10.390 – Cientistas criam “marca-passo transgênico” em estudo com porcos


marca passo p porco

A inserção de um único gene em células do coração de porcos com problemas cardíacos foi suficiente para transformá-las num marca-passo biológico, devolvendo ao coração dos bichos seu ritmo normal.
A estratégia, bolada por cientistas nos EUA e em Taiwan, tem potencial para ajudar pessoas cujos organismos rejeitam os marca-passos eletrônicos disponíveis hoje e, no futuro, poderia até substituí-los totalmente.
O feito, descrito na revista especializada “Science Translational Medicine”, em edição publicada recentemente, foi coordenado por Eduardo Marbán, do Instituto do Coração Cedars-Sinai, em Los Angeles.
Os pesquisadores intuíram que seria possível chegar a esse marca-passo biológico porque, afinal de contas, ele já existe em corações normais.
Trata-se do chamado nódulo sinoatrial, uma região desses órgãos que abriga células especializadas, responsáveis por lançar impulsos elétricos. São esses pequenos “choques” que mantêm afinado o ritmo cardíaco.
Para que essas células assumam sua função, é crucial o gene TBX18, que contém a receita de um fator de transcrição (molécula que liga e desliga outros genes).
O caminho a seguir, portanto, não era complicado: inserir esse gene em células do coração “” o que os pesquisadores fizeram por meio de um cateter, levando vírus geneticamente modificados para carregar esse pedaço de DNA.
Os porcos que passaram pelo cateterismo sofriam de bloqueio cardíaco de terceiro grau, uma doença do coração que deixava seus batimentos cardíacos em níveis muito baixos –apenas 50 batidas por minuto, causando desmaios e vertigens.
Após o procedimento, essa situação se normalizou, permitindo inclusive que eles fizessem exercícios sem dificuldade.
O efeito durou apenas duas semanas. “Mas achamos que ele pode até se tornar permanente”, afirmou Marbán. Os pesquisadores consideram que o risco de usar o vírus é baixo, porque sua ação fica restrita ao local afetado pelo cateterismo.
Por enquanto, o objetivo deles é testar a abordagem em pessoas que sofrem de infecções graves causadas pelos marca-passos eletrônicos, que poderiam ter uma “folga” do aparelho enquanto se recuperam.
Também seria interessante usar o gene para ajudar bebês que, ainda na barriga da mãe, apresentam defeitos em seus marca-passos naturais –nesses casos, não é possível colocar o aparelho, e os bebês podem acabar morrendo logo após o parto.

9896 – Cardiologia – Revestimento cardíaco de silicone


Revestimento-cardíaco

John Rogers talvez seja o James Brown dos dispositivos eletrônicos elásticos. Como chefe do Grupo de Pesquisas Rogers, da Universidade de Illinois em Urbana- Champaign, ele está sempre demonstrando seu talento com tatuagens eletrônicas ou implantes médicos que se dissolvem.
Agora ele está de volta com mais uma invenção genial: um revestimento cardíaco eletrônico. O dispositivo se parece com uma bainha de silicone, que é instalada ao redor dos órgãos para monitorar a saúde e tratar doenças. Embora não seja a primeira incursão de Rogers no mundo dos sensores dobráveis, é o primeiro implante elástico a cobrir um órgão inteiro.
Rogers e sua equipe embutiram 68 sensores em uma folha de silicone e a esticaram sobre uma réplica 3D impressa do coração de um coelho. Em seguida, os pesquisadores a transferiram para o coração de um coelho de verdade, que estava batendo fora do corpo do animal. O grupo usou a réplica para obter um ajuste perfeito, já que o excesso de pressão sobre o órgão poderia interferir no ritmo cardíaco.
Vários equipamentos de geração de imagens foram usados para coletar os dados dos sensores, demonstrando que o dispositivo pode detectar medidas biométricas com precisão, como a temperatura, a atividade elétrica e os níveis de pH em diferentes áreas do órgão.
Rogers acredita que o dispositivo pode ser uma alternativa ao marcapasso, já que o implante reveste completamente o órgão e pode conter eletrodos que estimulam o coração. Os cientistas também estão trabalhando para fazer o revestimento e seus componentes eletrônicos se dissolverem quando não forem mais necessários.
O maior obstáculo seria o abastecimento do dispositivo, mas o uso de microbaterias e a transmissão de energia por rede sem fio são soluções possíveis. Os pesquisadores agora pretendem adaptar o sistema a outros órgãos. “Sua capacidade de se curvar ao redor de uma superfície é uma grande vantagem”, declarou Rogers à revista New Scientist . “A ideia pode ser aplicada a qualquer órgão”.

8112 – Medicina – Como funciona o marca-passo?


marcapasso

É um dispositivo de aplicação médica que tem o objetivo de regular os batimentos cardíacos. Isto é conseguido através de um estímulo elétrico emitido pelo dispositivo quando o número de batimentos em um certo intervalo de tempo está abaixo do normal, por algum problema na condução do estímulo natural do coração pelo seus tecidos antes de atingir os ventrículos.
Os primeiros aparelhos marca-passo eram externos e de certa forma perigosos pois poderiam potencialmente eletrocutar seu portador. Atualmente o tamanho do aparelho foi reduzido e pode ser implantado no corpo do paciente pois é selado hermeticamente numa cápsula de metal e possui pilhas recarregáveis através de terminais externos. As baterias dos marca passos implantáveis não são recarregáveis, apenas as dos marca passos externos que são substituídas.
Sua cápsula externa em geral é feita de titânio por ser um material fisiologicamente inerte, o que reduz o risco de rejeição pelo sistema imunológico.
O marcapasso recebe e envia sinais elétricos gerados tanto pelo coração como pelo gerador. Isto ocorre através da interação entre o eletrodo que conduz esta energia e o gerador que a recebe, processa informações e envia estímulos de volta ao coração.
Este complexo mecanismo depende do perfeito estado de interação entre o eletrodo (fio) e o coração. Atualmente esta interação é capaz de perceber o aumento na necessidade do coração, através de medidas consecutivas de impedância, ou aumento da necessidade de frequência cardíaca quando o indivíduo estabelece alguma atividade física.
O gerador de pulso é o cérebro de todas estas informações. Existem diferentes modelos e tipos de marcapasso que servem para cada tipo de pessoa. Por exemplo, se tivermos um jovem com problemas de queda de freqüência cardíaca importante, após os médicos realizarem todas as investigações, devemos considerar as suas atividades diárias ou até necessidade esportiva para a indicação do tipo de marcapasso e programação específicos. Assim como analisar e adaptarmos às necessidades de um idoso, criança, etc.
A programação é a forma como o marcapasso irá se comportar diante de determinadas situações, como por exemplo: aumento nas atividades físicas, uma queda brusca de freqüência cardíaca, estresse, etc.
Esta programação é padronizada de fábrica (nominal) e posteriormente pode ser modificada no consultório. No pós-operatório é colocado um aparelho sobre o local onde o marcapasso foi implantado e, através da pele são coletadas e enviadas informações.

Quais os tipos de marcapasso?
Existem três tipos mais utilizados de marcapasso:
DDD – Marcapasso bicameral, com dois eletrodos (atrial e ventricular), pode sentir e estimular o átrio e ventrículo sincronizando o ritmo.
VVI – Marcapasso unicameral com um eletrodo (ventricular), pode sentir e estimular o ventrículo, aumentando a freqüência conforme a demanda do paciente.
VDD – Marcapasso bicameral, com um eletrodo (atrial e ventricular), pode sentir o átrio e ventrículo e estimula o ventrículo, sincronizando o ritmo.
O que é um Ressincronizador?
É um “marcapasso” que possui três eletrodos (tricameral) como diferencial possui a capacidade de sincronização de câmeras adjacentes: atrial (biatrial) ou ventricular (biventricular).
Como funciona um Ressincronizador-biventricular?
O ressincronizador biventricular, tem o objetivo de diminuir o tempo de estimulação entre as câmeras ventriculares, principalmente quando este período de ativação elétrica é maior que 150ms. Com a ressincronização existe uma diminuição neste tempo o que pode proporcionar um melhor funcionamento do coração.
Quais os tipos de Ressincronizador?
Os ressincronizadores podem ser:
Biatriais: Com eletrodos em átrio direito e esquerdo.
Biventriculares: Com eletrodos nos Ventrículos: esquerdo e direito. O eletrodo em ventrículo esquerdo pode ser passado pelo seio coronariano via cateterismo ou epicárdico, via mini-toracotomia esquerda.
O que é um cardio desfibrilador interno (CDI)?
Dispositivo implantado, cirurgia semelhante a um marcapasso, que tem a possibilidade de funcionar como marcapasso na terapia anti-bradicardia (freqüência cardíaca baixa) e especialmente na terapia anti-taquicardia (freqüência cardíaca alta) com a possibilidade de gerar choque ou desfibrilação interna.
O implante ocorre em Hospital preferencialmente no Centrocirúrgico ou Hemodinâmica com toda a monitorização e cuidados necessários, sob sedação profunda ou anestesia geral.
Durante o implante é induzida artificialmente uma arritmia tipo taquicardia ou fibrilação ventricular, e o aparelho de CDI será testado para a identificação e reversão da arritmia através de choque interno. Com este procedimento podemos confirmar a integridade do sistema e a capacidade potencial de reversão numa situação simulada.
Como funciona um cardiodesfibrilador interno (CDI) e como agir em caso de choque?
O aparelho é implantado em pacientes que já tiveram arritmias ventriculares graves ou os que têm alto risco de desenvolvimento de parada cardíaca em fibrilação ventricular. Uma vez identificado pelo aparelho uma arritmia potencialmente grave existe uma série de tentativas de supressão destas e, se houver parada cardíaca (fibrilação ventricular), é iniciada a terapia com choques internos. … (vide IEstimulação cardíaca artificial/ Marcapasso: O que é um marcapasso).
Caso haja terapia com choque, procure manter-se calmo, deitar-se, e solicitar ajuda. Uma revisão deve ser realizada nas próximas 24/48 horas. Se houver um segundo choque, o paciente deve ser transportado imediatamente para o Serviço de Emergência do Hospital no qual realizou o implante, preferencialmente em veículo-ambulância. Lembrar sempre a carteira de identificação do aparelho.
Quais os tipos de cardiodesfibrilador interno (CDI)?
Existem três tipos mais utilizados de CDI:
CDI-DDD – CDI bicameral, com dois eletrodos (atrial e ventricular), pode sentir e estimular o átrio e ventrículo sincronizando o ritmo, o choque é emitido pelo eletrodo ventricular.
CDI-VVI – CDI unicameral com um eletrodo (ventricular), pode sentir e estimular o ventrículo, aumentando a freqüência conforme a demanda do paciente, o choque é emitido pelo eletrodo ventricular.
Ressincronizador/CDI – Com eletrodos em ventrículos esquerdo e direito. O eletrodo em ventrículo esquerdo pode ser passado pelo seio coronariano via cateterismo ou epicárdico (via mini-toracotomia esquerda), o choque é emitido pelo eletrodo ventricular direito.
De quanto em quanto tempo deve-se fazer uma revisão?
As revisões em consultório são importantíssimas para estabelecer a melhor interação entre o marcapasso e as necessidades do paciente. Isto pode ser realizado através dos programadores. O programador consiste de um aparelho que através de telemetria sobre o local onde o marcapasso foi implantado coleta (como um Holtercardiograma implantado) e envia informações.
Esta programação é padronizada de fábrica (nominal) e posteriormente pode ser modificada no consultório.
Sugerimos um cronograma de reavaliações geral e que pode ser adaptado individualmente à necessidade de cada pessoa.
Quanto tempo dura uma bateria de marcapasso, ressincronizador e CDI?
Depende do modelo, do fabricante, da programação e da necessidade individual. Assim como qualquer aparelho dependente de bateria, o marcapasso, quanto mais requisitado maior o gasto de energia.
Em média um CDI (4 a 6 anos), CDI/RC(3 a 4 anos), MP unicamenral (6 a 10 anos), MP bicameral (6 a 8 anos).
Estas são estimativas médias, consulte o manual do fabricante e principalmente durante as revisões solicite o tempo de bateria residual para ERI – troca de gerador eletiva, ou seja, quando deve ser trocada a bateria.
Lembre-se que após um período inicial o paciente pode requisitar mais ou menos energia, e isto pode interferir no consumo. Alguns aparelhos possuem um elemento de análise constante de demanda e pode reduzir o gasto de energia pelo marcapasso com aumento de longevidade da bateria.
Quais as complicações relacionadas ao marcapasso, ressincronizador e CDI?
Complicações relacionadas ao implante: Embolia gasosa, hemorragia, rejeição corporal, incluindo rejeição local ao nível do tecido, lesão cardíaca, perfuração cardíaca, tamponamento cardíaco, lesões nervosas crônicas, embolia, óbito, endocardite, fibrose excessiva, fibrilação ventricular ou atrial, arritmias, hematoma, formação de cisto, bloqueio cardíaco, infecção, cicatriz tipo quelóide, estimulação muscular ou nervosa, irritabilidade miocárdica, detecção miopotencial, pneumotórax (ar no espaço pleural), tromboembolias, trombose venosa, oclusão venosa, perfuração venosa, ruptura venosa.