recentes manifestações artísticas contemporâneas.

Arqueologia
O MASP possui um acervo de antiguidades egípcias, gregas, itálicas, italiotas e romanas que se destaca no Brasil por sua raridade e qualidade. São objetos provenientes das mais importantes civilizações que floresceram no mediterrâneo oriental e ocidental. A maioria provém da Doação Lina Bo e Pietro Maria Bardi, feita ao museu em 1976. O acervo egípcio é constituído por artefatos datados do Antigo Império (2575 a.C.) ao Período Romano (50 d.C.). O essencial do grupo é formado por objetos religiosos de variadas temáticas, como estatuetas divinas (Deus Thot, Hórus, Osíris etc.), fragmentos de pinturas tumulares, amuletos, ushabtis (figuras mumiformes) e estelas votivas. O grande destaque da coleção é a peça Ísis Lactante com Hórus, uma estatueta de bronze do período ptolomaico (332 – 31 a.C.)

O MASP conserva em seu acervo uma coleção de aproximadamente 900 fotografias de 245 autores consagrados no meio artístico brasileiro. São provenientes de um projeto desenvolvido desde 1990 conjuntamente, pelo museu e pela Pirelli S.A., e deve sua relevância à multiplicidade de questões histórico-sociais, estéticas e formais. Dentre os fotógrafos presentes na coleção, merecem destaque Sebastião Salgado, Pierre Verger, Araquém Alcântara, Nair Benedicto, Adenor Gondim, Guy Veloso, Flavya Mutran, Juca Martins, Klaus Mitteldorf e Arthur Omar, entre outros.

Biblioteca
A “Biblioteca e Centro de Documentação do MASP” tem como finalidade guardar, preservar, organizar e divulgar todo o material bibliográfico, iconográfico e histórico existente na instituição. O valioso acervo especializado em artes plásticas, arquitetura, história da arte, design, fotografia e eventos afins, é composto de aproximadamente 60 000 volumes entre livros, livros raros, catálogos de exposições, periódicos, teses e boletins de museu. Trata-se da principal fonte de pesquisa para o estudo da História da Arte em São Paulo e é uma das maiores bibliotecas especializadas em arte do país. Entre os livros raros, encontram-se preciosidades como Trattato della Pittura, de Leonardo da Vinci (1792), Le Fabbriche e I Disegni, de Andrea Palladio (1796), Vita Del Cavaliere Gio. Lorenzo Bernino (1682) e Ragionamenti Del Sig. Cavaliere Giorgio Vasari (1588), entre outros.

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