13.413 – Medicina – Maconha pode deixar espermatozoides preguiçosos


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De acordo com estudo recente da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, a maconha pode influenciar negativamente não só na contagem de esperma, como também na função espermática das células reprodutivas masculinas.
Aparentemente, a droga faz com que eles nadem em círculos – ao invés de atingirem seu principal objetivo.
O mesmo efeito relaxante que a maconha tem sobre o corpo também teria nos espermatozoides. De acordo com Victor Chow, professor clínico da universidade, o consumo da erva afeta sua mobilidade espermática. Uma das razões pelas quais há um efeito tão imediato na fertilidade masculina, Chow explicou, é porque “o esperma é uma célula que gira muito rapidamente”.
Isso significa que, enquanto as mulheres nascem com todos os ovos, os homens produzem novos espermatozoides todos os dias.
De acordo com ele, é improvável que o consumo ocasional da erva cause muito mal, mas alertou que “definitivamente afetará a qualidade do esperma”.
Pesquisas anteriores já mostraram que o uso regular da erva pode reduzir a contagens de espermatozoides em até um terço.
Mas os problemas de fertilidade não são o único perigo de fumar maconha. A droga pode aumentar a frequência cardíaca e afetar a pressão arterial. Também foi revelado recentemente que a maconha pode afetar a forma como os joelhos, os cotovelos e os ombros de um fumante se movem quando estão caminhando.
Novos estudos são necessários para obter mais detalhes sobre o efeito da erva na fertilidade.

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13.253 – Ta doente? Vai uma macoinha aí – Maconha pode ser regulamentada como planta medicinal


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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária incluiu a Cannabis Sativa L. na sua lista de Denominação Comum Brasileira. A ação oficializa a cannabis, dando-lhe um número de identidade para referência posterior entre médicos e órgãos reguladores.
A medida foi oficializada com a publicação da Resolução nº 156, no dia 5 de maio de 2017. Agora, a maconha é uma substância reconhecida dentro do país, o que permite às agências reguladoras nacionais se referirem à planta em suas diretrizes.
“É um primeiro passo muito importante. A partir de agora, podemos esperar uma regulamentação da planta para fins medicinais”, explica Paulo Mattos, doutorando em Biologia Molecular pela UNIFESP e membro do Grupo Maconhabras do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) e da Associação Cultural Canabica de São Paulo (ACUCA).
A inclusão, porém, não altera as normas regentes atuais. “O cultivo e uso não autorizado da substância ainda é criminalizado”, explica ele. A Anvisa permite a prescrição de medicamentos derivados do canabidiol e tetrahidrocanabinol perante uma autorização especial dada por ela. Um dos exemplos mais conhecidos é o Mevatyl, responsável por diminuir a rigidez excessiva em pacientes que sofrem de esclerose múltipla.
Segundo Mattos, existem três famílias com autorização para cultivar a erva com fins medicinais, mas nenhuma produtora nacional. Com uma regulamentação oficial futura, a possibilidade para o cultivo em grande escala estará aberta.

Fonte: Galileu

13.236 – Estudo revela por que a maconha prejudica a memória


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Um novo estudo publicado na Nature acredita que conseguiu explicar, pela primeira vez, por que é difícil lembrar das coisas para quem fuma maconha.
A cannabis afeta a memória de curto prazo, impedindo que essas lembranças sejam solidificadas no cérebro. O efeito é temporário: parando de usar, o processo de armazenamento de informações volta ao normal rapidamente. O problema é que ninguém sabia explicar exatamente o que causava esse curto-circuito.
A mais nova descoberta mostra que as mitocôndrias são as responsáveis por esse bug cerebral. Para quem precisa de um lembrete das aulas de biologia da escola, mitocôndrias são organelas que ficam dentro de todas as nossas células. Sua função é prover energia através da respiração celular.
Para conseguir causar a “brisa” e os demais efeitos da cannabis, o THC, princípio ativo da maconha, se “prende” aos receptores de canabinoides que temos nos nossos neurônios. Essa ligação vai acontecendo em todo o sistema nervoso. O que os cientistas não sabiam é que as mitocôndrias também têm receptores de THC nas suas membranas. Ou seja: mitocôndrias também ficam chapadas e isso afeta a energia produzida nos seus neurônios.
O Instituto Neurocentre Magendie, na França, desenvolveu um estudo com ratinhos para analisar esse fenômeno. Os animais foram acostumados com um labirinto até saber percorrê-lo de cor. Depois, os pesquisadores injetaram THC no hipocampo dos ratos, região responsável pela memória. Quando os ratos chapados voltaram ao labirinto, agiram como se nunca tivessem estado lá antes.
Depois, os cientistas repetiram o experimento com ratos geneticamente modificados para não ter receptores de THC em suas mitocôndrias – e o defeito na memória deles não ocorreu.
Levando essas mitocôndrias para as placas de Petri, eles notaram que o THC interrompia o sistema de transporte de elétrons, que é uma etapa essencial no processo de produção de energia que ocorre dentro das mitocôndrias. Os neurônios do hipocampo, com as mitocôndrias prejudicadas, começavam a se comunicar menos entre si e, por isso, formavam menos memórias.
A mini-amnésia causada pela maconha é como se fosse, então, um regime de racionamento de energia que os neurônios adotam para conseguir manter sua atividade normal. Então, se você for do tipo que tem certeza que descobriu o significado da vida, do Universo e tudo o mais, tenha papel e caneta em mãos – ou então nem do número 42 você vai lembrar.

13.235 -Toxicologia – Maconha passa a ter o efeito oposto quando você envelhece


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No equilíbrio entre os benefícios e os riscos da maconha, a idade parece ser um fator mais importante do que se imaginava. Pelo menos foi o que concluiu uma pesquisa feita com ratos na Universidade de Bonn, na Alemanha.
Os cientistas queriam ver qual seria o efeito do THC, a substância responsável pelo “barato” da maconha, se fosse dado aos ratos em doses baixas, mas diárias, por um longo período de tempo.
Eles dividiram os ratos em três grupos: um de jovens, outro de ratos na meia idade e um último de idosos. Os animais foram testados com relação à capacidade de aprender e à memória usando pequenos labirintos. Eles observaram quanto tempo os roedores levavam para explorar o trajeto certo e, depois, para perceber quando estavam num caminho já percorrido anteriormente.
A próxima etapa foi dar subdoses de THC durante um mês para cada rato. A quantidade era bem baixa, pequena demais até para causar efeitos psicoativos. Mesmo assim, ao fim do teste, o desempenho dos ratos jovens piorou muito dentro do labirinto.
O resultado é consistente com pesquisas em humanos, que mostram que a memória de curto prazo fica prejudicada enquanto durar o uso, ainda que os efeitos sejam reversíveis.
Mas o grupo de ratos idosos surpreendeu os pesquisadores. Porque, no caso deles, o uso do THC trouxe uma melhora cognitiva razoável, impulsionando a memória e a atenção e trazendo resultados melhores dentro do labirinto.

12.902 – Pesquisa sugere que a maconha pode melhorar a visão noturna


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Um laboratório com girinos em clima de Woodstock. Um grupo de filhotes de sapo usou acannabis em nome da ciência, e deu fortes indícios a favor de uma teoria que estava no ar há mais de 25 anos: a de que a erva pode turbinar a sensibilidade dos nossos olhos no escuro.
A pesquisa foi publicada pela equipe do canadense Lois Miraucourt, do Instituto Neurológico de Montreal, no periódico científico eLife. Na primeira fase da experiência, os pesquisadores injetaram nos olhos dos girinos um canabinóide sintético, ou seja, uma versão do princípio ativo da droga feita em laboratório. Depois, usaram microeletrodos para medir a atividade do nervo ótico dos animais — é ele que faz a ponte entre os olhos e o cérebro.
O resultado é que a plantinha mais polêmica do mundo melhorou a reação dos olhos do girino à luz de diferentes intensidades. Em outras palavras, diminuiu a chance do bebê sapo se assustar ao confundir um cabide de roupas em seu quarto com um fantasma durante a noite. O efeito não é uma surpresa: já se sabia há duas décadas que pescadores jamaicanos usavam a droga para aumentar a sensibilidade de seus olhos no mar noturno e evitar recifes de corais.
A explicação para esse boost na sensibilidade está no interior das células. Lá dentro, em escala microscópica, o canabinoide se une a um receptor chamado CB1R. Receptores são proteínas essenciais para nossas células. Em uma situação normal, são eles, por exemplo, que recebem e passam adiante um comando deixado por um hormônio na corrente sanguínea. Tudo em ritmo de telegrama.
O que o BD1 faz quando é cutucado pela maconha é inibir uma proteína que controla o potencial elétrico das células da retina. Com mais íons (átomos com carga elétrica) para fora do que para dentro, elas se tornam mais “excitáveis”, e o pequeno sapo passa a enxergar um pouco melhor.
Para testar o efeito na prática, eles aproximaram os girinos de pontos pretos que eles associariam institivamente a predadores. Não deu outra: no escuro, os que estavam sob efeito da cannabis fugiam com muito mais frequência. Ainda não dá para afirmar que o efeito é o mesmo em humanos — tampouco se sabe se isso causaria qualquer dano prolongado à visão. Mas a pesquisa pode dar alguma esperança ao tratamento de doenças como o glaucoma.

12.332 – Saude – Anvisa autoriza prescrição de remédio com THC, princípio ativo da maconha


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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma resolução que autoriza a prescrição e importação de medicamentos que contenham derivados da maconha, incluindo o THC (tetrahidrocanabinol).
Antes, o THC fazia parte de uma lista de substâncias que não poderiam ser objeto de prescrição no país. Agora, a nova resolução flexibiliza esse cenário ao colocá-la como “exceção”.
Na prática, a agência passa a aceitar a importação de produtos com maior percentual de THC em relação a outros canabinóides –antes, a regra era que os produtos fossem compostos em sua maioria por canabidiol.
A resolução foi publicada no Diário Oficial da União e ocorre após determinação judicial. A agência afirma que irá recorrer da decisão por ferir tratados internacionais.
O impasse, que divide grupos de pacientes, entidades médicas e agências de regulação sanitária, ocorre devido ao efeito psicoativo atribuído ao THC, o que não ocorre com o canabidiol, por exemplo.
Ainda segundo a Anvisa, a nova resolução também abre caminho para o registro e a posterior oferta, no Brasil, de remédios a base da cannabis. Até o momento, a agência ainda não tem medicamentos registrados com essa composição.
Um dos possíveis novos medicamentos é o Sativex, cujo pedido de registro está em análise pela equipe técnica há cerca de um ano. A agência diz que aguarda cumprimento de exigências –como a apresentação de novos documentos– para tomar uma decisão.
Com a resolução, a Anvisa também amplia a possibilidade de prescrição médica de produtos à base de derivados da maconha. Isso significa que a agência, ao avaliar o pedido de autorização para importação, poderá aceitar receitas médicas também para adultos e para diferentes indicações.
O CFM (Conselho Federal de Medicina), no entanto, autoriza os médicos a prescrever somente o canabidiol para o uso compassivo e experimental de epilepsia em crianças e adolescentes.
Apesar da abertura provisória a produtos com THC, a resolução, no entanto, não altera os trâmites para a autorização da importação de produtos a base de canabidiol e THC, entre outros canabinóides.
Para obter os produtos, o paciente ainda precisa solicitar autorização especial para a Anvisa, por meio de formulário específico e apresentação de receita médica, laudo médico e termo de responsabilidade.

11.345 – Mega Polêmica – Maconha: Remédio proibido?


Uma garotinha brasiliense de 5 anos viu suas convulsões cessarem. Anny enfrentava até 80 crises por semana (número equivalente a uma crise a cada duas horas), causadas por uma rara síndrome genética, a CDKL5, que desencadeia um tipo grave e incurável de epilepsia. Remédios pesados faziam parte da rotina, mas sem resultados. O antídoto para as convulsões estava num óleo à base de canabidiol (CBD), componente extraído da maconha, sem qualquer efeito psicoativo. Katiele Bortoli e Norberto Fischer, mãe e pai dela, ouviram falar do caso de uma menina americana, portadora da mesma síndrome, que estava controlando as convulsões com CBD. Apesar de nunca terem imaginado que maconha poderia ser remédio, decidiram arriscar. Compraram a substância de um laboratório dos Estados Unidos, enviada ilegalmente para o Brasil. Em apenas nove semanas de tratamento, o diário onde os pais anotavam as crises ficou limpo.
Três meses depois, quando as ampolas do óleo acabaram, os registros de ataques epiléticos voltaram a aparecer no papel. A remessa seguinte do produto não foi entregue: ficou retida na Receita Federal. Por ser derivado da Cannabis sativa, nome científico da maconha, o CBD está na lista de substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que controla o uso de substâncias no Brasil. A impossibilidade de continuar o tratamento comoveu e revoltou o País. Katiele, que viu a filha voltar a convulsionar, não teve medo de tornar o caso público assumindo que, perante a lei, ela era traficante. E continuaria sendo, para garantir a saúde e a qualidade de vida da filha.
Anny teve sua primeira convulsão aos 45 dias de vida, nos braços da mãe. Quando ela completou 3 anos, as crises começaram a atacar o tempo inteiro, deixando a criança completamente debilitada, sem condições de se desenvolver. O CBD, enfim, era uma esperança. Proibida.
O caso de Anny e o uso medicinal da maconha ganharam espaço em jornais, revistas e programas de televisão em 2014. As pessoas se engajaram na causa. Mesmo as propriedades médicas da erva sendo milenarmente conhecidas e seu uso para fins medicinais ser legalizado em países como Canadá e parte dos Estados Unidos, a discussão nunca havia chegado com força ao Brasil. Um assunto sobre o qual reinava o silêncio acabou se revelando como uma possibilidade para centenas de milhares de brasileiros, não só crianças com síndromes raras. Pessoas que sofrem com esclerose múltipla, epilepsia, dores crônicas e até mesmo as que fazem quimioterapia e nem imaginavam que o uso de maconha poderia ser útil, ficaram sabendo de uma terapia alternativa aos tratamentos.
A pressão popular foi tanta que o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, chegou a anunciar que o composto sairia da ilegalidade, o que acabou não sendo cumprido. O único efeito colateral conhecido do CBD é sono – muito mais leve do que as reações causadas por drogas tarja preta receitadas pelos médicos. Anny tomou, entre outras medicações, Depakene, aprovada pela Anvisa, indicada para pacientes de epilepsia. A bula possui um tópico dedicado a advertências, que alerta para reações adversas graves como: diminuição das plaquetas, anormalidade na coagulação do sangue, insuficiência fatal no fígado e no pâncreas, excesso de amônia no organismo, que pode causar perturbações no cérebro também fatais, atrofia cerebral e comportamentos suicidas. “Foi a primeira medicação que tiramos quando o CBD começou a funcionar.
A família conseguiu uma ordem judicial e Anny foi a primeira paciente do Brasil a ter autorização para importar um medicamento à base de maconha. Após dez meses de tratamento, os avanços dela estão cada vez mais visíveis. “Se comparada com outras crianças, ela ainda parece muito debilitada, mas, quando comparada com ela mesma, a transformação é incrível.
Hoje, no Brasil, a burocracia é a seguinte: para utilizar substâncias listadas como proibidas é preciso fazer uma solicitação de importação à Anvisa, que inclua laudo e parecer médico. Mas, justamente por serem proibidas, os médicos não têm permissão para prescrevê-las e correm o risco de terem o registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Medicina. A proibição da maconha no País também faz com que não seja fácil ter acesso à planta para o desenvolvimento de pesquisas. E é justamente pela escassez de estudos que a Anvisa alega ser inviável liberar o uso medicinal. Enfim: não tem pesquisa porque é proibido, e é proibido porque não tem pesquisa. Um ciclo vicioso que entrava o conhecimento científico, deixa os médicos de mãos atadas e limita o acesso dos pacientes à saúde.
Desde o caso da Anny com o CBD, a Anvisa recebeu 77 pedidos de importação de derivados de maconha por pacientes (número fornecido pela agência no início de setembro). Destes, 58 foram aprovados, sete estão em análise, outros sete necessitam completar as exigências de informação solicitadas e um foi arquivado. Dois casos foram liberados por autorização judicial, um deles o da estudante de Terapia Ocupacional Juliana Paolinelli, que sofre de dor crônica. Ela foi a primeira paciente no Brasil autorizada a importar o medicamento Sativex, que contém 45% de Tetra-hidrocanabinol (THC), substância psicoativa da maconha que é eficaz no alívio da dor. Outros dois casos terminaram em morte. Um deles é o do menino Gustavo, de 1 ano, que sofria com a síndrome de Dravet. O processo para sua mãe, Camila Guedes, conseguir a liberação na Anvisa demorou um mês. Após a liberação, o produto ainda passou dez dias retido na Receita Federal. A criança, que só conseguiu usar o CBD por nove dias, tempo insuficiente para dar resultado, morreu após uma série de convulsões graves.
A Anvisa afirma que o tempo médio para a análise tem sido de uma semana. Em maio, a reunião que definiria a reclassificação do CBD, passando da lista de proibidos para controlados, e facilitaria a vida dos pacientes uma vez que os médicos poderiam receitá-lo, foi adiada. A agência informou que o assunto continua sem previsão de retorno para pauta neste momento. Por meio de nota, complementou: “Estamos falando de um produto sem análise de segurança e eficácia no País, já que até hoje nenhum laboratório solicitou o seu registro no Brasil. Por essa razão, uma condição fundamental para a importação por pessoa física é que exista um laudo de um profissional médico. Nesse caso é o médico que assume a responsabilidade pelo uso do produto e pelo estabelecimento das dosagens”.
Para os pesquisadores, a situação também é difícil, mas está melhorando. “Do meio do ano para cá, a Anvisa clareou os trâmites, ficou mais fácil importar”, conta o biólogo Renato Filev, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que estuda o uso de maconha para ajudar a controlar a dependência de álcool. O processo de importação era tão complicado e caro que não valia a pena.
O biólogo Renato Filev lamenta, ainda, a falta de interesse de outros médicos e pesquisadores da área de saúde nas pesquisas sobre drogas, especialmente no estudo de seus possíveis benefícios. “Seria fundamental que médicos estivessem empenhados em pesquisar e fazer estudos clínicos com maconha, estudando novas possibilidades de tratamento. Mas são raros”, lamenta Filev. Há consenso com relação aos benefícios à saúde de canabinoides isolados, mas muitos médicos não acreditam que maconha possa ser uma opção de tratamento.

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ERVA MALDITA? Um exemplo de instituição médica que é contra o uso medicinal da maconha é a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), rejeitando qualquer tipo de vinculação da erva ao tratamento de pacientes. Publicaram um manifesto contra a legalização, e lá consta: “Usar o falso pretexto de que a maconha faz bem é ingênuo e perverso. O que pode eventualmente vir a ser útil são substâncias extraídas da maconha, sem características alucinógenas, como ocorre com o canabidiol, vendido em formulações a óleo e spray. A maconha fumada não possui nenhuma evidência científica com relação a sua eficácia terapêutica”. O texto também afirma que a droga, quando fumada, piora todos os quadros psiquiátricos, como depressão, ansiedade e bipolaridade, e multiplica a incidência de desenvolvimento de esquizofrenia. Mesmo procurada inúmeras vezes pela equipe da SUPER para entrevista, a ABP não se manifestou sobre o assunto para a reportagem.

Maconha certamente tem contraindicações. Pacientes que tenham tendências a surtos psicóticos devem evitar o uso, porque o THC pode ajudar a desencadear alguma crise. Há também problemas relacionados ao uso crônico e excessivo, como dificuldade para memorização e desmotivação para as atividades diárias, e os riscos são maiores com usuários mais jovens. Mas isso não quer dizer que não existam médicos a seu favor. O psiquiatra Luiz Fernando Tófoli, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), escreveu um manifesto a favor da legalização da droga, assinado por cem médicos das mais diversas especialidades espalhados por todo o País. “A proibição é perversa, por prejudicar o acesso aos benefícios médicos desta planta cujos registros de uso curativo remontam há cerca de 5 mil anos”, aponta o texto. Em entrevista, o psiquiatra comentou que considera o posicionamento da ABP irresponsável.
A cannabis consta nos tratados médicos das mais antigas civilizações. Era amplamente utilizada na Mesopotâmia, na Pérsia, na Índia, na China, para tratar as mais diversas doenças, há mais de 5 mil anos – e até ontem, praticamente. Seu uso só foi proibido mundialmente em 1961, durante convenção das Nações Unidas contra substâncias entorpecentes. Antes disso, os médicos prescreviam maconha em suas receitas, como conta o psiquiatra Elisaldo Carlini. “Na época em que meu avô era médico, no começo do século 20, ele a receitava para os pacientes com insônia e até com asma, por ser broncodilatadora”, lembra. “É um dos mais valiosos medicamentos que a medicina descobriu, capaz até de aliviar dores causadas por distúrbios no próprio sistema nervoso.”

Foram essas propriedades nobres que fizeram dezenas de países no mundo inteiro reabrirem o debate sobre maconha medicinal, mesmo contra a vontade da ONU. Nas últimas duas décadas, pacientes, médicos e a comunidade científica se mobilizaram pelo direito ao uso da planta. E, graças à mobilização, conseguiram garantir tratamento para quem precisa nas mais variadas formas: em comprimidos, em óleos e loções, na planta in natura e até mesmo com produção de alimentos.

No Estado norte-americano da Califórnia, a maconha medicinal é legalizada há 18 anos. Dos 50 Estados americanos, 23 mais o distrito onde fica a capital Washington possuem legislação para o uso médico da planta. Como o governo federal ainda não reconhece seu uso médico, os usuários correm riscos de sofrerem punição se estiverem consumindo ou portando a droga além da fronteira do seu Estado. Mas, uma vez lá, basta apresentar uma receita médica na farmácia mais próxima para comprar maconha na forma que considerar mais adequada. “Temos muitos produtos diferentes porque os pacientes têm necessidades diferentes. Os que precisam de alívio imediato da dor preferem inalar o medicamento. Outros precisam de um alívio mais duradouro, então preferem tomar o remédio por via oral”, conta a psicóloga Amanda. Entretanto, quando a maconha é ingerida em alimentos, uma opção dos pacientes, a dificuldade de controlar a dosagem é maior, porque os efeitos não são imediatos. Apesar de bem difundida nos Estados Unidos, a possibilidade de prescrever maconha ainda inexiste para muitos médicos, que não fazem ideia das propriedades da erva, que pode ser uma alternativa mais barata e eficaz, e com menos efeitos colaterais que os tratamentos disponíveis. Ao contrário dos remédios tradicionais, a maconha pode agir em várias frentes. Por exemplo, em vez de propor um comprimido para náuseas, outro para melhorar o apetite e mais um para dar conta do humor de alguém que passa por quimioterapia, a maconha, por si só, pode atuar sobre os três sintomas, com poucos efeitos colaterais além do efeito psicoativo. Mas a imensa maioria dos pacientes de câncer passam por todo o tratamento sem nem ouvir do seu médico essa possibilidade.
Apesar da escassez de pesquisas, já há registros de que a maconha pode ser útil para muitas doenças

Doenças virais

AIDS
Combate sintomas e efeitos colaterais do tratamento, como náusea e perda do apetite.

HEPATITE C
Doses pequenas aliviam a depressão e as dores musculares, causadas pelos fortes remédios.

Doenças inflamatórias
DOENÇA DE CROHN
A maconha ameniza náuseas e dores intestinais e pode atacar (e até erradicar) as células que provocam a infecção.

Doenças neurológicas
DORES CRÔNICAS E ARTRITE REUMATOIDE
A maconha tem poder analgésico para tratar dores persistentes, inclusive as causadas pelo sistema nervoso. Reduz o consumo de outros remédios.

EPILEPSIA
O canabidiol reduz significativamente os ataques epiléticos em pessoas que têm doenças resistentes a outros tipos de tratamento, como a síndrome de Dravet.

ALZHEIMER
Canabinoides podem desacelerar o avanço do Alzheimer e outras formas de demência.

PARKINSON
Pode diminuir os tremores e melhorar o humor e o sono.

SÍNDROME DE TOURETTE
Pesquisas apontam para redução dos tiques.

ESCLEROSE MÚLTIPLA
Reduz espasmos, falta de sono e rigidez muscular. Mas pode aumentar a perda de memória e déficit de atenção, comuns a quem tem a doença.

Outras

INSÔNIA
Ajuda a induzir o sono, além de permitir noites mais tranquilas – o que pode ser útil no tratamento de estresse pós-traumático.

CÂNCER
Útil para o alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia. Testes em animais mostraram que canabinoides podem matar células cancerígenas e até destruir tumores.

ANSIEDADE
Auxilia pessoas com estresse ou trauma recente. Mas, se a pessoa usar maconha por muito tempo, o corpo deixa de produzir as substâncias ansiolíticas naturalmente.

GLAUCOMA
Diminui a pressão intraocular, mas o resultado dura pouco e os efeitos colaterais pela dosagem são muitos. Pesquisas tentam encontrar uma forma segura de administrar maconha.

ASMA
Ao contrário do tabaco, o THC dilata os brônquios. Maconha vaporizada dá alívio semelhante ao das bombinhas.

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10.567 – Acredite se Quiser – Maconha pode retardar efeitos do Alzheimer


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A erva já é usada mundo afora com vários objetivos: diminuir dores, náuseas e alguns efeitos secundários de condições como glaucoma, dores nervais e câncer. Agora, em meio a diversos debates sobre a droga, cientistas descobriram que ela pode retardar ou parar completamente a progressão do Mal de Alzheimer. Mas calma. Não vai acender ainda. Segundo pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida, a dose de maconha que tem o poder de combater o Alzheimer é mais baixa que a de um baseado.
O estudo revelou que pequenas doses de THC (uma substância química presente na erva) diminuem a concentração de uma proteína chamada beta-amiloide no cérebro. O acúmulo dessa proteína é uma das causas do Alzheimer.
Não é a primeira vez que um estudo científico apontou a eficácia do THC na luta contra o acúmulo de proteína no cérebro. Em 2006, pesquisadores do Instituto theScripps descobriram que o THC bloqueou completamente a formação de placas de beta-amiloide. Aliás, o composto funcionou melhor do que os remédios que são utilizados normalmente contra o Alzheimer.
Para os pesquisadores, em doses muito baixas, os benefícios do THC superam qualquer dano que o composto possa causar. “Não estamos defendendo que as pessoas usem drogas ilícitas para prevenir a doença”, disse o co-autor Neel Nabar. “É importante ter em mente que só porque uma droga pode ser eficaz não significa que ela possa ser usada com segurança por qualquer pessoa. Entretanto, estas descobertas podem levar ao desenvolvimento de compostos relacionados que são seguros, legais e úteis no tratamento do Alzheimer. ”

9592 – Maconha contra a Esclerose Múltipla


A França autorizou nesta quinta-feira o lançamento comercial do Sativex, um spray bucal que contém substâncias derivadas da cannabis e que é prescrito para aliviar as dores ocasionadas pela esclerose múltipla. A decisão “é uma etapa prévia à comercialização do produto, que será realizada por iniciativa do laboratório”, declarou o Ministério da Saúde do país. O spray já é comercializado em outros países europeus.
A causa da esclerose múltipla ainda é desconhecida e não há cura para a doença. Sabe-se que ela ocorre quando há danos ou destruição da mielina, uma substância que envolve e protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinhal e do nervo óptico. Quando isso acontece, são formadas áreas de cicatrização, ou escleroses, e surgem diferentes sintomas sensitivos, motores e psicológicos.
O Sativex, produzido pelo laboratório britânico GWPharma, combina as duas principais substâncias extraídas da cannabis: o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). O produto foi autorizado em 2010 por órgãos reguladores da Grã-Bretanha como uma terapia de segunda linha para tratar espasticidade em pacientes com esclerose múltipla — ou seja, em indivíduos que não responderam às drogas principais. A espasticidade, um sintoma comum da doença, ocorre quanto há um aumento do tônus muscular, podendo desencadear espasmos involuntários, distúrbios de sono e dores. Depois da Grã-Bretanha, outros países, entre eles Espanha, Alemanha e Dinamarca, segundo a farmacêutica, aprovaram o produto.
Na França, o Sativex será comercializado por outro laboratório, o Almirall. Segundo o Ministério da Saúde do país, o tratamento com o spray deverá ser iniciado por médicos de hospital.

Controvérsia
Um artigo científico publicado em dezembro de 2012 no periódico britânico Drug And Therapeutics Bulletin afirmou que não há evidências que comprovem a eficácia da maconha na redução dos sintomas da esclerose múltipla, como outras pesquisas haviam sugerido. Para os autores do texto, os estudos feitos sobre o assunto até então são limitados.

8642 – De ☻lho no Mundo – O Plantio da Maconha na Coréia do Norte


A Coreia do Norte é considerado um país mais fechado do mundo, que vive sob uma ditadura comunista mantida por um estado repressor e conservador, que investe no militarismo e em bombas atômicas, apesar dos alarmantes índices de mortalidade infantil e desnutrição em sua população. Tecnologicamente, é um país atrasado, e apesar das limitações sociais e política, a maconha é plantada e colhida livremente.
O governo norte-coreano possui séria postura sobre a distribuição e uso de drogas pesadas em seu território, persegue, principalmente, o cristal de matanfetamina, mas não considera a maconha como droga. O portal NkNews, especializado em veicular notícias sobre a Coreia do Norte, já recebeu vários relatos de visitantes que, ao retornarem desse país, enviaram mensagens descrevendo a presença de plantas de maconha sendo cultivadas ao longo de estradas.
O cultivo da maconha também é descrito na cidade portuária de Chongjin, e nas ruas Ca capital Pyongyang. Além de visitante, o portal recebe relatos de pessoas que trabalham ou viajam constantemente para a Coreia do Norte.
Muitos residentes, além de conviverem com o cultivo com naturalidade, já experimentaram livremente. Na Coreia do Norte, essa droga é chamada de “ip tambae” ou “folha de tabaco”. É consumido pelos jovens soldados do exército norte-coreano. Para o governo, é melhor incentivar a maconha para relaxar seus soldados do que viciá-los com alcatrão e nicotina, como ocorre com os soldados do Ocidente.
Porém, turistas estrangeiros não são encaminhados para o consumo da maconha na Coreia do Norte, por conhecerem as limitações que a maconha recebe na maior parte do mundo, principalmente, no Ocidente, os guias norte-coreanos não oferecem e não levam os turistas aos locais de consumo como forma de não gerar propaganda negativa ao país.
Na sociedade norte-coreana a droga é muito comum entre as classes menos favorecidas e entre os soldados, é utilizada como método de relaxamento. Em países do Ocidente, como no Brasil, a produção e consumo de maconha é proibido em virtude dos males que o seu consumo podem causar na saúde do ser humano e pelos seus níveis de dependência.

7157 – Drogas – A erva dos assassinos


Pode-se dizer que as plantas do Grupo Cannabis — onde se destacam a maconha, o haxixe e o cânhamo — têm uma tradição secular: elas são mencionadas nos mais antigos textos sagrados hindus, como ervas mágicas, capazes de afastar o perigo de catástrofes e a ira dos inimigos. Não faltam crenças semelhantes na descrição de diversos rituais religiosos primitivos.
No início do século XI a.C., o conquistador ismaelista Hassam ibn Sabbah, por exemplo, fundou uma seita em que a Cannabis era o símbolo divino. Mas, quando não se ocupavam com o espírito, refugiados numa fortaleza entre o Mar Cáspio e o planalto persa, os participantes da seita alimentavam a matéria assaltando caravanas de mercadores — estes chamavam os bandidos de fumadores de haxixe, cuja expressão em árabe é haschaschne, de que derivou a palavra assassino. Mil anos depois, as invasões árabes na África levaram a erva para esse continente; que chamavam suas folhas de makonia, foram provavelmente seus introdutores nas Américas.

6657 – Carro Elétrico feito de Fibra de Maconha


Kestrel é o mais novo protótipo de carro elétrico canadense. Compacto, além do motorista, o veículo tem espaço para três passageiros, pode atingir uma velocidade máxima de 90 km/h e deve percorrer de 40 a 160 km antes de ser recarregado, dependendo da bateria que for utilizada.
Mas, a novidade não está no fato de ele consumir eletricidade em vez de combustíveis fósseis para se locomover e, portanto, não emitir tantos gases de efeito estufa e nem contribuir com as mudanças climáticas. Seu grande diferencial está na estrutura, feita a partir de um compósito resistente produzido com a fibra da maconha.
De acordo com a Motive Industries, uma empresa focada no desenvolvimento de veículos com materiais e tecnologias avançados, a maconha está entre os melhores materiais para fabricação de estruturas.
Na realidade, o primeiro veículo feito com fibra de maconha foi construído por ninguém menos do que Henry Ford, há mais de um século. No entanto, os fabricantes de automóveis acabaram priorizando o aço e o material ficou esquecido.
Depois, as fibras de vidro e carbono se tornaram populares entre os carros de corrida por serem fortes e leves, ao mesmo tempo. Mas, nos dois casos, sua produção demanda a queima em fornos e vários processos químicos, ou seja, há um gasto enorme de energia e ainda emissão de gases de efeito estufa.

Por outro lado, a fibra de maconha é duas vezes mais forte do que as fibras de outras plantas, o cultivo da erva não requer muita água ou o uso de pesticidas e sua produtividade é elevada no Canadá.
O Kestrel é um dos cinco veículos elétricos que vem sendo desenvolvidos pelo Projeto Eve, uma colaboração entre diferentes empresas da indústria automobilística canadense, que desejam impulsionar o setor no país. Pelo fato de as plantações de maconha serem proibidas nos Estados Unidos, os canadenses podem levar aí alguma vantagem no mercado de carros elétricos.
Previstos para serem entregues no próximo ano, os vinte primeiros Kestrels serão produzidos por estudantes, em escolas politécnicas das cidades de Alberta, Quebec e Toronto.

6655 – O que a maconha tem a ver com a crise econômica?


A planta pode ser parte da saída para dívidas públicas. Doug Fine, que já colaborou para o jornal Washington Post e a revista Wired, acaba de lançar, nos Estados Unidos, o livro Too High to Fail – Cannabis and the New Green Economic Revolution (em tradução livre: Muito Chapado para Fracassar – Maconha e a Nova Revolução Econômica Verde).
Fine passou um ano em uma comunidade rural no condado de Mendocino, na Califórnia, para escrever este livro. Lá o plantio da Cannabis para fins medicinais é autorizado pelo xerife da cidade, mediante o pagamento de taxa. Cada produtor pode cultivar no máximo 99 mudas da planta, para não passar por cima da lei federal, que determina prisão para quem tiver 100 mudas ou mais.
O que o jornalista constatou:
– 80% da economia de Mendocino é movimentada por conta da droga: por ano, são gerados de US$ 6 bi a US$ 8 bi;
– Segundo professor de economia de Harvard entrevistado no livro, em 2011 a droga poderia ter gerado impostos no valor de US$ 6,2 bilhões ao governo. Se a planta fosse legalizada, o lucro poderia ser de US$ 47 bilhões;
– A Cannabis industrial – para os setores têxtil, alimentício e energético – tem mais potencial econômico do que para o uso medicinal.
Enquanto alguns Estados dos EUA consideram votar pela legalização da maconha para uso recreativo nas próximas eleições de novembro, a população da pequena cidade de Rasquera, na região espanhola da Catalunha, aprovou por plebiscito a plantação da erva para pagar as dívidas da crise financeira.
O cultivo, para consumo social, será feito pela ABCDA – Associação de Barcelona de Autoconsumo de Cannabis, que é legal e tem cinco mil sócios, em terrenos alugados da prefeitura da cidade. A ABCDA pagará 550 mil euros por mês. Estima-se que em dois anos a dívida de Rasquera estará quitada.
Para reduzir seu impacto ao meio ambiente, as plantações propostas por Doug Fine e pela ABCDA poderiam se inspirar na norma da cidade de Boulder, no Colorado, que exige fontes limpas de energia para o cultivo de maconha.

5508 – Mega Polêmica – Por que a maconha é proibida?


A guerra contra essa planta foi motivada muito mais por fatores raciais, econômicos, políticos e morais do que por argumentos científicos. E algumas dessas razões são inconfessáveis. Tem a ver com o preconceito contra árabes, chineses, mexicanos e negros, usuários freqüentes de maconha no começo do século XX. Deve muito aos interesses de indústrias poderosas dos anos 20, que vendiam tecidos sintéticos e papel e queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo. Tem raízes também na bem-sucedida estratégia de dominação dos Estados Unidos sobre o planeta. E, é claro, guarda relação com o moralismo judaico-cristão (e principalmente protestante-puritano), que não aceita a idéia do prazer sem merecimento – pelo mesmo motivo, no passado, condenou-se a masturbação.
Não se trata de apologia á drogas, vamos mergulhar a fundo na questão:
Nas primeiras décadas do século XX, a maconha era liberada, embora muita gente a visse com maus olhos. Aqui no Brasil, maconha era “coisa de negro”, fumada nos terreiros de candomblé para facilitar a incorporação e nos confins do país por agricultores depois do trabalho. Na Europa, ela era associada aos imigrantes árabes e indianos e aos incômodos intelectuais boêmios. Nos Estados Unidos, quem fumava eram os cada vez mais numerosos mexicanos – meio milhão deles cruzaram o Rio Grande entre 1915 e 1930 em busca de trabalho. Muitos não acharam. Ou seja, em boa parte do Ocidente, fumar maconha era relegado a classes marginalizadas e visto com antipatia pela classe média branca.
Pouca gente sabia, entretanto, que a mesma planta que fornecia fumo às classes baixas tinha enorme importância econômica. Dezenas de remédios – de xaropes para tosse a pílulas para dormir – continham cannabis. Quase toda a produção de papel usava como matéria-prima a fibra do cânhamo, retirada do caule do pé de maconha. A indústria de tecidos também dependia da cannabis – o tecido de cânhamo era muito difundido, especialmente para fazer cordas, velas de barco, redes de pesca e outros produtos que exigissem um material muito resistente. A Ford estava desenvolvendo combustíveis e plásticos feitos a partir do óleo da semente de maconha. As plantações de cânhamo tomavam áreas imensas na Europa e nos Estados Unidos.
Em 1920, sob pressão de grupos religiosos protestantes, os Estados Unidos decretaram a proibição da produção e da comercialização de bebidas alcoólicas. Era a Lei Seca, que durou até 1933. Foi aí que Henry Anslinger surgiu na vida pública americana – reprimindo o tráfico de rum que vinha das Bahamas. Foi aí, também, que a maconha entrou na vida de muita gente – e não só dos mexicanos. “A proibição do álcool foi o estopim para o ‘boom’ da maconha”, afirma o historiador inglês Richard Davenport-Hines, especialista na história dos narcóticos, em seu livro The Pursuit of Oblivion (A busca do esquecimento.
No sul do país, corria o boato de que a droga dava força sobre-humana aos mexicanos, o que seria uma vantagem injusta na disputa pelos escassos empregos. A isso se somavam insinuações de que a droga induzia ao sexo promíscuo (muitos mexicanos talvez tivessem mais parceiros que um americano puritano médio, mas isso não tem nada a ver com a maconha) e ao crime (com a crise, a criminalidade aumentou entre os mexicanos pobres, mas a maconha é inocente disso). Baseados nesses boatos, vários Estados começaram a proibir a substância. Nessa época, a maconha virou a droga de escolha dos músicos de jazz, que afirmavam ficar mais criativos depois de fumar.
A proibição foi virando uma forma de controle internacional por parte dos Estados Unidos, especialmente depois de 1961, quando uma convenção da ONU determinou que as drogas são ruins para a saúde e o bem-estar da humanidade e, portanto, eram necessárias ações coordenadas e universais para reprimir seu uso. “Isso abriu espaço para intervenções militares americanas”.
Mas afinal,a maconha faz mal?
Depois de mais de um século de pesquisas, a resposta mais honesta é: faz, mas muito pouco e só para casos extremos. O uso moderado não faz mal. A preocupação da ciência com esse assunto começou em 1894, quando a Índia fazia parte do Império Britânico. Havia, então, a desconfiança de que o bhang, uma bebida à base de maconha muito comum na Índia, causava demência. Grupos religiosos britânicos reivindicavam sua proibição. Formou-se a Comissão Indiana de Drogas da Cannabis, que passou dois anos investigando o tema. O relatório final desaconselhou a proibição: “O bhang é quase sempre inofensivo quando usado com moderação e, em alguns casos, é benéfico. O abuso do bhang é menos prejudicial que o abuso do álcool”.
Em 1976, a Holanda decidiu parar de prender usuários de maconha desde que eles comprassem a droga em cafés autorizados. Resultado: o índice de usuários continua comparável aos de outros países da Europa. O de jovens dependentes de heroína caiu – estima-se que, ao tirar a maconha da mão dos traficantes, os holandeses separaram essa droga das mais pesadas e, assim, dificultaram o acesso a elas.
Nos últimos anos, os possíveis males da maconha foram cuidadosamente escrutinados – às vezes por pesquisadores competentes, às vezes por gente mais interessada em convencer os outros da sua opinião.
Câncer
Não se provou nenhuma relação direta entre fumar maconha e câncer de pulmão, traquéia, boca e outros associados ao cigarro. Isso não quer dizer que não haja. Por muito tempo, os riscos do cigarro foram negligenciados e só nas últimas duas décadas ficou claro que havia uma bomba-relógio armada – porque os danos só se manifestam depois de décadas de uso contínuo. Há o temor de que uma bomba semelhante esteja para explodir no caso da maconha, cujo uso se popularizou a partir dos anos 60. O que se sabe é que o cigarro de maconha tem praticamente a mesma composição de um cigarro comum – a única diferença significativa é o princípio ativo. No cigarro é a nicotina, na maconha o tetrahidrocanabinol, ou THC. Também é verdade que o fumante de maconha tem comportamentos mais arriscados que o de cigarro: traga mais profundamente, não usa filtro e segura a fumaça por mais tempo no pulmão (o que, aliás, segundo os cientistas, não aumenta os efeitos da droga).
Dependência
Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e tabaco). A questão é: será que a maconha é a causa da dependência ou apenas uma válvula de escape. “Dependência de maconha não é problema da substância, mas da pessoa”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina.
Danos cerebrais
“Maconha mata neurônios.” Essa frase, repetida há décadas, não passa de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que o THC destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que ministravam doses de elefante em ratinhos –, mas nada foi encontrado.
Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas capacidades cognitivas do usuário de maconha. A maior preocupação é com a memória. Sabe-se que o usuário de maconha, quando fuma, fica com a memória de curto prazo prejudicada. São bem comuns os relatos de pessoas que têm idéias que parecem geniais durante o “barato”, mas não conseguem lembrar-se de nada no momento seguinte. Isso acontece porque a memória de curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e, sem ela, as memórias de longo prazo não são fixadas (é por causa desse “desligamento” da memória que o usuário perde a noção do tempo). Mas esse dano não é permanente. Basta ficar sem fumar que tudo volta a funcionar normalmente. O mesmo vale para o raciocínio, que fica mais lento quando o usuário fuma muito freqüentemente.
Coração
O uso de maconha dilata os vasos sangüíneos e, para compensar, acelera os batimentos cardíacos. Isso não oferece risco para a maioria dos usuários, mas a droga deve ser evitada por quem sofre do coração.
Infertilidade
Pesquisas mostraram que o usuário freqüente tem o número de espermatozóides reduzido. Ninguém conseguiu provar que isso possa causar infertilidade, muito menos impotência. Também está claro que os espermatozóides voltam ao normal quando se pára de fumar.
Depressão imunológica
Nos anos 70, descobriu-se que o THC afeta os glóbulos brancos, células de defesa do corpo. No entanto, nenhuma pesquisa encontrou relação entre o uso de maconha e a incidência de infecções.
Loucura
No passado, acreditava-se que maconha causava demência. Isso não se confirmou, mas sabe-se que a droga pode precipitar crises em quem já tem doenças psiquiátricas.
O uso medicinal da maconha é tão antigo quanto a maconha. Hoje há muitas pesquisas com a cannabis para usá-la como remédio. Segundo o farmacólogo inglês Iversen, não há dúvidas de que ela seja um remédio útil para muitos e fundamental para alguns, mas há um certo exagero sobre seus potenciais. Em outras palavras: a maconha não é a salvação da humanidade. Um dos maiores desafios dos laboratórios é tentar separar o efeito medicinal da droga do efeito psicoativo – ou seja, criar uma maconha que não dê “barato”. Muitos pesquisadores estão chegando à conclusão de que isso é impossível: aparentemente, as mesmas propriedades químicas que alteram a percepção do cérebro são responsáveis pelo caráter curativo. Esse fato é uma das limitações da maconha como medicamento, já que muitas pessoas não gostam do efeito mental. No Brasil, assim como em boa parte do mundo, o uso médico da cannabis é proibido e milhares de pessoas usam o remédio ilegalmente.
Pessoas tratadas com quimioterapia muitas vezes têm enjôos terríveis, eventualmente tão terríveis que elas preferem a doença ao remédio. Há medicamentos para reduzir esse enjôo e eles são eficientes. No entanto, alguns pacientes não respondem a nenhum remédio legal e respondem maravilhosamente à maconha. Era o caso do brilhante escritor e paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado, finalmente, perdeu uma batalha de 20 anos contra o câncer.
Aids
Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe disso (aliás, esse é um de seus inconvenientes: ela engorda). Nenhum remédio é tão eficiente para restaurar o peso de portadores do HIV quanto a maconha. E isso pode prolongar muito a vida: acredita-se que manter o peso seja o principal requisito para que um soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no sistema imunológico. Sabe-se que isso não representa perigo para pessoas saudáveis, mas pode ser um risco para doentes de Aids.
Esclerose múltipla
Essa doença degenerativa do sistema nervoso é terrivelmente incômoda e fatal. Os doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e suas bexigas e intestinos funcionam muito mal. Acredita-se que ela seja causada por uma má função do sistema imunológico, que faz com que as células de defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão eficiente, mas especula-se que tenha a ver com seu pouco compreendido efeito no sistema imunológico.
Dor
A cannabis é um analgésico usado em várias ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais são os mais promissores.

5065 – Mega Notícias – ZOOLOGIA – Potência na selva


O diário inglês London Times anuncia que pesquisadores chineses pretendem dar Viagra a pandas para tentar aumentar o ritmo dos acasalamentos. O crescimento da população ajudaria a salvar a espécie.
A primeira luz
Obtida a imagem mais nítida já feita do brilho que resta do Big Bang, a explosão que deu origem ao Cosmo, há 13 bilhões de anos. Para seus autores – da Universidade de Roma e do Instituto de Tecnologia da Califórnia –, ela comprova que a expansão do Universo não terá fim. Ele crescerá para sempre.
ZOOLOGIA – Mico amazônico
Encontrada uma nova espécie de macaco, que foi batizada de Callithrix manicorensis pelo zoólogo holandês Marc von Roosmalen, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus. O primata, de 22 centímetros de comprimento, foi achado a menos de 300 quilômetros da capital amazonense.
MEDICINA – Cannabis na clínica
Aprovada lei que permite o uso de maconha para fins terapêuticos no Estado americano do Havaí. O governador Benjamin Cayetano, que mandou o projeto de lei à assembléia, declarou que a assinará em seguida. A erva tem sido recomendada em casos de glaucoma, Aids e seqüelas da quimioterapia.
PALEONTOLOGIA – Coração de pedra
Exame de tomografia revela que um caroço petrificado em um esqueleto do dino tesselossauro, de 66 milhões de anos, é de fato o que sobrou de seu coração. É o primeiro órgão interno que foi encontrado num fóssil. O autor do achado é o médico americano Andrew Kuzmitz, da cidade de Ashland, Estado de Oregon.
PALEONTOLOGIA – Jacaré antigo
Anunciada a descoberta de um crocodilo de 135 milhões de anos no Maranhão, a 120 quilômetros de São Luís, pelo geólogo Ismar de Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

3731 – Farmacologia – Maconha para fins terapêuticos


Menos sofrimento no câncer – Um dos meios de combater a proliferação de células doentes é um coquetel de drogas. Infelizmente elas também ativam o que se chama de centro emético do cérebro, responsávelpor náuseas e vômitos e muitas vezes insurportável. O THC reduz o mal estar.
Talvez porque traz relaxamento muscular, o THC devolve o controle dos braços e das pernas das vítimas de esclerose multipla, doença que ataca o cérebro ocasionando espasmos musculares involuntários.
A perda de peso entre os portadores do HIV se deve a diarréias e a ação de diversas toxinas, entre outra causas. É agravada pela falta de apetite. O THC traz de volta a vontade de comer, combatendo a fraqueza.
Diminuição da dor – Foi descoberta uma substância da planta no início dos anos 90, que é mais eficiente que a morfina no combate a dor. É importante porque hoje, a medicina depende muito de subprodutos do ópio, como a morfina.
O excesso de pressão cqausado pelo glaucoma sobre o globo ocular torna essa doença a maior causa de cegueira em todo o mundo, inclusive no Brasil. O THC controla a ação dos líquidos que correm na córnea e na íris.
Quando inalada,a droga vai para o pulmão, onde é rapidamente absorvida pelas artérias e levada ao cérebro. Erva ou capsula ingerida vai para o estômago e daí para o fígado. A parte não decompostavai para o cérebro, levando de 30 a 60 minutos para fazer efeito. O paciente de câncer toma uma cápsula antes da quimioterapia e outra no dia seguinte. O de AIDs toma uma meia hora antes das refeições. Em 1992, o governo federal suspendeu as autorizações especiais para o uso do cigarro e não admite que ele tenha valor médico. Só permite o uso controlado do THC sintético. Numa enquete médica feita na década de 90; 70% deles disseram que reconedariam se ela fosse permitida e 40% disseram aconselhar mesmo sendo ilegal.

2560- Mega Polêmica:Uso da maconha na medicina


O uso de drogas com o a maconha e outras substâncias alucinógenas ou psicotrópicas, sem orientação médica é perigoso. A comunidade científica começou a fazer seu estudo a sério em 1964. Após o início dos anos 70, surgiram ao primeiros remédios a base de THC sintéticos, cujos uso é autorizado em casos especiais na Europa e EUA. O canadense Nabilone e o americano Marinol. Em forma de cápsulas ocupam um mercado em crescimento: o dos pacientes com câncer e AIDS. Embora não cure tais doenças, alivia com eficiência o sofrimento. Ajuda a superar crises de náusea e vômitos provocados pela quimioterapia que controla os tumores. Na abrangente pesquisa americana feita pela Universidade Havard em 1991, 70% dos cancerologistas perguntados responderam que recomendariam o uso da erva natural se essa fosse legalizada. Quase a metade, aconselhava mesmo sendo ilegal. Na AIDS, o efeito mais importante é o de estimular o apetite, já que aidéticos perdem em média 4 quilos por mês e podem morrer de desnutrição. No câncer a eficácia é apenas moderada. Estudos revelaram quais são as regiões do cérebro mais ricas em receptores. Os compostos da planta atuam em regiões cerebrais relacionadas com a memória com os sentidos com a capacidade de aprender e com os movimentos do corpo, incluindo a sensação de equilíbrio. Quando inalada, a droga vai para o pulmão onde é rapidamente absorvida pelas artérias e levada ao cérebro. Erva ou cápsula ingerida vai para o estômago e daí para o fígado. Leva 30 ou 60 minutos para fazer efeito. Uma vez lá, 4 áreas são mais atingidas: hipocampo (associado á memória), o estriado (movimentos), o cerebelo (equilíbrio) e o córtex (sentido e aprendizado). O THC , que é a substância mais ativa da droga, reage durante uma fração de segundos com uma substância incrustada na parede da célula cerebral. Começa então uma série de transformações, ainda pouco conhecidas, em outras moléculas, as proteínas. Como resultado, a célula se comunica com outras. Se decifrarem essa teia de reações químicas, os cientistas poderão explicar seus efeitos.

2543-Maconha: Da Ásia para a América em 5 mil anos


Parece um inocente arbusto

A planta de maconha, de acordo com os dados de botânica, surgiu nas regiões centrais da Ásia. A partir daí, o próprio homem teria se encarregado de espalha-la pelo mundo. Provavelmente foi cultivada no norte da China, onde é apontada como remédio em textos datados de mais de 2 mil anos AC. Daí o cultivo teria se expandido para a Índia e para o Oriente médio. Em épocas mais recentes passaria para a Espanha, Europa e África. Por último a rota para América. É a etapa mais controvertida: a planta pode ter viajado com os espanhóis para o Chile ou com os escravos africanos para o Brasil e para os EUA. Estimado em 1,875 grama, eqüivale a fumar centenas de cigarros de uma só vez. Um cigarro tem 500 miligramas a 1 grama de maconha, mas quase tudo se perde antes de chegar ao cérebro. No final o consumo não passa de 2,5 milésimos de grama.

O principal composto químico psicoativo presente na cânabis é o Δ9-tetrahidrocanabinol (delta-9-tetrahidrocanabinol), comumente conhecido como THC – cuja concentração média é de até 8%, mas algumas variedades de maconha (cruzamentos entre a espécie Cannabis sativa e a Cannabis indica) comumente conhecidas como skunk (“cangambá”, em inglês) produzem recordes na marca de 33% de THC. Pelo menos 66 outros canabinóides estão presentes na Cannabis, como o canabidiol (CBD) e o canabinol (CBN), muitos dos quais causam interações psicoativas.

O consumo humano da cânabis teve início no terceiro milênio a.C.. Nos tempos modernos, a droga tem sido utilizada para fins recreativos, religiosos ou espirituais, ou para efeitos medicinais. As Nações Unidas estimam que cerca de quatro por cento da população mundial (162 milhões de pessoas) usam maconha pelo menos uma vez ao ano e cerca de 0,6 por cento (22,5 milhões) consomem-na diariamente. A posse, uso ou venda da maconha se tornou ilegal na maioria dos países do mundo no início do século XX; desde então, alguns países têm intensificado as leis que regulamentam a proibição do produto, enquanto outros reduziram a prioridade na aplicação destas leis.

A Maconha


Provém da cannabis sativa, planta que se desenvolve facilmente numa grande variedade de climas. O princípio ativo da maconha é o delta-itetrahidrocanabiol. Pesquisas têm sido feitas com seus derivados, visando emprego terapêutico, no combate de várias doenças, tais como hipertensão, câncer e AIDS. Além disso, estudos permitiram determinar seus perigos reais: seus efeitos dependem da concentração e do preparo. Também das condições em que o produto é utilizado, características individuais e sobretudo, expectativas. Efeitos psíquicos variados. Altera-se a noção do tempo, que parece escoar mais lentamente. O presente passa a ter maior importância, o indivíduo se liberta das preocupações do passado e com o futuro. Em certos casos, as faculdades físicas e mentais são reduzidas, em outros, são estimuladas. Não causa dependência física como as outras drogas, porém causa danos no organismo, como vimos em um outro capítulo.