9895 – Mega Mitos – Código de barras é coisa de Satã?


Mais um mega mito criado pela fértil imaginação humana.

Vejamos quais as bases desse mito
Eles estão em toda parte: no sabão em pó que lava mais branco, na lata de molho de tomate que você compra no supermercado, na capa da sua revista preferida. Padrão de reconhecimento e catalogação de produtos, os códigos de barras UPC estão presentes em nossa vida de forma tão avassaladora que se tornaram um ícone pop do capitalismo moderno. Mas, ao mesmo tempo em que fazem o dinheiro mudar de mão e alimentam o comércio mundial, os códigos de barras talvez sejam a única prova material de que, já há bastante tempo, o Anticristo está entre nós. Uma conspiração movida a dólares, tecnologia de ponta e capitalismo transnacional. Como se vê, o tempo de sacrifícios sangrentos e possessões demoníacas acabou. Nos dias que correm, o Filho do Demo está mais para um yuppie de Wall Street, possivelmente metrossexual e amante da música eletrônica, do que para a criatura de chifres e pernas de bode celebrizada em filmes como O Bebê de Rosemary (1968), O Exorcista (1973) e A Profecia (1976).
Para entender as teorias conspiratórias que cercam os códigos de barras, é preciso voltar ao ano de 1948. A pedido de uma rede de supermercados da Filadélfia, os estudantes Bernard Silver e Norman Woodland, do Drexel Institute of Technology, começaram a trabalhar em um sistema de identificação de produtos. Depois de pesquisar outros métodos, os dois nerds finalmente chegaram, em 1952, à criação dos códigos de barras UPC, que patentearam como um “Método e Aparato de Classificação Através da Identificação de Padrões”.
Apesar da eficácia do novo sistema, ele só seria implantado comercialmente em 1966, quando foram inventados os primeiros leitores de códigos de barras. A primeira empresa a utilizá-los foi a rede de supermercados Kroger, em Cincinatti, Ohio, que logo depois descartou a novidade. O motivo foi a falta de um padrão, pois cada loja imprimia os códigos UPC de uma maneira diferente. Um problema que foi resolvido apenas em 1974, quando um comitê formado pela National Association of Food Chains (NAFC) adotou as etiquetas com linhas verticais pretas, utilizadas até hoje no mundo inteiro. A apresentação ao público foi em 26 de junho de 1976. Um pacote de chicletes Wrigley’s, o primeiro produto industrializado a vir com os códigos UPC impresso na embalagem, inaugurou o novo sistema.

Segundo os teóricos da conspiração, os códigos de barras podem servir para tudo, menos para a identificação de produtos. Eles seriam uma forma de controle social criada por Satã, o passo definitivo rumo ao Apocalipse, quando toda a Terra irá se curvar ante os poderes do Mal (não que isso já não esteja acontecendo – afinal, desgraça é o que não falta neste planeta). Nas etiquetas que seguem o padrão UPC, cada algarismo é representado por duas linhas que variam na espessura e na distância entre elas. O número oito, por exemplo, é representado por duas linhas finas. Já o número sete é representado por uma linha grossa e outra de tamanho médio. Ao todo, cada etiqueta contém 12 números – que indicam, entre outras coisas, o preço, o fabricante e o país de origem do produto – distribuídos em 30 linhas verticais.
Até aí, tudo bem, não fossem as chamadas “linhas-guia”. Formadas por um conjunto de seis linhas verticais, elas servem para indicar o começo, o meio e o fim da leitura dos códigos. Em cada etiqueta, elas são encontradas em três lugares: no canto direito; no meio, separando pela metade os 12 números de cada código; e no canto esquerdo, indicando que a leitura dos códigos chegou ao final. Como as “linhas-guia”, apesar de um pouco mais longas, seguem o mesmo padrão do número seis (duas linhas finas próximas uma da outra), cada código de barras, obrigatoriamente, carrega o número 666, o número da Besta.
Daí para as teorias mais absurdas é um pulo. As teses conspiratórias baseiam-se em uma das mais famosas profecias bíblicas, o Apocalipse de São João, capítulo 13, versículos 16, 17 e 18: “A segunda Besta faz também com que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, recebam uma marca na mão direita ou na fronte. E ninguém pode comprar nem vender se não tiver a marca, o nome da Besta ou o número do seu nome. Aqui é preciso entender: quem é esperto, calcule o número da Besta; é um número de homem; o número é 666”.

É por isso que, cada vez que um caixa de supermercado passa uma etiqueta de código de barras no leitor da máquina registradora, pode apostar que, em algum lugar do mundo, um fundamentalista religioso e paranoico respira fundo, morrendo de medo de que aquele pacote de macarrão instantâneo que acabou de comprar seja só mais um passo na grande conspiração satânica que pretende dominar a Terra.

9369 – Por que 666 é considerado o número da besta?


Porque na Bíblia (texto de João, no capítulo 13 do livro Apocalipse) ele é citado como o “número do monstro”. O documento descreve uma besta-fera parecida com um dragão, com chifres de cordeiro, poderes maléficos e características violentas e ameaçadoras.
Segundo interpretações de estudiosos, o 666 seria o código secreto com que os cristãos do primeiro século poderiam identificar o Anticristo – um monstro humanizado que viria ao mundo para dominá-lo e tocar o terror. Sua chegada seria anunciada, de acordo com os escritos, com a abertura do sexto selo, o tocar da sexta trombeta e o derramamento da sexta taça. Ainda segundo especialistas em teologia, não dá para ter certeza de que o número original era 666 pois em manuscritos muito antigos do Apocalipse, ele aparecia como 616.

Outras Interpretações:
– A profecia da besta menciona “um sinal na mão direita ou na testa”, o que deu margem para associá-la a Hitler e ao gesto da saudação nazista.

– No livro de Zacarias, na Bíblia, há um trecho que diz que dois terços (2/3 é igual a 0,666…) dos habitantes da terra serão exterminados.