13.713 – O Mega não “come bola” – Diferença entre Malária e Febre Amarela


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A malária mata 1.400 crianças por dia em todo o mundo. O número divulgado pela Organização das Nações Unidas só reforça a importância do Dia Mundial de Combate à Malária, comemorado neste dia 25 de abril. No Brasil, porém, os números são mais baixos: segundo o Ministério da Saúde, 99% dos casos da doença ocorrem nos estados que compõem a Amazônia e houve uma redução de 603 mil casos, em 2005, para aproximadamente 217 mil, de janeiro a outubro de 2011. O número de internações também passou de 3.859, em 2010, para 3.215 em 2011.
Assim como a dengue e a febre amarela, a malária é transmitida pela picada de um mosquito. Embora as três doenças típicas de países tropicais tenham alguns sintomas semelhantes (febre, cansaço e dor muscular), apresentam muitas outras especificidades – desde a espécie de mosquito até o tipo de tratamento. Você sabe identificar quais são essas diferenças?
Assim como a dengue e a febre amarela, a malária é transmitida pela picada de um mosquito. Embora as três doenças típicas de países tropicais tenham alguns sintomas semelhantes (febre, cansaço e dor muscular), apresentam muitas outras especificidades – desde a espécie de mosquito até o tipo de tratamento. Você sabe identificar quais são essas diferenças?

No Juruá, interior do Acre, fica uma região recordista em casos de malária no país. Só no ano passado, mais de 20 mil pessoas ficaram doentes. Algumas contraíram a doença até mais de uma vez. Em 2018 já são mais de quatro mil casos diagnosticados. A doença pode ter complicações principalmente em grupos especiais, como diabéticos, hipertensos, cardiopatas.
A malária é transmitida pelo mosquito Anopheles. Os principais sintomas são: dor de cabeça e no corpo, calafrios, tremores intensos, febre alta, náusea e vômitos. Não existe vacina para combater a doença. Prevenir é a única forma de se livrar. O Ministério da Saúde indica o uso de repelentes, mosquiteiros e borrifação.

Principal diferença entre as 2 doenças:
A malária é causada por um protozoário e transmitida por um mosquito. A febre amarela, apesar de ser transmitida também pela picada de um mosquito, é causada por um vírus.

12.868 – Além do chimarrão, erva-mate pode servir até para combater malária


mate
A maior parte dos produtores é de agricultores familiares, espalhados pela região Sul. São cerca de 180 mil famílias, a maioria no Rio Grande do Sul e Paraná.
A produção brasileira é a maior do mundo: atinge quase um milhão de toneladas ao ano. Mas, no país, a maioria da erva –96%– é usada no chimarrão. Os outros 4% ficam para os chás.
Ele e outros defendem que o polivalente mate sirva de base para produtos naturais, com apelo de mercado principalmente nos EUA e na Europa –que já possui dezenas de patentes de cosméticos e até bebidas que usam erva-mate.
Quanto aos cosméticos, já há uma grande produção artesanal e Natura e Boticário têm produtos com o componente em seus catálogos.
Nos corredores do evento, pesquisadores se queixavam da falta de incentivo da indústria –ou, quando há, da ausência de produção suficiente e padronizada para dar conta da demanda.
O setor de produtos de limpeza, por exemplo, tem interesse na erva. Uma lei prevê que, até 2025, todos os produtos brasileiros tenham até 60% de compostos industrializados. O resto deve ser natural. O uso de mate nesses produtos ainda é experimental.
A indústria alimentícia também começa a explorar as propriedades do mate. Cristiane Helm, da Embrapa Florestas e doutora em Ciência de Alimentos, conduz pesquisas sobre os antioxidantes naturais da erva. A substância combate radicais livres e previne o envelhecimento.
Em determinadas variedades, um copo de chá mate, por exemplo, pode ter até três vezes mais antioxidantes que uma taça de vinho, segundo Helm. Já existem “árvores-pilotos” sendo cultivadas no Paraná. Mas falta impor padrões à produção no campo.
Eventos como o da Embrapa tentam unir produtores e pesquisadores, a fim de aperfeiçoar a produção, criar protocolos para o mate e cobrar políticas públicas, que impulsionem o setor.

11.552 – Medicina – Caça ao Mosquito


malaria
Em 1889, o Serviço Médico Britânico mandou uma expedição à África. Por sorte, o chefe da equipe, Ronald Ross, era, além de clínico, especialista em insetos. E talvez por isso tenha notado que as regiões onde havia malária estavam infestadas por um tipinho esquisito de mosquito, o anófeles. Como ele mesmo provou oito anos depois, o inseto carregava os quatro tipos de parasitas causadores da doença.
De lá para cá, até surgiram remédios que salvam parte dos infectados. “Mas a malária ainda mata entre 1,5 e 2,7 milhões de indivíduos por ano”, lamenta o infectologista Aafje Rietveld, da Organização Mundial da Saúde. O problema, portanto, não é remediar, é prevenir. Por isso, a esperança hoje se concentra em uma nova vacina, criada pelos brasileiros Ruth e Victor Nussenzweig, da Universidade de Nova York. Ela é a primeira que ataca o parasita em duas fases.
A malária ataca quando o homem invade a mata tropical, o endereço do anófeles. Nos anos 80, quando a mineração em Rondônia atraiu trabalhadores, ocorreram 200 000 casos nesse Estado. Hoje, com o fim das minas, eles caíram para 130 000. No Brasil, a contaminação vem diminuindo também com o uso de veneno contra o inseto. Em 1996 surgiram 450 000 infectados, 100 000 a menos que nos anos anteriores. Deles, 3% morreram. Só no Amazonas é que a malária ainda cresce. “Aqui, o governo federal investe em agricultura”, explica Wilson Alecrim, diretor do Instituto de Medicina Tropical do Amazonas. “Os trabalhadores vão para a floresta e ficam expostos”, diz.
Mas é na África que o bichinho pega. Lá estão os quatro tipos de parasitas: os plasmódios falciparum, malariae, ovale e vivax. No Brasil, ao menos não existe o malariae. Para piorar, a maio- ria dos africanos mora perto das florestas e cada um recebe em média 1 000 picadas por ano. Com o sistema de defesa acostumado aos ataques, o sujeito não desenvolve sintomas fortes, mas ajuda a contaminar outros. Pois só dentro do organismo humano o ciclo de vida do plasmódio se completa.
“O Exército americano perdeu a Guerra do Vietnã para a malária, e não para os vietnamitas”, afirma o infectologista Marcos Boulos, do Hospital das Clínicas de São Paulo e consultor do Centro Rhodia de Doenças Tropicais. Os soldados nunca tinham entrado em contato com o mal e foram presa fácil do mosquito. Como não fica bem um exército se render a um plasmódio, os americanos estão sempre atrás de mais munição.

O novo tiro de canhão é a vacina que está sendo produzida pelo Instituto de Pesquisa Walter Reed, do Exército norte-americano, em colaboração com o laboratório belga SmithKline Beecham Biologicals. A nova arma se baseia na pesquisa da dupla Ruth e Victor Nussenzweig. Os resultados por enquanto são os melhores já registrados, mas só os testes poderão comprovar a eficácia. “A dificuldade para se criar uma vacina é que o parasita está sempre se modificando”, diz Boulos, um felizardo que, em vinte anos de pesquisa de campo sobre a doença, não contraiu malária nenhuma vez. “O plasmódio sabe mudar seu disfarce e se defender muito bem do sistema imunológico dos seres humanos”.
Para desespero dos farmacêuticos, uma droga que, no início, diminui rapidamente os sintomas da malária em poucos anos torna-se ineficaz porque o plasmódio dribla o seu efeito. Foi o que aconteceu com a cloriquina, remédio desenvolvido pelo Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. “A partir dos anos 60, já havia plasmódios resistentes à cloriquina na América do Sul”, conta o parasitólogo brasileiro Luiz Hildebrando da Silva, que estudou a doença durante 33 anos no Instituto Pasteur, na França, e está de volta ao Brasil desde março, para atuar na Universidade de São Paulo.
Novas drogas surgiram, algumas bem recentes, mas todas acabam caindo nas armadilhas do parasita. A indústria farmacêutica tem que buscar algo muito diferente, capaz de surpreender o inimigo. Só que o investimento para desenvolver um remédio desses é altíssimo e o lucro, quase zero (veja quadro abaixo). Por isso as indústrias não se entusiasmam. E, passados 100 anos da descoberta de seu agente transmissor, a malária continua quase imbatível.

Como ele ataca
O parasita mais comum é o Plasmodium falciparum. No mosquito, antes de ir para a saliva, ele habita a parede do estômago.
Só a fêmea do anófeles gosta de beber sangue humano. E, ao enfiar o ferrão na pele da vítima, injeta o plasmódio, que cai na corrente sanguínea.
Quando caem nos vasos, os parasitas têm uma única intenção: chegar rápido ao fígado. Para isso, eles se deixam levar pela corrente do sangue.
Os plasmódios ficam 10 dias alojados dentro das células do fígado. Ali, eles se multiplicam para enfrentar a etapa seguinte.
Os parasitas saem do fígado com uma estrutura feita sob medida para invadir os glóbulos vermelhos do sangue, onde em 24 horas eles se multiplicam assustadoramente.
Durante até dois anos, os plasmódios ficam rompendo as células sanguíneas. Entre eles estão os parasitas que, sugados pelo mosquito, se reproduzem dentro do inseto e perpetuam o ciclo nefasto.
Os sintomas surgem quando o parasita arrebenta os glóbulos vermelhos. Eles são: febre alta, calafrios, tremores, dores por todo o corpo. Aí o indivíduo tanto pode morrer, na maior parte das vezes por coágulo cerebral, como reagir e se curar. Vai depender dos remédios e da resistência de cada um.

Combate
Ataque em duas frentes não deixa parasita prosseguir
Os cientistas brasileiros Ruth e Victor Nussenzweig, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, apostaram que a vacina eficaz estaria bem na casca do inimigo. Bingo! Mas faltava alguma coisa. Pois, só com isso, a vacina era inócua quando o mal atingia o fígado. Ali, sua fórmula passava batido ou era destruída. O casal decidiu experimentar uma versão híbrida, metade proteína da casca do plasmódio e metade proteína que reveste o vírus da hepatite B. Afinal, o vírus da hepatite está acostumado a se dar bem no fígado e poderia ser o segredo do sucesso. Parece que foi mesmo: mais de 85% de 46 voluntários do Exército americano foram imunizados. “Agora estamos testando a vacina em Gâmbia, na África”, diz Ruth. “Os resultados sairão no início de 1998.”
A vacina é injetada na corrente sanguínea e prepara o organismo para ser acionado quando o mosquito jogar lá dentro os parasitas que devem ser atacados e destruídos.
A vacina induz o sistema imunológico a produzir moléculas defensoras, os anticorpos. Quando os plasmódios caem na corrente, esses defensores os atacam impiedosamente.
Mesmo assim, alguns plasmódios escapam para o fígado. Mas nem ali têm sossego. Outros anticorpos explodem as células do fígado que escondem os parasitas fujões.
O médico colombiano Manoel Patarroyo achou uma vacina que impede o ataque dos parasitas às células do sangue. Nos testes realizados até 1991 com 23 000 voluntários na Colômbia, Venezuela e Equador, os resultados foram 80% positivos. “Mas, no Brasil, sua eficiência foi quase zero”, conta o infectologista Marcos Boulos. Os parasitas da malária são mutantes como o vírus da Aids e, talvez, o parasita que aqui ataca não ataque como os de lá, sendo irreconhecível para a vacina. O Instituto Walter Reed, em Washington, procura somar outras proteínas do parasita na formulação colombiana. Eles esperam ter a sorte de achar uma proteína comum em todos os parasitas mutantes, do Brasil, da Colômbia e de outros cantos da Terra.
Depois de aplicada, a vacina fica boiando na corrente sanguínea, preparando as defesas para contra-atacar o inimigo instalado no fígado.
Quando o parasita sai do fígado e cai no sangue, milhares de anticorpos de bloqueio já estão à sua espera.
Os anticorpos formam uma barreira, impedindo a invasão das células sanguíneas e a proliiferação dos bichos.
Investida contra o namoro dos plasmódios
Uma terceira forma de vacina não protege exatamente quem a recebe, ou seja, quem contraiu um dos parasitas da malária. Pesquisada em diversos laboratórios do mundo, ela é chamada de vacina altruísta porque pretende evitar que o mal faça novas vítimas. Geralmente, ao picar alguém infectado, o mosquito suga parasitas sexuados que irão se reproduzir em seu organismo. Por isso, o que os cientistas querem é impedir o namoro de plasmódios machos e fêmeas. As fórmulas em teste funcionam como um anticoncepcional de parasitas. De todas as soluções em testes, é a menos avançada.
No sangue da vítima infectada, a vacina se finge de morta e convive pacificamente com os parasitas sem atacá-los.
O anófeles pica o indivíduo e suga parasitas, que usam seu intestino para se reproduzir. Mas, junto, vai também a vacina.
A vacina atrapalha o namoro dos parasitas e eles não conseguem se reproduzir. O ciclo da doença acaba aí.

Linhas de pesquisa
Busca-se, a partir de plantas ou moléculas já conhecidas, uma que cure a malária. Enquanto isso, o laboratório determina se o remédio será injeção, cápsula ou comprimido. No final, 90% das moléculas descobertas vão para o lixo por serem ineficientes ou tóxicas. Duração: 5 anos
Os testes começam com camundongos, que procriam rápido. Assim, é possível ver logo os efeitos do futuro remédio no organismo. A dosagem aumenta até se descobrir qual é a tóxica. Depois verifica-se o efeito em animais maiores, mais próximos do homem. Duração: 3 anos.
Os primeiros testes com seres humanos são feitos em voluntários saudáveis. O interesse é saber se o medicamento é tóxico. Determinado o grau de toxicidade, começam os testes em pacientes doentes. No total, cerca de 3 500 pessoas recebem a medicação. Duração: 4 anos
O remédio tem que ser aprovado pelo governo do país responsável pelo seu desenvolvimento. Depois disso vai para o mercado. Geralmente seu preço final é baixo porque os consumidores têm baixo poder aquisitivo. Duração: 6 meses, em média.
Drogas extraídas da planta artemísia agem dentro das células vermelhas do sangue. Mas o plasmódio tende a ficar resistente.
O remédio ruma para os glóbulos vermelhos onde o parasita se multiplica.
O novo parasita precisa de proteínas, que ele mesmo produz, para formar sua casca. Só que, antes que elas se fixem ao redor do plasmódio, o medicamento finge ser uma proteína e ocupa seu lugar. O parasita morre e a doença não avança. Mas os parasitas que sobram se tornam mais fortes.

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10.679 – Aqui tá Sobrando Água – Estrada de Ferro Madeira–Mamoré: Fim da linha


estrada de ferro

É tempo de chuva. Com o Rio Madeira correndo cheio sobre a planície amazônica, é possível ouvir suas águas a certa distância. Enquanto caminhamos mata adentro, alguém sussurra atrás de nós. “Aqui”, diz Lord Jesus Brown, um senhor negro de quase 2 metros de altura. Ele para diante de um pedaço de concreto cravado no solo. É a lápide de um estrangeiro morto em 1910. Tentamos ler seu nome, mas as letras estão muito esmaecidas. Não faz diferença. “O povo morria igual a bicho”, diz Lord. “Muitos acreditavam que este lugar era amaldiçoado.”
O cemitério da Candelária fica a poucos quilômetros do Centro de Porto Velho, a capital de Rondônia. Aqui jazem mais de 1 500 homens que morreram entre 1907 e 1912, durante a terceira e última tentativa de construção da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Somando esse contingente aos que pereceram antes, o total de mortos beira os 10 mil. O matagal já ocultou quase todas as sepulturas desses aventureiros, vindos de países tão diversos quanto Irlanda e Índia, Alemanha e Barbados, Estados Unidos e Grécia.

É incrível que se tenha conseguido abrir um caminho de 366 quilômetros em uma das regiões mais inóspitas do planeta para tudo se perder em tão pouco tempo. Feita para escoar a imensa produção de borracha amazônica, que abasteceu o mundo e permitiu o boom da indústria automobilística até o começo do século 20, a Madeira-Mamoré demorou quatro décadas para ficar pronta. Tanto tempo que, ao ser concluída, em 1912, o ciclo da borracha na América do Sul já estava em declínio. O mercado migrou para as colônias britânicas da Ásia após os ingleses levarem para lá 70 mil sementes da Hevea brasileira, das quais 2 800 germinaram. Sessenta anos depois de inaugurada, a estrada de ferro foi desativada pelo governo militar, que construiu uma rodovia para substituí-la e destruiu boa parte do maquinário e dos documentos históricos. Rondônia chora até hoje o fim da ferrovia. Todos lamentam que ela tenha sido fechada, todos gostariam que ela um dia voltasse. As pessoas recordam o trem avançando sobre os trilhos, cortando a floresta: as lembranças mais singelas parecem ser as mais marcantes. Quando a via completou 100 anos, em 2012, uma das locomotivas foi preparada para apitar e soltar fumaça, num gesto simbólico. Muitos foram às lágrimas.
A CRISE FINANCEIRA que tomou conta dos Estados Unidos em 1873 acabou conduzindo os americanos para o que seria a primeira grande obra do país em território estrangeiro. Com a quebra de bancos, os projetos de ferrovias no país foram interrompidos, deixando uma legião de engenheiros e trabalhadores desempregados. Quando souberam que a respeitada firma P&T Collins, dos irmãos Peter e Thomas Collins, fora contratada para criar uma ferrovia na Amazônia, 80 mil homens se candidataram a uma vaga.

O navio Mercedita, com 210 homens e 1 050 toneladas de material, deixou o cais de Willow Street, na Filadélfia, na tarde de 3 de janeiro de 1878. Anunciada com destaque pelos jornais americanos, a partida era também um marco, uma vitória em uma empreitada na qual os ingleses saíram derrotados. Vinte anos antes, a construtora Public Works, de Londres, abandonou equipamentos à beira do Rio Madeira sem assentar um único quilômetro de linha. Nos tribunais londrinos, declarou que “a zona era um antro de podridão onde seus homens morriam qual moscas” e que, “mesmo se dispondo de todo o dinheiro do mundo e de metade de sua população, seria impossível construir a estrada”.
Mas nada parecia arrefecer o otimismo dos americanos – até que chegaram à Amazônia. O acordo era que fossem feitos 10 quilômetros de trilhos por mês. Passados quatro meses, contudo, apenas 3 quilômetros estavam prontos. A malária atacava os homens sem piedade. As condições eram tão ruins que um grupo de 300 americanos abandonou a obra e fugiu de barco, sem um tostão, para Belém. Lá, encontraram situação igual ou pior do que na frente de trabalho. Tiveram de pedir esmola nas ruas para sobreviver. Thomas Collins investiu o que tinha no projeto – tanto que se mudou com a mulher para Santo Antônio, onde as obras seguiam a duras penas. Esperava um financiamento que viria da Inglaterra, o qual nunca chegou. Sem ter como pagar os homens, assistiu de mãos atadas à debandada daquele exército de flagelados. Ele próprio esteve entre a vida e a morte quando um índio lhe atravessou o pulmão com uma flechada. Foram três meses de agonia antes de o empresário voltar para casa, derrotado e com uma dívida de 800 000 dólares. O historiador Manuel Rodrigues Ferreira conta no livro A Ferrovia do Diabo, de 1960, que a senhora Collins enlouqueceu na floresta. Ao regressar, teve de ser internada num hospital para doenças mentais, onde morreu. Os 7 quilômetros de trilhos, assentados ao longo de 18 meses, passaram 28 anos entregues à selva. A pequena locomotiva Baldwin se transformou em galinheiro.
Corria o ano de 1907 quando teve início a última tentativa de conclusão da obra. O Brasil passara de Império a República, e a concessão da ferrovia, entregue ao americano George Earl Church, foi transferida para seu conterrâneo Percival Farquhar. Agora havia um motivo a mais para a obra: em 1903, o Brasil tornara-se signatário do Tratado de Petrópolis, em que se comprometia com a Bolívia a fazer a linha férrea em troca do território do Acre. A maior parte dos trabalhadores veio do Caribe, de ilhas como Barbados e Antilhas, onde não se sabia do suplício enfrentado antes por ingleses e americanos.
Para combater a malária, construiu o hospital da Candelária. Em 1910, contratou Oswaldo Cruz, médico sanitarista de reputação internacional, para realizar uma inspeção na região. As palavras dele, em carta enviada para a esposa, não deixam dúvidas sobre as condições precárias: “Não se conhece pessoas nascidas no local: essas morrem todas. A região está de tal modo infectada que a população não tem noção do que seja o estado hígido e para ela a condição de ser enfermo constitui normalidade”. Os operários foram obrigados a tomar doses altas de quinino; muitos se recusaram, preferindo o risco de adoecer a ingerir o remédio amargo. Mas, com a constante troca de operários – em 1910, a média foi de 500 novos a cada mês –, a obra foi enfim concluída.

8302 – Epidemiologia – Principais doenças transmitidas por mosquitos


Malária
Doença febril aguda, caracterizada por febres altas, calafrios e cefaleias. Se não tratada, pode gerar complicações graves, principalmente se for transmitida pelo Plasmodium falciparum, responsável por transmitir entre 15% e 20% da malária diagnosticada no Brasil. Ao redor do mundo são registrados cerca de 250 milhões de novos casos e perto um milhão de mortes por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A maior incidência é na África, onde é causa de uma entre cinco mortes infantis. No Brasil, a maior incidência está na região amazônica, mas atualmente a mortalidade é baixa.
Transmissor: Fêmea do mosquito do gênero Anopheles. Prefere lugares como água limpa, sombreada e de baixo fluxo, comuns na região amazônica.
O que transmite: Plasmódios (parasitas) presentes no sangue de quem tem malária. Eles se multiplicam dentro do mosquito e entram em contato com o sangue daquele que for picado pelo Anopheles infectado.

Febre amarela
Vírus transmitido por mosquitos por duas formas: urbana e silvestre. Somente esta última existe no Brasil atualmente, transmitida por macacos silvestres. É uma doença infecciosa febril aguda, sua gravidade é variável, lesa principalmente o fígado e pode matar por insuficiência hepática. Só existe na América do Sul e na África. Segundo o Ministério da Saúde, entre 1990 e 2010 ocorreram 587 casos e 259 mortes no Brasil.
Transmissor: Mosquitos infectados pelo vírus do gênero Flavivrus. Nas regiões urbanas, por exemplo, é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue.
O que transmite: Um arbovírus pertencente ao gênero Flavivirus, da família Flaviviridae, que é contraído, no caso silvestre, dos macacos infectados.

Leishmaniose visceral
É uma doença crônica, fatal e não curável, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso e anemia. Ataca o fígado e o baço, que aumentam de tamanho, provocando o aumento abdominal e, depois da dengue, é a mais disseminada doença endêmica no Brasil. Em 2010, foram registrados 3.526 casos no país e 219 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde. A maior incidência é no Nordeste. A Organização Mundial de Saúde estima que a cada ano são detectados entre 1 e 2 milhões de casos no mundo.
Transmissor: Inseto vetor Lutzomyia longipalpis ou Lutzomyia cruzi, conhecidos popularmente como mosquito-palha ou birigui. No Brasil, não há registros de transmissão direta de pessoa para pessoa.
O que transmite: O protozoário da família Tripanosoma, gênero Leishmania e espécie Leishmania chagasi.

Dengue
Doença endêmica mais disseminada no Brasil, presente em todos os estados. Causa febre aguda, e pode matar. Muito disseminada ao redor do mundo. Os sintomas podem não aparecer ou também se manifestar por dores de cabeça, febre e dores no corpo.
Transmissor: Fêmea do mosquito Aedes aegypti. Criados preferencialmente em ambientes onde há focos de acúmulo de água parada.
O que transmite: Vírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviriade. Possui quatro tipos conhecidos: 1, 2, 3 e 4.

8301 – Vacina japonesa reduz em 72% o risco de malária


Aedes, transmissor da febre amarela e da dengue
Aedes, transmissor da febre amarela e da dengue

Cientistas japoneses estão testando uma vacina contra a malária que, segundo eles, pode reduzir o risco da infecção em até 72%. Ao menos foi o que demonstraram os resultados da primeira fase dos testes clínicos – ou seja, feito em pessoas, e não em modelos animais – do tratamento. Para que uma nova terapia seja aprovada, ela deve passar por três fases de pesquisa clínica.
Os pesquisadores avaliaram a eficácia e a segurança da vacina BK-SE36 para prevenir a malária comparando pessoas imunizadas a indivíduos não vacinados. A vacina parece diminuir em até 72% o risco de infecção e mostrou ser segura.
Ainda não existe uma vacina que evite completamente a malária, e pesquisas que testaram vacinas contra a infecção demonstraram uma redução do risco pequena ou então pouco duradoura. Além disso, a resistência da doença aos remédios vem aumentando, o que piora a eficácia dos tratamentos disponíveis.
O novo estudo, feito na Universidade de Osaka, no Japão, testou a vacina BK-SE36, desenvolvida na própria universidade. A vacina foi feita a partir de uma mistura entre um gel de hidróxido de alumínio e uma proteína geneticamente modificada do parasita responsável pela transmissão da doença.
A vacina foi testada no Japão e também em uma região de Uganda onde a malária é endêmica. No país africano, entre 2010 e 2011, os cientistas testaram a vacina em 132 indivíduos de 6 a 20 anos e, entre 130 e 365 dias após a imunização, compararam essas pessoas a outras cinquenta de um grupo de controle, que não haviam sido vacinadas.

De acordo com os pesquisadores, essa fase do estudo mostrou que a vacina é segura e nenhum paciente imunizado apresentou efeitos adversos graves. O efeito protetor demonstrado pelo tratamento, porém, precisa ser confirmado nas próximas etapas da pesquisa clínica.
Os resultados do teste foram publicados nesta semana no periódico PLoS One. Toshihiro Horii, coordenador do estudo, disse à agência de notícias Jiji Press que seu objetivo é que a vacina BK-SE36 seja usada “cinco anos após a realização de um estudo feito com crianças de até 5 anos de idade, que representam a maior parte das mortes por malária”.

7965 – Vacina passa por prova de fogo


A mais promissora candidata à vacina contra a malária acaba de passar pelo seu teste mais difícil: a SPf66, como é chamada, reduziu um terço da incidência da doença em crianças da cidade de Idete, no sudoeste da Tanzânia. Criada em 1987 pelo médico colombiano Manuel Patarroyo, ela é composta por proteínas extraídas do parasita da malária e fez o maior sucesso nos primeiros testes, realizados há dois anos na América do Sul: 39% das pessoas em que foi aplicada ficaram imunes. Mesmo assim, muita gente desconfiava que a SPf66 não teria o mesmo desempenho nas regiões pobres da África, onde a taxa de transmissão da malária é cem vezes maior do que em qualquer outro canto do planeta. Na Tanzânia, as crianças sofrem, em média, trezentas picadas por ano de mosquitos infectados pelo parasita. Por causa desse elevado grau de exposição, alguns especialistas não ficaram ê muito animados com a nova droga colombiana. Mas ela surpreendeu, deixando 31 % das crianças africanas imunizadas.
Alguns acham que a vacina precisa ainda ser melhorada. Patarroyo responde: “Na falta de outra, não podemos deixar de usar esta para combater a malária. “

7792 – Cientistas tentam ‘driblar’ malária resistente


Um estudo sobre a sensibilidade do parasita da malária a drogas deu uma excelente pista de como contornar o problema do aumento da resistência desse micróbio a medicamentos e, com isso, criar tratamentos mais eficazes contra uma doença que afeta meio bilhão de pessoas por ano em todo o mundo.
O parasita é transmitido por picadas de mosquitos do gênero Anopheles. Conhecido como plasmódio, o parasita tem um complexo ciclo de vida tanto dentro do mosquito como no homem, infectando em formas diversas a glândula salivar do inseto, o sangue e o fígado humanos.
O novo estudo, feito por uma equipe, da Universidade de Melbourne, Austrália, mostrou que diferentes estágios de vida do parasita têm diferentes sensibilidades às artemisinas, drogas populares hoje no tratamento da malária.
A equipe conseguiu realizar experimentos “em proveta” capazes de imitar o que acontece na infecção pelo plasmódio no ser humano.
Os resultados mostram como a resistência a drogas pode surgir da ação combinada da curta sobrevivência do medicamento no organismo e do momento do desenvolvimento do parasita.
Para ela, vai ser difícil parar a tendência do parasita de adquirir resistência. “Ele vai eventualmente desenvolver resistência a qualquer droga que desenvolvermos.”
O que é possível, afirma ela, é tornar mais lento o desenvolvimento da resistência, ao garantir que as drogas sempre sejam usadas em certas combinações.
A estratégia, segundo Tilley, também precisa incluir o fim do tráfico de medicamentos falsificados, que costumam conter doses menores das drogas, uma praga típica do Terceiro Mundo, onde, aliás, se concentram os casos da doença.

6393 – Bactérias combatem causador da malária dentro do mosquito


O arsenal de combate à malária ganhou uma arma elegante: bactérias que vivem naturalmente no intestino de mosquitos foram modificadas geneticamente para bloquear o desenvolvimento do parasita que causa a doença.
O estudo foi coordenado pelo pesquisador brasileiro Marcelo Jacobs-Lorena, do Instituto de Pesquisa da Malária da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, de Baltimore, Estados Unidos. Ele e seus colegas publicaram artigo descrevendo o estudo na revista “PNAS”.
O parasita tem um complexo ciclo de vida, tanto no mosquito que transmite a doença quanto no organismo humano. Ele ataca o fígado e os glóbulos vermelhos do sangue humano, e parte do seu desenvolvimento se dá no intestino e nas glândulas salivares das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles.
Lidar com minúsculos órgãos de insetos é impressionante, mas o pesquisador diz estar acostumado. “Dissecar intestinos de mosquitos com a ajuda de uma lupa não é muito difícil”, afirma ele.
Os momentos em que os parasitas do gênero Plasmodium estão mais vulneráveis são os estágios em que vivem no intestino médio do mosquito. Eles compartilham o local com bactérias, que foram recrutadas e modificadas pelos pesquisadores para atacá-los com proteínas tóxicas.
O Plasmodium convive naturalmente com as bactérias da espécie Pantoea agglomerans. Os cientistas produziram mudanças em proteínas delas que poderiam atacar o parasita.
Ao chupar o sangue de uma vítima, o mosquito até ajuda as bactérias a fazer seu trabalho antiparasítico. O sangue faz a concentração da flora intestinal aumentar, e com isso também aumenta a quantidade das moléculas que afetam o Plasmodium.
Os experimentos envolveram tanto a mais letal espécie de parasita causador da malária em seres humanos, o Plasmodium falciparum, quanto uma espécie que causa a doença em roedores, o Plasmodium berghei.
Uma das bactérias modificadas produziu o melhor efeito, reduzindo em 98% a formação de oocistos, um estágio do desenvolvimento do parasita no mosquito. Uma das moléculas de maior eficácia é originária do veneno de um escorpião africano.
“Chegar a 98% já é muito bom e suficiente para um teste. Mas estamos trabalhando em algumas modificações da estratégia e esperamos poder aproximar o resultado dos 100%”.

2975 – Mosquito modificado pode brecar a transmissão da malária


Cientistas envolvidos no combate à malária descobriram uma forma de manipular geneticamente populações de mosquitos, com a esperança de no futuro reduzir drasticamente a proliferação da doença.
Em estudo publicado na revista “Nature”, os pesquisadores do Imperial College, de Londres, e da University de Washington, de Seattle (EUA), relataram que, após fazer alterações genéticas específicas em alguns mosquitos e permitir que eles procriassem, tais alterações poderiam ser transmitidas para grandes populações de mosquitos em poucas gerações.
Esse é o primeiro experimento demonstrando esse princípio, segundo os cientistas, e o resultado sugere que no futuro será possível difundir mudanças genéticas que dificultem a transmissão da malária pelos mosquitos.
A malária é uma doença infecciosa que afeta mais de 240 milhões de pessoas por ano, matando cerca de 850 mil delas –inclui um grande número de crianças na África.
Não existe vacina, e a prevenção é feita por pesticidas e mosquiteiros (redes sobre as camas).
Na nova experiência, os cientistas demonstraram que um elemento genético modificado, chamado I-SceI, pode ser incorporado ao DNA de mosquitos em cativeiro, sendo transferido a outras gerações na natureza.
Seria possível, então, alterar o código genético dos mosquitos para impedi-los de transmitir o parasita da malária, o Plasmodium falciparum.
Há cerca de 3.500 espécies de mosquitos no mundo, mas poucas delas transmitem a malária. Os pesquisadores disseram que a manipulação genética poderia permitir um maior foco no controle apenas das espécies mais perigosas.
Na experiência, foi usado um gene fluorescente verde para monitorar a mudança genética e sua transmissão a outras gerações.
Agora, a equipe está voltada para genes que o mosquito usa para se reproduzir ou para transmitir a malária.

A Malária


Vetor transmissor

É produzida por esporozoários do gênero plasmodium. É uma das enfermidades de maior disseminação, principalmente nas zonas quentes e temperadas do nosso país; tem caráter endêmico em por causa do baixo nível de educação das populações pobres do interior que vivem em regime de indigência e subnutrição. Os mosquitos transmissores são os dípteros do gênero Anopheles. Combate : A primeira preocupação é a eliminação sistemática dos focos de mosquito no seu habitat natural. As larvas se desenvolvem nas águas estagnadas, nos charcos e pântanos. Com a eliminação dos mosquitos, onde somente a fêmea é hematófaga, torna-se impossível a propagação da doença.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, hoje em dia, a malária é de longe a doença tropical e parasitária que mais causa problemas sociais e econômicos no mundo e só é superada em número de mortes pela Aids. Também conhecida como paludismo, a malária é considerada problema de saúde pública em mais de 90 países, onde cerca de 2,4 bilhões de pessoas (40% da população mundial) convivem com os risco de contágio. Anualmente, sobretudo no continente africano, entre 500 e 300 milhões são infectados, dos quais cerca de um milhão morrem em conseqüência da doença. No Brasil, principalmente na região amazônica a malária registra por volta de 500 mil casos por ano – no entanto, aqui a letalidade da moléstia é baixa e não chega a 0,1% do número total de enfermos.

Em comum, todas as espécies de Plasmodium atacam células do fígado e glóbulos vermelhos (hemácias), que são destruídos ao serem utilizados para reprodução do protozoário. Quando o mosquito pica o homem, introduz em sua corrente sangüínea, por meio de sua saliva, uma forma ativa do Plasmodium, denominada esporozoíta e que faz parte de uma de suas fases evolutivas. Uma vez no sangue, os esporozoítas rumam para o fígado, onde penetram as células hepáticas para se multiplicarem, dando origem a outra fase evolutiva chamada merozoíta. Uma parte dos merozoítas permanece no fígado e continua a se reproduzir em suas células, a outra cai novamente na corrente sangüínea e adentra as hemácias para seguir com o processo reprodutivo. As hemácias parasitadas também são destruídas e originam ora outros merozoítas, ora gametócitos, células precursoras dos gametas do parasita e que são tanto femininas quanto masculinas.

O mosquito Anopheles torna-se vetor da malária a partir do momento que ingere gametócitos (femininos e masculinos) de um indivíduo infectado. Dentro do mosquito, os gametócitos tornam-se gametas e fecundam-se, originando o zigoto, que atravessa a parede do estômago do inseto e transforma-se em oocisto, tipo de célula-ovo. Após algum tempo, o oocisto se rompe e libera novos esporozoítos, que migram para as glândulas salivares do mosquito estando assim prontos para infectar um novo indivíduo.

Dos três tipos de Plasmodium existentes no Brasil, o mais agressivo é o P. falciparum, que multiplica-se mais rapidamente e, conseqüentemente, invade e destroi mais hemácias que as outras espécies, causando, assim, um quadro de anemia mais imediato. Além disso, os glóbulos vermelhos parasitados pelo P. falciparum sofrem alterações em sua estrutura que os tornam mais adesivos entre si e às paredes dos vasos sangüíneos, causando pequenos coágulos que podem gerar problemas cardíacos como tromboses e embolias.

Geralmente, após a picada do mosquito transmissor, o P. falciparum permanece incubado no corpo do indivíduo infectado por 12 dias. A seguir, surge um quadro clínico variável, que inclui calafrios, febre alta (no início contínua e depois com freqüência de três em três dias), dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios. No caso de infecção por P. falciparum, também existe uma chance em dez de se desenvolver o que se chama de malária cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos letais da doença. Além dos sintomas correntes, aparece ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões e vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma. Por vezes, o quadro da malária cerebral lembra a meningite, o tétano, a expilepsia, o alcoolismo dentre outras enfermidades neurológicas.